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sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Ainda sobre certas correlações: transtorno mental, estilo cognitivo, filiação político-ideológica e outras

 Aqueles que são diagnosticados como mentirosos patológicos estão desproporcionalmente mais propensos a se identificar com a esquerda no espectro político-ideológico?? 


A mentira patológica, também conhecida como mitomania, é um transtorno mental grave caracterizado por um impulso descontrolado para mentir e que costuma ter repercussões pessoais negativas de longo prazo, especialmente no convívio social.

Sua comprovação de existência tem ido além de uma descrição psiquiátrica de sintomas, já com correlatos neurológicos¹ (tendem a apresentar um desequilíbrio químico em seus cérebros, com grande assimetria de densidade da massa branca em relação à massa cinzenta, aquela que interliga as diferentes regiões do órgão, o que explicaria tanto a facilidade do grupo para inventar estórias quanto a dificuldade progressiva para distinguir fato de mentira); e com evidência psicométrica potencial (estudos¹ têm encontrado uma correlação entre um perfil cognitivo marcado por um QI verbal maior que o performance com mentira patológica e que, novamente, explicaria a "força' do grupo para criar ou elaborar narrativas, isto é, sua relação excessivamente promíscua com a linguagem).

No entanto, existe um grande "porém", que não sei se outros têm notado, além de mim: de que existe um alto grau de subjetividade política na determinação do que é considerado uma mentira psiquiatrizável ou diagnosticável como sintoma de transtorno mental. Porque enquanto mentiras de âmbito mais pessoal são as mais usadas como evidências, particularmente para o diagnóstico de mentira patológica, aquelas que tendem a ser de natureza mais periférica à identidade do indivíduo: política, social, cultural... não entram nessa categoria. E é aí que, na minha opinião, está um grande problema, porque essa maneira de delimitar o que se determina como mentira ou verdade de acordo com uma visão mais psiquiátrica, limita a capacidade da própria psiquiatria (e da ciência, de maneira geral) em identificar mais  indivíduos que apresentam tipos parecidos de transtornos ou o mesmo, já que, quando mentimos (ou acreditamos em mentiras), não o fazemos apenas sobre nossos fatos pessoais, mas também aqueles aos quais nos vinculamos e que são vistos como variavelmente "secundários", dependendo do quão próximos estão de nossos núcleos de identidades. Por exemplo, uma pessoa "cisgênero" pode tomar para si a mentira do ativismo trans de que "a identificação de gênero transcende a determinação biológica sexual", basicamente que, uma mulher pode ser homem se assim se identificar e vice-versa... Da mesma maneira que, uma pessoa que se identifica como "trans", geralmente adota essa mentira como um fato para si, com a diferença de se portar como um fato pessoal, enquanto que, para o exemplo da pessoa "cisgênero", tende a aparecer como um "fato" secundário ou "não-pessoal" e que pode até ser adotada, não como uma crença verdadeira, mas como uma "mentira branca", de "suporte empático" ou mesmo "político", o que não a redime de qualquer maneira, especialmente sob um ponto de vista racional, se continua negando um fato por uma mentira. E é interessante notar o quão volúvel pode ser essa imposição política do que se considera como verdadeiro, se há pouco tempo atrás, as mentiras do ativismo trans não estavam em disputa de hegemonia com as suas respectivas verdades objetivas, pelo contrário, pois eram vistas exatamente como reflexos de insanidade mental...

Mas essa adesão a mentiras por parte de muitos indivíduos que se identificam com a esquerda no espectro político-ideológico não se limita ao exemplo do ativismo radical trans, se apresentam uma tendência geral de preferirem acreditar no que os apetece emocionalmente do que de priorizar os fatos sobre suas impressões pessoais subjetivas. São muitas falácias lógicas e morais, e distorções factuais, que usam para defender seus pontos de vista, que torna potencialmente inevitável essa possibilidade de perceber uma correlação positiva entre mentira patológica e filiação político-ideológica com a esquerda. Não que mentirosos patológicos não possam ser encontrados entre os que se identificam com a direita. Até acredito em uma variação ampla de desproporção ao longo do espectro político. Mas que, parece ser mais significativo, ou ter o seu centro mais estatisticamente proeminente, beirando uma relação fundacional, na própria esquerda, afinal, mesmo fundamentalistas religiosos conservadores ainda não negam alguns fatos extremamente básicos (que costumam ser os mais influentes e importantes), tal como os de esquerda fazem, mesmo se possam ser comparativamente equivalentes, ambos como aderentes a tipos de fundamentalismos ideológicos (ainda que se possa afirmar sobre fanatismos relacionados a qualquer outra ideologia).


Evidência psicométrica de correlação positiva 

Fora a própria evidência contida nas várias mentiras e meias-verdades que predominam no sistema de crenças esquerdistas, também existe um potencial de evidência psicométrica de correlação positiva com a mentira patológica, se tem sido encontrado, como comentado no início do texto, que portadores desse transtorno parecem estar mais propensos a apresentar um perfil cognitivo marcado por uma assimetria entre a inteligência verbal-linguística e a inteligência geral, pelo menos de acordo com os testes de QI, mais especificamente que, tendem a apresentar um QI verbal mais alto que o QI performance ou geral; justamente o perfil cognitivo que parece ser comum ou desproporcionalmente presente entre os autodeclarados esquerdistas, de acordo com vários estudos que têm encontrado uma correlação positiva entre QI verbal e filiação político-ideológica com a esquerda². É até interessante observar que também existe um apelo estético-linguístico das narrativas progressistas: uso excessivamente sofisticado e até poético da palavra, também dotando-a de uma importância além da que idealmente deve apresentar (que eu denominei de semanticalismo) que pode explicar, em partes, porquê alguns ou muitos dos mais "linguisticamente inteligentes" tendem a se identificar politicamente com a esquerda... 

Professores de ciências humanas, jornalistas e artistas — todas profissões com forte inclinação ideológica à esquerda e que também são mais propensas a manifestar esse tilt verbal...

OUTRO grupo e um estereótipo "mais recentemente" condenado pela mídia e outras "instituições tradicionais" do mundo ocidental 

Que outro grupo tem sido estereotipado, e há bem mais tempo, no passado, como "prendados na arte da mentira"?? 

Sim, são os judeus, que têm sido perseguidos por séculos e, me perdoem os mais emocionados sobre esse tópico, mas nenhuma perseguição tão historicamente extensa e constante acontece sem ter qualquer razão minimamente lógica, por mais injusta possa ser a perseguição de um povo inteiro sem salvaguardar exceções ou, pelo menos, especificar os subgrupos mais intimamente associados com acusações ou mesmo com evidências de atividades criminosas, tal como de se perseguir qualquer siciliano por causa da máfia italiana, desproporcionalmente de mesma origem étnica... 

E, desprezando generalizações absolutas e problemáticas, como essa, os mesmos potenciais levantados de evidências cotidianas e psicométricas de correlação positiva entre mentira patológica e esquerdismo existem em relação a esse grupo, especialmente ao seu subgrupo majoritário, conhecido como "ashkenazim"... Afinal, o próprio esquerdismo moderno tem tido um protagonismo significativo de judeus (particularmente de suas "elites" intelectuais), além de ideologias (como o libertarianismo) do outro lado do espectro político; se mesmo quando não são os seus inventores originais, têm participado ativamente na deturpação ou deformação filosófica dessas ideologias, com raros exemplos, geralmente individuais, que buscam, aparentemente, pelo esclarecimento do que pela distorção... 

Mas por que fazem isso?? 

O próprio perfil cognitivo assimétrico deles (QI verbal << QI performance) pode explicar, pelo menos parcialmente, se tem sido encontrado uma correlação com a mentira patológica entre "gentios", como muitos (ou a maioria?) dos autodeclarados esquerdistas de outras etnias ou raças, o que também poderia, parcialmente, redimi-los, se tratando de um caso possível, dos inúmeros que devem existir entre nós: de incapacidade de exercer o pleno "livre arbítrio", ou de julgamento reflexivo, a partir do momento que se apresenta um certo perfil cognitivo, que reflete um perfil de organização cerebral dominante que pode favorecer a mentira sobre a verdade ou uma complexidade linguística excessiva sobre uma maneira mais clara e objetiva de usar a linguagem...

Uma explicação complementar é de que, como parte de um reflexo cultural ancestral, aprendem a se organizar e a se apoiar em torno das narrativas (e mentiras) criadas por suas "elites" que os favoreceriam perante outros grupos humanos, diga-se, a maioria deles (?), tal como acontece com praticamente todo grupo humano, em que apenas uma minoria que consegue transcender seus impulsos instintivos e culturais/aprendidos e também as próprias estruturas sociais ou tribalistas que os legitimam como vias seguras de acesso ao conforto individual e/ou suporte coletivo, com a diferença de apresentarem uma grande coesão organizacional ou política, voltada para a disputa pela hegemonia com "os de fora", e suportada por uma inteligência média superior, o que torna inevitável a dúvida do quão realmente crentes em suas próprias narrativas//mentiras, projetadas para (enganar/confundir/doutrinar) os outros grupos, em média, eles são ou se tornam... 

No mais, é interessante notar o quão similares em termos politicamente organizacionais estão esquerdistas e judeus, operando como seitas político-ideológicas, não muito diferente de qualquer seita de qualquer outra matriz ideológica, incluindo, é claro, as muitas organizações religiosas tipicamente conservadoras... Mas esses "dois'¹ se diferenciando pelo teor das crenças, níveis e tipos de perfil cognitivo em relação às demais seitas existentes... 

¹ Excepcionalmente próximos...

Apresentar esse perfil cognitivo (QI verbal >> QI performance) necessariamente não quer indicar que se sofra de mentira patológica 

Apresentar uma capacidade para criar narrativas ou histórias, ou para argumentar, necessariamente não implica que apresentará também uma incapacidade progressiva para não mentir e para distinguir mentiras de fatos ou verdades... Ainda que se correlacionem, se um típico mentiroso patológico tende a ser um ótimo contador de histórias, isso não significa que todo aquele que apresenta uma "inteligência verbal" assimetricamente superior à sua "inteligência geral" (na verdade, QI) também sofra do mesmo transtorno. Mas talvez possa ser possível ou provável que exista uma desproporção de indivíduos dotados com esse perfil que são de mentirosos patológicos, ou dentro de um espectro maior do mesmo transtorno, em sua maioria de não-diagnosticados, pelas razões políticas apontadas acima, no início do texto. Só não são por conveniência político-ideológica, o que não significa que não sejam mais propensos a inventar, acreditar e/ou espalhar mentiras. Aliás, esse é outro ponto importante, porque a mentira patológica pode não se limitar a inventar mentiras e acreditar nelas, mas também de ser mais propenso à vulnerabilidade de acreditar nas mentiras que os outros inventam, especialmente se são identificadas como pessoalmente convenientes, se confundindo aos "fatos mais pessoais" e corrompendo de maneira potencialmente permanente as capacidades de discernimento moral e intelectual...

Voltando rapidamente à afirmação do terceiro subtítulo e adicionando uma outra afirmação como potencial: de que o mesmo perfil que se relaciona com a capacidade de criar narrativas (variavelmente convincentes), também pode ser o mesmo que, quando associado com outros fatores igualmente intrínsecos, especialmente os "não-cognitivos" (características de personalidade), só que dissonantes do perfil mitomaníaco, contribua para produzir um perfil oposto, provavelmente relacionado com uma capacidade linguística superior e específica à descrição factual de elementos, concretos e abstratos, uma característica básica** que, quando se acopla com um perfil psicocognitivo excessivamente subjetivista*, resulta em sua própria corrupção, em que passa a operar como suporte cognitivo de racionalização compulsória das próprias crenças do que como, original e idealmente, deveria funcionar, como a única via para a expansão objetiva de compreensão sobre o mundo, seus elementos e fenômenos... 

* Eu já busquei diferenciar o que seriam dois grandes grupos de capacidades linguísticas: o estético e o funcional. O estético diretamente refletido pela maneira de escrever e falar e o funcional, por sua vez, diretamente refletido como o uso da linguagem para compreender o mundo e se comunicar efetivamente. Eu também já comentei em outros textos que as correlações entre alto QI verbal e certos tipos de ideologias como as de esquerda, seriam especialmente quanto aos aspectos mais estéticos da linguagem, se não faz sentido lógico que, alguém muito enviesado ideologicamente e, portanto, muito mais propenso a corromper sua capacidade perceptiva sobre o mundo, apresente um desenvolvimento sadio da mesma inevitavelmente vinculada à linguagem...

** Ou de um tipo de viés contrário àquele que direciona à sistematização da razão como modelo de raciocínio, com base no meu pensamento de que a própria racionalidade também seria um tipo de subjetivização da percepção, só que em direção à objetividade e à imparcialidade, o tipo mais paradoxal



¹

²

Além do fator *g*: QI verbal e de desempenho como preditores de atitudes sociopolíticas

Destaques
•
O QI verbal prediz atitudes políticas com uma força duas vezes maior do que o QI de desempenho.
•
A importância do QI verbal mantém-se mesmo ao comparar membros da mesma família.
•
Indivíduos com maior aptidão verbal são mais propensos a votar e a relatar engajamento cívico.
•
O fator *g* não é o único componente das habilidades cognitivas relevante para as atitudes.

Resumo

Medidas de inteligência predizem atitudes e comportamentos sociopolíticos, como liberalismo, religiosidade e participação eleitoral. Pouco se sabe, no entanto, sobre quais habilidades cognitivas são responsáveis por essas relações. Utilizando várias coortes do *Minnesota Center for Twin and Family Research*, testamos o desempenho preditivo de diferentes habilidades cognitivas amplas. Por meio de regressão múltipla para comparar o QI verbal e o QI de desempenho (provenientes de testes de inteligência Wechsler), constatamos que o QI verbal prediz com maior força a participação eleitoral, o engajamento cívico, o tradicionalismo e medidas de ideologia. Em média, a correlação entre o QI verbal e as atitudes sociopolíticas analisadas é duas vezes maior do que a observada com o QI de desempenho. O mesmo padrão persiste após o controle para o nível de escolaridade e após a realização da análise entre pares de irmãos. Isso implica que a relação não é totalmente mediada pela educação, nem totalmente confundida por fatores de criação ou ambiente familiar. Controles positivos e negativos foram empregados para testar a validade da nossa metodologia. Um achado importante é que o QI verbal e o QI de desempenho apresentam capacidade preditiva equivalente em relação ao ICAR-16, uma medida distinta de inteligência geral. Os resultados sugerem que variações nas habilidades cognitivas — independentes (ortogonais) da inteligência geral — influenciam atitudes e comportamentos sociopolíticos. O papel da habilidade verbal na formação de atitudes pode ajudar a explicar as inclinações ideológicas associadas a profissões específicas. Sua associação com a participação eleitoral e o engajamento cívico sugere que indivíduos com maior aptidão verbal podem exercer maior influência na política e na sociedade.

quarta-feira, 30 de julho de 2025

A essência da inteligência linguística também é um dos aspectos cognitivos mais importantes da racionalidade

 Em um texto anterior, eu disse que o mais importante da inteligência linguística não é aquilo que mais tem sido socialmente considerado como tal: tamanho e sofisticação do vocabulário e proficiência em aprender línguas, mas o que é mais essencial à linguagem, não apenas à humana: capacidade de comunicação e de compreensão factual (da realidade vivida). Então, parece lógico de perceber que a essência da linguagem, ou da inteligência linguística, também é um aspecto muito importante da capacidade racional, se só podemos compreender, bem como de confundir, sobre a realidade pela linguagem. Portanto, é a precisão e a objetividade da linguagem, associadas a uma maior compreensão factual que, em muito, contribuem para uma maior racionalidade. Além da capacidade de percepção de padrões verdadeiros ou factíveis, que eu já havia determinado como um aspecto cognitivo da capacidade racional.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Inteligência e QI, domesticação e raciocínio

Inteligência e QI, domesticação e raciocínio

Quando nos deparamos com um texto excepcionalmente bem escrito, com palavras raras, que nem sabemos o que significam, geralmente temos a tendência de identificar o autor do texto como uma pessoa muito inteligente. É elementar, porque ter um vocabulário robusto e sofisticado sempre foi associado à inteligência. Nos testes cognitivos, ou de QI, esses aspectos verbais são os que mais se relacionam com o fator G, a tal partícula estatística que interliga os testes. No entanto, eu vou lhes mostrar que, talvez, o que parece um claro sinal de maior capacidade cognitiva, na verdade também pode estar mais relacionado com a domesticação.

Primeiro, precisamos falar um pouco sobre a linguagem. Vocês sabiam que a linguagem é uma convenção? O que é determinado como o certo e o errado de ser escrito, ortográfica e gramaticalmente, não é baseado totalmente na lógica. Por exemplo, a maneira como falamos tende a se dissociar da maneira como escrevemos, dependendo do sotaque. E isso NÃO É LÓGICO, porque criam-se regras gerais que são parcialmente negadas ou alteradas. A palavra ''aprende'' é uma dessas dissociações. O mais interessante é que muitos dos erros cometidos pelas pessoas na hora de escrever está baseado justamente nesse atrito entre a lógica e a convenção. Quando eu falo ''aprende'', na verdade, falo de acordo com o meu sotaque, ''aprêndi''. Pela lógica, tal como se fala é tal como se escreve, de acordo com a sonoridade dos vocábulos. Mas, os sotaques geralmente variam e, ainda foi convencionado que a única maneira ''correta' de se escrever essa palavra, até para diferenciá-la do ''aprendi'' [''aprendí''], é com seu término em ''e''. É um caso em que certa convenção se sobrepõe à sua própria regra ou lógica ''se escreve tal como se fala, de acordo com a combinação dos vocábulos''. Outro exemplo, que acho pertinente de ser usado nesse texto, encontra-se na língua inglesa, e é o uso do ''you are'', tanto para o singular ''você é'' quanto para o plural ''vocês são''. Ora, mas se existe o ''is'' para o ''é'', então por que é usado ''you are''? A lógica pura não explica isso, mas a lógica da convenção sim, e ela não precisa estar totalmente vinculada à essa primeira.

Memorizar uma convenção é o mesmo que ''memorizar leis ou regras'' impostas por terceiros ou coletivizadas por muitos. Tal como ''lavar as mãos antes de comer'' ou ''se sentar na cadeira durante a aula''. É fato que quando aprendemos algo, também estamos memorizando leis ou regras deste algo, de seu comportamento estrutural, já que todo conhecimento assim se constitui, aliás, tudo. No entanto, tem uma diferença aí, entre memorizar uma realidade concreta, forjada ou abstrata, e uma convenção ou determinada por outras pessoas, mesmo em relação à sonoridade das palavras, se o ''a'' terá um som mais fechado ou agudo, por exemplo. Estou concluindo, portanto, que uma boa parte da dita ''inteligência verbal'', não se consiste naquilo que a inteligência se caracteriza de modo mais significativo, que é o raciocínio afim de compreender uma realidade, mas na memorização ou ''raciocínio passivo'', no sentido de memorizar leis ou regras de convenção, isto é, de mostrar o quão obediente ou perfeccionista se está em relação às mesmas, e isso é domesticação ou comportamento domesticado.

Se os testes de QI se relacionam mais com os aspectos verbais, então pode ser que sigam similar realidade, em que, apesar de expressarem aspectos importantes da inteligência, também estão condensados de habilidades que são mais sobre domesticação ou capacidade de obedecer, internalizando regras de convenção, do que de raciocínio. A inteligência verbal, em sua qualidade, seria, ora pois, o raciocínio verbal, no intuito de compreensão das palavras, em sua aplicação cotidiana mais adequada, de reconceituá-las de modo mais preciso, ou de inventar novas [criatividade ou cognição verbal aprofundada], de preferência, palavras que não sejam sinônimos muito próximos de outras. A memorização além de uma capacidade de suporte ao raciocínio, portanto, também se consistiria em uma característica de domesticação, especialmente se for associada à internalização de regras de convenção. 

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

A língua é uma convenção

Resultado de imagem para acordo ortográfico

Fonte:https://pgl.gal/wp-content/uploads/2016/01/acordo-ortografico-brasil.jpg

A língua é uma convenção

Escrever errado não é sinal de estupidez. A língua é uma convenção, um malabarismo de como se fala e como se escreve. Boa parte dos erros acontecem nessa tradução. Não é culpa de quem não aprende a sua malandragem. O telefone de hoje não é o mesmo telephone de 80 anos atrás. O pára do verbo parar, até perdeu seu acento. São regras, com lógica, mas também com muitas exceções. Sim, quem escreve muito bem, é inteligente nisso. Mas quem não escreve, não deve ser penalizado, humilhado, mesmo se for um mínion de direita [ainda que esse já venha com um pedregulho na mão, na hora de debater]. O português veio do latim vulgar. Imagine um latim de cortiço, cheio de gírias e palavras escritas "errado'?! O certo e o errado ainda existem na hora de escrever. Mas são relativos à convenção usada no momento. É importante reconhecer o que realmente faz uma pessoa inteligente: sua curiosidade, sua vontade e capacidade de aprender [em relação a tudo que for possível]. E quanto às palavras. Saber quem são, como vivem, o que fazem.. e como usá-las. Se é um português formal ou não, a natureza da língua é ser diversa e fluida.

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Preconceito cognitivo ou emotivo

Será que só existem os preconceitos cognitivos?? Vou especular sobre isso. 

Primeiro, o que é preconceito cognitivo?

Como quase sempre faço, e de metido ou presunçoso, o conceituarei sem a ajuda de cartas, universitários ou dicionários online, já que o farei ao meu modo, pretensamente mais preciso. 


Preconceito, como eu tenho comentado, ou não, para dizer a verdade eu nem me lembro direito, seria o pensamento indutivo usado no cotidiano, em que, ao invés de buscarmos compreender uma dada situação, via observação, análise e crítica, possivelmente neutras, "deduzimos' via indução, produzindo linhas de achismo com base no conhecimento que temos [ou mesmo, e o mais provável, com base em nossos próprios instintos, com os conhecimentos que herdamos].

 Até posso pensar nisso por outros dois modos: instinto e simpatia. 

Os instintos são os comportamentos com os quais nascemos. Por exemplo, se eu sou mais emotivo desde que me conheço por gente, então isso se consistirá em um instinto ou pré-disposição para agir/ser desta maneira. Não é algo que aprendemos, que conseguimos controlar com facilidade, e que dependendo dos traços, definirá parte significativa de nossas personalidades. 

Simpatia: Talvez, se houver um outro blogue, falarei bastante dela, e de sua nova cara a partir do meu conceito. Esta seria, portanto, de acordo "comigo", em um mecanismo de sensibilidade, à priore, a contrastes, e claro, a partir de nossas perspectivas, que são avaliados subjetivamente. Tal sensibilidade, então, nos ajudaria a diferenciar os elementos que são mais favoráveis para a nossa sobrevivência, daqueles que não são. 

A simpatia é esse mecanismo. 

Os instintos seriam os comportamentos que, quando em ação conjunta, e sempre estão, usariam a simpatia para dividir ou diferenciar o mundo em "us and them". E talvez também em ''unknown''. 

E o preconceito?? 

O instinto é o comportamento inato. ok. 

A simpatia é parte (importante) do seu mecanismo [mas também da razão, quando à ela se acopla, e sempre faz]. ok. 

E o preconceito é o resultado dos dois e claro, mais intimamente da simpatia. 

Não a confundamos com empatia, outro tópico que me é de interesse e que também comentarei, bastante, no próximo e tão prometido novo blogue [aliás, algo que já fiz por aqui, de outras, e menos precisas maneiras].  Apesar desta se consistir em uma evolução da simpatia, ainda não são a mesma coisa, claro, pois seria como dizer que, pelo calor ser uma evolução do frio, por serem ambos temperaturas, então seriam os mesmos.

Cognição: faz um tempo que tenho tentado e acho que não tenho conseguido, compreender as diferenças entre a cognição e a emoção, ou o tenho feito de modo disperso e desorganizado. Se pudéssemos nos ver como uma máquina, com um coração, então, parece óbvio que a cognição seria a primeira e a emoção o segundo.


 Mas prefiro me aprofundar razoavelmente de outra maneira, pelas ideias de ação e reação. 

A emoção é sempre uma reação, uma resposta, do que uma deliberação, ainda que também possa se manifestar durante o processo de raciocínio e/ou a partir de uma ação mais elaborada [ainda assim, agindo sempre desta maneira, como julgamento/reação qualificativa aos padrões sentidos e/ou percebidos]. 

A emoção portanto parece ser mais instintiva do que a cognição, especialmente a humana. A cognição por sua vez seria tudo aquilo que se relaciona ao raciocínio: à memória e para diferentes tópicos (informações pessoais, interpessoais e impessoais); aos estilos de pensamento, que inevitavelmente induzem a comportamentos, por exemplo, se é mais lógico ou mais divergente, e aos tipos de pensamento ou melhor, especializações: verbal, espacial, etc... 

É elementar de se constatar que a emoção atuará junto à cognição. A cognição é a percepção, e a emoção é o julgamento daquilo [interações exteriores//fatos] que foi percebido, pelos sentidos, e também aos nossos próprios estados biológicos, aliás, emoção e simpatia, por esta via de observação e análise, estariam excepcionalmente próximas em significados, com dois diferenciais possíveis: 

- de pertencerem a diferentes espectros, a simpatia ao espectro da consciência (com senciência, empatia e autoconsciência) e a emoção ao espectro do raciocínio (com a cognição); 

- e da emoção vir primeiro que a simpatia, por ser uma reação qualificativa e a simpatia, mais atrelada ao contexto, como um produto da emoção. 

''Eu tenho simpatia por ti'' é o mesmo que ''eu estou emocionado''??

Eu não sei realmente, acho que a simpatia seria uma ação, propriamente dita, enquanto que a emoção sempre seria uma reação, e/ou, a simpatia como uma emoção direcionada ou deliberada.

A emoção especificamente como julgamento de padrões, e a simpatia, como percepção ou reconhecimento e julgamento de padrões, ambas diretamente relacionadas com a sobrevivência, se são mecanismos absolutos aos nossos comportamentos, se as 'usamos' a todo momento, inclusive nos de inércia relativa.

A emoção, talvez, como a combustão que gera o fogo, e a simpatia como a maneira com quê o fogo reage ao estado atmosférico em que está 'interagindo'. Ou, finalmente eu tenha que admitir que sejam quase a mesma coisa [praticamente o mesmo nível de similaridade que felicidade e alegria], a partir de minhas reinterpretações, 



(O -_- o)
Pois é....

Portanto agora vamos buscar especular quanto à uma possível existência do preconceito emotivo e diferenças com o cognitivo. 

Pensar versus reagir 

Se eu nasci e/ou demonstro desde cedo uma maior tendência de reatividade ou emotividade, então eu devo ser mais instintivo neste aspecto. Falamos preconceito porque é anterior à presença da linguagem e/ou do processo de conceituação, isto é, o pensamento[raciocínio] que é essencialmente não-verbal [instintivo].

Se eu nasci ou demonstro desde cedo aptidão verbal e déficit na área de matemática, então, este será o meu perfil cognitivo, que também é um preconceito, porque veio antes da linguagem. Isto é, não foi, absolutamente falando, apenas a educação de baixa qualidade ou mesmo a minha desmotivação, que me fez ser desequilibrado em minhas aptidões mas, primeiro de tudo, os meus preconceitos cognitivos [bases inatas de comportamento cognitivo]. 

Portanto, todos nós temos preconceitos, e sem um contexto, eles farão nem bem e nem mal, porque quase toda palavra abstrata assim o é, ao menos no princípio, de antes de ser aplicada e misturada à circunstâncias, e de adquirir atribuições ou qualidades a partir delas.

Preconceito como sinônimo imperfeito para a ignorância

Por que as pessoas usam tanto essa palavra?? E tendenciosamente, de maneira tão vaga??

Primeiro, porque "as pessoas", em média, assim o fazem com a maioria das palavras de maneira geral e em especial quando são socialmente persuadidas. 

Segundo, porque o preconceito pode ser aplicado como sinônimo imperfeito de ignorância, acusando outrem de atribuir valores por si mesmos, por seus instintos, e não por "conhecimento'. No entanto... eu já devo ter comentado, e com certeza o farei novamente, que os nossos instintos também são conhecimentos, só que são transmitidos geneticamente, ao invés de apreendidos, e mais crus ou primários, e mesmo no caso dos conhecimentos tradicionalmente adquiridos, já apresentam pré-condições para que essa apreensão possa ocorrer, de novo o exemplo das capacidades verbais. Se eu não nasci com tais capacidades, diga-se, em alto nível, então é muitíssimo pouco provável que conseguirei apreender, durante a minha vida, um vocabulário robusto e ''correto', e/ou que também conseguirei ser um articulista verbal prodigioso, pelo menos quanto à escrita, porque em termos orais ou diretamente sociais, de interação, não é incomum encontrarmos tais tipos oralmente talentosos, e desprovidos dessas capacidades verbais mais abstratas, a esses níveis, e eu especulo que sejam produtos de uma evolução maior da inteligência verbal oral, anterior à escrita ou abstrata.

Faz algum tempo eu "culpei" a simpatia como causa fundamental para o preconceito e não estou errado. Agora percebi por meio desse texto o quão próximo do instinto ele [e ela] se encontram. 

Pois então, parece que existem os dois tipos, isto é, que também existe o preconceito emotivo, até por razões óbvias, por se consistir em um produto da simpatia, que por sua vez, é um dos produtos do instinto ou um tipo de instinto em si mesma, mas dotada de um termo que salienta essas diferenças sutis de "etapas", tal como dar nomes às ruas que são mutuamente subsequentes mas tendo em mente que são construções semânticas possivelmente mais artificiais do que representações reais ou de realidades absolutamente diferenciadas ou atomizadas em si mesmas.

Seria mais interessante buscarmos saber se, apesar dos dois preconceitos se diferenciarem, como parece ser, quase sempre colaborarem entre si para resultar no mesmo produto, isto é, que não seja possível de diferenciar as suas influências...


No entanto, talvez, a melhor maneira de diferenciação [em que um terá maior influência de causa do que o outro] se dará entre os tipos mais emocionalmente frios e em relação aos mais emocionalmente quentes, pois os primeiros, ao invés de sofrerem maior influência de suas emoções/sistemas instintivo-avaliativos, o fariam a partir de suas cognições/sistemas instintivo-perceptivos.

Se conseguiu chegar até aqui depois desta nova confusão, parabéns, você é um vencedor!!

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Você não precisa saber o seu qi [ou fazer um teste cognitivo para estimá-lo] se você pode analisar o seu desempenho na escola e em sua vida, de maneira geral, para estimar as suas capacidades cognitivas

Comece por aqui mesmo. 

Escreva uma redação e peça para uma pessoa da área analisa-la. 

Se quiser, escreva mais de uma redação, escolha o tema e mande brasa. Primeiramente será analisado a sua ortografia, primeiro proxy para o vocabulário. Se você escreve 'bem", regular ou "ruim'. Logo depois a sua gramática também será avaliada para ver se você pontua corretamente e/ou compreende mais ou menos outras regras, por exemplo, a conjugação das palavras em diferentes tempos. O nível de coerência do seu texto será outro fator importante, ainda que isso em partes também possa revelar um pouco da sua personalidade, transcrita. O seu nível de conhecimento sobre o assunto também será analisado. Neste caso adentraremos em uma arena mais arenosa já que o nível de compreensão factual geralmente não é muito requisitado em um teste cognitivo especialmente quanto aos assuntos mais importantes geralmente relacionados às humanidades e às ciências naturais. No mais os testes cognitivos até hoje não se aprofundam muito nesses aspectos, portanto o seu desempenho técnico já será potencialmente suficiente para julgar a sua inteligência verbal. 

Maior e mais correto (isto é, de acordo com as normas) for o seu vocabulário, maior será a sua inteligência verbal ou parte dela.

 Neste caso não haveria a necessidade primária de compara-lo com outras pessoas já que esses aspectos são universais, porque se fossem mesmo absolutamente relativos então não seria possível julgarmos o desempenho individual por si mesmo, até mesmo porque toda comparação advém de regras previamente estabelecidas. Parece elementar de se supor que, maior e mais correto (de acordo com as regras) o vocabulário, melhor, a priore. 

segunda-feira, 26 de março de 2018

Mais pensamentos sobre a inteligência verbal [estilo de pensamento]

A inteligência verbal em suas raízes não é apenas cultural. Talvez possamos dizer que o estilo de pensamento seja a inteligência verbal (oops múltiplas ...) + inteligência emocional sem cultura. 

A inteligência verbal é sobre a comunicação, que é um dos aspectos mais importantes da inteligência, não apenas da humana. Não é "apenas" comunicação entre as pessoas, mas também intrapessoal. A inteligência verbal está diretamente relacionada com a autoconsciência, talvez mais íntima do que qualquer outra habilidade bio-cultural-acessória (que também é aprendida). Obviamente que, para pontuar de forma normal em um teste de QI verbal, deve-se aprender a ler e a escrever pelo menos na sua língua materna.

A inteligência verbal através da internalização cultural da linguagem é apenas a expressão do estilo de pensamento, associado a símbolos, em interação perceptiva com a realidade envolvente.

Portanto nós temos:

Estilo de pensamento e percepção do mundo, tradução ou filtro desta percepção e tradução ou verbalização do mesmo via linguagem.

quarta-feira, 21 de março de 2018

Inteligência verbal essencial (invenção e compreensão semântica das palavras) versus inteligência verbal secundária (vocabulário//gramática..)

A primeira é extremamente importante:

- saber o significado das palavras e a melhor aplicação delas; inventar novas e factuais interpretações das mesmas ou mesmo novas palavras [criatividade verbal e heurística/compreensão factual].

A segunda é comparativamente menos importante:

- saber correta-a-consideravelmente a ortografia e a gramática, a maneira ''mais correta' de escrever. 

-- acúmulo geral de palavras e dos seus conceitos, sem necessariamente levar em consideração a qualidade, usabilidade ou compreensão factual das/em relação às/ mesmas [memória semântica//QI] e claro, aplicadas aos mais diversos contextos.

E um plus potencial a visivelmente confuso::


Produtores [criativos/ criadores do conhecimento/da cultura];

Consumidores [sustentadores/vivenciadores acumulativos da cultura/ do conhecimento];

Decompositores intelectuais/culturais//semânticos [geralmente associados aos produtores// os mais sábios no que se refere à essência e função da linguagem/ corretor do conhecimento/da cultura].

Inteligência verbal essencial: Produtores E decompositores;

 Inteligência verbal secundária: Consumidores/sustentadores.


Aplicável para todos os tipos ou facetas da inteligência.

decompositores (decompõem/essencializam)

Produtor / o mais criativo
Consumidor / o mais inteligente
Decompositor / geralmente o sábio de ''menor calibre''
Os três: o sábio mais inteligente


Todos são consumidores;
A maioria não é produtora/inventora;
A maioria não é decompositora/corretora.


domingo, 27 de agosto de 2017

Vinculando as ''inteligências não-cognitivas'' com as ''inteligências cognitivas''

Inteligência emocional [intrapessoal e interpessoal] = um tipo de inteligência verbal [geralmente de natureza oral/auditiva, memória verbal]

Sub-inteligência musical = inteligência sinestésico-corporal/motora [sistema nervoso periférico e central] === inteligência verbal/matemática [composição das músicas, memória verbal, etc] 

Inteligência naturalista/científica = inteligência verbal, espacial, matemática 

Inteligência existencial/filosófica [derivada da intrapessoal, especialmente] = inteligência científica === inteligência verbal

Elementar de se re-constatar que todo tipo de capacidade humana deriva do reconhecimento de padrões e da verbalização/símbolo-associação desses padrões via ''inteligência' verbal.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Um perfil contextualmente ingrato

Meu perfil psico-cognitivo: a minha inteligência é mais cognitivamente específica do que geral... e mais psicologicamente geral do que específica.

Isso significa que eu apresento habilidades cognitivas mais específicas ou assimétricas, enquanto que em relação às minhas habilidades psicológicas, especialmente em termos teóricos, eu acredito que sejam mais gerais ou simétricas, por exemplo, em relação ao auto-conhecimento ou habilidades intrapessoais, interpessoais [teórica e não ativa, que eu já expliquei em alguns textos, que se pode conhecer muito bem as outras pessoas mas que, a personalidade pode frear o uso constante desse talento] ou ''empatia cognitiva'', e afetiva. 

Capacidades verbais internamente assimétricas (verbal > matemática) e inteligência geral cognitiva internamente assimétrica (verbal > ñ verbal/performance).


Eu acredito que este tipo de perfil seja contextualmente ingrato ou problemático porque os sistemas meritocráticos existentes tendem a enfatizar por:

 - habilidades cognitivas gerais, por exemplo em concursos públicos;

 - não enfatiza por melhores nem maiores capacidades psicológicas, isto é, não busca pelo ideal nas relações humanas, mas apenas no ''feijão com arroz'', lugar comum em um mundo que foi projetado para o mediano, mas que é gerenciado e dominado pelos mais espertos;

- habilidades verbais simétricas, verbal e aritmética, também em relação a concursos públicos;

sem falar da criatividade e da racionalidade, ambas personas non-gratas na maioria dos ambientes de trabalho, apenas as suas manifestações mais brandas, e mais para o caso da criatividade, mais convenientes, que tendem a ser valorizadas. 

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

QI e ''múltiplas'' inteligências... qual [sub] inteligência que se correlaciona mais com as pontuações em testes de QI*

Na minha opinião, retida a partir de minha lógica intuitiva/ achismo lógico, o nível de correlação das pontuações em testes cognitivos, especialmente em ''QI performance'' ou ''geral'', em relação às ''múltiplas'' inteligências, se hierarquizaria da seguinte maneira:

Inteligência matemática/quantitativa (a grande maioria daqueles que são acima da média em habilidades matemáticas, também pontuarão 'igualmente'' acima da média em testes de QI performance) ~0,80

Inteligência verbal (a maioria daqueles que são acima da média em habilidades verbais, também pontuarão igualmente acima da média em testes de QI performance) ~0,70

Inteligência espacial (a maioria daqueles que são acima da média em habilidades espaciais, também pontuarão igualmente acima da média em testes de QI performance) ~0,70

Inteligência musical, interpessoal, intrapessoal (proporção presumivelmente diversa, mas sem ser predominante, daqueles que são acima da média nessas [sub] inteligências, que também pontuarão acima em testes de QI performance) ~0,40

e

Inteligência sinestésica (proporção presumivelmente diversa, e possivelmente, sem chances de ser predominante, daqueles que são acima da média nessa [sub] inteligência, que também pontuarão acima da média em testes de QI performance) ~0,20

Explicação:

O QI mensura/delimita as partes cognitivas de nossas capacidades intelectuais. Escusado será dizer que aqueles que estão melhores nessa parte se sairão melhor em testes cognitivos. 

A razão para eu ter colocado a inteligência matemática à frente da verbal como a que mais se correlaciona, com maior precisão, em relação às pontuações de testes cognitivos, isto é, ''é inteligente em matemática, logo terá grandes chances de pontuar alto nos testes cognitivos/ QI performance'', se dá porque apesar do papel quase basal da inteligência verbal, inclusive para a própria matemática, a mesma me parece que é mais comum e portanto com maior diversidade de perfis cognitivos. Outra razão é que, se pode ser verbalmente inteligente e no entanto apresentar déficits tanto em matemática quanto nas capacidades espaciais, enquanto que quem é muito inteligente em matemática, inevitavelmente precisará ser no mínimo acima da média em verbal, e de fato isso parece acontecer. Super inteligentes em capacidades matemáticas, necessariamente não terão capacidades verbais elevadas, em média, a ponto de poderem trabalhar mesmo nas áreas mais exigentes que tendem a necessitar dessas capacidades, mas para que possam compreender problemas matemáticos, existe a necessidade de se ter ao menos inteligência verbal acima da média. Em compensação, como eu já comentei [sempre repetitivo], não existe a restrita necessidade de se ser muito inteligente em matemática para que se possa ser muito inteligente no domínio verbal. 

Outro argumento a favor da validação factual do meu ranking de correlações entre as ''múltiplas'' inteligências e QI [performance], é que a inteligência matemática [assim como também a inteligência espacial, só que mais avançada], consiste-se claramente em uma evolução mais recente da inteligência humana, ainda que a inteligência verbal mais avançada, também, obviamente, se consista em um avanço evolutivo. No entanto, a matemática e em especial a matemática de nível basal que está presente nas grandes civilizações, já se consiste em um grande avanço, neste sentido mais evolutivo, apesar de não concordar que, portanto, a matemática seja suprema em comparação às outras capacidades humanas. Verão que não apenas discordo deste ponto de vista que é muito comum entre os tipos mais inteligentes, especialmente os que estão mais inteligentes neste campo, ;), mas também que, na verdade, a hierarquia da inteligência humana, a meu ver, posicionaria a matemática, não no centro, mas como um dos satélites do famoso ''g'', que principiaria pela tão desprezada ''inteligência intrapessoal'', fortemente atrelada à racionalidade e à sabedoria, pelo simples fato de que é hierarquicamente primordial saber muito bem de si mesmo, de suas próprias forças e fraquezas (incluindo aí as sub-inteligências cognitivas como a matemática), antes de se enfatizar nas demais perspectivas de nossos intelectos. Ou seja, o nível de autoconhecimento contribui decisivamente para definir o quão qualitativamente inteligente estaremos.

Eu coloquei a inteligência verbal à frente da espacial como a que mais se correlaciona com os testes cognitivos, justamente por causa do seu papel basal, só que menos ''evoluído' do que a matemática. A matemática depende da verbal, na maioria das vezes. O mesmo acontece com a espacial. No entanto os problemas de geometria costumam ser mais visuais do que verbais, e portanto presume-se então que a inteligência espacial esteja menos dependente da verbal. Aliás, a matemática pode ser considerada como uma diversificação justamente daquilo que a inteligência verbal também é, isto é, uma diversificação dos símbolos por associação, letras/palavras e números, que temos inventado, e enquanto que a capacidade verbal talvez possa ser compreendida como uma espécie de ''matemática por descrição qualitativa'', em que se pode associar, descrever, comparar, julgar como melhor/maior ou pior/menor (ou o oposto, no caso depende do contexto) a matemática também pode ser descrita como ''verbalização quantitativa''. No verbal, dizemos se uma pessoa é mais inteligente, mediana ou menos inteligente [dependendo para quê]. Na matemática, comparamos as suas pontuações em testes de QI, ou o tamanho dos seus crânios. Valores qualitativos representados por adjetivos são substituídos por valores quantitativos representados por números. Substituímos um tipo de simbologia por associação descritiva [palavras/letras] por outro [número]. Se está menos dependente da inteligência verbal então a inteligência espacial também será menos correlacionado com os testes de QI performance ou geral, a priore, que exigem ao menos que se tenha uma inteligência verbal acima da média para que se possa pontuar alto, de maneira generalizada, nos testes. 

Dos valores correlativos que coloquei, apenas o da inteligência verbal que é o mais factual, de fato, que não se consiste apenas em um chute pedante, e em relação à populações sem tilts (neste caso excluindo grupos como os judeus asquenazes), a inteligência verbal será fortemente correlacionada com a inteligência [cognitiva] geral ou ''QI performance''. Interessante que, provavelmente por causa do déficit em capacidade visual-espacial o nível de correlação entre inteligência verbal e performance/geral entre os judeus asquenazes, pelo que já vi, tende a ser em torno de 0,30. O peso da inteligência espacial então parece ser alto o suficiente para reduzir este coeficiente correlativo, ou humilde e sinceramente falando, eu não entendo patavinas deste assunto. Ou então ''30% dos judeus'' apenas, que pontuarão alto nos dois, verbal e performance/geral, enquanto que 70/80% dos ''gentios'' que pontuam alto em verbal também pontuarão ''igualmente' alto na ''inteligência geral''.

Saímos da parte predominantemente cognitiva da inteligência humana e partimos para o mundo onde que a capacidade psicológica também é levada em conta, aliás, minto, em todos os tipos, perspectivas ou lados de nossas inteligências, a parte psicológica também é muito importante. No entanto, partindo deste cenário em que o QI é: muito relevante, forçosamente central, então sim, é possível fazer essa afirmativa sem concluir que são bobagens faladas ao vento. Lembremos que no mundo real, a inteligência é integrada, e as respostas quase sempre assim serão. Menos no mundo sem contexto dos testes cognitivos, em que a inteligência será mensurada sem toda a sua integridade (as suas partes cognitivas atomizadas entre si) e em atuação direta com o mundo real. Isso significa que, você pode pontuar alto em testes verbais, ao fazer corretamente as associações verbais, ''aculturais'', isto é, entre as palavras, que estão presentes nos testes de QI, além de outros subtestes. No entanto, ''verdadeiras pontuações'' só se dão em cenários reais, em que as palavras tem significados e propostas reais, corretas ou não, isto é, com contextos. No mundo encantado da psicometria ''on the right'', todos os ''altos QI's'' serão geniozinhos e todas as suas falhas serão perdoáveis, como eu já falei muitas vezes aqui, sobre o primo rico e o primo pobre. No entanto no mundo real, atitudes idealmente corretas ou uma predominância delas, principalmente em relação àquilo que entendemos como ''racionalidade'', parece que encontrar-se-ão francamente distribuídas pela curva de sino de maneira que, ''ter'' um alto QI, especialmente se for performance/geral, não é sinônimo de supremacia intelectual, como se ''eles'', os de maior QI, fossem insuperavelmente inteligentes, em tudo, em relação aos outros ''reles mortais'', e as 'múltiplas' inteligências estão aí para desbaratar esta hierarquia unilateral e injusta/incorreta.

Das 3 [sub) inteligências que eu coloquei praticamente no mesmo nível de correlação, eu aposto que a inteligência intrapessoal será a mais correlativa com a inteligência cognitiva geral, mas sinceramente eu não tenho qualquer prova contundente quanto à essa minha afirmativa. Acho inclusive que essas três inteligências, intrapessoal, interpessoal e musical, serão aquelas com a maior proporção de perfis irregulares ou assimétricos. Por exemplo eu acho que a inteligência intrapessoal precisa de uma inteligência verbal acima da média, para que possa ser melhor efetuada ou praticada, mas o mais importante será tanto uma capacidade de auto-consciência a ponto de compreender os próprios [reais] preconceitos cognitivos, maior perfeccionismo, consciência estética, compreensão factual, enfim, uma série de traços psico-cognitivos, e não ''apenas' cognitivos, de maneira que eu posso estar equivocado quanto a este meu [outro e isolado] palpite. No mais pela lógica, quem entende o significado das palavras, lhe nutre grande curiosidade, devoção e respeito, será menos propenso a cair na tentação de agir estupidamente, por longo prazo e subconsciente sobre as consequências das próprias atitudes, porque afinal de contas nós operamos justamente com base em o quão proficientes estamos para entender e aplicar as palavras que aprendemos e como já falei aqui em outros trechos, a inteligência verbal é basal, crucial para a inteligência humana, de qualquer maneira. Por causa de uma maior intimidade da inteligência intrapessoal com a capacidade mais pura de pensamento, a importância de se ter um bom vocabulário e excelente compreensão do mesmo, torna a capacidade verbal muito importante para o auto-conhecimento, se se consiste puramente em habilidades auto-analíticas. Outros fatores podem ser importantes para a inteligência intrapessoal, por exemplo, níveis acima da média de neuroticismo, a capacidade de ver os ''dois'' lados de uma mesma ''moeda'', ou de se pensar em mais de uma perspectiva, e neste caso já estaremos adentrando no domínio da criatividade. 

A inteligência interpessoal já é um termo bem complexo, talvez... Presume-se que, o reconhecimento de padrões factualmente corretos consista-se na pedra filosofal da inteligência. O que diferencia é o tipo de padrão. Quem é mais inteligente em verbal, será melhor, diversamente falando, para reconhecer padrões... verbais. E assim por diante. Então aquele que é mais interpessoalmente inteligente, pelo que parece, se dividiria em tipos, eu mesmo poderia dizer, bem distintos entre si, a priore. O primeiro seria uma espécie de complemento básico da inteligência intrapessoal, isto é, é bom para conhecer-se, então tenderá a ser ''igualmente' bom para conhecer os outros* Se os padrões universais de operacionalidade ou comportamento tendem a ser os mesmos entre você e eu** Portanto, o que já falei [ uma frase corriqueira aqui], este se consistiria no ''inteligente interpessoal teórico'', sem ter um adjetivo melhor do que ''teórico'' para que possa elucidar esta parte. Isto é, ele sabe, reconhece os padrões de comportamento, temperamento, personalidade, dos outros, claro, acima da média neste quesito, MAS, na hora de agir o seu nível de eficiência pode não ser logicamente correspondente e por que*

Porque ele pode conhecer melhor as outras pessoas, que elas mesmas poderiam fazer por si mesmas, e elas tendem a partir desses auto-resumos interagirem com as outras pessoas, enquanto que o interpessoalmente inteligente, de natureza teórica, ''o complemento da inteligência intrapessoal'', partiria de uma base progressivamente ideal/correta de comportamento, e no mundo social humano, em sua grande maioria, você não precisa de muito pra ser socialmente bem sucedido, a priore, basta espelhar ''empaticamente' aquilo que os outros gostariam de ouvir, concordar com eles, os elogiar, rir de suas piadas [mesmo as sem graça ou as de mal gosto], dizer que tem os mesmos gostos, enfim, os emule, e aposto que não terá muitos problemas, ao menos a nível superficial. No entanto, quem é [mais] intrapessoalmente inteligente, dificilmente conseguirá se adequar a este mundo, até mesmo por ser um mundo anti-ideal, isto é, que é o seu quase-oposto. Neste sentido, eu acho que esse tipo de interpessoalmente inteligente, que também é intrapessoalmente inteligente, tenderá a se assemelhar muito, a ponto de ter níveis de correlação com ''inteligência cognitiva geral'' praticamente idêntica com a ''inteligência intrapessoal'', por razões auto-evidentes. Já aquele de maior inteligência interpessoal prática, que não precisa ser, necessariamente falando, teoricamente mais inteligente neste quesito, muitas vezes assim o será por causa de sua sorte de ter nascido no lugar certo, na hora certa, como a pessoa certa, ''ideal'' para este ou aquele ambiente social. E acho que este tipo parece representar muito bem o tipo que é o mais ''adaptativo'' ou conformativo ao ambiente em que vive, emulando com grande semelhança os tipos mais ''adaptativos'' das outras formas de vida, em um cenário que é ambientalmente dependente para o critério de ''inteligência''. Difícil definir como que poderíamos definir os tipos mais interpessoalmente inteligentes, no sentido prático, pois existem muitas maneiras de se sê-lo. Mas geralmente, numerosa lista de ''amigos'' e ''simpatizantes'', e capacidade de estabelecer relações superficialmente proveitosas com as outras pessoas são bons indícios. Extroversão, tendências mais simpáticas do que empáticas também são importantes. 

Ou podemos continuar com esta minha proposta de definir os tipos de interpessoalmente inteligentes, isto é, bifurcando o tipo, evidentemente em dois, ou também podemos apenas considerar, como critério inicial, a capacidade de reconhecimento de padrões interpessoais, que eu defini como o tipo ''teoricamente inteligente'', independente do nível de sucesso prático, pois o que importaria aqui seria o quão esperto é para conhecer os padrões pessoais alheios, leia-se, inter-ligar, ligar os pontos [dos outros], praticamente o conceito mais literal da inteligência.

A inteligência musical parece relacionar-se de maneira irregular com pontuações em testes de QI, nomeadamente o performance ou ''geral'', e sinceramente eu não entendo muito bem o porquê dessa maior diversidade nas pontuações e portanto menor correlação. Creio eu que o mesmo tende a acontecer com a criatividade, especialmente a de natureza mais artística, pois seria como uma espécie de ''síndrome de savant'', amalgamada e adaptada ou acoplada a uma realidade menos extrema, isto é, em indivíduos invariavelmente ''normais'' ou ao menos, que estão menos ''ilha de gênio/oceano circundante de deficiência geral'', como os típicos portadores desta síndrome. O criativo, mas especialmente o que defini, há muito tempo, como o ''tipo savant'', seria alguém com habilidades savant isoladas (extrema facilidade para aprender algo e com grande potencial ou talento, praticamente latentes) só que sem deficiência intelectual generalizada, que o caracterizaria como portador da síndrome de savant.  

Por último a inteligência sinestésica que por razões sub-lógicas, seria a que menos se correlaciona com maiores pontuações de QI, de qualquer tipo, mas especialmente o QI performance. 

Pra ser médico você precisa ser muito cognitivamente inteligente (QI... e geralmente o QI geral ou performance). O mesmo não é preciso pra ser ou se tornar um grande esportista. 

Novamente, a inteligência que se encontra mais próxima, mais vinculada ao próprio ser, seria evidentemente a intrapessoal, e a meu ver, seria portanto a mais importante, a partir desta perspectiva, centralizada ou principiada pelo ser, tendo-o como o epicentro, e que de fato o é, em relação ao seu próprio comportamento. Se todos fossem mais intrapessoalmente inteligentes, dificilmente seriam de alguma maneira de centralmente estúpidos, e no entanto o contrário é o mais provável de ser, isto é, é de extrema ocorrência pecar no próprio autoconhecimento e partir com este auto-resumo mal feito, tendo como resultado manifestações inequívocas de estupidez, desde o cantor de meia tigela que se convenceu que é um gênio da música, quanto do pseudo-intelectual que pensa que está provido de uma mente super racional.

domingo, 25 de dezembro de 2016

Anjos e demônios em relação à inteligência verbal ... a imprescindibilidade e o potencial ilusório da inteligência verbal

Entendemos melhor, de maneira mais precisa, mais significativa a realidade, ou ao menos parte dela, por meio de nossas capacidades verbais, mais alguns outros apetrechos atrelados, tanto de tez mais cognitiva, por exemplo, o estilo de pensamento [ mais lógico, racional a sábio], quanto os de tez mais psicológica e que são quase sempre complementares à cognição, por exemplo a honestidade intelectual/busca pela verdade objetiva. Portanto, a inteligência verbal é fundamental para que possamos aprofundar nosso conhecimento sobre o mundo, ela é basal, quase omnisciente, mesmo em relação à matemática por exemplo, se precisamos interpretar antes de fazer contas. E no entanto, é justamente dela que também surgem muitos dos piores demônios da mente humana. 

Os seres mais racionais da humanidade é provável que apresentarão no mínimo inteligência verbal acima da média, porque é preciso ter grande eficiência e motivação intrínseca para se interessar, manipular e extrair fatos das associações simbólico-descritivas, mental (apenas a linguagem) ou transladada para o ''mundo material'' via letras, ou vocabulário, que em sua maioria serão de natureza abstrata, se já o são por si mesmos. Da mesma maneira que o aumento da inteligência verbal, associada à níveis generosos de racionalidade, pode nos fazer mais precisos quanto ao entendimento factual, ao menos em relação aos elementos com os quais temos maior familiaridade, mas especialmente quando nos direcionamos para as necessidades filosóficas, isto é, a caminho da sabedoria, a mesma também pode associar-se à fraquezas diametralmente opostas, resultando naquilo que chamo de ''ilusão verbal'', isto é, em que, ao invés de termos pessoas direcionadas para a precisão semântica, proxy para a justiça factual, não apenas quanto aos elementos impessoais, mas especialmente quanto aos pessoais, nós vamos ter ''contadores de estórias'', excepcionalmente capazes, em termos cognitivos, e apenas cognitivos, com bom a excelente vocabulário, capacidade/facilidade no aprendizado de mais de uma língua, e mesmo alguns dotes mais particulares como por exemplo o ''dom' da poesia, MAS QUE encontrar-se-ão severamente divorciados da realidade factual e contribuirão em demasia no convencimento de tolos desgarrados ou mesmo agarrados às suas ovelhas, de suas abobrinhas ou factoides brilhantemente enfeitados com requinte e pompa de natureza literariamente elitista/estilística. Exatamente como uma miragem no meio de um deserto caudalosamente extenso e tórrido. Eles, esses farsantes da razão, vendem a verdade tal como a miragem vende as suas promessas de água, coqueiros e odaliscas sexualmente atiçadas, e na verdade sabemos que não há nada ali. 

Em outras palavras, eles, conscientes ou nem tanto, usam os seus talentos verbais, para enganar mentes crédulas que aquilo que estão afirmando pomposamente é a verdade, apelando para as fraquezas psicológicas das pessoas comuns, especialmente daquelas que estão mais perto de acatarem as suas manipulações semânticas equivocadas. 

Portanto uma das maiores ilusões psico-cognitivas ou manifestação mais literal daquilo que denominei de ''inteligência artificial'', no sentido de ''não ser autêntica, enraizada, aprofundada, legítima, mas superficial, que aparenta mais do que é'' será justamente a ''ilusão verbal'', e pelo que parece a maioria das pessoas que julgamos ser mais inteligentes, especialmente por causa de seus talentos nessas áreas, é provável que serão, na verdade pálida porém justa dos fatos, de ''contadores de factoides/estórias'', predominantemente falando, constituídos por grandes capacidades verbais [cognitivas], mas que encontram-se divorciadas de um estilo de pensamento que seja no mínimo, lógico e no máximo, sábio, isto é, fracos em compreensão factual, pois internalizam meias-verdades e buscam ''transformá-las'' em verdades inteiras, resultando justamente em suas miragens, em que o desenvolvimento pode ser até mesmo interessante e intelectualmente desafiador, e no entanto, partirá de bases desenraizadas de fatos. Percebam que muitos ''filósofos'' e ''intelectuais'' exibem este perfil assimétrico e essencialmente problemático.

E pode piorar porque ainda vamos ter muitos cognitivamente inteligentes em matemática ou em cognição quantitativa, que apresentarão as mesmas assimetrias internas fatalmente problemáticas, isto é, muito inteligentes na parte cognitiva, mas na parte psico-cognitiva, ou simplesmente na completude da inteligência, deixarão a desejar de maneira demasiada. Em outras palavras, não bastarão as mesmas [palavras] para enganar crédulos, pois também poderá incrementar a sua máquina de manipulações equivocadas, outros talentos frivolamente compostos ao ser, que ao invés de serem objetivos, isto é, tendo direcionamento racional a sábio, farão o oposto, e qualquer caminho que for oposto ao da sabedoria só poderá levar à estupidez.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

O que que os testes cognitivos tem a dizer sobre mim?? E o que não tem??

Desde um certo tempo que eu desenvolvi uma relativa consciência em  relação às minhas forças e fraquezas cognitivas. Até a metade do ensino fundamental, na quinta série, eu acompanhei a média  das minhas turmas na escola, em todas as áreas do conhecimento curricular. No entanto a partir deste período eu comecei a ficar pra trás, especialmente na matemática. O período em que tive o pior desempenho escolar ocorreu quando eu passei para o ensino médio, no primeiro ano, em 2004, quando além da matemática, também tive de estudar física, química e geometria... para a recuperação. Parece que, paralelamente ao meu progressivo atraso nas ciências exatas em comparação aos meus colegas eu também fui me tornando mais verbalmente inteligente, como geralmente acontece neste período de flutuações cognitivas, de maturação, da infância e da adolescência. A minha personalidade ambígua, complexa, objetiva e insularmente forte, teve importante papel para que a minha vida escolar fosse turbulenta e não apenas em relação às interações com os meus colegas mas também em relação às matérias do conhecimento a que fui exposto. O melhor aluno é aquele que ao longo de sua vida escolar vai se tornando consistentemente sincronizado com o nível de dificuldade do ensino a que é exposto. O pior aluno é aquele que segue caminho oposto, se tornando cada vez mais dissociado da matéria que é dada no quadro negro.

Minha vida universitária não foi diferente da minha vida  escolar porque eu também "preferi' dar maior atenção aos meus interesses intelectuais de momento do que em relação ao que foi "ensinado". Mais uma vez, a minha personalidade teve um papel crucial para o meu comportamento não muito exemplar no meio acadêmico, de displicência e pouco interesse em relação àquilo que foi oferecido. 

Por outro lado, eu aprendi e tenho aprendido bastante comigo mesmo e com as minhas experiências pessoais, frutos que não são fáceis de serem compreendidos para quem está fora de minha perspectiva existencial e que não comunga com muitas de minhas características psicológicas. 

Nos últimos anos o meu autoconhecimento deu um salto e passei a ter grande consciência de minhas forças e fraquezas de tal modo que cheguei à conclusão de que posso  estimar a minha cognição/qi sem a necessidade de profissionais da área. Eu me encontrei na psicologia e na filosofia. Talvez tudo aquilo que já fazia desde quando não era plenamente consciente destas paixões, poderia ser remetido com certa segurança à essas duas áreas do conhecimento. Minhas constantes auto reflexões, minha natural curiosidade pelo comportamento humano, um conhecimento que ainda era virgem (a ser lapidado) porém sólido, quando comparamos, mensuramos e concluímos corretamente sem ter plena certeza do que estamos fazendo ou de ter o conhecimento em mãos para constatar em terreno firme.

Se  eu realizasse um teste cognitivo completo amanhã eu aposto que me sairia bem a muito bem nas provas de qi verbal, ligeira a relativamente acima da média na "inteligência" geral, provavelmente ruim a muito ruim tanto em qi espacial quanto em qi matemático. O qi matemático na verdade se consiste em uma parte do qi verbal, então é provável que este meu déficit para o pensamento lógico-dedutivo (direcionado para esta função) reverberasse na mensuração final do qi verbal. Mas como que isso se traduz na vida real???

Este texto é um bom exemplo. Eu não tenho o talento (potencial + motivação) verbal significativo de um grande escritor, ainda que talvez possa melhorar, isto é, de que por ventura possa ter algum potencial de melhoria neste aspecto. Mas também não me encontro em um nível 'medíocre". Eu poderia apostar que pontuaria entre 120 e 140 em um teste cognitivo de ênfase verbal e que seria mais alto sem o déficit matemático. Este por sua vez eu poderia pensar em um qi médio bem abaixo do padrão-Greenwich 100... talvez 90??? Eu já expus as minhas estimativas em textos anteriores mas com este eu busco traduzir os achados em testes cognitivos para o mundo real. Também não duvidaria se fosse muito mal em inteligência espacial. Desta maneira a média para esses 3 é provável que não fosse muito maior que a padrão ou mesmo abaixo dela. 

Como que isso se traduz no mundo real?? Como que se traduziu na escola e na faculdade?? E o que tem a dizer e a não dizer sobre as minhas capacidades gerais??


O sistema escolar é projetado para atender as características de uma certa demografia, mais cognitivamente ''competente', mas também tende a ser bastante generalista. O currículo escolar a que fui exposto como eu tenho falado com frequência desde a um certo tempo, foi projetado desta maneira, isto é, para ser generalista e portanto para favorecer a inteligência geral e daqueles que a possuem em um estado mais simétrico e bufante.  E eu poderia pensar na palavra cognição como substituta da inteligência. A maioria dos professores acreditam que todos ou a maioria dos alunos "normais" poderão aprender ao menos na média da classe, desde que se esforcem e que sejam corretamente "ensinados". Na realidade, nós temos uma diversidade cognitiva de um lado e uma uniformidade curricular do outro lado, que trata todos os alunos como se fossem iguais. Se não fosse pela bagunça do sistema escolar brasileiro especialmente nos anos 90, talvez eu tivesse repetido de ano umas duas ou três vezes na escola. 

Em termos de vocabulário, compreensão verbal e capacidade para escrever corretamente, de acordo com os meus textos, eu vejo que resplandecem uma inteligência verbal acima da média, sem dúvidas, mas que não será extremamente excepcional como julguei 3 parágrafos acima. Aplicado ao mundo real a cognição verbal  sozinha não parece ser crucial para a sobrevivência nem visando o perfeccionismo da sabedoria, ainda que possa ser complementar


. Graças a uma constelação de características psicológicas que eu me tornei mais consciente em relação aos problemas do mundo e o escrever mais rebuscado ou não, por agora, me parece que não tem um efeito imprescindível ou intrinsecamente necessário para que influencie nesta função extremamente importante e que deveria ser a regra para os seres humanos, mas infelizmente não é.

Para entender a realidade você precisa ser honesto, sincero, mais literal do que metafísico em sua abordagem perceptiva, que os índios Pirahã que não me deixem mentir, mais prático, lógico, a priore, e se possível, não se deixar engolfar pelo conforto metodicamente frio da lógica e galgando novos e melhores ares a caminho de uma maior racionalidade, holístico mas também analítico, isto é, analisar por todas as perspectivas potencialmente encontráveis, para construir uma cadeia sustentável e correta de fatos que tendem inexoravelmente a se sobreporem, em nossos mundos dinâmicos, complexos porém estruturados em padrões de recorrências paradigmáticas (aquilo que não sabemos ou que se desdobra sombrio na esquina próxima), paradoxais (aquilo que não entendemos ou que não aparenta fulminante coerência, facilmente perceptível, a priore...) e lógicas. 

Nas humanidades há uma grande concentração de pessoas que são dotadas de grandes capacidades cognitivas verbais e sinceramente não vejo sequer uma correlação parcial ou relativa com a sabedoria em toda sua completude. Talvez esteja sendo muito precipitado e os cursos de filosofia possam me surpreender. 


A nossa realidade é permeada por palavras e números que são aliados importantes para a nossa labuta diária de tentar compreender a realidade extraordinária na qual estamos subjugados/jogados. No entanto, não são os únicos meios. Para entender as pessoas nós precisamos da inteligência emocional. Para nos entender nós precisamos da inteligência interpessoal. Para entender o básico e fundamental sobre política, cultura, trabalho, reprodução, enfim, tudo aquilo que não pode ser previamente resumido a dois ou três dígitos, nós precisamos de objetividade, praticidade, de preferência racional, pensamento ou abordagem completos, e sempre na labuta de melhorar tudo isso, aprender com os erros, reconhecendo-os. Nada disso os testes cognitivos existentes mensuram de maneira franca, direta e perfeccionista, mas todos esses quesitos se correlacionam superficialmente com eles. 

Eu não tenho o maior e/ou melhor vocabulário, não sei falar muitos idiomas, e portanto acredito que não tenha talento  o suficiente nesta área para que possa me tornar um poliglota, cometo muitos erros em minha escrita principalmente de concordância verbal....mas quando me colocam na frente de uma informação, especialmente se for de natureza política, cultural, psicológica ou filosófica, eu darei o meu melhor. 
 Eu não tenho a melhor memória de minha espécie  mas acredito que seja prodigioso na memória autobiográfica, apresentando lembranças vívidas de episódios do meu passado e é de costume perceber que tais lembranças não se encontram tão frescas em outras mentes que também as vivenciaram. O meu tempo de reação em testes cognitivos que medem esta particularidade não parece ser mais rápido do que a média, tenho obtido resultados muito discrepantes. Ainda assim, ser mais rápido para apertar no botão quando a cor do sinal muda não parece ter qualquer grande relação com ser rápido no mundo real, especialmente para farejar problemas/perigos reais, e eu já comentei sobre isso em uma meia dúzia de textos, em especial no velho blogue.

Em testes cognitivos assim como nas provas escolares o meu déficit em matemática será altamente transferível para o mundo real. Eu apresento alguma forma de discalculia, tenho dificuldades para fazer contas matemáticas com números de dois dígitos. Para solucionar problemas desta natureza, eu apenas consigo fazer os  mais simples e quanto mais difícil, mais húngaro parecerá pra mim. Naquilo que chamam de "pensamento lógico-dedutivo", a partir de testes cognitivos, eu  não costumo me sair bem. Será que eu sou ilógico e não sei fazer deduções???? 

Em relação à matemática sim, mas quem disse que lógica e racionalidade tenham que ser apenas numéricas???

Apesar das claras falhas de raciocínio que encontram-se invulgarmente comuns no departamento das ciências humanas, eles não estão totalmente equivocados como muitos das ciências exatas acreditam. E é justamente ai que repousa a sabedoria. Partidários desde a extrema esquerda até a extrema direita apresentam falhas de magnitudes diversas em seus pressupostos de grupo assim como também uma multitude de achados em que estarão muito corretos.


 E o sábio é o ''centrista'' mais talentoso.


O papel de filtro e direção de ''nossas'' invenções de associações simbólicas



Um teste de qi não pode mensurar a capacidade de uma pessoa de se conhecer, que para muitos pode parecer uma grande bobagem ou algo sem importância mas que na verdade se consiste em uma das prioridades mais importantes para quem exibe maior alcance perceptivo/autoconsciência e que no entanto encontra-se em estado raquiticamente desenvolvido entre os seres humanos, a maior parte.

Uma bateria de testes cognitivos não pode mensurar a inteligência ou cognição emocional e é sabido que a capacidade de compreender as próprias emoções, as emoções e comportamentos alheios é de vital importância para uma série de situações que se desdobram freneticamente em nossos respectivos cotidianos. 

Os testes de qi tem pouco e superficial a dizer sobre mim e provavelmente em relação a qualquer outra pessoa, ainda que o faça adequadamente em sua abrangência superficial/horizontal. De fato, os testes podem refletir muitas perspectivas de minha capacidade operacional ou cognitiva, por exemplo, meus claros déficits em cognição espacial e matemática assim como também o meu maior ''talento'' para o quesito verbal. Os testes podem dizer com sóbria precisão superficial que tipo de ''pensador'' (internalizador) eu sou, dentre outras breves particularidades.

Esta se consiste em uma de minhas ''missões'' pedantes mais centrais que é a de prover às ''coisas'' que eu interajo e desenvolvo certo ou algum conhecimento o peso que merece e a meu ver os testes cognitivos que existem refletem as superfícies, as primeiras camadas de nossos intelectos, e que apesar de sua grande importância, justamente por se consistir na base cognitiva (não confundir com a sabedoria que encontra-se na base intelectual:
cognitiva + psicológica), ainda se limitará a este nível. 

Tal como eu tenho falado aqui, os testes de qi estão até relativamente perto de refletirem com precisão absoluta a inteligência, mas não é suficiente e talvez o melhor espelho/reflexo de nosso comportamento seja justamente ele mesmo e não qualquer meio que tenha qualquer pretensão de neutralidade.