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sexta-feira, 31 de julho de 2026

O mais racional versus o mais adaptado

 Ecologicamente falando, se entende como uma relação de parasitismo quando uma espécie domina, zumbifica ou engana outra para o próprio proveito. Por isso que, quando uma espécie de vespa se torna especialista, ao longo de sua trajetória evolutiva, em usar colônias de formigas para o seu próprio desenvolvimento orgânico, sem que exista qualquer benefício para as hospedeiras (pelo contrário), isso é imediatamente reconhecido como uma relação parasitária. Mas então também temos as próprias colônias coletivistas de insetos, e também de outras categorias de seres vivos, como os humanos, em que, mesmo que não exista uma relação como essa entre espécies diferentes, ainda existe a mesma estrutura de poder ou domínio e de submissão e sacrifício, só que acontece entre classes diferentes dentro de uma mesma espécie, e que tem como principais vítimas, as classes evolutivamente submetidas a se sacrificarem em prol do coletivo ao qual pertencem, e ultimamente, o próprio indivíduo, a individualidade em si. Só que ela, por ser aparentemente muito mais nominal em espécies sociais não-humanas, até pelo nível individual muito baixo de inteligência ou consciência e percepção sobre a realidade se comparado com a nossa, sua perda ou ausência não é sentida, mais apenas por nós, que a temos, diga-se, variavelmente falando... Então, quanto a essa capacidade muito básica de reconhecer riscos ou perigos, a racionalidade humana em seus níveis mais altos se consistiria em uma grande extensão desta capacidade e isso poderia ser considerado uma vantagem indiscutível. Mas eis que aparece e persiste um grande paradoxo em que, se adaptar muitas vezes significa se sacrificar sem saber ou sem ter plena consciência do que está fazendo, justamente o oposto da inteligência humana adaptativa e evolutiva em sua máxima expressão, que é a racionalidade... Outro sinônimo comum à adaptação é a compatibilidade: mais uma questão de sorte do que de capacidade pura de se adaptar, também no sentido humano de "capacidade consciente de compreender o meio em que se encontra e se ajustar ao mesmo de maneira segura e proveitosa". Pois se para as espécies não-humanas, essa "capacidade plenamente consciente" se encontra praticamente inexistente ou inalcançável, mesmo para a espécie mais inteligente, encontra-se muito mais variável do que seguramente distribuída. 

domingo, 16 de junho de 2024

Sobre um paradoxo entre a adaptação e a racionalidade /About a paradox between adaptation and rationality

 Uma alta capacidade racional, em teoria, maximiza significativamente o potencial adaptativo. Mas, na prática, esbarra em fatores que não estão sob pleno controle de um indivíduo e que fazem toda diferença quanto ao seu potencial de adaptação ou ajuste social: personalidade, inteligência, aparência física, classe social e a própria sociedade em que vive. Ah, também a própria racionalidade, que não é uma capacidade igualmente distribuída em expressão e potencial de desenvolvimento. Como resultado paradoxal, aquele que se torna o mais realista e, portanto, com maior potencial teórico de adaptação, tende a se ajustar menos às sociedades humanas, justamente por estarem construídas para tipos medianos em níveis de racionalidade, e ainda mais paradoxalmente porque, logicamente falando, o mais racional também é o mais intolerante à irracionalidade, predominante em ambientes humanos e que tende a se expressar pela adoção de ideias, pensamentos ou crenças que não se baseiam em evidências e/ou ponderação analítica. Esse descompasso entre racionalidade e adaptação explica, em partes, a correlação fraca que também parece existir entre racionalidade e inteligência, em termos de QI, se aqueles "de QI alto" tendem a ser mais propensos à conformidade social, justamente pelas vantagens associadas à mesma ou às desvantagens adaptativas associadas à inconformidade, isto é, por ser mais adaptativamente eficiente ou primariamente inteligente se conformar às regras ou leis do ambiente em que vive. Ainda que outros fatores, também subjacentes, costumam ser até mais influentes (que não estão sob pleno controle), tal como a presença de traços de personalidade que predispõem um indivíduo a ser mais conformista, como a agradabilidade, e as próprias estruturas sociais da sociedade "moderna" que tendem a facilitar a adaptação dos que estão acima da média em capacidades cognitivas quantitativas, superficialmente estimadas por testes de QI, reforçando a pressão para a conformidade. Também é interessante perceber que, enquanto é mais inteligente se conformar a um meio social do que lutar contra ele, pode não ser a longo prazo (mas mesmo a curto prazo), porque também depende da qualidade do ambiente, primariamente no sentido geral de estabilidade, e secundariamente no sentido mais humano e ideal de progresso ou harmonia. Pois se adaptar integralmente a um meio disfuncional pode não ser vantajoso, especialmente a longo prazo. Tal como nos ambientes sociais "modernos", em que vivemos, que refletem um processo progressivo de declínio ou entropia civilizacional. Então, em termos racionais, em ambientes sub-otimizados, a resposta mais adequada é a de evitar uma adaptação plena ou mesmo de preferir por um isolamento mais consistente, se o mais provável é que acabe replicando padrões de disfuncionalidade dos mesmos, se tornando mais uma presa de tendências regressivas, em termos evolutivos. É até possível concluir que a alta capacidade racional pode fazer o indivíduo que a possui perceber e se firmar por uma perspectiva mais evolutiva, de pensamento mais holístico, de longo prazo, do que apenas adaptativa, pragmática, de curto prazo...


A high rational capacity, in theory, significantly maximizes adaptive potential. But, in practice, it comes up against factors that are not under the full control of an individual and that make all the difference in terms of their potential for adaptation or social adjustment: personality, intelligence, physical appearance, social class and the society in which they live. Ah, also rationality itself, which is not a capacity equally distributed in expression and development potential. As a paradoxical result, the one that becomes the most realistic and, therefore, with the greatest theoretical potential for adaptation, tends to adapt less to human societies, precisely because they are built for average types in levels of rationality, and even more paradoxically because, logically Speaking, the most rational is also the most intolerant of irrationality, prevalent in human environments and which tends to express itself through the adoption of ideas, thoughts or beliefs that are not based on evidence and/or analytical consideration. This mismatch between rationality and adaptation explains, in part, the weak correlation that also seems to exist between rationality and intelligence, in terms of IQ, if those "with high IQ" tend to be more prone to social conformity, precisely because of the advantages associated with it. or the adaptive disadvantages associated with nonconformity, that is, because it is more adaptively efficient or primarily intelligent to conform to the rules or laws of the environment in which one lives. Although other underlying factors tend to be even more influential (which are not under full control), such as the presence of personality traits that predispose an individual to be more conformist, such as agreeableness, and the social structures of society themselves. "modern" that tend to facilitate the adaptation of those who are above average in quantitative cognitive abilities, superficially estimated by IQ tests, reinforcing the pressure for conformity. It is also interesting to realize that, while it is smarter to conform to a social environment than to fight against it, it may not be in the long term (but even in the short term), because it also depends on the quality of the environment, primarily in the general sense of stability. , and secondarily in the more human and ideal sense of progress or harmony. Because adapting fully to a dysfunctional environment may not be advantageous, especially in the long term. Just like the "modern" social environments in which we live, which reflect a progressive process of civilizational decline or entropy. So, in rational terms, in sub-optimized environments, the most appropriate response is to avoid full adaptation or even to prefer more consistent isolation, if it is more likely that it will end up replicating patterns of dysfunctionality, becoming more a prey to regressive tendencies, in evolutionary terms. It is even possible to conclude that high rational capacity can make the individual who possesses it perceive and establish himself through a more evolutionary perspective, with more holistic, long-term thinking, rather than just an adaptive, pragmatic, short-term one...



domingo, 5 de março de 2023

A minha proposta para um outro design inteligente (lógica)

 Qual é a força primordial que é responsável pela evolução e diferenciação das espécies?? 


Aleatoriedade de mutações*, como defendem os "neo-darwinistas"?? 

Deus, como acreditam os criacionistas e os defensores do "design inteligente"?? 

Apenas ou especialmente o meio, como defendem muitos "neo-lamarckistas"?? 

Pois, na minha opinião, além dos mecanismos conhecidos: mudanças no meio que provocam mudanças nos padrões seletivos como a seleção natural e consequências como o efeito fundador; a própria capacidade dos organismos de se adaptarem ou se readaptarem; a ocorrência de mutações "espontâneas' e a retenção parcial das mesmas durante processos de seleção, que aumenta a diversidade das populações, etc.. eu acredito que a principal força que direciona as espécies é o próprio direcionamento acumulativo que tomam, que eu também decidi denominar de "lógica", em que, quanto mais uma espécie evolui para um "caminho" específico de morfologia e adaptação, mais previsível e característico se torna, desprezando eventos não-discretos que podem perturbá-lo de maneira significativa. 

É exatamente como pegar uma bexiga e começar a enchê-la. Maior a bexiga, mais previsível o que pode acontecer com ela (estourar). 

Portanto, ao invés de um "design inteligente", eu penso em um "design lógico".

Esse "design lógico" é o resultado de um "modelo primário de adaptação" (... ao meio, por correspondência biológica/físico-química às suas características e dependência pelos seus recursos) que foi fundamental para a sustentação das primeiras formas de vida e, que toda diversidade subsequente, incluindo a espécie humana, "'apenas" o replicam em seus níveis mais básicos. Por isso essa percepção de "perfeição" da evolução das espécies nada mais seria que uma combinação de um impulso por precisão ou encaixe, de adaptação ao meio, mais uma pressão ou direcionamento acumulativo e específico. 

Portanto, o design até poderia ser "inteligente", mas faz mais sentido pensá-lo como um "design lógico", que obedece às regras pré estabelecidas de um modelo básico de adaptação, uma coerência de molde e dependência ao meio visando uma sustentação replicável.  

* Apesar de não acreditar que a evolução das espécies seja totalmente direcionada pelo acaso de mutações, eu não acredito que, então, seja completamente direcionada, especialmente em eventos onde o nível de imprevisibilidade é maior, tal como durante processos de especiação, se, por exemplo, não podemos dizer que os seres humanos apareceriam de qualquer maneira com base nas espécies de hominídeos que os antecederam. Mas, de acordo com a lógica proposta aqui, se foi possível notar uma tendência para uma direção, no caso da espécie humana, especialmente para o aumento de sua inteligência, durante o período pré-histórico (muito provavelmente por mudanças de padrões seletivos, incluindo a seleção natural), então, quanto mais forte e constante foi essa tendência, mais previsíveis foram os passos evolutivos subsequentes(mas sem ser com total certeza, claro).

sábado, 21 de janeiro de 2023

De novo, sobre perspectivas adaptativa, existencialista e evolutiva

 Adaptativa: o ser vivo percebe-se aparentemente no centro de sua realidade de sobrevivência e adaptação, . Na verdade, ele é um meio para um fim, a adaptação coletiva. 


Existencialista: o ser vivo, particularmente o ser humano, observa o que está além de sua realidade de sobrevivência e adaptação, se voltando também para a sua própria existência. Ele se percebe como um fim em si mesmo, assim com os outros. 

Evolutiva: o ser vivo, particularmente o ser humano, observa a evolução de sua espécie e de outras, ou além de suas necessidades adaptativas. Ele também pode ser relativamente capaz de alterar sua evolução individual. É uma perspectiva que deriva da existencialista por também estar além da percepção adaptativa. Mas, então, ele pode voltar a se perceber como um meio individual ou adaptativo para um fim coletivo ou evolutivo.

sábado, 7 de janeiro de 2023

Contra o "design inteligente"

 A aparente perfeição dos processos adaptativos e evolutivos das espécies é considerada a principal evidência para a hipótese do design inteligente. Mas essa aparente perfeição remonta à origem da vida, em que somente as formas mais estáveis de combinações químicas, ou mais adaptáveis aos ambientes da Terra primitiva, que se perpetuaram. Portanto, esse "molde" primordial de adaptação da vida é que a permite perseverar com excepcional precisão.


Porém, evolução é necessidade...

Pois existem espécies que estão há milhões de anos sem evoluir, preservando suas formas mais ''primitivas'', como se tivessem parado no tempo. Isso acontece por terem atingido seus ''ótimos adaptativos'', por isolamento geográfico, longe de predadores, e/ou também por causa do nível de estabilidade, isto é, de previsibilidade dos seus ambientes.

Mas a adaptação é uma luta constante pela auto-perpetuação, mesmo para essas espécies. A maior diferença é que não estão sendo pressionadas a evoluir tal como as outras, se qualquer espécie, quando evolui, é sempre por necessidade de melhorar sua estratégia adaptativa, quando algo já não está funcionando "perfeitamente" dentro de seu contexto evolutivo.

Então, a evolução da vida não é exatamente uma demonstração de "perfeição" dos mecanismos adaptativos, supostamente produtos de uma providência divina, como afirma a hipótese do design inteligente, pelo contrário, se quanto mais evoluída de suas formas ancestrais uma espécie está, maior terá sido a sua necessidade de "melhorar-se" ou o que não tem sido suficiente para lhe garantir plena segurança e estabilidade. Portanto, aquelas que mais têm preservado suas características primitivas seriam justamente as mais "perfeitas", por terem apresentado uma menor necessidade de aprimoramento, também por causa das condições muito favoráveis dos seus meios que não as desafiam ou ameaçam.

Um exemplo aberrante dos efeitos acumulativos da evolução, paradoxalmente resultantes de uma constante necessidade de melhoria de imperfeições relativas, é a própria espécie humana.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Introversão "patológica' versus introversão adaptativa

O introvertido ''patológico' seria justamente aquele que não teria a capacidade de se adaptar a partir desta faceta de sua personalidade, que, portanto, se manifestaria de maneira rígida ou estereotípica. E quando falo "se adaptar" e em relação ao contexto da introversão, eu me refiro a de se ajustar de acordo com o grau de intimidade, em que, maior a confiança com o outro, maior a extroversão ou exposição de sentimentos, relaxamento e ''sincronização'' com o seu comportamento, em média, isto é, o melhor uso da mesma. Em outras palavras, a introversão em intensidade mas não em controle de qualidadeO introvertido patológico simplesmente não seria capaz deste ajuste, mesmo conseguindo um grau elevado de intimidade com outro indivíduo. 

O introvertido adaptativo seria exatamente como um extrovertido [ou um ambivertido] hiper-seletivo que só demonstra a sua personalidade interior e portanto também os aspectos relacionados à extroversão [a sua totalidade ou aspectos mais consideráveis], para os indivíduos que conquistarem a sua confiança. 

Este tipo não seria exatamente um ambivertido típico, porque o seu ímpeto introvertido, não se manifesta apenas nas relações sociais mas também nos aspectos mais essenciais como o estilo de pensamento [por exemplo, maior introspecção ou capacidade para o pensar reflexivo e também maior sensibilidade ao ambiente].


Aqui também se percebe uma certa superioridade, à priore, da introversão, em relação à extroversão, já que esta segunda seria basicamente como uma exploração do ambiente, em especial do ambiente social, de maneira impulsiva, tal como sair para outro país com uma cultura diferente sem buscar compreende-la, ainda que isso não signifique que todo extrovertido agirá assim, mas muito mais propenso de faze-lo. O introvertido e em especial o mais adaptativo, analisaria ou buscaria conhecer melhor o ''ambiente alheio'', de outras pessoas [e seres], antes de interagir, de entrar em contatos de segundo, terceiro ou quarto graus.  

Faz todo sentido ser mais desconfiado com ''estranhos'' e apenas se ''abrir'' mais quando já tiver conhecimento suficiente sobre eles... 

Aí deveríamos também diferenciar o grau de extroversão ''na intimidade [desejada ou, a priore, benignamente alcançada]'', porque se apresentar um nível mais alto da mesma nesta situação, então, ao invés de ser um introvertido adaptativo, é provável que seria mais como um ambivertido típico [no sentido de natureza e não de nível de raridade] ou como um omnivertido. Ou não, aqui sempre tem essa opção, ''nenhuma das especulações anteriores/acima''.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Extroversão/ambiversão/introversão específica ou generalizada [traços psicológicos podem ser, especuladamente falando, mais localizados ou generalizados]

O meu caso

Mais extrovertido com gays e grupos com os quais eu mais me identifico...


Pode-se ser mais generalizado em um traço psicológico [psico-cognitivo] ou mais específico...

Maiores níveis de generalização, dependendo do traço, mas creio eu, geralmente falando, pode indicar níveis mais baixos de adaptabilidade...

Como sempre parece óbvio de se dizer mas vamos lá: aspectos físicos das raças...

... : tem como função principal a adaptação física ao ambiente e correlacionadamente falando, também ao modo de vida adotado para a sobrevivência. 

É o modo de vida que tenderá a resultar nos aspectos psico-cognitivos [mister óbvio], claro, sem a presença da idealidade universal, razão ou sabedoria...

Aspectos físicos: adaptação ao ambiente [físico]

Aspectos psico-cognitivos: adaptação ao modo de vida adotado para se adaptar ao ambiente , e tudo o que nele está contido, por exemplo, meios para encontrar comida e/ou para evitar predadores, capacidade para cooperar e/ou competir socialmente...

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Ainda dentro da ideia de ''estilo/projeção'': criatividade é estilo/projeção EVOLUTIVA, a sabedoria é híbrida evolutiva-adaptativa enquanto que a inteligência [e sua possibilidade de metamorfoses] é ''um' estilo ADAPTATIVO

Estilo evolutivo = expansivo [''para frente'', ''lados'' ou ''para trás'']; sempre evolui a frente ou atrás da ordem dominante de adaptação ou contexto adaptativo.

Estilo híbrido = pode evoluir dentro da adaptação.

Estilo adaptativo = conservativo.

Criatividade, sabedoria = TUDO, menos para manter [de maneira intensamente estereotípica] a ordem contextual/atual da espécie, especialmente quando a idealidade [sabedoria] e a completude progressiva (ou regressiva//destrutiva] [criatividade] não são constantes nesta ordem.

A inteligência também pode ser compreendida como um conceito amplo e primário, enquanto que criatividade e sabedoria podem ser entendidas como conceitos mais estreitos, se comparados com a primeira, e mais secundários, ''não-primários'' ou derivados, e respectivamente falando, mais sobre a intensidade e sobre a qualidade da inteligência, de modo mais localizado ou mais generalizado.

sábado, 30 de dezembro de 2017

Estilo e projeção: biologia//mente//ênfase adaptativa ou evolutiva e construção individual do comportamento//ambiente flutuante

Por que muitas das pessoas mais [cognitivamente, intelectualmente (especialmente) ou psicologicamente] inteligentes não conseguem ser mais sociáveis*

Temos estilo e o projetamos. Nossos estilos representam aquilo com o qual nascemos, nossos projetos e/ou manuais subjacentes de sobrevivência, adaptação e/ou evolução [no caso dos mais criativos e também dos mais sábios], nossos meios mais profundamente intrínsecos de nos agarrarmos à vida. Somos nós que construímos os nossos [próprios] ambientes particulares ou pessoais, de maneira bem mais dependente enquanto crianças, ainda que já demonstrando motivação intrínseca para perseguir por essa construção auto-biográfica, ao menos em relação ao nosso espaço existencial mais íntimo. 

Via ''forma/estilo e expressão/projeção'', projetamos os nossos estilos, resultando no estabelecimento de um ''ambiente'' pessoal flutuante, ou ''cultura individual'', primeiro os aspectos mais hardware ou ''corpo'', e depois, como processo subsequente, sendo simbolizado com a arte//cultura [existencial e técnica] ou ''roupa''.  A partir daí haverá o processo ou tentativa de encaixar o nosso ''milieu'' pessoal com o local, e em tempos de domínio do ''estado-nação'', com o nacional. Quando o molde não é capaz de se adequar à cultura coletiva [da maioria] então ocorre um processo potencialmente permanente de atomização ''mútua'' de ambas as partes, do coletivo em relação ao indivíduo, e do indivíduo em relação ao coletivo, porque a sua perspectiva existencial será demasiadamente única ou rara para caber em moldes que foram projetados para encaixar medianidades genéricas.

Eu disse que a cultura se divide em 3 setores fundamentais: o técnico/científico, o intelectual/filosófico e o artístico ou existencial. Pois bem, agora penso que, a maioria das pessoas tendem a sobre-enfatizar pelo técnico [científico/replicação da ciência produzida//deveres] e pelo existencial [artístico//entretenimento existencial/ parte dos direitos individuais] e a negligenciar pelo intelectual por razões não-intencionais, visto que é justamente aí que o uso independente das faculdades mentais para o raciocínio se torna mais importante, visto que no técnico, a capacidade de memorização e replicação das atividades que se consistem em sua definição, enquanto que o aspecto mais artístico ou cultural, é aquele que justifica e distrai os estilos [e projeções] individuais [distrai do tempo], especialmente em tempos de florescimento de sub-culturas ''urbanas'.

Quando o ambiente/projeção que criamos para nós não é minimamente equivalente ao ambiente maior ou coletivo, que representa, de maneira invariável, ''as massas'', então é muito provável que além de um constante atrito, como dito acima, também haverá um processo de associalização por parte do indivíduo, e/ou em relação à coletivização constante que basicamente se consiste a socialização. Ele não consegue se socializar porque construiu e/ou projeta um ambiente, derivado de seu estilo, que está muito discrepante da regra ou norma. Por exemplo, ele projeta um gosto cultural incomum a muito sofisticado enquanto que a maioria se conforma com um gosto comum e/ou trivial, resultando a priore em uma fricção de prioridades/ênfases e expectativas, e podendo a partir daí resultar no processo de atomização por parte deste indivíduo, dependendo do seu grau de tolerância com a projeção coletiva do ambiente em que vive.

Maior é o grau de profundidade quanto à vivência do ambiente pessoal, por lógica, maior será o grau de intolerância em relação àquilo que, lhe for diferente ou mesmo que lhe for antagonista. E grau de profundidade também pode se relacionar com: nível de criatividade, de talento [sabedoria hiper-localizada], que eu denominei de ''intelectualmente obsessivo''. 

Portanto, partindo de minha triarquia dos tipos de inteligências [ainda não oficializada, creio eu]: cognitiva, intelectual e psicológica, parece lógico de se pensar que, os mais intelectualmente inteligentes, especialmente a partir de uma abordagem filosófica central, nuclear ou em prol da sabedoria, mas também independente de se estar neste nível agudo de clareza intelectual, serão os mais propensos, juntamente com os ''mais cognitivamente inteligentes'', a se assocializarem, ainda que, estes últimos possam encontrar meios para superar este desafio dentro dos seus ambientes de trabalho, ainda que parece ser regra geral que, mais intensamente distante das medianidades, mais difícil será para ''voltar''/regredir às médias ou tolerá-las.

Serão por 3 vias que, os mais inteligentes, e também qualquer outro grupo, acabarão se assocializando:

- hipo-capacidades interpessoais = característicos daqueles que são desequilibradamente inteligentes no aspecto cognitivo;

- excesso [ou não tão ''excesso''] de complexidade OU de idealidade [espectro da sabedoria] = intelectualmente inteligentes [em intensidade ou qualidade]

- hiper-capacidades interpessoais universais [diferente do tipo contextual/adaptativo, que seriam as mais adaptativas, por lógica] = de acordo com a minha ideia de que, a inteligência é, em seu conceito mais primordial, a busca pelo equilíbrio, e o mesmo no caso da inteligência emocional [ou deste tipo de inteligência emocional], e que todos os fatos são por si mesmos equilibrados ou manifestações do equilíbrio.

No mais é isso, nascemos com estilos, os projetamos, construindo os nossos ''milieu pessoais'' e a todo momento os comparamos com as culturas coletivas, e aqueles com os maiores problemas para se encaixarem ao ''mainstream'' serão os mais propensos à associalização, ou o ato de não-socializar.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Mais uma explicação para a continuidade das desordens/variações mais extremas de diversos níveis e tipos da espécie humana bem como também de outras espécies: a robustez dos acasalamentos assortativos a longo prazo

Os opostos [geralmente] NÃO se atraem, mas sim os complementares OU os iguais...

Aquela velha pergunta na psicologia evolutiva: por que certo fenótipo continua a se manifestar apesar de não conferir vantagem direta ou mesmo por não fazê-lo de qualquer maneira*

Porque, além do macro-efeito fundador [por exemplo, na caso de condições trans-raciais, como a esquizofrenia ou a variação sexual], os padrões de acasalamento parecem ser muito robustos ou repetitivos, em que, pessoas com fenótipos parecidos serão fortemente atraídas, de maneira direta ou indireta, independente da cultura ou do nível de liberdade de escolha, resultando na expressão tendenciosamente constante de certas variações, mesmo que não existam mecanismos DIRETOS de seleção. 

Não é todo traço ''ou' fenótipo que é SELECIONADO, porque muitos serão MANTIDOS dentro de uma população, se expressando em baixa frequência, e possivelmente com base na robustez destes padrões de acasalamento assortativo...

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Ambientes mais perigosos a longo prazo podem selecionar por maiores capacidades cognitivas mecanicistas...

Se o ambiente não é perigoso ou difícil a longo prazo então tenderá a selecionar por atributos sociais//dos indivíduos, porque de qualquer maneira acabará exigindo por maior cooperação mas também ou principalmente por maior competitividade reprodutiva/social, ou capacidades cognitivas mentalistas. E reprodução~ R

Também talvez devêssemos pensar que, 

maior a competição social//sexual dentro de uma população, maior a seleção por atributos psicológicos [''do' indivíduo, de sua personalidade] do que por atributos cognitivos [''do' indivíduo em relação ao ambiente, em suas capacidades intelectuais extrospectivas].

Exemplo: africanos subsaarianos

Se o ambiente é perigoso ou difícil a longo prazo então tenderá a selecionar por atributos adaptativos do indivíduo em relação ao seu ambiente resultando por exemplo em maiores capacidades cognitivas mecanicistas. E reprodução ~ k

Exemplo: eurasiáticos 

Ou também com base do nível de biodiversidade inter e intra espécies...

Ambientes muito frios/ difíceis a longo prazo reduzem a diversidade fenotípica [maior pressão seletiva] e consequentemente aumentam a homogeneidade podendo resultar em maior cooperação de grupo particularmente em espécies mais sociais se todos serão mais parecidos ou menos diversos aumentando o desejo de cooperação.


Por lógica ou não, ambientes muito difíceis a longo prazo tenderão a forçar a espécie (social) para uma maior cooperação ou irá direciona-la para objetivos em comum,  é aquelas: ou cooperamos ou perecemos.  OU, aquilo que falei acima, ambientes muito complicados reduzem a diversidade fenotípica e em espécies sociais, que precisam cooperar entre si para sobreviver, isso poderá resultar em um aumento da cooperação, talvez em especial por causa desta redução na diversidade...

Em compensação uma menor dificuldade ambiental para a adaptação e a espécie poderá buscar por atributos mais em si mesma em termos de comportamento [mentalista] do que em-relação-ao ambiente [mecanicista], principalmente se houver maior competição interna.

É aquelas

Competição da espécie contra o ambiente, buscando sobreviver = maior seleção de atributos biológicos melhor atrelados à essa tarefa.

Competição individual, interna, ou mesmo, ''da espécie contra si mesma'' + alguma necessidade ainda muito importante/mas fracionada de luta contra o ambiente, buscando sobreviver = seleção mista de atributos biológicos tanto para competir sexualmente ou socialmente quanto para se adaptar ao ambiente.


A personalidade//inteligência emocional ou introspectiva (não universalmente ideal/mais desenvolvida mas contextualmente ideal) é uma das principais armas na competição sexual e em um cenário menos rigoroso será mais selecionada do que a cognição ou inteligência extrospectiva. E também reduz a seleção de cooperadores/beta, ou mantém este tipo em proporção menos frequente, e aumenta a seleção a de competidores/alfa.

OU ...

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Perfeccionismo adaptativo-contextual = conformidade

Perfeccionismo resultando com frequência no dogmatismo ou na perfeição da repetição do discurso e da ação.

Dogmatismo == hiper-repetição == hiper-adaptação

domingo, 12 de novembro de 2017

Novamente para entender o conceito de inteligência é preciso primeiramente entender o conceito de comportamento já que a mesma consiste em um produto consideravelmente recorrente ou resultante do mesmo

Primeiro: o que é o comportamento?

O comportamento é a expressão (movimento) geralmente estereotípica/esperada ou aleatória de um agente [ou coletivamente falando], biológico, físico ou químico.

Segundo: o que é o auto-comportamento?

A expressão ativa ou voluntária, que parte do agente e/ou que não é apenas causada por terceiros, isto é, que não é apenas [física/quimicamente] reativa. Todos os seres vivos apresentam como aspecto central de suas existências o auto-comportamento, seja ele explicitamente evidente ou que se centraliza mais na sua sustentação, do que em seu deslocamento ou locomoção (exemplo planta).

Terceiro: o que tem levado o auto-comportamento a resultar na inteligência??

Todos os seres vivos, desde os primórdios da vida, e mesmo de uma logicamente possível proto ou pré-vida, precisam se adaptar aos ambientes em que estão, do contrário não encontrarão meios sustentáveis para continuarem a existir enquanto indivíduos e a se perpetuarem mantendo as suas coletividades, isto é, extraindo as suas fontes de energia e mantendo os seus ciclos de vida particulares. A adaptação, mesmo para a forma mais primitiva ou simples de vida, tem se dado portanto com base no espelhamento perfeccionista de suas formas e expressões sobre os seus ambientes de sobrevivência, entendendo-os organicamente, espelhando-os e tendo como finalidade o perpétuo estabelecimento de uma relação vantajosa para si. Adaptar é espelhar o ambiente e modificar o corpo tendo-o como referência primordial. Poder-se-ia dizer que, quando um ser vivo adapta-se a certo ambiente ele passa a entende-lo já que parte do mesmo será refletido em suas próprias adaptações corporais. Esta capacidade tem evoluído em direção à redução maximizada da intimidade desta relação, ser e ambiente, desembocando na inteligência humana. Primeiro o auto- comportamento tem centralizado diretamente na relação ser e ambiente, e ao longo da evolução tem se deslocado mais para o ser, mais especificamente em relação à parte do seu corpo que tem como função as suas faculdades intelectuais ou comportamentalmente mais decisivas, e tendo como resultado o aparecimento e sofisticação da autoconsciência. O nível de percepção dos seres mais primitivos sobre o ambiente em que estão, parece fazer com que se confundam com o mesmo, como se vissem a si mesmos como extensão do ambiente em que se adaptam, por terem autoconsciências mais fracas ou menos sofisticadas, do que por exemplo, a dos seres humanos. Portanto a capacidade ou necessidade de sobreviver via espelhamento do organismo ou ser sobre o seu ambiente, inevitavelmente falando, o tem tornado inteligente pelo menos a partir de um conceito mais amplo e simples//primário porém essencial do termo. 

Quarto: o que é a inteligência?

Como dito acima a inteligência é o auto comportamento, voluntário ou do ser, que se espelha ao ambiente e especialmente, na maioria das espécies não humanas, absorve o conhecimento de parte do mesmo, para si próprio, via adaptações fisiológicas (biológicas/psicológicas ou sensitivas), enquanto que nas espécies mais cognitivamente avançadas como a humana, este processo de transferência do entendimento do ambiente tem se dado centralmente no cérebro e/ou sistemas atrelados, poupando parcialmente o resto do corpo ou centralizando as adaptações mais no sistema nervoso especialmente o central. 


Quinto: como que tem se desdobrado?

Tem se desdobrado de acordo com o nível de diversificação das espécies e de diversidade dos ambientes em que tem se adaptado, mantendo os seus aspectos mais centrais, obviamente, mas mesclando a sua estrutura às necessidades de cada tipo de dinâmica.

Sexto: o que é inteligência humana?

Consiste na evolução da inteligência da vida em que os seus aspectos mais intrínsecos tem sido mais selecionados e sofisticados do que necessariamente uma adaptação conjunta do corpo e da mente, a regra nas demais espécies. Este provável processo de centralização da seleção, no cérebro/sistemas perceptivos, do que conjuntamente com o corpo, tem contribuído subsequentemente no maior desenvolvimento [mais assimétrico] dessas áreas. Então ao invés de adaptar todo o corpo a um ambiente, seleciona mais pelo aumento quantitativo e qualitativo dos órgãos mais diretamente atrelados com o raciocínio, aumentando o poder perceptivo e de retenção dessas percepções e como maneira de compensar a relativa redução do fitness (força ou destreza) do organismo mas também podendo maximizar o poder de prevenção, compreensão factual e ação efetiva/inteligente, tendo como fundamental intuito sanar as necessidades mais imperiosas, que para qualquer espécie é a sua sobrevivência e a sua continuidade pelo cenário da existência. Todas as espécies não humanas são consistentemente mais paliativas do que preventivas. A espécie humana é a que mais tem investido na estratégia de prevenção entendendo ou buscando entender o ambiente antes ou durante a sua interação com o mesmo. 

Sétimo: como que tem se desdobrado?

Principiado a partir da inteligência em suas múltiplas especializações/metamorfoses entre as demais formas de vida, a humanidade tem sido a primeira delas em que a capacidade perceptiva//sensorial tem adquirido feições mais holísticas do que hiper-especializadas, talvez por causa desta possível maior centralização da adaptação/inteligência no cérebro e correlacionados, do que ser fundamentalmente equilibrado com o resto do corpo. Possivelmente o sistema sensorial muito mais equilibrado, se comparado com o das outras espécies, tenha tido ou tenha um papel primordial para a inteligência humana, alargando os nossos alcances perceptivos, e até mesmo, além de nossas próprias esferas-de-sobrevivência.

O aumento da autoconsciência parece que inevitavelmente resultará no aumento da racionalidade especialmente se for de modo equilibrado entre a percepção cognitiva/dos padrões e a percepção emocional/julgamento estético dos padrões, visando o equilíbrio, a essência de qualquer fato, de toda a realidade. E talvez, se possível, ter sempre a sabedoria como ponto de partida e e de chegada, que talvez eu possa inclusive denominar de ciência existencialista ou hiper-realista, tal como a sua representante [idealmente], a filosofia, deve ser.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Ao contrário do que se imagina os nossos "preconceitos" são peças evolutivas sofisticadas que foram selecionadas para nos salvaguardar de maiores perigos

E também para nos guiar em direção aos nossos destinos reprodutivo-adaptativo.

Em outras palavras, são manifestações legítimas de uma maior inteligência só que aplicada a partir de um cenário lógico e não racional/filosófico. 

"Os animais não são julgadores" (em média). Mas isso se dá especialmente com os mais domesticados primeiro por suas próprias condições de domesticados e também porque são menos inteligentes.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Ao contrário do que se imagina [parcialmente falando] os nossos "preconceitos" são peças evolutivas sofisticadas que foram selecionadas para nos salvaguardar de maiores perigos

E também para nos guiar em direção aos nossos destinos reprodutivo-adaptativo [sentindo maior simpatia/reflexo em relação àqueles que nos são complementares/geneticamente mais próximos, não necessariamente sempre em relação à familiaridade racial].

Em outras palavras, são manifestações legítimas de uma maior inteligência só que aplicada mediante um cenário lógico e não racional/filosófico. 

"Os animais não-humanos não são julgadores" (em média)


 Mas isso se dá especialmente com os mais domesticado,s primeiro por suas próprias condições de domesticados, e também porque são menos ''inteligentes''/perceptivo-analíticos.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

A inteligência é teleológica

Porque evoluiu para buscar pela sobrevivência/adaptação/equilíbrio contextual ou ideal e/ou porque todo o tipo de inteligência tem como finalidade o equilíbrio/adaptação.