Minha lista de blogs

Mostrando postagens com marcador qi. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador qi. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

O grande problema da "inteligência verbal" (ou de como a temos definido)

 Mais verbal ou "linguisticamente" inteligente é o indivíduo humano, mais politicamente engajado ele tende a ser, e isso também significa "mais inclinado a abraçar fanatismos políticos", especialmente os ditos "de esquerda". Mas a linguagem é nossa única via para organizar nosso pensamento e entender esse mundo em que existimos. É um contrassenso que, aqueles que a dominam, pelo menos esteticamente, sejam justamente os mais vulneráveis a abraçar a própria insanidade de considerar sentimentos e impressões subjetivas como equivalentes ou até superiores aos fatos e à ponderação. Pode ser por não os considerarem pelo que são ou os confundirem como verdades absolutas. Mas também parece que muitos desse tipo, quando pressionados, admitem que tudo se resume a si mesmos, às suas próprias vaidades e interesses pessoais, e não ao que deveria ser, não apenas o que sentem, que também tem sua valia, mas também em como ou o quê percebem e avaliam objetiva e imparcialmente sobre o mundo... Pois se faz sentido a relação com um maior engajamento político, se é pela própria política que a sociedade humana tem se organizado, é completamente ilógico que, aquele que domina a língua, pelo menos em como se fala e escreve, apresente esse alto risco de deficiência racional básica. A minha explicação para esse aparente paradoxo tem sido de que, a linguagem humana não se limita apenas aos seus aspectos estéticos, também apresentando aspectos mais diretamente funcionais: de comunicação e compreensão, e é aí que a "verdadeira' inteligência linguística ou sua essência se expressa, não apenas como domínio da norma culta, arbitrariamente determinada por razões sociais e pragmáticas. Isso explicaria que, escrever bonito não se traduz diretamente a "pensar bonito", mas em seu sentido mais funcional de: "pensar certo", alinhado aos fatos e à razão. 


O grande problema da "inteligência verbal" tem sido sua má determinação ou muito insuficiente que nos tem desviado de uma compreensão teórica e prática, e legítima da mesma, para uma distorção de como se expressa e/ou do que deveria significar no mundo real: não apenas sobre domínio técnico da norma culta na fala e na escrita, mas também e especialmente sobre comunicação efetiva e compreensão factual, suas funções mais importantes... Como resultado, dá-se demasiada importância ao menos importante da linguagem: sua estética, enquanto aquilo que diretamente ajuda a espécie humana a sobreviver é tratado como secundário, sua capacidade de usar a linguagem para compreender o mundo em que se vive. E se esse equívoco fosse or for solucionado, será possível reorientar nosso entendimento e nossa percepção sobre esse tipo de inteligência, finalmente associando-a à racionalidade, visto que não existe outro meio, e tão necessário, que temos desenvolvido e disponível para a compreensão de mundo do que a própria linguagem. E sim, o aspecto estético tem a sua importância, mas nunca superior à própria capacidade expandida de percepção, o que propriamente antecede a capacidade de adaptação, não apenas de nossa espécie, o aspecto mais essencial de qualquer tipo ou forma de inteligência...


Sem mais associarmos apenas "cabelos azuis" ou "esquerdismo" com um tipo ou conjunto de inteligência, mas de fazer até o contrário, tornando essa associação mais precisa à sua realidade, e passarmos a dar mais importância a quem domina a linguagem e não quem se deixa ser dominado por ela, se um aspecto constante de, pelo que parece, muitos desses "politicamente engajados" e "linguisticamente inteligentes" é justamente o "semanticalismo" (termo de minha autoria) de considerar a palavra mais importante que o elemento ou fenômeno que simboliza... 

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Ainda sobre o paradoxo desconcertante entre QI, filiação político-ideológica e racionalidade

 O que se espera de uma pessoa considerada ''mais inteligente''?? 


Que ela saiba escrever "corretamente", fazer contas matemáticas complexas, comparar dimensões espaciais e formas geométricas, encontrar padrões em sequências numéricas determinadas; aprender mais rápido e profundamente sobre qualquer tópico que lhe for de seu interesse; compreender fatos e de saber diferenciá-los de mentiras; de conseguir manter uma alta densidade de pensamentos e não cair em contradição frequentemente; de apresentar uma capacidade de associar ideias distantes; de saber pensar de maneira abstrata, e também, concreta ou prática, e extrair o melhor julgamento de suas análises e avaliações, inclusive em um sentido adaptativo... É tudo o que se espera de uma pessoa assim. 

Mas, e se essa expectativa for baseada em uma mitologia acerca da inteligência humana e de como se manifesta nos mais inteligentes?? 

Pois parece ser justamente esse o caso, porque a impressão primária e real que se pode ter é de que existe uma multiplicidade do "ser inteligente"... 

Um mito muito popular, particular e simplório sobre "o mais inteligente" é de que ele tem que ser "inteligente' em tudo ou no máximo que conseguir. E quando essa expectativa é quebrada (sempre é), qualquer deslize de sua parte (dos que são identificados como "mais inteligentes" por critérios variavelmente superficiais), mesmo se for um desvio crônico, é explicado por sua própria inteligência, por exemplo: se ele acredita em certas crenças político-ideológicas sem respaldo filosófico-científico, é por ser demasiado abstrato em seu pensamento, ou por ser demasiado idealista, ou por ser tão inteligente que acaba usando suas próprias capacidades intelectuais superiores para racionalizar suas crenças de maneira convincente ou mesmo de só estar agindo com astúcia... Mas, na verdade, aquele que adota crenças insensatas está mostrando que tende a ser, ele mesmo, insensato; que se é um pensador excessivamente abstrato, então tende a significar que ele é pouco prático; que, se ele é muito idealista, pode ser que também nutra expectativas irrealistas sobre o mundo; que, se ele racionaliza suas crenças, mesmo e especialmente as equivocadas, ao invés de repensá-las, de que seja autoconfiante demais; e que, se age com astúcia, frequentemente, então, pode ser que apresente desvios mais sérios de caráter... 

O fato é: existem muitas maneiras de ser "inteligente" e é pouco provável, pela lógica da própria complexidade cognitiva humana e pela diversidade anedoticamente percebida de como se expressa entre indivíduos e grupos humanos, que exista apenas um tipo de "mais inteligente". Se é notório que existem aqueles que se destacam por serem mais criativos, ou por serem mais astutos, ou por pensarem melhor ou por conseguirem absorver mais informações e conhecimentos (ou por serem um pouco de tudo isso, ou por apresentarem perfis combinatórios e variáveis dessas capacidades); se por terem desenvolvido um talento específico: que pode ser um esporte ou mesmo uma modalidade relacionada com o meio social; que pode ser até sobre ser um grande amante ou um ótimo cozinheiro... Da mesma maneira que existem múltiplas maneiras humanas de se ser estúpido, idiota ou inepto, em simetria à diversidade oposta... 

O que também tem se solidificado como um fato desconcertante é de que, aquele que se destaca academicamente, está em alto risco de, ao longo de sua vida, não se desenvolver como um pensador racionalmente inteligente, corroborado por um acúmulo de estudos mostrando uma correlação positiva entre pontuar alto em testes de QI, especialmente no aspecto verbal, e se identificar política e ideologicamente com a esquerda¹, afinal, apresentar uma aderência predominante ou significativa às crenças, ideias e pensamentos ditos progressistas não é apenas uma "escolha" de lado. Não é apenas mais um pacote ideológico, como tem tantos por aí. Se essas crenças, ideias e pensamentos em particular são um apanhado predominante de desvarios de vários tipos: distorções factuais; falácias lógicas e morais; falsos argumentos com base em chantagem emocional; duplo-padrão moral ou seletividade extrema de indignação e empatia; falsificação de evidências; pretensionismo intelectual... Enfim, uma espécie de "teste de inteligência racional" poderoso que pode revelar o quão desviante à razão se está; do quão falacioso, contraditório, inconsistente e subjetivamente enviesado... E se não é só a esquerda que apresenta ideias ou pensamentos insensatos, longe disso. Mas é uma das que apresenta uma consistência e uma profundidade sistemática de deficiência racional, se equiparando ao fundamentalismo religioso, se manifestando exatamente como uma espécie de "fundamentalismo secular", com o mesmo nível extremo de dogmatismo e subjetivismo epistêmico que o seu equivalente mais antigo e tradicional... Só que o fundamentalismo religioso está negativamente relacionado com alto QI², o que faz todo sentido...




Mas não é apenas ser mais irracional e sim o que isso realmente significa. Afinal, uma das funções mais importantes da inteligência é a capacidade de ter o mínimo de compreensão sobre o mundo em que se vive e isso requer realismo. Então, mesmo que importe ser "bom' em matemática, escrita e inteligência visual-espacial, ou mesmo sobre ter talentos específicos, no mais importante de tudo: na capacidade básica de entender o mundo em que se vive, parece ser comum que alguns, ou muitos, dos mais talentosos ou inteligentes, sejam excepcionalmente ruins, que consiste em um grande paradoxo! 

Mas, calma, porque pode ter uma explicação lógica, ou várias...

Do que eu tenho produzido de hipóteses para explicá-lo, eis algumas

1. QI verbal explicando boa parte do paradoxo 

Recentemente, pedi ao chat GPT para estimar minha inteligência verbal (QI) com base nos meus textos e poesias e ele chegou a uma estimativa de 120-130, deixando claro que não poderia pontuar mais alto porque não costumo usar palavras difíceis ou raras em meus textos, o que é bastante revelador, se mostra que muito do que se considera como "inteligência verbal-linguística", segundo uma perspectiva psicométrica, é basicamente o tamanho e o nível de 'sofisticação" do vocabulário. 

Mas o que isso tem haver com ser ou se tornar mais realista e, portanto, mais sapiente sobre o mundo??

A resposta é um primário "nada". Se esse tipo de conhecimento apresenta um caráter mais estético do que diretamente funcional... Então, se é importante haver uma padronização da linguagem para que a mesma não acabe se multiplicando em muitas maneiras diferentes de se falar e escrever, isso não significa que não deixe de ser uma espécie de "estética de convenção", de algo que é arbitrariamente determinado como "certo" ou "errado" por um grupo, em determinado tempo e espaço. Isso pode explicar a correlação positiva entre fundamentalismo secular, bem representado por crenças esquerdistas, e alto QI verbal, se boa parte do que se considera como "inteligência linguística" de acordo com uma avaliação psicométrica, não passa de uma capacidade para dominar a norma culta de uma língua, e nada mais... Se quanto às funções mais importantes da linguagem: comunicação efetiva e compreensão factual, não existe realmente uma avaliação padronizada em contextos reais e precisão, mas se, com base em como muitos autodeclarados progressistas pensam e se comportam, em relação a essas funções ou facetas, não parecem apresentar uma correlação igualmente positiva, até o oposto pode ser o mais provável...

E ainda é relevante observar o apelo estético-linguístico de narrativas esquerdistas: de empoderamento excessivo da palavra, em que a mesma assume uma função além da que deveria exercer: de servir-se como um símbolo ao elemento ou fenômeno que representa, mas tratada como tão ou mais importante que a própria realidade que simboliza, com um exemplo característico, toda base de argumentos adotada pelo movimento radical trans para tentar desconstruir conceitos biológicos relacionados à sexualidade, há muito tempo, aceitos e seguramente ratificados... 

2. O próprio QI como inválido para a avaliação de capacidade racional 

Se a maioria dos indivíduos mais racionais tendem a pontuar alto em testes de QI, ou em pelo menos um de seus testes, isso não significa que "ter"  um alto QI cause uma alta capacidade racional, justamente por existir uma desproporção de indivíduos que também pontuam alto nos testes, mas apresentam desempenho pífio em sensatez ou realismo, como o exemplo de sua correlação positiva com filiação político-ideológica à esquerda. E que não precisa se limitar a ela, se também existe uma correlação claramente positiva entre alto QI e liberalismo econômico³, uma ideologia que prega por um estado mínimo e/ou domínio do mercado sobre a sociedade e que mostrou-se muito disfuncional quando foi integralmente adotada, especialmente nos EUA dos anos 20 do século XX, contribuindo para causar a crise de 29: a pior crise econômica do capitalismo que se tem registro..



Alto QI não garante genialidade criativa, alta capacidade racional ou emocional⁴. Mesmo que se correlacione com as mesmas⁴, correlação não é causalidade e essa máxima é bem verdadeira nesse caso, se o próprio QI é o resultado de um teste, um efeito, e não uma causa. 

O que leva a uma alta realização criativa, mesmo que tenha uma relação com potencial cognitivo, relativamente bem avaliado pelos testes tradicionais de inteligência, é a própria existência de uma disposição desta natureza, que não é o mesmo que afirmar que sejam exatamente a mesma coisa. E já existe um acúmulo de evidências de áreas relacionadas corroborando positivamente para a confirmação de uma natureza neurológica e cognitiva própria da criatividade⁵... 




(Esse artigo mostra uma correlação significativa entre QI e um suposto "teste de racionalidade", que na verdade é só mais um teste cognitivo que analisa "pensamento lógico" com base em perguntas sobre questões hipotéticas e fora de contextos reais, como eu critico mais embaixo nesse texto). 


E o mesmo pode ser dito sobre a racionalidade, de ser o seu próprio domínio e não apenas ou exclusivamente uma derivação discreta de um construto maior, como a inteligência. Se para ambas as capacidades, a maioria daqueles que pontuam alto em testes de inteligência, também incluindo notas escolares e acadêmicas, não se tornam geniais e nem mais racionais, geralmente não por: falta de oportunidades, trajetória de vida que leva a pessoa a buscar por outros interesses, etc.. ou qualquer outro motivo que justifique essa assimetria sem sacrificar o mito unitário sobre ser mais inteligente ou talentoso, mas simplesmente por causa de uma expressão normal, ou baixa, destas características, que quando se manifestam mais expressivamente, tendem a fazê-lo de maneira intensa, obsessiva, praticamente incontrolável, movidas por uma grande motivação intrínseca... 
 
3. Superdotação, talento e genialidade não é racionalidade 

Poderia ser, se aquele mito da inteligência humana, comentado logo no início, estivesse certo. Mas, na realidade, nossa inteligência não é apenas complexa por si mesma, apresentando um amplo rol de potencialidades; também tendem a se distribuir de maneira diversa entre nós, inclusive suas expressões mais altas... E se não parece difícil entender que alguém musicalmente talentoso não é necessariamente alguém que será mais inteligente em termos acadêmicos, o mesmo pode ser dito sobre a capacidade racional. No entanto, ainda parece mais difícil de fazer o mesmo sobre ser intelectualmente dotado, porque faz sentido que, quem apresenta um alto potencial para absorver conhecimentos e informações, também deva ser excelente em julgar o que absorve, isto é, de apresentar a mesma excelência em sua capacidade de raciocínio ou de discernimento.

Mas, alto QI não é o mesmo que infalibilidade intelectual e moral 

A maioria dos que são tradicionalmente considerados como superdotados podem ser tão falhos quanto qualquer outro grupo humano. Não são super humanos porque apresentam uma maior capacidade ou potencial, até porque a inteligência humana, novamente, não se limita a memorizar informações ou absorver conhecimentos, mas também de julgar o que está memorizando ou absorvendo; o que está pensando e fazendo. É por isso que a metacognição ou autoconsciência, o autoconhecimento, e outras qualidades, como a honestidade e a humildade intelectuais, são fundamentais para o desenvolvimento da inteligência racional, e parece que são muitos aqueles dotados de altas capacidades cognitivas ''quantitativas'' que não apresentam as mesmas altas capacidades em suas facetas mais qualitativas, como a própria racionalidade. Parece um contrassenso, mas mostra apenas que as populações humanas não têm evoluído sem se diversificarem em grupos mais cognitivamente especializados...

4. A racionalidade está mais alheia à dinâmica histórica e cultural da evolução cognitiva humana 

A maioria dos seres humanos não estão evolutivamente inclinados a priorizar a busca pela verdade objetiva e imparcial em suas vidas, mas de fazê-lo quanto aquilo que determinam como "suas verdades", geralmente reflexos de si mesmos, seus traços intrínsecos, e em interação com o meio (que, por sua vez, gera suas vivências, experiências e memórias). Eles também estão certamente mais inclinados a se adaptarem ao seu meio social, o que torna a expressão sistemática da racionalidade, muitas vezes, a escolha menos óbvia... Também porque se adaptam à situação ou momento e sem terem em mente o mais ideal, basicamente: tomam como realidade àquela em que vivem, mesmo se se trata de um ambiente precário tanto em estrutura epistêmica quanto em estrutura instrumental. Em outras palavras, a adaptação típica é sempre mais precária, sem ser baseada em uma constante análise racional sobre o que se percebe e o que se faz. Parecem ser bem poucos os humanos que literalmente pensam (frequentemente) antes de viver, sobreviver e se adaptar. O "pensar" de muitos é o mesmo que "racionalizar" o que se faz antes; o "pensar" depois, mais no sentido de justificar. E mesmo os que fazem, ainda é possível que muitos acabem cedendo à pressão da urgência do tempo presente e do espaço imediato caindo em um meio-termo entre o ideal e o precário, porém, eficiente (a curto prazo) alcançado... 

Esse ímpeto de tomar como reflexo fidedigno da realidade, a própria auto projeção de crenças, expectativas e valores, também de personalidade ou temperamento e inteligência, ou características que apresente, definitivamente não se limita aos seres humanos, consistindo em um modus operandi universal de toda forma de vida. Essa projeção da própria subjetividade é muito mais ancestral, profunda e, portanto, poderosa que a racionalidade, que seria uma tendência oposta. Mas mesmo a própria alta capacidade racional pode ser só mais um tipo de projeção de subjetividade, se expressando paradoxalmente como um "viés do anti-viés". Independente se a racionalidade só é mais um tipo de autoprojeção subjetiva (ainda que essencialmente paradoxal) ou se é uma evolução a partir disso, o predomínio de subjetivistas entre seres humanos também acontece entre os "mais inteligentes" de nossa espécie. E essa tendência tende a se manifestar de maneira até mais intensa nesses indivíduos justamente porque suas capacidades cognitivas quantitativas superiores tornam muitos deles excessivamente confiantes sobre suas crenças e sobre suas próprias capacidades de discernimento moral e intelectual, isto é, de racionalidade. Em outras palavras, a própria inteligência atuando contra si mesma ou, as qualidades intelectuais desses indivíduos atuando contraditoriamente no sentido de, ao se reforçarem, aumentam o fosso com as suas deficiências qualitativas, como a própria capacidade racional. Em suma, uma excepcionalidade cognitiva que não seja a própria alta capacidade racional, pode amplificar o potencial de irracionalidade e isso é muito provável de acontecer quando se percebe uma deficiência nessa capacidade...

Ainda sobre a adaptação social, a maioria dos "mais inteligentes", mesmo se não se tornam crentes fanáticos sobre as "verdades" do código moral ou senso comum vigente à sua época e aos seus grupos de maior aderência, tendem a se sentir muito pressionados a se conformar ao mesmo, se por submissão silenciosa ou por endosso mais explícito, geralmente com base em um cinismo pragmático. Também por serem os mais atuantes nos centros de poder: mídia, governo, educação... Além disso, por apresentarem capacidades técnicas superiores, os centros de poder se tornam ímãs naturais para eles, constituindo boa parte de suas "elites"... A própria adaptação a um meio social é uma manifestação inequívoca de inteligência. Porém, muitas vezes, a mesma em contextos humanos, significa acreditar e endossar um predomínio de mentiras e meias-verdades, o oposto do princípio racional. 

O "ser epistemicamente insensato como método adaptativo mais importante"

Historicamente, colocar-se contra governos ou sistemas sociais tiranos, uma conduta mais idealista, mas também racional, tem sido mais perigoso do que se submeter aos mesmos em conformismo explícito.

A alta capacidade racional, por mais virtuosa e valorosa possa ser, especialmente em teoria, é uma anomalia fenotípica da inteligência humana, e sua expressão, como demonstrado, não vem com garantias significativas de benefícios pessoais, se tende a expor aqueles que a desenvolvem a um risco maior perante grupos políticos em disputa pelo poder ou que já estão atingindo um bom patamar de hegemonia... 

O único cenário, dentro de um meio social, em que uma alta capacidade racional pode servir de maneira muito mais benéfica e adaptativa é se aquele que a possui se manter calado a maior parte do tempo sobre o que compreende ou sabe melhor sobre o mundo em que vive, e que apresenta sérias restrições para ser abertamente compartilhado, copiando pensamentos e/ou comportamentos socialmente aceitáveis apenas superficialmente, para aparentar aos outros e convencê-los de ser mais um deles. Mas parece ser muito mais comum ao mais racional ou sensato não conseguir se conter a partir do momento que passa a perceber o quão problemática é a sociedade em que vive, provavelmente por causa de sua capacidade de predizer o que vai acontecer pelo que está acontecendo bem como o seu forte ímpeto de abordar o seu mundo e sua escala de tempo não apenas a curto prazo e subjetivamente enviesado, chegando inclusive a priorizar o longo prazo e o objetivo... Pois para conseguir fingir tão bem, como pelo cenário "ideal' proposto, é necessário um desprendimento emocional aos fatos, aos outros, de aprender a agir fria e cinicamente... Uma tarefa árdua, talvez impossível para a maioria dos que conseguem alcançar os maiores patamares de sensatez, se a mesma tende a encontrar-se intimamente associada com a capacidade de sentir empatia e compaixão, uma espécie de grande sensibilidade pela verdade, bem como pela mentira; como se fosse um sentido desenvolvido... E se essa mesma sensação imperativa de perceber verdades, subjetivas ou objetivas, vale tanto para irracionais e normais quanto para os mais racionais: os próprios traços de personalidade e de cognição qualitativa (ou que, em constante interação com os traços quantitativos, geram a segunda) se expressando como um tipo de orientação (muito semelhante à "orientação sexual") e não como uma escolha livre de condicionamentos, como muitos pensam se consistir o mítico "livre arbítrio"... A diferença encontra-se em o quão subjetivamente enviesado se está na determinação do que é considerado como verdade ou mentira, ou também, como dito acima, "qual tipo de viés dominante", o "da razão" ou um típico ou comum??

É por isso que parece existir um conflito constante entre racionalidade e adaptação social, isto é, entre um tipo emergente e mais evoluído (porém, simples em sua essência) de inteligência, unicamente humana, e um tipo muito mais antigo; e que, em termos evolutivos, até pode ser especulado se a alta capacidade racional não tem sido mais selecionada, justamente porque muitos daqueles que a expressam tendem ser os que se revoltam contra governos tiranos ou sistemas ideológicos predominantemente irracionais e os primeiros que são identificados e eliminados do meio social... Então, a cada geração humana, os mais racionais, em média ou desproporcionalmente, acabam se situando às margens da sociedade, menos propensos a apresentar um ciclo normal de vida, o que inclui a própria reprodução e com similares, sem que ocorra um processo contínuo e cumulativo de reforço do seu fenótipo psicocognitivo, com base na realidade da hereditariedade combinatória de traços intrínsecos complexos, contribuindo para mantê-los minoritários...

Por uma avaliação em múltiplas perspectivas (método importante da própria racionalidade), ser mais racional, mesmo que se consista em ser mais realista e, portanto, de apresentar uma melhor compreensão sobre o mundo em que se vive, na prática da adaptação social cotidiana, tende a ser o mesmo que agir com insensatez: de se prostrar perigosamente distante de um ângulo mais favorável ao próprio ajuste no meio em que se situa, justamente porque, como um excelente identificador e solucionador de problemas, costuma se inclinar para apontar para os mesmos do que de adotar uma postura conivente, conveniente ou neutra/indiferente. Porque, ao longo de nossa história, o insensato tem sido o sensato na maioria dos ambientes sociais humanos...

Mesmo entre os "mais inteligentes", com base em uma avaliação psicométrica e academicamente tradicional, parece que a maioria que se conforma a uma ordem moral e estrutural vigente não o faz apenas por pura astúcia, mas também por razões pessoais aos quais não tem pleno controle, o que de qualquer maneira reitera a deficiência em racionalidade. 

Muitos "com alto QI" são individualistas

Agem por auto interesse, pouco se importando se o que defendem ou fazem pode prejudicar a sociedade em que vivem, a longo prazo. A correlação positiva entre alto QI e esquerdismo, que prega por uma espécie de individualismo complexo (pluralismo identitário no comportamento pessoal, com exceções, mas coletivista em pensamento), mas também com o liberalismo econômico, pode ter como fio em comum essa propensão do "mais inteligente" em ser individualista. Enquanto que o mais racional tende a chegar a conclusões sensatas em que seus próprios interesses não são sempre priorizados, (sempre) buscando por um equilíbrio: entre se submeter ao coletivo ou de enfatizar excessivamente a si mesmo, parece comum entre os "mais inteligentes", por critérios psicométricos e acadêmicos, priorizar a si mesmos sem moderação. Além disso, esse egoísmo individualista que corrompe o discernimento moral e intelectual, também tende a ser baseado em uma visão simplista e de curto prazo. É por isso que, muitos desses indivíduos, mesmo os "mais inteligentes", acabam prejudicando a si mesmos a médio e longo prazo, quando só conseguem ver e priorizar seus interesses imediatistas ao invés de buscarem ampliar suas visões de mundo para além do próprio umbigo. Também parece comum entre os "mais inteligentes" egoístas disfarçar esse egoísmo individualista que apresentam em medidas políticas aparentemente altruístas ou por argumentos que soem inteligentes. Enfim, parece ser uma tendência muito forte que, maior o potencial cognitivo, maior o potencial de racionalizar a si mesmo: crenças e comportamentos, independente se o que pensa ou faz é sensato ou racional. 

A racionalidade e especialmente a alta capacidade racional seria uma evolução simplificada da inteligência, em sua essência, enquanto as demais capacidades cognitivas seriam manifestações mais marginais. 

Em outras palavras, a alta capacidade é uma versão otimizada de capacidade perceptiva e adaptativa, porém, como o mundo humano tem sido dominado pela irracionalidade de governos tiranos, mostra-se menos funcional na prática...

Uma outra explicação é que, apesar de ainda essencialmente simplificada (talvez o caminho mais adequado em relação à complexidade excessiva da própria inteligência humana), a alta capacidade racional (na verdade sua expressão mais idealmente adequada) seria uma evolução transcendente da percepção tipicamente contextualizada ou especializada ao meio adaptativo, universalmente determinada desde os primeiros esboços de vida terrestre, em que aquele (humano) que a possui apresenta um desenvolvimento mais robusto desta que é uma das excepcionalidades cognitivas mais únicas à nossa espécie, essa capacidade de transcender, mesmo que não totalmente, a própria subjetividade, conseguindo sustentar interesse sobre aspectos da realidade primariamente alheios às nossas perspectivas imediatistas de sobrevivência e adaptação. Mas como nossa espécie tem continuamente evoluído mais próxima à maneira típica de adaptação... Enquanto a maioria permanece em um estado de provincialismo existencial e perceptivo, independente de seu potencial cognitivo, uma minoria tem alcançado níveis mais amplos de capacidade perceptiva, de compreensão sobre o mundo em que se vive, sem sempre cair em distrações, armadilhas ou tentações da própria complexidade de nossas inteligências.... Eu já usei certos termos de minha autoria para descrever essas diferenças de estado ou nível, por exemplo, os níveis de consciência: realismo ou nível animal, surrealismo ou nível humano mais típico ou ideológico e o hiperrealismo ou nível humano mais excepcional ou filosófico.


5. Racionalidade não é o mesmo que erudição 

Realismo não requer um grande acúmulo de conhecimentos, mas de se firmar no que é mais importante, visando uma compreensão mais precisa sobre o mundo, sem a necessidade de ser profunda ou detalhista. Não é preciso saber muito para saber bem sobre o que está acontecendo: influências, estruturas, métodos... Não é preciso acumular múltiplas informações sobre a geopolítica brasileira ou americana para poder tecer avaliações imparciais e objetivas sobre as mesmas (por exemplo). 

A racionalidade é mais sobre a capacidade de "separar os feijões bons dos ruins" do que de acumulá-los (nessa analogia, feijões representando informações). E isso não exige necessariamente uma alta capacidade, pelo menos não do tipo tradicionalmente reconhecida, o que pode explicar sua correlação modesta com alto QI (não confundir com as pontuações em testes de raciocínio lógico, que não é o mesmo que racionalidade). Na verdade, é muito mais engenhoso fazer uma ginástica mental para racionalizar as próprias crenças, especialmente as mais equivocadas, do que agir como o menino pobre que aponta para o rei nu, tal como no famoso conto infantil "A Nova Roupa do Imperador"... Não é preciso ter PhD para saber que raças humanas existem, que as pessoas apresentam diferenças de comportamento e inteligência e que homens e mulheres são realidades biológicas e não apenas ou primariamente culturais... É óbvio que, para explicá-los, saindo um pouco de apenas apontá-los como fatos, é preciso desenvolver o raciocínio. Ainda assim, não é um esforço tão grande que exija uma especialização profunda. Porque a racionalidade é mais, ou primariamente, sobre reconhecer fatos e de fazê-lo com grande frequência do que de se aprofundar nesse reconhecimento. 

Na verdade, até por uma lógica básica de qualidade melhor que quantidade, acumular muitas informações pode até complicar "o meio de campo". No mais, para a racionalidade, a qualidade da informação é mais importante do que a quantidade de informações que memoriza. 

Interessante pensar também que, aquele que se envereda em conhecimentos muito complexos, pode estar em maior risco de se perder quanto aos conhecimentos mais básicos (mais influentes em nossas vidas), justamente os que são prioritários ao realismo racional. Uma explicação potencialmente plausível é que o mais racional é como um pensador generalista ou holístico, especializado nesses conhecimentos básicos, que também são os mais constantes e influentes em nossas vidas, e então mais relevantes para uma compreensão realista ou precisa do mundo. Enquanto que um gênio científico seria aquele que mais se aprofunda sobre campos específicos do conhecimento humano. 

Por algumas instâncias comparativas, a racionalidade é o oposto da criatividade e, portanto, da genialidade, ainda que sua alta expressão seja uma excepcionalidade intelectual por si mesma. Se o gênio criativo é o "ver além", o racional é "apenas ver o que se está vendo". 

Ou também que, como eu já comentei, primariamente sobre a filosofia e o filósofo mais autêntico, a inteligência racional, por se centralizar no julgamento, seria uma "especialização da generalização", se tudo o que fazemos, também julgamos, do pensamento à ação... 

O mais racional apenas aponta para um fato e não o nega pelos seus sentimentos ou por convicções pessoais. Ou aprende a não negar o máximo que conseguir. Em termos cognitivos, a racionalidade é apenas a expansão de nossa percepção objetiva para além da dimensão sensorial, também para o mundo abstrato: estatísticas, generalizações, comparações, etc...

A racionalidade parece ser mais exigente psicologicamente, de lidar constantemente com a tentação de adulterar a percepção da realidade para afagar os próprios sentimentos, do que cognitivamente, se a percepção factual direta, ainda mais de fatos óbvios, tende a ser muito mais simples do que a elaboração de mentiras complexas que os rodeiam.


6. A racionalidade é a inteligência humana em tempo real, funcionando em sua máxima expressão ou totalidade, enquanto que os métodos tradicionais avaliam as partes de um todo e sem contextualizações

Eu adoro usar o exemplo do teste de direção, que todo aquele que pleiteia dirigir deve fazer, como comparativo aos testes cognitivos e às comprovações reais e cotidianas de inteligência, por ser tão didático mostrar que um teste continua sendo um teste e a maneira mais decisiva de comprovação de capacidade, risco ou qualquer outra variável, é pela própria experiência, de sua realização... 

Então, uma desproporção daqueles que pontuam alto em testes cognitivos e em outras avaliações comparativas, aparentemente diretas de inteligência, mostram-se assimétricos na comprovação constante da mesma, de como pensam e se comportam ao longo da vida. Justamente porque um teste não é o mesmo que um cenário real ou pra valer, e que avaliar capacidades isoladas e sem contextos não é o mesmo que avaliar tal como se apresentam na realidade, em interação contínua e dentro de cenários reais... Uma explicação para esse possível paradoxo é o mesmo que ajuda a entender por quê excelentes motoristas que passam com louvor em testes de direção podem se tornar motoristas imprudentes e perigosos nas ruas e estradas da prática cotidiana. Mas uma autoconfiança exagerada não é apenas um traço problemático de personalidade, justamente porque a inteligência humana não funciona sozinha ou mesmo que, a própria personalidade faz parte dela. O problema de considerar apenas como inteligência: capacidades técnicas, que parece ser comum a muitos dos que se especializam no estudo dos tópicos relacionados. 

Um dos testes mais relevantes nessa comparação e demonstração do quão alheios os testes de QI podem estar em relação à inteligência racional em sua prática no mundo real é o de detecção de padrões lógicos em sequências numéricas, formas geométricas... Pois se eles conseguem detectar essa capacidade nos próprios testes, quando extrapolados para a vivência da realidade, não parecem replicar com grande sucesso o que encontram nos seus resultados. Tal como um grande estrategista de xadrez necessariamente não será um grande estrategista militar ou político. Porque uma capacidade isolada ou específica não se replica em um cenário da realidade que exige um recrutamento de várias capacidades atuando ao mesmo tempo, se não é apenas mover peças em um tabuleiro, mas de lidar com uma série de situações em contextualização constante: pressão social; tomadas de decisões com base em custo-benefício; controle emocional... Mas voltando aos testes de detecção de padrões, se fossem contextualizados no mundo real, não seria apenas ou especialmente sobre detectar padrões em sequências numéricas determinadas ou formas geométricas, e sim de construir e estabelecer mapas da realidade em que cada peça é como um fato relevante, e cada fato tem um papel hierárquico dentro desses mapas. E para isso, há de se ter acesso a uma série de recursos cognitivos e não-cognitivos: autoconhecimento para saber o quão capaz se está para abordar certo tópico; autocontrole emocional, de modo que o ímpeto de sobrepor crenças e expectativas pessoais esteja bem controlado; capacidade de raciocínio sem que apele para falácias, etc... Mas a simples capacidade de distinguir fato de mentira já seria suficiente, se não fosse pelo aspecto ético ou moral de, além de reconhecer uma verdade, também de defendê-la e é aí que, para muito dos tais "mais inteligentes", e independente da ordem ou hierarquia dos fatores causais, o comprometimento pessoal com a razão não é apenas completamente facultativo, mas também percebido como mais prejudicial do que benéfico. 

Conclusão 

Esse texto é uma compilação do que tenho escrito em textos menores e pensamentos sobre esse que é o maior paradoxo que tem sido encontrado sobre QI e suas correlações, em que se percebe, na prática do mundo real, uma relação apenas moderada entre altas pontuações em testes cognitivos e alta capacidade racional, enquanto se esperaria logicamente por uma relação significativa. Eu acredito que todas as hipóteses apresentadas são relevantes para explicar esse paradoxo, cada uma contribuindo tal como um ângulo de percepção e análise complementar, mostrando que: os testes de QI ou qualquer outro tipo de avaliação similar, como as provas escolares, avaliam certos aspectos da inteligência humana, mas não direta e precisamente outros aspectos, diga-se, muito importantes, como a racionalidade, e apenas por isso, já é possível começar a entender porquê não se correlacionam tão positivamente. Anedoticamente falando, parece haver uma desproporção de indivíduos "de alto QI" que apresentam deficiências em capacidade racional. Especialmente se a maneira mais precisa de analisá-la é pela qualidade de um sistema individual de crenças que é construído e expressado durante toda vida, e não por esses testes que têm sido criados, que se baseiam em perguntas sobre pensamento lógico a partir de cenários hipotéticos ou isolados de contextos do mundo real; se a capacidade racional só pode ser avaliada na prática da inteligência em cenários de vivência legítima. 

A percepção dessa contradição, a meu ver, é muito importante, se tratando do tópico da inteligência humana, pois é a partir de uma compreensão realmente objetiva que se pode começar a substituir por informações factuais correspondentes alguns mitos poderosos sobre a mesma, que têm sido transmitidos por gerações, e a repensar muito do que tem sido imposto como diretriz social ou política com base nesses mitos. Além disso, o entendimento da própria racionalidade humana inevitavelmente contribui para a compreensão da realidade vivida e de como poderemos melhorar nessa que é uma, se não a função mais importante da inteligência. 

sexta-feira, 26 de junho de 2026

"O teste de QI realmente é a melhor forma de avaliar a inteligência de alguém?"

 A melhor forma de analisar a inteligência de uma pessoa é fazer uma análise psicológica, cognitiva e até "cultural', completa da mesma. Testes de QI, por mais bem construídos possam ser, são como "testes rápidos" que passam uma ideia relativamente apurada dos nossos níveis quantitativos de inteligência, mas não diz nada sobre os seus aspectos qualitativos, nomeadamente as capacidades criativa, racional e emocional. Eles são particularmente bons para comparar um grande número de pessoas, mas não parecem ser excepcionalmente abrangentes a nível individual. É a diferença de, por exemplo, observar o planeta Terra de uma nave espacial e de ir se aproximando cada vez mais perto dele. No entanto, dentro dessa análise completa, os testes também são importantes. Mas, novamente, eles nos dão uma ideia primária de nossas capacidades e habilidades (capacidades desenvolvidas), de um ponto inicial de referência e não exatamente de uma conclusão final.


Também parece existir uma tendência de associarmos qualquer aplicação matemática com objetividade e o oposto quando não apelamos para esse método. Pois eu não vejo grande diferença de perceber objetivamente que uma pessoa é mais inteligente em certos domínios e de aplicar-lhe alguns testes e extrair deles números que simbolizam o desempenho dessa pessoa.


As interpretações mais comuns que têm sido feitas a partir dos resultados dos testes cognitivos tentam reduzir uma "cordilheira" de variações individuais e comparativas a uma planície. Tal como se, fulano X tem QI 140 e fulano Y tem QI 110 (QI performance). Portanto, fulano X é absolutamente mais inteligente que fulano Y. Aí que está! Enquanto os aspectos qualitativos não estão estão sendo avaliados, não é possível afirmar nada próximo a isso. Mesmo quando ou se forem,e se for encontrado uma grande diferença de desempenho entre eles, em todos os domínios, toda "montanha" tem os seus pontos "baixos" e "altos". Os nossos desempenhos intelectuais não se resumem a uma prova, se a todo momento nós precisamos compreender e nos adaptar, desde as situações mais triviais até às mais desafiadoras.


Analisar a inteligência apenas por seus aspectos quantitativos e tomar essa avaliação como completa é o mesmo que fazer um "check-up" na metade dos sistemas que compõem nossos organismos e defini-lo como uma checagem completa.

A essência da inteligência humana é a sabedoria... e QI

 A sabedoria também se consiste na básica e, portanto, fundamental capacidade de discernimento do que é verdadeiro e do que não é, assim como também do que é definitivamente essencial e do que é frívolo, visando ampliar a compreensão sobre a realidade para o melhor (sobre)viver.


Os testes cognitivos mensuram nossas capacidades: aritmética, espacial, linguística, de memorização e de reconhecimento de padrões (não-contextualizados), que são facetas muito importantes da inteligência humana. No entanto, não avaliam criatividade e nem sabedoria, que são fundamentais, respectivamente para a genialidade e para a sanidade intelectual. Isso significa que é totalmente possível pontuar muito alto nos testes e não ser criativo nem ''sábio''. Enquanto as facetas da inteligência que são mensuradas e comparadas por esses testes, se expressam em atividades ou finalidades específicas, quando são necessitadas, a sabedoria deriva do básico ato de percepção, visando ao melhor julgamento. sendo requisitada em praticamente todo momento de interação com a realidade...

A sabedoria é a expressão ideal do funcionamento integrado das facetas da inteligência humana, enquanto que, nos testes cognitivos, são analisadas de maneira isolada e descontextualizada. É o equivalente a comparar o funcionamento individual de peças de um dispositivo eletrônico e e vê-lo funcionar em sua integridade. Mesmo quando não aparenta, por exemplo, pelo autoconhecimento, um indivíduo reconhecer inaptidão para certa atividade.


Reconhecimento de padrões

Uma das ações mais básicas [ou fundamentais] da inteligência é a de reconhecimento de padrões (detecção de comportamentos repetitivos que caracterizam fenômenos, elementos e suas expressões; bem como seus níveis de similaridades e diferenças). Os testes cognitivos também mensuram esta capacidade, mas, descontextualizada, por meio de perguntas que não são baseadas no que acontece no mundo/tempo real, porque a partir da interação com suas múltiplas circunstâncias, nossas predisposições psicológicas assumem um papel muito influente e, frequentemente, deletério para a finalidade filosófica ou da sabedoria, de busca inequívoca pela verdade. Por nossas personalidades, em contextualização constante com os ambientes em que vivemos, temos a tendência ou o risco de, ao invés de reconhecermos fatos e padrões, filtrarmos as informações que, instintivamente, mais nos convêm, que podem e geralmente apresentam um nível variado de veracidade: de verdades, meias-verdades e mentiras. Portanto, se os testes de QI são testes, neste caso, para o reconhecimento de padrões, a sabedoria é sua prática no mundo real e, sinto/lhes informar que, a maioria das pessoas não se sai bem nela. É como comparar um exame de direção para tirar a carteira de motorista, que também costuma exigir conhecimento técnico, acessado por provas escrita e prática, e de dirigir pra valer nas ruas. Nem sempre o resultado do exame será espelhado na realidade. Este é o caso dos testes cognitivos, porque resultam em muitos falsos-positivos, de indivíduos que pontuam alto neles mas, na prática, mostram-se pensadores passivos, aborrecidos e tendenciosos ou, então,que exageram no pensamento divergente//autoconfiante. Do mesmo modo que tem muito motorista que passa com louvor nos testes de direção porém, nas ruas, anda rápido demais, desrespeitando as leis de trânsito, bem como a segurança dos outros motoristas e pedestres...  

Q.I ou múltiplas inteligências??

 Você usa a sua inteligência só para fazer contas matemáticas, resolver exercícios de geometria e escrever??


Não, né??

Você também usa a sua inteligência nas relações sociais/interpessoais, em relação a si mesmo (intrapessoal//autoconhecimento), em relação ao meio ambiente, de maneira criativa ou intuitiva, para fazer julgamentos morais... ou para a prática de esportes, né??

Mas, então, qual dos dois que está mais certo, Q.I ou múltiplas inteligências??

A teoria das múltiplas inteligências, por ser mais completa que o modelo proposto pelos defensores mais ortodoxos dos testes de QI, até mesmo porque as capacidades "estimadas" pelos mesmos já estão contidas nela.

Se amarrar os cadarços e pensar sobre si mesmo são expressões igualmente válidas de inteligência tanto quanto escrever redações ou fazer cálculos matemáticos.

No entanto, isso não significa que essa teoria não apresenta pontos passíveis de crítica. Aliás, o principal deles já se encontra em seu próprio nome, se não podemos considerar cada capacidade psico-cognitiva como um domínio próprio ou inteligência pois seria equivalente a considerar cada sistema do corpo humano como um organismo próprio ("múltiplos organismos").

Por isso que não podemos falar de múltiplas inteligências mas de múltiplas FACETAS da Inteligência.

Pronto.

A inteligência humana é multifacetada ou complexa e não necessariamente múltipla.

Os testes cognitivos apresentam utilidade limitada porém, eficiente quanto àquilo em que se dispõem a "medir" ou estimar, e seria de bom tom se os seus maiores defensores fossem mais precisos e humildes no reconhecimento dos seus potenciais, pontos fortes mas, especialmente, de suas limitações.

E o fator G??

Os testes cognitivos foram originalmente pensados para detectar deficiências cognitivas e não desempenho excepcional. Justamente por isso que "medem", estimam e comparam, geralmente, a partir de capacidades ou potenciais do que por habilidades, pela base do que pelo teto de performance. Os testes de QI não podem prever se um indivíduo com elevada pontuação nos testes verbais irá se tornar um escritor talentoso porque não basta ter um vocabulário aparentemente grande ou sofisticado para alcançar esse objetivo. Por isso que, apesar de seu ótimo poder correlativo (pessoas com as maiores pontuações nos testes tendem a ser mais inteligentes, especialmente nas facetas que eles avaliam), não parece ser possível estabelecer uma correspondência perfeita entre performance nos testes e no mundo real, por exemplo, quanto a um de seus maiores achados, o fator G. Pois se é verdade que a maioria das pessoas que têm os seus QI calculados apresenta baixa variação em suas pontuações nos sub-testes, isso não significa que expressarão a mesma homogeneidade de desempenho no mundo real, porque a inteligência humana está longe de ser apenas aquilo que os testes "mensuram", se a usamos a todo momento em que existimos. Por isso que o modelo de múltiplas inteligências, desprezando o seu problema semântico elementar, parece mais adequado para representá-la.

Novamente, o que é inteligência?

A priori, é todo ato de (saber) reconhecer o que é verdade ou fato, se para compreender, identificar ou prever elementos, eventos, fenômenos, consequências, de diferenciá-los por categoria e critérios coesos, na execução bem sucedida de ações previamente almejadas, de adaptação/ flexibilidade e de responder apropriada ou logicamente.  

Não se surpreenda com o que eu vou concluir aqui, mas a empatia também é inteligência se é o (re)conhecimento de estados emotivos e cognitivos/intencionais, alheios [verdades]. Exatamente como reconhecer (o que é) uma chuva, saber diferenciá-la de outros fenômenos e de reagir apropriadamente à ela, neste caso, podendo ser com o intuito de autoproteção.

Pois se uma pessoa está chorando na sua frente, é inteligente você reconhecer a veracidade do seu estado emotivo, causa, motivo, razão ou circunstância, e [re]agir de maneira apropriada, que nessa situação seria com mais sensibilidade. E isso não é muito diferente do que sentir a mão queimando e tentar apagar o fogo, imediatamente. São reações lógicas a partir da percepção de fatos//padrões.

A inteligência não é exclusivamente intelectual ou reflexiva porque pode ser canalizada para uso físico e também por se manifestar a nível instintivo, especialmente nas outras espécies. Aliás, as bases da inteligência humana obviamente são instintivas. A destreza do pássaro em seu voo (e habilidades navegacionais) ou do gato em seus pulos e estripulias não são expressões meramente robóticas apesar de suas aparências muito intrínsecas. A principal diferença entre nós e essas espécies, nesse aspecto, talvez esteja na velocidade do raciocínio associado à tarefas físicas ou práticas, e por serem mais restritas em comparação à diversidade de tarefas que o ser humano pode aprender. Toda prática de esportes requer inteligência. Para memorizar os exercícios, se concentrar durante a execução deles e para o raciocínio rápido ou de improviso no caso de imprevistos e que podem ser de extrema importância para proteger o atleta de lesões.

Sobre altos e baixos de QI

 QI mais alto ou mais baixo não é exatamente o mesmo que melhor ou pior inteligência.


Um QI mais alto sugere uma maior capacidade de acúmulo e compreensão de informações e conhecimentos, isto é, de complexidade. Mesmo assim, é sempre importante ressaltar que os testes de QI são especialmente sobre potencial e não sobre realização. Portanto, um QI mais baixo tende a refletir uma inteligência mais simples ou uma menor capacidade de acúmulo e compreensão de informações e conhecimentos ou de complexidade.

De qualquer maneira, simples não é pior que complexo.

Depende.

Simplismo e complexismo são igualmente ruins.

O ser "menos inteligente" é mais no sentido de se ser "cognitivamente simples" e não "mais tolo", se a "estupidez" é a incapacidade de compreensão e também de autoconhecimento, de não saber sobre os próprios limites e potenciais, ainda que se correlacione com simplicidade cognitiva. Afinal, existem muitos indivíduos de inteligência mais complexa que agem com estupidez, emocional e/ou intelectualmente, por exemplo, acreditando em fake news com convicção, por serem incapazes de controlar seus próprios preconceitos cognitivos.

Culto aos testes de QI versus método científico e realidade

 Hipótese: (todos os) indivíduos (superdotados) que pontuam acima de 135 em testes de QI são "geniais" (muito criativos, perspicazes, perfeccionistas, talentosos... com grande potencial de realização...) e mentalmente equilibrados...


Método: científico...

(Famoso estudo longitudinal de Lewis Terman)

Em torno de 1500 crianças californianas, que pontuaram de 135 ou mais em testes de QI, são selecionadas para participar de um estudo de longo prazo que visa observar e analisar suas trajetórias de vida até à velhice.

Resultado: elas cresceram e, em média, se tornaram adultos profissionalmente bem sucedidos, mais saudáveis e socialmente ajustados do que o restante da população. Mas, não foi percebido neste grupo uma desproporção de realizações científicas, filosóficas e artísticas de grande impacto/relevância ou de "gênio"...

Detalhe: duas das crianças que foram rejeitadas por terem pontuado abaixo do limite estabelecido, de 135 ou mais, acabaram se destacando, quando adultas, por suas realizações criativas excepcionais (William Shockley e Luís Alvarez)...

Apesar destes fatos, tem sido fomentado um culto em torno dos testes cognitivos, obviamente marcado por incompreensão e/ou ignorância, e justamente sobre a inteligência humana. Eis aqui uma lista simples com os principais dogmas ou equívocos seguidos/cometidos por aqueles que cultuam o QI:

- Não existem múltiplas "inteligências" /a inteligência humana não é multifacetada ou é apenas aquilo que os testes cognitivos "mensuram" e estimam (potencial de aprendizado convergente);

--QI = inteligência;

--A criatividade não é um sub-domínio (psico)cognitivo separado do aprendizado//memorização convergente;

--Superdotados=gênios

- Pessoas de QI alto são [absolutamente] mais inteligentes que pessoas de QI médio ou baixo;

-- Pessoas de QI alto são "geniais" justamente por causa de suas pontuações;

-- Pessoas com pontuações relativamente baixas em testes cognitivos são "deficientes mentais";

- Se existem pessoas de QI alto [a maioria]  que não apresentam qualquer realização criativa relevante ao longo de suas vidas, a razão nunca é por não terem potencial para a criatividade per si, mas por culpa da sociedade ou, então, por falta de motivação;

- Apenas as pontuações nos testes principais que importam, porque diferenças nos sub-testes são irrelevantes;

- Por causa do fator G, a maioria das pessoas apresenta pouca variação em suas capacidades cognitivas...

O que os fetichistas de QI pensam, em essência:

"Uma pessoa que pontua alto a muito alto em testes cognitivos é automaticamente 'genial' "

Realidade:

Pontuações altas em testes cognitivos refletem, em média, maiores capacidades de memorização, de "inteligências" verbal, aritmética, espacial, de raciocínio e/ou aprendizado convergente. Estudantes que, nos tempos dos meus pais, eram chamados de CDFs, por serem os que, consistentemente, tiram as maiores notas na escola, também são os mais propensos a pontuarem alto nos testes de QI, porque ambas as avaliações estão focadas nas mesmas facetas da inteligência humana. Existem exceções a essa regra, por exemplo, de estudantes que pontuariam alto em testes de QI, mas que não se interessam pelo que é passado pelos professores e acabam se tornando mais desleixados quanto aos seus desempenhos na sala de aula, geralmente por serem mais auto-motivados na busca pelo conhecimento e/ou por estarem mais avançados em relação às suas classes.

A criatividade tem um papel decisivo para a genialidade de modo que, ainda é possível ser muito inteligente, dependendo para qual conjunto de capacidades, e não ser muito criativo ou de se tornar um ''gênio''. Mas todo ''gênio'' se destaca justamente por suas realizações criativas. Portanto, para buscar por indivíduos com maior potencial de criatividade, inclusive a nível extraordinário, talvez, fosse melhor focar naqueles com as maiores pontuações em testes cognitivos de pensamento divergente?? e/ou também associado a uma grande motivação intrínseca?? De, ao invés de apenas CDFs, de buscar por todas as crianças e adolescentes que apresentam paixões intensas (geralmente) por campos específicos: astronomia, artes, história, paleontologia ... ???

domingo, 12 de outubro de 2025

Mais uma evidência cabal a favor do hereditarianismo??

 Diga-se, de uma "heresia" pós-moderna, de acreditar que o comportamento é primariamente determinado pela genética ou biologia e não pelo meio.


1- Sobre a alegada relação de causalidade absoluta entre baixo desempenho cognitivo e penúria social

"Os africanos subsaarianos estão, em média, menos inteligentes em termos de QI e outros aspectos comparativos de inteligência por causa dos índices muito altos de pobreza que apresentam ou negligência social em que vivem. Porque a desnutrição e a pobreza afetam diretamente o desenvolvimento cerebral, então, basta que essa situação seja resolvida para que essas diferenças de desempenho intelectual sejam eliminadas"

Esse com certeza é um pensamento comumente adotado por indivíduos que se identificam com a "esquerda" no espectro político-ideológico e que não se aplica apenas ao contexto subsaariano, mas também para qualquer outro contexto de pobreza e desigualdade. Mais do que um pensamento, é uma narrativa, um discurso fechado para críticas intelectualmente honestas e que tipicamente não corresponde com precisão aos fatos. Pois apesar de fazer sentido lógico que condições ambientais ruins tenham efeitos deletérios de médio a longo prazo em seres humanos, os seus efeitos até então não eram bem compreendidos, especialmente sem exemplos de melhorias sociais significativas há uns 70, 80 anos atrás. Mas, nesse ano de 2025, não é mais possível fazer essa afirmação, se esses exemplos já existem, tal como no caso dos EUA, um país que, se nos anos 40 do século XX, apresentava altos índices de desigualdade social e uma fração não-discreta de indivíduos vivendo em condições de pobreza absoluta, até os dias atuais, conseguiu reduzir significativamente pelo menos as estatísticas de extrema pobreza, também porque tem conseguido proporcionar à maioria dos seus cidadãos, um ciclo de vida livre da desnutrição. Bem, para um dos países mais obesos do mundo atualmente, é evidente que essa situação de fome endêmica, principalmente para determinados grupos étnicos, raciais e sociais, ficou no passado. Não que seja definitivo que não retornará, mas desde há umas boas décadas que tem havido uma melhoria significativa na redução da pobreza extrema por lá. Como resultado, os americanos, mesmo os mais pobres, se tornaram, ao longo das gerações, mais altos e encorpados em relação aos seus avós e bisavós. No entanto, as diferenças médias de desempenho cognitivo e de ajuste social continuam se perpetuando, mesmo se a maioria dos americanos não vive em um ciclo intergeracional de desnutrição e que medidas de combate às desigualdades (independente se mais ou menos justas) tenham sido adotadas. Eis aí um suposto paradoxo, pois se uma melhor nutrição promove o desenvolvimento sadio do corpo e da mente, e isso é primariamente verdadeiro para o corpo, a crença de que a mesma _opera milagres_ com a mente ou o cérebro parece que não se sustenta, pelo menos com base nessa notável evidência, do país mais rico do mundo, com um alto índice de desigualdades sociais e raciais, especialmente há uns 70 anos atrás, em que, de fato, tem ocorrido um aumento secular e cumulativo da estatura e do peso dos seus habitantes, ganhos particularmente fortes entre os mais pobres, por causa das melhorias das condições de vida. Mas isso não tem resultado em um aumento homogêneo das capacidades cognitivas entre esses grupos, se, na verdade, as diferenças de desempenho encontradas desde o início do século XX, continuam a se perpetuar, como se um aumento de peso e estatura, causado por uma melhor nutrição, não tivesse um grande impacto nas faculdades intelectuais, especialmente no sentido de igualá-las. Alguns ainda poderiam apelar para o "efeito Flynn", um fenômeno estatístico que consiste no aumento secular de desempenho em testes de QI observado em vários países. Mas, no caso de países racialmente diversos, como os EUA, mesmo que esse fenômeno também tenha ocorrido, ele aconteceu principalmente na população como um todo, porque quando grupos são comparados, as diferenças tendem a permanecer as mesmas, por exemplo, entre grupos étnicos e raciais. Ainda não se se sabe o que realmente consiste o "efeito Flynn", se reflete ganhos reais de capacidades cognitivas ou se reflete mais as mudanças nos próprios testes, resultando em um aumento das médias. Uma demonstração de comprovação desse fenômeno é pelo aumento da média de QI ou do desempenho nos testes da população americana em que, as primeiras pontuações quando ajustadas com as pontuações atuais seriam uns 20, 30 pontos mais baixas, de, se a média foi 100 há 100 anos atrás, hoje, seria 70. Mas um aumento espetacular de 20 a 30 pontos deveria ser refletido em todos os aspectos sociais e não é isso que percebemos (afirmação do próprio cientista responsável pela descoberta desse fenômeno). Além disso, é pouco provável que a população americana no início do século XX tivesse uma média de inteligência no nível de deficiência intelectual... 

Apesar desta muito provável evidência a favor do hereditarianismo, ainda não significa que condições ambientais ruins não possam impactar o desempenho cognitivo ou o desenvolvimento cerebral a médio e longo prazo. O que é o mais certo de se concluir é que, quando são eliminadas, o aumento do desempenho cognitivo acontece de acordo com o potencial genético ou biológico do indivíduo ou da população, que não é o mesmo para todos. Isso pode explicar o aumento secular da inteligência, pelo menos em testes cognitivos, da população americana como um todo, mais um reflexo do impacto dessas melhorias entre os mais pobres, e ao mesmo tempo a perpetuação das diferenças de desempenho entre grupos. 

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

Uma das minhas maiores decepções: pessoas "mais inteligentes"

 Prometem muito e entregam pouco ... Especialmente em termos emocionais e racionais 


A minha experiência pessoal e a minha impressão geral em relação a essas pessoas, que são reconhecidas como altamente inteligentes, por critérios convencionais, não têm sido boas. Porque eu tenho esperado delas que fossem mais racionais ou sensatas, criativas e emocionalmente inteligentes. Enfim, de acordo com o próprio conceito de inteligência humana, presente em qualquer dicionário. Só que, pelo menos no meu convívio e também com base em minhas observações sobre grupos tipicamente "de alto QI", o que eu tenho percebido é o oposto do que se espera desses que são socialmente considerados os "mais inteligentes". Se, ao invés da sensatez, eu tenho percebido neles uma forte atração ou vulnerabilidade para a doutrinação ideológica, e isso geralmente significa um apego desmedido a crenças irracionais; ao invés da criatividade, eu tenho percebido neles uma tendência para a rigidez cognitiva, por parecem mais tacitamente intolerantes ou incapazes de lidar com opiniões destoantes, por talvez não terem uma capacidade plenamente desenvolvida de autocrítica, que não se resume a uma autorreflexão pouco objetiva e imparcial e que, por sua vez, resulta em um apelo constante à racionalização de pensamentos e ações, inclusive dos próprios equívocos. E, por fim, uma impressão de tendência para a frieza ou o desequilíbrio emocional entre eles, isto é, de uma capacidade limitada para entenderem contextos pessoais ou emocionais, dos outros e de si mesmos, que torna suas relações sociais mais difíceis. Enfim, eu tenho percebido neles, variações (qualitativas) de um mesmo fenômeno, a estupidez, que, em teoria, não se esperaria ver com mais frequência no grupo considerado o "mais inteligente". Cientistas//acadêmicos, jornalistas, professores, artistas de alto nível... 

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Um truque comum entre indivíduos "de alto QI"/A common trick among "high IQ" individuals

Talvez o truque mais comum, é o de racionalizarem suas deficiências (comprovadas ou comprováveis) em outras facetas da inteligência humana, além das capacidades técnicas em que tendem a ser excelentes, nomeadamente de inteligência emocional e de racionalidade. Em outras palavras, de racionalizarem suas crenças irracionais e/ou julgamentos insensatos com explicações inteligentes, pelo uso de suas altas capacidades cognitivas quantitativas, especialmente as linguísticas, mas que os mantêm à margem de um desenvolvimento mais robusto de suas capacidades racionais e emocionais, ou capacidades qualitativas... Paradoxalmente falando, é o mesmo que usarem as capacidades cognitivas em que são mais inteligentes, mas contra outras capacidades, para continuarem menos inteligentes do que poderiam ser, inclusive em um sentido mais objetivo e decisivo de inteligência, que é a própria razão... Claro que tendem a fazer isso sem ter o pleno entendimento do que estão fazendo, de que estão se prejudicando intelectualmente, talvez um custo-benefício que, para eles, valha a pena, se costuma estar associado com a adaptação social especialmente em contextos humanos tipicamente dominados pela irracionalidade.


Perhaps the most common trick is to rationalize their deficiencies (proven or provable) in other facets of human intelligence, beyond the technical capabilities in which they tend to excel, namely emotional intelligence and rationality. In other words, rationalizing their irrational beliefs and/or senseless judgments with intelligent explanations, using their high quantitative cognitive capacities, especially linguistic ones, but which keep them on the margins of a more robust development of their rational and emotional capacities, or qualitative capacities... Paradoxically speaking, it's the same as using the cognitive capacities in which they are most intelligent, but against other capacities, to remain less intelligent than they could be, including in a more objective and decisive sense of intelligence, which is reason itself... Of course, they tend to do this without fully understanding what they are doing, that they are harming themselves intellectually, perhaps a cost-benefit that, for them, is worth it, if it is usually associated with social adaptation, especially in human contexts typically dominated by irrationality.

sábado, 26 de julho de 2025

Mais pimentinhas aleatórias

 "Tolerância zero com bandido"


Fala típica de um conservador 

Concordo!!

Mas... E quanto aos bandidos de terno e gravata e cheios de dinheiro?? 

Pode ser lamentável a morte precoce de uma "celebridade", mas também é lamentável que existam pessoas tão social e economicamente privilegiadas, ainda mais se são pessoas que tiveram a audácia de falar publicamente sobre supostos privilégios daqueles muito menos privilegiados que elas e do quão supostamente sofredoras elas foram enquanto vivas...

Mesmo que o preconceito por identidade ou natureza possa ser muito doloroso, não ter o que comer ou viver na insegurança financeira, é um sofrimento ainda mais visceral que dificulta a plenitude de viver. Além disso, uma pessoa rica que sofre discriminação negativa ainda pode compensar com os seus privilégios...

Sobre a problemática de se lamentar a morte de uma pessoa famosa é a de que, para a maioria se consiste em se lamentar pela perda de uma pessoa que não conheceu, que muitas vezes não legou contribuições sociais objetivamente boas e que também está associado a prestar condolências por uma questão de privilégio, deixando claro que certas vidas seriam supostamente mais dignas de comoção coletiva do que outras...

O politicamente correto da "esquerda" confunde compaixão com pena

O "esquerdista" adora justificar sua grande intolerância com opiniões diferentes com a regra de "não ser tolerante com o intolerante..." mas a intolerância é muito mais justificável se for com um tolo, justamente o que ele tende a ser...

Um traço inequívoco de estupidez é a incapacidade crônica de não generalizar grupos. Justamente o que identitários de "esquerda" (também os de "direita") mais fazem...

Imigração regulada e restrita está para beber com moderação e imigração em massa está para alcoolismo...

Muitos daqueles que mais acreditam e desejam pela aplicação da eugenia, geralmente de conservadores, se realmente compreendessem no que isso implicaria, especialmente se a eugenia tivesse como objetivo principal elevar a racionalidade humana, lutariam para manter a humanidade a mais estúpida possível...

Além dos "altruístas patológicos" e dos ignorantes sobre o tópico, entre os que se colocam como totalmente contrários à qualquer prática de eugenia, também existem os que têm um interesse pessoal nisso, tal como aqueles sujeitos que apresentam transtornos de personalidade antissocial... se costumam preferir por sociedades disfuncionais em que se disfarçam melhor e consideram como um ambiente perfeito para se adaptarem, também no sentido de serem bem sucedidos...

Estar em uma situação problemática, necessariamente não faz um indivíduo problemático. Se existem indivíduos problemáticos que estão em situações estáveis e tranquilas de vida...

Existe aquele que muitos consideram um "peso morto" primariamente por ser sustentado ou "carregado" pelos outros, ou que apresenta uma relação mais aparente de dependência unilateral. Mas também existe o "peso vivo", aquele que, mesmo que contribua financeiramente ou que não seja mais dependente em uma relação de convívio, também contribui negativamente, por outras vias e/ou não o suficiente...

"É importante respeitar o presidente, porque ele é uma autoridade"

Ou 

"é importante respeitar uma autoridade por ser uma autoridade"

Argumentos redundantes como esse nunca são suficientes para uma análise verdadeiramente filosófica...

É possível odiar grupos sem necessariamente generalizar todos os indivíduos que se associam aos mesmos

Apenas três vias para se desenvolver simpatia por grupos mais objetivamente problemáticos (com uma desproporção de indivíduos problemáticos): 

Auto identificação 
Distância 
Ou um idealismo fantasioso 

Algumas vezes, a melhor maneira de compreender as crenças das pessoas é
buscando saber quem elas são

Por que os gênios tendem à solidão?

Por dois fatores principais 

1. Porque, ao se tornarem obcecados pelos seus tópicos de maior interesse, tendem a se tornar pouco interessantes como figuras sociais

2. Porque essa obsessão intelectual tende a moldar suas maneiras de enxergarem e se relacionarem com o mundo, construindo uma perspectiva existencial única e de difícil acesso ou compreensão aos outros, enquanto que o ideal para a socialização é que a perspectiva existencial de um indivíduo seja a mais genérica possível, muito fácil de se relacionar e se alinhar

Todo ser vivo tem as suas próprias crenças, não apenas o humano. Crença, em seu sentido mais primitivo, como um eco de confirmação com base no que se sente, percebe e vive

Se criatividade é inteligência e racionalidade também é inteligência, a inteligência é o quê??

Tal como se, tudo é Deus, Deus é o quê?

Se "tudo" é mais uma apanhado abstrato do que um fato absoluto 

O problema não é necessariamente ler pouco, mas pensar e entender pouco. E, nesse sentido, são muitos aqueles que são leitores ávidos, mas também apresentam uma capacidade deficitária de compreensão filosófico-científica... Tal como aqueles indivíduos excessivamente enviesados a um lado no espectro político-ideológico que são mais ignorantes que conhecedores sobre uma série de tópicos, mesmo ou especialmente aqueles que aparentam ter se especializado 

O problema, a priori, não é as ciências humanas estarem 99% enviesadas ideologicamente à esquerda ou à direita, mas o fato de que as verdades correspondentes às mesmas não estarem...

O mesmo em relação às artes. Não importa se estão enviesadas à esquerda, ao centro ou à direita, mas o que isso significa (mal gosto, politização excessiva...)

As maiores diferenças entre indivíduos de alto (120 ou mais) e baixo QI (90 ou menos): capacidades de memorização e de racionalizar crenças pessoais, inclusive as mais irracionais 

A maior diferença entre os indivíduos mais racionais e os menos racionais: capacidade de compreender a realidade, que é o mais crítico à inteligência 

"Eu sou totalmente contra a discriminação e a segregação"

Dizem aqueles alecrins dourados que estão sempre discriminando e se segregando em espaços ideologicamente homogêneos de convívio mais íntimo... 

O fanatismo ideológico pode ser tão grave quanto um quadro não-tratado de esquizofrenia, porque o indivíduo submetido a essa condição, passa a vivenciar e a interpretar a realidade de maneira integralmente distorcida, sempre enviesada às suas crenças delirantes...

O autoconhecimento legítimo é um autoconhecimento científico, que também é filosófico, que significa conhecer sobre os próprios potenciais e, portanto, sobre os próprios limites 

Já um exemplo clássico de autoconhecimento ideológico, no pior sentido do termo, significa desconhecer sobre os próprios limites, acreditando que apresenta potenciais infinitos 

A maneira mais segura de se autoconhecer é começando a fazê-lo pelos próprios limites, para então conhecer os próprios potenciais, se estes são determinados pelos primeiros 

"Mudamos a todo momento"

O autoconhecimento requer a disciplina de um auto-olhar treinado para que não faça o tipo de dedução vaga ou imprecisa, como a de cima. 

Não, não mudamos a todo momento, literalmente. A maioria não muda de maneira significativa a longo prazo. E a minoria que apresenta mudanças mais notórias de comportamento, é muito provável que já apresentavam fatores subjacentes, de suas próprias naturezas, pois se existe uma primeira regra do comportamento, bem que poderia ser essa, de que, nenhuma tendência emerge ou se expressa sem que já exista uma predisposição, tal como não existe um meio sem ter existido um começo. E o começo dos nossos comportamentos está em nós mesmos, no que temos de traços mentais mais inatos, e não no "meio" externo, diga-se, um apanhado de múltiplos fatores que recebe essa denominação abstrata, muito similar à ideia de um todo, nada mais do que uma soma de fatores circunscritos a um espaço arbitrariamente determinado. 

*Desconsiderando casos excepcionais de lesão cerebral ou outros fatores primariamente externos que causam alterações de personalidade/mentais

Tentativas de extrapolação universal das próprias experiências ou trajetórias de vida, como se fossem exemplos possíveis em qualquer outro contexto pessoal, parece que costumam se basear em exemplos aparentemente menos complexos, especialmente em relação aos contextos mais desafiadores. Um exemplo de uma espécie de falácia de pensamento muito comum de ser praticada...

O direito à livre associação ou à autossegregação também é especialmente o direito de não ser forçado a conviver com quem não sabe conviver...

Se declarar "antirracista" hoje em dia (década de 2020) se tornou progressivamente uma identificação que expressa uma deficiência de compreensão científica e até moral (filosófica) sobre os tópicos relacionados: raça, comportamento, sociedade... do que apenas uma inclinação político-ideológica e muito menos uma inclinação moralmente superior, se o julgamento mais justo nunca é possível com base em mentiras

Tal como, especialmente uma mulher, que se identifica como feminista, deixou de significar apenas um posicionamento político, e muito menos um posicionamento moralmente superior, até por se comportar como um machismo invertido, de desumanização generalizada do gênero masculino por muitas dos núcleos de ativismo...

Ainda incluindo dentro do termo falacioso do "antirracismo", também o "antissemitismo", todo aquele que está muito enviesado a considerá-lo da maneira com que os mais interessados querem, como um crime de pensamento, estão tão fanatizados quanto os que se declaram de maneira apaixonada e acrítica como "antirracistas"

Uma pessoa aparentemente dotada de altas capacidades cognitivas que adota narrativas "antirracistas", bem como de outras vertentes "identitárias", ou é suspeita de fazê-lo, por, talvez, estar se beneficiando por esse posicionamento, ou o que é suspeito é o seu nível racional, diga-se, seu nível epistêmico de racionalidade. Mas por ser um comportamento tacitamente irracional, de defender ou se apoiar em distorções de fatos, não é suspeito o que já se ratifica como um baixo nível de racionalidade instrumental...

Tão ou mais digno de pena que aqueles indivíduos fanatizados que, claramente, defendem e ou se apoiam em adulterações da realidade, são aqueles que performam como aparentes opositores ao fanatismo e à influência do primeiro grupo. Em ambos os casos, o mesmo questionamento: são mais para loucos ou cínicos?? 

Em termos absolutos, nenhum grupo racial ou étnico é superior ao outro, porque nenhum grupo é dotado de uma uniformidade absoluta de indivíduos, especialmente em termos de comportamento intelectual e moral. 

Mas em termos relativos e históricos, é perfeitamente sensato concluir que, sim, existe essa hierarquia...

O paradoxo do rótulo e do comportamento moral 

Quanto mais você se distancia ou condena um rótulo, mais livre você se sente para agir de acordo com esse mesmo rótulo, mas por vias não-tradicionais ou não-explícitas 

Os mesmos autoritários insuportáveis que se dizem contra qualquer tipo de segregação, são justamente os que mais querem impor sua presença desagradável em todo lugar...

Toda abstração é arbitrária. Uma cidade, um conceito ou uma palavra. É o mesmo que dar forma ou limite ao que não tem, porque não existe. É o mesmo que dar forma e estrutura à imaginação 

A formação humanista do professor não significa que ele tenha que incorporar funções que não são de sua primária competência, mas que ele, ao menos, domine o mínimo de saberes legítimos sobre as ciências com as quais ele lida em seu cotidiano profissional. Então, o ideal não é que lhe seja atribuído outras funções, como a de psicólogo/psiquiatra, mas que saiba julgar psicológica e cognitivamente os seus alunos, até para que possa direcionar suas estratégias de ensino. Ou pelo menos que tenha uma equipe multidisciplinar em seu auxílio.