Minha lista de blogs

Mostrando postagens com marcador marxismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador marxismo. Mostrar todas as postagens

domingo, 23 de junho de 2024

Razões para ser ou se tornar um progressista dissidente às esquerdas marxista e identitário-burguesa/Reasons to be or become a progressive dissident to the Marxist and bourgeois-identitarian Lefts

 Ambas, apesar de se declararem como progressistas, na verdade, são regressistas (em relação à melhorias sociais), porque, mesmo se bem intencionadas*, se baseiam em crenças, ideias e/ou pensamentos que destoam variavelmente dos fatos e de análises mais ponderadas, se comportando como "pseudociências do bem", em que ocorre uma inversão da ordem de ouro da sabedoria e, portanto, da justiça, em que a moralidade, ou o que se considera como certo ou errado, determina o que se considera como falso ou verdadeiro, e não, primeiro, a busca pela verdade objetiva e imparcial como determinante moral. E quando muitas dessas crenças, ideias ou pensamentos se concretizam como políticas públicas, tendem a prejudicar, a médio e longo prazo, mas mesmo a curto prazo, inclusive os próprios "progressistas". Por exemplo, políticas de multiculturalismo e/ou imigração em massa, sem controle, em que ocorre a entrada e o aumento de indivíduos vindos de culturas machistas e homofóbicas ao país que os recebe, e que também tendem a apresentar capacidades cognitivas baixas, incluindo a de racionalidade (traços mais intrínsecos, geralmente, pouco reativos à intervenções sociais ou educativas), causando um aumento proporcional de violência e outros tipos de conflitos diretamente relacionados a essas diferenças culturais, psicológicas e cognitivas intratáveis. E ainda associado a isso, só para piorar um pouco mais, existe a imposição do politicamente correto ou polícia de pensamento "de esquerda", que tolera a intolerância importada e penaliza dissidentes ideológicos que criticam essas políticas...


* Se em relação às suas "elites", é pouco provável...


Já em relação à esquerda marxista ou revolucionária, "de raiz", a mesma, enquanto se diz a favor da democracia, defende ditaduras como Cuba, China e Irã, por se declararem "socialistas" ou como antagonistas aos EUA e seus aliados; faz o mesmo com países historicamente "socialistas", como a extinta URSS, fazendo pouco caso sobre os seus múltiplos crimes cometidos enquanto existiu... Enfim, apresenta o mesmo fanatismo extremo de seita ou culto, incapaz de uma autocrítica ponderada, de evoluir além do nível muito baixo de coerência moral e intelectual em que se posiciona desde a primeira revolução "popular", na Rússia. Por isso que também não tem como seguir apenas a lógica progressista, de defesa pela justiça social, e continuar alinhado ideologicamente à pelo menos uma das esquerdas principais.


Both, despite declaring themselves to be progressive, are actually regressive (in relation to social improvements), because, even if well-intentioned*, they are based on beliefs, ideas and/or thoughts that vary from facts and more considered analyses. , behaving like "pseudosciences of good", in which there is an inversion of the golden order of wisdom and, therefore, of justice, in which morality, or what is considered right or wrong, determines what is considered false or true, and not, first, the search for objective and impartial truth as a moral determinant. And when many of these beliefs, ideas or thoughts materialize as public policies, they tend to harm, in the medium and long term, but even in the short term, including the "progressives" themselves. For example, policies of multiculturalism and/or mass, uncontrolled immigration, in which the entry and increase of individuals from sexist and homophobic cultures occurs in the country that receives them, and who also tend to have low cognitive abilities, including of rationality (more intrinsic traits, generally not very reactive to social or educational interventions), causing a proportional increase in violence and other types of conflicts directly related to these intractable cultural, psychological and cognitive differences. And also associated with this, just to make things a little worse, there is the imposition of political correctness or "left-wing" thought police, which tolerates imported intolerance and penalizes ideological dissidents who criticize these policies...


* If in relation to your "elites", it is unlikely...


In relation to the Marxist or revolutionary left, while it claims to be in favor of democracy, it defends dictatorships such as Cuba, China and Iran, for declaring themselves "socialist" or as antagonists to the USA and its allies; does the same with historically "socialist" countries, such as the extinct USSR, making light of its multiple crimes committed while it existed... In short, it presents the same extreme fanaticism of a sect or cult, incapable of thoughtful self-criticism, of evolving beyond of the very low level of moral and intellectual coherence at which it has been positioned since the first "popular" revolution in Russia. That's why there's no way to just follow the progressive logic, defending social justice, and continue ideologically aligned with at least one of the main lefts.

domingo, 5 de fevereiro de 2023

Crônicas do telebosta 2000, aula de história: "A Rússia invadiu a Ucrânia para desnazificá-la"

 A Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022 para acabar com o governo nazista do presidente e comediante Zelensky, um judeu admirador de Hitler e neto de sobreviventes do holocausto nas horas vagas. 


Putin, que adora gays, respeita mulheres, gostaria de ser negro e é um vegano não-praticante, só quer libertar aquele pedaço da Rússia das garras maléficas... do progresso ou de, ao menos, não continuar servindo como um fundo de quintal para Moscou, ops... do malvado Ocidente que quer destruir países não-malvados como Irã e China. 

Ou o Ocidente/EUA que é mal ou o Oriente, eis a questão...

Mas como eu sou teimoso, eu escolhi esse daqui...

Pronto. 

Os EUA é o único mal do mundo, porque o inimigo do meu inimigo é o meu amigo, mesmo que mantenha mulheres em cárcere privado, condene e enforque gays e mate civis ucranianos neonazistas à paisana. 

Eu, que estou muito acima das massas de acéfalos não-marxistas, bebo direto da fonte da única verdade, apesar de ser relativa e subjetiva, do DCM(dcmeme) e do 247, porque o resto é mídia corporativa e manipulada. 

Até o Lula "o amor venceu" tá do lado da verdade, quer dizer, do Putin...

Por que eu discordaria do grande líder Luís Inácio????

Portanto, se o exército russo invadiu um país soberano e começou a matar a rodo, de cachorro a gente, é porque eles têm uma razão nobre: salvar seus irmãos eslavos ucranianos de fazer parte da OTAN e até de poder entrar na União Europeia, isto é, de se tornarem nazistas, já que na Rússia, nazismo está totalmente proibido... além, claro, de salvá-los do satanismo LGBTQIAP666. 

Assim, quando mais da metade da Ucrânia voltar a ser parte da Rússia e for incorporada aos seus 17 milhões de km² ou mesmo se esse país "de mentira" desaparecer, se tornando russo por direito (da Rússia), o espectro do nazismo finalmente será eliminado... ou tal como acontece com as populações da Europa Centro-oriental que ficaram atrás da cortina de ferro por meio século, muitos ucranianos passarem a ver a "esquerda", especialmente a marxista, como inimiga, isto é, agindo como "reacionários"... e sem qualquer razão... 

(Obs: OTAN não é santa, nem a UE, nem a "América", nem globalistas e esquerdistas burgueses são alecrins dourados. Mas essa cretinice pró-Rússia por muitos autodeclarados esquerdistas-marxistas é de cair o queijo do cool e merece uma ridicularização extra). 

domingo, 22 de janeiro de 2023

Sobre a minha proposta: marxismo ecológico-evolutivo

 O marxismo, como qualquer análise que parta do princípio ou realidade da luta de classes e seu papel de destaque nas transformações sociais e históricas, tradicionalmente se concentra e se limita a uma perspectiva sociológica, por também se basear no princípio e, que neste caso, consiste numa crença irrealista (tábula rasa), de que o ser humano é influenciado exclusivamente pelo seu meio cultural, em flagrante desprezo à influência genética ou biológica no seu comportamento.  No entanto, se está claro que também somos governados por nossas naturezas, aliás, até mais do que em relação ao meio, então, não faz sentido que pensadores marxistas continuem a perder de vista essa parte tão importante que contribui para explicar a trajetória humana até à atualidade. 


Pois partindo desse fato, também podemos perceber que a luta de classes, enquanto exploração econômica da classe trabalhadora por uma "elite" detentora dos meios de produção, expressa uma relação ecológica de parasitismo, comumente percebida no meio natural, em que um ou mais indivíduos exploram outros para o próprio benefício. A única diferença é que não é uma relação de parasitismo entre duas espécies diferentes ainda que seja entre tipos diferentes dentro de uma mesma espécie. Portanto, com o potencial avanço de pesquisas e descobertas sobre a influência genética e a importância evolutiva de traços e comportamentos humanos, é necessário demonstrar que o contexto da evolução social e ecológica da espécie humana tem se desviado de uma relação predominantemente cooperativa, percebida em comunidades tradicionais remanescentes, para uma relação predominantemente parasitária, especialmente a partir da sedentarização e consequente emergência de sociedades complexas ou civilizações, com implicações críticas por se tratar de um cenário disfuncional e aquém do que a espécie mais inteligente deste planeta poderia produzir, limitando-se a reproduzir as mesmas relações de parasitismo que existem no meio natural.

Como conclusão, em termos de interdisciplinaridade entre marxismo, filosofia, história, geografia, psicologia evolutiva, ecologia e biologia comportamental, existe um grande potencial praticamente inexplorado e necessário não apenas para um melhor entendimento da humanidade quanto à sua evolução histórica e atual, mas também para, de fato, propor soluções aos seus dilemas com base nessa união de conhecimentos e perspectivas, já que, a meu ver, nossa trajetória não é possível de ser plenamente compreendida, inclusive a partir de uma perspectiva racional ou mais sensata, sem a percepção dessas profundas mudanças da dinâmica social e evolutiva de indivíduos e grupos humanos, desde a emergência de uma autoconsciência complexa e da cultura, da civilização, até aos dias atuais.

sábado, 10 de setembro de 2022

Sobre "neolamarckismo" e "lamarckxismo"

 Neolamarckismo: aparente tentativa de reavivar e legitimar uma hipótese evolutiva notoriamente defendida por Jean Baptiste de Lamarck, Lamarckismo, há muito desacreditada pela teoria da seleção natural, ou "Darwinismo", que foi paralelamente desenvolvida por Charles Darwin e Alfred Russel Wallace.


"Lamarckxismo" ou lamarckismo de esquerda: termo satírico que eu inventei e que se consiste na combinação da crença na tábula rasa com a realidade da luta de classes e, então, na busca por igualdade ou justiça social com base na primeira; teimosamente popular entre professores e acadêmicos das ciências humanas.

Tábula rasa: (quase) todo ser humano nasce, tal como uma folha de papel em branco. Apenas ou especialmente as condições do meio (desigualdades socioeconômicas, raciais, de gênero; nível de educação recebido, tipo de criação dada pelos pais) que são responsáveis pelas diferenças de desempenho intelectual e de comportamento entre indivíduos e grupos humanos;

Lamarckismo: a evolução das espécies acontece pela transmissão de características adquiridas por esforço repetitivo; 

"Marxismo": a história humana tem girado em torno da luta de classes em que, as classes mais abastadas, principalmente as "elites" político-econômicas, exploram economicamente as outras classes para o próprio benefício.

...

Portanto, acredita-se que, bastaria investir na melhoria dessas condições que essas diferenças, a médio e longo prazo, diminuiriam de maneira significativa ou mesmo desapareceriam por completo. Por exemplo, se, em média, indivíduos das classes trabalhadoras apresentam desempenho intelectual inferior aos indivíduos de classe média, é porque não tiveram igual acesso a uma "educação de qualidade" durante o período escolar, resultando na especialização da maioria desses indivíduos, do primeiro grupo, em trabalhos manuais ou de "baixa qualificação". Então, é preciso oferecer, particularmente aos seus filhos ou às novas gerações, uma "educação de qualidade" para que possam se tornar "tão ou mais 'inteligentes" que os jovens de classe média (lei do uso e do desuso/lamarckismo), aptos a ingressar no ensino superior e, assim, exercer profissões de "maior prestígio", que pagam mais, diminuindo a desigualdade social.* 

* Aqui, como eu já comentei em outros textos, despreza-se que, o mais importante ainda não é que "apenas' uma minoria tenha acesso ao ensino superior, mas que a maioria exerça profissões que paguem tão pouco, ou que existam diferenças salariais tão grandes, até porque, toda sociedade precisa de indivíduos que se dediquem à profissões de "colarinho branco" e também que, mesmo se todos pudessem frequentar uma universidade pública, continuariam existindo os que acabariam se especializando em funções mais básicas, que não exigem uma maior qualificação técnica.

Realidade: 

Um dos mecanismos mais importantes para a evolução das espécies é a seleção natural, de características favoráveis à adaptação. Outros fatores são: deriva genética, que pode resultar em gargalo ou efeito fundador; isolamento geográfico... portanto, a hipótese lamarckista, de que a evolução das espécies acontece fundamentalmente por transmissão de características adquiridas por esforço repetitivo, não parece correta;

Seres humanos não nascem como folhas de papel em branco, totalmente destituídos de predisposições comportamentais. É a biologia que tem um papel mais decisivo, por mais extremas possam ser as condições do meio (uma folha não é levada pelo vento apenas pela força do mesmo, mas também por causa do seu nível de leveza).

Portanto, se indivíduos de classe trabalhadora tendem a apresentar um desempenho intelectual inferior aos de classes média é pelo simples fato de terem, em média, capacidades cognitivas comparativamente mais baixas, e não porque a maioria estudou em escola pública ou não teve acesso a uma "melhor educação". A priori, a única maneira de se igualar desempenhos entre as duas classes seria se os indivíduos mais academicamente inteligentes de classe trabalhadora produzissem mais descendentes que aqueles de menor capacidade do mesmo grupo ou que acontecesse o padrão oposto com os indivíduos de classe média. Desprezando que, muitos dos "mais inteligentes" de origem humilde ascendem socialmente. Sim, eles existem, mesmo sem terem tido acesso a uma "educação de qualidade", seja lá o que isso signifique... 

Pode ser que, altos índices de pobreza extrema causem efeitos intergeracionais--epigenéticos, por exemplo, prejudicando o crescimento ideal dos cérebros dos indivíduos mais afetados. Mas em vários lugares onde a fome deixou de ser endêmica ou epidêmica, percebe-se que não tem havido um ajuste significativo dessas diferenças entre grupos socioeconômicos, raciais ou de gênero, comprovadamente causado pela melhoria das condições sociais, por exemplo, nos EUA, sugerindo que a biologia tem um papel mais decisivo que o meio, mas não absoluto, pelo menos em relação à inteligência humana. Nem por isso, deve-se suspender o apoio à luta contra as desigualdades que causam injustiças sociais...

Pois até parece que as esquerdas usam sua crença na tábula rasa, de que "somos todos naturalmente iguais", como principal argumento em seu combate às desigualdades. Mas eu penso que deveriam adotar o argumento existencialista, de que somos todos iguais, em essência, por nossa fragilidade, finitude e insignificância em comum, diante da monstruosidade descomunal e indiferente do universo. Sem mais se iludirem de que nossas diferenças não-essenciais seriam facilmente erradicáveis. Em outras palavras, de terem como base em suas políticas, verdades absolutas, e não mentiras reconfortantes que se alinham com algumas de suas crenças ideológicas mais importantes.

É verdade que o monopólio administrativo de "elites" político-econômicas mal intencionadas, principalmente as de direita, tem resultado na distribuição desigual das riquezas produzidas, dentre outros crimes... Mas a pobreza também é produto de uma incapacidade individual de adaptação a certos contextos, especialmente de indivíduos que apresentam traços considerados desvantajosos, tal como uma baixa capacidade cognitiva.

Apenas o "marxismo", vagamente definido neste texto como "luta por justiça social", que está mais certo, por ser o básico bom senso de se buscar por uma sociedade mais equilibrada e justa...

domingo, 15 de maio de 2022

Uma explicação geopolítica para o apoio velado à Rússia pela esquerda marxista e uma grande contradição acoplada

 No Brasil, o verdadeiro nacionalismo é de extrema esquerda porque são os que mais valorizam cultura, patrimônio histórico e a soberania nacionais. A extrema direita brasileira prefere EUA, Europa e Israel. E tem muitos que estão apoiando a Rússia putinista e por razões ÓBVIAS (defesa dos "valores tradicionais" ou psicopatia old style).


A extrema esquerda brasileira está apoiando a Rússia porque considera os BRICs, os países emergentes mais ricos e especialmente países antagonistas aos EUA como aliados contra a hegemonia yankee. Ela acredita que a única maneira de o Brasil se tornar mais soberano ou menos submisso aos EUA é buscando forjar alianças com esses países, como China e Cuba. Mas tudo isso também pode ser resumido ao raciocínio raso do "o inimigo do meu inimigo é o meu amigo" e como a maioria dos esquerdistas-marxistas são "Maria vai com as outras", assim como a maioria das pessoas, eles apenas seguem os pensamentos dominantes nos seus grupos de amigos e conhecidos que compartilham a mesma cartilha de ideais, ideias e análises. É extremamente contraditório em relação ao que pregam: solidariedade, respeito, DEFESA DA SOBERANIA (da Ucrânia, por exemplo?…) mas em termos friamente geopolíticos, isso faz sentido.

sábado, 9 de maio de 2020

A justiça social é muito maior que o marxismo

A justiça social é muito maior que o marxismo

O clamor pela justiça social é tão ou mais antigo que os irmãos Graco, da Roma antiga... por isso que, reduzi-la à ideologia marxista, faz com que percamos sua real dimensão histórica e filosófica, bem como o seu potencial de alcance político.

É o marxismo que deriva do ideal de justiça social.

 No entanto, amplos setores das esquerdas acreditam e praticam o oposto, o que tem tido consequências negativas sobre a eficácia de suas estratégias políticas.

Vejamos como que isso nos tem impactado.

Narrativa orgânica versus narrativa artificial

É de praxe que partidos progressistas, especialmente os da extrema esquerda, adotem e empreguem uma narrativa marxista para a compreensão das sociedades humanas, usando termos diretamente retirados das obras de Karl Marx, tais como "camaradas", "classe trabalhadora", "donos dos meios de produção" e até o de "operários", classe em franca extinção por causa da automatização progressiva e também da expansão do setor terciário, de serviços.

Então, passam a trata-lo como um profeta que (supostamente) descobriu a justiça social, e que todos devem ser catequizados em sua obra. Outro grande problema da narrativa marxista é o seu nível de organicidade, porque não é natural ou fácil de ser percebida e internalizada; como se estivesse vindo de fora, e não extraída da essência de dentro, da realidade do cotidiano. Enquanto a justiça social, por si mesma, apresenta uma linguagem mais orgânica, por exemplo, quando "populares", de maneira espontânea, expressam revolta ou insatisfação com as desigualdades entre as classes, a linguagem marxista se expressa de maneira artificial, no sentido de se conseguir estabelecer uma rede de comunicação natural, fácil, auto-entendível, sem a necessidade de um linguajar rebuscado, típico de academicismo. Isso nos afasta do grande público, reduzindo os progressistas a um grupo de seguidores de uma quase-seita, que tem a imposição da ideologia marxista como o seu principal objetivo e não a própria justiça social.

É evidente que o marxismo parte do pressuposto lógico de se pensar em respostas específicas ou pré-estruturadas  para o combate ao profundo legado de injustiças históricas, por exemplo, visando à eliminação da propriedade privada, especialmente das maiores. Este texto não tem como intenção diminuir a obra monumental de Karl Marx, mas de criticar seu contínuo uso, muito artificial, acadêmico e/ou não-flexível, dentro das múltiplas esferas sociais, resultando em um constante desencontro entre os defensores da justiça social e, especialmente, as pessoas comuns. Se o que temos é uma ideologia usurpando a percepção integral da realidade, filtrando e eliminando fatos que, a priori, aparentam ser inconvenientes aos seus ideais, enfim, escondendo essas verdades, e não há nada mais equivocado do que fazê-lo. Se queremos um mundo mais igual e encontramos uma humanidade diversa e/ou desigual, por exemplo, devemos analisa-la por todas as perspectivas: histórica, evolutiva, psico-cognitiva, e entao buscarmos pelos melhores meios para a implementação da justiça e, então, harmonia social, a partir desta ou de sua realidade e não por uma idealização distorcida dela. Um problema comum aos idealistas é o ato de transformar ou confundir seus ideais ou objetivos com a realidade absoluta e corrente dos fatos. Por isso que os idealistas igualitaristas estão quase sempre desnaturalizando a verdade sobre as desigualdades intrínsecas entre os seres humanos (e alguns até chegam a expandir essa distorção para seres vivos não-humanos) para, então, "sonharem" além do bom senso e suas ações se transformarem em pesadelo, a médio e longo prazo. E também em relação àqueles que desnaturalizam a realidade de nossa igualdade essencial, em sua grande maioria de conservadores.

A linguagem orgânica adotada pela direita conservadora como parte de seu sucesso

Políticos e ativistas conservadores são os que melhor usam narrativas orgânicas, partindo de uma estratégia em que enfatizam pela agenda cultural, com a qual denotam maior proximidade com a maioria da população, especialmente em um país como o Brasil, enquanto buscam desviar o foco nos setores em que se distanciam dos reais interesses do povo, nomeadamente o sócio-econômico. Tal como em um truque de mágico, o ativista e/ou político conservador, hipnotiza sua plateia-alvo, fazendo com que preste atenção àquilo que ele quer, exacerbando desavenças quanto às diferenças nos costumes, enquanto que, com a outra mão, maquina outras de suas perversidades, por exemplo, a inculcação da perda de direitos. É elementar, já que no aspecto sócio econômico, o conservadorismo é ainda mais explícito quanto às suas reais intenções, tendo como  principal objetivo, inculcar na mente do homem comum submissão ou obediência acrítica à sua "autoridade", por ser um conjunto de ideologias desenhadas pelas e/ou para as "elites" parasitárias, se monárquicas, teocráticas ou burguesas, que se preocupam principalmente em (como) obter (e manter) vantagens e privilégios abusivos para si mesmas a partir da exploração e da domesticação cultural dos "seus'' subalternizados.

Linguagem orgânica = linguagem "do povo"

Em contraste ao típico ativista/político
"conservador", o ativista ou político de esquerda tende a estar acima na hierarquia acadêmica, e isso poderia ser considerado vantajoso por, a priori, indicar uma maior inteligência. Mas, a experiência e a lógica que permeiam as relações humanas nos mostram que o oposto é o mais provável, porque, quanto mais aparentemente inteligente é a narrativa, em sua estética, mais inacessível à maioria ela se torna. Este tem sido omodo de se comunicar dos marxistas e também dos "justiceiros sociais", de maneira geral, em que, tentam naturalizar o que não é orgânico, e não me refiro à justiça social, mas ao academicismo rígido e sofisticado, adotado a partir dos trabalhos de seu principal pensador bem como por outras referências, diga-se, tendenciosamente verborrágicas e algumas até bem alienadas do cotidiano das pessoas fora dos ciclos universitários e intelectuais. O potencial de narrativa orgânica da justiça social, portanto, tem andado solto por aí, sem que ela seja compreendida, estruturada, demarcada e tomada por agentes políticos e culturais das esquerdas como a sua principal ferramenta, se precisam pagar tributo constante ao marxismo. Conservadores usam a linguagem do povo, se confundindo com ele, mesmo que não cheguem a conquistar a todos e que, por trás dessa simpatia, existam motivações escusas. Progressistas usam uma linguagem de professor que busca ensinar as pessoas comuns, tratando-as como intelectualmente inferiores, ao invés de, primeiro, estabelecer laços de identificação natural delas para com eles, e que significa concordar mais do que  discordar ou sempre buscando conciliar divergências e ressaltar pontos em comum, o que o ativismo conservador faz. Além de uma linguagem inorgânica, acadêmica, os defensores da justiça social, em sua maioria e, especialmente a partir das políticas identitárias de minorias, também passaram a fazer questão de se destacar da multidão, sempre se posicionando como excêntricos às convenções tradicionais do homem comum, incluindo boa parte do que ou como pensa. Aqui, nem é em relação a publicitar preferências da intimidade mas de querer impo-las a um público alheio, sem qualquer tentativa de diálogo, concessão e/ou conciliação.  A mentalidade-padrão adotada pelo ativismo progressista tem sido a de nunca recuar, de sempre avançar. Mas, se podemos compreender a guerra cultural em que estamos como um jogo de xadrez, então, não é todo avanço que será uma conquista e nem todo recuo que será uma derrota. Falta tato estratégico básico por parte das esquerdas. Deste modo,  o xadrezista de esquerda está indo rápido demais em direção à rainha e será ele quem perderá a cabeça, se o xadrezista de direita for hábil.. Se a política se faz e se ganha pela identificação com o público e pelo estabelecimento de uma linguagem natural, fluida, acessível e que também concorde e/ou concilie com uma importante parcela de seus valores, isto é, sem ter que se desfazer dos próprios valores, então, sinto-lhes informar mas as esquerdas estão fazendo tudo errado e só não foram totalmente massacradas pelas direitas ainda por causa da força intrínseca do próprio conceito de justiça social. Isto é, mesmo com péssimas estratégias de marketing político, baseadas em ingenuidade, pedantismo e rigidez ideológica, as frentes progressistas continuam a existir porque é do instinto humano o ideal de justiça.

Auto sabotagem

Além do uso viciado de uma linguagem marcada por citações bibliográficas, tal como se todo discurso marxista fosse um artigo acadêmico e ainda por cima dirigido para o grande público, frações nada pequenas de esquerdistas, em redes sociais, continuam defendendo e sem pensamento crítico, países e figuras históricas que aparentemente adotaram os ideais marxistas, pois parece que sentem uma necessidade de terem referências reais para a defesa da justiça social, mesmo que estejam longe de serem as melhores, no que condiz ao nível de sabedoria de suas ideias e ações. O grande problema é que praticamente todas as tentativas bem sucedidas de revoluções populares contra a tirania de elites conservadoras têm sido sangrentas ao invés de estrategicamente inteligentes e ainda resultando na substituição por outras tiranias, aquilo que George Orwell, magistralmente escreveu sob forma de fábula infantil, em seu simples e preciso livro "A revolução dos bichos". Além de usarem obras de Marx e outros como livros sagrados, supostamente dotados apenas de verdades absolutas e irrefutáveis, muitos esquerdistas ainda menosprezam as duras e legítimas verdades históricas dessas revoluções proletárias, com destaque à russa, muito bem sintetizadas por essa obra específica. Quando se é criado dentro de uma bolha ideológica não tem como perceber o que de errado se está fazendo porque são bolhas de profunda conformidade em que reflexões e diálogos verdadeiros são combatidos a todo momento, por mais que sejam palavras comuns no vocabulário de muitos que dizem defender a justiça social e que se sentem confortáveis dentro delas. Também é comum a desumanização em relação àqueles que estão fora da bolha como se tudo o que pensassem estivesse totalmente errado, não apenas em relação às bolhas das esquerdas, pois é uma regra para qualquer ideologia. Vender ao grande público que Venezuela, Cuba, China e até Coreia do Norte são países maravilhosos e que só apresentam problemas por causa das potências capitalistas, especialmente os EUA, ou, que são retratadas de maneira mentirosa pela mídia "ocidental', é como dar um tiro no próprio pé, pela simples razão de não ser plenamente verdadeiro. Demonstra-se altos níveis de doutrinação ideológica, pedantismo e alienação ao mundo fora da bolha. E, novamente, falamos de muita gente que se diz progressista propagando esse catatau de estupidez pelas redes sociais e ingenuamente acreditando que as pessoas se convencerão por si mesmas ou que seus posicionamentos estejam totalmente certos. Estamos falando do mais básico no jogo democrático, de identificação do público com a ideologia e consequentemente com os partidos que a defendem. E melhor ainda se, ao invés de uma ideologia tendenciosamente incompleta em sua compreensão da realidade alcançável, fosse apenas a sabedoria. Mesmo se as esquerdas estivessem 300% certas sobre tudo o que pensam, tal como pensam sobre si mesmas, ainda assim, haveriam de buscar simplificar sua linguagem, de torná-la mais orgânica, acessível, atraente e mais, de pratica-la. Muitos progressistas endossam a teoria, mas não a prática. Dizem que precisamos ser mais solidários e lutar pela igualdade social, mas o estereótipo do esquerdista caviar já está consolidado. Muitos destes pensam que basta defender partidos ditos de esquerda que, pessoalmente, não precisam traduzir o que dizem defender por sua prática. Não estou sugerindo que nos tornemos monges franciscanos, mas que, atitudes solidárias, para começo de conversa, sejam ou se tornem constantes durante nossas existências. Pratica-las, sem esperar por revoluções ou vitórias eleitorais importantes, é um ato, mesmo que limitado, de justiça social. Ainda mais impressionante e necessário se forem praticadas em situações adversas tal como a heroica defesa de judeus por parte cidadãos poloneses durante a invasão e administração nazista do seu país na segunda guerra mundial.  Sua frequência e qualidade mostra o quão compromissado está o indivíduo para com ela. Lembrando que o conhecimento é fundamental para uma prática solidária: característica, eficiente e segura. Do contrário, o risco do fazer o bem ter efeitos colaterais terríveis a médio e longo prazo, será muito alto.

Pela justiça social, não precisamos nos comprometer integralmente com países autodeclarados comunistas e que, na verdade, adotaram os passos equivocados da primeira revolução proletária, na Rússia, resultando lá no estalinismo (traição dos ideais da revolução) e nesses em versões tirânica ou autoritariamente idênticas. Pois, ao fazermos, nos sentimos na obrigação de defende-los, por mais problemáticos e distantes da aplicação absoluta ou utópica da justiça social eles possam estar. Utópica aqui, nunca em um sentido pejorativamente irrealista, mas de idealmente possível ou moralmente/imprescindível. Assim, estamos basicamente dando maior importância à ideologia marxista (um meio) do que aquilo em que se baseia ou prega, a justiça social (seu objetivo).  Isso a fragiliza perante o público maior, quando defendemos países que a adotam/adotaram como bandeira ideológica, mas não como prática padrão. Não é à toa que os hipócritas "conservadores" sejam os que mais adorem essa teimosia progressista, pois assim podem nos apontar, generalizadamente, como os maiores e/ou únicos hipócritas. Percebo que é comum esquerdistas adotarem e replicarem de maneira acrítica esses discursos contraditórios diretamente transmitidos pelo ativismo marxista, sem se darem conta do que são. A ingenuidade retórica  desconcertante de muitos progressistas também têm trabalhado contra o nosso sucesso político. É fato que o marxismo e o progressismo, de maneira geral, sejam os principais defensores da justiça social e, portanto, que exista uma demarcação ideológica ou tendência de adoção por um "lado" do espectro da política. Mas, ao submetermos este ideal máximo às soluções predeterminadas do marxismo, estaremos perdendo o seu poder de, tal como água, se expressar em vários estados, mas, mantendo-se água, de flexibilidade de ser aplicado em uma pluralidade de contextos. O principal problema da justiça social ainda não é se um país é capitalista ou não, mas o nível de caráter de suas "elites' especialmente as sócio-econômicas. É lógico pensar que o capitalismo atraia oportunistas egoístas ao topo de uma sociedade já verticalizada. Até à atualidade, pensadores de esquerda ou, em um sentido mais amplo, progressistas, não chegaram a produzir uma estruturação sistematicamente coerente de conhecimentos ou fatos relacionados à essa área da política ou das ciências humanas, se estão demasiadamente comprometidos em replicar diretrizes rígidas do marxismo e de ideologias próximas, tal como o igualitarismo, em que acredita-se que os seres humanos são todos iguais (não "apenas" em suas essências existenciais) e que apenas as diferenças em seus ambientes que explicam essa diversidade de resultados, por exemplo quanto à variação de capacidades cognitivas. Por essas ideologias, eles culpam a pobreza de qualquer nível como única responsável pela média mais baixa de inteligência em grupo de crianças e adolescentes das classes basais, desprezando o valor correlativo dessa relação e predominantemente intrínseco das capacidades cognitivas, que, claro, precisam de estímulos mas são auto-limitadas, de acordo com o potencial de cada um. Muitos acreditam, ingênua e passionalmente, que esses fatos são, na verdade, malabarismos retóricos da direita conservadora para justificar a desigualdade social, seus privilégios (especialmente para os mais abonados) ou condenar a igualdade como um ideal inalcançável. Mesmo que muitos conservadores assim o façam, isso não elimina o teor factual deste exemplo de contextualização da ideologia igualitarista. Parece que muitos progressistas, herdeiros diretos do iluminismo, sentem a necessidade impulsiva de elaborar "mentiras brancas" ou meias verdades, geralmente inconscientes do que são, para desnaturalizarem (quase) todos os posicionamentos dos seus oponentes. Em outras palavras, ao invés de buscarem se colocar a um nível superior ao conservadorismo, aceitam de bom grado atuarem no mesmo nível que ele, em que se nega a integridade da sabedoria pelo filtro de fatos, separando os que lhes são mais convenientes dos que não são. A priori, a justiça social não precisa de uma estrutura ideológica rígida, tal como é constituído o marxismo, bem como qualquer outra ideologia. Basta a análise dos fatos, sem negar nenhum deles, ponderar/ser racional, ter como preferência a harmonia, a justiça e o conhecimento, principiando pelos mais importantes, que são os existenciais, o nível máximo de moralidade que podemos alcançar. Modéstia à parte, seguir o ideal máximo da justiça social ao invés de me sujeitar à doutrinação marxista é o que eu tenho tentado fazer pelos meus textos e também por minhas ações no cotidiano, o que posso fazer. Isso não significa que esteja desmerecendo Karl Marx, Friederich Angels e seus trabalhos,mas usando-os como auxiliares importantes e não como finalidade máxima, que é a justiça para a harmonia social.