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quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

Sobre uma dicotomia político-cinematográfica: Blanche (esquerda) versus Stanley (direita) e com muitos "spoilers"

 




Texto originalmente publicado em 22 de janeiro de 2016 em um velho blog e cuja ideia principal irei comentar novamente aqui...



Blanche DuBois é a personagem principal do romance e que também virou filme, Um Bonde chamado Desejo, de Tennesse Williams. Ela é a irmã mais velha de Stella que é casada com Stanley Kowalski, um casal de classe trabalhadora que vive em Nova Orléans. Blanche aparenta ser uma mulher fina, educada e um pouco afetada, enfim, uma dama da alta sociedade. O completo oposto de Stanley, um tipo glutão, bem masculino, cheio de músculos, testosterona e grosseria, típico das classes mais baixas. Stella é a personagem mais equilibrada da trama, uma típica dona de casa, jovem, sensível, preocupada com a irmã que foi morar com ela e emocionalmente dependente de seu marido, Stanley. Aos poucos, a relação entre os três deteriora, chegando ao ponto de ruptura, quando as mentiras de Blanche são descobertas por ele e Stella, grávida, decide se afastar dos dois, ainda mais depois da internação de sua irmã em uma clínica e por não aguentar mais os abusos físicos e psicológicos de Stanley.

Clinicamente falando, Blanche representa um caso de mentira patológica, uma condição psiquiátrica em que o portador apresenta uma necessidade incontrolável de mentir, a ponto de acreditar nas próprias fantasias. Mas ela não é a única desse romance que pode ser diagnosticada com transtorno mental, porque Stanley também se encaixa, particularmente no de personalidade anti social, por causa do seu jeito muito insensível e sádico de ser. 

Então, algum tempo atrás, tive a ideia de associar esses personagens e suas relações, de maneira metafórica, ao espectro político-ideológico vigente no mundo ocidental, em que Blanche representaria certos tipos ou traços comuns à esquerda, tal como um apego à fantasias idealistas (ou irrealismos); Stella representaria o centro, mais silenciosa e coadjuvante, ainda mais em tempos de polarização ideológica, e Stanley certos traços ou tipos de extrema direita, excessivamente sincero e insensível, ao ponto do sadismo. A primeira é mais feminina, artística e intelectualmente inclinada, sensível e mais propensa a mentir para não ofender, especialmente em relação a certos grupos e também sobre si mesma. E o último, o seu oposto, mais masculino, voltado para o mundo físico do que mental e mais propenso a ofender para não mentir (ou dizer a verdade sobre o que pensa e sente), também pelo simples descompromisso de não ser respeitoso com os outros, ainda mais com aqueles que considera inferiores. 

O pseudo e o anti intelectual 

Blanche DuBois, assim como acontece com a esquerda, pretende se passar pelo que não é. Ela, como uma dama da alta sociedade. A esquerda, como detentora absoluta de sabedoria e razão. Ambas, portanto, cairiam numa categoria de anti intelectualismo, de negacionismo da realidade, mas pretendendo não fazê-lo. Já Stanley Kowalski, assim como acontece com a direita, faz questão de ser fiel à própria autenticidade, só que ou por isso fechado para reflexões e críticas. De certa maneira, também acabam negando fatos que não corroboram ou confirmam suas auto imagens. Daí, expressariam um anti intelectualismo, de suspensão do pensamento crítico em prol de suas emoções ou instintos. 

Valendo lembrar que o pseudo intelectualismo é basicamente um anti intelectualismo, só que disfarçado de sofisma.

Como conclusão, ambos(as) negam realidades que não se alinham às suas visões de mundo. Mas, enquanto as primeiras, Blanche e esquerda, pretendem ser ou acham que são o que não são (muito insuficientemente), Stanley e direita fazem questão de serem o que são e apenas isso, desprezando qualquer desvio, independente de sua qualidade ou potencial construtivo. Stella seria a terceira via, ainda que, tal como acontece com o centro no espectro político-ideológico, ela, durante a trama,  tende a ser demasiadamente tolerante com o seu marido e a sua irmã. 

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

Mais um punhadinho de heresias modernas

 1. Para quem se diz "totalmente contra a eugenia", então, é a favor da disgenia??


Se é contra que os mais saudáveis, inteligentes e/ou sensatos se tornem a maioria de uma população, então, é a favor ou indiferente se o padrão oposto acontecer?? 

2. Da comida que comemos, do bairro que moramos ou gostaríamos de morar, das pessoas com as quais convivemos, etc, etc, estamos sempre buscando selecionar o que consideramos o melhor para nós. Portanto, boa parte das nossas escolhas poderiam ser consideradas, de certa maneira, como "intencionalmente eugênicas". 

Mesmo aqueles que se iludem pensando que o ser humano é extremamente moldável pelo meio, também buscam selecionar pessoas em suas vidas com base no que consideram o melhor. A maior diferença deles em relação aos que não se iludem sobre isso é que acreditam em um poder ilimitado da engenharia social, de melhoria das pessoas por intermédio de intervenções sociais, um pensamento, de certa maneira, "eugênico", ao invés de se darem por vencidos, aceitando que as diferenças de comportamento e inteligência são mais intrínsecas e só poderão ser "resolvidas" com a aplicação de algum mecanismo legitimamente eugênico de seleção reprodutiva.  

3. "A universidade sempre foi um ambiente de livre pensamento e escrutínio do senso comum vigente"

Realidade: nunca foi literal ou exatamente assim... Até pelo contrário, pois também tem sido o lugar de onde tiranias de pensamento mais têm sido fomentadas, transmitidas e impostas...

4. "A eugenia é antiética porque fere os direitos individuais"

Na verdade, o individualismo, tal como o coletivismo, é extremista e radical e não sensato ou ponderado, como muitos pensam, exatamente por dar total poder de decisão ao indivíduo, enquanto que o mais equilibrado é que esse poder seja repartido e que essa repartição seja racionalmente mediada pelo contexto. 

4.1 Todo extremismo parte da imposição de regras praticamente absolutas, sem exceção 

Esse é o caso do individualismo.

4.2 Essa ideologia individualista parece pregar por uma espécie de supremacia do indivíduo

Como se os seus direitos fossem sagrados, mesmo quando se sobrepõem ao bem estar coletivo ou mesmo em relação ao bem estar deles mesmos. 

4.3 "Devemos tratar as pessoas como indivíduos" 

Também...

Mas também precisamos tratar uns aos outros com base nos grupos aos quais pertencemos ou nos identificamos, já que é comum expressarmos, saibamos ou não, gostemos ou não, tendências de comportamento dos mesmos. 

Não há necessidade de excluir uma abordagem por outra se são complementares. 

4.4 Ainda sobre a ideia de política de filho único ou de limite de dois filhos para pessoas com comprovada baixa capacidade cognitiva (com média de QI 90 ou menos /comentado na lista anterior de crimes de pensamento)

... o acesso à esterilização seria facilitado e elas poderiam ser incentivadas com recompensa financeira, preferencialmente uma compensação vitalícia oferecida pelo estado.

5. A mentira patológica é como uma reação psicológica de fuga da realidade, evitando, de maneira subconsciente, que o indivíduo caia em um estado depressivo, atuando como um auto-tratamento psiquiátrico de natureza "homeopática", em que se trata um mal com doses supostamente controladas do mesmo mal causador, um "pouco" de loucura para evitar uma "loucura" maior, que seria a depressão. 

Pois o fanatismo ideológico, incluindo o religioso, seria uma manifestação contextualizada de mentira patológica, de fuga predominante da realidade, gerada pelo domínio do subconsciente sobre o consciente, isto é, de doses nada homeopáticas de irracionalidade.

6. A esquerda cultural tem se definido como a defensora das artes, mas...

... músicas de baixa qualidade ou de gosto duvidoso; rabiscos, pinturas e instalações desprovidas de complexidade, realismo ou beleza; poemas sem ritmo, significado ou profundidade... 

Defensora das artes, rebaixando-as??? 

7. Fanatismo por futebol ou "futebolismo" poderia ser considerado um sintoma específico e forte de atraso intelectual, especialmente em homens


8. Tem aqueles que enxergam horizontes mas não enxergam os próprios pés (idealistas excessivos) 

E tem aqueles que enxergam apenas os próprios pés (pragmatistas excessivos) 

9. O maior inimigo do mais racional não é o anti-intelectual, mesmo se é um dos tipos mais irracionais, mas o pseudo-intelectual, justamente por se passar por ele, por disputar ou ocupar o seu espaço de voz e atuação

10. Boa parte da política é charlatanismo. Um punhado de cultos ou seitas se passando como políticas sérias, como medidas baseadas em evidências e ponderação filosófica 

11. Sobre o instinto de predador

Por que animais da espécie X sentem uma grande atração predatória em relação aos animais da espécie Y??

Talvez, por apresentarem aspectos constitutivos, do seus corpos e dos seus cérebros (ou sistemas nervosos), produtos da evolução, que os tornam específica e altamente reativos aos indivíduos dessa espécie, em um sentido de predação. 

E também por terem dividido o mesmo nicho ecológico por muito tempo, que pode ter contribuído para essa reação específica, tal como a nossa variação de gosto por comida. 

12. A esquerda, em média, é bem intencionada, porém estúpida. A direita, em média, é mal intencionada, porém esperta 

"Tradicionalmente",  direita representa o predador (também o parasita) e a esquerda a presa. O predador, na natureza, é mais esperto que a presa que, pelo menos, reconhece a sua própria opressão

Mas também existem parasitas e predadores que nascem de presas ...

Nossa maior tragédia, nossos heróis não são mais espertos que os nossos carrascos 

12.1. A direita tende a usar a honestidade como um meio para legalizar a maldade. A esquerda tende a usar a desonestidade para avançar políticas primária ou aparentemente baseadas na compaixão.

13. Inteligência e comportamento são traços "não- físicos"

Mas constituição cerebrais específicas que refletem padrões reativos ou de comportamento e perceptivos ou de inteligência também são "traços físicos".

14. A diferença de percepção e compreensão da realidade objetiva entre o mais racional e o menos é comparável à diferença entre um ser humano e um animal não-humano

15. O legítimo tolo não é aquele que não sabe, mas aquele que não sabe que não sabe.

16. Sobre "reparações pela escravidão africana"

"Os brancos precisam pagar reparações aos negros"

Então, os mestiços que são "metade negros e metade brancos" precisam pagar apenas a metade?? 

Os brancos pobres também precisam pagar e mesmo aos negros ricos e de classe média??

No entanto, todavia, contudo, boa parte da culpa pelos problemas sociais dos negros africanos e seus descendentes na diáspora, tal como a pobreza e a criminalidade, é "deles' mesmos (dos diretamente responsáveis), porque, em média, apresentam características intrínsecas de comportamento e inteligência que os desfavorecem socialmente, ainda mais em sociedades complexas. Isso não é apologia ao racismo, à supremacia branca ou ao nazismo. É apenas uma parte importante dessa realidade que muitos, por questões ideológicas, não querem aceitar. 

E o ideal mesmo não seria "reparar pelo suposto legado da escravidão", mas acabar de uma vez com as desigualdades sociais exorbitantes, que não afetam apenas negros. 

16.1. "Sistemas de cotas raciais são necessários, porque são mecanismos que buscam reparar os efeitos do 'legado da escravidão' e do 'racismo estrutural', fatores responsáveis pelas diferenças entre brancos e negros"

Realidade: os sistemas de cotas raciais se baseiam em uma pseudociência social "do bem", na falsa ideia de causalidade entre termos abstratos, como 'legado da escravidão' ou 'racismo estrutural', e as diferenças sociais e de outras ordens entre brancos e negros. Porque o principal fator responsável por essas diferenças são as próprias diferenças intrínsecas e estatísticas de comportamento e inteligência entre grupos étnico-raciais. Em outras palavras, se há uma desproporção de negros pobres, não é porque supostamente têm sido ou continuam a ser excluídos socialmente, mas porque a maioria destes não apresentam características psicológicas (como a prudência) e cognitivas (alta capacidade cognitiva) que os favorecem no ramo profissional e econômico. Isso significa que, obviamente, existem negros com características favoráveis, assim como também de brancos e outros grupos com falta delas, se estamos falando de variação estatística de grupos. 

Não que a pobreza seja justificada apenas pelas características intrínsecas dos indivíduos, porque a imposição de baixos salários e alto custo de vida, enfim, de medidas arbitrárias que complicam a vida da classe trabalhadora, também tem um papel importante na perpetuação de desigualdades sociais extremas.

Isso não significa que o sistema de avaliação e seleção para as universidades federais e/ou cargos públicos seja totalmente meritório, no sentido de se basear estritamente em evidências ou nas melhores abordagens. Por isso que já propus alterações no mesmo, particularmente quanto à ênfase na avaliação de conhecimentos gerais, direcionando o foco para os conhecimentos específicos à área escolhida. Até acredito que, a partir dessa mudança, haveria um aumento natural, sem necessidade de cotas, de estudantes de outros grupos raciais nas universidades e de contratados no serviço público. 

Mesmo assim, é uma falácia acreditar que todos os campos profissionais e sociais precisam apresentar proporções de grupos raciais condizentes com a composição demográfica nacional ou local, ou mais "equilibradas", se o mais importante é a seleção por mérito de capacidade, que independe disso. 

E quanto às diferenças sociais e raciais, o maior problema ainda não é que existam poucos dentistas ou advogados negros ou uma maioria de dentistas e advogados brancos, mas que existam diferenças sociais tão grandes, especialmente de pessoas que passam muitas necessidades, com renda e patrimônio insuficientes, mesmo se são trabalhadoras e honestas, e de pessoas exageradamente abonadas.


17. 3 maneiras de dizer uma mesma coisa: da mais errada à mais certa 

1. "Todo negro é violento" (generalização explícita e, portanto, racista)

2. "Os negros são mais propensos a
 comportamentos violentos" (generalização parcial ou vaga e implícita) 

3. "Tem havido uma desproporção estatística de (homens) negros envolvidos em comportamentos violentos" (ênfase no recorte demográfico, sem deixar margens para generalizações) 

18. Sobre a alteração da raça de personagens fictícios em filmes e em outras obras artísticas por motivação ideológica

Autodeclarado progressista: "é apenas um personagem fictício, que não existe. Qual é o problema de mudar sua raça??" 

Eu: "então, se é apenas um personagem de ficção, por que mudar sua raça??"

Autodeclarado progressista: "é importante que personagem Y seja da raça X e não da Y para que crianças da raça X se sintam representadas ou se identifiquem"

Eu: "mas se é apenas um personagem de ficção, por que se preocupar com a sua raça ou que crianças da raça X não se sentirão representadas se o personagem for de outra raça??" 

Eu: "nos identificamos com animais e esponjas do mar em desenhos animados. Por que pensar que crianças da raça X não se identificariam com personagem fictício da raça Y"?? 

19. "Mentiras brancas" podem ser muito cruéis

Pois se você diz que uma pessoa esteticamente"feia" é muito bonita, você pode exacerbar a sua "feiura" para você, para outros, envolvidos, e para ela mesma. O ideal é de enfatizar no que a pessoa se destaca positivamente e evitar exageros ou elogios "rasgados" em relação ao que ela não se destaca ou o faz, mas negativamente. 

domingo, 13 de agosto de 2023

As forças que estão condenando o futuro de um Brasil realmente desenvolvido

 I. O capitalismo, particularmente o tardio


Por ser um sistema (sócio)econômico que gira em torno do lucro individual sobre o bem-estar coletivo e, também, por causa disso, gerar acumulação desigual de riquezas e aumento do custo de vida, também sacrifica casais de classe média, forçando-os a diminuir suas taxas de fecundidade, atualmente para bem abaixo do limite de reposição demográfica. E como a classe média tradicional corresponde à maior parte da "fração inteligente" da população de um país, isto é, dos indivíduos com as maiores capacidades cognitivas; e como as capacidades cognitivas são primariamente hereditárias, desprezando mutações ou combinações que geram maiores discrepâncias de capacidades entre os progenitores e seus descendentes, sugerindo que apenas uma educação de qualidade não é suficiente para aumentar a inteligência, se é necessário que exista um potencial subjacente... e, só para piorar um pouco, também tem havido uma correlação negativa entre nível de escolaridade e fecundidade...


* Usando QI como parâmetro superficial de inteligência, aquilo que é. 


II. O predomínio  da "esquerda" identitário-burguesa ou "woke"


... especialmente na educação, na mídia e na política, impondo suas crenças ideológicas, geralmente divorciadas de um rigor científico e, também, filosófico (ou lógico-racional), entoando relativismos sobre moralidade e verdade, ao mesmo tempo que impõe seus dogmas ou "verdades absolutas": suposto anti-racismo, que é tacitamente racista contra brancos, e outros divisionismos, como o suposto feminismo, que incita animosidade entre os sexos, inclusive um ódio implícito aos homens, até os seus negacionismos de ciência, principalmente o das diferenças intrínsecas ou genéticas de grupos e indivíduos humanos, também baseado na crença da tábula rasa, no determinismo absoluto do meio sobre os nossos desenvolvimentos e comportamentos. 


Então, a partir desta lavagem cerebral, de imposição de suas falácias, tal como as anti-racistas (que eu já comentei mais especificamente no texto: "falácias anti-racistas") e de suas pseudociências de estimação, especialmente a tábula rasa, muitos brasileiros têm sido doutrinados a acreditar que se tratam de fatos e agido de acordo, sendo que, um de seus efeitos mais notórios tem sido um aumento aparentemente significativo das relações interraciais. Pois se as mesmas sempre aconteceram e se também não são intrinsecamente imorais, é sim um problema que o seu aumento aconteça com base em uma doutrinação por mentiras sobre essa questão e de maneira tão generalizada. Outro fator que problematiza uma visão excessivamente positiva sobre a miscigenação é a existência de diferenças estatísticas de comportamento e inteligência entre grupos raciais e étnicos e que sua mistura tende a resultar no predomínio dos traços dos grupos "menos inteligentes', se parece que são mais "geneticamente dominantes". Eu já comentei sobre esse tópico muito polemizado por autodeclarados progressistas no texto "A complexidade de uma verdade muito inconveniente às esquerdas" e que não é preciso se tornar um neonazista para defendê-la. Já em relação aos caucasianos brancos, a mistura racial quase sempre significa a eliminação dos seus fenótipos, que são únicos na espécie humana...


Então, mantidas essas tendências disgênicas e, acreditando que apenas o "milagre da educação" irá desenvolver este país, também uma crença ideológica típica de esquerda, amplamente imposta nos setores acadêmicos, dominados por indivíduos ditos progressistas e suas crenças ideológicas, é provável que ocorrerá, a longo prazo, uma diminuição absoluta da proporção de brasileiros dotados de maiores capacidades cognitivas, que são aqueles com maior potencial de contribuição ao país, issp se já não estiver acontecendo, sem falar do aumento dos que estão mais propensos a causar do que a solucionar problemas (positivamente relacionado com baixa capacidade cognitiva), e sem desprezar a emigração de muitos dos nossos ''cérebros'', motivados pelo sucateamento das universidades públicas.


(Recomendo bastante a leitura dos textos destacados para melhor entender os meus apontamentos neste texto)


III. O fundamentalismo religioso


... mais especificamente a ascensão meteórica do protestantismo neopentecostal no país, que tem potencial para estender sua influência moral e intelectualmente corrupta para muito além dos seus limites atuais, especialmente se mantiver esse ritmo de crescimento nas próximas décadas, além de expressar por si mesmo um nível de racionalidade inequivocamente baixo. 


A sua ascensão também significa um aprofundamento da corrupção generalizada neste país "abençoado". Pois, desprezando países árabes pequenos com muito dinheiro acumulado de suas reservas de petróleo, a grande maioria dos países mais desenvolvidos não estão dominados por fundamentalistas religiosos, enquanto que essa é a realidade de muitos dos mais pobres ou atrasados. A escolher...


Percebam que, tanto a direita quanto a esquerda, tem culpa no comprometimento da evolução social, econômica e civilizacional do nosso país nas próximas décadas. 


quarta-feira, 21 de junho de 2023

Simplificando moralidade à direita, à esquerda e o ideal (filosófico)

 À direita


"Apenas a minha cultura/moralidade que está certa ou que é a mais certa... porque é a minha, porque é A verdade" 

"Existe certo e errado. E o certo é tudo o que eu acredito"

À esquerda 

"Nenhuma cultura está mais certa que a outra"

"Não existe certo e errado (apesar de, na prática, agir de maneira oposta ao que prega)"

E o ideal

"Alguns valores culturais, ou morais, são bem mais ponderados que outros, porque se baseiam em fatos e não em suposições tomadas como tal, isto é, pelo melhor julgamento possível, que se dá pela busca da verdade objetiva e imparcial. Portanto, não são cruéis, desnecessários, excessivos e/ou injustos" 

"Existe certo, negociável e errado, primeiramente porque existem critérios específicos. Especial e, idealmente para o ser humano, o mais certo é o que se baseia na verdade ou no conhecimento, no que é o mais justo... isto é, a partir do máximo aproveitamento de sua inteligência, de seu poder de análise e discernimento".

domingo, 11 de junho de 2023

Dois tipos de mentalidades (radicais) por ideologia: darwinista e pós-natural

 Adolf Hitler ou Frankenstein??


A mentalidade radical darwinista, típica da extrema direita (ocidental), prega que os "mais fortes" ("mais saudáveis", "dominantes", "inteligentes"...) devem sobrepujar os "mais fracos" (idealmente "não-adaptados") ou que a evolução humana precisa continuar a se sujeitar aos mesmos processos seletivos relativamente aleatórios que determinam a evolução e a adaptação das espécies não-humanas, isto é, de continuar da maneira mais "natural' (excetuando eventos específicos extremamente perturbadores que alteram trajetórias evolutivas de maneira significativa). 

Já a mentalidade radical pós-natural ou pós-darwinista, mais típica do lado progressista, por negar que tais processos estejam atuantes ou relevantes nos meios sociais humanos, por sua crença antropo-excepcionalista ou antropo-supremacista, se baseia na ideia de superação de limites ou resolução de problemas emergentes sem que seja sempre necessário uma adaptação orgânica por seleção específica. Essa mentalidade também apresenta um caráter primariamente transcendente, de superar o nível darwinista por um nível superior de organização social e dinâmica evolutiva humana, em outras palavras, de superar a própria natureza. Mas, como eu já comentei no texto "Alienação à direita, à esquerda e a iluminação filosófica", as ideologias progressistas têm se comportado como falsas transcendências, em que só passam a impressão de terem superado o nível anterior, tradicionalista, por também expressarem um tipo de alienação ao invés de sempre buscarem se guiar pelo conhecimento ou pela razão (direita: alienação da essência/esquerda: alienação das aparências/superfícies). 

terça-feira, 25 de abril de 2023

Eu gostaria de dizer que "sou de esquerda"...

 Mas se eu disser tudo o que penso para alguém de esquerda, é bem provável que me acusará de ser um fascista.  


Então, mesmo discordando que um típico esquerdista  possa ser totalmente capaz de julgar o nível de "esquerdismo" ou de "desejo pela justiça social" alheio, eu não ligo de me categorizar como "centrista". 

Mas se eu disser tudo o que penso para um de direita, é bem provável que me acusará de ser um comunista.

terça-feira, 17 de janeiro de 2023

Agulhadas teleguiadas

O nível de imbecilidade em aplicativos de relacionamento é tamanha que ler perfis antes de entrar em contato se transformou em uma espécie de habilidade

Capitalistas pensam que são os que mais trabalham para sustentar o país em que vivem. Na verdade, a maioria deles trabalha para ganhar dinheiro para si mesmos

Um dos maiores problemas das esquerdas são os próprios esquerdistas

Muitos dos que se colocam contra as esquerdas é provável que se aliariam às mesmas se não fossem tão intolerantes com quem não segue suas cartilhas ideológicas com fidelidade "canina"

A grande maioria das pessoas autodeclaradas de esquerda que eu conheço estão profundamente enfiadas em suas bolhas ideológicas, consumindo apenas conteúdos digitais e não-digitais ideologicamente alinhados

Os indivíduos que realmente são ou se tornam mais racionais são os que aprendem a sempre reconhecer quando estão pensando ou agindo irracionalmente

A direita brasileira é tão analfabeta que está mais preocupada com o que uma minoria de pessoas faz entre quatro paredes do que com dois dos maiores problemas do Brasil a médio e longo prazo: a miscigenação racial generalizada, uma forma de disgenia indireta que está eliminando indivíduos fenotipicamente caucasianos da população brasileira, além de também diluir estatisticamente a expressão de traços psico-cognitivos considerados vitais para a manutenção de uma sociedade industrializada, e que são mais comuns entre indivíduos com ancestralidade europeia predominante, e uma bem direta que é a erosão das taxas de fecundidade dos mais intelectualmente inteligentes, em contraste às taxas continuamente acima do limite mínimo de reposição dos menos

Ma talvez a direita não se importe com a degradação intelectual e moral do país já que isso pode favorecê-la... talvez a esquerda deste país pense igual, se parece que só pensam em tomar ou se perpetuar no poder


É comum esquerdistas acusarem os outros de serem intolerantes com quem tem ideias ou opiniões diferentes. Mas eles mesmos tendem a ser extremamente intolerantes, mesmo quando são expostos à opiniões diferentes, porém ponderadas, ou que destoam das suas apenas parcialmente

Capitalistas criticam que o comunismo pressupõe um estado forte e centralizador

Mas, no capitalismo, o estado é o mercado, forte e centralizador ou dominante...

Quando um capitalista neoliberal associa o estado mínimo a uma maior liberdade individual, ele, na verdade, está omitindo que, dentro de um contexto de hegemonia capitalista, menor o estado, maior o poder do mercado sobre o indivíduo 


A obsessão da mídia, particularmente a ocidental, pela "beleza", não é apenas produto do pragmatismo capitalista que a usa como um chamariz para gerar lucros, mas também a perpetuação da mesma ideologia fascista, aplicada principalmente na Alemanha nazista, que homogeniza a variação natural de fenótipos faciais e corporais humanos

Essa mesma obsessão pela "beleza" também está presente e dominante na tal "comunidade" LGBT, em especial entre homens gays e bissexuais, e pode ser considerada uma das principais causas para a crise de saúde mental entre muitos dos mesmos

Seria interessante saber como se comportariam autodeclarados esquerdistas e direitistas se o movimento anti vacinas tivesse um viés progressista e não conservador. Será que haveria uma reversão de padrão??

Já sabemos que a maioria do povo sueco adotou acriticamente as narrativas oficiais ou do seu governo, negacionistas de fatos sobre a covid-19, especialmente no auge da pandemia do novo coronavirus, mesmo se declarando como "progressistas"

Sobre a percepção de fanatismos

O fanático da direita tende a se comportar como um fanático. O fanático da esquerda tende a se comportar como uma pessoa "normal"

Definindo lacração: mentira ideologicamente conveniente + narcisismo moral, só para aparecer

Tem muito ser humano que tem uma memória de elefante e um raciocínio de papagaio (nenhum animal foi ferido na produção desse pensamento e acho as habilidades de imitação dos papagaios sensacionais. Mas só as deles...)

E uma das maiores decepções para o mais racional é quando percebe que, muitos, se não a maioria dos que aparentam ser mais intelectualizados, tipos com os quais sente uma maior afinidade, são justamente de elefantes em memória e papagaios em raciocínio

É muito fácil se tornar "independente', cedo em vida, quando se vive em um país mais socialmente desenvolvido, como os escandinavos. É tal como sair de casa, mas continuar em "casa"

O esquerdista se doutrina pelo excesso de complexidade e o direitista pelo excesso de simplicidade

Quando a profundidade da doutrinação ideológica atinge níveis extremos, é possível dizer que o doutrinado não está mais dentro de uma bolha, porque já se encontra em uma outra dimensão

A doutrinação ideológica da direita é reativa e a da esquerda é passiva. Logo, o direitista está mais propenso que o esquerdista a se perceber doutrinado, mesmo que de maneira específica e/ou temporária

Esquerdistas juram que fazem muita autocrítica só que é provavelmente superficial

Pois não adianta fazer "muita" autocrítica se não confronta os pontos que mais enfraquecem as esquerdas e, para ser sincero, parecem ser justamente os mais importantes, que sustentam seus sistemas de crenças, tal como o negacionismo das diferenças médias e intrínsecas entre indivíduos e grupos humanos, que as impede de praticar a justiça (a busca e a prática da verdade) de maneira sistemática

A diferença entre baixa capacidade cognitiva e baixa capacidade racional é a mesma entre não saber e não insistir ou desistir porque não sabe, e de não saber, mas achar que sabe e se enveredar em uma realidade paralela à realidade. É a diferença entre fazer um cálculo errado e identificar o erro, corrigindo-o ou não, e de fazê-lo, mas acreditar que está certo e usá-lo como referência para outros cálculos

É melhor ser ponderado que moderado

A verdadeira moderação é a ponderação

A única maneira de ser realmente moderado em um mundo de falsa moderação é de também se orientar politicamente para os extremos, de direita e esquerda, porque o equilíbrio de uma balança só é alcançado com a paridade dos seus lados

Se a maioria dita normal não peca por excesso ou transtorno, peca pela falta

Tolerar uma opinião diferente é uma coisa. Mas tolerar uma opinião idiota (injusta ou falaciosa) é quase impossível

Partidos políticos que têm como principal bandeira a defesa por políticas econômicas tipicamente capitalistas, de ênfase no lucro empresarial, deveriam ao menos ter a decência de se denominarem como capitalistas, tal como fazem os socialistas (exemplo, PCaB ou partido capitalista brasileiro)

"Está proibido que um partido político defenda o nazismo, mas por que os que defendem o socialismo e o comunismo também não estão??"

Porque não é todo socialismo que é um pseudo socialismo fascista, como foi o stalinismo e o maoismo e como tem sido o fascismo coletivista norte-coreano. Na verdade, são stalinistas e maoistas que deveriam ser proibidos se se equivalem, não totalmente, ao nazismo em totalitarismo e crueldade ou opressão sistêmica.

sexta-feira, 20 de maio de 2022

Se a relação entre direita e personalidade anti social é explícita, como é essa relação com a esquerda??

 É bem mais complexa. Primeiro que, apesar de pregar por valores opostos ao que consiste o transtorno de personalidade anti social, a esquerda, especialmente a marxista, tem se vinculado, desde a revolução russa, com países oficial e/ou superficialmente socialistas que, não apenas têm deixado a desejar, quanto ao objetivo de promover justiça, solidariedade e igualdade, como também oprimido suas populações, principalmente dissidentes. Como comparação, esses valores têm sido adotados de maneira mais integral em "social-democracias' capitalistas.


Por aí podemos pensar na existência de sujeitos anti-sociais que se infiltram nas esquerdas e adotam discursos progressistas, mas que são usados como meios para se promoverem na hierarquia de poder e influência das mesmas, ou angariar vantagens pessoais, se passando como bons samaritanos.

quarta-feira, 14 de abril de 2021

O caminho aparentemente mais fácil (da verdade/da sabedoria) e o das esquerdas

 Quando antirracistas dizem que não existe racismo contra brancos, muitas pessoas, corretamente, discordarão desse raciocínio, por ser injusto ou inverídico.


Mas, era pra ser bem simples: condenar o racismo, diferenciando-o de escolhas ou gostos pessoais e concordar que os brancos também podem sofrê-lo, mesmo se nenhum deles tivesse sofrido, se é uma falácia dizer que algo tão universal, como o tribalismo (o racismo é uma variação dele), aconteça de maneira restrita ...


Quando marxistas dizem que a União Soviética foi uma nação exemplar, que cometeu apenas equívocos isolados e/ou que Stálin não foi um tirano genocida, muitos repudiarão ou ficarão corretamente indignados com essas declarações, afinal, se consistem em distorções de fatos históricos, que é o equivalente a negar o holocausto, enfatizando apenas as "bem feitorias" do nazismo, por exemplo, de que Hitler acabou com o desemprego na Alemanha da década de 30 do século XX.

 

Pois eu aposto que haveria um grande aumento no número de seguidores e apoiadores para as esquerdas, principalmente de "centristas", se elas deixassem de lado essa submissão cartesiana às suas ideologias de maior aderência, se em relação aos identitarismos ou ao marxismo, e focassem diretamente na justiça social.


Mas, parece que as esquerdas escolheram lutar ou seguir pelo caminho mais difícil, de negar ou distorcer algumas verdades muito importantes (possivelmente acreditando que fazem o oposto) e, mesmo assim, esperando que a sua popularidade irá aumentar. Se fossem apenas coerentes com aquilo que mais pregam, a justiça social; se ser justo é o mesmo que buscar pela verdade...

quinta-feira, 9 de julho de 2020

A doutrinação é ideológica, a educação é filosófica

Exemplo: questões raciais

Tem umas ideologias de esquerda que querem doutrinar as pessoas com uma série de factoides, fatos parciais e falácias sobre as raças humanas, e claro, junto a fatos históricos e legítimos, para dar credibilidade. Primeiro, que não existem raças humanas. Segundo, que suas diferenças [das populações humanas] são mínimas a inexistentes e, portanto,  que seus comportamentos médios são facilmente mutáveis. Terceiro, que o racismo só existe se for de branco contra negro, que não existe racismo contra branco, que eles chamam de "racismo inverso". Que está acontecendo um genocídio de jovens negros e pardos no Brasil, nos EUA, etc, perpetrado por policiais, escondendo que a maioria dos crimes contra negros [e pardos] são praticados por outros negros [e pardos], e o mesmo padrão para os outros grupos raciais. Que a principal razão para a criminalidade é circunstancial, de nascer pobre, por exemplo, desprezando que a maioria dos ''pobres'' ou precarizados não são violentos, isto é, confundindo correlação com causalidade. Que brancos, especialmente, não podem criticar negros, nem com educação e conhecimento, se não é racismo. Querem impor tudo isso, sem diálogo, sem reconsideração, generalizando e exacerbando as divisões desses grupos, enfim, inculcando uma narrativa simplória, mas superficialmente sofisticada, vezes com palavras difíceis, gramática impecável e discursos bonitos.

Mas isso só tem atiçado o verdadeiro racismo, por ser impositivo, injusto e recheado de meias verdades, inclusive perigosas [desprezando a existência de ''marginais congênitos'' e chamando de ''punitivismo'' o modelo de justiça mais racional, que é o ''proporcional''].

O efeito é o oposto do desejado, de educar para a compreensão, para a diminuição de fanatismos e preconceitos e busca por medidas que realmente combatam as desigualdades sociais e raciais.

A doutrinação é o forçar a uma perspectiva, negando a possibilidade de escolha. Também é a negação de uma diversidade de fatos que, naturalmente, reduz a pureza e a intensidade de convicções individuais subjetivas e leva à conclusões mais ponderadas.

O cenário piora porque a maioria das pessoas são de pensadores passivos ou de consumidores intelectuais, que esperam que a montanha vá até eles. São do tipo que compra linhas de pensamento como se fossem produtos de supermercado, por exemplo, os conceitos prontos de comunismo e capitalismo, e, não tenta pensar, analisar, investigá-los por si mesmo, buscando pela justiça dos seus fatos. Não são apenas os direitistas que, em sua maioria, agem desse jeito, excessivamente enviesados, tratando a arte do pensamento como se fosse competição entre times de esportes coletivos..

Pense, metaforicamente, que você está numa floresta com um incêndio acontecendo e você tenta apagar o fogo. Só que, com esse tipo de ideologia, que esquerdas obscurantistas têm tentado impor a todos, é como se, ao invés de usar a água ou fatos, usasse álcool pensando ser água, para aplacar o incêndio. O resultado você já sabe qual é. A intenção pode ser a melhor possível mas, para estar precisamente bem informado, até para a verdadeira justiça social, primeiro, é preciso se ater a fatos. Primeiro, os fatos. Depois, as considerações morais. Primeiro, analisar à distância. Depois, se colocar, se contextualizar no cenário de análise. É assim que se pensa com sabedoria. Não é dessa maneira que muitos teóricos, historiadores, pensadores esquerdistas ou progressistas tendem a fazer. Pelo contrário, pois eles impõem considerações morais antes de buscarem por TODOS os fatos, inclusive os que consideram insensíveis.

Tentar ensinar sobre racismo aplicando mais racismo e divisionismo entre as pessoas de diferentes raças só pode resultar em mais racismo, especialmente entre os mais inflamáveis.

É o que eu sempre penso. As ''esquerdas'' perdem muito quando agem de maneira igual às ''direitas'', se essas sempre manipularam e doutrinaram. As ou certas esquerdas,  quando decidem copiá-las, estão fadadas a se igualarem a elas em nível de compreensão limitada da realidade humana e universal. Mas, parece que é isso que querem, de serem antíteses pensando que são sínteses. A síntese é a sabedoria, a filosofia materializada, enraizada na cultura, substituindo, por fim, a ideologia, sem mais lados, o todo, pela essência.

Uma educação filosófica, ainda que também seja inevitavelmente impositiva, se faz com base no diálogo intermediado pela simples exposição de todos fatos, ou verdades, e buscando agir a partir deles.

Raças humanas existem. Diferenças e semelhanças entre elas existem. Todo mundo é capaz de perceber isso. Também existem policiais desequilibrados, sociopatas, não são poucos, mas, a maioria dos crimes contra jovens negros e pardos, é cometida por outros jovens negros e pardos e não, no imaginário progressista atual, por policiais brancos ou ainda mais abstrato, ''pelo estado''. Isso não significa que todo negro seja propenso à violência; também não significa que cenários reais de genocídio não possam ser deflagrados em hipotéticos horizontes sombrios nem que os casos graves de violência policial devam ser tratados com menor importância. Apontar esses fatos não é racismo. Racismo é dizer que todo negro ou  que todo pardo é violento ou que todo branco é racista ou que não pode sofrer racismo [que isso não existe].

A educação, de fato, filosófica, visa ''apenas'' uma melhor compreensão da realidade que, inevitavelmente, resulta numa diminuição de intensidades instintivas ou subjetivas, isto é, de preconceitos e fanatismos. E, não busca ''agradar'' lados.

Direita, volver

Também existem ideologias conservadoras relacionados à questão racial ,hoje, chamadas de ''racismo científico'', e que, pra variar, são distorções, essencialmente iguais às progressistas. A diferença é justamente essa, a ênfase exagerada nas diferenças entre os grupos humanos, algo comum, padrão, entre os conservadores, de categorizar as pessoas dentro das identidades que estão mais latentes nelas, distanciando-as em relação às identidades mais universais [somos todos vida; indivíduos], que as unem. No caso das raças humanas, os conservadores, especialmente os de extrema-direita, ''de raiz'', exacerbam as diferenças entre elas, com o intuito de se estabelecer hierarquias de supremacia, desprezando uma série de fatos, tal como a cadeia de eventos únicos que resultaram nessas diferenças, e que não podem ser definidas como ''demonstrações do talento ou da supremacia de um grupo racial'' e mais como uma questão de ''sorte'', e, novamente, a existência das identidades universais, comportamentos e médias que diluem de sobremaneira essas diferenças particulares entre as raças e que também valem para outras categorias [classe social; identidade/inclinação sexual..].


Como sempre, pela ideologia, puxa-se muito para um lado ou perspectiva, criando uma espécie de purificação ou filtro da diversidade ou da complexidade de fatos, tal como nesses dois casos de doutrinação em que, se tenta anular as diferenças ou então exaltá-las [anulando, então, as igualdades e/ou semelhanças].

Se já sabemos o que de monstruoso as ideologias conservadoras podem fazer em termos de racismo e preconceitos, também temos que ficar atentos aos problemas graves que podem resultar de ideologias obscurantistas, de natureza progressista, justamente por, falaciosamente, decretarem como intratavelmente errado, tudo o que ''o outro lado'' pensa [assim como o lado conservador sempre fez].

Um adendo interessante é que, enquanto o progressismo prega a igualdade absoluta entre os grupos e as diferenças absolutas entre os indivíduos, o conservadorismo vai pelo caminho oposto, exacerbando as diferenças de grupo e tentando combater a livre expressão de individualidade [de personalidade]. 

sábado, 9 de maio de 2020

A justiça social é muito maior que o marxismo

A justiça social é muito maior que o marxismo

O clamor pela justiça social é tão ou mais antigo que os irmãos Graco, da Roma antiga... por isso que, reduzi-la à ideologia marxista, faz com que percamos sua real dimensão histórica e filosófica, bem como o seu potencial de alcance político.

É o marxismo que deriva do ideal de justiça social.

 No entanto, amplos setores das esquerdas acreditam e praticam o oposto, o que tem tido consequências negativas sobre a eficácia de suas estratégias políticas.

Vejamos como que isso nos tem impactado.

Narrativa orgânica versus narrativa artificial

É de praxe que partidos progressistas, especialmente os da extrema esquerda, adotem e empreguem uma narrativa marxista para a compreensão das sociedades humanas, usando termos diretamente retirados das obras de Karl Marx, tais como "camaradas", "classe trabalhadora", "donos dos meios de produção" e até o de "operários", classe em franca extinção por causa da automatização progressiva e também da expansão do setor terciário, de serviços.

Então, passam a trata-lo como um profeta que (supostamente) descobriu a justiça social, e que todos devem ser catequizados em sua obra. Outro grande problema da narrativa marxista é o seu nível de organicidade, porque não é natural ou fácil de ser percebida e internalizada; como se estivesse vindo de fora, e não extraída da essência de dentro, da realidade do cotidiano. Enquanto a justiça social, por si mesma, apresenta uma linguagem mais orgânica, por exemplo, quando "populares", de maneira espontânea, expressam revolta ou insatisfação com as desigualdades entre as classes, a linguagem marxista se expressa de maneira artificial, no sentido de se conseguir estabelecer uma rede de comunicação natural, fácil, auto-entendível, sem a necessidade de um linguajar rebuscado, típico de academicismo. Isso nos afasta do grande público, reduzindo os progressistas a um grupo de seguidores de uma quase-seita, que tem a imposição da ideologia marxista como o seu principal objetivo e não a própria justiça social.

É evidente que o marxismo parte do pressuposto lógico de se pensar em respostas específicas ou pré-estruturadas  para o combate ao profundo legado de injustiças históricas, por exemplo, visando à eliminação da propriedade privada, especialmente das maiores. Este texto não tem como intenção diminuir a obra monumental de Karl Marx, mas de criticar seu contínuo uso, muito artificial, acadêmico e/ou não-flexível, dentro das múltiplas esferas sociais, resultando em um constante desencontro entre os defensores da justiça social e, especialmente, as pessoas comuns. Se o que temos é uma ideologia usurpando a percepção integral da realidade, filtrando e eliminando fatos que, a priori, aparentam ser inconvenientes aos seus ideais, enfim, escondendo essas verdades, e não há nada mais equivocado do que fazê-lo. Se queremos um mundo mais igual e encontramos uma humanidade diversa e/ou desigual, por exemplo, devemos analisa-la por todas as perspectivas: histórica, evolutiva, psico-cognitiva, e entao buscarmos pelos melhores meios para a implementação da justiça e, então, harmonia social, a partir desta ou de sua realidade e não por uma idealização distorcida dela. Um problema comum aos idealistas é o ato de transformar ou confundir seus ideais ou objetivos com a realidade absoluta e corrente dos fatos. Por isso que os idealistas igualitaristas estão quase sempre desnaturalizando a verdade sobre as desigualdades intrínsecas entre os seres humanos (e alguns até chegam a expandir essa distorção para seres vivos não-humanos) para, então, "sonharem" além do bom senso e suas ações se transformarem em pesadelo, a médio e longo prazo. E também em relação àqueles que desnaturalizam a realidade de nossa igualdade essencial, em sua grande maioria de conservadores.

A linguagem orgânica adotada pela direita conservadora como parte de seu sucesso

Políticos e ativistas conservadores são os que melhor usam narrativas orgânicas, partindo de uma estratégia em que enfatizam pela agenda cultural, com a qual denotam maior proximidade com a maioria da população, especialmente em um país como o Brasil, enquanto buscam desviar o foco nos setores em que se distanciam dos reais interesses do povo, nomeadamente o sócio-econômico. Tal como em um truque de mágico, o ativista e/ou político conservador, hipnotiza sua plateia-alvo, fazendo com que preste atenção àquilo que ele quer, exacerbando desavenças quanto às diferenças nos costumes, enquanto que, com a outra mão, maquina outras de suas perversidades, por exemplo, a inculcação da perda de direitos. É elementar, já que no aspecto sócio econômico, o conservadorismo é ainda mais explícito quanto às suas reais intenções, tendo como  principal objetivo, inculcar na mente do homem comum submissão ou obediência acrítica à sua "autoridade", por ser um conjunto de ideologias desenhadas pelas e/ou para as "elites" parasitárias, se monárquicas, teocráticas ou burguesas, que se preocupam principalmente em (como) obter (e manter) vantagens e privilégios abusivos para si mesmas a partir da exploração e da domesticação cultural dos "seus'' subalternizados.

Linguagem orgânica = linguagem "do povo"

Em contraste ao típico ativista/político
"conservador", o ativista ou político de esquerda tende a estar acima na hierarquia acadêmica, e isso poderia ser considerado vantajoso por, a priori, indicar uma maior inteligência. Mas, a experiência e a lógica que permeiam as relações humanas nos mostram que o oposto é o mais provável, porque, quanto mais aparentemente inteligente é a narrativa, em sua estética, mais inacessível à maioria ela se torna. Este tem sido omodo de se comunicar dos marxistas e também dos "justiceiros sociais", de maneira geral, em que, tentam naturalizar o que não é orgânico, e não me refiro à justiça social, mas ao academicismo rígido e sofisticado, adotado a partir dos trabalhos de seu principal pensador bem como por outras referências, diga-se, tendenciosamente verborrágicas e algumas até bem alienadas do cotidiano das pessoas fora dos ciclos universitários e intelectuais. O potencial de narrativa orgânica da justiça social, portanto, tem andado solto por aí, sem que ela seja compreendida, estruturada, demarcada e tomada por agentes políticos e culturais das esquerdas como a sua principal ferramenta, se precisam pagar tributo constante ao marxismo. Conservadores usam a linguagem do povo, se confundindo com ele, mesmo que não cheguem a conquistar a todos e que, por trás dessa simpatia, existam motivações escusas. Progressistas usam uma linguagem de professor que busca ensinar as pessoas comuns, tratando-as como intelectualmente inferiores, ao invés de, primeiro, estabelecer laços de identificação natural delas para com eles, e que significa concordar mais do que  discordar ou sempre buscando conciliar divergências e ressaltar pontos em comum, o que o ativismo conservador faz. Além de uma linguagem inorgânica, acadêmica, os defensores da justiça social, em sua maioria e, especialmente a partir das políticas identitárias de minorias, também passaram a fazer questão de se destacar da multidão, sempre se posicionando como excêntricos às convenções tradicionais do homem comum, incluindo boa parte do que ou como pensa. Aqui, nem é em relação a publicitar preferências da intimidade mas de querer impo-las a um público alheio, sem qualquer tentativa de diálogo, concessão e/ou conciliação.  A mentalidade-padrão adotada pelo ativismo progressista tem sido a de nunca recuar, de sempre avançar. Mas, se podemos compreender a guerra cultural em que estamos como um jogo de xadrez, então, não é todo avanço que será uma conquista e nem todo recuo que será uma derrota. Falta tato estratégico básico por parte das esquerdas. Deste modo,  o xadrezista de esquerda está indo rápido demais em direção à rainha e será ele quem perderá a cabeça, se o xadrezista de direita for hábil.. Se a política se faz e se ganha pela identificação com o público e pelo estabelecimento de uma linguagem natural, fluida, acessível e que também concorde e/ou concilie com uma importante parcela de seus valores, isto é, sem ter que se desfazer dos próprios valores, então, sinto-lhes informar mas as esquerdas estão fazendo tudo errado e só não foram totalmente massacradas pelas direitas ainda por causa da força intrínseca do próprio conceito de justiça social. Isto é, mesmo com péssimas estratégias de marketing político, baseadas em ingenuidade, pedantismo e rigidez ideológica, as frentes progressistas continuam a existir porque é do instinto humano o ideal de justiça.

Auto sabotagem

Além do uso viciado de uma linguagem marcada por citações bibliográficas, tal como se todo discurso marxista fosse um artigo acadêmico e ainda por cima dirigido para o grande público, frações nada pequenas de esquerdistas, em redes sociais, continuam defendendo e sem pensamento crítico, países e figuras históricas que aparentemente adotaram os ideais marxistas, pois parece que sentem uma necessidade de terem referências reais para a defesa da justiça social, mesmo que estejam longe de serem as melhores, no que condiz ao nível de sabedoria de suas ideias e ações. O grande problema é que praticamente todas as tentativas bem sucedidas de revoluções populares contra a tirania de elites conservadoras têm sido sangrentas ao invés de estrategicamente inteligentes e ainda resultando na substituição por outras tiranias, aquilo que George Orwell, magistralmente escreveu sob forma de fábula infantil, em seu simples e preciso livro "A revolução dos bichos". Além de usarem obras de Marx e outros como livros sagrados, supostamente dotados apenas de verdades absolutas e irrefutáveis, muitos esquerdistas ainda menosprezam as duras e legítimas verdades históricas dessas revoluções proletárias, com destaque à russa, muito bem sintetizadas por essa obra específica. Quando se é criado dentro de uma bolha ideológica não tem como perceber o que de errado se está fazendo porque são bolhas de profunda conformidade em que reflexões e diálogos verdadeiros são combatidos a todo momento, por mais que sejam palavras comuns no vocabulário de muitos que dizem defender a justiça social e que se sentem confortáveis dentro delas. Também é comum a desumanização em relação àqueles que estão fora da bolha como se tudo o que pensassem estivesse totalmente errado, não apenas em relação às bolhas das esquerdas, pois é uma regra para qualquer ideologia. Vender ao grande público que Venezuela, Cuba, China e até Coreia do Norte são países maravilhosos e que só apresentam problemas por causa das potências capitalistas, especialmente os EUA, ou, que são retratadas de maneira mentirosa pela mídia "ocidental', é como dar um tiro no próprio pé, pela simples razão de não ser plenamente verdadeiro. Demonstra-se altos níveis de doutrinação ideológica, pedantismo e alienação ao mundo fora da bolha. E, novamente, falamos de muita gente que se diz progressista propagando esse catatau de estupidez pelas redes sociais e ingenuamente acreditando que as pessoas se convencerão por si mesmas ou que seus posicionamentos estejam totalmente certos. Estamos falando do mais básico no jogo democrático, de identificação do público com a ideologia e consequentemente com os partidos que a defendem. E melhor ainda se, ao invés de uma ideologia tendenciosamente incompleta em sua compreensão da realidade alcançável, fosse apenas a sabedoria. Mesmo se as esquerdas estivessem 300% certas sobre tudo o que pensam, tal como pensam sobre si mesmas, ainda assim, haveriam de buscar simplificar sua linguagem, de torná-la mais orgânica, acessível, atraente e mais, de pratica-la. Muitos progressistas endossam a teoria, mas não a prática. Dizem que precisamos ser mais solidários e lutar pela igualdade social, mas o estereótipo do esquerdista caviar já está consolidado. Muitos destes pensam que basta defender partidos ditos de esquerda que, pessoalmente, não precisam traduzir o que dizem defender por sua prática. Não estou sugerindo que nos tornemos monges franciscanos, mas que, atitudes solidárias, para começo de conversa, sejam ou se tornem constantes durante nossas existências. Pratica-las, sem esperar por revoluções ou vitórias eleitorais importantes, é um ato, mesmo que limitado, de justiça social. Ainda mais impressionante e necessário se forem praticadas em situações adversas tal como a heroica defesa de judeus por parte cidadãos poloneses durante a invasão e administração nazista do seu país na segunda guerra mundial.  Sua frequência e qualidade mostra o quão compromissado está o indivíduo para com ela. Lembrando que o conhecimento é fundamental para uma prática solidária: característica, eficiente e segura. Do contrário, o risco do fazer o bem ter efeitos colaterais terríveis a médio e longo prazo, será muito alto.

Pela justiça social, não precisamos nos comprometer integralmente com países autodeclarados comunistas e que, na verdade, adotaram os passos equivocados da primeira revolução proletária, na Rússia, resultando lá no estalinismo (traição dos ideais da revolução) e nesses em versões tirânica ou autoritariamente idênticas. Pois, ao fazermos, nos sentimos na obrigação de defende-los, por mais problemáticos e distantes da aplicação absoluta ou utópica da justiça social eles possam estar. Utópica aqui, nunca em um sentido pejorativamente irrealista, mas de idealmente possível ou moralmente/imprescindível. Assim, estamos basicamente dando maior importância à ideologia marxista (um meio) do que aquilo em que se baseia ou prega, a justiça social (seu objetivo).  Isso a fragiliza perante o público maior, quando defendemos países que a adotam/adotaram como bandeira ideológica, mas não como prática padrão. Não é à toa que os hipócritas "conservadores" sejam os que mais adorem essa teimosia progressista, pois assim podem nos apontar, generalizadamente, como os maiores e/ou únicos hipócritas. Percebo que é comum esquerdistas adotarem e replicarem de maneira acrítica esses discursos contraditórios diretamente transmitidos pelo ativismo marxista, sem se darem conta do que são. A ingenuidade retórica  desconcertante de muitos progressistas também têm trabalhado contra o nosso sucesso político. É fato que o marxismo e o progressismo, de maneira geral, sejam os principais defensores da justiça social e, portanto, que exista uma demarcação ideológica ou tendência de adoção por um "lado" do espectro da política. Mas, ao submetermos este ideal máximo às soluções predeterminadas do marxismo, estaremos perdendo o seu poder de, tal como água, se expressar em vários estados, mas, mantendo-se água, de flexibilidade de ser aplicado em uma pluralidade de contextos. O principal problema da justiça social ainda não é se um país é capitalista ou não, mas o nível de caráter de suas "elites' especialmente as sócio-econômicas. É lógico pensar que o capitalismo atraia oportunistas egoístas ao topo de uma sociedade já verticalizada. Até à atualidade, pensadores de esquerda ou, em um sentido mais amplo, progressistas, não chegaram a produzir uma estruturação sistematicamente coerente de conhecimentos ou fatos relacionados à essa área da política ou das ciências humanas, se estão demasiadamente comprometidos em replicar diretrizes rígidas do marxismo e de ideologias próximas, tal como o igualitarismo, em que acredita-se que os seres humanos são todos iguais (não "apenas" em suas essências existenciais) e que apenas as diferenças em seus ambientes que explicam essa diversidade de resultados, por exemplo quanto à variação de capacidades cognitivas. Por essas ideologias, eles culpam a pobreza de qualquer nível como única responsável pela média mais baixa de inteligência em grupo de crianças e adolescentes das classes basais, desprezando o valor correlativo dessa relação e predominantemente intrínseco das capacidades cognitivas, que, claro, precisam de estímulos mas são auto-limitadas, de acordo com o potencial de cada um. Muitos acreditam, ingênua e passionalmente, que esses fatos são, na verdade, malabarismos retóricos da direita conservadora para justificar a desigualdade social, seus privilégios (especialmente para os mais abonados) ou condenar a igualdade como um ideal inalcançável. Mesmo que muitos conservadores assim o façam, isso não elimina o teor factual deste exemplo de contextualização da ideologia igualitarista. Parece que muitos progressistas, herdeiros diretos do iluminismo, sentem a necessidade impulsiva de elaborar "mentiras brancas" ou meias verdades, geralmente inconscientes do que são, para desnaturalizarem (quase) todos os posicionamentos dos seus oponentes. Em outras palavras, ao invés de buscarem se colocar a um nível superior ao conservadorismo, aceitam de bom grado atuarem no mesmo nível que ele, em que se nega a integridade da sabedoria pelo filtro de fatos, separando os que lhes são mais convenientes dos que não são. A priori, a justiça social não precisa de uma estrutura ideológica rígida, tal como é constituído o marxismo, bem como qualquer outra ideologia. Basta a análise dos fatos, sem negar nenhum deles, ponderar/ser racional, ter como preferência a harmonia, a justiça e o conhecimento, principiando pelos mais importantes, que são os existenciais, o nível máximo de moralidade que podemos alcançar. Modéstia à parte, seguir o ideal máximo da justiça social ao invés de me sujeitar à doutrinação marxista é o que eu tenho tentado fazer pelos meus textos e também por minhas ações no cotidiano, o que posso fazer. Isso não significa que esteja desmerecendo Karl Marx, Friederich Angels e seus trabalhos,mas usando-os como auxiliares importantes e não como finalidade máxima, que é a justiça para a harmonia social.

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Mudei o nome de novo... por que, por que, por que

Agora o blog se chama ''Esquerdista de Direita'', precisa explicar mais*

No espectro ideológico ocidental, mas que também pode servir para qualquer sociedade, existem pontos válidos, de acordo com uma perspectiva ideal, da extrema direita à extrema esquerda. Cabe aos mais racionais, quando se deparam com a política, com a ideologia, enfim, com essas pendengas que nos tornam agudos em seus cenários de luta, compreenderem essa máxima, que pra mim parece bem evidente... Existem perspectivas supra-corretas em ambos os lados, seria muito bom se parássemos de tratar a política como se fosse um campo de futebol, e de buscar a sincronia com a sabedoria, com o melhor julgamento. 

Sou mais esquerdista do que direitista, e talvez não precise explicar tanto aqui o porquê, talvez, pelo fato que a direita enquanto conservadorismo, tenha dominado as sociedades humanas, ou a maioria delas, por séculos a fio, e que esse domínio até hoje não tenha resultado em frutos filosoficamente gostosos... com base em falácias que visam justificar a mediocridade no trato com o outro, quer seja o meio ambiente, o ser vivo de outra espécie, o vizinho ou aquele outro que tem uma identidade que difere da sua... 

Apesar disso, concluir que tudo o que cheire ''de direita'' no pensamento e na prática esteja errado, é que me parece muito errado. A direita tem o ônus de representar o ser humano primitivo, mais concreto em seu pensamento, e também tendenciosamente mais frio no trato alheio, um frio condensado com emoções mais neuróticas do que positivas. Por isso que tem a sua valia, por sua maior insensibilidade mas também por sua abordagem mais diretamente comparativa a partir de uma perspectiva estética emparelhada com à do reino ''animal''. No resto, os seus excessos são diretamente responsáveis por boa parte das mazelas humanas, e até poderia dizer, do alto de minha ousadia infantil, que graças ao conservadorismo, ao seu domínio por tanto tempo, que, ao invés de uma oposição à sua falsa ponderação, o que temos é quase que um espelho, só que os vícios são vistos por uma perspectiva espelhada, onde a direita passa a ser a esquerda... Nada de muito novo.

Vida que segue, e não, que cegue...