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domingo, 19 de abril de 2026

O problema do apelo constante/compulsório à evidência científica no fomento de políticas públicas

 Especificamente a uma certa questão 


Hipoteticamente falando, vamos pensar que 

"Foi encontrado que algumas pessoas que cometem crimes hediondos (por puro sadismo: sem contextos complexos que possam justificá-los), apresentam capacidade de ressocialização"

Nessa hipótese de cenário, segundo evidências científicas legítimas, desprezando as falsificações feitas por subtipos de pseudocientistas, como uma provável maioria dos sociólogos, por exemplo. 

Então, mas mesmo que a ciência obtenha este resultado, não é justo que quem comete um crime bárbaro possa ter o direito de ressocializar só porque apresentou indicadores de bom comportamento durante o período do encarceramento e, até depois disso, afinal, é justo que seja mantido na prisão com respeito à(s) vítima(as), aos seus familiares, amigos... Eis aí o ponto mais importante: um indivíduo que comete um crime hediondo acima de todas as ambiguidades possíveis, não deve ser preso "apenas" por causa do crime ou da ação, mas também por causa da pessoa ou ser que foi vitimada. Em outras palavras, também "em respeito" à vítima, sua memória e àqueles mais ternamente associados a ela. Se se trata mais de uma questão moral e filosófica e não apenas uma questão técnica da ciência. Ou talvez o problema aí esteja no foco que muitos se direcionam: na capacidade de ressocialização e não na gravidade do crime e no que é realmente justo, de uma espécie de meta-justiça: sobre o que é justo por ser justo, sem cair nessa que parece ser uma armadilha tecnicista, no mínimo, suspeita...

domingo, 15 de setembro de 2024

Mais sobre o mesmo/More about the same

 Mais intensa é a doutrinação ideológica, menor é a autonomia do pensamento sobre o sentimento, de tal maneira que não seria exagerado chamá-la de doutrinação emocional 


A falácia, geralmente, é a expressão de um raciocínio desprovido de um esforço intelectual mínimo 

A esquerda é uma pretensão de complexidade e profundidade filosófica de pensamento. A direita é uma simplicidade autêntica porém excessiva, porque almeja a objetividade, mas acaba tão subjetiva quanto à esquerda. Revisitando o meu pensamento sobre as duas, em que a esquerda tende a expressar um pseudo intelectualismo (pretensão de inteligência/racionalidade) e a direita um anti intelectualismo (a negação da mesma...em prol de sua autenticidade)

O típico direitista se comporta exatamente como uma pessoa comum ou um "average Joey". Um típico esquerdista se comporta exatamente como um membro de seita 

Uma impressão pessoal: de que existe uma correlação positiva entre ser mulher e/ou estar dentro do espectro de minorias sexuais e de apresentar um grau crônico de analfabetismo científico e filosófico, resultando em uma correlação positiva de engajamento ou crença de muitos indivíduos dessas populações com pseudociências de todos os tipos: médicas, "do bem" (político-ideologicamente enviesadas à esquerda), até pela tendência de ambos serem mais emotivos ou movidos pelos seus sentimentos e, portanto, mais parciais e subjetivos do que imparciais e objetivos, características básicas para um bom cientista 

E sem falar de uma provável desproporção dos mesmos grupos entre "artistas' da "arte contemporânea" 

Politizados verdadeiros discutem mais sobre política. Pseudo-politizados discutem mais sobre políticos 

Enquanto as ficções humanas são meios para finalidades específicas e pragmáticas, como o conceito de justiça, realidades concretas e derivadas são fins em si mesmos, como uma pedra ou a água

Quando todos os políticos são corruptos, covardes ou tolos, as pessoas comuns deveriam tomar para si mesmas a responsabilidade de governo

A maioria dos jornalistas são meros propagandistas políticos 

Jornalistas, atores, políticos... Grupos muito semelhantes... 

A hipocrisia do tribalismo identitário é igual à hipocrisia de chamar de comunidade uma seita ou culto 

Identitários de "esquerda" e de "direita" se assemelham em demasia por suas autoestimas muito altas que resultam em uma autenticidade mórbida: desequilibrada ou distorcida. A maior diferença é que a autenticidade dos de direita é mais comum e alinhada ao ciclo de competição, reprodução e hierarquia social, mais alinhada à ordem "natural" ou típica...

Todo identitarismo é uma ideologia que se serve como um espelho de autenticidade àqueles que o adotam

Um exemplo de como o identitarismo burguês "de esquerda" finge que combate a desigualdade sem de fato fazê-lo: quando impõe sistemas de cotas raciais para profissões do setor público com os salários mais altos, como o de juiz, ao invés de combater as próprias diferenças salariais e de privilégio social entre as profissões, o cerne da desigualdade social 

O "branco de esquerda" que aceita ser responsabilizado por crimes que não cometeu só porque foram cometidos por "seus ancestrais' ou pelo governo do seu país, é tão trouxa quanto o evangélico que dá dinheiro ao pastor que se aproveita para enriquecer. 

O cidadão "de esquerda" que tolera o crime ou defende pela suavização da punição por crimes também está na mesma posição de alguém que naturaliza condições injustas e prejudiciais a si mesmo. Um pouco menos se ele for socialmente privilegiado e, portanto, mais protegido da bandidagem urbana...

Também pode ser possível comparar com pessoas comuns autodeclaradas de esquerda que apoiam correligionários que literalmente gozam de um alto padrão de vida e se limitam à "militâncias" discursivas como demonstração pública de apoio à políticas e ideias ditas esquerdistas. 

Defender pela suavização da punição por crimes também é uma maneira de defender pela opressão, com o aumento da insegurança, de quem vive nos mesmos bairros em que vive a maioria dos sujeitos cronicamente anti sociais, abundantes nas classes mais baixas ou basais.

Também é um verdadeiro privilégio social, não no bom sentido, defender por políticas públicas baseadas em ideias excessivamente abstratas à realidades constantes na dinâmica social, tal como às que se baseiam no negacionismo das diferenças intrínsecas de comportamento e inteligência entre indivíduos e grupos humanos. É fácil fazê-lo quando não tem que lidar com essas diferenças no cotidiano, como as variações mais extremas de inteligência emocional, empatia, racionalidade...

Brancos de origem europeia têm sido governados pelos menos sábios entre eles desde há muito tempo, a norma na maioria das comunidades e sociedades humanas. Pois, nessa primeira metade de século  XXI, em que uma tribo, originalmente do oriente médio, tomou o poder no mundo ocidental e está promovendo o seu genocídio lento e sofisticado para terminar esse processo de usurpação de poder, muitos deles se espantam por essa situação, como se não fosse totalmente previsível que uma civilização corrupta pudesse cair nas mãos de outras "elites" tão mal intencionadas quanto às anteriores

Em uma tragédia sem crime, a reação mais apropriada é a de lamento pela perda de vidas. Já no caso de uma tragédia a partir de uma ação criminosa, se exige uma reação primária de indignação, não apenas de lamento

A "esquerda' nega a existência de raças humanas ou de variações fenotípicas estatisticamente significativas (não apenas de traços físicos, mas também mentais e mais intrínsecos), isto é, de uma realidade biológica, enquanto considera o termo racismo, uma ficção humana ou abstração, uma verdade tão absoluta quanto à própria existência da espécie humana

Ter um excelente conhecimento geral ou cultural pode te fazer mais sofisticado e culto, mas não necessariamente mais sensato ou filosoficamente inteligente, ainda mais se a vocação filosófica sempre prioriza a qualidade sobre a quantidade

O único sistema de cotas justo é aquele que discrimina a favor de pessoas com deficiência

E ainda sobre sistemas de cotas, o mais do mesmo do que tenho dito, de que, não adianta implementá-los, se, além de não selecionarem por mérito de capacidade ou potencial, ainda continuarão funcionando como um método injusto de seleção de capacidades específicas a partir de avaliações excessivamente generalistas, que focam em conhecimentos gerais e memorização do que em conhecimentos específicos e práticos, o cerne do seu problema primário que o torna menos justo do que aparenta

O meu tipo de introvertido não é aquele que prefere ficar sozinho e sim aquele que gosta de ter seu espaço pessoal e/ou privacidade respeitados

Talvez uma diferença marcante entre um psicopata típico e um sociopata típico: em uma conversa, o psicopata escuta primeiro para saber o que falar, enquanto o sociopata está mais inclinado a não se importar com o que está dizendo 

Estúpido não é o mesmo que menos inteligente

O menos inteligente sabe ou compreende menos 

O mais estúpido não entende ou confunde mais 

A principal diferença entre eles é o nível de autoconsciência, especialmente em relação ao menos inteligente que não é categoricamente estúpido, em que o mais estúpido também é o menos autoconsciente, que não é igualmente condicional ao menos inteligente 

Pois parece que, enquanto existe uma abundância de menos inteligentes ou simplórios que se identificam com a direita no espectro político-ideológico corrente, como compensação, parece haver uma abundância de estúpidos categóricos que se identificam com a esquerda, típico de grupos de culto ou seita

Em termos evolutivos, o [mais]estúpido é todo aquele que adota uma estratégia de existência que o desvirtua em demasia da maneira mais original ou básica e eficiente de sobrevivência de sua espécie. Nesse sentido, então, parece mais verossímil definir como estúpido um típico "progressista" do que um típico "conservador"

No entanto, não é tão simples assim, já que o típico "progressista" tem demonstrado uma certa capacidade de sobrevivência individual em cenários específicos e importantes, justamente pela estratégia evolutiva mais adotada por humanos, a covardia, se pelo conformismo ideológico ou camuflagem social, pelo menos quanto à hegemonia de algumas de suas ideologias de aderência nessa primeira metade do século XXI, ou pela decisão de se esquivar de um envolvimento geralmente forçado em conflitos bélicos. Um porém a essa conclusão seria de que essa capacidade seria mais eficiente a curto do que a longo prazo

Não há nada que aborreça mais um indivíduo muito racional ou sensato do que um relativista da verdade.

Idiotas ou estúpidos arquetípicos que, tradicionalmente, se acham mais sensatos que os outros, são, frequentemente, atraídos por cultos de doutrinação ideológica, pois se apoiar em uma ideologia é a maneira mais fácil de aparentar inteligência ou conhecimento 

A manifestação mais básica e decisiva de inteligência é pela demonstração genuína de conhecimento, a priori, independente do quão amplo ou aprofundado possa estar, contanto que seja objetivo. E claro que, a partir de uma capacidade de aprofundamento, a demonstração de inteligência se faz ainda mais impressionante. É por isso que, talvez, muito daquilo que nos acostumamos a chamar por eufemismos, como a "cultura", na verdade, seja uma manifestação de inteligência ou estupidez, insensatez ou insensatez, a crença religiosa, por exemplo. A própria cultura poderia ser considerada uma espécie de sinônimo relativamente distante para inteligência, bem como para estupidez, se a cultura não se limita a rituais, roupas ou linguagens, mas também à qualidade intelectual e moral de suas crenças...


The more intense the ideological indoctrination, the less autonomy of thought over feeling, so much so that it would not be an exaggeration to call it emotional indoctrination

The fallacy is generally the expression of reasoning devoid of minimal intellectual effort

The left is a pretense of complexity and philosophical depth of thought. The right is an authentic but excessive simplicity, because it aims for objectivity, but ends up as subjective as the left. Revisiting my thoughts on both, in which the left tends to express a pseudo-intellectualism (pretense of intelligence/rationality) and the right an anti-intellectualism (the denial of the same... in favor of its authenticity)

The typical right-winger behaves exactly like an ordinary person or an "average Joey". A typical leftist behaves exactly like a member of a cult

A personal impression: that there is a positive correlation between being a woman and/or being within the spectrum of sexual minorities and presenting a chronic degree of scientific and philosophical illiteracy, resulting in a positive correlation of engagement or belief of many individuals from these populations with pseudosciences of all types: medical, "good" (politically and ideologically biased to the left), even due to the tendency of both to be more emotional or driven by their feelings and, therefore, more partial and subjective than impartial and objective, basic characteristics for a good scientist

And not to mention a probable disproportion of the same groups among "artists" of "contemporary art"

True politicized people discuss more about politics. Pseudo-politicized people discuss more about politicians

While human fictions are means to specific and pragmatic ends, such as the concept of justice, concrete and derived realities are ends in themselves, such as a stone or the water

When all politicians are corrupt, cowards or fools, ordinary people should take upon themselves the responsibility of government

Most journalists are mere political propagandists

Journalists, actors, politicians... Very similar groups...

The hypocrisy of identitarian tribalism is the same as the hypocrisy of calling a sect or cult a community

Identitarians of the "left" and "right" are too similar because of their very high self-esteem that results in a morbid authenticity: unbalanced or distorted. The biggest difference is that the authenticity of those on the right is more common and aligned with the cycle of competition, reproduction and social hierarchy, more aligned with the "natural" or typical order...

All identitarianism is an ideology that serves as a mirror of authenticity to those who adopt it

An example of how "left-wing" bourgeois identitarianism pretends to combat inequality without actually doing so: when it imposes racial quota systems for public sector professions with the highest salaries, such as that of judge, instead of combating the very differences in salary and social privilege between professions, the core of social inequality

The "left-wing white" who accepts being held responsible for crimes he did not commit just because they were committed by "his ancestors" or by the government of his country, is as foolish as the evangelical who gives money to the pastor who takes advantage of it to get rich.

The "left-wing" citizen who tolerates crime or advocates for the softening of punishment for crimes is also in the same position as someone who naturalizes unfair and harmful conditions to himself. A little less if he is socially privileged and, therefore, more protected from urban banditry...

It may also be possible to compare it with ordinary people who declare themselves to be left-wing who support fellow believers who literally enjoy a high standard of living and limit themselves to discursive "activism" as a public demonstration of support for so-called leftist policies and ideas.

Advocating for the softening of punishment for crimes is also a way of advocating for the oppression, with the increase in insecurity, of those who live in the same neighborhoods as the majority of chronically anti-social individuals, abundant in the lower or lower classes.

It is also a true social privilege, not in a good way, to advocate for public policies based on ideas that are excessively abstract from the constant realities of social dynamics, such as those based on the denial of intrinsic differences in behavior and intelligence between individuals and human groups. It's easy to do so when you don't have to deal with these differences in everyday life, such as the most extreme variations in emotional intelligence, empathy, rationality...

Whites of European origin have been ruled by the least wise among them for a long time, the norm in most human communities and societies. Well, in this first half of the 21st century, when a tribe, originally from the Middle East, has taken power in the Western world and is promoting its slow and sophisticated genocide
to end this process of usurpation of power, many of them are shocked by this situation, as if it were not completely predictable that a corrupt civilization could fall into the hands of other "elites" as ill-intentioned as the previous ones

In a tragedy without crime, the most appropriate reaction is to lament the loss of life. In the case of a tragedy resulting from a criminal act, a primary reaction of indignation is required, not just regret

The "left" denies the existence of human races or of statistically significant phenotypic variations (not only of physical traits, but also mental and more intrinsic ones), that is, of a biological reality, while considering the term racism, a human fiction or abstraction, a truth as absolute as the very existence of the human species

Having excellent general or cultural knowledge can make you more sophisticated and cultured, but not necessarily more sensible or philosophically intelligent, especially if the philosophical vocation always prioritizes quality over quantity

The only fair quota system is one that discriminates in favor of people with disabilities

And still about quota systems, more of the same of what I have been saying, that there is no point in implementing them, if, in addition to not selecting based on merit of capacity or potential, they will also continue to function as an unfair method of selecting specific capabilities based on excessively generalist evaluations, which focus on knowledge general and memorization than in specific and practical knowledge, the core of his primary problem that makes him less righteous than he seems

My type of introvert is not one who prefers to be alone but one who likes to have his personal space and/or privacy respected

Perhaps a striking difference between a typical psychopath and a typical sociopath: in a conversation, the psychopath listens first to know what to say, while the sociopath is more inclined to not care about what is being said

Stupid is not the same as less intelligent

The less intelligent knows or understands less

The more stupid does not understand or confuses more

The main difference between them is the level of self-awareness, especially in relation to the less intelligent who is not categorically stupid, in which the more stupid is also the less self-aware, which is not equally conditional to the less intelligent

For it seems that, while there is an abundance of less intelligent or simple-minded people who identify with the right in the current political-ideological spectrum, as compensation, there seems to be an abundance of categorical idiots who identify with the left, typical of cult or sect groups

In evolutionary terms, the [most] stupid is anyone who adopts a strategy of existence that distorts too much the most original or basic and efficient way of survival of their species. In this sense, then, it seems more plausible to define a typical "progressive" as stupid than a typical "conservative"

However, it is not that simple, since the typical "progressive" has demonstrated a certain capacity for individual survival in specific and important scenarios, precisely because of the evolutionary strategy most adopted by humans, cowardice, whether through ideological conformity or social camouflage, at least regarding the hegemony of some of their ideologies of adherence in this first half of the 21st century, or through the decision to avoid a generally forced involvement in armed conflicts. One drawback to this conclusion would be that this capacity would be more efficient in the short term than in the long term.

There is nothing that annoys a very rational or sensible individual more than a relativist of truth.

Archetypal idiots or stupid people who traditionally think they are more sensible than others are often attracted to cults of ideological indoctrination, because relying on an ideology is the easiest way to appear intelligent or knowledgeable.

The most basic and decisive manifestation of intelligence is through the genuine demonstration of knowledge, a priori, regardless of how broad or in-depth it may be, as long as it is objective. And of course, from a capacity for deepening, the demonstration of intelligence becomes even more impressive. This is perhaps why much of what we are accustomed to calling euphemistically, such as "culture", is in fact a manifestation of intelligence or stupidity, foolishness or insanity, religious belief, for example. Culture itself could be considered a kind of relatively distant synonym for intelligence as well as for stupidity, if culture is not limited to rituals, clothes or languages, but also to the intellectual and moral quality of its beliefs...

quarta-feira, 24 de julho de 2024

A filosofia, idealmente, moraliza a ciência /Philosophy, ideally, moralizes science

 Porque, sem a moralização da filosofia, isto é, sem a construção de uma consciência crítica, diga-se, da única e verdadeira filosofia, que é a sabedoria, a ciência inevitavelmente se torna antiética, se servindo como um meio para fins escusos (como tem acontecido, historicamente), mas mesmo se se expressasse como um mero passatempo de curiosidade, já que acabaria justificando a crueldade como necessária ou inevitável para a investigação científica.


Portanto, a filosofia atuaria como a base teórica e ideológica da ciência, mas também como um complemento necessário de direção ideal.

Pois se a ciência se especializa ou se divide em muitas áreas de investigação e expansão do conhecimento, a filosofia, idealmente, atua como um farol de sanidade máxima que sempre busca pelo julgamento mais sensato e que, em complemento à ciência, é vital para que não se perca do caminho da sabedoria (como tem feito, historicamente). E o pensamento ou julgamento mais sensato de todos é o de sempre apontar para as verdades mais importantes, que são as mais derradeiras, como a finitude e a igualdade essencial da vida e a ausência de um sentido que explique a existência de maneira que satisfaça as expectativas humanas; sempre lembrando à ciência que tudo o que se faz, no final, nada mais é do que "enxugar gelo".


 Because, without the moralization of philosophy, that is, without the construction of a critical consciousness, by the only and true philosophy, which is wisdom, science inevitably becomes unethical, serving as a means for hidden ends ( as has happened, historically), but even if it were expressed as a mere pastime of curiosity, as it would end up justifying cruelty as necessary or inevitable for scientific investigation.

Therefore, philosophy would act as the theoretical and ideological basis of science, but also as a necessary complement of ideal direction.

For if science specializes or is divided into many areas of investigation and expansion of knowledge, philosophy, ideally, acts as a beacon of maximum sanity that always seeks the most sensible judgment and which, in addition to science, is vital for do not lose its way from the path of wisdom (as it has historically done). And the most sensible thought or judgment of all is to always point to the most important truths, which are the most ultimate, such as the finitude and essential equality of life and the absence of a meaning that explains existence in a way that satisfies human expectations; always reminding science that everything we do, in the end, is nothing more than "wiping ice".

quarta-feira, 5 de junho de 2024

Variações de pseudociências/Pseudoscience Variations

 Entre as pseudociências, existe um espectro de variação de legitimidade científica, de modo que, algumas pseudociências estão mais próximas de uma ciência verdadeira do que outras. Nesse texto, usarei exemplos para ilustrar suas diferenças. 



1. Pseudociência mais evidente 

Se fundamenta em ideias, pensamentos e/ou métodos muito fracos em legitimidade científica, também pelo absurdo lógico e audacioso de condenar a validade factual ou empírica de conhecimentos básicos. Tem o potencial mais baixo (porém, existente) de infiltração no governo e na educação superior e, portanto, de causar problemas sociais. 

Terra Plana 

É um bom exemplo de pseudociência mais evidente, por se tratar de uma crença carente de evidências científicas sobre o formato do planeta Terra, de que seria plano e não arredondado (geóide, em forma de elipse), que almeja invalidar as bases desse conhecimento. 


2. Pseudociência mais típica 

Se fundamenta em ideias, pensamentos e/ou métodos com baixa legitimidade científica, fracamente fundamentados em hipóteses lógicas ou fatos, mas com maior potencial de convencimento do que a primeira categoria de pseudociência e, portanto, de causar problemas à sociedade. 

Anti-vacina

É um bom exemplo de pseudociência típica, por ainda apresentar alguma lógica, mesmo que insuficiente para se sustentar integral e racionalmente, tal como a de que, tomar vacinas pode estar relacionado a um enfraquecimento do sistema imunológico ou que algumas vacinas podem ter efeitos colaterais graves. Então, essa segunda afirmação não está totalmente equivocada, porque pode acontecer, mas em casos específicos, como no caso das vacinas de RNA que foram desenvolvidas em caráter de urgência para a pandemia de COVID-19 e estão associadas a uma rara ocorrência de efeitos adversos. Mas isso não as invalida totalmente e nem as outras vacinas, ou suas capacidades de nos proteger de doenças infecciosas. Também não significa que apenas as vacinas que estão relacionadas com efeitos colaterais que os causam, mas também os próprios organismos de certos indivíduos que podem apresentar reações inadequadas à inoculação, por causa de fatores subjacentes. 


3. Pseudociência mais discreta ou mais próxima de uma ciência legítima 

Se fundamenta em ideias, pensamentos e/ou métodos que aparentam ser cientificamente legítimos, mas deixam uma boa margem de ceticismo quando são colocados à prova e, portanto, com grande potencial de ser rebaixada para uma categoria de pseudociência. Também apresenta uma maior capacidade de convencimento, de tal maneira que muitas desse tipo já se encontram infiltradas dentro das universidades, usurpando os espaços das verdadeiras ciências que falsificam (são, em sua maioria, de "pseudociências do bem", que eu comentei nesse texto: "Sobre as 'pseudociências do bem', 'de esquerda' e o mais grave").

Epigenética 

É cientificamente legítima a ideia de que o meio pode ou impacta os organismos dos seres vivos. Mas a epigenética parece que exagera essa ideia ao ponto de desprezar o papel da genética ou da própria biologia no desenvolvimento e no comportamento de humanos e de animais de outras espécies, delegando-a uma menor influência, ao invés de considerá-la e de que até pode ser mais influente que o meio, desprezando as evidências indiretas que a corroboram, baseadas nos padrões verdadeiros que têm sido percebidos sobre hereditariedade de características psicológicas e cognitivas e sobre a estabilidade expressiva dessas características a longo prazo ou sua baixa responsividade à intervenções sociais. 


Um exemplo complexo de pseudociência que pode cair, ao mesmo tempo, em mais de uma das categorias propostas: negacionismo das diferenças sexuais de natureza biológica, base para a ideologia do transexualismo. Porque se trata de uma distorção de um conhecimento básico, a sexualidade humana, que o torna mais similar a uma pseudociência mais evidente ao mesmo tempo que apela para recursos teóricos mais sutis de deturpação teórica que o torna mais próximo a uma pseudociência típica. 

Among pseudosciences, there is a spectrum of variation in scientific legitimacy, so that some pseudosciences are closer to true science than others. In this text, I will use examples to illustrate their differences.


1. Most obvious pseudoscience

It is based on ideas, thoughts and/or methods that are very weak in scientific legitimacy, also due to the logical and audacious absurdity of condemning the factual or empirical validity of basic knowledge. It has the lowest (but existing) potential to infiltrate government and higher education and therefore cause social problems.

Flat Earth

It is a good example of more evident pseudoscience, as it is a belief lacking scientific evidence about the shape of planet Earth, that it would be flat and not rounded (geoid, in the shape of an ellipse), which aims to invalidate the bases of this knowledge.


2. More typical pseudoscience

It is based on ideas, thoughts and/or methods with low scientific legitimacy, weakly based on logical hypotheses or facts, but with greater potential to convince than the first category of pseudoscience and, therefore, to cause problems for society.

Anti-vaccine

It is a good example of typical pseudoscience, as it still presents some logic, even if insufficient to support itself fully and rationally, such as that taking vaccines may be related to a weakening of the immune system or that some vaccines may have serious side effects. . So, this second statement is not completely wrong, because it can happen, but in specific cases, as in the case of RNA vaccines that were developed urgently for the COVID-19 pandemic and are associated with a rare occurrence of adverse effects. . But this does not completely invalidate them or other vaccines, or their ability to protect us from infectious diseases. It also does not mean that only vaccines that are related to side effects cause them, but also the organisms of certain individuals that may present inadequate reactions to the inoculation, due to underlying factors.


3. More discreet pseudoscience or closer to legitimate science

It is based on ideas, thoughts and/or methods that appear to be scientifically legitimate, but leave a good margin of skepticism when put to the test and, therefore, have great potential for being demoted to the category of pseudoscience. It also has a greater ability to convince, in such a way that many of this type are already infiltrated within universities, usurping the spaces of the true sciences that they falsify (they are, for the most part, "pseudosciences of good", which I commented on in this text : "On the 'pseudosciences of good', 'left-wing' and the most serious").

Epigenetics

The idea that the environment can or does impact the organisms of living beings is scientifically legitimate. But epigenetics seems to exaggerate this idea to the point of disregarding the role of genetics or biology itself in the development and behavior of humans and animals of other species, delegating less influence to it, instead of considering it and that it may even be more influential than the environment, disregarding the indirect evidence that corroborates it, based on the true patterns that have been perceived about the heritability of psychological and cognitive characteristics and about the expressive stability of these characteristics in the long term or their low responsiveness to social interventions.


A complex example of pseudoscience that can fall, at the same time, into more than one of the proposed categories: denial of sexual differences of a biological nature, the basis for the ideology of transsexualism. Because it is a distortion of basic knowledge, human sexuality, which makes it more similar to a more evident pseudoscience while at the same time appealing to more subtle theoretical distortion that make it closer to a typical pseudoscience.

segunda-feira, 15 de abril de 2024

Sobre "per capita" e analfabetismo científico/About "per capita" and scientific illiteracy

 Não ser capaz de compreender estatística básica, por exemplo, a diferença entre proporção absoluta e relativa, o famoso "per capita", pode até ser considerado um marco do analfabetismo científico. Outro seria a incapacidade de detectar ou distinguir correlação de causalidade. 


Not being able to understand basic statistics, for example, the difference between absolute and relative proportions, the famous "per capita", can even be considered a mark of scientific illiteracy. Another would be the inability to detect or distinguish correlation from causation.

quinta-feira, 7 de março de 2024

Novamente o problema elementar da psicometria/Again the elementary problem of psychometrics

 É que a psicologia, assim como a astronomia, também se firma na observação de padrões como meio principal de produção de conhecimentos do que pelo empirismo prático, e até mais já que, enquanto a astronomia requer cálculos matemáticos em suas observações e descobertas, o mesmo não é estritamente necessário para a psicologia. De novo, a ênfase no pedantismo das ciências exatas, se embrenhando em áreas onde não há grande necessidade de precisão numérica, afinal, ninguém realmente precisa fazer cálculos complexos para concluir, por exemplo, que seres humanos variam em suas capacidades cognitivas, bastando a definição de conceitos relacionados, e comparação e ranqueamento com base nos conceitos e critérios estabelecidos, ou observação...


This is because psychology, like astronomy, also relies on the observation of patterns as the main means of producing knowledge rather than practical empiricism, and even more so since, while astronomy requires mathematical calculations in its observations and discoveries, the same it is not strictly necessary for psychology. Again, the emphasis on the pedantry of the hard sciences, delving into areas where there is no great need for numerical precision, after all, no one really needs to do complex calculations to conclude, for example, that human beings vary in their cognitive capabilities, simply defining of related concepts, and comparison and ranking based on established concepts and criteria, or observation...



terça-feira, 28 de novembro de 2023

Cientificismo é mais um problema moral do que intelectual

 Dizer que a ciência, enquanto sistematização do pensamento lógico-racional, é o método mais válido e seguro para a produção de conhecimento*, não é cientificismo, se isso está longe de ser inverídico.


* E se ou quando bem amparado pela verdadeira filosofia...que não descamba em sofisma.

O problema do cientificismo é mais moral e histórico do que intelectual, de se acreditar que a prática científica tem sido sempre ética ou que a ciência tem estado sempre na luta contra tiranos.

quinta-feira, 24 de agosto de 2023

Ainda sobre o método científico

 I. Só existe um método científico: empírico,  imparcial e objetivo, que busca sistematizar o pensamento lógico-racional, na teoria e na prática.


II. Esse método se adapta às especificidades de cada disciplina. Pois talvez venha daí a crença equivocada de que existem muitos métodos para se praticar ciência. 

III. Não é sempre que o empirismo é necessário, apenas em cenários primários de ausência de evidências diretas e/ou indiretas (padrões), quer seja na verificação da viabilidade replicativa de uma nova tecnologia ou de uma teoria. Por isso que é perfeitamente possível ter a observação como método principal de prática da ciência, de busca pela verdade ou por uma melhor compreensão, mas desde que seja efetuada com imparcialidade e objetividade. Então, pode-se constatar que, não importa se a aplicação do método científico se dá pela via empírica ou observacional, desde que corresponda com a sua finalidade mais importante, de produzir ou expandir conhecimentos. 

terça-feira, 15 de agosto de 2023

Novamente sobre ciência, filosofia e religião

 Como começaram:


Unidas. Indissociadas. 

Como estão:

A religião ocupando o lugar que era para ser da filosofia e a filosofia, deslocada de suas funções mais condizentes, disputando com a ciência a hegemonia sobre a busca e a produção de conhecimento, mas mais literalmente pra ver qual delas que é mais difícil de ser compreendida pelo público leigo. A ciência, separada da filosofia e disputando com uma versão sua, deslocada e descaracterizada, passando a tratá-la como antagonista e não como colaboradora. 

A religião era pra ser a própria filosofia, a busca e vivência pelas verdades ou conhecimentos existenciais, os mais decisivos, derradeiros ou absolutos. Ou a filosofia que era pra ser a nossa* religião, a sabedoria, e tendo como base justamente esses conhecimentos, os mais importantes. Era a filosofia que deveria organizar moralmente uma sociedade, orientando-a, com base na compreensão mais realista do mundo, e a ciência contribuindo com a filosofia também para melhorar a sociedade em termos práticos. Mas o que temos e, desde há um bom tempo, são ideologias não-filosóficas disputando a hegemonia política, cultural e moral que, idealmente, seria da única e verdadeira filosofia ou sabedoria...

Resultado: 

A ciência abraçou sua versão cientificista, excessivamente pragmática, isto é, eticamente irresponsável, facilmente cooptada pelo poder, independente de sua qualidade moral.

Boa parte da filosofia, e não apenas atualmente, é "bobagem profunda" (em inglês: profound bullshit) se passando por "sofisticação filosófica", porque se tornou excessivamente abstrata ou teórica, enviesada em pensamentos e reflexões vagas, na estética do pensamento do que na qualidade do seu conteúdo, se dividindo em múltiplas ideologias erroneamente denominadas de "filosofias" e essas, por sua vez, disputando a hegemonia da sociedade e, quando a conquistam, geram novas formas de doutrinação e opressão do que de legítima educação e justiça. 

Já a religião nunca conseguiu evoluir para o nivel filosófico, estagnando-se sob a forma de mitologia, porque, ao invés de responder às perguntas universais e objetivas que faz desde os primórdios da autoconsciência humana, tradicionalmente fabrica respostas paroquiais, geralmente afastadas de um rigor racional.

Enfim, cada uma passou a direcionar seu olhar excessivamente para si própria ou, nem isso, e apenas se distorcem de maneira grosseira, desprezando a possibilidade de adotarem suas versões mais ideais, a ciência como busca, produção e ampliação do conhecimento humano, voltada para uma perspectiva mais geral e prática, a filosofia como avaliadora do que a ciência produz e voltada para uma perspectiva mais essencial ou existencial, e moral, e a religião justamente como esse núcleo da filosofia, ou sabedoria. 

*A filosofia, enquanto sabedoria, se tornou praticamente a minha "religião". 

quinta-feira, 10 de agosto de 2023

Sinais de que você não consegue distinguir pseudo ciência de ciência...

 ... especialmente a pseudo ciência "do bem".


Inspirado na polêmica recente do livro "Que bobagem!", de Natália Pasternak e Carlos Orsi.

1. Você chama quem defende os fundamentos mais básicos da ciência de positivista

Imparcialidade e objetividade, honestidade e humildade intelectuais, empirismo... Se você classifica de maneira pejorativa como positivista quem acredita que esses valores são fundamentais para definir a ciência, em sua teoria e prática, então, é provável que você não sabe distinguir ciência de pseudo ciência.

Uma variável disso é acusá-los de ter uma fé cega pela "ciência ocidental", como se a busca pela verdade objetiva fosse uma invenção de uma cultura ou civilização específica. 

2. Você argumenta que não existe apenas uma maneira de fazer ciência

Pois parece acreditar que a ciência pode ser não-empírica ou mesmo não-racional (?)...

Das múltiplas e legítimas especializações da ciência, todas têm como base os valores ou fundamentos que a caracterizam, essencialmente, particularmente os citados no primeiro ponto, que definem o método científico. 


3. Você problematiza termos essenciais à ciência, enfim, para uma melhor compreensão do mundo 

Verdade, objetividade e racionalidade, principalmente. 

Exemplos típicos: afirma que verdade e objetividade não são possíveis, deixa vagos seus posicionamentos sobre as mesmas ou a entender que a subjetividade é absoluta sobre a objetividade; tem uma implicância pela racionalidade, por acreditar que seja oposta à empatia, à compaixão ou mesmo à justiça...

4. Você não sabe distinguir correlação de causalidade, bem como outras capacidades básicas para o pensamento científico 

Tal como a de, primeiro, buscar pelas explicações menos complexas ou extraordinárias antes de pensar em adotar as mais complexas, se são muitas as pseudo ciências que se baseiam justamente em afirmações extraordinárias sem evidências extraordinárias. 

Outra incapacidade é sobre saber distinguir correlação verdadeira de falsa.

5. Você definitivamente não aceita estar errado 

Especialmente quando está ou se percebe que não tem verdadeiro embasamento lógico-racional, se para defender seus posicionamentos acaba apelando para falácias ou não consegue defendê-los de maneira honesta; porque a crença em uma pseudo ciência, que também pode ser por uma ideologia não-filosófica (ou sem ser a própria filosofia, em sua essência, como sabedoria), exige fanatismo ideológico para se sustentar.
 
Em outras palavras, você não é intelectualmente humilde a ponto de conseguir reconsiderar suas opiniões quando surgem opiniões melhores ou evidências que as desafiam. 

6. Você definitivamente já tem alguma pseudo ciência de estimação 

Esse é o sinal mais inequívoco, ainda mais se você tratá-las seriamente como se fossem ciências legítimas. 

7. Você é um filosofista 

Eu pensei em dois conceitos para esse termo de minha autoria. O primeiro se refere aquele que se define ou é definido como filósofo, mas mostra-se insuficiente em seu compromisso com a sabedoria, com a busca pela verdade ou melhor compreensão e, portanto, cai em uma categoria inferior a de filósofo legítimo. Já o que estou usando aqui, ainda que seja relativamente diferente, também se associa ao primeiro conceito, que parece comum aos filosofistas, no sentido de "filósofos de diploma", que é de alguém que desenvolve um fanatismo pela filosofia ou por sua concepção sobre ela, tendendo a resultar em preconceito em relação à ciência, uma espécie de cientificismo, mas da filosofia. Então, é possível que você seja do tipo que acusa qualquer um que defende a ciência "tradicional" de ser um cientificista. 

Eu comentei mais detalhadamente sobre esses meus dois conceitos para filosofista nesses textos: "O filósofo, o filosofista e o fisólofo" e "Diferença[s] entre o intelectualmente inteligente e o cognitivamente inteligente". 

sexta-feira, 19 de maio de 2023

Sobre a diferença do método científico e do método filosófico

 Que deveria existir, diga-se, um método filosófico unificado e coeso)


O método científico se baseia no empirismo, na busca e comprovação de um fato por exposição de evidências ou de praticalidade de uma técnica desenvolvida.

Já o método filosófico, se um dia chegar a existir e a ser sistematizado, precisa se basear no lógico-racionalismo, na primazia do pensamento lógico-racional visando uma maior compreensão ou entendimento, inclusive no sentido prático.

Interessante também dizer que, toda ciência, em sua prática mais ideal, tem como princípio teórico a própria filosofia. Em outras palavras, o método científico, novamente, em sua prática mais ideal, se baseia em um método filosófico, e essa relação seria evidente e lógica se filosofia e ciência estivessem organizadas para cooperar uma com a outra, ou como complemento, como deveria ser, e não para competir, como tem sido.

domingo, 14 de maio de 2023

"No passado, as pessoas não tinham acesso ao conhecimento científico e por isso acreditavam em coisas estapafúrdias"

 Primeiro, muitas pessoas continuam acreditando mesmo com maior acesso à ciência. Segundo, esse pensamento generalizante sobre o passado, comum em certos setores da ala acadêmica, despreza que pessoas mais racionais sempre existiram ao longo da história humana. Por exemplo, na idade média europeia, quando acontecia um surto de alguma doença infecciosa, era totalmente possível observar seus padrões de sintomatologia e contaminação para se chegar a conclusões aproximadas as que podem ser produzidas com todo aparato científico disponível atualmente. E é muito provável que, pelo menos uma minoria de indivíduos naquela época e, em qualquer outra de um passado distante, conseguissem pensar e concluir de maneira mais sensata, do que apelar para o pensamento mágico...

terça-feira, 2 de maio de 2023

Ciência, filosofia e mais uma diferença

 A ciência é uma generalização da especialização 


A filosofia é uma especialização da generalização.

terça-feira, 25 de abril de 2023

A ciência é uma despersonalização objetiva e a filosofia é uma personalização objetiva

 A ciência sempre despersonaliza mesmo sobre o que nos é mais íntimo. Já a filosofia sempre personaliza mesmo sobre o que nos é mais alheio ou distante. 


O exemplo mais óbvio é a diferença entre a astronomia e a própria filosofia. Pois se a primeira nos mostra o quão absurdamente grande é o universo, a outra nos mostra o quão absurdamente pequenos nós somos, por comparação.

A filosofia (verdadeira ou autêntica), portanto, visa por uma moralização objetiva.

A ciência visa suprimir a subjetividade o máximo possível em prol da objetividade. A filosofia visa uni-las.

sábado, 4 de março de 2023

A busca por padrões verdadeiros é elementar à prática científica e à reflexão filosófica...

 ... e, portanto, é definitivamente tóxica à qualquer pseudociência e/ou pseudofilosofia. Até por se consistir na matéria-prima do "pensamento lógico-racional" (ou objetivo-imparcial). 


Padrões: comportamentos ou traços expressivos e constitutivos de uma realidade específica: elemento, fenômeno... que se repetem, que são característicos ou potencialmente identificáveis. 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

Uma diferença entre religião/"ideologia" e ciência/filosofia

 É que, enquanto uma religião/"ideologia" é tradicionalmente constituída quando há pouco ou nenhum conhecimento ou entendimento sobre certo tópico, para o estabelecimento de uma teoria científica ou uma verdade filosófica é condicional que se tenha um conhecimento ou entendimento sobre o tópico abordado. Por exemplo, a crença de que o Sol gira em torno da Terra ou geocentrismo, historicamente defendida pela igreja católica, e a teoria mais aceita pela ciência, de que a Terra e os demais planetas do sistema solar giram em torno do Sol ou heliocentrismo.


* Eu coloquei ideologia entre aspas por ser um conceito muito primário que abarca inclusive a ciência e a filosofia, como a essência de um sistema de crenças. Mas, enquanto prática histórica, a grande maioria das ideologias, se concretizadas como culturas ou não, têm sido baseadas nesse preenchimento de lacunas de conhecimentos com imaginação e/ou distorções factuais.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

Sobre a correlação entre ateísmo e autismo

 Autistas são mais propensos a serem ateus que não-autistas por terem, em média, uma menor capacidade de "teoria da mente" (detecção da intencionalidade alheia)??



Ateísmo e autismo compartilham algumas semelhanças de maneira que os autistas são mais propensos a serem ateus e os ateus não-autistas, neurotípicos ou neuroatípicos, tendem a ter mais traços autistas. MAS é uma correlação interseccional (diferente de uma correlação paralela), não uma causalidade. Uma teoria da mente mais deficiente não necessariamente torna você ateu, mas mais propenso a interpretar mal a intencionalidade das outras pessoas. A característica fundamental que ajuda alguém a se tornar ateu e que também é comum entre os autistas é uma dificuldade de entender o pensamento metafórico (fundamental para qualquer narrativa religiosa) e/ou preferência pela literalidade na comunicação ( pensamento literal também é fundamental para a ciência).

sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

Uma lista de efeitos colaterais

1. Criticar "erros" de gramática ou ortografia durante um debate em ambiente virtual, ainda mais sem qualquer necessidade lógica que justifique, nunca é um argumento;


II. A ciência não se limita às universidades e/ou à busca pelo conhecimento, por também ser estritamente necessária na produção e prática de conhecimentos técnicos, do artesanato (intersecção com as artes), como o crochê, à tecnologia, como a internet...


A ciência não é o conhecimento em si mas o meio ou a técnica para buscá-lo ou produzi-lo;  


2+1. A "culpa' pelo subdesenvolvimento socioeconômico de países, como os da África subsaariana,...


... não é apenas do colonialismo de países atualmente desenvolvidos, como as metrópoles coloniais de outrora da Europa Ocidental, mas também e, principalmente, de suas próprias "elites" corruptas e de suas populações com, em média, baixo potencial cognitivo...


Na verdade, é prejudicial aos mesmos culpar apenas seus antigos "colonizadores".


Por isso que, não adianta tentar reparar os males causados pelo colonialismo mandando dinheiro para os países mais pobres, se muito provavelmente será usado pelas "elites" locais em prol de si mesmas;


2+1+1: Europeus colonizaram parcialmente as Américas, especialmente a do norte, significativamente a Oceania, mas não colonizaram a África* e a Ásia, pois não as povoaram com os seus "efetivos". 


* apenas algumas áreas.


Colonização não é o mesmo que ocupação;


IIII. Crente: "A quem os ateus chamam em um momento de desespero??" (Implicitamente, ele mesmo responde: "eu sempre peço ajuda a Deus") 


Eu, ateu: "Só uma criança chamaria pelo pai em um momento desses"; 


5. Sobre crenças terrenas e metafísicas e a megalomania em comum:


A crença megalomaníaca de se acreditar que é "o filho do criador do universo e que viverá para sempre, isto é, que é invencível" e a humildade de considerar como verdades muito prováveis a inexistência de um "criador" (humano??) do "mundo" e a finitude da vida.


A mesma megalomania de se acreditar que, aqueles que "pertencem' a uma classe social mais baixa são absolutamente "inferiores" aos das outras classes e a humildade de considerar como uma verdade simples e indiscutível a igualdade, em essência, de todos os seres humanos e vivos, de aceitar que é essencialmente igual, mesmo às espécies mais microscópicas e/ou primitivas;


VI. As pessoas não ajudam os outros por causa de alguma crença em seres imaginários, como Deus, mas porque reconhecem, se mais ou menos conscientes, ou se momentaneamente, a igualdade essencial de todo ser humano (e que se estende a todo ser vivo). 


A maioria dos autodeclarados religiosos, pra variar, nada fazem para ajudar o próximo. Pior, se ainda votam em políticos que dificultam suas vidas e as dos outros;


VI,1: O especismo nosso de cada dia:


"Tragédia acontecendo em qualquer lugar do mundo: uma tsunami, uma enxurrada, uma nevasca..."


Grande preocupação com vidas humanas e pouca ou nenhuma com vidas não-humanas;


-1+8. Um problema da polarização ideológica também é o dualismo induzido de extremos: 


Ser ou não ser, 


Ser 8 ou 80,


Ser bom (a ponto de ser um trouxa) ou não ser (ou ser o mais egoísta e cruel possível)??


Ser totalmente "livre" ( no sentido de inconsequente e impulsivo) ou não ser (e ser muito obediente e autocontrolado)??


Escolher um extremo ou outro?? 


Eis a questão...;


2.3+2. A polarização ideológica é mais uma demonstração de que a maioria dos seres humanos é fácil e até profundamente doutrinável;


3+3+3. Hitler foi um amador em termos estratégicos. Pois se ele fosse mais racional, jamais teria perseguido minorias, como os judeus, pelo menos da maneira como fez.


Teria combatido indivíduos desagregadores (psicopatas, sociopatas e narcisistas) ao invés de colocar toda culpa em um só povo.


Teria fomentado respeito e admiração ao redor do mundo, além da Alemanha, e não apenas entre conservadores. Teria conquistado até seus opositores mais ferrenhos. Porque teria avançado com políticas "humanistas", ao invés de fazer o oposto. Até poderia fomentar a ideologia do "orgulho branco". Mas também reconheceria a importância das outras raças assim como os males cometidos ao longo da história por todos os grupos humanos, incluindo os brancos. Enfim, induziria uma ideologia racial baseada em conhecimento e empatia e não no ódio irracional.


Ao invés de uma ideologia de "raça superior", uma "política superior "...


Combateria, de fato, o capitalismo e outras tiranias de todos os tipos, inclusive as autodeclaradas socialistas.


Jamais teria iniciado uma guerra com a União Soviética. E se não tivesse escolha buscaria transformar em aliados todos os povos eslavos e, inclusive os não-eslavos, que viviam nos países ocupados, como os judeus, para ajudar os alemães a combater o "inimigo vermelho".


Jamais teria iniciado uma guerra no front ocidental, pois saberia que, para ter ampla vantagem e chance de vencer uma guerra, ainda mais em duas frentes, seu país deveria estar muito bem preparado, o que não era o caso. Mesmo assim, ele saberia que, apelar para um conflito bélico só seria inevitável quando todas as tentativas diplomáticas fossem exauridas. 


Hitler foi um excelente orador, mas por contrapartida, foi um artista e um intelectual medíocre e megalomaníaco... 


Os nazistas perderam a guerra que provocaram porque seu modo de pensar era extremamente ideológico ou excessivamente binário, que resultou em toda crueldade e hipocrisia envolvidas e amplamente praticadas;


3+3+3+0,1: Os nazistas não estavam totalmente errados sobre os judeus. Estavam/estão mais certos do que as narrativas pró-semitas, excessivamente simpáticas ao "povo escolhido", porque é mais factual que um povo qualquer, ou indivíduos do mesmo, tenha cometido e continue a cometer crueldades, do que, durante toda sua história, sempre ter sido inocente ou vítima, tal como pregam essas narrativas e que ainda acusam qualquer crítica aos judeus, como um povo, como antissemitismo...



X. Relativistas teóricos: 


"A verdade é relativa" ;


"A moralidade é relativa"


Os mesmos relativistas teóricos: 


"Vacinas salvam vidas!!! Anti-vacinas são uns mentirosos!!!" 


(A verdade é SEMPRE relativa??)


"Racismo é um crime imperdoável!!!" 


(A moralidade é SEMPRE relativa??)


Eleven: Eu acredito que sou bastante cético e contestador. 


Não, não acho que seja um excesso de adjetivos porque não têm o mesmo significado, se o primeiro seria um tipo de contestador passivo e o segundo um tipo de cético ativo, a diferença entre duvidar e criticar;


Meia dúzia + meia dúzia =  "economismo"


O economismo é uma pseudociência/fraude relacionada à economia,  que se baseia em argumentos sofisticados para justificar o parasitismo social, isto é, para defender práticas econômicas equivocadas, geralmente de natureza capitalista, similar à qualquer pseudociência na área da medicina que promove tratamentos "alternativos' sem nenhuma eficácia cientificamente comprovada. Mas, a comparação mais adequada aqui seria com o movimento anti-vacinas porque, ao invés de ser tal como a homeopatia, que não faz bem ou mal, o economismo faz mal à sociedade por justificar e defender por modelos que são ecológica e socialmente problemáticos, mas "vendendo-os" como o melhor "tratamento";


(1)+(3) = A esquerda, especialmente a identitário-burguesa, prega a auto-indulgência aos seus grupos "super protegidos": minorias e maiorias historicamente "oprimidas' e/ou socialmente marginalizadas. Já a direita, especialmente a cultural, prega pela mesma auto-indulgência mas aos seus próprios grupos "super-protegidos": minorias e maiorias histórica e/ou socialmente empoderadas//opressoras...


28/2: Rapidinho sobre o ateu toddynho


a) Ele é mais anti-cristão que ateu


b) Ele é mais identitário que coerente;


QUINZE: A Jamaica se tornou um dos países mais violentos do mundo, diga-se, com índices altos de criminalidade organizada e que tem sido reportada oficialmente. Mas mesmo que essa situação seja o resultado de diversos fatores, é inevitável não pensar na possibilidade de que a população jamaicana apresente uma desproporção de indivíduos, especialmente do sexo masculino, com tendências intrínsecas ou biológicas para comportamentos anti-sociais, ou que tenha acontecido uma seleção positiva por esse tipo, a partir de uma fertilidade diferencial, tal como também parece acontecer nas periferias brasileiras, só que em escala nacional... Afinal, não faz sentido que apenas fatores externos que induzam tantos homens à violência e não ao diálogo;



4.4: Sobre a mitologia capitalista 


Geralmente, a definição de riqueza tende a ser arbitrária, porque acontece a partir da valoração de algo por um grupo específico com base em seus próprios valores ou crenças e não necessariamente pelo seu valor mais intrínseco. Pois se assim fosse, vida e água seriam nossas maiores riquezas. Aliás, na realidade mesmo, elas são.


Mas algumas definições são ainda mais arbitrárias que outras. O dinheiro, por exemplo. Já que, por ser um símbolo abstrato, seu valor pode ser inflado quase infinitamente, que em muito contribui para aumentar as desigualdades sociais a níveis ainda mais absurdos. 


Então, como conclusão bem realista, não existe 1, 100, 100.000, 1.000.000 e muito menos 1.000.000.000 de reais, dólares estadunidenses ou pesos argentinos... tudo não passa, grosseiramente falando, de uma fantasia que deveria ou poderia ter uma finalidade conclusivamente pragmática, de facilitar trocas financeiras superlativas. Mas serve especialmente para gerar desigualdades extremas de renda e patrimônio;


1(7): How "elite" (the best people for doing specific stuff) are: sportists, artists and politicians?? 


In a 0 to 10 scale


Sportists: 9,5; artists (currently and being generous): 5; politicians (being very generous): 3;


20, 19, ... : A vida complexa é como uma colônia variavelmente ambulante de vidas simples;


39 - 20: Ainda sobre a falácia de que "apenas o esforço nos estudos que basta para passar em provas de concurso ou no vestibular".


Basta estudar para as matérias que são solicitadas. Sim... Mas, geralmente, são muitas as matérias que são pedidas, sem haver uma maior precisão de quais delas que realmente cairão na prova. Pois esse procedimento habitual mostra que não basta apenas se esforçar nos estudos, se não tiver uma ótima capacidade de memorização, porque será inútil. E se fossem detalhadas quais matérias que cairiam, ainda seria possível argumentar que apenas ou principalmente o esforço empregado nos estudos que importa para passar numa prova, mesmo que fosse falacioso de qualquer modo;


Venti: Quando se fala que uma situação, fenômeno ou comportamento tem causa multifatorial, não significa que não existe uma hierarquia de influência ou importância entre os fatores envolvidos. Por exemplo, a pobreza. Pois, apesar de ser multifatorial, alguns fatores são mais relevantes que outros para explicá-la. De maneira geral, o nível de pobreza é o resultado de como que uma sociedade tem sido gerida, um problema coletivo e estrutural. Mas, características individuais intrínsecas, como a inteligência e o autocontrole, também são muito relevantes para explicar especialmente contextos específicos;


Ventuno (21): Nenhuma opinião é apenas uma opinião, pois diz mais sobre a pessoa que a expressa, o que pensa, acredita ou é, do que ser um pensamento distante de sua identidade e realidade...


Vinte e two: "em que besteira(s) você já acreditou por não estar criticamente atento??" 


Que santos choram, dinheiro tem sentimentos e bebês são como folhas de papel em branco.

Qualquer atribuição precipitada de causalidade é uma afirmação extraordinária...

 ... que precisa de evidências extraordinárias para comprovar sua veracidade. Em contraste,  qualquer atribuição de correlação é mais trivial... Pois é recomendado, primeiro, comprovar se há correlação antes de atribuir causalidade. 

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

Mais um pouco sobre a "meritocracia" capitalista: cientistas versus jogadores de futebol

 Cientistas inventam vacinas que salvam milhões de vidas [apenas um exemplo em meio a muitos outros]. Mas quem ganha salários exorbitantes e tem milhões de fãs em todo mundo são... jogadores de futebol.


Essa é a lógica capitalista, que é muito simples: o maior mérito é tudo aquilo que gera lucro (boa parte que sempre vai para as mãos de uma minoria de sujeitos destituídos de escrúpulos) e não a importância intrínseca da atividade ou ato...

E continuando rapidamente com essa demonstração de anti-meritocracia, temos uma maioria de indivíduos de extrema direita elevando à condição de ídolos ou "mitos", sujeitos que, ao invés de contribuírem, de fato, com o desenvolvimento das sociedades em que vivem, as usam especialmente para o próprio benefício. São eles: políticos moralmente corruptos, monarcas, ditadores fascistas, super ricos, artistas deficientes em discernimento político ou moral...

(Não é que todo esquerdista seja excepcionalmente meritocrático ou justo quanto aos que considera dignos de sua admiração, longe disso. Ainda assim, comparativamente, é menos pior que esse nível encontrado entre extremo-direitistas e capitalistas contumazes).