Minha lista de blogs

sábado, 9 de maio de 2020

A justiça social é muito maior que o marxismo

A justiça social é muito maior que o marxismo

O clamor pela justiça social é tão ou mais antigo que os irmãos Graco, da Roma antiga... por isso que, reduzi-la à ideologia marxista, faz com que percamos sua real dimensão histórica e filosófica, bem como o seu potencial de alcance político.

É o marxismo que deriva do ideal de justiça social.

 No entanto, amplos setores das esquerdas acreditam e praticam o oposto, o que tem tido consequências negativas sobre a eficácia de suas estratégias políticas.

Vejamos como que isso nos tem impactado.

Narrativa orgânica versus narrativa artificial

É de praxe que partidos progressistas, especialmente os da extrema esquerda, adotem e empreguem uma narrativa marxista para a compreensão das sociedades humanas, usando termos diretamente retirados das obras de Karl Marx, tais como "camaradas", "classe trabalhadora", "donos dos meios de produção" e até o de "operários", classe em franca extinção por causa da automatização progressiva e também da expansão do setor terciário, de serviços.

Então, passam a trata-lo como um profeta que (supostamente) descobriu a justiça social, e que todos devem ser catequizados em sua obra. Outro grande problema da narrativa marxista é o seu nível de organicidade, porque não é natural ou fácil de ser percebida e internalizada; como se estivesse vindo de fora, e não extraída da essência de dentro, da realidade do cotidiano. Enquanto a justiça social, por si mesma, apresenta uma linguagem mais orgânica, por exemplo, quando "populares", de maneira espontânea, expressam revolta ou insatisfação com as desigualdades entre as classes, a linguagem marxista se expressa de maneira artificial, no sentido de se conseguir estabelecer uma rede de comunicação natural, fácil, auto-entendível, sem a necessidade de um linguajar rebuscado, típico de academicismo. Isso nos afasta do grande público, reduzindo os progressistas a um grupo de seguidores de uma quase-seita, que tem a imposição da ideologia marxista como o seu principal objetivo e não a própria justiça social.

É evidente que o marxismo parte do pressuposto lógico de se pensar em respostas específicas ou pré-estruturadas  para o combate ao profundo legado de injustiças históricas, por exemplo, visando à eliminação da propriedade privada, especialmente das maiores. Este texto não tem como intenção diminuir a obra monumental de Karl Marx, mas de criticar seu contínuo uso, muito artificial, acadêmico e/ou não-flexível, dentro das múltiplas esferas sociais, resultando em um constante desencontro entre os defensores da justiça social e, especialmente, as pessoas comuns. Se o que temos é uma ideologia usurpando a percepção integral da realidade, filtrando e eliminando fatos que, a priori, aparentam ser inconvenientes aos seus ideais, enfim, escondendo essas verdades, e não há nada mais equivocado do que fazê-lo. Se queremos um mundo mais igual e encontramos uma humanidade diversa e/ou desigual, por exemplo, devemos analisa-la por todas as perspectivas: histórica, evolutiva, psico-cognitiva, e entao buscarmos pelos melhores meios para a implementação da justiça e, então, harmonia social, a partir desta ou de sua realidade e não por uma idealização distorcida dela. Um problema comum aos idealistas é o ato de transformar ou confundir seus ideais ou objetivos com a realidade absoluta e corrente dos fatos. Por isso que os idealistas igualitaristas estão quase sempre desnaturalizando a verdade sobre as desigualdades intrínsecas entre os seres humanos (e alguns até chegam a expandir essa distorção para seres vivos não-humanos) para, então, "sonharem" além do bom senso e suas ações se transformarem em pesadelo, a médio e longo prazo. E também em relação àqueles que desnaturalizam a realidade de nossa igualdade essencial, em sua grande maioria de conservadores.

A linguagem orgânica adotada pela direita conservadora como parte de seu sucesso

Políticos e ativistas conservadores são os que melhor usam narrativas orgânicas, partindo de uma estratégia em que enfatizam pela agenda cultural, com a qual denotam maior proximidade com a maioria da população, especialmente em um país como o Brasil, enquanto buscam desviar o foco nos setores em que se distanciam dos reais interesses do povo, nomeadamente o sócio-econômico. Tal como em um truque de mágico, o ativista e/ou político conservador, hipnotiza sua plateia-alvo, fazendo com que preste atenção àquilo que ele quer, exacerbando desavenças quanto às diferenças nos costumes, enquanto que, com a outra mão, maquina outras de suas perversidades, por exemplo, a inculcação da perda de direitos. É elementar, já que no aspecto sócio econômico, o conservadorismo é ainda mais explícito quanto às suas reais intenções, tendo como  principal objetivo, inculcar na mente do homem comum submissão ou obediência acrítica à sua "autoridade", por ser um conjunto de ideologias desenhadas pelas e/ou para as "elites" parasitárias, se monárquicas, teocráticas ou burguesas, que se preocupam principalmente em (como) obter (e manter) vantagens e privilégios abusivos para si mesmas a partir da exploração e da domesticação cultural dos "seus'' subalternizados.

Linguagem orgânica = linguagem "do povo"

Em contraste ao típico ativista/político
"conservador", o ativista ou político de esquerda tende a estar acima na hierarquia acadêmica, e isso poderia ser considerado vantajoso por, a priori, indicar uma maior inteligência. Mas, a experiência e a lógica que permeiam as relações humanas nos mostram que o oposto é o mais provável, porque, quanto mais aparentemente inteligente é a narrativa, em sua estética, mais inacessível à maioria ela se torna. Este tem sido omodo de se comunicar dos marxistas e também dos "justiceiros sociais", de maneira geral, em que, tentam naturalizar o que não é orgânico, e não me refiro à justiça social, mas ao academicismo rígido e sofisticado, adotado a partir dos trabalhos de seu principal pensador bem como por outras referências, diga-se, tendenciosamente verborrágicas e algumas até bem alienadas do cotidiano das pessoas fora dos ciclos universitários e intelectuais. O potencial de narrativa orgânica da justiça social, portanto, tem andado solto por aí, sem que ela seja compreendida, estruturada, demarcada e tomada por agentes políticos e culturais das esquerdas como a sua principal ferramenta, se precisam pagar tributo constante ao marxismo. Conservadores usam a linguagem do povo, se confundindo com ele, mesmo que não cheguem a conquistar a todos e que, por trás dessa simpatia, existam motivações escusas. Progressistas usam uma linguagem de professor que busca ensinar as pessoas comuns, tratando-as como intelectualmente inferiores, ao invés de, primeiro, estabelecer laços de identificação natural delas para com eles, e que significa concordar mais do que  discordar ou sempre buscando conciliar divergências e ressaltar pontos em comum, o que o ativismo conservador faz. Além de uma linguagem inorgânica, acadêmica, os defensores da justiça social, em sua maioria e, especialmente a partir das políticas identitárias de minorias, também passaram a fazer questão de se destacar da multidão, sempre se posicionando como excêntricos às convenções tradicionais do homem comum, incluindo boa parte do que ou como pensa. Aqui, nem é em relação a publicitar preferências da intimidade mas de querer impo-las a um público alheio, sem qualquer tentativa de diálogo, concessão e/ou conciliação.  A mentalidade-padrão adotada pelo ativismo progressista tem sido a de nunca recuar, de sempre avançar. Mas, se podemos compreender a guerra cultural em que estamos como um jogo de xadrez, então, não é todo avanço que será uma conquista e nem todo recuo que será uma derrota. Falta tato estratégico básico por parte das esquerdas. Deste modo,  o xadrezista de esquerda está indo rápido demais em direção à rainha e será ele quem perderá a cabeça, se o xadrezista de direita for hábil.. Se a política se faz e se ganha pela identificação com o público e pelo estabelecimento de uma linguagem natural, fluida, acessível e que também concorde e/ou concilie com uma importante parcela de seus valores, isto é, sem ter que se desfazer dos próprios valores, então, sinto-lhes informar mas as esquerdas estão fazendo tudo errado e só não foram totalmente massacradas pelas direitas ainda por causa da força intrínseca do próprio conceito de justiça social. Isto é, mesmo com péssimas estratégias de marketing político, baseadas em ingenuidade, pedantismo e rigidez ideológica, as frentes progressistas continuam a existir porque é do instinto humano o ideal de justiça.

Auto sabotagem

Além do uso viciado de uma linguagem marcada por citações bibliográficas, tal como se todo discurso marxista fosse um artigo acadêmico e ainda por cima dirigido para o grande público, frações nada pequenas de esquerdistas, em redes sociais, continuam defendendo e sem pensamento crítico, países e figuras históricas que aparentemente adotaram os ideais marxistas, pois parece que sentem uma necessidade de terem referências reais para a defesa da justiça social, mesmo que estejam longe de serem as melhores, no que condiz ao nível de sabedoria de suas ideias e ações. O grande problema é que praticamente todas as tentativas bem sucedidas de revoluções populares contra a tirania de elites conservadoras têm sido sangrentas ao invés de estrategicamente inteligentes e ainda resultando na substituição por outras tiranias, aquilo que George Orwell, magistralmente escreveu sob forma de fábula infantil, em seu simples e preciso livro "A revolução dos bichos". Além de usarem obras de Marx e outros como livros sagrados, supostamente dotados apenas de verdades absolutas e irrefutáveis, muitos esquerdistas ainda menosprezam as duras e legítimas verdades históricas dessas revoluções proletárias, com destaque à russa, muito bem sintetizadas por essa obra específica. Quando se é criado dentro de uma bolha ideológica não tem como perceber o que de errado se está fazendo porque são bolhas de profunda conformidade em que reflexões e diálogos verdadeiros são combatidos a todo momento, por mais que sejam palavras comuns no vocabulário de muitos que dizem defender a justiça social e que se sentem confortáveis dentro delas. Também é comum a desumanização em relação àqueles que estão fora da bolha como se tudo o que pensassem estivesse totalmente errado, não apenas em relação às bolhas das esquerdas, pois é uma regra para qualquer ideologia. Vender ao grande público que Venezuela, Cuba, China e até Coreia do Norte são países maravilhosos e que só apresentam problemas por causa das potências capitalistas, especialmente os EUA, ou, que são retratadas de maneira mentirosa pela mídia "ocidental', é como dar um tiro no próprio pé, pela simples razão de não ser plenamente verdadeiro. Demonstra-se altos níveis de doutrinação ideológica, pedantismo e alienação ao mundo fora da bolha. E, novamente, falamos de muita gente que se diz progressista propagando esse catatau de estupidez pelas redes sociais e ingenuamente acreditando que as pessoas se convencerão por si mesmas ou que seus posicionamentos estejam totalmente certos. Estamos falando do mais básico no jogo democrático, de identificação do público com a ideologia e consequentemente com os partidos que a defendem. E melhor ainda se, ao invés de uma ideologia tendenciosamente incompleta em sua compreensão da realidade alcançável, fosse apenas a sabedoria. Mesmo se as esquerdas estivessem 300% certas sobre tudo o que pensam, tal como pensam sobre si mesmas, ainda assim, haveriam de buscar simplificar sua linguagem, de torná-la mais orgânica, acessível, atraente e mais, de pratica-la. Muitos progressistas endossam a teoria, mas não a prática. Dizem que precisamos ser mais solidários e lutar pela igualdade social, mas o estereótipo do esquerdista caviar já está consolidado. Muitos destes pensam que basta defender partidos ditos de esquerda que, pessoalmente, não precisam traduzir o que dizem defender por sua prática. Não estou sugerindo que nos tornemos monges franciscanos, mas que, atitudes solidárias, para começo de conversa, sejam ou se tornem constantes durante nossas existências. Pratica-las, sem esperar por revoluções ou vitórias eleitorais importantes, é um ato, mesmo que limitado, de justiça social. Ainda mais impressionante e necessário se forem praticadas em situações adversas tal como a heroica defesa de judeus por parte cidadãos poloneses durante a invasão e administração nazista do seu país na segunda guerra mundial.  Sua frequência e qualidade mostra o quão compromissado está o indivíduo para com ela. Lembrando que o conhecimento é fundamental para uma prática solidária: característica, eficiente e segura. Do contrário, o risco do fazer o bem ter efeitos colaterais terríveis a médio e longo prazo, será muito alto.

Pela justiça social, não precisamos nos comprometer integralmente com países autodeclarados comunistas e que, na verdade, adotaram os passos equivocados da primeira revolução proletária, na Rússia, resultando lá no estalinismo (traição dos ideais da revolução) e nesses em versões tirânica ou autoritariamente idênticas. Pois, ao fazermos, nos sentimos na obrigação de defende-los, por mais problemáticos e distantes da aplicação absoluta ou utópica da justiça social eles possam estar. Utópica aqui, nunca em um sentido pejorativamente irrealista, mas de idealmente possível ou moralmente/imprescindível. Assim, estamos basicamente dando maior importância à ideologia marxista (um meio) do que aquilo em que se baseia ou prega, a justiça social (seu objetivo).  Isso a fragiliza perante o público maior, quando defendemos países que a adotam/adotaram como bandeira ideológica, mas não como prática padrão. Não é à toa que os hipócritas "conservadores" sejam os que mais adorem essa teimosia progressista, pois assim podem nos apontar, generalizadamente, como os maiores e/ou únicos hipócritas. Percebo que é comum esquerdistas adotarem e replicarem de maneira acrítica esses discursos contraditórios diretamente transmitidos pelo ativismo marxista, sem se darem conta do que são. A ingenuidade retórica  desconcertante de muitos progressistas também têm trabalhado contra o nosso sucesso político. É fato que o marxismo e o progressismo, de maneira geral, sejam os principais defensores da justiça social e, portanto, que exista uma demarcação ideológica ou tendência de adoção por um "lado" do espectro da política. Mas, ao submetermos este ideal máximo às soluções predeterminadas do marxismo, estaremos perdendo o seu poder de, tal como água, se expressar em vários estados, mas, mantendo-se água, de flexibilidade de ser aplicado em uma pluralidade de contextos. O principal problema da justiça social ainda não é se um país é capitalista ou não, mas o nível de caráter de suas "elites' especialmente as sócio-econômicas. É lógico pensar que o capitalismo atraia oportunistas egoístas ao topo de uma sociedade já verticalizada. Até à atualidade, pensadores de esquerda ou, em um sentido mais amplo, progressistas, não chegaram a produzir uma estruturação sistematicamente coerente de conhecimentos ou fatos relacionados à essa área da política ou das ciências humanas, se estão demasiadamente comprometidos em replicar diretrizes rígidas do marxismo e de ideologias próximas, tal como o igualitarismo, em que acredita-se que os seres humanos são todos iguais (não "apenas" em suas essências existenciais) e que apenas as diferenças em seus ambientes que explicam essa diversidade de resultados, por exemplo quanto à variação de capacidades cognitivas. Por essas ideologias, eles culpam a pobreza de qualquer nível como única responsável pela média mais baixa de inteligência em grupo de crianças e adolescentes das classes basais, desprezando o valor correlativo dessa relação e predominantemente intrínseco das capacidades cognitivas, que, claro, precisam de estímulos mas são auto-limitadas, de acordo com o potencial de cada um. Muitos acreditam, ingênua e passionalmente, que esses fatos são, na verdade, malabarismos retóricos da direita conservadora para justificar a desigualdade social, seus privilégios (especialmente para os mais abonados) ou condenar a igualdade como um ideal inalcançável. Mesmo que muitos conservadores assim o façam, isso não elimina o teor factual deste exemplo de contextualização da ideologia igualitarista. Parece que muitos progressistas, herdeiros diretos do iluminismo, sentem a necessidade impulsiva de elaborar "mentiras brancas" ou meias verdades, geralmente inconscientes do que são, para desnaturalizarem (quase) todos os posicionamentos dos seus oponentes. Em outras palavras, ao invés de buscarem se colocar a um nível superior ao conservadorismo, aceitam de bom grado atuarem no mesmo nível que ele, em que se nega a integridade da sabedoria pelo filtro de fatos, separando os que lhes são mais convenientes dos que não são. A priori, a justiça social não precisa de uma estrutura ideológica rígida, tal como é constituído o marxismo, bem como qualquer outra ideologia. Basta a análise dos fatos, sem negar nenhum deles, ponderar/ser racional, ter como preferência a harmonia, a justiça e o conhecimento, principiando pelos mais importantes, que são os existenciais, o nível máximo de moralidade que podemos alcançar. Modéstia à parte, seguir o ideal máximo da justiça social ao invés de me sujeitar à doutrinação marxista é o que eu tenho tentado fazer pelos meus textos e também por minhas ações no cotidiano, o que posso fazer. Isso não significa que esteja desmerecendo Karl Marx, Friederich Angels e seus trabalhos,mas usando-os como auxiliares importantes e não como finalidade máxima, que é a justiça para a harmonia social.

quarta-feira, 6 de maio de 2020

A presença/influência perniciosa de cripto-cristãos e cristãos dentro do iluminismo

A presença/influência perniciosa de cripto-cristãos e cristãos dentro do iluminismo

"Somos todos (absolutamente) iguais, irmãos, filhos do mesmo "pai"..."

"Temos que fazer o bem sem olhar a quem"

"A 'bondade' INCONDICIONAL sintetiza o que Jesus pregou"

"O verdadeiro cristão sempre deve oferecer a outra face em uma situação de confronto"

Além de se basear em absurdos lógicos, impossíveis de terem acontecido em algum momento da história humana, tal como o nascimento de um semideus, a mitologia cristã ainda prega que a verdadeira bondade deva ser praticada a partir da abnegação do instinto de autoproteção bem como do senso de justiça, por exemplo, o perdão àquele que comete crime hediondo.

Pois é possível perceber a presença e a influência, eu diria, significativa e perniciosa, tanto de indivíduos cripto-cristãos e cristãos, quanto da moralidade "metafísica" do cristianismo segundo Jesus Cristo, dentro deste grandioso esforço racional que tem sido o iluminismo, corroendo sua coerência, se visa justamente lutar contra a ignorância e a superstição humanas, o que inclui obviamente as mitologias. A priori, o problema não é a existência de cripto-cristãos e cristãos explícitos dentro do iluminismo progressista, e sim que eles usem suas crenças nas "palavras de Jesus" para doutrinar os demais, geralmente inconscientes do que fazem. Esta simbiose entre ideais iluministas e "bondade" metafísica cristã parece ter acontecido nos primórdios do iluminismo, quando alguns de seus principais pensadores desenvolveram as bases para as crenças igualitaristas, por exemplo, pelo dogma de que todo ser humano nasce bom e que é corrompido apenas pela sociedade, que mais tarde evoluiu para a negação da genética ou biologia como fator relevante para o comportamento humano.

O alinhamento das palavras do papa Francisco, consideravelmente baseadas neste purismo cristão, com muitas forças progressistas, parece ser uma demonstração de enraizamento dessa simbiose que tem feito muito mais mal do que bem ao iluminismo. Tire a mitologia cristã e mantenha apenas a sua moralidade metafísica purista e encontraremos basicamente o pensamento moral dominante para a maioria dos que defendem pela justiça social, os principais herdeiros e defensores do iluminismo ou sabedoria. E que não se baseia inteiramente em fatos ou conhecimentos..

Ao invés de estarem buscando pela verdade dos fatos e ponderação em seus atos, isto é, pela sabedoria, objetivo fundamental do iluminismo, muitos dos que defendem a justiça/harmonia social e, especialmente os mais influentes (pensadores/intelectuais, ativistas/influenciadores, políticos) estão promovendo uma purificação moral extremista segundo as palavras do maior profeta do cristianismo, mesmo se a maioria for de autodeclarados ateus e agnósticos. Por isso que é muito importante identificar essas influências "extra-racionais" dentro do movimento mais importante que a espécie humana já iniciou, que seria um ''grande salto adiante'' em termos de melhoria na qualidade intelectual de sua cultura e consequentemente de sua compreensão sobre a (única) realidade que existe.

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Alerta de 3 lacrações bem lacradoras

Alerta de 3 lacrações bem lacradoras

I

O que se consiste a "lavagem cerebral" esquerdista??

Se consiste em


1. Acreditar que as mulheres não são domésticas procriadoras. Que são ''gente'' também! Que merecem respeito e direitos;

2. Que LGBTs não são doentes que precisam ser curados, já que nascer assim não é sentença de morte. Que merecem respeito e direitos;

3. Que negros não são menos humanos que brancos. Que a escravidão sempre foi um erro moral grave, já que nunca foi imprescindível para a sobrevivência humana. Que brancos/europeus não são superiores ao resto da humanidade;

4. Que o Estado precisa ser secular ou separado das instituições religiosas, se crenças não são baseadas em fatos (científicos), nem em filosofia. Que o ideal era que todos nós fôssemos ateus, mas, como parece ser impossível até os dias de hoje, então, há de se respeitar suas práticas até o ponto em que elas respeitem os outros, mantendo sua influência apenas no campo "espiritual";

5. Que o capitalismo é um sistema que, inevitavelmente, promove desigualdades sociais, já que os donos dos meios de produção acumulam mais riqueza do que seus empregados, aliás, usando-os como degraus para essa finalidade, só para começo de conversa. Que o ideal é haver muito menos desigualdade, sem super ricos nem super pobres.. Que o comunismo, que nunca foi definitivamente implementado, é a ideologia que melhor abarca esse ideal. E que existem alternativas, como a social-democracia;

6. Que a democracia não é o governo da maioria, mas de todos os grupos que pertencem a um povo;

7. Que a liberdade não é individualismo irresponsável; que é a própria autonomia individual mas sabendo respeitar o espaço ou a liberdade de outros indivíduos;

8. Que somos parte da natureza. Que precisamos aprender a respeitar o meio ambiente, buscando construir uma relação permanentemente harmônica com ele. Que precisamos rever a lógica capitalista, em que "lucros" para uma minoria inescrupulosa, são considerados mais importantes que o próprio meio ambiente;

9. Que somos todos iguais, porque somos vidas, seres humanos, porque vamos todos morrer um dia. Por isso que a igualdade é tão importante...

Esses são alguns sintomas da lavagem cerebral esquerdista.. Se apresentá-los, procure imediatamente um médico!!



II

Qual é o grupo que melhor personifica a má fama do povo brasileiro, de que é o próprio desastre natural?? E/ou que é aquele que mais atrasa o país?

Metidos a espertos, malandros egoístas, excessivamente extrovertidos//indelicados, convictos de que estão sempre certos, barulhentos, hipócritas, falsos patriotas...

Até meados das eleições desastrosas de 2018 ''D.C'', já havíamos encontrado um nome pra eles... mínions ou Bolsominions..

III

Por que a culpa branca??
E mais um erro crasso de racionalidade por parte das esquerdas..

Apenas uma demonstração, usando a situação do Brasil, só pra vocês entenderem o porquê...

Perfil PREDOMINANTE dos principais culpados (meliantes)
e
apoiadores

1. Destruição dos biomas brasileiros, especialmente da floresta amazônica

A quem culpar??? Quem, quem, quem??

Homens, héteros, brancos, do sul, conservadores...

2. Desigualdade social, histórica e absurda, que atrasa o desenvolvimento do país

Culpa das elites, em sua maioria, de brancos, e capitaneadas patriarcalmente por homens (héteros) conservadores...

2.1 Partidos políticos que praticamente existem para defender privilégios e interesses de "nossas" amáveis elites...

A quem culpar??? Qual é o perfil de políticos e de apoiadores (mínions)??

Homens, héteros, brancos, conservadores (de todas as regiões, mas mais comuns no sul e sudeste)

2.2 Taxação cruel de impostos que penaliza os mais pobres e a classe média em relação às elites

Quem define leis e diretrizes no país?? Não são as "elites"??

3. Histórico de irracionalidades (ódio, desprezo e injustiças) contra grupos minoritários e/ou vulneráveis sem falar de maiorias oprimidas (mulheres e "pobres")

A quem culpar?? Quem, quem, quem??

Homens, héteros, brancos, conservadores...

Não termina aí...

Um adendo, talvez, incomum

4. "Ideologias brancas/europeias"

Incapacidade de raciocínio ponderado, racional, eu diria, filosófico, por boa parte de intelectuais brancos, sendo transformadas em ideologias e impostas por eles como as únicas disponíveis e certas ou desejáveis, a partir da sobreposição de suas personalidades, do que apenas pela percepção prioritária de verdades ou fatos...

A culpa é apenas "branca"??

A existência de pessoas de má índole e consequente histórico de crueldades, têm sido, infelizmente, universais entre as raças ou populações humanas. É verdade que os europeus brancos têm um longo histórico de atrocidades cometidas e em escala global. Mas, as esquerdas, por razões rigidamente ideológicas, têm ecoado que indivíduos de grupos historicamente oprimidos (por brancos), como os negros, nunca podem ser julgados por seus atos e intenções intrínsecos, e sim a partir de um contexto sócio-econômico de vulnerabilidade. Daí, segundo esses intelectuais e suas colmeias progressistas, quase em uníssono, um criminoso de classe social basal e que é preto ou pardo, pratica seus crimes PRINCIPALMENTE por causa do racismo estrutural e/ou do legado da escravidão, NUNCA porque TAMBÉM apresenta uma índole que o leva para esse caminho. Eu já li e não foi apenas uma vez, de comentários de feministas, deixando claro que, misoginia, homofobia e racismo, supostamente só podem ser praticados por homens héteros e brancos ou por pessoas brancas. Negam, inclusive, que o racismo possa ser sofrido por brancos.
Parece óbvio, portanto, que a ideia de culpar apenas os brancos europeus e sua diáspora por todos os males do mundo não está correta, ainda que mereçam uma carga maior de culpa pelas razões já expressadas no início deste trecho.

Verdades sensorial e cognitiva

Verdades sensorial e cognitiva

Além da hierarquia e da diversidade sobre os tipos de verdade que eu já propus (subjetiva, pragmática, universal, essencial e existencial) aqui, falarei um pouco sobre a existência possível de outras duas verdades: sensorial e cognitiva, abordando uma perspectiva diferente.

Verdades sensoriais são informações verdadeiras ou fatos da realidade, que um ser vivo reconhece pelos seus sentidos.

Verdades cognitivas são informações verdadeiras que, principalmente o ser humano, abstrai e organiza a partir de sua percepção sensorial, conseguindo estabelecer relações de causa e efeito, comparação, composição..

A verdade cognitiva se expressa por  afirmações ou negações verdadeiras, das mais simples às mais complexas. Verdadeiras por refletirem uma ou mais facetas da realidade, concreta e abstrata.

 Por exemplo, se eu digo que "Berlim é a capital da Alemanha", essa é uma verdade cognitiva, porque se consiste em uma afirmação verdadeira, a partir de fatos construídos e reconhecidos por seres humanos.

Se eu percebo, pela visão, o voo de um pássaro, essa é uma verdade sensorial, captada pelos meus sentidos. Quando eu construo a frase/composição "eu vi um pássaro voando no céu azul", eu estou organizando os elementos que eu percebi (eu mesmo, pássaro e o céu azul) e as ações relacionadas ("eu vi"; "pássaro voando"), produzindo uma verdade cognitiva. Essa capacidade, que parece ser única à espécie humana, é uma extrapolação dos limites de compreensão dos próprios sentidos, em que nos tornamos capazes de organizar, elaborar e melhor compreender o que sentimos, através de referências ou legendas aos elementos verdadeiros de nossos mapas de realidade, ou palavras e seus conceitos que associamos às coisas derivadas (comportamentos/sensações) e concretas.  

As ciências humanas são as mais importantes...

As ciências humanas são as mais importantes...

... porque são basais à cultura e ao conhecimento humanos.

Geografia (espaço), história (tempo), sociologia (sociedade), filosofia (tudo/pensamento), psicologia (mente humana), línguas (bases para a compreensão), artes (expressão/"alma" humana)..

Por isso que são tão perseguidas e disputadas por ideologias das mais diversas matizes. Por isso que o fascismo busca reduzi-la de sua verdadeira importância, sempre quando toma o poder.

O desprezo comum em relação às ciências humanas se deve a um macro-fenômeno perceptivo que tenho ressaltado em vários dos meus textos, em que o básico é tratado como menos importante que o mais complexo. Por exemplo, a comparação entre "física quântica" e "história".

O que é considerado mais difícil, inacessível para um maioria versus o que é considerado menos difícil ou mais acessível.

Mas, sem as bases não há altura para que seres humanos alcancem o que é mais complexo.

As ciências humanas justificam todas as outras, especialmente pela moralidade//filosofia.

Fascistas/ultra-conservadores, denigrem sua imagem mas, para mantê-las sob o seu domínio sempre pernicioso, se sabem que, quanto mais distorcidas e subdesenvolvidas forem se tornando [por exemplo, endereçar a moralidade para o controle de mitologias, de mentiras], mais fácil condenar a harmonia existencial da espécie humana, que só acontecerá a partir da aplicação absoluta da justiça social ou correção histórica, isto é, com o redirecionamento da evolução humana para o seu caminho mais ideal ou utópico.

segunda-feira, 20 de abril de 2020

O que é a psicologia evolutiva, ideologicamente?

O que é a psicologia evolutiva, ideologicamente?

A priori, é uma ciência que estuda o comportamento humano por uma perspectiva evolucionista, mas, que tem sido cooptada por indivíduos ou interesses conservadores, pois procura super-naturalizar o caminho evolutivo tortuoso que a espécie humana tem percorrido. Por exemplo, se a maioria dos seres humanos são egoístas e conformistas acríticos, então, devemos aceitar essas características de bom grado, como irreversíveis e/ou como evolutivamente válidas, afinal, se a maioria é assim, deve ser porque elas apresentam algum "valor evolutivo" importante. Se a maioria acredita em "deus(es)", então, a crença mitológica  tem um "valor evolutivo" ou "adaptativo" importante...

Aqui, despreza-se o que esses comportamentos realmente são...

Egoísmo e conformismo acrítico: expressões instintivas, inferiores em termos de racionalidade. Assim como para a crença em absurdos ou fantasias reconfortantes...

domingo, 19 de abril de 2020

Reexplicando a relação entre autocentrismo perceptivo "animal" e "religião"/mitologia

Reexplicando a relação entre autocentrismo perceptivo "animal" e "religião"/mitologia


Fiz um texto em que tentei explicar minha teoria para a natureza essencial da prática religiosa ou mitológica, pela metáfora do marca-passo. Eu tentei e acho que não fui bem sucedido, mesmo depois de umas melhorias aqui e acolá. Aqui, volto a esse projeto e busco pontua-la rapidamente...

Metáfora do copo

Pense nos seres vivos não-humanos e em suas capacidades de compreensão da realidade como um copo cheio d'água, sem transbordar, em que não existe a percepção de "horizontes" ou "aléns"; não existe a ideia de vazio se já estão preenchidos por seus afazeres de adaptação; sem dinâmica ou perturbações mais intensas em seus ritmos perceptivos, em suas certezas intrínsecas. Essa metáfora representa seus comportamentos estereotípicos, instintivos, autolimitados, sem interrogações, apenas exclamações.
Agora pense na autoconsciência humana como um copo transbordando de água, em que a submissão instintiva ao ciclo adaptativo de vida não lhe é mais suficiente. Assim, cada gota de água que cai para fora do copo equivale ao pensamento que vai além da dimensão primária de adaptação, além da competição, da reprodução e da cooperação, do tempo presente, da própria sobrevivência. Que/também quer saber do que são feito as estrelas, por que pensamos, de onde viemos, para onde vamos. No entanto, ao longo da história evolutiva humana, um mecanismo que visa conter essa expansão, diga-se, natural de nossa  compreensão ou consciência, vai se tornando central na cultura, resultando no aumento proporcional de pessoas que apresentam necessidade intrínseca de contenção de sua curiosidade e percepção,regredindo para o nível mais básico de compreensão e vivência da realidade. Esse mecanismo se chama "religião", ainda que eu sempre prefira chamá-lo de mitologia. Ao invés de uma relativamente constante cascata de pensamentos curiosos sobre a realidade objetiva, ocorre uma construção (resposta auto-imune) de uma "represa" na mente, que contém esse aguaceiro de questionamentos, dúvidas, incertezas, certezas inconvenientes/angústias. Todos os seres vivos não- humanos vivem suas perspectivas de realidade como se fossem representações objetivas ou fidedignas da mesma. Portanto, não existe para eles qualquer necessidade de preenchimento ou de contenção daquilo que já tomam como preenchido ou seguro, suas experiências existenciais. Em contraste, o ser humano é aquele que está mais aberto para a confrontação ou interação com a realidade objetiva, isto é, que está menos sujeito à submissão de seus instintos, de sua subjetividade ou versão pré-constituída da realidade. Uns mais que outros. Mais perceptivamente subjetivo é o ser humano, menos racional ou essencialmente inteligente (que, até certo ponto, independe de seu potencial cognitivo quantitativo).

Como eu sou bom em metáfora, lá vai mais uma. A consciência do ser vivo não-humano como uma porta encostada onde que apenas alguns raios de sol entram. A autoconsciência do ser humano como uma costa bem mais aberta e frouxa, podendo ser mais fechada ou totalmente escancarada para que o sol penetre mais profundo dentro de sua perspectiva de corpo em frente à porta. O filósofo é o que escancara a porta. O mitólogo é o que mais a encosta.

Os seres vivos não humanos são todos autocêntricos, interessados predominante a totalmente em seus modos de vida ou perspectivas de realidade. A mitologia é a representação artística deste mesmo autocentrismo, em que o universo passa a girar em torno do ser humano, e com direito até a um deus-criador como "pai".
Formigas, felinos, elefantes, insetos, enfim... todos, experimentam seus modos de existência como se estivessem no centro da realidade. A religião ou mitologia, ao invés de puxar o ser humano para uma consciência de dimensão mais elevada, essencial e purificada das obrigações adaptativas, parece fazer o oposto, reforçando aquilo que também temos de comum aos outros seres vivos, menos inteligentes, o autocentrismo, que para eles é natural e para nós têm sido esse artifício com grandes implicações morais e evolutivas, em sua grande maioria, negativas, se, ao invés de abraçarmos nosso caminho evolutivo, por ela, estamos retrocedendo ou contendo a maximização de nosso potencial.