Minha lista de blogs

Mostrando postagens com marcador sabedoria. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sabedoria. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 26 de junho de 2026

A essência da inteligência humana é a sabedoria... e QI

 A sabedoria também se consiste na básica e, portanto, fundamental capacidade de discernimento do que é verdadeiro e do que não é, assim como também do que é definitivamente essencial e do que é frívolo, visando ampliar a compreensão sobre a realidade para o melhor (sobre)viver.


Os testes cognitivos mensuram nossas capacidades: aritmética, espacial, linguística, de memorização e de reconhecimento de padrões (não-contextualizados), que são facetas muito importantes da inteligência humana. No entanto, não avaliam criatividade e nem sabedoria, que são fundamentais, respectivamente para a genialidade e para a sanidade intelectual. Isso significa que é totalmente possível pontuar muito alto nos testes e não ser criativo nem ''sábio''. Enquanto as facetas da inteligência que são mensuradas e comparadas por esses testes, se expressam em atividades ou finalidades específicas, quando são necessitadas, a sabedoria deriva do básico ato de percepção, visando ao melhor julgamento. sendo requisitada em praticamente todo momento de interação com a realidade...

A sabedoria é a expressão ideal do funcionamento integrado das facetas da inteligência humana, enquanto que, nos testes cognitivos, são analisadas de maneira isolada e descontextualizada. É o equivalente a comparar o funcionamento individual de peças de um dispositivo eletrônico e e vê-lo funcionar em sua integridade. Mesmo quando não aparenta, por exemplo, pelo autoconhecimento, um indivíduo reconhecer inaptidão para certa atividade.


Reconhecimento de padrões

Uma das ações mais básicas [ou fundamentais] da inteligência é a de reconhecimento de padrões (detecção de comportamentos repetitivos que caracterizam fenômenos, elementos e suas expressões; bem como seus níveis de similaridades e diferenças). Os testes cognitivos também mensuram esta capacidade, mas, descontextualizada, por meio de perguntas que não são baseadas no que acontece no mundo/tempo real, porque a partir da interação com suas múltiplas circunstâncias, nossas predisposições psicológicas assumem um papel muito influente e, frequentemente, deletério para a finalidade filosófica ou da sabedoria, de busca inequívoca pela verdade. Por nossas personalidades, em contextualização constante com os ambientes em que vivemos, temos a tendência ou o risco de, ao invés de reconhecermos fatos e padrões, filtrarmos as informações que, instintivamente, mais nos convêm, que podem e geralmente apresentam um nível variado de veracidade: de verdades, meias-verdades e mentiras. Portanto, se os testes de QI são testes, neste caso, para o reconhecimento de padrões, a sabedoria é sua prática no mundo real e, sinto/lhes informar que, a maioria das pessoas não se sai bem nela. É como comparar um exame de direção para tirar a carteira de motorista, que também costuma exigir conhecimento técnico, acessado por provas escrita e prática, e de dirigir pra valer nas ruas. Nem sempre o resultado do exame será espelhado na realidade. Este é o caso dos testes cognitivos, porque resultam em muitos falsos-positivos, de indivíduos que pontuam alto neles mas, na prática, mostram-se pensadores passivos, aborrecidos e tendenciosos ou, então,que exageram no pensamento divergente//autoconfiante. Do mesmo modo que tem muito motorista que passa com louvor nos testes de direção porém, nas ruas, anda rápido demais, desrespeitando as leis de trânsito, bem como a segurança dos outros motoristas e pedestres...  

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

O que é mais literalmente a sabedoria/What is wisdom, more literally?

 O AMOR ao conhecimento, não necessariamente ao aprendizado, porque é totalmente possível conhecer sem ter que aprender, se se pode conhecer ou tomar conhecimento sobre uma informação sem que isso resulte em um aprendizado. Então, tanto a sabedoria quanto a filosofia são mais literalmente sobre a transformação da busca pelo conhecimento em uma cultura ou ideologia pessoal, mesmo que essa procura ou incursão constante não se frutifique em um acúmulo progressivo de aprendizados. Mais uma questão de hábito, de naturalização do prazer dessa busca do que do fixar ou aprender o que se busca, ainda que esse processo tenda a servir como um reforço potencial de aprendizado. Enfim,tendo o conhecimento como um prazer ou entretenimento e não apenas ou exclusivamente como uma obrigação de aprendizado. 


The love of knowledge, not necessarily of learning, because it's entirely possible to know without having to learn, if one can know or become aware of information without it resulting in learning. Therefore, both wisdom and philosophy are more literally about transforming the pursuit of knowledge into a personal culture or ideology, even if this constant search or exploration doesn't result in a progressive accumulation of learning. It's more a matter of habit, of naturalizing the pleasure of this search, than of fixing or learning what is sought, even though this process tends to serve as a potential reinforcement of learning. In short, having knowledge as a pleasure or entertainment and not just or exclusively as an obligation to learn.

domingo, 13 de abril de 2025

Trump e o de sempre da "direita"/Trump and the usual of"right wing"

 Sabedoria? Ponderação? Razão? 


Não. O de sempre da "direita". Poucos acertos, alguns muito importantes, mas não adianta, se erra em quase todo o resto. E assim tem sido, desde antes que passou a chamar a direita de direita. 

Em seu início de segundo governo, Trump acerta nas questões imigratória e identitária, ainda que não sejam acertos perfeitos, sem defeitos, bem longe disso. Mas erra em todo resto. É a truculência e a indiferença da direita de sempre, sua marca registrada. Uma espécie de merda construtiva. Destroem, vandalizam, complicam, mas dão um jeito da merda "dar certo", no sentido de "dar lucros". Não para você ou eu, estúpido! Não é apenas a economia. Nunca é. E assim, nossas democracias continuam com as suas farsas, não apenas de um lado. O relativismo na palavra e na ação tem sido muito popular no espectro político...



Wisdom? Thoughtfulness? Reason?

No. The usual "right wing". A few hits, some very important, but it doesn't matter if he gets almost everything else wrong. And that's how it's been, since before we started calling the right wing the right wing.

At the beginning of his second term, Trump gets immigration and identity issues right, even though they're not perfect, flawless hits, far from it. But he gets everything else wrong. It's the usual right wing brutality and indifference, its trademark. A kind of constructive shit. They destroy, vandalize, complicate things, but they find a way to make shit "work", in the sense of "making a profit". Not for you or me, stupid! It's not just the economy. It never is. And so, our democracies continue with their farces, and not just on one side. Relativism in words and actions has been very popular across the political spectrum...

sexta-feira, 29 de novembro de 2024

Sabedorias anti-capitalistas/Anti-capitalist wisdom

 Será que é sempre preciso dizer para muita gente que a vida não se resume a dinheiro, trabalho... E que se está resumida, não é por alguma força da natureza?!?

O animalismo é a característica mais primária do capitalismo, de mentalidade de cadeia alimentar, por desprezar a perspectiva existencialista, de igualdade em essência e finitude de todo ser, que apenas o ser humano pode entender, um dos marcos que o distingue das outras espécies. Pois é por essa alienação que o capitalismo previne muitos de entender e aceitar que o mundo é muito maior que as ficções que criamos para organizar o "nosso'... 

Não existem bilionários tal como existem pássaros. Enquanto as sociedades humanas continuarem se firmando em castelos de cartas, continuarão existindo como ambientes que oprimem e exploram, ao invés de se constituírem como oásis que nos protegem contra a imensidão que existe lá fora

O "liberal" da economia, quando é o mais interessado, não gosta do estado porque quer liberdade para explorar seus empregados sem qualquer intermediação ou mesmo barreira... Quer que a (sua) mão invisível tenha poder total... Capisce??

"O empresário merece enriquecer mais que os outros"

Então, o resto não merece enriquecer também?? Ou muito menos que eles??

"Porque ele sacrifica seu patrimônio para isso"

Todo ganancioso é ousado. 


Tratar a economia como uma disciplina auto suficiente, que não precisa de interdisciplinaridade, não é diferente do que fazer o mesmo com a sociologia e desprezar o papel da biologia no comportamento humano. E ao fazê-lo, se pode desprezar qualquer implicação negativa quanto ao bem estar social, tratando como um mal necessário, da exploração econômica às desigualdades extremas 

Não é apenas sobre economia. Na verdade, é sobre tudo e mais um pouco: solidariedade, empatia, lógica básica, existencialismo, enfim, filosofia, que a maioria dos liberais da economia não quer colocar em discussão...

Eu sei que o sistema capitalista induz, por suas próprias estruturas, à exploração compulsória de uma classe sobre a outra. Mas ao invés de, ao menos, admitir essa situação, a maioria do empresariado defende o sistema que também o explora 

É comum que um empresário se queixe dos altos salários da "elite" do funcionalismo público. Mas não critica pela injustiça dos altos salários em si, mas pensando que seus impostos também são para pagá-los. Como sempre, uma questão pessoal e não uma questão coletiva 

O eufemismo é a alma da propaganda capitalista. Precisa distorcer o sentido das palavras, se não revela o que realmente é ou resulta 

Made in Brazil 

Não há classe mais sem vergonha do que o empresariado brasileiro, salvando honrosas exceções. Especialmente os mais abonados, continuam a tratar o seu próprio país como plataforma de exportação dos seus produtos, como colônia de exploração. Um exemplo notável da perversidade empresarial brasileira é a contradição do Brasil ser o maior produtor de café do mundo, mas exportar o melhor de sua produção e deixar o resto para o povo, sem deixar de falar que também o vende para nós a um preço abusivo

Boa parte das reivindicações trabalhistas se resume à luta do trabalhador comum para conseguir os mesmos privilégios sociais que o seu patrão, de ter a mesma vida que ele tem 


Is it always necessary to tell many people that life is not just about money, work... And if it is, it is not due to some force of nature?!?

Animalism is the most basic characteristic of capitalism, of a food chain mentality, for disregarding the existentialist perspective, of equality in essence and finitude of all beings, which only human beings can understand, one of the marks that distinguishes them from other species. Because of this alienation, capitalism prevents many from understanding and accepting that the world is much bigger than the fictions we create to organize "ours"...

There are no billionaires just as there are birds. As long as human societies continue to build themselves into houses of cards, they will continue to exist as environments that oppress and exploit, instead of being oases that protect us from the immensity that exists out there.

The "liberal" of the economy, when he is the most interested, does not like the state because he wants the freedom to exploit his employees without any intermediation or even barrier... He wants his invisible hand to have total power... Capisce??

"The businessman deserves to get richer than the others"

So, don't the rest deserve to get rich too?? Or much less than them??

"Because he sacrifices his assets for this"

Every greedy person is bold.

Treating economics as a self-sufficient discipline, which does not need interdisciplinarity, is no different from that we should do the same with sociology and disregard the role of biology in human behavior. And by doing so, we can disregard any negative implications regarding social well-being, treating everything from economic exploitation to extreme inequalities as a necessary evil.

It is not just about economics. In fact, it is about everything and more: solidarity, empathy, basic logic, existentialism, in short, philosophy, which most economic liberals do not want to discuss...

I know that the capitalist system induces, by its very structures, the compulsory exploitation of one class over another. But instead of at least admitting this situation, most businesspeople defend the system that also exploits them.

It is common for a businessperson to complain about the high salaries of the "elite" of public servants. But they do not criticize the injustice of the high salaries themselves, but rather thinking that their taxes are also to pay for them. As always, a personal issue and not a collective issue.

Euphemism is the soul of capitalist propaganda. You need to distort the meaning of words, if you don't reveal what it really is or results in

Made in Brazil

There is no class more shameless than the Brazilian business community, with a few honorable exceptions. Especially the wealthiest, continue to treat their own country as a platform for exporting their products, as a colony of exploitation. A notable example of Brazilian business perversity is the contradiction of Brazil being the largest coffee producer in the world, but exporting the best of its production and leaving the rest for the people, without forgetting to mention that it also sells it to us at an abusive price

A large part of the labor demands come down to the struggle of the common worker to obtain the same social privileges as his boss, to have the same life as him



sábado, 22 de junho de 2024

Ideologia, filosofia/sabedoria e a metáfora do manual e do automático/Ideology, philosophy/wisdom and the metaphor of manual and automatic

 Mais informações acumulamos, mais automáticos se tornam os nossos padrões de raciocínio, porque, ao invés de continuarmos procurando por respostas, passamos a usar as que já estão sob os nossos domínios particulares. Basicamente, se trata de preencher lacunas vagas de consciência resultantes da própria evolução da inteligência humana, de flexibilização dos instintos tornando possível o preenchimento dessas lacunas com novas informações, de uma maneira mais interessante, flexível, mas também mais imprecisa, incerta... O bônus e o ônus de uma inteligência mais complexa. Pois a maximização do bônus, pelo menos no campo intelectual, acontece quando os nossos sistemas pessoais de crenças são solidamente construídos a partir de conhecimentos e ponderação analítica. Em outras palavras, quando nossas ideologias pessoais são unicamente a filosofia ou a sabedoria. Já o oposto disso, de maximização dos ônus, pelo menos em um campo intelectual, é quando são predominantemente baseadas em outras ideologias e não pela única que se consiste na busca pela verdade. Então, a priori, é naturalmente esperado que os nossos padrões de pensamento ou raciocínio se tornem mais automáticos do que manuais de acordo com que acumulamos mais informações. Porém, quando nossas ideologias pessoais são ou se tornam, sistematicamente, a própria filosofia, isso significa que estamos, de fato, acumulando conhecimentos, melhorando nossa compreensão do mundo e realmente aumentando a nossa inteligência (que parece ser independente das pontuações em testes cognitivos). Também significa que, apesar da tendência inevitável de redução da flexibilidade dos padrões de raciocínio, por essa via, ainda os mantemos mais flexíveis do que se seguirmos o caminho oposto, de estarmos sempre prontos para corrigir ou melhorar nossos pontos de vista e a contextualizá-los da maneira mais adequada. Pois, pelo caminho da irracionalidade, a tendência é de nos tornarmos mais dogmáticos, muito dependentes dos nossos arcabouços pessoais de crenças, ainda mais se apresentamos uma compreensão limitada sobre o que acreditamos.

Essa é a básica diferença entre construir uma cultura pessoal homogeneamente inteligente e uma cultura pessoal variavelmente inteligente. 

Ideology, philosophy/wisdom and the metaphor of manual and automatic

The more information we accumulate, the more automatic our reasoning patterns become, because, instead of continuing to look for answers, we start to use those that are already within our particular domains. Basically, it's about filling vague gaps in consciousness resulting from the evolution of human intelligence itself, making instincts more flexible, making it possible to fill these gaps with new information, in a more interesting, flexible way, but also more imprecise, uncertain... bonus and the burden of more complex intelligence. Then, maximizing the bonus, at least in the intellectual field, happens when our personal belief systems are solidly built from knowledge and analytical consideration. In other words, when our personal ideologies are solely philosophy or wisdom. The opposite of this, of maximizing burdens, at least in an intellectual field, is when they are predominantly based on other ideologies and not the only one that consists of the search for truth. So, a priori, it is naturally expected that our patterns of thought or reasoning become more automatic than manual as we accumulate more information. However, when our personal ideologies are or systematically become philosophy itself, it means that we are, in fact, accumulating knowledge, improving our understanding of the world, and actually increasing our intelligence (which appears to be independent of cognitive test scores). It also means that, despite the inevitable tendency to reduce the flexibility of reasoning patterns, in this way, we still keep them more flexible than if we followed the opposite path, of always being ready to correct or improve our points of view and to contextualize them in the most appropriate way. Because, along the path of irrationality, the tendency is to become more dogmatic, very dependent on own personal frameworks of beliefs, even more so if we have a limited understanding of what we believe.

This is the basic difference between building a homogeneously intelligent personal culture and a variably intelligent personal culture.

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

Um bilionário é mais inteligente que um cientista??

 Um indivíduo que enriquece a ponto de se tornar um bilionário, tem sido especificamente mais inteligente no acúmulo de capital ou dinheiro, especialmente para si mesmo. Já um cientista, idealmente, é aquele que usa a sua inteligência tendo como finalidade a expansão do seu e do nosso conhecimento. 


Em outro texto, eu já dividi a inteligência humana em três tipos principais: sabedoria ou racionalidade, criatividade e astúcia. Pois apesar de serem primariamente iguais em termos qualitativos, está claro que sabedoria e criatividade são mais valiosas que a astúcia se apresentam um potencial de vantagem ou contribuição coletiva, enquanto que a última basicamente se consiste no uso da inteligência para fins egoístas.

Portanto, um bilionário, por uma comparação mais objetiva e holística, não é mais inteligente que um cientista, arquetipicamente falando, ou que um indivíduo que sempre busca pelo conhecimento, tal como a astúcia não é superior à sabedoria.

Só para se ter uma ideia, os indivíduos mais astutos, tal como os mais materialmente ricos, têm sido desproporcionalmente responsáveis por conflitos e problemas humanos desde os primórdios da civilização, quiçá de nossa própria espécie. 

segunda-feira, 6 de junho de 2022

terça-feira, 17 de maio de 2022

Qual é a diferença entre uma pessoa inteligente e uma pessoa sábia?

 A diferença entre o sábio e o genericamente "mais inteligente" está na capacidade de julgar, não necessariamente de aprender, mesmo que um esteja relacionado ao outro, porque é possível julgar bem com pouco conhecimento e julgar mal com muito.

O sábio, na minha opinião, é basicamente o mesmo que o mais racional, pois ''ambos'' buscam o conhecimento e, mais essencialmente, a verdade. Ele sempre aprende a pensar e julgar com base na verdade, ou pelo pensamento lógico-racional, para ser mais justo.

Para o mais inteligente, esse compromisso é opcional, pois ele pode usar sua inteligência para favorecer a si mesmo em detrimento dos outros. Ele também pode usar sua inteligência de maneira errada, por exemplo, dedicando-a à pseudociência.

Talvez a maior diferença entre o mais sábio e o mais inteligente seja que o primeiro desenvolve uma capacidade de detectar o que é mentira e, portanto, potencialmente injusto, enquanto o mais inteligente, a priori, pode ter dificuldade nisso.

Isso também está relacionado ao autoconhecimento, que é caracteristicamente mais desenvolvido nos mais sábios e não necessariamente nos mais inteligentes.

A diferença entre eles é a mesma entre um termo mais restrito e, portanto, definido, e um mais genérico, em que pode conter mais fraquezas ou deficiências, ainda mais quando comparados.

Em um sentido muito básico, a inteligência é a capacidade de estabelecer objetivos e de alcançá-los. A sabedoria é a capacidade de analisar/julgar esses objetivos, até para ver se vale a pena persegui-los.

O melhor julgamento é muitas vezes maneiras de não desperdiçar ''energia'' em algo que pode ser evitado, uma guerra, por exemplo.

O julgamento não é apenas uma ação conclusiva, mas um processo analítico-crítico que pode ser holístico, mais ideal, e se iniciar antes de um evento, mesmo com potencial preventivo.

O julgamento não está circunscrito ao final de uma análise, ele é a análise inteira.

Em relação ao autoconhecimento, é por meio dele que o sábio maximiza o uso de sua inteligência.

O mais inteligente pode ser mais provável de ser impreciso em sua autoavaliação e, consequentemente, em sua capacidade de usar sua inteligência com o máximo de aproveitamento.

Aqui, novamente, nos deparamos com o problema relativo de comparar termos mais restritos com termos mais gerais.

sexta-feira, 15 de abril de 2022

Sobre racionalidade e sabedoria

Racionalidade e sabedoria são basicamente a mesma coisa?


Popularmente, entende-se como indivíduo sábio aquele que tem acumulado muitos conhecimentos ou que tem muita erudição. 


Já quanto ao indivíduo mais racional, compreende -se como alguém que é sempre sensato, que busca por fatos para nortear suas opiniões e ações. 


Fato é sinônimo de verdade objetiva que é sinônimo de conhecimento. Portanto, se mais sábio ou mais racional, a finalidade é a mesma. 


Também é comum definir sabedoria como a capacidade de aprender com a experiência e que essa capacidade aumenta com a idade. Mas, na prática, sabemos que não basta viver muito se é preciso aprender com o que viveu para se tornar mais sábio, de acordo com essa lógica primária ou simplista de que a sabedoria só vem com o avanço da idade. 


No entanto, o que nos leva a acumular conhecimentos e, portanto, sabedoria, é a nossa capacidade racional de buscar pela verdade dos fatos, de sermos imparciais ou justos. Ainda que a racionalidade esteja mais relacionada com o julgamento do que com a memória de longo prazo, sem ela não há como discernir o que é verdade e o que é mentira e aprender com a primeira. Pois é graças ao julgamento racional que, por exemplo, podemos reconhecer como ciência ou conhecimento a astronomia e como pseudociência a astrologia. 


Novamente, sobre a sabedoria, não é apenas uma questão de acumular conhecimentos, mas de saber aplicá-los e de quais conhecimentos que estamos falando. O mais sábio não é exatamente um polímata, até porque parece duvidosa a existência de indivíduos que "tudo" sabem. E como a qualidade é mais relevante que a quantidade, não basta saber "muito" e desprezar o mais importante, que é saber julgar e é aí que a racionalidade entra. Portanto, como já foi respondido acima, pode-se concluir que são praticamente a mesma coisa.


quinta-feira, 28 de outubro de 2021

A diferença entre ser contra, com sabedoria e com estupidez

 Já deixei claro, pelos meus textos, que sou totalmente contra a extrema direita e a direita, de maneira geral. Mas isso não significa que eu seja contrário a tudo aquilo que pensam ou defendem. Por exemplo, eu concordo com a maioria dos "conservadores" quanto ao seu posicionamento mais moderado/cauteloso em relação à imigração, por serem baseados em argumentos mais razoáveis do que, em comparação à maioria dos progressistas, que defendem por uma utopia de "mundo sem fronteiras" à la John Lennon e Yoko Ono. Em outras palavras, apesar de ser totalmente contra o [ultra]conservadorismo e o capitalismo, eu ainda preciso estar aberto a reconhecer que aqueles que os defendem não estão equivocados sobre "tudo", se quiser ser coerente com a proposta filosófica, de prática sistemática da racionalidade.


Isso é "ser contra", com sabedoria.


Em compensação, a maioria dos progressistas  tende a se posicionar automaticamente contra qualquer posicionamento conservador, sem antes avaliar o seu nível de veracidade, pelo simples fato de ser defendido por pessoas que estão do outro lado ou porque são de direita. Isso também acontece com a maioria dos conservadores e se consiste em ser contra, mas com estupidez, por não levar em consideração a possibilidade de que o outro lado possa estar certo, pelo menos, sobre alguma coisa relevante.


Apenas pense no que já está acontecendo nos países ocidentais que adotaram políticas de flexibilização de fronteiras há mais tempo: aumento da população de fundamentalistas "religiosos", principalmente de muçulmanos, via imigração em massa e, portanto, de hostilidade, preconceito, enfim, de "conservadorismo" (importado) contra mulheres emancipadas, não-religiosos, minorias sexuais... sem falar que isso favorece as direitas no campo da política. Enfim, "o tiro saindo pela culatra"...

sábado, 8 de maio de 2021

Dica extremamente simples de sabedoria para lidar com a política

 Esqueça por um tempo esse papo de esquerda e direita e apenas pense


O que é justo?


Isso é justo? (no sentido de verdadeiro, imprescindível, absolutamente necessário,inescapável,incontornável...)

quarta-feira, 14 de abril de 2021

O caminho aparentemente mais fácil (da verdade/da sabedoria) e o das esquerdas

 Quando antirracistas dizem que não existe racismo contra brancos, muitas pessoas, corretamente, discordarão desse raciocínio, por ser injusto ou inverídico.


Mas, era pra ser bem simples: condenar o racismo, diferenciando-o de escolhas ou gostos pessoais e concordar que os brancos também podem sofrê-lo, mesmo se nenhum deles tivesse sofrido, se é uma falácia dizer que algo tão universal, como o tribalismo (o racismo é uma variação dele), aconteça de maneira restrita ...


Quando marxistas dizem que a União Soviética foi uma nação exemplar, que cometeu apenas equívocos isolados e/ou que Stálin não foi um tirano genocida, muitos repudiarão ou ficarão corretamente indignados com essas declarações, afinal, se consistem em distorções de fatos históricos, que é o equivalente a negar o holocausto, enfatizando apenas as "bem feitorias" do nazismo, por exemplo, de que Hitler acabou com o desemprego na Alemanha da década de 30 do século XX.

 

Pois eu aposto que haveria um grande aumento no número de seguidores e apoiadores para as esquerdas, principalmente de "centristas", se elas deixassem de lado essa submissão cartesiana às suas ideologias de maior aderência, se em relação aos identitarismos ou ao marxismo, e focassem diretamente na justiça social.


Mas, parece que as esquerdas escolheram lutar ou seguir pelo caminho mais difícil, de negar ou distorcer algumas verdades muito importantes (possivelmente acreditando que fazem o oposto) e, mesmo assim, esperando que a sua popularidade irá aumentar. Se fossem apenas coerentes com aquilo que mais pregam, a justiça social; se ser justo é o mesmo que buscar pela verdade...

terça-feira, 15 de setembro de 2020

O que a sabedoria não é

 1. (Apenas) erudição máxima


A sabedoria não é apenas saber por saber, como se fosse um passatempo, mas, também, que todo conhecimento tem como finalidade servir de parâmetro no julgamento das nossas ações.


A sabedoria se principia e se limita de acordo o potencial do indivíduo.


Também não é apenas ou fundamentalmente sobre valores quantitativos, de quanto de conhecimento que consegue acumular, mas de proporção e precisão de verdades ou conhecimentos que compreende  e internaliza, em relação a crenças, expectativas e desejos equivocadamente racionalizados como fatos (verdades objetivas), resultando em distorções, ilusões e alienações.


A sabedoria, como essência da filosofia, é a sanidade ou a lucidez máxima.


A qualidade do conhecimento também é muito importante, de modo que não basta saber muito (e aplicar o que sabe, quando necessário) se não tiver como núcleo de sua consciência as verdades mais absolutas, que são as existenciais, por exemplo, de que é muito provável que não existe vida ou existência após a morte.


O autoconhecimento é, de fato, o aprendizado mais importante que o indivíduo deve desenvolver se almeja melhorar sua compreensão objetiva, essencial e prática do mundo, pois é por aí que aprende sobre seus limites e potenciais, de onde que está começando até onde pode chegar, inclusive quanto ao alcance ou clareza de sua percepção/inteligência.


2. Bondade absoluta


Se a sabedoria é a busca pelo conhecimento e/ou pelo esclarecimento, então, a bondade absoluta, derivada de certas mitologias, tal como o budismo e o cristianismo, sintetizada pela frase "fazer o bem sem olhar a quem", parece ser o oposto de (buscar) ser "sábio", se é sempre importante saber antes, durante e depois de praticarmos ações, por exemplo, sobre "para quem",  até para sermos realmente justos e, evitando resolver problemas mas causando outros.


3. Religião


Se a sabedoria é a busca pelo conhecimento ou pela verdade e de agirmos com base no que é verdadeiro, possível, necessário e ideal, a religião, como mitologia, é o oposto, porque distorce verdades e, justamente as mais importantes, as existenciais, para corresponder a desejos, expectativas e crenças de muitas pessoas, mas não à própria sabedoria de esclarecer o máximo que pode.

 

A sabedoria não é apenas de se buscar saber para saber o que sabe, mas, também, de saber o que não sabe, de ter a humildade de aceitar que/ou quando o conhecimento é/ou está mais limitado. Em contraste, pela religião, como mitologia, despreza-se qualquer necessidade de que existam evidências para comprovar o que determina como "verdade suprema" e/ou no mínimo, que se baseie na lógica, quando/se não é possível provar de maneira rigorosa que suas crenças são baseadas em verdades ou não.


4. Experiência


A sabedoria só vem com a idade, certo??


Mais velho, mais experiências de vida acumuladas, mais conhecimento, certo??


Não. Muitas pessoas que já estão na terceira idade não se tornaram mais sábias como se bastasse a velhice para tal. E tem jovens que já demonstram grande ponderação e poder de análise e julgamento.


É verdade que a sabedoria acontece pelo aprendizado da experiência mas, também, da percepção, aliás, qualquer esclarecimento é importante.

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

A verdadeira pílula vermelha

Nem totalmente à esquerda,
Muito menos à direita 

A trilogia de filmes Matrix é uma brilhante metáfora filosófica originalmente pensada para criticar o sistema capitalista (e, por tabela, a sociedade conservadora que o mantém), perceptível pela multidão de engravatados andando nas ruas daquela Nova Iorque de mentira, projetada nas mentes dos escravos humanos; pela diversidade étnica da única cidade livre, fora da matrix, Zion; e pela analogia do ser humano comum como um pilha de energia explorada por "elites" maquiavélicas (máquinas). No entanto, desde que o último filme da franquia foi lançado, em 2003, algo esquisito começou a acontecer com a sua tão celebrada metáfora: sua usurpação por políticos e ideólogos de direita. Tal como se tivesse sido cooptada por senhores Smiths.  Não digo que esteja totalmente desprovido de lógica compará-la com o politicamente correto.. das esquerdas progressistas, que distorce, nega ou manipula certas verdades que consideram "inconvenientes" aos seus ideais e que ganhou muita influência nas últimas duas décadas. No entanto, os que se agarram à essa reinterpretação, se esquecem que também existe um politicamente correto conservador que tem sido imposto goela abaixo por séculos a fio, e que é tão ou mais problemático que o da esquerda autodeclarada iluminista. Portanto, esse discurso de ser a favor da liberdade do indivíduo ou contra (qualquer forma de) exploração, opressão e alienação (Matrix) é hipócrita e/ou ignorante, se o que de fato defendem é a volta do PC deles. Isso, por acaso, é o mesmo que escolher pela famosa pílula vermelha, da verdade??

Certo que não. 

Pois, ao tomarmos a verdadeira pílula vermelha, seguindo a metáfora, sairemos de nossas próprias "matrizes" ou bolhas de auto-conformidade ideológica, em que nossas opiniões subjetivas hegemonizam e limitam nossa capacidade de compreensão objetiva e essencial (ou filosófica) da realidade, se quase sempre se sobrepõem à busca honesta por verdades objetivas para, então, entrarmos no único mundo em que existimos, do hiperrealismo, onde são as verdades mais importantes, as existenciais, que passam a ser prioridades em nossas vidas. Ateísmo e justiça//harmonia social, portanto, se tornam fundamentos absolutos, afinal, quando deixamos o labirinto das cadeias alimentares e percebemos que só existe uma vida finita e frágil para viver, e que isso nos faz essencialmente iguais, egoísmo e divisionismos absolutos deixam de fazer sentido. Pela pílula vermelha, nos tornamos muito mais progressistas do que conservadores  No entanto, também não caímos no outro extremo de apagarmos os equívocos e crimes cometidos supostamente em nome da justiça social, por exemplo, ditaduras como a de Stálin, nem as distorções de verdades "inconvenientes" mesmo se bem intencionadas, que são prática comum de muitos progressistas, por exemplo, de que não existem diferenças intrínsecas (porém seletivamente maleáveis) entre as raças/populações humanas. 

domingo, 19 de abril de 2020

Reexplicando a relação entre autocentrismo perceptivo "animal" e "religião"/mitologia

Reexplicando a relação entre autocentrismo perceptivo "animal" e "religião"/mitologia


Fiz um texto em que tentei explicar minha teoria para a natureza essencial da prática religiosa ou mitológica, pela metáfora do marca-passo. Eu tentei e acho que não fui bem sucedido, mesmo depois de umas melhorias aqui e acolá. Aqui, volto a esse projeto e busco pontua-la rapidamente...

Metáfora do copo

Pense nos seres vivos não-humanos e em suas capacidades de compreensão da realidade como um copo cheio d'água, sem transbordar, em que não existe a percepção de "horizontes" ou "aléns"; não existe a ideia de vazio se já estão preenchidos por seus afazeres de adaptação; sem dinâmica ou perturbações mais intensas em seus ritmos perceptivos, em suas certezas intrínsecas. Essa metáfora representa seus comportamentos estereotípicos, instintivos, autolimitados, sem interrogações, apenas exclamações.
Agora pense na autoconsciência humana como um copo transbordando de água, em que a submissão instintiva ao ciclo adaptativo de vida não lhe é mais suficiente. Assim, cada gota de água que cai para fora do copo equivale ao pensamento que vai além da dimensão primária de adaptação, além da competição, da reprodução e da cooperação, do tempo presente, da própria sobrevivência. Que/também quer saber do que são feito as estrelas, por que pensamos, de onde viemos, para onde vamos. No entanto, ao longo da história evolutiva humana, um mecanismo que visa conter essa expansão, diga-se, natural de nossa  compreensão ou consciência, vai se tornando central na cultura, resultando no aumento proporcional de pessoas que apresentam necessidade intrínseca de contenção de sua curiosidade e percepção,regredindo para o nível mais básico de compreensão e vivência da realidade. Esse mecanismo se chama "religião", ainda que eu sempre prefira chamá-lo de mitologia. Ao invés de uma relativamente constante cascata de pensamentos curiosos sobre a realidade objetiva, ocorre uma construção (resposta auto-imune) de uma "represa" na mente, que contém esse aguaceiro de questionamentos, dúvidas, incertezas, certezas inconvenientes/angústias. Todos os seres vivos não- humanos vivem suas perspectivas de realidade como se fossem representações objetivas ou fidedignas da mesma. Portanto, não existe para eles qualquer necessidade de preenchimento ou de contenção daquilo que já tomam como preenchido ou seguro, suas experiências existenciais. Em contraste, o ser humano é aquele que está mais aberto para a confrontação ou interação com a realidade objetiva, isto é, que está menos sujeito à submissão de seus instintos, de sua subjetividade ou versão pré-constituída da realidade. Uns mais que outros. Mais perceptivamente subjetivo é o ser humano, menos racional ou essencialmente inteligente (que, até certo ponto, independe de seu potencial cognitivo quantitativo).

Como eu sou bom em metáfora, lá vai mais uma. A consciência do ser vivo não-humano como uma porta encostada onde que apenas alguns raios de sol entram. A autoconsciência do ser humano como uma costa bem mais aberta e frouxa, podendo ser mais fechada ou totalmente escancarada para que o sol penetre mais profundo dentro de sua perspectiva de corpo em frente à porta. O filósofo é o que escancara a porta. O mitólogo é o que mais a encosta.

Os seres vivos não humanos são todos autocêntricos, interessados predominante a totalmente em seus modos de vida ou perspectivas de realidade. A mitologia é a representação artística deste mesmo autocentrismo, em que o universo passa a girar em torno do ser humano, e com direito até a um deus-criador como "pai".
Formigas, felinos, elefantes, insetos, enfim... todos, experimentam seus modos de existência como se estivessem no centro da realidade. A religião ou mitologia, ao invés de puxar o ser humano para uma consciência de dimensão mais elevada, essencial e purificada das obrigações adaptativas, parece fazer o oposto, reforçando aquilo que também temos de comum aos outros seres vivos, menos inteligentes, o autocentrismo, que para eles é natural e para nós têm sido esse artifício com grandes implicações morais e evolutivas, em sua grande maioria, negativas, se, ao invés de abraçarmos nosso caminho evolutivo, por ela, estamos retrocedendo ou contendo a maximização de nosso potencial.

terça-feira, 31 de março de 2020

Precisão semântica e a confusão entre estética e pragmatismo conceitual

Precisão semântica e a confusão entre estética e pragmatismo conceitual

Verdade é o mesmo que conhecimento??

Sabedoria é o mesmo que racionalidade ou que razão??

Pois eu sou da opinião, e que não é apenas uma opinião intuitiva, de que sim, verdade e conhecimento são praticamente a mesma coisa, assim como sabedoria, racionalidade e razão. Mas, então, por que tantas palavras conceitualmente próximas??

Ora, por "mera' questão estética. Mais palavras, mesmo se forem extremamente parecidas em seus conceitos, menos repetitivo e enjoado ficam os textos que escrevemos.

Além do excesso de sinônimos, um problema consequente é a confusão entre estética e pragmatismo conceitual. A existência de palavras como alegria e felicidade, serve para dar mais beleza aos textos, mas não devemos perder muito tempo tentando procurar ou inventar diferenças entre elas, já que têm praticamente o mesmo significado. Geralmente são palavras com origens etimológicas e culturais distintas, adotadas por uma mesma língua. O ideal/correto é sabermos que são usadas justamente por razões estéticas. Essa situação é mais complicada quando os sinônimos são sobre significados essenciais para a nossa compreensão de mundo, tal como os exemplos que explicarei embaixo.

Explicando verdade/conhecimento e sabedoria//razão/racionalidade

A verdade tem sido definida como um fato determinado, por exemplo, "É verdade que eu não sou tão alto quanto você". Ou como uma interpretação subjetiva "A minha verdade não é melhor que a sua". Já o conhecimento tem sido definido como uma verdade construída a partir de fatos determinados, por exemplo, "O conhecimento da geografia se refere à interação do homem com a natureza". Mas, se pararmos para pensar, todo conhecimento é verdadeiro e toda verdade é conhecimento, no sentido de "conhecer", de "saber". Ao buscar pela essência conceitual da verdade, acabei por encontrar um contraste dela, mas com a realidade. A verdade como uma reflexão da realidade a partir da perspectiva de um ser vivo. E a realidade como sinônimo da própria existência, independente se a percebemos ou não. Por isso que penso ser mais eficiente pararmos de tratá-los como se fossem conceitos absolutamente diferenciados.

O mesmo para as outras três. Se ser racional, dotado de razão ou sábio é praticamente a mesma qualidade. O problema são as atribuições indevidas. Se sabedoria é a busca pelo conhecimento, muitos a definem restritamente como "bondade", e ainda do tipo "fazer o bem, sem olhar a quem", isto é, de praticar o altruísmo sem ter conhecimento para quem o está praticando... contraditório, se a sabedoria é sempre sobre buscar pela verdade.

Se racionalidade é a capacidade de pensar reflexivamente.. em busca do conhecimento, muitos a definem como frieza analítica, criando uma dicotomia absoluta e falaciosa entre sentimento e fato, como se os sentimentos não expressassem verdades, diga-se, mais subjetivas. Mesmo se a sabedoria é definida como bondade incondicional, ou a racionalidade como frieza analítica, todos concordam que o sábio e que o racional sempre buscam pela verdade.. ou conhecimento.  A diferença é que o altruísta pensa que a verdade só pode ser encontrada pela sensibilidade de seus bons sentimentos, enquanto que o egoísta vai pelo caminho oposto, em que a frieza na análise levaria ao saber purificado de atribuições subjetivas, supostamente condenando-as (na verdade não o faz porque sobrepõe sua natureza egoísta sobre sua percepção de mundo). O primeiro aborda a realidade apenas pela análise moral, em primeira pessoa, em que é inevitável a empatia de se colocar no lugar do outro, e o segundo apenas pela análise factual, distante e também secretamente hipócrita (blefe do relativista moral). Ambos incompletos e, portanto, equivocados. No mais, pela compreensão dos conhecimentos ou verdades existenciais (que são os mais importantes), o altruísmo se torna definitivamente preferível ainda que, continuando ser necessário saber "para quem".

Política do Amor Perfeito

Política do Amor Perfeito

Pela tática política do "dividir para conquistar", o povo é enfraquecido por cisões internas plantadas por minorias inescrupulosas e organizadas para, então, ''governa-lo''. Cruamente falando, assim tem sido a desgovernança humana em sociedades complexas desde há muito tempo.

Agora, por minha teoria simples de dominação social, uma elite (de preferência, filosófica), ao invés de dividir/enganar para explorar o povo, lhe faz apenas o bem, tal como em uma sociedade ideal. A partir daí terá como resultado o seu total controle, afinal, não haverão mais razões para revoltas ou convulsões sociais. Eu chamo esse novo, porém, óbvio jeito de fazer política de "Amor Perfeito", em que, pela aplicação integral da sabedoria, o governo será excepcionalmente benevolente e sagaz, preocupado primeiramente com o bem estar e com a evolução da humanidade e  também com sua interação harmoniosa com o meio natural.

sábado, 28 de março de 2020

Ateísmo, essência conceitual e dois grupos predominantes de ateus

O ateísmo é a descrença em divindades. Basicamente isso. De resto, nada impede que um ateu seja: sociopata, egoísta, imprudente ou um altruísta patológico. Também não impede de acreditar em deuses terrenos, em mitos de carne e osso e/ou a seguirem cartilhas ideológicas rígidas, sem qualquer pensamento crítico. Está aí a razão de me identificar como ateu mas de não me identificar com a maioria dos ateus, porque se dividem em dois grupos predominantes: imorais e ideólogos (este segundo que me parece o mais comum). O primeiro justifica seu ateísmo para agir imoralmente. Parece que a maioria daqueles que relativizam a moralidade, chamando-a de ilusão ou desconhecendo-a, são de ateus, desse tipo. O outro grupo não acredita em deuses metafísicos mas são tão vulneráveis a fanatismos e preconceitos quanto o resto da população, incluindo o tipo imoral de ateu, resultando em seu abraço a "mitos" humanos e/ou seguindo ideologias, tal como se fossem seitas ou mesmo "religiões", mais pela crença do que pelo conhecimento. O ateísmo sozinho é apenas ateísmo, não transforma ninguém em sábio por isso, mas, todo sábio precisa aceitar os conhecimentos existenciais e inevitavelmente o ateísmo. 

Ideologia versus sabedoria, uma metáfora e uma contextualização [projeto de militarização das escolas]


Ideologia versus sabedoria

A metáfora do cobertor

Está uma noite fria e você se prepara para dormir. Pega um cobertor qualquer, se cobre, mas percebe que os pés ficaram pra fora. Puxa pra baixo, e então, desprotege o pescoço e os ombros. O cobertor é curto demais para o seu corpo. Acontece... 

Eu não sei quanto a vocês, mas eu tenho a impressão que toda ideologia se parece com um cobertor curto cobrindo um corpo maior.. Se não tira de um lado, irá tirar de outro. Em cada ênfase numa coisa, extrapola ou falta n'outra. Querem ver pra crer??

O estoicismo, comum a tantas ideologias conservadoras [dos elos perdidos, oops]. 

O hedonismo, comum a tantas ideologias progressistas.. 

O pacifismo, que exagera a dose em sua ênfase pela paz. A ''doutrina espartana'', que vai pelo caminho oposto, exagerando sua paixão pela guerra.

É o ateísmo típico, que despreza a verdadeira religião [que se consiste no âmago da filosofia] e acaba promovendo o niilismo.

Ou então é a crença mitológica, que coloca sua fantasia ou ''necessidade de acreditar para viver'' muito à frente da sanidade mental. 

Também podemos perceber esses desequilíbrios nas culturas nacionais.

A cultura japonesa, que exagera na disciplina, obediência e ordem;
A cultura brasileira, em que a ''zoeira never ends'';
A cultura americana, em que dinheiro e ''ser um winner'' é tudo e mais um pouco;
A cultura francesa, que exagera em sua apreciação estética, caindo na ilusão de usá-la como esnobismo frívolo. E assim por diante... 

Todas as ideologias têm em comum se definirem como as únicas capazes de revelar a verdade [absoluta] ou o modo mais ideal de existir. Mas, estão todas essencialmente erradas, pois sempre acabam exagerando no ponto.

A ideologia é a significação ou justificativa da cultura, do porquê de se constituir deste ou daquele jeito. A cultura, por sua, vez, é a organização ritualística e simbólica ou, pela linguagem/artes, da adaptação ou, do vínculo de sobrevivência do ser humano ao seu ambiente. 

Portanto, mesmo que não seja sua intenção original, a ideologia sempre acaba enfatizando mais um lado do que o outro [ o seu oposto], e, com isso, deixando os pés ou o pescoço desprotegidos. 

A sabedoria, por essa metáfora,  é o cobertor que cobre todo o corpo... de conhecimentos, especialmente os mais básicos [os mais importantes], e ainda sobrando... É o fim de todas essas falsas dicotomias.
 
Do pacífico também saber se defender,
Do estoicista também saber curtir a vida...

Enfim, de todos eles deixando de serem pacifistas, estoicistas... e se tornando sábios ou racionais..

Esses conflitos ideológicos tem como causa principal justamente o atrito entre os níveis de consciência hiper-realista em relação aos níveis surrealista e realista. 

Quem sabe que a vida é uma só, geralmente, quer viver a sua, da maneira mais confortável e prazerosa possível...

Quem acredita que viverá pra sempre no além, é mais propenso a ter uma vida de obediência e abnegação.

Quem só se preocupa com a própria vida, e portanto, despreza a igualdade universal que une a todos, é muito mais provável que aja de maneira egoísta ou cruel.

Juntar o útil ao agradável, o necessário ao verdadeiro, esta que é a principal função da sabedoria, enquanto que as ideologias tendem a separar os dois, por muitas formas ou distorções. 

O que as ideologias dividem, a sabedoria une.

As ideologias são como as projeções cartográficas de Peters e de Mercators, ambas versões distorcidas do mapa-múndi. E a sabedoria, por sua vez, é  como as dimensões precisamente corretas do nosso planeta, as verdades, e nada mais que todas as verdades, especialmente as mais básicas/existenciais.
 
Contextualizando para as escolas públicas brasileiras...

Um outro exemplo, bem atual e até potencialmente problemático, é a sanha do desgoverno bananeiro, neste ano desastroso e triste de 2019 DC, com o seu projeto de militarização das escolas.
 
Como não haveria de ser diferente, eu discordo com veemência desse atropelo. Mas, concordo que as escolas públicas do ''nostro'' país estão bem avacalhadas, com muito indisciplina, professores quase reféns dos alunos... Concordo que, décadas atrás, os estudantes tinham mais respeito pelos professores..
 
Duas ideologias disputam a hegemonia, isto é, dois extremismos. A ideologia "espartana", militarista, e a "ateniense", mais progressista. Em ambas, excessos são enfatizados, e que seriam complementares se estivessem em cooperação.

Hoje, o estudante, o jovem, não é mais ''propriedade de deus e da pátria'', sem mais sofrer a uniformização de sua personalidade e apanhar de palmatória.  Por outro lado, o que funcionava no ambiente escolar daqueles tempos, também foi cortado pra fora pela pedagogia progressista, que estimula o diálogo e o respeito entre professores e estudantes. Ideologias progressistas são sempre idealistas, mas, frequentemente, tratam as ideologias anteriores à elas [conservadoras], com extremo desdém, como se tivessem feito tudo errado..

Né bem assim não, bem!!

É perfeitamente possível impor certa disciplina, com direito a níveis variados de castigos, correspondentes,  sem sacrificar as conquistas progressistas que favorecem o estudante, o jovem, mas que têm sacrificado os professores.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Pela sabedoria, ateísmo é religião que é conhecimento

O que é a religião?

É a busca pelo propósito ou finalidade de existir. Quando encaramos sozinhos o nosso tempo de existência. Quando a vida se confronta com o seu derradeiro destino. 

A religião são verdades absolutas ou conhecimentos existenciais e,  portanto, corresponde ao próprio âmago da filosofia, por ser o mais alto nível de realismo, de não apenas existir mas a partir do porquê de existir. É uma necessidade inerente à inteligência humana, já que para os outros seres vivos este porquê está contido em seu próprio modelo particular de existência.

Pela sabedoria, um falso paradoxo, porque o ateísmo é a base para a verdadeira religião, por ser um conhecimento existencial primordial: a inexistência da metafísica (continuidade infinita da vida) e/ou de divindades conscientes.  

 A partir daí, revela-se o real propósito da vida, contido em si mesma: o divino ou extraordinário e[ou] básico ato de viver. Ao invés da crença, a certeza desta realidade, de estar vivo e reconhecer a magnitude absoluta deste ato.

A mitologia distorce o significado da vida, tirando-o de si mesma. A vida perde a sua centralidade e se torna um meio para um fim. O fim é o sobrenatural, o metafísico. Mas, o metafísico é o nada, que categoricamente não existe. 

Ao contrário da tese popular, de que a religião, enquanto mitologia, nos conecta com uma dimensão superior de consciência e compreensão da realidade, na verdade, nos conduz, regressivamente, à condição "animal" ou pré autoconsciente, em que a vida é um meio para um fim, servindo a um propósito particular, pragmático, ao invés de um propósito essencial, em si mesma, sem saber o quão fundamental é o próprio viver, antes, durante e depois de sobreviver. A divindade ou a extraordinariedade do ato de viver é transferida para além daquela que o expressa, com grande ênfase na perpetuidade da espécie. Por causa da perda do instinto reprodutivo, como um dos prováveis efeitos do aumento escalonar da inteligência humana, precisamos de uma razão para procriar, daí também o aparecimento de mitologias, já que sem a superimposição instintiva de tarefas, procriar deixa de ser uma necessidade absoluta e se transforma numa escolha mediada pela persuasão.   

Para a ideologia mitológica é preciso um criador e seu produto ter uma finalidade diretamente servil a quem o criou. Mas, antes de ter um propósito particular, o viver, a vida tem um propósito universal ou igual para todas as outras existências, existir.

Então, o que é o viver, em sua verdade essencial?

A vida, em sua essência, existe como espelho, testemunha e mensageira da realidade. É um espelho, por ser parte da realidade, por "olhar de volta". É testemunha, por vivenciar a realidade, por reconhece-la, independente de seu alcance de percepção ou nível de consciência, e é mensageira porque vive e transmite sua realidade particular ao longo do espaço/tempo. O que é, o que vivencia e o que transmite são verdades ou reflexos da realidade por sua perspectiva.

Viver, mais do que ''viver'', é ser, sentir e transmitir verdades (ou conhecimentos) de modo que, contribuam para maximizar sua qualidade de existir. 

[O verbo ''viver'' é uma daquelas designações semânticas que não expressam objetividade em seu conceito. O verbo ''matar'' é mais objetivo ou auto-entendível que o verbo ''viver'', por exemplo.] 

O ser humano, ao transbordar sua própria subjetividade ou limite sensorial adaptativo, passou a saber mais do que poderia saber ou suportar o que, se por um lado, atiça a sua curiosidade, por outro também sua necessidade de fantasia ou de fuga, para viver ou suportar essa perspectiva que vai muito além de si mesmo, que revela sua pequenez [finitude, fragilidade]. Todas as outras vidas têm em seu viver "tudo o que precisam" saber ou compreender. O ser humano sabe aquilo que não sabe e do que não gostaria de saber. Para os outros seres vivos, seus limites perceptivos são máximos. Para nós, são como fronteiras ou limites relativos, onde é inevitável a percepção de horizontes além delas, e não apenas uma perspectiva verticalizada ou autocêntrica de existência, mesmo que acabemos nos comportando de modo tão ou mais egoísta, até mesmo pelo artifício da mitologia, que a reconstitui. Pela descoberta da filosofia, extrapolamos a zona de conforto ou de alienação natural, em que apenas se sabe aquilo "que se deve saber", para a sobrevivência. Se a religião é, em sua verdade, uma perspectiva essencial [centro universal] de conhecimentos ou verdades além-subjetivas, a mitologia, novamente, visa reconstituir o domínio absoluto da subjetividade, por exemplo, pela criação de deuses ou fenômenos antropomórficos, identificáveis, que iludem o ser humano de ser absolutamente importante para o grande esquema das coisas, da existência. Todos os seres vivos são alienadamente autocêntricos [alguns bem mais que outros] pois tratam seus limites de compreensão do mundo como a totalidade do mundo. As narrativas mitológicas sempre se baseiam neste mesmo autocentrismo, nessa tentativa de ter todas as respostas e respostas 'gratificantes" ou suficientes para nos manter em nossas zonas de conforto, em que o mundo é explicado com base em nossas perspectivas, nós, supostamente, em seu centro, e não por si mesmo.