A socialização, isto é, o ato de socializar com as outras pessoas, e de preferência com muitas pessoas, é, a meu ver, um ato muito subjetivo ainda que todo ato desta natureza tenha a sua carga de objetividade. É subjetivo porque tende a ser mais lento, relativamente caótico ou multi-dinâmico, ainda que paradoxalmente mais rápido em seu ritmo. E as suas regras ainda que existentes não estão claramente traçadas.
Um exemplo interessante e talvez incomum de socialização é o de ir para a praça principal da sua cidade e de ficar ''fazendo hora'' por lá.
O que parece claro pra mim é que as pessoas mais introvertidas tendem a ser ao mesmo tempo mais procrastinadoras, isto é, atrasam mais as suas ações, porque pensam mais sobre elas e sobre as circunstâncias envolvidas, MAS também são mais objetivas, que preferem executar tarefas ou ações previamente determinadas, tendo algo em mente, já bem traçado.
Mesmo que, ao ir à uma festa, já se tenha algo em mente, este algo tende a ser mais vago do que determinado.
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quinta-feira, 16 de novembro de 2017
Introvertido: se sobrecarrega de informações rapidamente OU [também] é apenas mais direto**
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quarta-feira, 15 de novembro de 2017
Padrões são patrões
Eles nos governam, nos mandam, sem negociar, sem escutar,
Não querem ouvir lamentos ou resmungos,
São apressados, briguentos, constantes, infalíveis, divinos,
São como a Deus,
São Deus,
Estão em todo lugar,
Nos oprimem, nos dão e nos tiram o ar,
Em cada canto, em cada cada, em cada pedaço,
Nos mandam, eretos, deitados, a respeitar: nossa senhora, a gravidade... o santo, casamenteiro da lógica, que sempre lança flechas de cupido, de culpado, porque nos quer assim, bem conformados,
E queremos o tempo parar,
Que os deuses se curvem diante de nós,
Queríamos ser santos, e pra sempre chorar,
Como imagens, telas ou pinturas,
Nos queremos presos, mas os padrões, nos querem libertos,
Para bater nossas asas, e voar,
Para onde a luz nos guia, para onde a curva dobra e a escuridão espelha, para onde tudo vai,
Queríamos ser tão insignificantes... pra ficar e ficar,
Os padrões são patrões, e nós lhes somos importantes,
Nos querem soldados, profissionais, nos querem obedientes, galantes ou formais,
Nos forçam à sua força, não mais por sermos os seus filhos, à imagem e semelhança,
Clementes, nos deixam a vida, penitentes, por tirá-la,
Nos querem, de qualquer maneira, é uma obsessão, uma junção absoluta,
De testa lisa ou protuberância,
De grande ou pequeno porte,
Doentes, meio erráticos, mas sempre em padrões,
Pequenos na infância, esperançosos no fim desta andança,
Queremos uma revolução, de nos ver livres, de sermos os nossos próprios patrões,
Mas o padrão é como um cócega em si mesmo,
É esperto, experiente, por osmose ou a esmo,
É aquele que deu à luz, nem homem ou mulher, apenas a origem, quando ainda é virgem,
Faz da vida: vertigens, delírios,
Nos enganam, que não estamos condenados, porque teto e piso já estão podres, fracos,
Somos degeneração,
Poucos que entendem essa luta sem vitória,
E que decidem ser apenas o prédio em sua queda,
Que a vida é ruína, mesmo na glória,
A maioria, por sorte, pensa que é um presente, e passa essa condenação,
Mais fria ou quente,
Mais turva ou clara,
Mais rápida, turbulenta ou calma,
E veem brotar uma nova esperança, que brilha pequena, e que vai escurecendo, até não mais se iludir, e apenas esperar,
Que a morte também é um padrão, um patrão a sempre mandar e mandar,
A nos mandar para um mundo sem patrões,
Onde a igualdade é suprema,
Onde a vida sequer, é um poema.
Não querem ouvir lamentos ou resmungos,
São apressados, briguentos, constantes, infalíveis, divinos,
São como a Deus,
São Deus,
Estão em todo lugar,
Nos oprimem, nos dão e nos tiram o ar,
Em cada canto, em cada cada, em cada pedaço,
Nos mandam, eretos, deitados, a respeitar: nossa senhora, a gravidade... o santo, casamenteiro da lógica, que sempre lança flechas de cupido, de culpado, porque nos quer assim, bem conformados,
E queremos o tempo parar,
Que os deuses se curvem diante de nós,
Queríamos ser santos, e pra sempre chorar,
Como imagens, telas ou pinturas,
Nos queremos presos, mas os padrões, nos querem libertos,
Para bater nossas asas, e voar,
Para onde a luz nos guia, para onde a curva dobra e a escuridão espelha, para onde tudo vai,
Queríamos ser tão insignificantes... pra ficar e ficar,
Os padrões são patrões, e nós lhes somos importantes,
Nos querem soldados, profissionais, nos querem obedientes, galantes ou formais,
Nos forçam à sua força, não mais por sermos os seus filhos, à imagem e semelhança,
Clementes, nos deixam a vida, penitentes, por tirá-la,
Nos querem, de qualquer maneira, é uma obsessão, uma junção absoluta,
De testa lisa ou protuberância,
De grande ou pequeno porte,
Doentes, meio erráticos, mas sempre em padrões,
Pequenos na infância, esperançosos no fim desta andança,
Queremos uma revolução, de nos ver livres, de sermos os nossos próprios patrões,
Mas o padrão é como um cócega em si mesmo,
É esperto, experiente, por osmose ou a esmo,
É aquele que deu à luz, nem homem ou mulher, apenas a origem, quando ainda é virgem,
Faz da vida: vertigens, delírios,
Nos enganam, que não estamos condenados, porque teto e piso já estão podres, fracos,
Somos degeneração,
Poucos que entendem essa luta sem vitória,
E que decidem ser apenas o prédio em sua queda,
Que a vida é ruína, mesmo na glória,
A maioria, por sorte, pensa que é um presente, e passa essa condenação,
Mais fria ou quente,
Mais turva ou clara,
Mais rápida, turbulenta ou calma,
E veem brotar uma nova esperança, que brilha pequena, e que vai escurecendo, até não mais se iludir, e apenas esperar,
Que a morte também é um padrão, um patrão a sempre mandar e mandar,
A nos mandar para um mundo sem patrões,
Onde a igualdade é suprema,
Onde a vida sequer, é um poema.
''Tudo'' ou quase tudo que você precisa saber sobre raças humanas por um calango indiferenciado e famigerado
- As raças humanas não são eternamente fixas, tanto em termos fisiológicos quanto em termos psicológicos//culturais;
- Nós não temos culpa [ninguém tem] de uma raça ser assim ou assado [no sentido mais egoísta//''negativo'] porque muitos desses processos de diferenciação aconteceram h[a muito tempo E tendo causas ambientais [ambientes mais complicados que selecionaram por certos tipos; a ideia de que climas mais temperados selecionaram os mais providentes ou de ''pensamento de longo prazo'', do em ambientes intertropicais];
- Quando falamos de raças, falamos de médias;
- Ainda que possa resistir alguma verdade sobre haver uma associação mais causal [que me parece ser mais pontual do que generalizada], é certo que '' o tom ou cor de pele muito improvavelmente causará certo comportamento'' e o melhor que podemos extrair disso é que existe uma associação ou correlação entre variáveis fisiológicas e variáveis psicológicas, que eu tentei explicar por meio desta metáfora;
- Por essa lógica até poderíamos concluir que, não discriminamos [positiva ou negativamente] apenas pela ''cor da pele'' mas ESPECIALMENTE em relação às variáveis psicológicas que estão em associação fortemente positiva com certo fenótipo. Em suma, na imensa maioria das vezes não discriminamos por ''cor da pele'' [ainda que acredite em tipos reais de colorismo DIRETO: exemplo, a ''albinofobia'' ou a ''vitiligofobia''];
- É a partir dessas diferenças psicológicas//culturais//de valores, que podemos concluir que, a aparência física ainda que também possa estabelecer ou estreitar relações [pessoas bonitas se associam mais à outras pessoas de aparência parecida, por exemplo...] não se consiste no aspecto final que mais nos entrelaça ou que mais nos afasta, mas as similaridades [ou complementaridades] dos nossos comportamentos, e o mundo atual ''anti-conservador' [ou nem tanto], no ocidente, apenas tem nos mostrado essa realidade;
- É aquelas: existem [tendem a existir] mais diferenças dentro de uma raça do que entre elas, e muitos tem buscado por seus iguais em psicologia ou combinação psicológica/de personalidade//valores do que por seus racialmente iguais, isto é, a priore, em aparência fenotípica específica;
- Boa parte daquilo que entendemos como ''racismo' na verdade consiste em uma espécie de misandria, ou ''preconceito'' com relação ao comportamento masculino//atrelado ao homem típico, especialmente o hiper-masculino;
- Boa parte dos conflitos humanos inter-raciais na verdade são conflitos masculinos;
- Raças mais inteligentes OU também mais domesticadas*
Muito daquilo que determinamos como ''inteligência', mais parece expressar sinais de comportamento domesticado, especificamente o comportamento cognitivo [domesticado], por exemplo, a capacidade ou proficiência em partes, pré-existente e adquirida, de se cristalizar um vocabulário grande e convencionalmente correto. Poder-se-ia concluir que o fator ''domesticação'' também é fundamental para interpretar as diferenças MÉDIAS de capacidades cognitivas entre as raças//populações humanas, e mesmo, não apenas por essa perspectiva racial...
Por enquanto acho que é ''só'' isso...
- Nós não temos culpa [ninguém tem] de uma raça ser assim ou assado [no sentido mais egoísta//''negativo'] porque muitos desses processos de diferenciação aconteceram h[a muito tempo E tendo causas ambientais [ambientes mais complicados que selecionaram por certos tipos; a ideia de que climas mais temperados selecionaram os mais providentes ou de ''pensamento de longo prazo'', do em ambientes intertropicais];
- Quando falamos de raças, falamos de médias;
- Ainda que possa resistir alguma verdade sobre haver uma associação mais causal [que me parece ser mais pontual do que generalizada], é certo que '' o tom ou cor de pele muito improvavelmente causará certo comportamento'' e o melhor que podemos extrair disso é que existe uma associação ou correlação entre variáveis fisiológicas e variáveis psicológicas, que eu tentei explicar por meio desta metáfora;
- Por essa lógica até poderíamos concluir que, não discriminamos [positiva ou negativamente] apenas pela ''cor da pele'' mas ESPECIALMENTE em relação às variáveis psicológicas que estão em associação fortemente positiva com certo fenótipo. Em suma, na imensa maioria das vezes não discriminamos por ''cor da pele'' [ainda que acredite em tipos reais de colorismo DIRETO: exemplo, a ''albinofobia'' ou a ''vitiligofobia''];
- É a partir dessas diferenças psicológicas//culturais//de valores, que podemos concluir que, a aparência física ainda que também possa estabelecer ou estreitar relações [pessoas bonitas se associam mais à outras pessoas de aparência parecida, por exemplo...] não se consiste no aspecto final que mais nos entrelaça ou que mais nos afasta, mas as similaridades [ou complementaridades] dos nossos comportamentos, e o mundo atual ''anti-conservador' [ou nem tanto], no ocidente, apenas tem nos mostrado essa realidade;
- É aquelas: existem [tendem a existir] mais diferenças dentro de uma raça do que entre elas, e muitos tem buscado por seus iguais em psicologia ou combinação psicológica/de personalidade//valores do que por seus racialmente iguais, isto é, a priore, em aparência fenotípica específica;
- Boa parte daquilo que entendemos como ''racismo' na verdade consiste em uma espécie de misandria, ou ''preconceito'' com relação ao comportamento masculino//atrelado ao homem típico, especialmente o hiper-masculino;
- Boa parte dos conflitos humanos inter-raciais na verdade são conflitos masculinos;
- Raças mais inteligentes OU também mais domesticadas*
Muito daquilo que determinamos como ''inteligência', mais parece expressar sinais de comportamento domesticado, especificamente o comportamento cognitivo [domesticado], por exemplo, a capacidade ou proficiência em partes, pré-existente e adquirida, de se cristalizar um vocabulário grande e convencionalmente correto. Poder-se-ia concluir que o fator ''domesticação'' também é fundamental para interpretar as diferenças MÉDIAS de capacidades cognitivas entre as raças//populações humanas, e mesmo, não apenas por essa perspectiva racial...
Por enquanto acho que é ''só'' isso...
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terça-feira, 14 de novembro de 2017
Criatividade ["não-conceitualmente-basal" ou utilitária] é a supra-eficiência da inteligência
Ao invés de acumular informações tende a buscar pelas mais relevantes e com o intuito de ampliar o leque de probabilidades de expansão do equilíbrio coletivo (geralmente em sacrifício do indivíduo) ou individual (geralmente em sacrifício do coletivo, ambas manifestações da criatividade utilitária desprovida de sabedoria)
Equivalente à analogia da evolução da inteligência humana, em que o tamanho do cérebro diminuiu mas com a compensação de uma maior sofisticação de outras propriedades talvez mantendo ou mesmo aumentando a eficiência do mesmo. A inteligência crua seria sobre o tamanho ou capacidade de armazenamento enquanto que a criatividade seria sobre enxugar excessos em prol de uma maior eficiência e em antecipação às intempéries ambientais ou ao desafio de enfrentá-las, tal como uma espécie de ruptura do acúmulo progressivo e sem-direção, progressivamente sem-sentido, dando-lhe novo sangue ou gás.
Praticamente uma manifestação crua ou localizada da sabedoria...
Equivalente à analogia da evolução da inteligência humana, em que o tamanho do cérebro diminuiu mas com a compensação de uma maior sofisticação de outras propriedades talvez mantendo ou mesmo aumentando a eficiência do mesmo. A inteligência crua seria sobre o tamanho ou capacidade de armazenamento enquanto que a criatividade seria sobre enxugar excessos em prol de uma maior eficiência e em antecipação às intempéries ambientais ou ao desafio de enfrentá-las, tal como uma espécie de ruptura do acúmulo progressivo e sem-direção, progressivamente sem-sentido, dando-lhe novo sangue ou gás.
Praticamente uma manifestação crua ou localizada da sabedoria...
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Existe uma diferença entre a liberdade de PENSAMENTO [deliberação] e a de REGURGITAÇÃO MENTAL [no calor da emoção//do instinto]
Liberdade à ofensa-sem-causa-ou-explicação*
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segunda-feira, 13 de novembro de 2017
Breve prensamento sobre a ''co-evolução gene-cultura''...
A cognição, freqüentemente falando, segue a personalidade que segue a cultura que segue a biologia + ambiente [lugar] ou ''co-evolução gene-cultura''...
Reconhecimento de padrões = se você é mais verbalmente capaz do que espacialmente, então você provavelmente seguirá [não necessariamente para entender] mais os padrões verbais [narrativa//audição] do que os espaciais [visão]...
Maior é a sua assimetria entre capacidades verbais e não-verbais mais você sobreporá uma em relação à outra, para interpretar, e não necessariamente para entender, e interagir, com a realidade em que você está.
Estou fortemente direcionado à abordagem verbal sobre a não-verbal, mas isso não significa que eu seja pobre em compreensão factual///heurística [creio eu].
Reconhecimento de padrões = se você é mais verbalmente capaz do que espacialmente, então você provavelmente seguirá [não necessariamente para entender] mais os padrões verbais [narrativa//audição] do que os espaciais [visão]...
Maior é a sua assimetria entre capacidades verbais e não-verbais mais você sobreporá uma em relação à outra, para interpretar, e não necessariamente para entender, e interagir, com a realidade em que você está.
Estou fortemente direcionado à abordagem verbal sobre a não-verbal, mas isso não significa que eu seja pobre em compreensão factual///heurística [creio eu].
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cognição,
genética,
personalidade,
reconhecimento de padrões
Aquela lojinha de doces e balas
No comecinho da noite,
Comprávamos doces e balas,
No véu da infância,
Via o mundo pelo chão de pedras,
Via as mãos adultas,
Sujas de cédulas,
E o brilho de suas moedas,
Via o mundo como o João via o gigante,
Adormecido e grande, babando pela boca,
Monstruoso, em seu tamanho,
E eu o escalava, me perguntando,
Quando é que eu vou ser um gigante??
Quando é que eu vou estar na mesma altura que o mundo??
Quando é que eu vou deixar a infância?
Quando é que eu vou ser um adulto?
Minha mãe, como a própria vida,
Segurava a minha mão com o seu calor,
Me levava pelas ruas, e eu já cansara,
Fraqueza e rubor, era o que sentia,
Queria minha casa, o meu quarto, o meu teto, o meu espaço,
Eu via os olhos dos outros, e deles desconfiava,
Dos seus brilhos, dos seus sorrisos enrugados,
Dos seus mistérios, dos pensamentos que entreolhavam,
Do meu olhar, e o que eu passava,
Era como um ritual,
Naquela lojinha velha e escondida,
Naquela rua em que vivi parte,
Da minha infância agora perdida,
Comprava balinhas e doces,
De marcas pequenas,
Sabores, desenhos,
Tudo bem simples,
A lojinha mudou,
Não mais vende doces,
As ruas, também mudam de humores,
O que nunca muda são as nossas lembranças,
Que ficam pra sempre, até nosso sempre deixar de ser, tocando os seus tambores, no mesmo ritmo,
Em seus doces ardores,
Arde mas pelica o coração,
Agride a alma, mas lhe tem segura, bem na palma da mão.
Comprávamos doces e balas,
No véu da infância,
Via o mundo pelo chão de pedras,
Via as mãos adultas,
Sujas de cédulas,
E o brilho de suas moedas,
Via o mundo como o João via o gigante,
Adormecido e grande, babando pela boca,
Monstruoso, em seu tamanho,
E eu o escalava, me perguntando,
Quando é que eu vou ser um gigante??
Quando é que eu vou estar na mesma altura que o mundo??
Quando é que eu vou deixar a infância?
Quando é que eu vou ser um adulto?
Minha mãe, como a própria vida,
Segurava a minha mão com o seu calor,
Me levava pelas ruas, e eu já cansara,
Fraqueza e rubor, era o que sentia,
Queria minha casa, o meu quarto, o meu teto, o meu espaço,
Eu via os olhos dos outros, e deles desconfiava,
Dos seus brilhos, dos seus sorrisos enrugados,
Dos seus mistérios, dos pensamentos que entreolhavam,
Do meu olhar, e o que eu passava,
Era como um ritual,
Naquela lojinha velha e escondida,
Naquela rua em que vivi parte,
Da minha infância agora perdida,
Comprava balinhas e doces,
De marcas pequenas,
Sabores, desenhos,
Tudo bem simples,
A lojinha mudou,
Não mais vende doces,
As ruas, também mudam de humores,
O que nunca muda são as nossas lembranças,
Que ficam pra sempre, até nosso sempre deixar de ser, tocando os seus tambores, no mesmo ritmo,
Em seus doces ardores,
Arde mas pelica o coração,
Agride a alma, mas lhe tem segura, bem na palma da mão.
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