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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Quanto vale um esquerdista? E a extrema conveniência da "narrativa do oprimido"

Um professor tipicamente defende seus interesses como pertencente a uma classe profissional pela qual "atua'. E especialmente isso. Mas lhe é muito conveniente aderir a uma narrativa que, além de alça-lo a uma posição simbolicamente superior de importância social, ainda associa a defesa dos seus interesses aos interesses das classes desfavorecidas... Isso é muito, mas muito conveniente, porque dá a entender que ele também defende os interesses dos mais pobres. No entanto, as ações dizem mais do que apenas a defesa de discursos vagos. E elas nos mostram que a maioria da classe de "educadores", se no Brasil ou nos EUA, pensam primariamente nos próprios interesses. São tão mesquinhos quanto qualquer outro grupo humano. Além disso, se acham muito importantes para a sociedade (existem vários pontos "sensíveis" que colocam em cheque essa crença muito popular entre eles que eu comentei em outros textos). Como já comentei antes, se um partido de "extrema direita' defendesse um aumento muito grande dos seus salários, não duvidem se a maioria mudasse do dia para a noite de ideologia. No fundo, não devem ser muito diferentes de mercenários; bem como de prostitutas. Se vendem para quem pagar mais... Mas novamente, tendo uma narrativa que prega pelo "amor" e a "solidariedade" (da maneira mais cínica e mal intencionada possível) ao seu lado, pode te servir maravilhosamente para ser usada como escudo moral, especialmente se mostra que tem desvios de caráter ou de discernimento...

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Sobre uma pergunta, múltiplas perspectivas e racionalidade

 Kim Jong Un está certo sobre alguma coisa?? 


Essa pergunta pode parecer absurda especialmente para largas instâncias do espectro político-ideológico, porque se tratando de um ditador sanguinário e cruel, é de se esperar que, conclusivamente, ele seja um sujeito completamente equivocado quanto às suas crenças ou valores e trajetória de vida. Sua balança moral se, por uma análise mais racional*, pende inexoravelmente para um julgamento duro, de acordo com a sua conduta durante o seu ciclo de existência. No entanto, mesmo que não seja necessariamente relevante saber no que ele está certo, se em termos morais ou factuais, é relevante saber que ele está, em relação a, pelo menos, alguma coisa. Porque qualquer ser humano está, mesmo o mais cruel ou insano de nós. Mesmo alguém que está delirando no meio da rua entregue a uma psicose fora de controle, ou que acumula um currículo macabro de milhões de mortes indiretas, tal como costuma acontecer com um ditador cruel. Ainda assim, é racional entender que, mesmo um sujeito muito impiedoso, como o do exemplo, vai estar certo sobre alguma coisa, por ser possível ter uma perspectiva conclusiva sobre determinado sujeito, grupo ou ideologia, mas, ao mesmo tempo, conseguir abarcar outras perspectivas, como aquela em que, se conclui, com base em uma universalidade humana: de que todo sujeito de nossa espécie que é minimamente funcional em termos cognitivos, independente do quão mau ou insano possa ser, ainda está certo sobre alguma coisa. Ou mesmo de se buscar esmiuçar em detalhes quais seriam os pontos não-equivocados. 

E isso também inclui grupos ou ideologias...

Essa é a diferença entre sempre se buscar por uma perspectiva conclusiva e binária e de buscar ampliar o rol de perspectivas sobre tudo, sem que essa adição anule ou reduza a importância das mais hierarquicamente importantes ou relevantes para o nosso discernimento. 

De: se Kim Jong Un pode estar certo sobre algo, ele continua sendo um facínora com muito sangue nas mãos.

Ou de também: se a ideologia dominante da Coreia do Norte é conclusivamente desprezível, ainda podem existir, ou existem aspectos sensatos, por exemplo, a ênfase na coletividade sobre o individualismo, o oposto do que acontece, atualmente, no mundo ocidental... 

Mesmo nesse aspecto, é factual ponderar que é apenas primariamente positivo, já que o coletivismo típico de uma sociedade totalitária, como essa, significa a total submissão do indivíduo ao coletivo... Portanto, mesmo um aspecto ou ângulo específico sobre certa ideologia, sociedade ou indivíduo, pode conter mais complexidade ou variação de qualidade.

* A moralidade, a partir de um conceito mais objetivo, pode ser determinada como tudo o que é definido como "certo", "negociável" e "errado", primeiramente de acordo com as necessidades de cada indivíduo ou grupo. Então, a partir de um conceito mais universal, pode ser definida como tudo o que é imprescindivelmente necessário ou inevitável de ser praticado por um indivíduo ou grupo visando sua própria sobrevivência, o que exclui disfunções orgânicas ou mentais da mente humana em que essa regra lógica é constantemente quebrada, tal como no caso de um transtorno de personalidade antissocial, em que o certo e o errado não são determinados pela ponderação, mas pela falta da mesma, do agir de maneira extrema ou cruel sem necessidade, além do desejo sádico de agir assim...

Um exemplo muito relevante que tem uma influência extrema no mundo atual: o nazismo e a crítica tipicamente extremista e binária que se faz sobre ele e sobre outros tópicos aos quais se relaciona variavelmente...

Está sempre errado?? Tudo o que defende ou tudo o que pregou?? 

Amar a própria raça ou etnia, um exemplo do que pregou, não está errado. Enfatizar os "bons costumes", especialmente os mais objetivamente certos, como uma constituição familiar estável, não está de todo errado. Mesmo quanto a certas crenças de caráter mais político e contextual, por exemplo, o ódio ao povo judeu, errou muito mais em seu excesso de generalização do que, como afirmam a grande maioria dos "anti nazistas", de estar completamente errado, como se séculos de perseguição a esse povo não tivessem qualquer respaldo lógico com base em suas atitudes, especialmente de suas "elites" político-econômicas. E sem que isso tenha que resultar ou retornar a uma conclusão extremista ou binária de: "se os nazistas não estavam totalmente errados sobre os judeus, então, estavam totalmente certos"... 

O método das múltiplas perspectivas, característico de uma abordagem mais racional, é basicamente o de aprender a detectar e compreender nuances, justamente o que mais falta quando, em um debate, X afirma que XX está (totalmente) certo e Y afirma que está (totalmente) errado... É mais uma discussão inútil que não chega a lugar nenhum ou se chega é a um lugar de ignorância e distorção do que de esclarecimento. 

Não temos que odiar um povo inteiro, mas também não devemos adorá-lo de maneira acrítica, principalmente se não há razão para fazê-lo. 

Não temos que odiar nossa raça ou etnia ou odiar outras raças ou etnias. Mas também não temos que abraçar extremismos positivos ou negativos sobre as nossas ou as dos outros.  

Se eu escolho X, não significa que tenha que excluir totalmente Y. 

É possível concluir que Kim Jong Un ou Adolf Hitler estão certos sobre alguma coisa, como todo ser humano está, e sem que isso signifique adorá-los, e mesmo se devemos detestá-los. E o mesmo pode ser dito sobre qualquer ideologia...

Pois o que mais nos afeta negativamente, até hoje em dia, é justamente esses extremismos binários se passando como "normalidades", se revezando no poder e disputando territórios, ao invés de serem identificados pelo que são: como manifestações indiscutíveis de irracionalidades aplicadas...

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Mais fiapos sinceros

 "Eu respeito o direito de ir e vir"


Marxiste defendendo sua opinião sobre imigração (sem controle), especialmente para países de ''maioria branca' ("opressora"), enquanto finge que não vê o mesmo direito sendo completamente proibido em seus países de estimação, como Cuba...


Resumão do pseudo intelectual (especialmente o "de esquerda"): uso abusivo de um modo de falar e escrever pedante que o faça se sentir mais inteligente que o homem comum e mais sábio que o homem mais inteligente


Ou você é coletivista ou você é inteligente 


Um indivíduo muito coletivista é o equivalente humano a uma formiga ou abelha: um indivíduo mais nominal do que integral. 


Um traço pouco apreciado de um indivíduo altamente racional é sua capacidade de não se desviar do que é mais importante, em termos de realismo, começando pelos conhecimentos mais básicos, como a geografia e a psicologia, até por também serem os conhecimentos mais influentes e constantes na vida humana


A inteligência humana é plástica, mas sua plasticidade é, obviamente, limitada, afinal, não existe nada nesse mundo ou, dentro desse mundo, que tenha um potencial de desenvolvimento infinito... 


Os "normies" das novas gerações estão ficando mais estúpidos, hoje em dia, por causa do próprio processo de estupidificação cultural (ou desincentivo da inteligência/além do processo de disgenia em que os menos inteligentes têm gerado mais descendentes do que os mais inteligentes)?? Ou eles sempre foram mais limitados e a cultura anterior apenas não deixava isso explícito (justamente por enfatizar a inteligência, mas não em todas as instâncias)?? 


Não saber sobre certos conhecimentos básicos, como a geografia, necessariamente não torna alguém estúpido "em tudo", uma associação fácil e popular em redes sociais, atualmente (ano 2025/2026...). Mas saber muito pouco sobre geografia é um exemplo provável de que a inteligência racional, nossa bússola para o realismo, encontra-se pouco estimulada ou subdesenvolvida, se comparada com o que seria o seu ideal. 


 ''A moralidade objetiva não existe em um sentido empírico''


A moralidade objetiva existe, em sua essência, em todo ser vivo que busca por sua própria sobrevivência e começa, a priori, com o desejo minimamente consciente ou objetivo de não se autoexterminar. E esse desejo pode ou não ser estendido a outros indivíduos... 


Enquanto a direita é muito mais diversa em seus subgrupos de pensamento ou ideologia, a esquerda é muito mais compacta e homogênea, bem típico de seitas ou cultos, em que seus membros são facilmente identificados pelos seus padrões altamente estereotipados ou coletivizados de pensamento. Também pudera, se a direita representa a maioria da população humana...


Justamente aqueles que mais criticam a estereotipação, são os que mais estereotipam, inclusive a si mesmos 


A sensação de estar só: na dor de uma decepção, frustração ou de uma tristeza qualquer, é muito ruim, mas que pode facilmente ser revertida para uma sensação de alívio quando se percebe que não se está só ou mesmo que existem aqueles em situação pior 


Talvez, a maior diferença entre um progressista autêntico e um podrecista, um progressista falso ou muito insuficiente, é que o primeiro não apresenta uma seletividade crônica de empatia com situações, contextos e causas, induzida por ideologia ou política


A "esquerda" dobra a aposta 


De novo, sobre o que já comentei, o ciclo da estupidez humana, em que ideologias insensatas têm sido as maiores protagonistas. 


Veja o exemplo da justiça em que, se no passado, apenas os mais ricos que saíam impunes pelos seus crimes no Brasil, agora, com a introdução de abordagens "antipunitivistas", criminosos de classe baixa também estão sendo liberados mesmo depois de cometerem muitos crimes. Isso é dobrar a aposta. É o mesmo que, ao invés de resolver um problema, de piorá-lo 


O esquerdista médio é APENAS um pedante,intelectualmente. Já o direitista médio, pelo menos, não é FALSO, apenas um Zé Ninguém, ainda assim funcionalmente inteligente em um aspecto muito básico. O esquerdista médio tende a ser intelectualmente disfuncional.

sexta-feira, 29 de novembro de 2024

Como que racionalidade e moralidade se relacionam??/How are rationality and morality related?

 Uma pessoa muito racional apresenta um ímpeto e também uma capacidade, ambos plenamente desenvolvidos, de sempre buscar por evidências antes, mas também durante e depois de julgar qualquer tópico que se torne de seu interesse (inclusive julgando a si mesma quanto à sua capacidade de analisar e julgar específico a cada tópico). Em outras palavras, por ser mais sensata e ponderada, tende a pensar e agir de maneira mais justa, se a justiça, em sua prática mais ideal, e não apenas como sinônimo estrutural de poder aplicado, se norteia pela busca imparcial por evidências ou fatos. Pois a partir do que foi comentado acima, parece que se torna evidente que, maior a capacidade racional de uma pessoa, maior a sua capacidade de discernir o que é fato e o que é boato, verdadeiro ou falso, e isso obviamente também se aplica ao campo da moralidade, do que é considerado certo, negociável e errado. Portanto, a racionalidade mostra-se fundamental para a prática da justiça, porém frequentemente negligenciada, desde os processos de julgamento por acusação de crime prescrito no código penal até na elaboração e aplicação de políticas públicas.


A highly rational person has a drive and a capacity, both fully developed, to always seek evidence before, but also during and after judging any topic that becomes of interest to him (including judging himself regarding his ability to analyze and judge specific to each topic). In other words, because he is more sensible and thoughtful, he tends to think and act more fairly, if justice, in its most ideal practice, and not just as a structural synonym for applied power, is guided by the impartial search for evidence or facts. From what was commented above, it seems clear that the greater a person's rational capacity, the greater her ability to discern what is fact and what is rumor, true or false, and this obviously also applies to the field of morality, of what is considered right, negotiable and wrong. Therefore, rationality is fundamental to the practice of justice, but is often neglected, from trial processes for accusations of crimes prescribed in the penal code to the development and implementation of public policies.

quarta-feira, 24 de julho de 2024

A filosofia, idealmente, moraliza a ciência /Philosophy, ideally, moralizes science

 Porque, sem a moralização da filosofia, isto é, sem a construção de uma consciência crítica, diga-se, da única e verdadeira filosofia, que é a sabedoria, a ciência inevitavelmente se torna antiética, se servindo como um meio para fins escusos (como tem acontecido, historicamente), mas mesmo se se expressasse como um mero passatempo de curiosidade, já que acabaria justificando a crueldade como necessária ou inevitável para a investigação científica.


Portanto, a filosofia atuaria como a base teórica e ideológica da ciência, mas também como um complemento necessário de direção ideal.

Pois se a ciência se especializa ou se divide em muitas áreas de investigação e expansão do conhecimento, a filosofia, idealmente, atua como um farol de sanidade máxima que sempre busca pelo julgamento mais sensato e que, em complemento à ciência, é vital para que não se perca do caminho da sabedoria (como tem feito, historicamente). E o pensamento ou julgamento mais sensato de todos é o de sempre apontar para as verdades mais importantes, que são as mais derradeiras, como a finitude e a igualdade essencial da vida e a ausência de um sentido que explique a existência de maneira que satisfaça as expectativas humanas; sempre lembrando à ciência que tudo o que se faz, no final, nada mais é do que "enxugar gelo".


 Because, without the moralization of philosophy, that is, without the construction of a critical consciousness, by the only and true philosophy, which is wisdom, science inevitably becomes unethical, serving as a means for hidden ends ( as has happened, historically), but even if it were expressed as a mere pastime of curiosity, as it would end up justifying cruelty as necessary or inevitable for scientific investigation.

Therefore, philosophy would act as the theoretical and ideological basis of science, but also as a necessary complement of ideal direction.

For if science specializes or is divided into many areas of investigation and expansion of knowledge, philosophy, ideally, acts as a beacon of maximum sanity that always seeks the most sensible judgment and which, in addition to science, is vital for do not lose its way from the path of wisdom (as it has historically done). And the most sensible thought or judgment of all is to always point to the most important truths, which are the most ultimate, such as the finitude and essential equality of life and the absence of a meaning that explains existence in a way that satisfies human expectations; always reminding science that everything we do, in the end, is nothing more than "wiping ice".

quarta-feira, 17 de abril de 2024

A racionalidade é sobre.../Rationality is about...

... Reconhecer fatos (padrões verdadeiros, evidências...), distingui-los de falsificações da realidade, e julgar a partir dos primeiros. 

Mas isso também inclui todos os fatos ou verdades, inclusive os existenciais, que são os mais básicos, absolutos e/ou importantes.

É por isso que a moralidade ou, o que fazer, a partir de uma abordagem idealmente racional, se busca evitar o uso da força ou agressão como primeira opção de abordagem (sempre que o contexto for favorável ao diálogo ou à outra abordagem não-invasiva), por enfatizar o que temos de essencial, que é a nossa igualdade enquanto seres vivos, temporários, frágeis e insignificantes diante da imensidão impensável do universo em que existimos, de nos tratarmos como iguais em essência, primariamente dignos da mesma consideração e respeito que, normalmente, delegamos a nós mesmos. No entanto, a busca incessante por fatos almejando uma melhor compreensão da realidade também implica na ênfase em uma outra perspectiva básica e onipresente, a das diferenças e, consequentemente, das nossas, individuais e de grupo, que pode ser muito útil para se proteger das más intenções ou ignorância de quem não é capaz de compreender e enfatizar no que temos de mais essencial, especialmente no caso de se ser capaz de alcançar esse nível hiperrealista* de consciência e se manter nele... 

*O mais realista,filosófico e,portanto,racional

Rationality is about...

... Recognize facts (true patterns, evidence...), distinguish them from falsifications of reality, and judge based on the former.

But this also includes all facts or truths, including existential ones, which are the most basic, absolute and/or important.

This is why morality or, what to do, from an ideally rational approach, seeks to avoid the use of force or aggression as the first approach option (whenever the context is favorable to dialogue or another non-invasive approach ), for emphasizing what is essential to us, which is our equality as living beings, temporary, fragile and insignificant in the face of the unthinkable immensity of the universe in which we exist, of treating each other as equals in essence, primarily worthy of the same consideration and respect as We usually delegate to ourselves. However, the incessant search for facts aiming for a better understanding of reality also implies an emphasis on another basic and omnipresent perspective, that of differences and, consequently, ours, individual and group, which can be very useful to protect ourselves from bad intentions or ignorance of those who are not capable of understanding and emphasizing what is most essential to us, especially in the case of being able to reach this hyperrealistic* level of consciousness and stay there...

*The most realistic, philosophical and, therefore, rational

quarta-feira, 21 de junho de 2023

Simplificando moralidade à direita, à esquerda e o ideal (filosófico)

 À direita


"Apenas a minha cultura/moralidade que está certa ou que é a mais certa... porque é a minha, porque é A verdade" 

"Existe certo e errado. E o certo é tudo o que eu acredito"

À esquerda 

"Nenhuma cultura está mais certa que a outra"

"Não existe certo e errado (apesar de, na prática, agir de maneira oposta ao que prega)"

E o ideal

"Alguns valores culturais, ou morais, são bem mais ponderados que outros, porque se baseiam em fatos e não em suposições tomadas como tal, isto é, pelo melhor julgamento possível, que se dá pela busca da verdade objetiva e imparcial. Portanto, não são cruéis, desnecessários, excessivos e/ou injustos" 

"Existe certo, negociável e errado, primeiramente porque existem critérios específicos. Especial e, idealmente para o ser humano, o mais certo é o que se baseia na verdade ou no conhecimento, no que é o mais justo... isto é, a partir do máximo aproveitamento de sua inteligência, de seu poder de análise e discernimento".

quinta-feira, 15 de junho de 2023

O nível mais alto de moralidade é a racionalidade

Justamente por causa de sua objetividade e imparcialidade, por não ser apenas uma pretensão ou presunção de afirmar que o que diz ou prega é a verdade, de buscá-la, de fato, e então pela justiça, por sua prática legítima e sistemática. 

quinta-feira, 25 de maio de 2023

O pensamento moral é um pensamento existencial

 Sobre o que se considera como certo, necessário, adaptativo, verdadeiro, justo, seguro ou o oposto, a princípio, independente do resultado, é uma discussão sobre a natureza de tudo o que se pensa, se sente e se faz, portanto, puramente existencial ou sobre o que existe, incluindo e especialmente sobre nós mesmos. 

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023

Um exemplo de relativismo moral/cultural e subsequente problematização

 Trecho do livro: Sapiens, Uma breve história da humanidade, de Yuval Harari, sobre uma tribo indígena, os achés: 


" ... caçadores-coletores que viveram nas florestas do Paraguai até a década de 1960.

 ... quando morria um membro importante do bando, eles costumavam matar uma menina e enterravam os dois juntos... quando uma mulher aché idosa se tornava um fardo para o resto do bando, um dos homens mais jovens se esgueirava por trás dela e a matava com um golpe de machadinha na cabeça. Um homem do grupo contou aos antropólogos curiosos histórias de seus anos dourados na floresta.

'Eu costumava matar as velhas. Matei minhas tias... As mulheres tinham medo de mim. Agora, aqui com os brancos, fiquei fraco'.

Bebês nascidos sem cabelo, considerados por isso insuficientemente desenvolvidos, eram mortos de imediato. Uma mulher se recorda de que sua primeira filha foi morta porque os homens não queriam mais uma menina no grupo. Em outra ocasião, um homem matou um garoto porque estava de mau humor e a criança chorava. Outra criança foi enterrada viva porque 'tinha aparência engraçada e fazia as outras crianças rirem' ...

No entanto, devemos ter cuidado para não julgar os achés de modo muito superficial. os antropólogos que viveram com eles durante anos relatam que a violência entre adultos era muito rara. Homens e mulheres tinham a liberdade de mudar de parceiros à vontade. Eles sorriam e gargalhavam constantemente, não possuíam um líder hierárquico e em geral rejeitavam as pessoas dominadoras. Eram muitíssimos generosos com suas poucas posses e não tinham obsessão por sucesso ou riqueza. As coisas que mais valorizavam na vida eram as boas interações sociais e as amizades íntimas. Viam a eliminação de crianças, doentes e velhos como muitas pessoas hoje em dia veem o aborto e a eutanásia. Vale notar também que os achés foram caçados e mortos sem piedade por fazendeiros paraguaios. A necessidade de escapar de seus inimigos provavelmente os levou a adotar uma atitude bastante dura com relação a qualquer um que pudesse representar a fraqueza do bando. 

A verdade é que a sociedade aché, como toda sociedade humana, era muito complexa. Devemos evitar sua demonização ou idealização com base num conhecimento superficial. Os achés não eram nem anjos nem demônios - eram humanos. Assim como os antigos caçadores-coletores."

Problematizando...

1. Todos os achés cometiam esses atos de extrema crueldade??? 

Bem, por esse trecho e os relatos contidos nele, nota-se que eram mais comuns de serem praticados por homens e que suas vítimas tendiam a ser do sexo feminino ou crianças... 

Todas as mulheres idosas achés que, por causa da idade avançada, apresentavam mais dificuldade para cooperar com o seu grupo, aceitavam o seu destino de serem assassinadas por homens mais jovens?? 

Provavelmente não. Perceba que, no relato do trecho, um homem, depois de dizer que "matou suas tias" revelou que "as mulheres tinham medo dele...".

É quase certo de se concluir que esses atos cruéis jamais seriam cometidos por indivíduos plenos de suas capacidades racionais.

Transtornos de personalidade, como a psicopatia e a sociopatia, provavelmente já existiam entre os seres humanos pré-históricos, assim como também em comunidades remanescentes de caçadores-coletores. Portanto, mesmo se fossem práticas ou comportamentos "endêmicos", não é possível justificá-los como "apenas cultural", se provavelmente outros membros do mesmo grupo não concordavam/concordam com os mesmos.

Como eu já comentei, em minha crítica ao modo com que o anacronismo histórico tem sido aplicado (tratado como sinônimo de relativismo moral),  concluir que atos de crueldade praticados em determinada sociedade, se do passado ou atual, são apenas parte de sua cultura é o mesmo que silenciar vozes que discordavam ou discordam dos mesmos, incluindo, em especial, suas vítimas. É exatamente o mesmo que reduzir a complexidade dessas sociedades a uma suposta conformidade social absoluta, mesmo em relação aos atos mais insensatos, tratando-os como se fossem "práticas culturais" triviais tal como tipos de dança ou técnicas de ornamentação. 

2. A maioria das pessoas que, atualmente, são favoráveis ao aborto e à eutanásia, jamais concordariam com esses atos. Primeiro, porque defendem, não pelo aborto em si, mas pela autonomia da mulher em relação ao seu próprio corpo, especialmente quanto à liberdade de poder praticá-lo quando achar necessário ou inevitável. Além disso, aborto não é exatamente o mesmo que infanticídio, ainda mais em casos como os de gravidez de risco ou por estupro. 

Segundo, em relação à eutanásia, é importante diferenciar assassinato de idoso, no sentido de geronticídio, que é o homicídio por causa da condição de velhice de um indivíduo, e de uma vontade do mesmo indivíduo em tirar a própria vida, quer seja por doença incapacitante ou outra razão que possa servir como justificativa, inclusive a própria velhice. 

Essa foi, com certeza, uma comparação infeliz, ainda que não discorde totalmente desse trecho, pelo que o autor escreveu. 

3. Por fim, temos uma tentativa de Yuval Harari, de justificar esses atos ao destacar que, 'fazendeiros paraguaios caçavam e matavam índios achés sem piedade e que, portanto, foram forçados a adotar uma atitude dura consigo mesmos'. 

Mas, o que uma menina qualquer, uma criança com um rosto diferente ou um bebê que nasce sem cabelo têm a ver com isso?? 

Nem nos casos de idosos e doentes, eu poderia apostar alto que era mais complexo do que acreditar que todos da tribo concordavam com os seus assassinatos, mesmo se ninguém expressasse sua discordância, porque mesmo na tribo mais isolada ou com o menor número de membros, é muito provável que não existe "unanimidade absoluta". E ainda me parece exagerado pensar que, apenas uma mulher idosa poderia causar tantos transtornos a um grupo a ponto de não restar outra alternativa a não ser matá-la. Duvido muito que ninguém lamentasse o assassinato de uma pessoa e de forma tão brutal, tal como nos casos relatados de crueldade nessa tribo indígena, e apenas por isso já pode ser um indicativo de que não havia ou não há absoluta concordância. Isso também significa que concepções praticamente universais de moralidade, tal como a empatia, a compaixão e a justiça, também existem em culturas ancestrais, da mesma maneira que existe a crueldade. 

... 

Será um tipo de falácia?? 

Eu até pensei em um termo pra ela: "generalização coletiva por ações individuais".

Tal como: alguns indivíduos de uma tribo cometem atos cruéis, recorrentes ou isolados. Logo, esses atos são práticas "culturais" ou da cultura, isto é, da tribo... 

Ou, na verdade, atos cruéis cometidos por indivíduos são só isso mesmo?? 

Até parece um tipo mais sutil de narrativa do "bom selvagem".

Como conclusão, como eu já comentei acima, não discordo de tudo sobre o trecho que selecionei deste livro porque, de fato, não podemos demonizar e nem idealizar sociedades culturalmente distintas das "nossas', mediante a complexidade cultural ou moral e intelectual envolvidas. Mas isso não significa que, então, devemos considerar tudo o que fazem, mesmo práticas recorrentes de crueldade, que não são atos individuais isolados, como "apenas parte de suas culturas", se o ideal seria de tratá-los pelo que são, atos cruéis ou racionalmente injustificáveis, e que foram ou são mais propensos de serem praticados por certos indivíduos do bando e não por todos ou por qualquer indivíduo. 

Também é muito importante ressaltar que, assim como os conhecimentos natural e técnico têm evoluído ao longo do tempo, por exemplo, a invenção da roda à invenção do ônibus espacial, o mesmo acontece com o conhecimento moral, complementado pelos saberes de outras disciplinas, de "deus castiga quem apresentar determinado comportamento" para "determinado comportamento é ou não é equivocado pelas seguintes razões objetivas".

Novamente, mesmo se todos de uma sociedade hipotética estivessem aparentemente conformados às suas regras sociais, essa conformidade é quase sempre mais superficial do que genuína, porque no interior de cada pessoa que vive nessa ou em qualquer outra cultura é esperado que existam níveis variados de concordância ao que é imposto, um longo e geralmente silencioso espectro de diversidade de opiniões e pensamentos. 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

Narrativa típica da "esquerda woke" e sua interpretação factual ou filosoficamente correta

 Caricatura proposital para enfatizar os níveis de simplismo, ignorância ou parcialidade e incoerência desse tipo de narrativa: 


"Brancos europeus escravizaram negros africanos e essa prática é moralmente errada por ser racismo...

Já a escravidão praticada entre povos das civilizações pré-colombianas, incluindo a prática de sacrifícios humanos, não era moralmente errada porque era considerado normal pra eles... mas também porque não era praticada por brancos racistas" 

Basicamente: 

" 'Homem branco' mau;

'Homem não-branco' bom "

Interpretação filosoficamente correta ou mais racional (justa aos fatos):

Uma relativa minoria de brancos, indiferentes e obedientes ou a mando de suas 'elites' monárquico-burguesas, traficou milhões de negros da África para as Américas, por quatro séculos, também se aproveitando da escravidão que já era praticada entre tribos africanas. 

Essa prática está moralmente errada por ser irracional: cruel, extrema, desnecessária e sim, racista, mas não "apenas" por ter sido praticada contra negros e sim por generalizar (no sentido de totalizar) um grupo racial. 

Pois, durante essa mesma época, milhões de brancos na Europa, especialmente os mais pobres, também foram oprimidos por suas 'elites' dominantes (igreja, burguesia e nobreza), explorados economicamente e oprimidos culturalmente... 

A escravidão também era praticada entre povos pré-colombianos nas Américas, mas não deixa de ser moralmente errada porque não eram brancos europeus que escravizaram, se é uma prática objetivamente cruel, extrema e desnecessária, afinal, é possível submeter uma população à autoridade de outra população ou de um grupo sem ser inevitável o uso da violência indiscriminada e excessiva. Muito menos a prática de sacrifícios humanos... 

Povos historicamente oprimidos também oprimiam outros povos e isso não significa que, nesse caso, a opressão está moralmente correta porque era praticada pela maioria ou porque certas modalidades de crueldade sistêmica, como a escravidão, estavam normalizadas naquele período. Aliás, isso continua a acontecer (inclusive de maneiras análogas, tal como a exploração econômica por vias capitalistas) e não apenas em termos étnicos ou raciais, mas também em relação à outras identidades, como as de gênero e orientação sexual.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

De novo e de novo, resumo repetitivo dos meus pensamentos sobre moralidade

A moralidade é, em seu princípio, subjetiva, porque só pode existir a partir de seres humanos/vivos, mas, pode se tornar objetiva se for baseada em fatos ou verdades, ou pela detecção de falácias, tal como a afirmação de que (todas) as mulheres são "inferiores" aos homens e que, então, precisam ser tratadas de acordo.


A moralidade não é apenas uma construção social humana, mas uma percepção primariamente subjetiva e relativa do que é considerado "certo", negociável e "errado". Isso significa que todas as espécies, mesmo as mais primitivas, apresentam "sistemas morais" análogos ao humano, baseadas em seus próprios contextos adaptativos e evolutivos.

Tal como a agricultura e a arquitetura ou engenharia não são invenções/atividades unicamente humanas, o mesmo para a moralidade.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

Novamente, a minha visão heterodoxa sobre a moralidade

 Recapitulando o que já escrevi em outros textos...


I. A moralidade não é apenas uma invenção humana, pois todas as espécies também têm seus próprios sistemas morais análogos, do que percebem como certo, negociável e errado para elas, sempre baseadas em seus contextos adaptativos. Portanto, é possível afirmar que a moralidade é universal. 

II. A moralidade humana apresenta dois modelos de sistemas de crenças, o que têm predominado, mais subjetivo e arcaico, que se centraliza em interpretações antropocêntricas da realidade, como a religião (que eu já comentei que também tem uma origem universal ou comum à todas as espécies, o "auto-centrismo"), e o modelo mais objetivo, preciso e justo, baseado em evidências científicas ou pensamento lógico-racional.

III. A moralidade não é absolutamente mensurável, ainda que, especificamente, até seja possível pensar em uma forma de mensurar, por exemplo, o montante de dor ou prazer infligido a um ou mais indivíduos. Mas é perfeitamente comparável, que também é um tipo de medida, particularmente em relação ao nível de necessidade ou imprescindibilidade, e de verdade, ou justiça, de crenças e práticas consequentes.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

Sobre o problema do anacronismo histórico

 Mais uma vez...


O que é mais importante, a palavra ou o que ela representa?? 

O conservadorismo só surgiu quando o seu conceito foi estabelecido no início do século XIX?? A misoginia só começou a existir quando essa palavra foi inventada??? 

Claro que não!! 

O conservadorismo, especialmente sob a forma de patriarcado tradicional, heteronormativo e classista, existe desde os primórdios da civilização. Em termos ainda mais essenciais, o conservadorismo é qualquer ideologia ou cultura que, de maneira mais sistemática ou localizada, impõe algum tipo de exclusão injusta ou opressão a grupos e, portanto, indivíduos. 

Injustiça ou prática da mentira e conservadorismo são quase sinônimos. 

Já a misoginia, como um pensamento em que toda mulher é considerada inferior, intelectual e moralmente, e indigna de gozar de direitos iguais ou similares aos dos homens, também existe desde há muito tempo. 

Esse tipo de anacronismo não é histórico e sim semântico, mas nem por isso mais importante. 

Portanto, não há anacronismo histórico em falar sobre misoginia ou conservadorismo, os exemplos usados, em relação a períodos anteriores à invenção oficial dos seus conceitos. 

Além de justificar práticas claramente cruéis e/ou baseadas em ignorância, essa maneira de aplicar o anacronismo histórico ainda apaga da história a existência de indivíduos e grupos que eram contrários às tais práticas, especialmente se não lhes fosse permitido expressar. 

É literalmente o mesmo que contar apenas a versão dos "vencedores" ou opressores. 

Pois imagine se um historiador, 200 anos no futuro, resolvesse analisar os valores dominantes em nossa era capitalista ou, então, sociedades autoritárias, como a Arábia Saudita de hoje em dia, ainda mais se tivessem predominado narrativas e discursos dos que detêm o poder político e econômico atualmente?? 

Um exemplo em que ocorre um verdadeiro anacronismo histórico é o uso do termo capitalismo para se referir a sistemas socioeconômicos da antiguidade, ainda que existam semelhanças importantes entre eles. Porque mesmo apresentando semelhanças, sistemas anteriores, como o feudalismo  e o mercantilismo, não eram centralizados no capital e as "elites" dominantes ainda não eram de burgueses .

terça-feira, 27 de setembro de 2022

Exemplos de relativismo histórico-moral de esquerda; de pseudo revisionismo histórico de direita e sua melhor análise (filosófica)

 Relativismo histórico-moral de esquerda:


A escravidão perpetrada por brancos europeus contra negros africanos foi uma crueldade abjeta. 

Mas ....... 

A escravidão praticada entre povos da África subsaariana ou por qualquer outro grupo não-branco era "histórica'' e até ''moralmente justificável", no sentido de, MENOS PIOR, porque (supostamente) não era racismo...

Na verdade, até mesmo a prática de sacrifícios humanos por povos pré-colombianos nas Américas, por exemplo, era "justificável", porque era "cultural" ou normalizada naquelas culturas... 

Hoje em dia, certas "práticas" cruéis ou autoritárias também são consideradas "culturais" e, portanto, mais aceitáveis ou moralmente justificáveis... Por exemplo, a obrigação do uso de véu para as mulheres muçulmanas...

Conclusão: só não é opressivo, autoritário, injusto e/ou cruel se não estiver sendo praticado por "homens brancos"...

Pseudo revisionismo histórico de direita:

Brancos europeus escravizaram negros africanos, mas os negros africanos também se escravizavam, sem falar dos "árabes" muçulmanos, que escravizaram muitos africanos, tanto ou mais que os brancos europeus.

Então......

A prática de escravidão era moralmente justificada, já que era "normal" naquela época...

Conclusão: brancos europeus, em termos histórico-coletivos, estão perdoados por sua crueldade, afinal, os negros africanos também eram cruéis entre si, assim como os "árabes" muçulmanos eram com eles... 

A melhor análise (filosófica):

Não importa se uma prática de escravidão foi ou está sendo praticada por brancos ou por qualquer outro grupo étnico-racial, porque a injustiça, o sofrimento e a crueldade são os mesmos.

Claro que isso também serve para práticas análogas, tal como a exploração econômica das classes basais ou trabalhadoras pelas elites burguesas. 

Até pela irracionalidade da prática, por ser baseada em falácias, por exemplo, de ser o único método que é eficaz na submissão de um povo ou grupo, como se fosse impossível estabelecer uma relação de autoridade por meios menos cruéis ou até opostos à sua brutalidade característica. 

Porque "árabes" muçulmanos escravizavam negros africanos assim como eles faziam consigo mesmos, isso não significa que, então, a escravidão dos africanos pelos europeus era moralmente justificável, afinal, uma ação não se torna racionalmente justa (benigna//ponderada, necessária ou inevitável) apenas porque "todos" ou muitos a praticam. Esse, com certeza, é o caso da escravidão. 

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Sobre a complexidade da pauta antiespecista

 Um relato pessoal 



Em 2008, eu fui oficialmente apresentado à internet e, desde então, foi amor e vício à primeira vista. Criei meu perfil no Orkut, naquela época, dominante nas redes sociais brasileiras, começando a "curtir" páginas que iam de acordo com o que pensava, incluindo as de protesto. Algumas delas eram contra a crueldade com animais, particularmente o que acontece de maneira relativa no extremo oriente, o consumo de carne de cachorros e gatos que, desde há muito tempo, se transformaram nos maiores "mascotes" da humanidade.

Não que essa prática seja comum, até porque não teria como um bilhão de chineses consumirem esse tipo de carne todo ano.* O fato é que acontece e, até por causa das dimensões demográficas, especialmente as da China, estamos falando de milhares de cachorros e gatos que, anualmente, são mortos e consumidos. Não bastasse isso, também está normalizado naquelas terras, bem como no oriente médio, outras práticas extremamente cruéis: comer animais vivos; caçar baleias... e existem até dois "método de abate" chamados Kosher e Hallal, respectivamente típicos das "religiões" judaica e islâmica (consiste em ferir o animal não-humano, deixando-o sangrar até à morte. Dizem que é um "ritual sagrado")...

*... Mas nada impede, infelizmente, que se torne uma prática comum. É o que pode começar a acontecer na Coreia do Norte.

Não que nós, ocidentais, sejamos muito mais cuidadosos no tratamento que damos aos animais, mas pelo menos tendemos a poupar as espécies que estão mais íntimas ao nosso convívio. 

Pois, quando fui exposto a essa contradição, de continuar comendo outros tipos de carne enquanto acusava orientais de comer cachorro e gato, eu comecei a pensar seriamente em me tornar vegetariano. Pois foram alguns anos até, mais ou menos o ano de 2015, que consegui parar de comer carne, incluindo peixe, porém, mantendo o consumo de derivados do leite. Mas, lá para meados de 2018, não consegui mais dizer não a bolinhos de bacalhau, voltando a comer "frutos do mar". Desde então, tinha mudado o meu "status" moral-alimentício de "vegetariano ovo-lácteo" para "peixetariano". Quanto à minha saúde, não havia notado grandes mudanças, se desde 2015 estava sem comer carne de boi, vaca, porco e frango. 

Então, neste ano de 2022, eu comecei a perceber um declínio na minha saúde com dores de garganta e resfriados frequentes. Justamente no meu mês de aniversário, agosto, eu o passei doente, com a garganta muito dolorida e tosse. O fechei com febre e mal estar, começando setembro com diarreia e fortes dores de barriga, causadas por uma provável intoxicação alimentar, e ainda tive reação alérgica a um remédio contra dor, Buscopan, que quase me causou um choque anafilático (provavelmente associado a uma combinação de abuso de remédios no mesmo dia e baixa imunidade). Pois mesmo que nada disso tenha acontecido por causa da dieta que estava seguindo, eu decidi voltar a consumir carne. Porque, como já havia comentado, eu não tenho exatamente uma saúde de ferro. Outro problema é que, quem começa uma dieta como essa, seja lá por quais razões, precisa se informar bem para conseguir encontrar fontes de alimento que substituam pelo menos uma boa parte da proteína animal que deixará de ser consumida. E eu não sou essa pessoa organizada. Eu fui direto na mudança de dieta por razões morais, como a maioria faz, sem ter acionado o meu paraquedas, isto é, sem ter buscado compreender os prós e contra e compensar de maneira satisfatória.

Mas isso não muda em nada o que penso sobre a pauta antiespecista. Na verdade, confirma aquilo que já sabia, que não é apenas uma questão de parar de comer carne, porque não é e nunca foi tão simples assim. Aliás, essa é uma das pautas mais complexas e, portanto, mais difíceis de serem plenamente implementadas, porque se, por um lado, está muito certa sobre combater todo tipo de crueldade contra animais não-humanos, por outro, ainda não é tão fácil mudar a dieta humana, depois de milhares de anos de co-evolução biológica e cultural. De qualquer maneira, eu continuarei defendendo pelo melhor tratamento possível, inclusive para os animais que são criados para alimentar a humanidade, ajudando com o que estiver ao meu alcance; e continuarei totalmente contrário à certas "práticas culturais", do "abate Hallall" ou "Kosher" ao consumo de carnes de cachorros e gatos, até mesmo pelo status histórico e co-evolutivo dos mesmos com os humanos. Aceitar a complexidade dessa pauta é o primeiro passo. Reconhecer quando não consegue mais sustentar um modo de vida, adotado por razões morais, mas sem desistir de continuar apoiando pela melhoria do tratamento que é dado às outras espécies, além da nossa, é outro passo importante se também for o seu caso. 

quarta-feira, 17 de agosto de 2022

Sobre valores (morais) ocidentais e universais

 Quando o talibã retomou o poder no Afeganistão, no ano passado, enquanto a maioria das pessoas lamentou o ocorrido, especialmente as que se dizem a favor da justiça social, da empatia e da solidariedade, um grupo composto por esquerdistas radicais, que prega pelos mesmos valores, comemorou esse evento denominando-o como "uma vitória contra o colonialismo ocidental", porque acreditam que nenhum país tem o direito de interferir nos assuntos domésticos do outro, especialmente se forem EUA e seus aliados. 


Engraçado que, se for a Rússia ou outro país antagonista aos interesses estadunidenses que estiver interferindo, eles não acham ruim... E também que, se o país em que vivem se transformasse em uma ditadura fascista, é quase certo que pediriam ajuda de fora...

Hipocrisias e contradições à parte, apesar de ser muito incoerente para alguém que se diz a favor da justiça social, comemorar que um regime terrorista, como o talibã, tenha voltado ao poder no Afeganistão, só porque representa o fim da influência estadunidense ou ocidental na região, ao menos está de acordo com o princípio que segue, de "respeito à soberania",  especialmente dos países subdesenvolvidos. Só que, para toda regra existem exceções. E, neste caso, a exceção seria sempre que um governo ou cultura estivesse realmente oprimindo indivíduos com base em sua raça, religião, sexualidade, etc; que, idealmente, incluísse qualquer forma de abuso ou agressão irracional contra a integridade humana e, também, contra animais não-humanos.

Por isso, é importante que compreendamos as diferenças de uma intervenção estrangeira por motivação política ou econômica, por exemplo, a invasão do Iraque pelos EUA, e uma que visa, de fato, combater injustiças, infelizmente menos comum que a primeira. Também vale ressaltar a complexidade dos contextos. Novamente o caso das invasões estadunidenses ao Iraque em que, apesar de terem sido motivadas pelo controle de suas reservas de petróleo e causado um número elevado de casualidades entre a população civil, pelo menos ajudaram a libertar o povo curdo da opressão da ditadura de Saddam Hussein. 

Pois denominar como "valores ocidentais": solidariedade, empatia e respeito... por minorias, por exemplo, é um equívoco que tem sido maliciosamente endossado por ditadores psicopatas, como vladimir putin, se está claro que se tratam de "valores universais", passíveis de serem defendidos por qualquer povo ou cultura. 

quarta-feira, 29 de junho de 2022

(De novo) sobre moralidade e sua objetividade

 A moralidade não é apenas relativa, porque não é apenas um conjunto de crenças, práticas e comportamentos seguidos dentro de um espaço ou tempo específicos, mas também o quão realmente alinhados à verdade e/ou à justiça estão. 


Por exemplo, uma comunidade que, baseada em sua "religião" ou cultura, determina que suas mulheres não podem exercer as mesmas profissões que seus homens, inclusive algumas muito importantes, tal como a de governante, por serem consideradas incapazes ou inferiores aos mesmos. E uma outra em que as mulheres têm esse direito garantido, por não serem consideradas menos capazes. Nesta comparação, a segunda comunidade está mais moralmente certa do que a primeira, porque, a priori, capacidades individuais não são absolutamente determinadas pelo sexo da pessoa. Por isso que, não há razão para proibir as mulheres de poderem exercer os mesmos cargos que os homens, desde que sejam competentes, obviamente. 

A moralidade também é o nível de compreensão factual e consequencial, refletida como crenças e práticas, a partir do quão imprescindíveis, necessárias ou facultativas à sobrevivência estão. 

Por exemplo, a escravidão. Neste caso, é importante saber se não existe nenhuma outra alternativa ou se, para subjugar uma população, é sempre preciso maltratá-la. Pois não é difícil perceber que, a partir de uma abordagem mais racional, é perfeitamente possível atender esse objetivo, de subjugá-la, sem que seja necessário tratá-la da pior maneira possível, que pode ser muito mais vantajoso fazer o oposto, transformando-a em uma aliada, bem alimentada e conformada, no sentido de se estar genuinamente satisfeita com a autoridade do grupo dominante, do que alimentar o seu ódio, predispondo-a à vontade de se revoltar. Como conclusão, além de não ser a melhor abordagem, a escravidão também se baseia em uma série de mentiras, até para que possa ser "justificada", tal como a de que todos os indivíduos de uma raça X, por serem absolutamente inferiores, devem ser tratados "de acordo" com a sua suposta condição de inferioridade absoluta. Por isso, é conclusivo que o nível de moralidade da escravidão, especialmente em um contexto humano, seja um dos mais baixos, se não é imprescindível, necessário ou inevitável, quer seja para a organização e o controle social e/ou para sobrevivência, nem tampouco racional.

Escravizar, em seu sentido mais puro, de maltratar para controlar, não é justificável ou inevitável nem mesmo no lido com as outras espécies de animais e pelas mesmas razões, ainda mais se tratando de espécies domesticadas, e se não há razão para tentar estabelecer tais relações, de maior proximidade, com espécies muito selvagens.

terça-feira, 7 de junho de 2022

A diferença entre conivência, indiferença e impotência

 É comum de se apontar para o comportamento colaborativo da maioria do povo alemão ao regime nazista, na década de 1930, como uma evidência de que todos nós estamos igualmente vulneráveis a, pelo menos, nos conformar com governos ou indivíduos mal intencionados. No entanto, olhando mais de perto, podemos perceber que, pessoas diferentes, em situações diferentes, tendem a ter comportamentos diferentes mesmo se, por uma perspectiva mais panorâmica possa parecer que estejam se comportando de maneira parecida. Pois desprezando indivíduos que, dentro da Alemanha, se opuseram com excepcional valentia ao nazismo e que foram vítimas desproporcionais de sua crueldade, e também aqueles que foram colaboradores ativos, chegando a atuar como autores pessoais de crimes contra dissidentes, mesmo a maioria dos alemães que atuaram como colaboradores passivos, existiram diferenças de postura que precisam ser comentadas, e que costumam acontecer em qualquer contexto similar. São elas, a conivência, a indiferença e a impotência. 


A primeira consiste no apoio a algo, no caso, ao regime nazista, quer seja por relativa ignorância ou por conhecimento do que está defendendo. Foram muitos os alemães que apoiaram a máfia hitlerista e nem por isso eles são totalmente perdoáveis ou moralmente justificáveis, já que mesmo no caso de uma "lavagem cerebral", o indivíduo nunca é convencido por uma narrativa sem que concorde com ela em alguma coisa, inclusive com alguns de seus aspectos mais controversos. 

A segunda consiste em se estar indiferente ao que está acontecendo e, portanto, muito mais propenso a seguir o fluxo do que de ir contra a maré. Mas estar conivente ou indiferente não são posturas muito distintas, ainda mais em um contexto hegemônico de crueldade. Pois alguém que está conivente, porém por ignorância predominante, é um pouco mais perdoável, porque a indiferença também tende a significar uma maior compreensão do que está acontecendo ou de se não importar com o que acontece, enquanto que o ignorante ou alienado pode estar bem intencionado.

A terceira é a mais interessante porque é provável que muitos daqueles que detectam um governo cruel e se opõem a ele acabam caindo nessa categoria de postura, de se perceberem impotentes, especialmente quando calculam perdas e ganhos e concluem que, além de estarem muito mais sujeitos a perder do que a ganhar, suas ações individuais de oposição explícita é pouco provável que terão grande repercussão ou influência concreta, "optando" por essa posição que tende a ser externamente cômoda, mas internamente muito incômoda. 

É muito fácil para nós, vivendo em sociedades variável  a parcialmente democráticas, acusar de covardia ou conivência todos aqueles que vivem em ditaduras e que aparentam se conformar com as mesmas. Só que, se estivéssemos na mesma situação, a maioria acabaria se vendo numa posição de impotência e forçada a se conformar, mesmo que isso não seja o mesmo que apoiar ou colaborar ativamente. 

Alguns possíveis fatos sobre gente ruim

 1. Elas podem ser diversas


Apesar de existirem tendências para certos traços de personalidade, elas podem ser introvertidas ou extrovertidas, criativas ou convencionais, inseguras ou confiantes, espertas ou tolas, "normais" ou excêntricas... 

O que mais as caracteriza é uma capacidade limitada de ter empatia pelos outros que costuma resultar em uma grande frequência de comportamentos egoístas e/ou cruéis.

2. Elas não são as únicas que podem ser ruins... 

... porque a maioria das pessoas já praticaram, praticarão ou pelo menos apoiarão algum ato cruel. 

2.1 Pessoas de boa índole também podem ser cruéis

Mas geralmente ignorantes das consequências dos seus atos, mesmo se estão bem intencionadas.

3. Elas praticamente nascem predispostas a serem mais egoístas//cruéis

Não importa se crescem em um lar acolhedor ou abusivo, porque parece que já nascem com má índole, demonstrando-a de maneira sistemática ao longo de suas vidas.   

3.1. São mais propensas a virem de famílias abusivas 

Porque tendem a ter parentes, incluindo seus pais, portadores de transtornos mentais, especialmente a própria personalidade anti social. 

4. A maioria delas não se arrepende dos seus atos cruéis 

Pelo contrário, até sentem satisfação ou orgulho em praticá-los.

Mas ou então, tem uma minoria que se arrepende. 

5. Elas não são mais racionais

Se ser cruel, por instinto ou sadismo, sem ter uma razão que realmente justifique; de não ser capaz de analisar as próprias ações e suas consequências, é irracional. 

6. Elas costumam passar despercebidas ou serem socialmente aceitas 

Especialmente em uma sociedade capitalista, em que a regra é ser egoísta, materialista,  individualista e, portanto, indiferente às questões sociais//existenciais.

E também porque não são todas elas que praticam crimes explícitos. Mas mesmo as que não são explicitamente violentas ainda se comportam de maneira desagradável ou tóxica com quem está mais próximo. Elas também podem, depois de um bom tempo aparentando "normalidade", começar a se comportar de maneira declaradamente cruel, por exemplo, quando são cooptadas por algum governo ou grupo mal intencionado e percebem que isso pode ser pessoalmente vantajoso, tal como aconteceu com vários cidadãos alemães durante o regime nazista.