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segunda-feira, 28 de agosto de 2023

Sobre o negacionismo das mudanças climáticas causadas por ação antrópica

 Acreditar que transformações de grande impacto, causadas pela ação humana, não tem ou terão nenhum efeito no clima local e do planeta é de um contrassenso clássico, de se achar que ações de grande impacto não provocam cadeias reativas de magnitude aproximada, de negar o mecanismo básico da ação e reação. 

domingo, 27 de agosto de 2023

Ainda sobre irracionalidade como domínio da subjetividade

 1. Esse tem sido o padrão humano, da maioria dos de nossa espécie, de ter a razão como uma promessa ou crença de possuí-la e a sujeição aos próprios instintos como a realidade, simbolizados e racionalizados pela linguagem complexa.


2. A racionalidade parece tão difícil de ser ensinada ou desenvolvida também por ser o aprendizado de prestar mais atenção ao que é externo e impessoal ao indivíduo do que interno ou subjetivo, ao que lhe é mais íntimo e, portanto, potencialmente agradável ou conveniente.
 

Se a ideia de que tudo veio do nada parece muito ilógica...

 ... então, seria menos ilógico acreditar que a vida, um fenômeno estritamente físico-químico, possa existir além do término do seu ciclo?? 

Analisando criticamente as 5 leis da estupidez humana

De Carlo Cipolla (1922-2000), professor de história econômica que lecionou nas universidades de Pavia e Berkeley e publicou trabalhos acadêmicos particularmente sobre a superpopulação humana ao longo da história. Sua "teoria da estupidez" foi construída com base em 5 leis fundamentais. Irei, aqui, analisar cada uma, como proposto no título. 

 As 5 leis fundamentais da estupidez humana 

 1. Sempre e, inevitavelmente, cada um de nós subestima o número de indivíduos estúpidos que circulam pelo mundo. ''Não importa quantos idiotas você suspeite estar cercado, escreveu Cipolla, você invariavelmente está diminuindo o total. Esse problema é agravado por suposições tendenciosas de que certas pessoas são inteligentes com base em fatores superficiais como seu trabalho, nível educacional ou outras características que acreditamos serem exclusivas da estupidez. Eles não são. O que nos leva a:'' 

 Minha opinião: 

 Pode ser verdade que subestimamos o número de indivíduos "estúpidos", mas não é um fatalismo intransponível, porque podemos aprender a tecer estimativas mais próximas da realidade. 

 Outro problema é essa narrativa adotada no texto, em que o autor parece presumir que ele e os seus leitores definitivamente não se encaixam em nenhum grau de "estupidez" aparente, que apenas os outros podem ser idiotas, tal como se fossem observadores passivos da estupidez ativa alheia. No entanto, é praticamente certo que todos nós somos pelo menos um pouco idiotas e que os menos idiotas são justamente aqueles que, primeiro de tudo, aprendem a reconhecer suas próprias limitações para, então, buscar melhorar no que apresentam verdadeiro potencial. 

 Cipolla está certo ao afirmar que nível educacional ou tipo de ocupação não determinam _em absoluto_ o quão (racionalmente) inteligente um indivíduo humano pode ser ou estar e que essa é uma maneira de subestimar a estupidez humana. 

 2. A probabilidade de que uma determinada pessoa seja estúpida é independente de qualquer outra característica da mesma pessoa.

 ''Cipolla postula que a estupidez é uma variável que permanece constante em todas as populações. Cada categoria que se possa imaginar – gênero, raça, nacionalidade, nível educacional, renda – possui uma porcentagem fixa de pessoas estúpidas. Existem professores universitários estúpidos. Há pessoas estúpidas em Davos e na Assembleia Geral da ONU. Existem pessoas estúpidas em todas as nações do mundo. Quantos são os estúpidos entre nós? É impossível dizer. E qualquer palpite quase certamente violaria a primeira lei, de qualquer maneira.'' 

 Meus 3 cents: 

 Será mesmo que a estupidez, que parece ter sido definida como irracionalidade pelo Cipolla, se manifesta sempre de maneira separada de qualquer outra característica?? 

 Pois se é verdade que existe uma grande diversidade de pessoas muito irracionais ou estúpidas, também parece verdadeiro que o grau de independência de uma característica qualquer e do estado corrente de estupidez de uma pessoa tende a variar individualmente, sendo dependente de contexto pessoal em que, uma característica, mesmo se não tem qualquer grau relativo com a irracionalidade, pode servir como suporte ou meio catalisador de comportamentos estúpidos específicos, se em eventos isolados ou como um padrão disfuncional. Isso também nos leva à conclusão de que existem características ou traços que estão mais intimamente relacionados, se não expressivos, de uma maior estupidez irracional, do que outros. Por exemplo, a altura de uma pessoa, que, a priori, não tem qualquer relação com o seu nível de racionalidade, em contraste com os seus posicionamentos político-ideológicos que estão diretamente relacionados, se são resultados do mesmo. 

 Eu acho extraordinária a afirmação do Cipolla, de que existe uma constância universal da estupidez, ou irracionalidade, em grupos humanos e que, portanto, requer evidências extraordinárias. Por enquanto, as evidências legítimas que podemos compilar corroboram para o oposto desta afirmação, de que não existe essa "porcentagem fixa" de (mais) "estúpidos". Apenas um exemplo, de dois grupos, o primeiro de cientistas altamente renomados e o segundo de religiosos fundamentalistas. Então, parece um absurdo afirmar que o nível de estupidez ou irracionalidade desses dois grupos seja exatamente o mesmo apenas porque os estúpidos podem ser encontrados em qualquer lugar... 

 Quantos são os "estúpidos" entre nós?? Impossível dizer?? 

 3. Uma pessoa estúpida é aquela que causa dano a outra pessoa ou grupo sem, ao mesmo tempo, obter um benefício para si mesmo ou mesmo causar prejuízo. 

 ''Cipolla chamou isso de Lei de Ouro da estupidez. Uma pessoa estúpida, segundo o economista, é aquela que causa problemas para os outros sem nenhum benefício claro para si. ''Essa lei também introduz três outros fenótipos que Cipolla diz coexistirem com a estupidez. Primeiro, há a pessoa inteligente, cujas ações beneficiam a si mesma e aos outros. Depois, há o bandido, que se beneficia às custas dos outros. E, por último, há a pessoa desamparada, cujas ações enriquecem os outros às suas próprias custas. Os não-estúpidos são um bando defeituoso e inconsistente. Às vezes agimos de forma inteligente, às vezes somos bandidos egoístas, às vezes agimos desamparadamente e somos explorados pelos outros, e às vezes somos um pouco dos dois. Os estúpidos, em comparação, são modelos de consistência, agindo o tempo todo com uma idiotice inflexível. No entanto, a estupidez consistente é a única coisa consistente sobre o estúpido. É isso que torna as pessoas estúpidas tão perigosas.'' 

 Minha análise: 

 A definição dele de estupidez é boa, mas, para mim, ainda soa muito vaga e simplista, como se a estupidez estivesse circunscrita a apenas um tipo. Por exemplo, a partir dos próprios fenótipos que o Cipolla pensou, o "bandido" e o "ingênuo", também poderiam ser considerados como tipos de estúpidos. Mesmo o "bandido", porque sua capacidade de conseguir benefícios para si próprio às custas dos outros pode e costuma ter consequências negativas de impacto mais amplo, isto é, mesmo que seja beneficiado, individualmente, pode prejudicar o coletivo. Bem, a história humana nos mostra bem isso, em como que indivíduos mais mal intencionados do que "puramente estúpidos" e em posição de poder podem causar grandes prejuízos a uma comunidade, sociedade ou civilização. 

 4. Pessoas não-estúpidas sempre subestimam o potencial prejudicial de pessoas estúpidas. ''Subestimamos o estúpido e o fazemos por nossa própria conta e risco. Isso nos leva à quinta e última lei:'' 

 Meu achismo: 

 Acho que estar _sempre_ subestimando o potencial de prejuízo das pessoas "mais estúpidas" é... estúpido. Também parece ser estúpido fazer esse tipo de afirmação extraordinária, afinal, é pouco provável que essa tendência seja absoluta entre os "não-estúpidos", ou melhor, "menos estúpidos". 

 5. A pessoa estúpida é a pessoa mais perigosa que existe. 

 ''E seu corolário: Uma pessoa estúpida é mais perigosa que um bandido. Não podemos fazer nada sobre os estúpidos. A diferença entre as sociedades que desmoronam sob o peso de seus cidadãos estúpidos e aquelas que os transcendem é a composição dos não estúpidos. Aqueles que progridem apesar de seus estúpidos possuem uma alta proporção de pessoas agindo de forma inteligente, aqueles que contrabalançam as perdas dos estúpidos trazendo ganhos para si e para seus semelhantes. As sociedades decadentes têm a mesma porcentagem de pessoas estúpidas que as bem-sucedidas. Mas eles também têm altas porcentagens de pessoas indefesas e, escreve Cipolla, “uma proliferação alarmante de bandidos com conotações de estupidez”. “Essa mudança na composição da população não-estúpida inevitavelmente fortalece o poder destrutivo da fração [estúpida] e torna o declínio uma certeza”, conclui Cipolla. “E o país vai para o Inferno.” 

 Minha problematização:

 Ok. Mas não são os "bandidos" que têm corrompido as sociedades humanas desde sempre e não apenas ou primariamente os ditos "estúpidos"?? Por acaso, aqueles que usam suas inteligências para fazer mal aos outros ou, sem se importarem com as consequências dos seus atos, são menos perigosos que aqueles que têm pouca compreensão do que fazem?? Sem falar que os "estúpidos", assim como os "ingênuos" e até mesmo a maioria dos "inteligentes", tendem a ser usados como "massas de manobra" por "bandidos" que, diga-se de passagem, abundam em ambientes de poder. 

 Como assim não é possível fazer nada em relação aos (mais) estúpidos?? Bem, em uma sociedade tomada por um regime democracista***, em que "a voz do povo é a voz de Deus", talvez seja impossível mesmo. *** meu texto: "democracismo", uma versão deturpada de regime democrático. 

 Conclusão: A teoria da estupidez humana de Carlo Cipolla, na minha opinião, baseada no que observei e concluí por suas leis, apesar de nos prover uma leitura interessante, ainda mais por causa do tema, tão polemizado em tempos de "politicamente correto", apresenta alguns pontos discutíveis que merecem maior destaque por parecer que foram baseados em opiniões pessoais do autor, incluindo também os conceitos desenvolvidos por ele, que, para mim, são demasiado simplistas. 

 Trechos traduzidos e retirados do texto no link: https://qz.com/967554/the-five-universal-laws-of-human-stupidity

sexta-feira, 25 de agosto de 2023

Das características elementares para o desenvolvimento da racionalidade

 São elas: curiosidade intelectual, não apenas como fonte de aprendizado, mas também para o entretenimento pessoal, humildade e honestidade intelectuais mais objetividade e imparcialidade (de análise, crítica e julgamento). 


Uma maior curiosidade intelectual, que ajuda na adoção de uma atitude mais ativa do que passiva em relação ao conhecimento, de se estar sempre com o ímpeto de buscá-lo. E, como enfatizado acima, não apenas visando acumular conhecimentos ou melhorar a compreensão sobre determinado tópico, mas também para o próprio prazer, de naturalizar essa busca pelo conhecimento, sem associá-la a uma cobrança de aprendizagem; 

Uma maior humildade intelectual, de aprender a reconhecer os próprios limites, ainda mais quando está raciocinando, no sentido de analisar, criticar e julgar. Juntamente a ela, uma maior honestidade intelectual, de sempre priorizar a verdade dos fatos, evidências ou hipóteses//teorias mais plausíveis. No entanto, nenhuma das duas é plenamente funcional sem que a capacidade de pensar de maneira objetiva, ou ao objeto, e imparcial, ou com o mínimo de viés, esteja bem desenvolvida.

quinta-feira, 24 de agosto de 2023

O que as pessoas se esquecem sobre a empatia

 De que identificar erroneamente um estado emotivo ou intencional falso como verdadeiro não é empatia, mas ingenuidade. Ou que ambas até podem ser consideradas opostas, tal como verdade e mentira.

Se na lua Europa tem vida

 Também tem ilusão, melancolia??

Também tem instintos, emoção, células que se multiplicam?? 

Também tem evolução, crueldade, intrigas?? 

Ou se não existe essa doença, e busca por sua cura
Ou extinção 

Se essa Lua é mais sortuda
Que os caçadores das esferas do Dragão
Que os torcedores da seleção de Singapura

Se na lua Encélado tem a mesma ferida
Que nós somos, loucura 
Que em nós, sonhos, procuras, perdidas

''Qual é o sentido da irracionalidade? Por que insistir na irracionalidade?''

 Pergunta do Quora. Minha resposta


A irracionalidade é basicamente o controle significativo da subjetividade sobre a percepção e o raciocínio de um indivíduo. O sentido da irracionalidade é interagir, interpretar e se adaptar ao mundo como se fosse o seu, reprimindo ao máximo a objetividade e a imparcialidade, adotando-as de maneira pontual e estrategicamente conveniente aos próprios desejos e não de maneira sistemática. É possível afirmar que quase todo aquele que insiste em demasia na irracionalidade, consistindo em boa parte da nossa espécie, a única que pode ser legitimamente irracional e racional, não o faz por vontade própria, se faz justamente por não ter conseguido ou ser capaz de desenvolver sua autonomia intelectual a um nível seguro de racionalidade. Que Dawkins não leia essa resposta, mas não nascemos com os mesmos níveis de desenvolvimento de capacidade racional.

Das características elementares para o desenvolvimento da racionalidade

 São elas: curiosidade intelectual, não apenas como fonte de aprendizado, mas também para o entretenimento pessoal, humildade e honestidade intelectuais mais objetividade e imparcialidade (de análise, crítica e julgamento). 


Uma maior curiosidade intelectual, que ajuda na adoção de uma atitude mais ativa do que passiva em relação ao conhecimento, de se estar sempre com o ímpeto de buscá-lo. E, como enfatizado acima, não apenas visando acumular conhecimentos ou melhorar a compreensão sobre determinado tópico, mas também para o próprio prazer, de naturalizar essa busca pelo conhecimento, sem associá-la a uma cobrança de aprendizagem; 

Uma maior humildade intelectual, de aprender a reconhecer os próprios limites, ainda mais quando está raciocinando, no sentido de analisar, criticar e julgar. Juntamente a ela, uma maior honestidade intelectual, de sempre priorizar a verdade dos fatos, evidências ou hipóteses//teorias mais plausíveis. No entanto, nenhuma das duas é plenamente funcional sem que a capacidade de pensar de maneira objetiva, ou ao objeto, e imparcial, ou com o mínimo de viés, esteja bem desenvolvida.

Das razões para a força da crença em deus e na vida eterna

 Está o amor pela própria vida, por essa sensação única de existir, aos outros que se ama e que são vão com o sopro da morte, que não aceita que possa ser tão pouco, se a vida, para nós, é tudo o que somos, o que experimentamos. Por isso, mais vale se agarrar a uma explicação que nos garanta que nossas vidas, nossas experiências existenciais, continuarão, infinitamente, do que aceitar a possibilidade muito menos extraordinária e reconfortante,  de que tudo se vai para nunca mais voltar, inclusive nós mesmos e então de suportar o peso da consciência, da própria fragilidade e finitude.


Também está o medo de encarar de frente ou de viver com o peso dessa consciência, de viver sabendo que haverá um fim definitivo, de aceitar a possibilidade real e mais lógica de que, tudo o que fazemos nada mais é do que "enxugar gelo", se por mais inteligentes e eruditos conseguirmos nos tornar, tudo se acaba com um simples adeus. 

Ainda sobre o método científico

 I. Só existe um método científico: empírico,  imparcial e objetivo, que busca sistematizar o pensamento lógico-racional, na teoria e na prática.


II. Esse método se adapta às especificidades de cada disciplina. Pois talvez venha daí a crença equivocada de que existem muitos métodos para se praticar ciência. 

III. Não é sempre que o empirismo é necessário, apenas em cenários primários de ausência de evidências diretas e/ou indiretas (padrões), quer seja na verificação da viabilidade replicativa de uma nova tecnologia ou de uma teoria. Por isso que é perfeitamente possível ter a observação como método principal de prática da ciência, de busca pela verdade ou por uma melhor compreensão, mas desde que seja efetuada com imparcialidade e objetividade. Então, pode-se constatar que, não importa se a aplicação do método científico se dá pela via empírica ou observacional, desde que corresponda com a sua finalidade mais importante, de produzir ou expandir conhecimentos. 

Sinais de que você não consegue distinguir pseudo ciência de ciência...

 ... especialmente a pseudo ciência "do bem".


Inspirado na polêmica recente do livro "Que bobagem!", de Natália Pasternak e Carlos Orsi.

1. Você chama quem defende os fundamentos mais básicos da ciência de positivista

Imparcialidade e objetividade, honestidade e humildade intelectuais, empirismo... Se você classifica de maneira pejorativa como positivista quem acredita que esses valores são fundamentais para definir a ciência, em sua teoria e prática, então, é provável que você não sabe distinguir ciência de pseudo ciência.

Uma variável disso é acusá-los de ter uma fé cega pela "ciência ocidental", como se a busca pela verdade objetiva fosse uma invenção de uma cultura ou civilização específica. 

2. Você argumenta que não existe apenas uma maneira de fazer ciência

Pois parece acreditar que a ciência pode ser não-empírica ou mesmo não-racional (?)...

Das múltiplas e legítimas especializações da ciência, todas têm como base os valores ou fundamentos que a caracterizam, essencialmente, particularmente os citados no primeiro ponto, que definem o método científico. 


3. Você problematiza termos essenciais à ciência, enfim, para uma melhor compreensão do mundo 

Verdade, objetividade e racionalidade, principalmente. 

Exemplos típicos: afirma que verdade e objetividade não são possíveis, deixa vagos seus posicionamentos sobre as mesmas ou a entender que a subjetividade é absoluta sobre a objetividade; tem uma implicância pela racionalidade, por acreditar que seja oposta à empatia, à compaixão ou mesmo à justiça...

4. Você não sabe distinguir correlação de causalidade, bem como outras capacidades básicas para o pensamento científico 

Tal como a de, primeiro, buscar pelas explicações menos complexas ou extraordinárias antes de pensar em adotar as mais complexas, se são muitas as pseudo ciências que se baseiam justamente em afirmações extraordinárias sem evidências extraordinárias. 

Outra incapacidade é sobre saber distinguir correlação verdadeira de falsa.

5. Você definitivamente não aceita estar errado 

Especialmente quando está ou se percebe que não tem verdadeiro embasamento lógico-racional, se para defender seus posicionamentos acaba apelando para falácias ou não consegue defendê-los de maneira honesta; porque a crença em uma pseudo ciência, que também pode ser por uma ideologia não-filosófica (ou sem ser a própria filosofia, em sua essência, como sabedoria), exige fanatismo ideológico para se sustentar.
 
Em outras palavras, você não é intelectualmente humilde a ponto de conseguir reconsiderar suas opiniões quando surgem opiniões melhores ou evidências que as desafiam. 

6. Você definitivamente já tem alguma pseudo ciência de estimação 

Esse é o sinal mais inequívoco, ainda mais se você tratá-las seriamente como se fossem ciências legítimas. 

7. Você é um filosofista 

Eu pensei em dois conceitos para esse termo de minha autoria. O primeiro se refere aquele que se define ou é definido como filósofo, mas mostra-se insuficiente em seu compromisso com a sabedoria, com a busca pela verdade ou melhor compreensão e, portanto, cai em uma categoria inferior a de filósofo legítimo. Já o que estou usando aqui, ainda que seja relativamente diferente, também se associa ao primeiro conceito, que parece comum aos filosofistas, no sentido de "filósofos de diploma", que é de alguém que desenvolve um fanatismo pela filosofia ou por sua concepção sobre ela, tendendo a resultar em preconceito em relação à ciência, uma espécie de cientificismo, mas da filosofia. Então, é possível que você seja do tipo que acusa qualquer um que defende a ciência "tradicional" de ser um cientificista. 

Eu comentei mais detalhadamente sobre esses meus dois conceitos para filosofista nesses textos: "O filósofo, o filosofista e o fisólofo" e "Diferença[s] entre o intelectualmente inteligente e o cognitivamente inteligente". 

terça-feira, 15 de agosto de 2023

O que dizem que é justo sobre os processos avaliativos e seletivos (novamente) e o que realmente é

 Corrida maluca 


A educação brasileira, mas também da maioria dos países oficialmente reconhecidos pela ONU, está baseada no sistema tradicional de ensino e que, por sua vez e, cruamente falando, se baseia na crença da tábula rasa, adaptada ao contexto escolar, de que a maioria dos seres humanos, desprezando os que já nascem com deficiências intelectuais evidentes, apresentam os mesmos potenciais de aprendizado e apenas se diferenciam, em termos de desempenho, pelo nível de esforço ou dedicação aos estudos. Por isso as avaliações iguais para todos os estudantes, as notas vermelhas, a recuperação e até a repetência... No entanto, as evidências legitimamente científicas sobre esse tópico nos mostram que apresentamos diferenças qualitativas e quantitativas de inteligência e que são predominantemente intrínsecas ou que não são superficiais, isto é, facilmente alteráveis. Como resultado, idealmente, o sistema de ensino não deveria comparar desempenho, pelo menos da maneira como tem feito, porque é basicamente o mesmo que comparar o desempenho de animais de espécies diferentes disputando uma mesma corrida. Mas, está consolidado a hegemonia dessa crença igualitarista e de que é a maneira mais justa de avaliação, tanto na educação quanto para o mercado de trabalho, que todos devem ter igualdade de condições e serem avaliados por seus desempenhos e não por quem são.

Mas, e se não apresentarmos as mesmas condições psicológicas e cognitivas??

Aí não é bem o "se", se nossa diversidade de intelectos e personalidades é uma realidade palpável, mesmo que muitos especialistas, na educação e em outras áreas relacionadas, não acreditem em sua existência. 

Pois o mais justo nesse contexto seria de avaliar por especificidade, porque igualaria por capacidade específica do que como tem sido avaliado, por conhecimentos gerais, especialmente em provas de concurso público e de admissão no ensino superior. Se somos ou inevitavelmente nos tornamos mais especializados em determinadas áreas do conhecimento ou da atividade humana e se toda profissão é uma especialização...

Portanto, o mais justo, nessa analogia com uma corrida maluca de animais de espécies diferentes é que os de mesma espécie compitam entre eles mesmos e, traduzindo para o sistema de seleção e avaliação na escola, mas mais especialmente no ensino superior e no mercado de trabalho, que as mesmas habilidades sejam comparadas entre os concorrentes, por exemplo, no caso de uma vaga para professor de história, que os conhecimentos em história, dos candidatos, sejam comparados e não seus conhecimentos gerais. 

Novamente sobre ciência, filosofia e religião

 Como começaram:


Unidas. Indissociadas. 

Como estão:

A religião ocupando o lugar que era para ser da filosofia e a filosofia, deslocada de suas funções mais condizentes, disputando com a ciência a hegemonia sobre a busca e a produção de conhecimento, mas mais literalmente pra ver qual delas que é mais difícil de ser compreendida pelo público leigo. A ciência, separada da filosofia e disputando com uma versão sua, deslocada e descaracterizada, passando a tratá-la como antagonista e não como colaboradora. 

A religião era pra ser a própria filosofia, a busca e vivência pelas verdades ou conhecimentos existenciais, os mais decisivos, derradeiros ou absolutos. Ou a filosofia que era pra ser a nossa* religião, a sabedoria, e tendo como base justamente esses conhecimentos, os mais importantes. Era a filosofia que deveria organizar moralmente uma sociedade, orientando-a, com base na compreensão mais realista do mundo, e a ciência contribuindo com a filosofia também para melhorar a sociedade em termos práticos. Mas o que temos e, desde há um bom tempo, são ideologias não-filosóficas disputando a hegemonia política, cultural e moral que, idealmente, seria da única e verdadeira filosofia ou sabedoria...

Resultado: 

A ciência abraçou sua versão cientificista, excessivamente pragmática, isto é, eticamente irresponsável, facilmente cooptada pelo poder, independente de sua qualidade moral.

Boa parte da filosofia, e não apenas atualmente, é "bobagem profunda" (em inglês: profound bullshit) se passando por "sofisticação filosófica", porque se tornou excessivamente abstrata ou teórica, enviesada em pensamentos e reflexões vagas, na estética do pensamento do que na qualidade do seu conteúdo, se dividindo em múltiplas ideologias erroneamente denominadas de "filosofias" e essas, por sua vez, disputando a hegemonia da sociedade e, quando a conquistam, geram novas formas de doutrinação e opressão do que de legítima educação e justiça. 

Já a religião nunca conseguiu evoluir para o nivel filosófico, estagnando-se sob a forma de mitologia, porque, ao invés de responder às perguntas universais e objetivas que faz desde os primórdios da autoconsciência humana, tradicionalmente fabrica respostas paroquiais, geralmente afastadas de um rigor racional.

Enfim, cada uma passou a direcionar seu olhar excessivamente para si própria ou, nem isso, e apenas se distorcem de maneira grosseira, desprezando a possibilidade de adotarem suas versões mais ideais, a ciência como busca, produção e ampliação do conhecimento humano, voltada para uma perspectiva mais geral e prática, a filosofia como avaliadora do que a ciência produz e voltada para uma perspectiva mais essencial ou existencial, e moral, e a religião justamente como esse núcleo da filosofia, ou sabedoria. 

*A filosofia, enquanto sabedoria, se tornou praticamente a minha "religião". 

domingo, 13 de agosto de 2023

As forças que estão condenando o futuro de um Brasil realmente desenvolvido

 I. O capitalismo, particularmente o tardio


Por ser um sistema (sócio)econômico que gira em torno do lucro individual sobre o bem-estar coletivo e, também, por causa disso, gerar acumulação desigual de riquezas e aumento do custo de vida, também sacrifica casais de classe média, forçando-os a diminuir suas taxas de fecundidade, atualmente para bem abaixo do limite de reposição demográfica. E como a classe média tradicional corresponde à maior parte da "fração inteligente" da população de um país, isto é, dos indivíduos com as maiores capacidades cognitivas; e como as capacidades cognitivas são primariamente hereditárias, desprezando mutações ou combinações que geram maiores discrepâncias de capacidades entre os progenitores e seus descendentes, sugerindo que apenas uma educação de qualidade não é suficiente para aumentar a inteligência, se é necessário que exista um potencial subjacente... e, só para piorar um pouco, também tem havido uma correlação negativa entre nível de escolaridade e fecundidade...


* Usando QI como parâmetro superficial de inteligência, aquilo que é. 


II. O predomínio  da "esquerda" identitário-burguesa ou "woke"


... especialmente na educação, na mídia e na política, impondo suas crenças ideológicas, geralmente divorciadas de um rigor científico e, também, filosófico (ou lógico-racional), entoando relativismos sobre moralidade e verdade, ao mesmo tempo que impõe seus dogmas ou "verdades absolutas": suposto anti-racismo, que é tacitamente racista contra brancos, e outros divisionismos, como o suposto feminismo, que incita animosidade entre os sexos, inclusive um ódio implícito aos homens, até os seus negacionismos de ciência, principalmente o das diferenças intrínsecas ou genéticas de grupos e indivíduos humanos, também baseado na crença da tábula rasa, no determinismo absoluto do meio sobre os nossos desenvolvimentos e comportamentos. 


Então, a partir desta lavagem cerebral, de imposição de suas falácias, tal como as anti-racistas (que eu já comentei mais especificamente no texto: "falácias anti-racistas") e de suas pseudociências de estimação, especialmente a tábula rasa, muitos brasileiros têm sido doutrinados a acreditar que se tratam de fatos e agido de acordo, sendo que, um de seus efeitos mais notórios tem sido um aumento aparentemente significativo das relações interraciais. Pois se as mesmas sempre aconteceram e se também não são intrinsecamente imorais, é sim um problema que o seu aumento aconteça com base em uma doutrinação por mentiras sobre essa questão e de maneira tão generalizada. Outro fator que problematiza uma visão excessivamente positiva sobre a miscigenação é a existência de diferenças estatísticas de comportamento e inteligência entre grupos raciais e étnicos e que sua mistura tende a resultar no predomínio dos traços dos grupos "menos inteligentes', se parece que são mais "geneticamente dominantes". Eu já comentei sobre esse tópico muito polemizado por autodeclarados progressistas no texto "A complexidade de uma verdade muito inconveniente às esquerdas" e que não é preciso se tornar um neonazista para defendê-la. Já em relação aos caucasianos brancos, a mistura racial quase sempre significa a eliminação dos seus fenótipos, que são únicos na espécie humana...


Então, mantidas essas tendências disgênicas e, acreditando que apenas o "milagre da educação" irá desenvolver este país, também uma crença ideológica típica de esquerda, amplamente imposta nos setores acadêmicos, dominados por indivíduos ditos progressistas e suas crenças ideológicas, é provável que ocorrerá, a longo prazo, uma diminuição absoluta da proporção de brasileiros dotados de maiores capacidades cognitivas, que são aqueles com maior potencial de contribuição ao país, issp se já não estiver acontecendo, sem falar do aumento dos que estão mais propensos a causar do que a solucionar problemas (positivamente relacionado com baixa capacidade cognitiva), e sem desprezar a emigração de muitos dos nossos ''cérebros'', motivados pelo sucateamento das universidades públicas.


(Recomendo bastante a leitura dos textos destacados para melhor entender os meus apontamentos neste texto)


III. O fundamentalismo religioso


... mais especificamente a ascensão meteórica do protestantismo neopentecostal no país, que tem potencial para estender sua influência moral e intelectualmente corrupta para muito além dos seus limites atuais, especialmente se mantiver esse ritmo de crescimento nas próximas décadas, além de expressar por si mesmo um nível de racionalidade inequivocamente baixo. 


A sua ascensão também significa um aprofundamento da corrupção generalizada neste país "abençoado". Pois, desprezando países árabes pequenos com muito dinheiro acumulado de suas reservas de petróleo, a grande maioria dos países mais desenvolvidos não estão dominados por fundamentalistas religiosos, enquanto que essa é a realidade de muitos dos mais pobres ou atrasados. A escolher...


Percebam que, tanto a direita quanto a esquerda, tem culpa no comprometimento da evolução social, econômica e civilizacional do nosso país nas próximas décadas. 


quinta-feira, 10 de agosto de 2023

Novamente sobre essência, progressismo e feminismo

 O progressismo, essencialmente, é sobre a prática da justiça que, por sua vez, é a prática da verdade, do que é verídico, também no sentido do que é ponderado//moderado...


O feminismo, um dos braços do progressismo, também é sobre justiça, particularmente em relação às mulheres. Mas também é sobre escolha, de "dar" às mulheres esse direito e não de imposição. 

Porém, o progressismo (ocidental) tem se comportado de maneira relativamente oposta à sabedoria e, portanto, à prática da justiça, especialmente por não sistematizar essa prática, mas supondo fazê-lo, se se baseia em muitos pontos racional ou factualmente discutíveis, desprovidos de verdadeira moderação, somente possível pela ponderação, tal como pelo abraço às pseudo ciências "do bem", que podem até ser "bem intencionadas", mas por desrespeitarem os fundamentos científicos, causam novas injustiças ou não trilham caminhos precisos para a resolução ou redução dos problemas que visam combater. 

Com o feminismo, o mesmo problema de não corresponder com a sua essência, por querer impor à mulher um modelo de ser e se comportar, ao invés de enfatizar seu direito de escolha. 

Sinais de que você não consegue distinguir pseudo ciência de ciência...

 ... especialmente a pseudo ciência "do bem".


Inspirado na polêmica recente do livro "Que bobagem!", de Natália Pasternak e Carlos Orsi.

1. Você chama quem defende os fundamentos mais básicos da ciência de positivista

Imparcialidade e objetividade, honestidade e humildade intelectuais, empirismo... Se você classifica de maneira pejorativa como positivista quem acredita que esses valores são fundamentais para definir a ciência, em sua teoria e prática, então, é provável que você não sabe distinguir ciência de pseudo ciência.

Uma variável disso é acusá-los de ter uma fé cega pela "ciência ocidental", como se a busca pela verdade objetiva fosse uma invenção de uma cultura ou civilização específica. 

2. Você argumenta que não existe apenas uma maneira de fazer ciência

Pois parece acreditar que a ciência pode ser não-empírica ou mesmo não-racional (?)...

Das múltiplas e legítimas especializações da ciência, todas têm como base os valores ou fundamentos que a caracterizam, essencialmente, particularmente os citados no primeiro ponto, que definem o método científico. 


3. Você problematiza termos essenciais à ciência, enfim, para uma melhor compreensão do mundo 

Verdade, objetividade e racionalidade, principalmente. 

Exemplos típicos: afirma que verdade e objetividade não são possíveis, deixa vagos seus posicionamentos sobre as mesmas ou a entender que a subjetividade é absoluta sobre a objetividade; tem uma implicância pela racionalidade, por acreditar que seja oposta à empatia, à compaixão ou mesmo à justiça...

4. Você não sabe distinguir correlação de causalidade, bem como outras capacidades básicas para o pensamento científico 

Tal como a de, primeiro, buscar pelas explicações menos complexas ou extraordinárias antes de pensar em adotar as mais complexas, se são muitas as pseudo ciências que se baseiam justamente em afirmações extraordinárias sem evidências extraordinárias. 

Outra incapacidade é sobre saber distinguir correlação verdadeira de falsa.

5. Você definitivamente não aceita estar errado 

Especialmente quando está ou se percebe que não tem verdadeiro embasamento lógico-racional, se para defender seus posicionamentos acaba apelando para falácias ou não consegue defendê-los de maneira honesta; porque a crença em uma pseudo ciência, que também pode ser por uma ideologia não-filosófica (ou sem ser a própria filosofia, em sua essência, como sabedoria), exige fanatismo ideológico para se sustentar.
 
Em outras palavras, você não é intelectualmente humilde a ponto de conseguir reconsiderar suas opiniões quando surgem opiniões melhores ou evidências que as desafiam. 

6. Você definitivamente já tem alguma pseudo ciência de estimação 

Esse é o sinal mais inequívoco, ainda mais se você tratá-las seriamente como se fossem ciências legítimas. 

7. Você é um filosofista 

Eu pensei em dois conceitos para esse termo de minha autoria. O primeiro se refere aquele que se define ou é definido como filósofo, mas mostra-se insuficiente em seu compromisso com a sabedoria, com a busca pela verdade ou melhor compreensão e, portanto, cai em uma categoria inferior a de filósofo legítimo. Já o que estou usando aqui, ainda que seja relativamente diferente, também se associa ao primeiro conceito, que parece comum aos filosofistas, no sentido de "filósofos de diploma", que é de alguém que desenvolve um fanatismo pela filosofia ou por sua concepção sobre ela, tendendo a resultar em preconceito em relação à ciência, uma espécie de cientificismo, mas da filosofia. Então, é possível que você seja do tipo que acusa qualquer um que defende a ciência "tradicional" de ser um cientificista. 

Eu comentei mais detalhadamente sobre esses meus dois conceitos para filosofista nesses textos: "O filósofo, o filosofista e o fisólofo" e "Diferença[s] entre o intelectualmente inteligente e o cognitivamente inteligente". 

segunda-feira, 7 de agosto de 2023

Um exemplo de pseudociência "do bem" (tábula rasa) se passando por ciência



''Pesquisadores nos Estados Unidos e na Alemanha seguiram um estudo anterior na Romênia para mostrar, pela primeira vez, como a educação de uma criança pode influenciar seu poder cerebral anos depois.

O famoso estudo, chamado Projeto de Intervenção Precoce de Bucareste (BEIP), começou no início dos anos 2000 e acompanhou o desenvolvimento cognitivo de crianças abandonadas na Romênia.

Comparando as habilidades cognitivas de crianças adotadas e institucionalizadas com aquelas que cresceram sob cuidados domiciliares, os pesquisadores descobriram que as crianças institucionalizadas tinham QIs relativamente mais baixos aos 18 anos de idade.

Nesta última pesquisa, os cientistas encontraram uma relação entre os padrões de ondas cerebrais e as pontuações de QI nos mesmos dados.

'Essas descobertas demonstram que as mudanças induzidas pela experiência na atividade cerebral no início da vida têm um impacto profundo no desenvolvimento cognitivo de longo prazo, destacando a importância da intervenção precoce para promover o desenvolvimento saudável entre crianças que vivem em ambientes desfavorecidos', escrevem os pesquisadores".

Correlação ou causalidade??? 

Ter vivido a infância e a adolescência em uma instituição para menores abandonados, ou em outro ambiente socialmente desfavorecido, (sempre) tem um efeito causal ou profundo nas capacidades cognitivas de (qualquer) indivíduo humano?? 

Bem, com base nesse trecho da reportagem, com a conclusão dos pesquisadores, sim. Mas, será que os adolescentes que foram adotados na infância, tendem, em média, a apresentar características de personalidade e inteligência que contribuíram favoravelmente para a adoção e o oposto para aqueles que não foram escolhidos?? 

Essa parte do trecho traduzido é um exemplo perfeito do que chamo de "pseudo ciência do bem", porque, além de ser pretensamente científica, por se basear em uma ideologia (tábula rasa) que não é a própria ciência, de imparcialidade e objetividade teórica e prática, também tem sido amplamente adotada por muitos  indivíduos e grupos autodeclarados de esquerda, por negar a existência das diferenças intrínsecas ou genéticas entre seres humanos, particularmente em relação ao comportamento e à inteligência, e que, portanto, serve como argumento favorável à promoção de políticas públicas de igualdade social, enquanto que o oposto disso, segundo muitos de esquerda, seria o mesmo que justificar, apoiar e/ou naturalizar o darwinismo social, isto é, as desigualdades sociais, como se fossem resultados apenas das próprias diferenças. Pois mesmo que, de fato, muitos, de direita, usem a realidade dessas diferenças justamente para apoiar medidas públicas contrárias à promoção da igualdade social, isso não significa que, aceitá-la, inevitavelmente nos levará para esse mesmo caminho, até porque as desigualdades socioeconômicas não são causadas apenas por diferenças psicológicas e cognitivas, mas também por fatores históricos e sociais, como a arbitrariedade dos valores salariais que têm sido fixados para cada tipo ou categoria de profissão. Portanto, não haveria razão de sustentar uma pseudociência "do bem", de apelar para uma "mentira branca" visando uma finalidade virtuosa", se é possível vencer argumentos maliciosos contra reformas sociais racionalmente necessárias com base na própria verdade em questão. Voltando em relação ao "achado", é muito provável que se trate de uma correlação e não de uma causalidade, até porque encontrar correlações é muito mais trivial do que relações causais, como a que foi proposta. A minha hipótese é de que a conclusão dos pesquisadores envolvidos no estudo se consiste em uma "confusão genética" ou "genetic confounding", em inglês, quando se acredita ter encontrado uma relação de causalidade entre circunstâncias ambientais e traços de comportamento ou inteligência, mas se trata de uma correlação com aspectos potencialmente genéticos ou intrínsecos subjacentes, como eu comentei logo acima. Tal como nesse exemplo em que, novamente, ao invés de o meio ter um impacto diretamente negativo na inteligência dos adolescentes que cresceram em instituições de acolhimento de menores abandonados, eles apenas devem apresentar menores capacidades cognitivas e outras características encontradas, praticamente de nascença, enquanto que, aqueles que foram adotados quando eram crianças devem apresentar, comparativamente, maiores capacidades cognitivas e, inclusive, essa ser uma das razões que os destacaram implícita e positivamente, contribuindo para as suas adoções. Claro que parece ser mais bonitinho tirar a "culpa" deles e "culpar" o meio em que cresceram, além de também não alimentar narrativas "deterministas" sobre o potencial humano, proibidas na maior parte da academia, nesses dias. Mas se não é a verdade desses fatos, então, não é racionalmente recomendável fazer isso. Isso explica em partes porque essa pseudociência, que eu até gosto de chamar de neolamarckxismo (educacionismo é outro termo de minha autoria que cabe nesse texto), tem sido tão popular em setores como a educação e a mídia. Uma tristeza um projeto desses,grande, de longo prazo, para terem chegado nessas conclusões tão vagas e tendenciosas...

domingo, 6 de agosto de 2023

Sobre direitos indígenas e... globalismo/imigração em massa

 Direitos dos povos originários... das Américas, da Ásia, da África...

... da Europa???


Então, globalistas-identitários, a favor  de "um mundo sem fronteiras", autodeclarados anti-racistas, pró empatia e solidariedade, e da ciência, estariam atacando os direitos dos povos originários da Europa??

Aliás, também estariam atacando os direitos dos povos originários das Américas, de qualquer maneira, ao apoiar ou impor políticas multiculturalistas, de imigração em massa??? 

Um mito sobre o fenótipo ampliado do autismo. (Ainda sobre o problema dos transtornos contextuais)

 (Texto-base: "Sobre transtornos contextuais")


"Indivíduos com traços do 'espectro ampliado do autismo' apresentam sintomas dessa condição apenas em uma escala mais branda. Essas características geralmente não interferem muito na qualidade de vida de um indivíduo e não são suficientes para desencadear um diagnóstico de transtorno do espectro do autismo."


Pois, na realidade, é muito provável que existam casos de indivíduos com mais traços autistas do que a média, mas não o suficiente para preencherem todos os critérios para o diagnóstico de autismo, que apresentam muitas dificuldades de inserção social e profissional. Essa parece ser a minha situação, por perceber que apresento traços direta e indiretamente associados ao autismo e, em partes por causa deles, mas também pelo despreparo da sociedade brasileira em lidar com a neurodiversidade, me encontrar sem emprego formal, até à idade de 34 anos (2023) e, desde que me graduei na universidade. Por exemplo, minha dificuldade de interação social, também por não compartilhar os mesmos interesses com uma provável maioria dos meus pares etários ou círculos sociais disponíveis na minha região, por falta de identificação cultural, ainda que não signifique que esteja completamente desprovido de contatos. Outros fatores relacionados ao espectro do autismo e que dificultam meu ajuste social e profissional é o meu perfil cognitivo que parece ser muito assimétrico, típico em autistas e também em portadores de outras condições neuropsiquiátricas, que está mais forte nas capacidades de percepção e raciocínio do que de aprendizado (de acordo com o modelo de inteligência que propus) e, como resultado, faz com que dificulte passar em um concurso público, uma via popular e relativamente acessível de inserção profissional, se esse tipo de prova exige mais conhecimentos gerais e capacidade de memorização ou aprendizado do que de conhecimentos específicos e capacidades criativa e de raciocínio, em outras palavras, é um tipo de avaliação que praticamente exclui o meu perfil, por focar nas minhas fraquezas cognitivas. Então, junte a isso minha obsessão ou motivação intrínseca e constante aos meus interesses específicos que ocupam uma boa parte do meu tempo, diariamente, e temos uma confluência de fatores que me desfavorecem de maneira crônica. Por isso que, em casos como o meu, talvez seja preciso buscar por uma relação de causalidade entre os "traços autistas" que apresento com as minhas dificuldades crônicas de ajuste para julgar se há uma necessidade de diagnóstico, ao menos de síndrome de Asperger, ou não. 

Apenas uma demonstração dos meus traços direta e indiretamente associados ao autismo

Diretamente associados: obsessão por interesses específicos e dificuldade de socialização.

Indietamente associados: disfluência ou gagueira, perfil cognitivo assimétrico, ser canhoto, fobia social, pertencer a uma minoria sexual...

sábado, 5 de agosto de 2023

Jardim de inverno

 Dedicado à belíssima música Winter Gardens de Harold Budd 


Abriu-se o jardim da morte 
Do frio, da desolação
Das lágrimas que nunca secam 
Das nuvens sempre pesadas
Das lembranças dolorosas 
Das memórias que nunca apagam 
Dos desaparecidos 
Dos desencaminhados 
Sem direção
Dos sem destino 
Que já se deixaram
Que já ultrapassaram a única dimensão

Abriu-se o jardim do inverno que nunca cede
Da indiferença do universo que parece infinita
Do silêncio do túmulo que tremula em preces
Da inexistência do próprio fim
Do que um dia foi vida
Até à última espécie 
E não haver mais dor, dúvidas ou dívidas 
Até a ilusão da consciência desaparecer pra sempre 

O que mais nos diferencia são as nossas perspectivas existenciais

 O que ou quem mais nós somos, pelo que acreditamos e vivemos, não apenas personalidade, inteligência ou circunstâncias da vida, mas esse todo, esse tudo que carregamos, que representamos e respeitamos até o fim; nossas crenças, certezas, dúvidas, erros, acertos, em como que percebemos, compreendemos e lidamos com o mundo, com o nosso mundo. São as nossas perspectivas existenciais que nos levam para caminhos completamente opostos, mesmo se só existe apenas um único caminho a percorrer, que é a vida. Se as construímos com base no que nossos instintos e emoções definem como verdade ou se aprendemos a buscá-la, a encontrá-la e a não cair mais na tentação de negá-la, de encarar de frente essa experiência única de existir, sem desvios ou artificialidades, mesmo as mais sofisticadas, direcionando o olhar para a essência, uma perspectiva rara e impossível para muitos, que poucos conseguem alcançar e perseverar. São as perspectivas existenciais, principalmente, que diferem o mais tolo do mais sábio, do menos alienado, o gênio do comum, o cruel do altruísta

Diferenças entre lógica e racionalidade

 Mas não são a mesma coisa?? 


Na minha interpretação, não. 

Lógica, primeiro de tudo, seria um termo mais abrangente que se refere tanto à natureza da própria realidade, do nosso mundo em que existimos, do ou dos universos, quanto à capacidade de perceber as lógicas específicas dessa mesma realidade. Mas a lógica, por um conceito mais essencial, seria qualquer coerência interna, quer seja da constituição de um elemento, de um fenômeno natural, de comportamentos, emoções, ideias pensamentos... Portanto, por essa interpretação, a lógica é uma partícula extremamente básica, sinônimo de coerência, que obedece a um mesmo conjunto de leis, que se repete e, como consequência, pode ser reconhecida. Por exemplo, as lógicas específicas, e que estão intimamente relacionadas, dos fenômenos atmosféricos. Mais didaticamente falando, as etapas transformativas e estereotípicas que compõem a ocorrência da precipitação ou chuva. 

Já a racionalidade, cruamente falando, é um sinônimo de ponderação, por ser definida como uma capacidade unicamente humana de pensar ou raciocinar de maneira complexa, precisa, imparcial, detalhista e/ou rica em perspectivas, que contribui de maneira muito eficiente para o melhor julgamento. Então, se a lógica é a própria natureza de tudo o que existe e da verdade desse tudo, a racionalidade, inevitavelmente, deve estar sempre buscando-a. Como resultado, a lógica existe sem racionalidade, mas o oposto não é possível. 

A diferença entre ser lógico e racional 

Pois a partir da explicação acima, podemos concluir que, ser lógico é o mesmo que ser ou estar coerente sobre algo, de pensar e agir com base em certos princípios, enquanto que ser racional é o mesmo que ser lógico ou coerente, mas em relação ao que a racionalidade essencialmente propõe, objetividade e imparcialidade no pensamento e julgamento. Se a lógica é onipresente e onisciente, se tudo obedece à leis ou é coerente às mesmas... Então, a racionalidade seria ou obedeceria a uma lógica específica. 

quarta-feira, 2 de agosto de 2023

Sobre fiiliação político-ideológica e níveis de consciência

 Para entender o texto, esse aqui como referência inicial: "Uma metáfora literária e níveis de consciência")



Pessoas que se declaram de esquerda ou progressistas, em média, estariam mais inclinadas ao hiperrealismo, ao nível mais alto de consciência, mais existencial, filosófico... relativamente relacionado com os níveis de auto-atualização, ainda que, nesse caso seria caracteristicamente insuficiente, acabando por cair em um nível intermediário entre o surrealismo e o hiperrealismo, esse primeiro um nível inferior de consciência, mais ideológico e tipicamente humano.  

Já as pessoas que se declaram de direita ou conservadoras estariam mais inclinadas a cair em um nível intermediário entre o realismo, o reino existencial dos instintos, absoluto entre os animais de outras espécies, e o surrealismo, o reino existencial da ideologia, humano por primazia. 

 Carpe Diem ou o trabalho liberta?? 

Uma maneira mais rápida ou primária de avaliar inteligência

 Sem que seja estritamente necessário uma análise individual completa e sem apelar para uma abordagem psicométrica tradicional, é buscando saber sobre quais interesses o indivíduo apresenta, quão interessado, também no sentido de paixão, ele está em relação a esses interesses e o quão proficiente, também no sentido de potencial de contribuição, ele está.


Esse método bem que poderia, se não substituir totalmente o que tem sido usado, pelo menos de ser introduzido como parte importante da avaliação.

Aliás, o que comentei antes em vários textos, o ideal seria se, para a seleção para a educação superior a prova de conhecimentos gerais, tipicamente  adotada, fosse substituída por uma prova de conhecimentos específicos e que outras qualidades fossem avaliadas, tal como a disposição de sempre buscar pela verdade objetiva e imparcial, enfim, para a racionalidade, necessária para a ciência.

Como identificar um adulto infantilizado??

 Pergunta do quora. Minha resposta. 


Pelas roupas que usa??

Não.

Pelo jeito que fala??

Não.

Pelos seus gostos culturais??

Não.

Pelas circunstâncias nas quais se encontra??

Não.

Pelo nível de racionalidade??

Sim. Não há maior maturidade do que essa. Apenas veja esses adultos ideologicamente doutrinados, incapazes de aceitarem quando ou onde estão errados, de considerarem as opiniões dos outros, especialmente as que são mais ponderadas, enfim, de estarem abertos à verdade objetiva e imparcial mesmo se divergir dos seus pontos de vista. Não parecem, são ou se comportam como crianças birrentas que se acham superiores moral e intelectualmente que os outros, donas absolutas da verdade e sem terem provado por A + B.

Uma característica comum a gênios e autistas

Um prazer intrínseco para aprender ou se entreter com o conhecimento, sem vê-lo como uma obrigação ou como um meio para um fim, (ganhar dinheiro), mas como um fim em si mesmo.