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domingo, 4 de janeiro de 2026

Sobre a relação entre ausência paterna e tendências antissociais: correlação ou causalidade??

Mais uma questão de correlação interseccional. 


Eu já comentei sobre a minha ideia de que a correlação pode ser dividida em dois tipos: a paralela e a interseccional. Que enquanto a primeira é um tipo de correlação mais pura em que não há qualquer relação verdadeira ou aparente entre dois ou mais elementos que ocupam um mesmo espaço de existência, a segunda se trata justamente do oposto, em que existe uma relação que não se limita apenas a um paralelismo de coexistência. É a diferença entre a correlação do consumo per capita de sorvete e IDH (índice de desenvolvimento humano) e a correlação entre índice de contaminação por ISTs e de pertencer a uma minoria sexual. 

Em relação à correlação entre apresentar comportamentos irracionalmente antissociais e ter sido criado em um lar ausente de pai, é mais comum ou popular o estabelecimento de uma relação de causalidade, já que muitos acreditam que a ausência ou a presença paterna durante os anos formativos de um indivíduo humano costuma ter um papel central em seu comportamento a longo prazo. No entanto, o mais provável é que ocorra, nessa situação, uma correlação interseccional e não uma relação absoluta de causa e efeito, primeiramente por existirem muitos casos de indivíduos, especialmente de homens, criados sem a figura paterna, que não acabam se enveredando no mundo do crime quando se tornam adultos (ou já durante a adolescência). Segundo que, também existe um fator biológico subjacente muito provável, em que indivíduos do sexo oposto com certas características psicológicas e cognitivas (mais frequentes) em comum, ao estarem mais propensos a se relacionarem e gerarem descendentes, também estão mais propensos a transmitirem ou replicarem essas mesmas características nos seus filhos, tal como no caso dos comportamentos irracionalmente antissociais, expressados pela própria negligência de certos homens que abandonam suas famílias biológicas, que é um claro exemplo de comportamento egoísta e irresponsável. Outro comportamento correlativo a esse contexto de ausência paterna é o nível de promiscuidade (número de parceiros sexuais ao longo da vida), tanto do pai quanto da mãe, às vezes, também reflexo de uma instabilidade crônica de um deles ou de ambos em conseguirem se manter em uma relação por mais tempo. Portanto, parece conclusivo que se trata de mais um caso de "confusão genética" (ou biológica) em que fatores subjacentes desta mesma natureza não estão sendo plenamente contemplados, resultando na conclusão muito provavelmente equivocada de que são apenas os elementos do meio, como a ausência paterna na criação dos filhos, que gera repercussões comportamentais de natureza causal e a longo prazo nos mesmos. 

segunda-feira, 15 de abril de 2024

Sobre "per capita" e analfabetismo científico/About "per capita" and scientific illiteracy

 Não ser capaz de compreender estatística básica, por exemplo, a diferença entre proporção absoluta e relativa, o famoso "per capita", pode até ser considerado um marco do analfabetismo científico. Outro seria a incapacidade de detectar ou distinguir correlação de causalidade. 


Not being able to understand basic statistics, for example, the difference between absolute and relative proportions, the famous "per capita", can even be considered a mark of scientific illiteracy. Another would be the inability to detect or distinguish correlation from causation.

sábado, 3 de dezembro de 2022

A pobreza causa a crença religiosa e a riqueza a descrença? Correlação interseccional ou causalidade?

 É certo que existe uma correlação positiva entre nível de escolaridade e descrença religiosa (ateísmo e agnosticismo) em que, quanto maior esse nível, maior a propensão a não acreditar em deus, vida eterna... e o oposto para o nível mais baixo. Também existe uma correlação entre renda e crença religiosa em que, novamente, maior a renda, menor a propensão ao fanatismo religioso. Lembrando que, escolaridade e renda também se relacionam. Ainda assim, são correlações e, portanto, não significa necessariamente que uma coisa esteja causando a outra, de que a pobreza, por si mesma, aumente a propensão à crença religiosa ou que a riqueza aumente a propensão ao ateísmo//agnosticismo. Também não significa que não existam ricos religiosos e pobres ateus ou agnósticos, ou religiosos com doutorado e descrentes com apenas o ensino fundamental. O que acontece é que tendem a ser menos comuns, especialmente em termos relativos, se em termos absolutos existem mais religiosos: fundamentalistas, moderados, sem filiação fixa ou oficial e outros tipos (espiritualistas), que descrentes. Mas também depende. Por exemplo, a correlação entre fervor religioso e baixo nível de escolaridade parece ser maior que entre ateísmo e renda alta. De qualquer maneira, apesar de ser um pensamento comum entre ateus e agnósticos, eu não acredito que a condição social de uma pessoa, por si mesma, aumenta ou diminui sua propensão à crença ou descrença religiosa. Eu acredito que pode ser um fator, mas que não é o único e nem o mais importante, porque o que mais importa é a própria propensão, resultado de uma combinação primária de traços intrínsecos de personalidade e cognição (incluindo uma tendência para baixa capacidade racional) que pode se manifestar para um lado ou outro desse espectro, e independente do contexto. 


O que temos, na verdade, é uma correlação entre pobreza e baixa escolaridade que também se correlacionam com médias baixas de capacidades cognitivas e que se correlacionam com baixa capacidade racional. O padrão relativamente oposto para os que estão nos extratos sociais mais altos. Dessas correlações, as que mais se relacionam com o ateísmo, inclusive uma que tem uma relação praticamente causal (a última) são: alta escolaridade, altas capacidades cognitivas e de racionalidade. É até possível especular se aqueles com maior renda, porém com capacidade cognitiva global mais baixa que a média do seu grupo social, sejam mais propensos a serem de religiosos e até de fundamentalistas. E se aqueles que pertencem às classes trabalhadoras, mas com capacidade cognitiva global mais alta, sejam mais propensos a serem de religiosos moderados, ou não-praticantes, a descrentes. 

Pois quando buscamos por essas correlações por continente e país, enquanto é possível traçarmos uma clara relação entre renda per capita e proporção de ateus e agnósticos, dentro de cada país essa relação se torna mais complexa, inclusive com exceções interessantes. Por exemplo, a Alemanha, em que as regiões com mais indivíduos sem filiação religiosa, incluindo ateus e agnósticos, outrora partes da ex Alemanha Oriental, apresentam os piores indicadores socioeconômicos do país, enquanto que as regiões católicas do sul apresentam os melhores indicadores. Mas também é notório que as maiores cidades do país que são, sem dúvidas, as mais ricas, tenham uma maior proporção de ateus e agnósticos do que cidades de menor porte. De qualquer maneira, as correlações mais fortes com a descrença religiosa continuam sendo: o nível de escolaridade, de capacidades cognitivas e de racionalidade (esta última praticamente uma relação causal). 

quinta-feira, 20 de outubro de 2022

O problema mais básico da psicologia...

 .. enquanto ciência, tem sido a incapacidade de muitos pesquisadores da área em conseguir distinguir correlação de causalidade, isto é, de dominar um dos métodos mais elementares da prática científica, particularmente aos padrões de comportamento que encontram, se estão sempre atribuindo causalidade ao que na verdade parece ser mais uma correlação. Exemplos abundam: criação recebida dos pais como causa para crença ou descrença religiosa e também para outros traços, como a capacidade cognitiva; suposta causalidade entre ter filhos e se tornar mais ideologicamente conservador, entre jogar jogos de video game violentos e se tornar um "serial killer", etc... 


Pois enquanto esse problema não começar a ser combatido, a psicologia continuará no limite entre ser uma ciência e uma pseudo ciência...

Psicólogos acadêmicos, primeiro, precisam entender de uma vez por todas que a psicologia não deve ser um meio para servir aos seus interesses pessoais ou ideológicos. E segundo, a partir dessa conscientização primária, esperar que aprendam a analisar o que pesquisam de maneira racional, imparcial e objetiva, visando os fatos. Por exemplo, de não caírem na tentação de afirmar causalidade antes de ter plena certeza de que não se trata de uma correlação. 

quinta-feira, 15 de março de 2018

CORRELAÇÃO entre cesariana e possíveis efeitos negativos

Parece que a causalidade entre o parto de cesariana e efeitos negativos ainda não foi provada [espero não com vítimas não-humanas]. Talvez as mulheres que não podem / não querem tolerar a dor do nascimento tendem a ser mais sensíveis / propensas a passar alguns desses resultados negativos [mais mutantes, parcial ou consistentemente mostrado com base em suas tendências psicológicas mais histriônicas] e quando a cesariana se tornou altamente disponível, elas passaram a ab/usar deste procedimento **

Outra possível questão é que a cesária tenha sido muito relacionada com a classe social mais alta, pelo menos nas últimas 4 décadas, quero dizer, apenas ou especialmente mulheres com melhores condições socioeconômicas que poderiam pagar por esse processo. Muitos possíveis fatores de confusão aqui [ou não, e o único fator de confusão é a minha mente].

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Baixa capacidade cognitiva reduz o tempo de vida??? Correlação não é....

.... Mas se existem pessoas com menores capacidades cognitivas que vivem muitos anos ou acima da média, e aquelas com maiores capacidades que vivem pouco, então obviamente estaremos falando de correlação porque... a primeira variável está reprodutivamente associada à variável tempo curto de vida e/ou melhor, pode ser que encontra-se centralizada também nos aspectos mais salientes do homem típico do que da mulher típica, já que neste cenário ele deve apresentar grande sucesso reprodutivo e contra o tempo que lhe será em média ''encurtado''. 

O mesmo em relação à longevidade feminina, será**


No mais, é isso, uma maior inteligência pode ser parcialmente causal para uma maior longevidade, mas isso não significará que não haverão pessoas de menor capacidade cognitiva [abaixo da média, padrão-Greenwich] (geral) com melhor ''fitness biológico'', mas que, aqueles com esses fenótipos serão mais propensos para apresentarem maior ''fitness reprodutivo''/ maior capacidade reprodutiva, potencialmente reduzindo o ''fitness biológico''. E que, em populações onde tem havido uma maior seleção PARA o homem, ou maior pressão seletiva no sexo masculino, pode acontecer [ou não, absolutamente especulativo] que as suas características, mais atreladas ao ''fitness reprodutivo'' do que ao ''biológico'' [e que não são a priore, absolutamente determinativas, isto é, são produtos dos processos seletivos que podem ser alterados com modificações nesses processos e/ou ênfases seletivas], possam prevalecer também chegando a afetar ''o outro sexo''. 

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Texto meu do velho blogue que recomendo...

https://santoculto.wordpress.com/2015/07/08/correlacao-x-causalidade-lamarckismo-disfarcado-x-selecao-natural/

Cadê a ''confusão entre correlação e causalidade'' que estava aqui**

Os ''carnistas'' comeram...

Recentemente foi reavivado de um jeito triunfalista uma hipótese mal-lavada [em minha encarecida opinião] que principia pela ideia de que ''o consumo de carne cozida aumentou (causativamente) a inteligência humana'', e inclusive foi desenvolvida ou co-desenvolvida por uma neurocientista brasileira, bem famosa. 

O texto acima é uma refutação de minha parte, bom apetite!

domingo, 2 de outubro de 2016