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sexta-feira, 31 de julho de 2026

O experimento da Islândia é um exemplo de que o meio social é mais importante que a biologia??

 Uma análise sobre a mudança intergeracional de comportamentos nesse país


Nos anos 90, mais de 40% dos jovens islandeses entre 15 e 16 anos reportavam uso exagerado de bebida alcoólica. Outros tipos de drogas psicotrópicas também eram consumidos em níveis comparativamente mais altos do que em outros países europeus, como o cigarro e a maconha. Então, a partir de uma série de medidas adotadas pelo governo da Islândia, esse "quadro boêmio" de sua juventude mudou dramaticamente de tal maneira que, hoje em dia, apenas 5% dos jovens em mesma faixa etária dizem consumir muita bebida alcoólica, em contraste aos 42% de três décadas atrás. Quanto ao cigarro e à maconha, as diferenças intergeracionais de consumo também impressionam, respectivamente: de 23% para 3% e 17% para 7%. 



Se essa mudança impressionante de comportamentos está diretamente associada com a introdução de medidas governamentais visando a adoção, desde cedo, de hábitos primariamente saudáveis, como a prática esportiva, bem como pela inibição de acesso a bebida alcoólica ou a outras drogas, então, ela é um bom exemplo de plasticidade humana, do rol mais amplo de capacidade de alterar ou mudar o comportamento, se não de um mesmo indivíduo, ao menos dentro de um mesmo grupo (seria interessante saber como estão os jovens islandeses que foram avaliados nos anos 90 e reportaram consumo alto de bebidas e outros tipos de entorpecentes). Também é um exemplo do quão forte o meio pode ser para nos influenciar; do quão socialmente conformista podemos ser... Mas também mostra que, mesmo antes, quando a "juventude islandesa" estava desproporcionalmente afundada em hábitos danosos à saúde física e mental, ainda não era 100% dela, já que 60%, uma maioria, não entrara nas estatísticas de "hábitos ruins'... Mostra que, mesmo quando existem forças homogeneizantes dentro de certos grupos sociais, é muito provável que haverá pelo menos uma minoria que não "seguirá o rebanho"... Isso também mostra a força da própria biologia como fator de influência no comportamento, talvez o mais importante. Porque tanto o jovem que cai no mundo do vício quanto aquele outro que não cai são, primária, e eu diria mais, deterministicamente influenciados por suas biologias comportamentais: características morfológicas dos seus cérebros e hormonais dos seus corpos que se refletem, quando em constante interação com o meio, em tendências de comportamentos que podem ser mais parecidas ou díspares. Porque não existe essa de: "'do nada', fulano começou a fumar, mas ciclano, no mesmo grupo, largou o cigarro". Para o comportamento, nunca existe o "do nada". Não existe uma tábula rasa dentro de nossas cabeças que nos faz seguir por caminhos completamente aleatórios, porque nosso rol de comportamentos que podemos adotar já está previamente determinado, se não nascemos literalmente sem cérebros, e se os cérebros com os quais nascemos são produtos de combinações dos materiais genéticos dos nossos progenitores, que já apresentam constituições mais individualmente específicas. Com certeza, nascemos com cérebros em desenvolvimento, mas nunca sem nada já presente ou determinado, que intuiria muitas partes em branco que apenas a experiência poderia escrever. Apesar de muitos acreditarem nisso, inclusive supostos especialistas em áreas do conhecimento relacionadas, o experimento islandês não prova que a genética ou a biologia humana é inteiramente um produto do seu meio social e cultural, mas que, por ser mais intrinsecamente plástica, apresenta um rol mais amplo de variação de comportamentos. Alguns ainda poderiam argumentar que vários fatores individuais e derivados do meio funcionando como uma cadeia de influências pode levar alguns ou muitos a seguir por certos caminhos. A "estrutura anatômica" de múltiplas causalidades muito específicas levando um indivíduo ou um grupo a adotar certos comportamentos não é intrinsecamente dispensável, pois pode servir como ilustrativo de uma trajetória. Mas não sustenta o argumento possivelmente utilizável que corrobora para a hipótese da "tábula rasa", se o mais importante ainda continuam sendo as predisposições mais intrínsecas. Tanto é que, existe uma correlação entre vício e certos traços de personalidade, como o neuroticismo, além de uma disposição fisiológica, por exemplo, de uma capacidade de sustentar altas doses de álcool circulando na corrente sanguínea e como isso pode contribuir para o estabelecimento de um ciclo vicioso específico a bebida. 

Além disso, tem outro fato interessante que não foi mostrado na reportagem do "link": de que o índice de criminalidade naquele país não diminuiu muito desde que o governo começou a tirar uma parte das novas gerações do cigarro, da maconha e do álcool, como mostrado no gráfico do "link" abaixo, mantido relativamente constante (geralmente muito baixo) desde aquela época até os anos mais recentes desta década de 2020. É interessante porque é comum atribuir parte de comportamentos irracionalmente antissociais ao uso abusivo de bebidas alcoólicas ou de drogas. E mesmo se existe uma relação lógica de alteração de comportamento induzido pelo uso exacerbado de substâncias químicas, ainda nesse cenário terrível de absoluta entrega a um vício, fatores mais intrínsecos, como os traços de personalidade predominantes, continuarão a ter uma influência, se não é todo viciado que sai por aí assaltando pessoas ou cometendo atos ainda mais graves, como a violência injustificada, até mesmo o homicídio. Isso pode provar que, certos comportamentos ou hábitos podem ser mais plásticos que outros, mas também que, esse experimento serve especial e idealmente para países com populações etnicamente mais parecidas com a Islândia, como os seus primos escandinavos, se populações mais distintas cultural, psicológica e cognitivamente tenderão a apresentar respostas diferentes... Ainda que se possa universalizá-lo como política pública de médio a longo prazo em outros países...


Respondendo à pergunta do título, o meio social, com certeza tem uma influência no comportamento humano. Mas o mesmo nunca é forjado unicamente pelo meio, se primeiro depende da biologia comportamental da população ou do indivíduo para que essa interação seja completa. E segundo que, se o "meio" nada mais é do que um conjunto arbitrária e variavelmente determinado de fatores, o único verdadeiro agente, e principal nessa dinâmica, é sempre o ser vivo/ser humano. E, portanto, é dele que emana as diretrizes e as determinações mais importantes. Tal como um ser humano não pode voar por si mesmo sem ter um maquinário biológico e capacidades física e mental que o tornem apto, ele também não pode superar suas próprias limitações, justamente os traços que o determinam e o caracterizam. Pois se, pelo exemplo do texto, ele não tem predisposições psicológicas e até fisiológicas para se tornar viciado em álcool ou drogas, é muito provável que não terá como caminho possível um cotidiano enfurnado nesse ciclo problemático de recompensa, mesmo se chegar a ser exposto a isso... 

domingo, 4 de janeiro de 2026

Sobre a relação entre ausência paterna e tendências antissociais: correlação ou causalidade??

Mais uma questão de correlação interseccional. 


Eu já comentei sobre a minha ideia de que a correlação pode ser dividida em dois tipos: a paralela e a interseccional. Que enquanto a primeira é um tipo de correlação mais pura em que não há qualquer relação verdadeira ou aparente entre dois ou mais elementos que ocupam um mesmo espaço de existência, a segunda se trata justamente do oposto, em que existe uma relação que não se limita apenas a um paralelismo de coexistência. É a diferença entre a correlação do consumo per capita de sorvete e IDH (índice de desenvolvimento humano) e a correlação entre índice de contaminação por ISTs e de pertencer a uma minoria sexual. 

Em relação à correlação entre apresentar comportamentos irracionalmente antissociais e ter sido criado em um lar ausente de pai, é mais comum ou popular o estabelecimento de uma relação de causalidade, já que muitos acreditam que a ausência ou a presença paterna durante os anos formativos de um indivíduo humano costuma ter um papel central em seu comportamento a longo prazo. No entanto, o mais provável é que ocorra, nessa situação, uma correlação interseccional e não uma relação absoluta de causa e efeito, primeiramente por existirem muitos casos de indivíduos, especialmente de homens, criados sem a figura paterna, que não acabam se enveredando no mundo do crime quando se tornam adultos (ou já durante a adolescência). Segundo que, também existe um fator biológico subjacente muito provável, em que indivíduos do sexo oposto com certas características psicológicas e cognitivas (mais frequentes) em comum, ao estarem mais propensos a se relacionarem e gerarem descendentes, também estão mais propensos a transmitirem ou replicarem essas mesmas características nos seus filhos, tal como no caso dos comportamentos irracionalmente antissociais, expressados pela própria negligência de certos homens que abandonam suas famílias biológicas, que é um claro exemplo de comportamento egoísta e irresponsável. Outro comportamento correlativo a esse contexto de ausência paterna é o nível de promiscuidade (número de parceiros sexuais ao longo da vida), tanto do pai quanto da mãe, às vezes, também reflexo de uma instabilidade crônica de um deles ou de ambos em conseguirem se manter em uma relação por mais tempo. Portanto, parece conclusivo que se trata de mais um caso de "confusão genética" (ou biológica) em que fatores subjacentes desta mesma natureza não estão sendo plenamente contemplados, resultando na conclusão muito provavelmente equivocada de que são apenas os elementos do meio, como a ausência paterna na criação dos filhos, que gera repercussões comportamentais de natureza causal e a longo prazo nos mesmos. 

sábado, 18 de outubro de 2025

Uma validação pseudo-paradoxal do determinismo biológico

A epigenética não prova a ideologia da tabula rasa...



Durante alguns meses do rigoroso inverno europeu de 1944-45, invasores nazistas cortaram todo suprimento de comida de 4,5 milhões de pessoas, nas regiões ainda ocupadas do território neerlandês, resultando em uma crise de fome coletiva que matou aproximadamente 20 mil pessoas por desnutrição severa. Então, décadas depois, suas consequências continuaram a ser sentidas na geração dos filhos de mulheres que estavam grávidas naquele período crítico da história dos Países Baixos, porque foi percebido que apresentavam uma maior incidência de doenças metabólicas, como o diabetes e a obesidade, problemas cardiovasculares, esquizofrenia... do que em relação ao restante da população do mesmo país.


Pois parece notório observar que, condições extremas, de acordo com o que é considerado extremo para cada espécie, costumam causar efeitos extremos nos organismos dos seres vivos. No entanto, também é necessário que esses organismos não estejam adaptados a suportar tais condições, tal como no caso dos seres humanos. Portanto, não é apenas o ambiente que os influencia, porque eles respondem e interagem de acordo com as suas próprias naturezas (seus limites e potenciais adaptativos).


Em relação ao famoso exemplo acima, muito usado como demonstração de efeitos epigenéticos transgeracionais, ele não prova que o meio é mais importante que a biologia, mesmo que muitos tenham chegado a essa conclusão. Na verdade, prova que é a biologia que determina as reações comportamentais e/ou orgânicas dos seres vivos às diferentes condições ambientais nas quais se encontram, sempre ela que dá a resposta final. Por isso que, se o organismo humano fosse plenamente adaptado a uma situação de penúria alimentar, não sofreria maiores repercussões se fosse submetido à mesma.


Afinal, o que torna algumas espécies mais adaptadas à condições extremas, como algumas bactérias, e outras não??


Principalmente as suas biologias.

domingo, 12 de outubro de 2025

Mais uma evidência cabal a favor do hereditarianismo??

 Diga-se, de uma "heresia" pós-moderna, de acreditar que o comportamento é primariamente determinado pela genética ou biologia e não pelo meio.


1- Sobre a alegada relação de causalidade absoluta entre baixo desempenho cognitivo e penúria social

"Os africanos subsaarianos estão, em média, menos inteligentes em termos de QI e outros aspectos comparativos de inteligência por causa dos índices muito altos de pobreza que apresentam ou negligência social em que vivem. Porque a desnutrição e a pobreza afetam diretamente o desenvolvimento cerebral, então, basta que essa situação seja resolvida para que essas diferenças de desempenho intelectual sejam eliminadas"

Esse com certeza é um pensamento comumente adotado por indivíduos que se identificam com a "esquerda" no espectro político-ideológico e que não se aplica apenas ao contexto subsaariano, mas também para qualquer outro contexto de pobreza e desigualdade. Mais do que um pensamento, é uma narrativa, um discurso fechado para críticas intelectualmente honestas e que tipicamente não corresponde com precisão aos fatos. Pois apesar de fazer sentido lógico que condições ambientais ruins tenham efeitos deletérios de médio a longo prazo em seres humanos, os seus efeitos até então não eram bem compreendidos, especialmente sem exemplos de melhorias sociais significativas há uns 70, 80 anos atrás. Mas, nesse ano de 2025, não é mais possível fazer essa afirmação, se esses exemplos já existem, tal como no caso dos EUA, um país que, se nos anos 40 do século XX, apresentava altos índices de desigualdade social e uma fração não-discreta de indivíduos vivendo em condições de pobreza absoluta, até os dias atuais, conseguiu reduzir significativamente pelo menos as estatísticas de extrema pobreza, também porque tem conseguido proporcionar à maioria dos seus cidadãos, um ciclo de vida livre da desnutrição. Bem, para um dos países mais obesos do mundo atualmente, é evidente que essa situação de fome endêmica, principalmente para determinados grupos étnicos, raciais e sociais, ficou no passado. Não que seja definitivo que não retornará, mas desde há umas boas décadas que tem havido uma melhoria significativa na redução da pobreza extrema por lá. Como resultado, os americanos, mesmo os mais pobres, se tornaram, ao longo das gerações, mais altos e encorpados em relação aos seus avós e bisavós. No entanto, as diferenças médias de desempenho cognitivo e de ajuste social continuam se perpetuando, mesmo se a maioria dos americanos não vive em um ciclo intergeracional de desnutrição e que medidas de combate às desigualdades (independente se mais ou menos justas) tenham sido adotadas. Eis aí um suposto paradoxo, pois se uma melhor nutrição promove o desenvolvimento sadio do corpo e da mente, e isso é primariamente verdadeiro para o corpo, a crença de que a mesma _opera milagres_ com a mente ou o cérebro parece que não se sustenta, pelo menos com base nessa notável evidência, do país mais rico do mundo, com um alto índice de desigualdades sociais e raciais, especialmente há uns 70 anos atrás, em que, de fato, tem ocorrido um aumento secular e cumulativo da estatura e do peso dos seus habitantes, ganhos particularmente fortes entre os mais pobres, por causa das melhorias das condições de vida. Mas isso não tem resultado em um aumento homogêneo das capacidades cognitivas entre esses grupos, se, na verdade, as diferenças de desempenho encontradas desde o início do século XX, continuam a se perpetuar, como se um aumento de peso e estatura, causado por uma melhor nutrição, não tivesse um grande impacto nas faculdades intelectuais, especialmente no sentido de igualá-las. Alguns ainda poderiam apelar para o "efeito Flynn", um fenômeno estatístico que consiste no aumento secular de desempenho em testes de QI observado em vários países. Mas, no caso de países racialmente diversos, como os EUA, mesmo que esse fenômeno também tenha ocorrido, ele aconteceu principalmente na população como um todo, porque quando grupos são comparados, as diferenças tendem a permanecer as mesmas, por exemplo, entre grupos étnicos e raciais. Ainda não se se sabe o que realmente consiste o "efeito Flynn", se reflete ganhos reais de capacidades cognitivas ou se reflete mais as mudanças nos próprios testes, resultando em um aumento das médias. Uma demonstração de comprovação desse fenômeno é pelo aumento da média de QI ou do desempenho nos testes da população americana em que, as primeiras pontuações quando ajustadas com as pontuações atuais seriam uns 20, 30 pontos mais baixas, de, se a média foi 100 há 100 anos atrás, hoje, seria 70. Mas um aumento espetacular de 20 a 30 pontos deveria ser refletido em todos os aspectos sociais e não é isso que percebemos (afirmação do próprio cientista responsável pela descoberta desse fenômeno). Além disso, é pouco provável que a população americana no início do século XX tivesse uma média de inteligência no nível de deficiência intelectual... 

Apesar desta muito provável evidência a favor do hereditarianismo, ainda não significa que condições ambientais ruins não possam impactar o desempenho cognitivo ou o desenvolvimento cerebral a médio e longo prazo. O que é o mais certo de se concluir é que, quando são eliminadas, o aumento do desempenho cognitivo acontece de acordo com o potencial genético ou biológico do indivíduo ou da população, que não é o mesmo para todos. Isso pode explicar o aumento secular da inteligência, pelo menos em testes cognitivos, da população americana como um todo, mais um reflexo do impacto dessas melhorias entre os mais pobres, e ao mesmo tempo a perpetuação das diferenças de desempenho entre grupos. 

segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Uma hipótese a partir das correlações encontradas entre mês ou estação de nascimento e tendências psicológicas

Existem alguns estudos interessantes que têm encontrado correlações positivas, porém, relativamente modestas, entre o mês ou a estação de nascimento e certas tendências psicológicas: de que aqueles que nascem no período do inverno, especialmente no fim do inverno e início da primavera, pelo menos no hemisfério norte, estariam em maior risco de desenvolver transtornos mentais, especialmente a esquizofrenia. E a explicação mais comum seria de que as mulheres grávidas que concebem nesse período estariam mais expostas a infecções virais, e que, em uma eventual infecção, seus filhos poderiam apresentar efeitos de longo prazo, mais tarde na vida, incluindo transtornos mentais. Outro possível fator seria a indução do tempo frio a uma deficiência em vitamina D que contribuiria para complicar o desenvolvimento normal das gestações. A correlação entre prematuridade (ou baixo peso ao nascer) e esquizofrenia (e psicopatologia, de maneira geral) também tem sido percebida. Talvez, um desenvolvimento normal do cérebro que é abruptamente interrompido por fatores externos também pode ser um gatilho de longo prazo para a expressão de um transtorno mental. Ou pode ser que o fator genético e, portanto, hereditário, explique boa parte dos transtornos de natureza psiquiátrica, se, primeiro, um casal cujos dois componentes apresentam o mesmo transtorno, estão em maior risco de passá-lo aos seus descendentes naturais do que um casal com apenas um portador, e especialmente no caso de não haver qualquer sinal explícito de transtorno mental entre um par de humanos biologicamente aptos a procriarem entre si ou que já o tenham feito. Pois é justamente essa última possibilidade que me parece a mais provável por talvez ser a menos extraordinária. Primeiro, porque relacionamentos assortativos, em que há um interesse mútuo e ativo de enlace por percepção de similaridades fenotípicas, geralmente uma combinação de biotipo, personalidade e circunstâncias sociais, aumentam a probabilidade de que indivíduos de sexos opostos com os mesmos riscos de saúde, incluindo os psiquiátricos, se envolvam em uma relação e que se frutifique em descendência natural. Segundo que, o mecanismo proposto para explicar a correlação entre nascer no inverno (frio, do hemisfério norte) e desenvolver certos transtornos mentais, precisa de uma comprovação empírica e não é o do meu conhecimento que ela exista até à data em que escrevo esse texto, digo uma comprovação em humanos. Terceiro que, a maioria dos indivíduos que nascem no período do inverno não se tornam esquizofrênicos, ainda que seria interessante ver se existe uma maior proporção de indivíduos que nascem nesse período (especialmente em regiões de clima temperado) e que, se não chegam a se tornar esquizofrênicos, apresentam outros transtornos psiquiátricos, ou pelo menos uma maior expressão de traços de personalidade e cognição associados. Quarto que, indivíduos humanos dotados de perfis de personalidade diferentes (que são padrões predominantemente estáveis de comportamento) tendem a apresentar hábitos diferentes, provavelmente também de acasalamento. Ainda mais diretamente relacionado com essa correlação entre mês ou estação de nascimento e tendências psicológicas, uma das diferenças de comportamento ou personalidade que pode explicá-la é a de preferência climática em que, aqueles que gostam mais do tempo frio (ou que não apresentam esse tipo de preferência), se sentem mais motivados nesse período do ano, até mesmo para fazer sexo//procriar (ou não apresentam diferenças de motivação ao longo do ano), e o padrão oposto para aqueles que preferem o tempo quente. Por exemplo, indivíduos mais emocionalmente instáveis que tendem a se sentir mais "deprimidos" ou menos motivados no tempo frio, ainda mais em ambientes em que o inverno é rigoroso, inclusive para manter relações sexuais, e o padrão oposto para o período mais quente do ano. E já que a gravidez humana dura, em média, nove meses, uma gestação que foi iniciada no verão ou na primavera, fechará o seu ciclo no outono ou no inverno. Então o que talvez tenhamos como elemento mais importante nessa situação é a influência do tipo de personalidade e que expressa vários aspectos biológicos: hormonais, mentais, genéticos... , e não necessariamente o do meio agindo diretamente no organismo humano, ainda que o influencie de maneira indireta, pelo comportamento.

Ok, mas então como explicar esse padrão em regiões de clima tropical e equatorial, se esses climas se caracterizam por variações menos significativas de temperatura??

Pois mesmo se acontece uma menor variação térmica nessas regiões, o fator subjacente é o mesmo, de que existem diferenças de traços mentais entre os seres humanos que resultam em diferenças de hábitos, além do fato de que esses traços mentais não serem apenas abstrações, por também expressarem aspectos mais orgânicos e variavelmente hereditários do corpo. Então, mesmo se esse padrão não se confirma em todas as regiões, sua possível ausência de universalidade correlativa não invalida a sua comprovação de correlação específica. Mas, talvez, essa correlação não passe de uma "confusão genética" (ou genetic confounding, da expressão original em inglês), em que uma correlação que acusa uma causalidade ambiental para determinada tendência de comportamento, na verdade, tem como fatores subjacentes, primários e mais influentes, as características biológicas, como os traços de personalidade e que também são transmitidos de pais para filhos. E, antes de finalizar esse texto, me pergunto se o risco de parto prematuro (ou mesmo de aborto espontâneo) também pode ser uma predisposição intrínseca e variavelmente hereditária, não apenas um incidente completamente aleatório, isto é, que não apresenta a mesma probabilidade de acontecer com qualquer mulher grávida?? Eu sei que existem estudos mostrando diferenças desse risco entre grupos étnicos ou raciais (durante uma pesquisa rápida sobre esse tópico, encontrei estudos mostrando que, de fato, existe uma comprovação indireta de influência genética em relação a esse risco)...

Fontes: 

Season of birth in schizophrenia: a maternal-fetal chronobiological hypothesis




Heritability of Schizophrenia and Schizophrenia Spectrum Based on the Nationwide Danish Twin Register


Family history is a predictor of current preterm birth


The Role of Genetics in Preterm Birth


Levels of the stress hormone cortisol are higher in women who give birth in the autumn and winter than those who give birth in the spring or summer, finds a new study by researchers at Cardiff University.

quinta-feira, 3 de julho de 2025

Um exemplo que explica mais precisamente a hierarquia de influências do comportamento humano

Por que a criminalidade tende a ser menor em cidade pequenas??

Maior a cidade, maior a tendência de apresentar altos índices de criminalidade. E o mesmo padrão coincidente, só que na direção oposta, para as cidade pequenas. Mesmo em países mais violentos, como o Brasil. 

Então, quais são os fatores por trás deste fenômeno?? 

Muitos acusarão o meio como o fator principal. Dirão que, nas cidades grandes, têm mais gente, e só esse fator já aumenta o risco de que ocorram conflitos humanos que resultam em atos violentos. Também dirão que as desigualdades sociais são maiores e isso leva algumas ou muitas pessoas, especialmente as mais pobres, a invejarem as que têm mais dinheiro que elas, aumentando o risco de se enveredarem em atividades criminosas. E que esses dois primeiros fatores também atiçam o ímpeto de competição, especialmente entre os homens, aumentando o risco de que se envolvam em atividades criminosas ou em atos violentos. Eles também poderiam citar outros fatores do meio, mais específicos, tal como o maior acesso às drogas psicotrópicas, para afirmar que, o que geralmente falta em cidades pequenas e excede nas grandes, é suficiente para explicar porque existe essa tendência predominante de diferenças estatísticas de criminalidade. E mais, porque não estão errados, se, de fato, é totalmente factível que esses fatores do meio tenham uma influência no comportamento humano. No entanto, essas mesmas pessoas entram em um estado absoluto de negação quando concluem que apenas o meio que explica como nos comportamos, porque, por mais que exista uma certa lógica em não concluir com antecedência sobre os fatores biológicos ou genéticos, se ainda não foram totalmente identificados e compreendidos pela ciência, é uma questão racionalmente pragmática deduzir, de maneira confiante, que esses fatores são tão ou mais influentes e que, descartá-los, tal como fazem esses "circunstancialistas", é, no mínimo, imprudente. Pois se ainda não temos um quadro completo com evidências diretas sobre a influência genética ou biológica no comportamento humano, já é possível perceber um acúmulo de evidências indiretas, pela observação de padrões, que a ratificam, por exemplo, pela percepção de estabilidade e previsibilidade, a médio e longo prazo, de traços de personalidade e de inteligência. Então, se é verdade que ambientes urbanos densamente povoados apresentam um risco ampliado para o comportamento violento, também é verdade que indivíduos com disposições comportamentais diferentes são impactados de maneiras diferentes nos mesmos ambientes ou quando são expostos aos mesmos estímulos e pressões, se não é a maioria dos seres humanos nesses espaços que se tornam violentos ou aptos à práticas de crimes, nem mesmo nas periferias das cidades grandes. Portanto, não é apenas o meio que influencia o comportamento humano, mas também nossas próprias características mentais, que apresentamos, que são mais inatas ou intrínsecas, e não apenas reflexos da influência do meio sobre nós. Novamente, é uma dedução que pode ser feita, justamente por serem mais estáveis e previsíveis a médio e longo prazo, de serem, em média, menos influenciadas por intervenções sociais ou por se expressarem de maneira relativamente independente a pressões e estímulos (nossos comportamentos não são absolutamente lógicos, no sentido de recíprocos, ao que acontece ao nosso redor ou que interage conosco), havendo, muito provavelmente, coincidência ou confluência entre traços mentais e fatores de interação do meio, quando existe uma resposta recíproca, e não que "fator x fez emergir, do nada, uma expressão comportamental em certo indivíduo". 

Como conclusão, a explicação mais adequada para esse fenômeno social, mas que também é comportamental, psicológico, cognitivo, genético... é de que, indivíduos com os níveis notadamente mais altos de disposição para se engajarem em comportamentos violentos, egoístas ou impulsivos, se sentem mais estimulados a praticá-los em ambientes urbanos densamente povoados do que em ambientes menos povoados, também por todos os fatores citados acima, que servem como gatilhos ou catalisadores de tendências e não como fontes primárias de onde se originam. Pois se apenas o meio que tivesse um papel preponderante de influência, sempre haveria uma grande uniformização do comportamento em resposta ao mesmo: determinado meio, pressão ou estímulo, provavelmente por causa da variação de disposição de características mentais (mais intrínsecas). 



Últimas dúvidas adicionais

Essas diferenças de criminalidade também são uma questão de migração seletiva?? De mutação?? E de proporção estatística?? 

1- 

Cidades pequenas atraem ou retém mais indivíduos com temperamento mais dócil, enquanto que as cidades grandes tendem a atrair mais tipos impulsivos, gananciosos e egoístas?? 

Essa é uma pergunta muito importante, pois faz sentido que ambientes diferentes tendam a atrair ou reter tipos diferentes de seres humanos. Não que esse fator explique totalmente essa diferença estatística de criminalidade, mas que possa servir como um adendo que possa explicar em partes esse fenômeno social. 

2- 

Populações maiores estão mais suscetíveis a apresentarem valores mais altos de diversidade genética, por estarem mais suscetíveis à mutações que ocorrem mais naturalmente entre elas do que em populações pequenas, incluindo mutações relacionadas a transtornos mentais, de personalidade...

3- 

5% de psicopatas em uma cidade de 15 mil habitantes (750) não é o mesmo que 5% de psicopatas em uma cidade com 2 milhões (100 mil), certo?? 

Portanto, ter uma grande população aumenta a proporção absoluta de indivíduos com transtornos mentais de natureza moral, como a psicopatia, e então aumenta a probabilidade de que se envolvam em atos violentos ou criminosos. Isso, sem levar em conta possíveis diferenças estatísticas de incidência de psicopatia entre as cidades pequenas e as grandes (o fator da migração seletiva).

segunda-feira, 19 de maio de 2025

Uma das palavras mágicas, favoritas da religião esquerdista: "diversidade"

 "Estudo mais completo sobre o genoma dos brasileiros revela que temos a maior DIVERSIDADE genética do mundo"


Mas isso não tem se refletido em 

Pessoas, em média, mais "bonitas"
Mais inteligentes 
Educadas/respeitosas 
Empáticas???

???

Claro, culpemos apenas o meio: a colonização, a falta de educação de qualidade, o homem branco mau...

Supostamente, foram encontradas vantagens genéticas no "nosso povo", por causa da miscigenação, relacionadas com saúde e fertilidade. 

Ok...

Mas, a expectativa de vida do brasileiro não parece ser das maiores, né??

E quanto à saúde: obesidade, transtornos mentais e outros tipos de doenças, parecem ser tão ou mais comuns aqui do que em países mais geneticamente homogêneos, como o Japão e a Finlândia...

Enfim, a diversidade, de fato, é mais como uma palavra mágica que significa "quem sabe?" (churin churin flun flains...). Pode ser boa ou ruim. E no caso do contexto brasileiro, sinceramente...


sábado, 22 de junho de 2024

Um exemplo de como a "esquerda" prejudica os grupos que supostamente diz defender.../An example of how the "left" harms the groups it supposedly defends...

 ... a partir de uma de suas políticas mais problemáticas e irresponsáveis, a do abrandamento penal 


A curto e médio prazo

Prejuízo na segurança pública, especialmente das classes trabalhadoras 

Porque soltar "bandido' à toa, aumenta a circulação de sujeitos claramente incapazes de convívio social e, consequentemente, piora o estado da segurança pública, principalmente nos bairros mais carentes.

A longo prazo 

Manutenção ou aumento da frequência de indivíduos carregando variações genéticas ou polimorfismos positivamente associados ao transtorno de personalidade anti-social e que também tendem a se associar à variações que se expressam como baixas capacidades cognitivas

Em termos sociais e evolutivos, esses indivíduos podem ou costumam assumir posições de liderança, formar ou se juntar a grupos criminosos, quando soltos, aumentando seu sucesso reprodutivo/número de descendentes que carregam variavelmente as mesmas tendências.

Então, a longo prazo, o abrandamento penal condena* uma possível melhoria no comportamento e na inteligência das populações mais empobrecidas justamente por manter alta a circulação de indivíduos que carregam e expressam variações genéticas ou polimorfismos positivamente associados com fenótipos opostos a essa possibilidade, contribuindo para perpetuar esse ciclo de alta fertilidade de sujeitos incapazes de convívio social básico que transmitem, de maneira relativamente variável, suas tendências aos seus descendentes, partindo do pressuposto de que a hipótese do "hereditarianismo" é mais cientificamente válida do que àquela que aponta para o meio como o fator mais importante de influência no desenvolvimento e no comportamento humanos. 

*Promove a disgenia, que é o oposto da eugenia, de um aumento de indivíduos dotados de traços físicos, psicológicos ou cognitivos considerados indesejáveis (por convenção ou mais objetivamente), tal como uma predisposição crônica para apresentar comportamentos anti-sociais e baixas capacidades cognitivas. 

E substitua classe trabalhadora por negros, indianos ou ciganos, enfim, por qualquer grupo socialmente "desfavorecido' e o resultado é o mesmo. 

... based on one of its most problematic and irresponsible policies, softness of penalization

In the short and medium term

Damage to public safety, especially for the working classes

Because releasing "criminals" for nothing increases the circulation of individuals who are clearly incapable of social interaction and, consequently, worsens the state of public security, especially in the most deprived neighborhoods.

Long-term

Maintenance or increase in the frequency of individuals carrying genetic variations or polymorphisms positively associated with antisocial personality disorder and which also tend to be associated with variations that express themselves as low cognitive abilities

In social and evolutionary terms, these individuals can or usually assume leadership positions, form or join criminal groups, when released, increasing their reproductive success/number of descendants that carry variably the same tendencies.

So, in the long term, penal relaxation condemns* a possible improvement in the behavior and intelligence of the most impoverished populations precisely by maintaining a high circulation of individuals who carry and express genetic variations or polymorphisms positively associated with phenotypes opposite to this possibility, contributing to perpetuate this cycle of high fertility of subjects incapable of basic social coexistence who transmit, in a relatively variable way, their tendencies to their descendants, based on the assumption that the hypothesis of "hereditarianism" is more scientifically valid than that which points to the wnviroments as the most important factor influencing human development and behavior.

*Promotes dysgenics, which is the opposite of eugenics, an increase in individuals endowed with physical, psychological or cognitive traits considered undesirable (by convention or more objectively), such as a chronic predisposition to exhibit antisocial behaviors and low cognitive abilities .

And replace the working class with blacks, Indians or gypsies, in short, with any socially "disadvantaged" group and the result is the same.

sábado, 15 de junho de 2024

Sobre hereditariedade, carga mutacional e recombinação fenotípica/About heredity, mutational load and phenotypic recombination

 Eu já comentei sobre isso nesse texto: "Sobre hereditariedade, variação e a metáfora da massinha". Então, além de sempre herdarmos, variavelmente falando, recombinações dos materiais genéticos dos nossos pais biológicos, as mesmas também podem resultar em grande variação entre os descendentes, mesmos dos mesmos progenitores, especialmente se, junto a esses materiais, existir uma maior carga mutacional. Então, quando há mais mutações, discretas ou não, durante a transmissão hereditária e que resulta em recombinação, essas podem gerar fenótipos muito diferentes entre si e até mesmo únicos ou raros. E me refiro em especial aos que estão relacionados com características de personalidade e inteligência. E como eu disse no outro texto, essa variação pode explicar boa parte das diferenças psicológicas e cognitivas, sem que se apele para o meio como fator proeminente em potencial. 


I have already commented on this in this text: "On heredity, variation and the clay metaphor". So, in addition to always inheriting, variably speaking, recombinations of genetic materials from our biological parents, they can also result in great variation between descendants, even from the same parents, especially if, together with these materials, there is a greater mutational load. So, when there are more mutations, discrete or not, during hereditary transmission and resulting in recombination, these can generate phenotypes that are very different from each other and even unique or rare. And I am referring in particular to those related to personality characteristics and intelligence. And as I said in the other text, this variation can explain a good part of the psychological and cognitive differences, without appealing to the environment as a potential prominent factor.

segunda-feira, 10 de junho de 2024

3 pontos para explicar similaridades geracionais e diferenças intergeracionais de comportamento /3 points to explain generational similarities and intergenerational differences in behavior

 1. Gerações tendem a expressar aspectos estruturais ou socioeconômicos de suas épocas


Então, se os jovens, atualmente, estão em maior risco de ficarem desempregados do que nos tempos de juventude das gerações mais velhas, não é apenas porque tem mais preguiçosos entre os jovens atuais, mas também ou especialmente por causa de uma maior estagnação econômica (entre outros fatores, tal como o aumento da automação), resultando em um déficit entre a oferta e a demanda de emprego...

Mesmo diferenças físicas, como de estatura e peso entre as gerações, também podem ser reflexos (nesse caso, cumulativos) de mudanças nas estruturas socioeconômicas, de quando tinha mais pobreza e desnutrição até quando passou a ter mais fartura.

2. Gerações expressam aspectos genéticos e fenotípicos correntes de suas populações 

Diferenças nos padrões seletivos e reprodutivos podem gerar mudanças na paisagem genética entre as gerações e mais notadamente entre as gerações mais distantes. Por exemplo, décadas com baixas taxas de fecundidade, grande aumento da natalidade tardia e da reprodução assortativa* (com base em similaridades fenotípicas do casal) podem causar um acúmulo progressivo de mutações de uma geração para a outra.

* Parcial e possivelmente associada a uma maior incidência de casos de autismo, por exemplo, no vale do Silício, região do estado da Califórnia, nos EUA, com grande concentração de engenheiros, cientistas e técnicos da computação mais propensos a estarem "dentro do espectro"

E como citado acima como parte reflexiva do estado dominante das estruturas socioeconômicas de uma geração, diferenças físicas também expressam o estado corrente de características fenotípicas da mesma, tal como a estatura e o peso. 

3. Gerações tendem a expressar aspectos culturais e psicológicos específicos às suas primeiras décadas de existência

A partir de suas tendências reativas mais comuns a esses aspectos, tal como por diferenças culturais de criação, por exemplo, das gerações mais antigas, em que o modelo era mais "tradicional" ou autoritário, e das gerações mais novas (atualmente, nesse início de século XXI), em que tem havido uma maior atenuação desse autoritarismo dos pais em relação aos seus filhos. 

Além disso, o que é universal à toda geração é uma ligação emotiva à cultura dominante de sua época, especialmente de seus "anos formativos', de infância e juventude, ainda que a força dessa ligação também dependa de outros fatores, tal como a compatibilidade de características intrínsecas, como a personalidade, com a cultura ou, subculturas de influência, no caso das tribos urbanas.  

1. Generations tend to express structural or socioeconomic aspects of their times

So, if young people today are at greater risk of becoming unemployed than in the youth in older times, it is not only because there are more lazy people among today's young people, but also or especially because of greater economic stagnation ( among other factors, such as increased automation), resulting in a deficit between job supply and demand...

Even physical differences, such as height and weight between generations, can also be reflections (in this case, cumulative) of changes in socioeconomic structures, from when there was more poverty and malnutrition to when there was more affluence.

2. Generations express current genetic and phenotypic aspects of their populations

Differences in selective and reproductive patterns can generate changes in the genetic landscape between generations and more notably between more distant generations. For example, decades with low fertility rates, a large increase in late births and assortative reproduction* (based on the couple's phenotypic similarities) can cause a progressive accumulation of mutations from one generation to the next.

* Partially and possibly associated with a higher incidence of autism cases, for example, in the Silicon Valley region of the state of California, in the USA, with a large concentration of engineers, scientists and computer technicians more likely to be "within the spectrum "

And as mentioned above as a reflective part of the dominant state of the socioeconomic structures of a generation, physical differences also express the current state of its phenotypic characteristics, such as height and weight.

3. Generations tend to express cultural and psychological aspects specific to their first decades of existence

Based on their more common reactive tendencies towards these aspects, such as cultural differences in upbringing, for example, of the older generations, in which the model was more "traditional" or authoritarian, and of the younger generations (currently, at the beginning 21st century), in which there has been a greater attenuation of this authoritarianism of parents towards their children.

Furthermore, what is universal to every generation is an emotional connection to the dominant culture of their time, especially their "formative years" of childhood and youth, although the strength of this connection also depends on other factors, such as compatibility of intrinsic characteristics, such as personality, with culture or, subcultures of influence, in the case of urban tribes.


terça-feira, 3 de outubro de 2023

Sobre hereditariedade, variação e a metáfora da massinha

 Parece que tem muita gente acreditando que a hereditariedade de traços biológicos acontece de maneira simples e direta, tal como pegar filetes coloridos de massinha de modelar e entregá-los, separados, para uma outra pessoa. Mas, porque casais de humanos, ou de qualquer outra espécie sexuada e complexa, tendem a apresentar entre si uma certa heterogeneidade genética, seus descendentes herdam deles combinações genéticas relativamente diversas, resultando em suas variações fenotípicas, que pode explicar as diferenças físicas e mesmo as comportamentais primariamente entre irmãos biológicos. Inclusive, essa maior variação seria mais vantajosa, evolutivamente, em comparação às espécies mais simples. 


Pois eu culpo uma desatenção na aula básica de herança genética, "Azão +azinho", que todo mundo já teve ou vai ter na escola...

Então, na metáfora da massinha, ao invés de entregar os filetes coloridos separados para uma outra pessoa, antes, eles são misturados, borrando suas cores. 

Por isso que a hereditariedade de traços é mais no sentido de combinação, provavelmente gerando muitos efeitos pleiotrópicos. 

Meio ou variação?? 

A própria combinação ou embaralhamento dos traços hereditários pode explicar, pelo menos em partes, a variação fenotípica individual de comportamento e inteligência, ao invés da popular atribuição de influência, geralmente vaga, que é dada a fatores ambientais ou do meio.

terça-feira, 4 de julho de 2023

Uma possível evidência sobre a natureza pseudocientífica do sistema tradicional de ensino

Era uma vez, dois países, Finlândia e Coreia do Sul, que têm produzido algumas das maiores pontuações no PISA, que é um exame internacional da educação, desde que começou a ser aplicado. Porém, com sistemas educacionais bem diferentes, porque enquanto no primeiro país os estudantes têm muito mais autonomia e, portanto, menor pressão para estudar e tirar notas altas, no segundo, que adota um sistema mais tradicional de ensino, o exato oposto acontece, em que os estudantes são muito pressionados em termos (superficialmente) acadêmicos. Então, como explicar que, mesmo com sistemas tão diferentes, estudantes finlandeses têm conseguido tirar notas tão boas quanto às dos sul coreanos?? Primeiro e, o mais importante, temos a questão genética* (sim, me perdoem os crentes na tábula rasa que estão de plantão), em que ambas as populações parece que apresentam variações parecidas de potencial cognitivo. * Acumulando evidências científicas sobre o papel da genética nas nossas capacidades intelectuais. Segundo que, o sistema educacional sul coreano é baseado em crenças ultrapassadas e/ou pseudocientíficas sobre a inteligência humana e, por isso, impõe ao seu corpo discente essas práticas de tortura psicológica e cognitiva, porque acredita que a memorização compulsória é o componente mais importante para o aprendizado. Pois se isso fosse verdade, então, estudantes finlandeses deveriam estar se saindo muito mal... Mas não... Essa parece ser uma boa evidência de que o velho método de memorização compulsória que, inclusive, também é dominante no Brasil, não é melhor ou mais eficiente do que métodos heterodoxos à norma do sistema tradicional, como o que foi adotado na Finlândia. Aliás, não apenas de não ser melhor, mas até de ser inútil, se crianças e adolescentes finlandeses não precisam quebrar a cabeça nos "estudos" (memorização) para obter ótimos resultados em exames comparativos, como o PISA.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

Um exemplo real e documentado de influência ambiental predominante em seres humanos

 A relação entre usar óculos de grau//miopia e viver na cidade


Atualmente, existe uma prevalência de pessoas que usam óculos nos países do Extremo Oriente. Mas, antes da urbanização e industrialização desses países, a maioria dos seus habitantes morava na zona rural e não usava óculos. Então, esse é um exemplo claro de influência do meio em seres humanos, mas sempre a partir da presença ou percepção de uma predisposição biológica, nesse caso, de uma vulnerabilidade para a degeneração ocular, geralmente parcial e estável, tal como a miopia, e a necessidade de existirem determinadas condições do meio que funcionem como fatores de gatilho: de viver em uma cidade com eletricidade e, portanto, ficar mais tempo acordado durante a noite, forçando a vista; de se expor a um grande volume de informações visuais ao morar num local com muita gente, etc... Outro provável fator é o racial e/ou étnico já que esse fenômeno tem sido observado, especialmente nesse nível, em algumas e não em todas as populações humanas. 

Percebam que, para que fatores ambientais sejam mais importantes que fatores genéticos ou biológicos (mas não ou nunca absolutamente, se a biologia é basal ao organismo) há de se ter como resultado um predomínio de indivíduos influenciados pelos mesmos. 

domingo, 26 de fevereiro de 2023

"A biologia não tem maior influência no comportamento humano do que o meio"

 Afirmação tipicamente endossada por sociólogos e/ou cientistas sociais atualmente. 



Mas a biologia é basal a qualquer organismo, porque tudo o que é biológico é orgânico. Portanto, não importa o quão influentes possam ser as forças externas ao ser, porque as influências internas ou intrínsecas, isto é, do seu próprio "meio biológico" estarão, por osmose, sempre presentes, justamente por essas razões tão óbvias. 

(E novamente o meu argumento heterodoxo a favor do determinismo biológico... )

Sem falar que, o que sempre determina os limites de adaptação, resiliência ou desenvolvimento de um organismo é sua biologia. Pois se um organismo sofre alterações por influência de certos fatores ambientais ou do meio, isso acontece principalmente por já apresentar uma vulnerabilidade ou suscetibilidade orgânica percebida a partir desse evento. Afinal, um ser humano pode machucar o braço, mas não pode desenvolver asas, assim como uma criança pode apresentar um desenvolvimento cognitivo bem acima da média, resultado de um potencial intrínseco percebido, e uma outra apresentar um desenvolvimento típico, igualmente por causa de um potencial intrínseco.

Sobre o nível concordância de fenótipo e personalidade/comportamento entre pais e filhos (biológicos)

 Então, filhos que se parecem com os seus pais em fenótipo físico também tendem a apresentar grandes semelhanças de personalidade?? 


Provável que sim. 

Inclusive, acredito que todos nós conhecemos alguém que se parece muito com um de seus pais, não apenas em aparência física, mas também em personalidade ou comportamento.

Eu mesmo conheço um caso marcante na minha família, de uma prima de fenótipo racial misto, que teve 3 filhos com 3 homens diferentes. Pois a filha mais nova dela é de um relacionamento com um homem branco do sul. A menina é praticamente a cara do pai (só a sua pele que é mais escura), e também em temperamento (mais soturno), se sua personalidade definitivamente não é igual à de sua mãe. 

Como se costuma dizer, de brincadeira: "ela só emprestou o útero".

Casos  como esse em que o filho ou a filha nasce com "a cara" de um dos pais biológicos e ainda por cima "puxa" sua personalidade é comum ou não?? 

Eu acho que, mesmo se for encontrado de não ser comum, é uma demonstração interessante de hereditariedade mais direta ou unilateral de traços físicos e de comportamento.

Mas será que esse tipo de correspondência também acontece em outros cenários?? Por exemplo, filhos biológicos que apresentam uma aparência física mais misturada dos seus progenitores exibindo uma mistura parecida em relação às suas personalidades...

Eu sempre achei que fosse uma mistura dos meus pais em aparência e temperamento, que o meu irmão do meio puxou mais o meu pai e o mais velho mais a minha mãe ou a família dela...

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

Dois exemplos (um pessoal e o outro também) sobre o "determinismo biológico"

 Novamente com base no meu argumento heterodoxo em sua defesa.


Primeiro exemplo: timidez. 

Bem, se fosse verdade que a minha timidez está sendo causada apenas por "fatores ambientais", então, todos ou pelo menos a grande maioria daqueles que têm vivido sob as mesmas circunstâncias que as minhas deveriam apresentar a mesma reação. Só que não é bem isso o que acontece...

No meu caso, ainda tem outros fatores que contribuem para aumentar minha timidez, além da percepção de relativa hostilidade ou atrito à minha pessoa nos ambientes sociais em que tenho transitado: minha gagueira, agora residual, e minha (homo)bissexualidade. Mas, como não são todos os tímidos que são LGBTs ou gagos, e nem todos os gagos e LGBTs que são tímidos, é necessário que exista uma predisposição... (é provável exista uma correlação interseccional ou não-paralela entre gagueira e timidez de modo que, a maioria dos gagos podem estar tímidos, em partes pela própria gagueira. Mas tenho quase certeza que maioria dos tímidos não apresenta disfluência da fala). 

Portanto, a timidez, pelo menos a minha, é principalmente a minha reação à certas condições do meio e que ainda se relaciona com outros traços, além dos citados, como uma tendência para uma autoestima baixa ou instável.

Segundo exemplo: limites básicos de um corpo ou organismo

Pois se eu entrasse em uma piscina e a água fosse esquentando gradualmente, chegaria o momento em que não aguentaria o calor e acabaria saindo da piscina. Então, é plausível concluir que condições específicas do meio me causaram essa reação direta e logicamente relacionada.  

Influência ambiental?? 

Com certeza, mas o que determinou o meu tempo de tolerância à temperatura da água foram os limites do meu corpo. Portanto, a influência genética ou biológica foi mais decisiva. Mas eu acredito que é sempre mais relevante que a influência do meio, por ser a que determina limites e potenciais de reação ou comportamento dos organismos.

terça-feira, 15 de novembro de 2022

Sobre facilidade cognitiva/psicológica e motivação intrínseca//extrínseca

 I. Fulano GOSTA de matemática... primeiramente porque ele percebeu uma facilidade ou potencial para desenvolver suas capacidades nessa área;


II. Ciclano TEM FACILIDADE para se socializar com os outros... porque já apresentava traços de personalidade favoráveis à socialização;

III. Beltrano já passou em vários concursos públicos... não apenas por causa de seu esforço empregado nos estudos, mas também por uma FACILIDADE para memorizar o conteúdo das provas. Pois até mesmo uma motivação extrínseca, em que meios e fins ou objetivos não são os mesmos, também depende de uma percepção de facilidade ou potencial específico à atividade requisitada.  

Portanto, todo grande esforço ou motivação é antecedido por uma percepção de potencial intrínseco, que é o mesmo que "nível de facilidade de aprendizado" ou "engajamento". 

quarta-feira, 1 de junho de 2022

Por que transformações radicais de personalidade ou inteligência são menos prováveis de serem verdade?

Vou pegar um exemplo fictício bem conhecido aqui no Brasil e na América Latina: Maria do Bairro. 


Maria do Bairro é uma novela mexicana dos anos 90 do século XX, de grande sucesso, que fala da história, baseada na famosa peça de teatro "Pigmalião" de George Bernard Shaw, de uma moça pobre, humilde e de bom coração que trabalha como catadora (marginal, segundo Soraya Montenegro) e que, depois de ser apadrinhada por um ricaço, aos poucos aprende a se tornar uma mulher refinada e inteligente. Portanto, segundo essa novela, a classe social tem um efeito causal ao nível de educação e inteligência de uma pessoa. Só que, na verdade, não é bem assim porque nada impede que uma pessoa pobre possa ser ou se tornar culta e educada... E sim, elas existem...

Então, para fazer justiça com os dramalhões mexicanos, tem a novela A Usurpadora, em que a personagem Paulina nunca precisou "aprender" a ser educada e "inteligente" mesmo vindo de condição humilde. Pois ela é um exemplo mais realista porque mostra que a classe social, sozinha, não  é capaz de alterar, de maneira radical, a personalidade e/ou a inteligência de uma pessoa, que ela pode muito bem "ter nascido" ou "desenvolvido" por conta própria, independente de sua posição na sociedade, uma maior polidez ou elegância em seu comportar, e também uma maior capacidade intelectual. 

Na verdade, essa é uma visão classista, preconceituosa em relação aos mais pobres/explorados. 

terça-feira, 17 de maio de 2022

"Ninguém nasce ruim" , "qualquer um pode se tornar um serial killer"

 1. "Ninguém nasce ruim"


 De fato, ninguém nasce ruim e nem bom, se não podemos perceber tendências morais em recém-nascidos apenas com base em seus comportamentos.

No entanto, se uma pessoa apresenta uma constância de comportamentos "anti sociais",e especialmente se começa a apresentá-los ainda na infância, então, é provável que ela tenha predisposições psicológicas, de nascença para os mesmos, como se "tivesse nascido (predestinada a ser) ruim".

2. "Qualquer um pode se tornar um serial killer"

Seria como dizer que todo mundo corre o mesmo risco de escorregar de um precipício e se acidentar ou morrer. Mas não é todo mundo que vai com frequência a um lugar com precipício e nem que se arrisca quando está lá. Pois, se mesmo uma situação que, por infortúnio, pode acometer qualquer um de nós, não apresenta igual probabilidade para todos, quiçá a de se tornar um serial killer que, além de, geralmente, depender de circunstâncias ambientais específicas, também se relaciona com predisposições comportamentais.

Essa afirmação pode ser que tenha sido baseada na existência de serial killers que não aparentavam/aparentam ser psicopatas ou sociopatas e, sendo assim, qualquer um pode se tornar um "monstro".

Mas, se isso fosse verdade, o número de serial killers seria muito maior, se são muitas as pessoas, solitárias ou não, que sofrem "bullying", injustiças... e, nem por isso, saem por aí matando avulso.

quinta-feira, 28 de outubro de 2021

Sobre níveis de ceticismo

 Vejamos três exemplos:


Predomínio da influência biológica na inteligência humana, existência de vida extraterrestre e de deus/eternidade.


Em relação à possibilidade de predomínio da influência biológica na inteligência humana, existem padrões, que são rastros de evidências concretas, por serem comportamentos ou características que se repetem, que corroboram para a sua veracidade. Existem vários exemplos desses padrões. Um deles é o fato de que filhos adotados tendem a apresentar níveis similares de inteligência aos dos seus pais biológicos do que dos seus pais adotivos. Com base nisso, é racionalmente recomendável que o nível de ceticismo sobre essa possibilidade seja baixo.


Em relação à existência de vidas extraterrestres, não existe sequer um rastro de evidências concretas ou de padrões, tal como têm no primeiro exemplo, se a grande maioria dos relatos e provas de aparições de naves estranhas ou de abduções são duvidosos. No entanto, existem razões lógicas baseadas em padrões existentes que, indiretamente, corroboram para a possibilidade de existência de vida fora do planeta Terra. Por exemplo, o tamanho impensavelmente descomunal do universo, cheio de planetas e sistemas solares similares ao nosso, com potencial de terem condições de abrigar vida simples à complexa. Por isso, é racionalmente recomendável que o nível de ceticismo sobre essa possibilidade seja médio.


Por fim, temos o caso da crença na existência de deus/eternidade, que não tem absolutamente nada, nem rastro de evidência concreta nem razão lógica respaldada por padrões existentes que, indiretamente,  corroborem para a sua plausibilidade. A única e remota ou proto razão lógica pela qual se baseia é a de que "se toda criação tem um criador (supostamente falando), então, o mundo ou o universo também tem e que se chama deus". Se tudo o que existe teve um momento de surgimento ou "criação", não significa que tudo foi literalmente criado por uma entidade consciente e absolutamente poderosa. Mesmo que não seja possível provar, pelo método científico, nem a existência nem a inexistência de deus/eternidade, não há nada de remotamente concreto que apoie a tese de que exista,sem falar que o ônus da prova recai sobre aqueles que acreditam. Portanto, é racionalmente recomendável que o nível de ceticismo sobre essa possibilidade seja o mais alto possível.


Pois se deveríamos, por exemplo, repensar sobre os métodos tradicionais de ensino usados na maioria das escolas, por estarem baseados na crença de que o meio tem um papel predominante no intelecto humano, em  relação à biologia; se também deveríamos  continuar preocupados ou ansiosos com a possibilidade de descoberta ou de aparição de seres vivos vindos de outro planeta; não mais deveríamos manter ou tolerar o nível de influência cultural e política das "religiões" organizadas nas sociedades humanas, no máximo delegando-as um nível similar de poder, em sua maior parte,  inofensivo, que atualmente tem a astrologia.