Brigitte Bardot, um dos maiores nomes do cinema francês do século XX, faleceu aos 91 anos em um dos últimos dias de 2025. É fato que o legado que ela deixou vai muito além de uma boa figura, de musa do cinema europeu que encantou plateias e gerações. Pois se Brigitte deixou os holofotes para se dedicar à causa animal, ela também não se poupou de publicar opiniões "duras' sobre diversos temas que, hoje em dia, são considerados muito polêmicos, especialmente por aqueles "à esquerda". Uma ativista literal que colocou a mão na massa durante seus anos de dedicação a uma causa nobre, em contraste a muitos de seus "inimigos ideológicos", que são do tipo que falam muito e fazem pouco ou nada do que falam, teve a "audácia" de não concordar com essa mesma turma de "democráticos" totalitários, quer seja sobre homossexualidade ou imigração. Para mim, mesmo que não concorde com tudo o que ela já disse de "controverso' em entrevistas, não posso deixar de admirá-la pela coragem de ir contra o politicamente correto e também por ter abandonado sua carreira de atriz para ajudar a resgatar e cuidar de animais em situação de vulnerabilidade. E acho que a minha opinião sobre ela busca refletir de maneira mais precisa quem ela foi, o que disse/pensava e fez, do que reduzi-la à identidade de "musa" ou mesmo de "fascista", como eu já li em um comentário de uma oponente cujo debate, no Instagram, se deu a partir da notícia do seu falecimento. Então, pelo menos para mim, Brigitte Bardot nos deixa algumas lições valiosas, como a de julgar uma pessoa especialmente por suas ações e não apenas ou unicamente por suas opiniões, e também de aprendermos a tolerar a complexidade da "pessoa humana", claro, quando não ultrapassa todos os limites aceitáveis, ao invés de sempre nos deixarmos cair em uma dicotomia maniqueísta de julgamento...
Minha lista de blogs
sábado, 17 de janeiro de 2026
Falar sobre Bardot pode ser complexo, mas necessário
quinta-feira, 19 de junho de 2025
On the more "right-wing" interpretation of the fictional romance between Rose and Jack from the film Titanic (1997)
The original synopsis of the fictional romance in James Cameron's film Titanic (1997) is about Rose, a young Englishwoman from the "elite" and the fiancée of an American industrialist, who falls in love with Jack, a talented but poor artist, during the tragic maiden voyage of the Titanic in April 1912; how she never forgot her love for him, many years after the ship sank and Jack's death. It is a simple but no less impactful love story that has moved and continues to move many people since the film was released. However, in recent years, a more "right-wing" interpretation of this romance has emerged, let's say, in which Rose is characterized as a spoiled young woman from the "elite" who falls in love with an unemployed bum, and is ungrateful because she does not reciprocate the "love" (toxic feeling of possession) of her rich fiancé; who keeps for herself a valuable jewel that she received from her ex-fiancé, and who, instead of donating it to charity, one night, when she returns to the place where the Titanic sank, on the Canadian coast, throws it into the sea. Not to mention the contempt she would feel for the man who lived with her all her life. So, Rose's nonconformity regarding the hypocrisy of the social environment in which she lived is reclassified as a defect and not a virtue of character; her love for Jack as impulsiveness and recklessness; her sentimental attachment to that jewel, her only memory of her great love, as selfishness, and the fact that she was unable to nurture the same affection for her ex-fiancé and her husband as ingratitude.
Yes! This is what some people have been thinking about this fictional novel, and it is not limited to it, since this impoverished emotional understanding seems to be the modus operandi of those who only think about money, status... and treat feelings, such as genuine love and friendship, without material interests, with coldness or suspicion. And that, even in relation to a fiction, they cannot understand or accept that there are people who sincerely fall in love with others, or who maintain true bonds of good feelings without greater pretensions, who do not treat life only as obligations, rules, rankings and accumulation of "wealth".
Furthermore, it is also a somewhat hypocritical interpretation, when dealing with people who tend to put money or material wealth above life, and who, if they had possession of a very expensive piece of jewelry, it is very likely that they would use it for themselves.
Sobre a interpretação mais "à direita" do romance fictício entre Rose e Jack do filme Titanic (1997)
A sinopse original do romance fictício do filme de James Cameron, Titanic (1997), se trata de Rose, uma jovem inglesa de "elite" e noiva de um industrial americano, que se apaixona por Jack, um artista talentoso, mas sem eira nem beira, durante a viagem inaugural e trágica do navio Titanic, em abril de 1912; de como ela nunca se esqueceu do seu amor por ele, muitos anos depois do naufrágio do navio e da morte de Jack. É uma história de amor simples, mas não menos impactante, que emocionou e ainda emociona muita gente desde o lançamento do filme. No entanto, nos últimos anos, surgiu uma interpretação, digamos, mais "à direita", sobre esse romance, em que Rose é caracterizada como uma jovem mimada de "elite" que se apaixona por um desempregado vagabundo, e ingrata, por não corresponder ao "amor" (sentimento tóxico de posse) de seu noivo rico; que guarda para si uma jóia de alto valor que ganhou de seu ex noivo, e que ao invés de doa-la para a caridade, em um certa noite, quando retorna ao local onde o navio Titanic afundou, na costa canadense, joga essa jóia no mar. Sem falar do desprezo que sentiria pelo homem que viveu com ela por toda sua vida. Então, o inconformismo de Rose em relação à hipocrisia do ambiente social em que vivia é reclassificado como um defeito e não uma virtude de caráter; seu amor por Jack como impulsividade e imprudência; o seu apego sentimental por aquela jóia, sua única lembrança que guarda do seu grande amor, como egoísmo, e o fato de não ter conseguido nutrir o mesmo afeto pelo seu ex noivo e pelo seu marido como ingratidão.
sábado, 15 de março de 2025
Por que eu não torci para o filme "Eu ainda estou aqui"?
Porque seria o mesmo que torcer para a hipocrisia, o cinismo, o fanatismo...
segunda-feira, 18 de março de 2024
Sobre o ''paradoxo temporal'' mais famoso do cinema/About the most famous ''temporal paradox'' in cinema
Sobre o ''paradoxo temporal'' mais famoso do cinema
Parece que tem gente achando que só existe uma possibilidade de paradoxo temporal e com base no filme "De Volta para o Futuro", em que a mudança de um evento em um cenário hipotético de viagem no passado e com protagonismo errático do viajante pode desencadear mudanças em outros eventos, alterando o futuro.
Pode ser e pode ser que não.
Tal como no caso do paradoxo temporal mais famoso do cinema, do primeiro filme da franquia "O Exterminador do Futuro", em que Kyle Reese volta ao passado, identifica, protege e até engravida Sarah Connor, antes de morrer e deixar como legado nada mais nada menos que John Connor, o líder dos rebeldes humanos contra as máquinas que, em um futuro distópico, dominam o mundo. Pois uma explicação para essa mudança tão significativa de sequência de eventos é que Kyle não era uma personagem central na história do futuro e, então, seu "sacrifício" não gerou grande repercussão mais tarde. Outro paradoxo sem explicação é que, sem a vinda do Kyle e do primeiro exterminador, como é que a Sarah teria compreendido o que estava para acontecer e preparado o filho para o pior?? Ou, então, ela teria tido ele e levado uma vida normal até o apocalipse nuclear, causado pelo "despertar" das máquinas, em que ele teria sobrevivido (ela teria morrido de câncer antes), e o John já apresentar qualidades de liderança, resiliência e coragem sem precisar ter passado por perseguições de exterminadores. Aliás, a existência da foto da Sarah que o Kyle levava não faz sentido nenhum, já que foi tirada logo depois da morte do Kyle, que o seu filho teria guardado e dado ao Kyle em um futuro "anterior" à sua vinda. Sei lá, essa história é muito boa, mas está parecendo mais uma confusão temporal do que paradoxo. A única salvação para isso seria se tivessem tirado a mesma foto dela, talvez no mesmo lugar, ou parecido, mas em um contexto completamente diferente, sem saber o que iria acontecer e grávida de outro homem, claro...
About the most famous ''temporal paradox'' in cinema
It seems that there are people thinking that there is only one possibility of temporal paradox and based on the film "Back to the Future", in which the change of an event in a hypothetical travel scenario in the past and with the erratic protagonism of the traveler can trigger changes in other events, altering the future.
Maybe and maybe not.
As in the case of the most famous temporal paradox in cinema, the first film in the "Terminator" franchise, in which Kyle Reese returns to the past, identifies, protects and even impregnates Sarah Connor, before dying and leaving behind nothing more than John Connor, the leader of the human rebels against the machines that, in a dystopian future, dominate the world. Because one explanation for such a significant change in the sequence of events is that Kyle was not a central character in the future story and, therefore, his "sacrifice" did not generate much repercussion later. Another unexplained paradox is that, without the arrival of Kyle and the first exterminator, how would Sarah have understood what was about to happen and prepared her son for the worst? Or, alternatively, she would have had him and led a normal life until the nuclear apocalypse, caused by the "awakening" of the machines, in which he would have survived (she would have died of cancer beforehand), and John would already show leadership qualities without having to go through exterminator persecution. In fact, the existence of Sarah's photo that Kyle was carrying makes no sense at all, since it was taken shortly after Kyle's death, which his son would have kept and given to Kyle in a future "before" his arrival. I don't know, this story is very good, but it seems more like a temporal confusion than a paradox. The only salvation for this would be if they had taken the same photo of her, perhaps in the same place, or similar, but in a completely different context, without knowing what would happen and pregnant by another man, of course...
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024
Sobre uma dicotomia político-cinematográfica: Blanche (esquerda) versus Stanley (direita) e com muitos "spoilers"
Texto originalmente publicado em 22 de janeiro de 2016 em um velho blog e cuja ideia principal irei comentar novamente aqui...
domingo, 10 de dezembro de 2023
A dissonância entre a crítica de cinema especializada e o público. Quem está mais com a razão?? Por que existe essa dissonância??
sábado, 9 de setembro de 2023
"Conta Comigo" e a imersão à vida
Eu vi, depois de um bom tempo sem a sua magia. Vi, com os preconceitos de um pós moderno que eu não sou. Vi e ouvi dublado, queria a mesma sensação das outras vezes. Me surpreendi com a sua seriedade. Me encantei novamente, como havia imaginado. Foi um arrebatamento. Aquela peça de arte que sequestra a alma por um momento. O seu eco continua até hoje, meses depois. O mesmo eco que me fez voltar a vê-lo. No original, se chama O Corpo. Sim, foi o corpo do meu espírito que me deixou por mais de uma hora. Meu pai, quando ainda era vivo, me perguntou o que estava vendo. Eu poderia chamá-lo de Imersão. Não preciso dizer que é sobre a vida. Aquele filme em que todas as cenas são sobre a vida. Aquela ficção que foi filmada no meio da década de 80 e se passa há uns 30 anos antes. Apenas amizades, desafios e uma narrativa fluindo como água limpa de um riacho, melodia e ritmo perfeitos. Imersão, em nós mesmos, nas emoções mais básicas. E o desfecho então... Ensina mais que todos os livros sagrados juntos. Nada mais sagrado que o amor entre amigos, irmãos... Pode contar comigo, de filmes lindos eu não me esqueço.
sábado, 15 de julho de 2023
A atual decadência do cinema estadunidense e o que os melhores filmes têm a ver com isso??
Se não for muita ignorância de minha parte considero o filme Interestellar o maior filme de ficção científica de Hollywood da última década e, até o momento em que escrevo esse texto, nesse ano de 2023 "d.c", não tenho conhecimento de outro filme que o tenha superado, que pode ser considerado um mal sinal se estamos falando de quase 10 anos de diferença, se já era para terem aparecido filmes desse gênero e, no mesmo nível, porque era justamente o que acontecia há três, quatro décadas atrás. Também não faz sentido por causa dos recentes avanços da astronomia, fonte inesgotável de criatividade para as artes, especialmente para a sétima. Então, a falta de filmes excepcionais, produzidos pelos estúdios de Hollywood (Disney...), que não são remakes (destacando que a grande maioria dos remakes dos últimos anos também não têm agradado em qualidade) é apenas um dos sintomas de sua decadência. Pois uma das causas mais importantes para a mesma é o patrulhamento ideológico-identitário que tomou conta de Los Angeles (Orlando...), resultando em um aumento considerável de filmes homogeneamente submissos a esse patrulhamento, baseado em uma abordagem repetitiva e cansativa das mesmas pautas sociais e narrativas ideologicamente viciadas, com uma constante desconstrução de papéis típicos e "licença poética" para enfiar "diversidade" racial mesmo em filmes históricos que se passam em espaços-tempos monoétnicos ou em "remakes" de filmes consagrados que, originalmente, tinham elencos menos "diversos", tudo isso para supostamente "resolver" o problema da falta de representatividade de minorias raciais e sexuais* na indústria do cinema do Tio Sam, mas também, é claro, para continuar ganhando muita verdinha $$$...
