Seu nome era Natasha, nascida russa. Tinha um canal de YouTube, um humor peculiar e o maior país do mundo como vizinhança.
Fazia até um terreno baldio parecer interessante.
Ai começou a guerra e ela começou a se politizar.
Foi perdendo a graça, se tornando mais uma Natasha, e não àquela... Mais uma jovem de vinte e poucos anos e uma convicção arrogante sobre o mundo. E desejos de uma "cidadã sem fronteiras", mais um clone cosmopolita e progressista...
Também parei de seguir sua amiga, The Depressed Russian e uma outra russa, ambas do seu ciclo social de compatriotas expatriados na Geórgia, que deixou de fazer vlogs interessantes e se tornou outra aspirante à elite internacional quando se mudou para os EUA...
Também incluo aqui um tal de Roman, o único homem desse grupo, e pela mesma razão...
Ainda me lembro de outras duas criadoras de conteúdo de mesma nacionalidade que parei de seguir. Uma que sequer segui por muito tempo, porque não consegui sustentar interesse suficiente para continuar. Uma outra que comentava bastante sobre introversão e alta sensibilidade, traços com os quais eu costumo me sentir relacionado, e que parei de seguir exatamente pelo mesmo motivo embaixo...
Ainda antes da guerra na Ucrânia e o boom do meu interesse em dissidentes russos a Putin, durante a pandemia e pouco depois, aflorou o meu interesse por duas YouTubers americanas, ambas judias (não-declaradas, deduzi por sobrenome, aparência e outras pistas) e com canais muito interessantes, não apenas sobre costura e moda vintage, até porque se empenhavam, pelo menos naquela época, em fazer vídeos muito caprichados. Eu, que nunca me interessei por moda e agulhas, fiquei uns dois anos ou mais vendo seus vídeos quase semanalmente. Até que o conflito palestino-israelense tomou proporções ainda maiores depois do atentado de outubro de 2023, fazendo com que deixasse de segui-las quando começaram a declarar apoio a Israel, isso paralelo (ou não) às suas disposições também "progressistas" (hipocrisia sem tamanho). Uma delas chegou a participar de um dos pseudo documentários mais vergonhosos já produzidos nessa década, da Netflix sobre a "Cleópatra": "negra", "empoderada" e que dança twerking até o chão...
Recentemente parei de seguir um canal de YouTube da Noruega: "Introverted and a dog". O tutor, um homem homossexual de classe média alta, casado, que mostra seu cotidiano e de sua cachorrinha em um dos países mais ricos e igualitários do mundo. E mesmo assim, nunca conseguiu disfarçar sua inclinação ideológica à esquerda cultural, entre uma reflexão filosófica e uma filmagem poeticamente produzida. Um bom canal, mas pelo qual fui perdendo o encanto justamente por essa inclinação constantemente e sutilmente demonstrada, isto é, de um indivíduo tão privilegiado, mas ainda assim tão ingrato pelo país em que vive: ávido para vê-lo ser consumido pela destruição do multiculturalismo, do alto de seu privilégio confortável de classe social e de vitimismo... Me lembro que tinha vídeo todo sábado (e acredito que continue tendo) e ficava feliz por poder vê-lo, quase sempre pela manhã...
Também da Noruega cheguei a seguir por um tempo uma jovem norueguesa que mostrava o seu cotidiano com o seu parceiro. Até a um momento de ruptura.
E não preciso falar apenas dos gringos. Eu segui durante uns bons meses, uma brasileira que vive no Japão e se apresenta como se fosse uma personagem real de anime: de cabelo ruivo pintado e jeitinho "kawai" de falar e se comportar, pelo menos diante das câmeras. Me encantei pelo humor e as curiosidades sobre um país que sempre gostei: o Japão. Mas aí ela resolveu se engajar politicamente durante as eleições (sujas e roubadas) desse ano de 2026 e declarar seu voto ao "pai dos pobres". Foi suficiente para deixar de seguir, afinal, mostrou ser mais uma privilegiada e ignorante (ou mal intencionada) que defende políticos e ideologias que fazem muito mais mal do que bem às pessoas comuns...
Um ponto em comum com os outros canais mencionados: o desgaste de vínculo causado por diferenças morais e políticas.
E não se preocupem porque, quanto a alguns outros canais que ainda sigo, é provável que irei parar de seguir um dia, especialmente quando perceber que o seu criador compactua com visões de mundo incompatíveis ou inconciliáveis às minhas, ou também se a essência do canal se perder, percebendo mudanças de trajetória: de mudança no conteúdo ou de atitude do seu criador. Em alguns casos, com o primeiro do texto, são marcantes: da autenticidade que deu lugar a uma versão mais genérica e pasteurizada.
Interessante que sempre tive uma maior inclinação para canais produzidos por mulheres. Pode ser por minha natureza muito devotada ao realismo, isso me faz buscar pelo contraste de criadores que produzem vídeos mais calmos, "soft"; uma necessidade de escapismo...