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domingo, 28 de janeiro de 2018

O ser humano médio tem ao mesmo tempo, de maneira bem mais moderada: a natureza hiper-localizada de talento do portador da síndrome de Savant...

... e também, o que propus, invariavelmente falando, parte da tendência de natureza dos ''polímatas': muito bons em ''tudo'', menos no que é o mais importante DE tudo, no autoconhecimento...

Portanto, a maioria dos seres humanos são

ilhas de excelência, comparativamente objetiva [com os demais] ou subjetiva [em relação a si mesmo]... em um oceano de gradações desta excelência, a caminho da incompetência... ''excelência'' esta que poderá ser: essencial [capacidade's cognitiva's primária's: reconhecimento de padrões; autoconhecimento] ou periférica [atrelada às ''capacidades'' cognitivas secundárias: verbal, espacial, matemático]  ... se assemelhando aos portadores da síndrome de savant

E também, geralmente com uma ilha de deficiência intelectual EXATAMENTE no aspecto MAIS importante da inteligência, e não apenas a humana, que é o autoconhecimento.... possivelmente, se assemelhando à maioria [se não for à grande maioria] dos polímatas [verdadeiros]...

sábado, 5 de agosto de 2017

Maior memória semântica sobre a autobiográfica ou.. a autobiográfica é sempre maior e o que diferencia é a proporção em relação a mesma + uma firula

O que seria uma pessoa com maior memória semântica sobre a autobiográfica?? Isso existe?

Primeiro eu especulei quanto a proporção  ou distribuição proporcional individual das memórias semântica, (meso) e autobiográfica. 

Agora eu me pergunto, tardiamente talvez, se a memória autobiográfica seja sempre maior que a semântica e que, o que diferencia é a proporção da semântica em relação à auto...

Como saber?

Tentativa de tatear a resposta para essa dúvida por meio de uma breve auto-análise.

Você lembra de cor os números do seu CPF, telefone celular, telefone celular e data de aniversário das pessoas que você conhece?? Você se lembra dos nomes das pessoas que conheceu, e que não mais convive ou que tem pouco convívio?  Você é capaz de lembrar os nomes dos seus primos, especialmente no caso de ter uma família numerosa?. Só pra começar.

Se a resposta for sim para todas essas perguntas então é provável que você tenha uma boa memória autobiográfica ou ao menos em relação a uma de suas dimensões/facetas. 

Eu, por exemplo, não lembro, se nem sequer cheguei a memorizar, as datas de aniversário de todos os membros da minha família direta, bem como de quase todas as pessoas que eu conheço. Eu sei a data de aniversário de uma prima porque se refere à uma tragédia histórica (os atentados de 11/09) e agora pouco ao puxar pela memória eu lembrei da data de aniversário de um amigo/quase colega próximo/e antigo, talvez porque ele é homossexual e faz aniversário no dia 24/08. 

Pelo que já percebi eu sou bom para lembrar dos eventos que se sucederam/e sucedem em minha vida, e com certeza sem ser a um nível hipertimésico, ainda que acredite estar acima da média nesse quesito. No entanto em relação aos fatos autobiográficos interpessoais, isto é, das outras pessoas e em especial os seus dados pessoais, parece que eu não tenho uma boa memória. 

Outra dúvida: dado pessoais psicológicos e/versus técnicos

Eu conheço a personalidade de minha mãe e [quase] "tudo" o que nela está embutido. Mas eu não sei o dia em que ela nasceu.

O que isso significa??

Como eu já falei outras vezes  eu tenho uma mente muito prática e tão lógica que periga de ser racional.


 Logo "eu" ou ela, deduz que, decorar datas de aniversário não é importante, se, por exemplo, a pessoa pode te dizer, te avisar o dia, mesmo se for a senhora-sua-mãe. Agora saber os gostos e desgostos dessa ou daquela pessoa é muito mais importante ou.... esse é o jeitinho todo-especial da minha mente e não há maiores ou melhores explicações para o porquê de ser assim, ainda que, pensar em explicações quanto à sua natureza (de suas facetas) e consequentemente de suas expressões também parece ser válido enquanto um exercício intelectualmente objetivo. 

No mais, faz sentido lógico que, conhecer a personalidade, gostos e desgostos, da pessoa que te colocou no mundo, é muito mais importante do que saber a sua data de nascimento [ainda que seja comum que elas fiquem tristes ou bravas quando lhes dizemos que não sabemos de cor a data de seus aniversários].

Em relação à memória semântica, pra começar, eu tenho um bom vocabulário, como tenho demonstrado em meus textos, que está acima da média, mas muito provavelmente a um nível moderadamente alto. Como explicar: o meu vocabulário não chega ao nível de um gênio literário como Dostoiévski. Mas também parece estar no mesmo nível de um professor universitário, que não dê aulas na faculdade de Letras, é claro. Eu tenho, ainda, uma certa vantagem [mais como uma faca de dois gumes] por ter uma maior criatividade verbal.

A minha memória semântica matemática é razoável à média. Desde o básico como o reconhecimento dos números e saber como fazer contas simples à medianas, até algumas fórmulas matemáticas como a de Baskhara. 


A minha memória semântica se concentra em: Geografia (espaço), História (tempo) e Psicologia (pessoas), ainda que se faça [muito] assimétrica [ou localizada] e comparativamente menor do que em relação a alguém que é excelente a excepcional, especificamente em uma delas. Por exemplo, em História, o meu conhecimento é cristalizadamente superficial ainda que também use do raciocínio lógico para entende-la [até mesmo porque a estória humana tende a ser incrivelmente repetitiva e estúpida].

 História do Brasil: sei o básico. Um professor acadêmico ou um historiador com certeza tem muito mais desenvoltura e conhecimento. Em Geografia os meus conhecimentos se concentram muito mais na parte da humana/Geopolítica do que na física, sem falar da pouco usual memorização das capitais de vários países. Eu tenho um bom conhecimento nessa área a ponto de conseguir reconhecer o continente e mesmo a localidade mais geograficamente precisa de qualquer país e mesmo se for uma cidade, por memória e/ou por raciocínio lógico/dedutivo [por exemplo, o nome de uma cidade, que eu posso associar a um idioma que se assemelha em sonoridade ou estrutura]. Eu gosto muito de Filosofia, mas sinceramente, até agora eu não tive vontade de ir mais a fundo nos trabalhos dos grandes filósofos, preferindo primeiro pensar por mim mesmo. Em Psicologia os meus conhecimentos se ampliaram desde que comecei a "estuda-la", como é o esperado para qualquer pessoa, mesmo em relação às fraquezas. No entanto assim como acontece com as outras disciplinas de estimação ou de fixação, a minha bagagem é tradicionalmente superficial, ainda que o potencial neo-conhecimento que tenho produzido possa compensar de alguma maneira.

Realmente não consegui chegar a uma resposta satisfatoriamente precisa, já que é bem difícil quantificar o tamanho geral e relativo de nossas memórias, especialmente a autobiográfica e talvez menos no caso da semântica [e os testes cognitivos são relativamente bons nessa tarefa]. 

No mais, até então eu estava achando difícil pensar na existência de pessoas com  memória semântica maior do que a autobiográfica. Aí eu notei que existem os hipertimésicos, que são o exato oposto, isto é, apresentam memórias autobiográficas gigantes em valores absolutos, e se forem comparadas com a semântica. Pensando por esse lado, se existem eles, então porquê não aqueles*

Neste caso, os portadores da Síndrome de Savant, sem falar nos portadores de Savantismo, ou do espectro maior da condição, sem a co-expressão de deficiência severa, poderiam ser exemplos opostos da Hipertimésia [em valores relativos: memória semântica versus autobiográfica], por apresentarem memórias semânticas, se não mais prevalentes que a autobiográfica, ao menos, muito significativas. 

Tentando uma auto-análise ''esperta'' eu concluí por agora que eu devo ter uma memória semântica e meso-semântica [características psicológicas das pessoas, por exemplo] ligeiramente maior do que a memória auto-biográfica, ou com diferenças não muito significativas, nem um hipertimésico, nem um savant [ainda que, em ambas, eu me encontre, digamos, hiperativo]. Em termos de tamanho, especialmente a semântica, acho que, de maneira geral, expressa bem o meu nível [relativamente] acima da média [padrão Greenwich =100] de inteligência-QI, ainda que fortemente assimétrica.

Auto-chutômetro

''tamanho'' da[s] memória[s]

muito pequena/quase nulo
pequena
médio-pequena
médio
médio-grande
grande
muito grande

[ hipertimésia =muito grande em memória autobiográfica, se comparada com a semântica; savantismo= muito grande em memória semântica, e/talvez se comparada com a autobiográfica. Potencialmente verdadeiro, no caso da Síndrome de Savant*].

Memória autobiográfica:

intrapessoal [eventos ou] episódica: médio-grande/grande,
intrapessoal técnica [número do telefone, data de aniversário, número do CPF]: pequena

Memória meso-semântica ou meso-autobiográfica:

intrapessoal [características pessoais, minimamente corretas]: grande/muito-grande,
interpessoal [características das outras pessoas]: médio-grande/grande


Memória interpessoal técnica: pequena,
Memória interpessoal [características psicológicas/físicas]: médio-grande,
Memória interpessoal episódica: médio/médio-grande
Memória interpessoal visual: médio-grande

geral:médio-grande [~~~~~~...]


Memória semântica:

Vocabulário/verbal: médio-grande
Matemático: médio-pequena
Científico [física/química/história/geografia/psicologia/biologia]: ~médio

- física = pequena/muito pequeno
- química = [possivelmente] muito pequena
- história = médio-grande
- geografia = grande
- psicologia = médio-grande
- biologia = médio/médio-pequena 

Original: médio-grande/grande

geral: médio-grande [~~~~~~~...]

Memória semântica comparativamente muito grande [em relação à autobiográfica] = possivelmente Savantismo a ''potencialidade não-especificada para o talento''.

Memória semântica ''absolutamente' grande = possivelmente superdotação cristalizada/ QI bem acima da média.

Neo-memória semântica grande a muito grande = possivelmente [superdotação] criativa.

Memória semântica [meso-autobiográfica] em relação à ''espinha dorsal da macro-realidade'':

tamanho e qualidade factual/compreensão factual

Eu= grande/muito grande
- episódica= médio-grande/grande

Os outros= médio-grande/grande
- episódica= médio/médio-grande
- visual= médio-grande

vocabulário= médio-grande
matemática= médio-pequena

 psicologia= médio-grande
Espaço/geografia= grande
Tempo/história= médio-grande

geral: médio-grande

Qualidade/compreensão factual

Eu = grande/muito grande
- episódica = grande

Os outros =grande
- episódica = médio-grande
- visual = médio-grande/grande

vocabulário = médio-grande/grande
matemática = médio/médio-grande

psicologia= grande
Espaço/geografia = grande
Tempo/história = médio-grande/grande

geral: médio-grande





domingo, 9 de julho de 2017

Savant versus polímata

O primeiro como muitos sabem é uma ilha de excepcionalidade envolta por um oceano de deficiência severa. 

Mas e o segundo, que aliás parece ser o oposto do savantismo? Parece ser mesmo o seu oposto? Não, espera. Será que os polímatas seriam como um oceano de excelência com uma ilha de deficiência severa??? E que essa deficiência bem que poderia ser em sua maioria/ou caracteristicamente o déficit em autoconhecimento?? (três intelectualidades)

Quanto maior é a auto-percepção de inteligência, especialmente quando o "aprendizado' parece vir sempre fácil, tendenciosamente menor a vontade de se auto-conhecer melhor?? 

E parece que nós temos uma espécie de autoconhecimento forçado e instintivo (ainda que possivelmente cru) no caso dos portadores da síndrome de Savant.


É impossível para o portador não reconhecer a sua ilha de excelência bem como também o seu oceano de deficiência. 

Mas e quando tudo parece fácil de aprender? Aquilo que já comentei, a possível ilusão da simetria aparente. Quem é mais simetricamente inteligente, nomeadamente em termos cognitivos, mas que também poderia se dar em termos mais psicológicos, e não tem um ímpeto para a introspecção, pode se tornar mais auto-iludido com o próprio perfil e daí aparecer a síndrome do polímata.


 Onde falta o autoconhecimento costuma ocorrer o predomínio do instinto individualmente/ personalizado. Tal como acontece com os outros seres vivos passa-se a refletir e a projetar as próprias características intrínsecas e sem reflexão ideal ou mesmo com muito pouca reflexão.

 Este pode ser o caso do polímata [ou da maioria deles*]: real simetria de excelências (mas não necessariamente de excepcionalidades) [ cognitivas ] + vulnerabilidade para a hipo-sabedoria que por si só já se consiste em uma deficiência severa e que é ampliada por uma aparente simetria cognitiva ''geral' de excelência.

Portanto é isso, ''polímata [em média* ou, caracteristicamente*] como o oposto do savant: ilha de deficiência severa [autoconhecimento] em um oceano de excelência versus uma ilha de excepcionalidade [do tipo não-genial] em um oceano de deficiência severa].

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Gênio seria uma espécie de savantismo plástico/mais criativo... a união de uma excepcionalidade psico-cognitiva específica [estilo savant] com flexibilidade ideacional resultando na criatividade lógica e geralmente de natureza específica ou pontual

Mistura de altos níveis de savantismo: obsessão intelectual ou cognitiva... com altos níveis de perceptividade e curiosidade: grande plasticidade cognitiva ou intelectual.

Em outras palavras, uma espécie de mistura de extremos cognitivos: capacidade de alternar estados de hiper-conectividade local (savant) e hiper-conectividade global (flexibilidade ideacional/criatividade)... baseado no que tenho lido dos textos de Christopher Badcock, um dos autores da teoria dos ''Genes impressos'' (se eu não estiver enganado porque não vou procurar, rs)

A maioria dos savants, tem alguma deficiência mental OU não é super-criativo, ainda que possa ser acima da média em potencial criativo.

A maioria dos pensadores muito flexíveis costumam ou podem apresentar baixa hiper-conectividade local (resultando em interesses obsessivos e detalhismo lógico) tendo como resultado a dificuldade de discernir criatividade de originalidade sub a ilógica. 

Gênios e outros tipos parecidos, no entanto, apresentariam essas duas realidades neurofisiológicas, isto é, tem interesses ''obsessivos'' e são bastante precisos em seus escrutínios particulares, tal como os savants, e no entanto ainda apresentam altos níveis de flexibilidade ideacional ou capacidade de produzir associações remotas porém lógicas, relacionadas justamente com as suas áreas de interesse. Aquilo que está faltando ao savant ''puro'' (com ou sem deficiência mental) e aos pensadores ''puramente'' flexíveis, está presente nos gênios criativos. Como parece ser, quase sempre, a excepcionalidade comportamental humana ao invés de caracterizar-se por uma falta, se manifesta com base em completudes, no caso por exemplo do sábio e do gênio, em que no primeiro nós temos uma espécie de completude psicológica ou emocional/afetiva, e no segundo nós temos uma completude intelectual ou cognitiva também me faz pensar novamente na minha (ou ''minha'') ideia de que os animais não-humanos demonstrem uma maior natureza savant em relação às suas cognições, cabendo ao ser humano o posto de ''menos-savant'' de todas as espécies, justamente por não exibir super-especialidades que praticamente abarcam o seu modo de vida ou estratégia ''evolutiva'' (conservativa), e como compensação, por apresentar uma natureza perceptiva (sensorialmente perceptiva) muito mais equilibrada, holística (menos instintiva ou impulsivo-existencial) do que em relação a grande maioria, se não à totalidade das espécies não-humanas.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

O talento humano = re--super-especialização, re--aprender a ser um animal não-humano

Todas as formas de vida se assemelham em comportamento cognitivo aos humanos que são portadores da síndrome de savant, porque são psico-cognitivamente super-especializados. Os menos super-especializados são os seres humanos, que eu já falei em alguns textos anteriores. Esta falta de super-especialização nos faz mais perceptualmente equilibrados bem como também apresenta reverberações benignas quanto ao nosso arbítrio, isto é, à nossa capacidade média de ''escolher'', ainda que tenda a se fazer muito baixa, bem menos do que se imagina. Como dizem, ''não existe livre arbítrio'', mas ainda estamos muito parcialmente conscientes ou árbitros de nossos destinos.

No entanto, para que possamos nos especializar em alguma atividade, nós precisamos voltar a emular as demais formas de vida, isto é, de nos tornamos mais super-especializados. Como resultado, por agora, eu estou entendendo as múltiplas possibilidades de talentos do ser humano como uma regressão comportamental do status perceptivo humano ou perceptualmente equilibrado para um status perceptivo não-humano ou super-especializado

Portanto como conclusão por agora, o ser humano para que possa se especializar, qualitativamente ou nem tanto, em qualquer atividade, e em especial, àquela que lhe for mais naturalmente simpática, precisa ''regredir'' a um estado ou status psico-cognitivo de um animal não-humano, isto é, se tornando muito bom em um conjunto muito específico de capacidades ou transformando a verdade objetiva, equilibradamente percebida por todos os seres humanos espectralmente saudáveis, isto é, a maneira com que entendemos imediatamente e oniscientemente o mundo, em uma percepção muito mais limitada ou focalizada.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

O gênio é o desbravador intelectual por excelência

E a diferença entre a realização via expressão orgânica quantitativa-mente rara e a realização via expressão orgânica qualitativamente rara...




Cubo mágico,
Testes de qi,
Valor do pi,
Recitar lindos versos só de cabeça,
Tocar uma sonata famosa

Versus 

Inventar novas e úteis realidades com todas estas de cima

Marilyn vos savant foi e ainda é considerada um gênio especialmente por causa de suas pontuações muito altas em testes de qi. Mas o que é o gênio mesmo?


O critério para o gênio não é o qi que se tira a partir de testes cognitivos mas o grau de originalidade e utilidade de suas potencialidades cognitivas reverberadas em realizações, direcionadas ao mundo real literal. Ninguém pode fazer muita coisa com o qi 200 de Vos Savant. Pode-se concluir algo parecido em relação ao garoto que é prodígio e veloz para manipular coesamente o cubo mágico ou ao famoso autista britânico Daniel Tammet sobre a sua incrível capacidade de memorizar uma enorme quantidade de números que se sucedem a partir do famoso pi, o 3,14.

Todas essas realizações são oriundas das expressões orgânicas operacionalmente organizadas para a execução de determinada tarefa, hiper-específica como a de memorizar e regurgitar uma enorme quantidade de números da mais famosa dízima periódica até aos testes cognitivos, que são mais encorpados por uma maior diversidade de tarefas cognitivamente exigentes. Mas a criatividade nem se resume a isso, sequer se aproxima destes exemplos, ao menos se fosse adequadamente acessada enquanto um complemento potencial.

Pode-se mensurar as 3 realizações e portanto pode-se adequa-las a valores quantitativos . Mas em relação ao valor qualitativo apenas a façanha de Tammet que continuará no páreo. Ainda assim, ele não mostrou até agora uma utilidade original para se usar com o seu feito. Os savants destacam-se muitas vezes por isso. Eles tem grandes habilidades inatas, operacionalmente direcionadas as suas respectivas funcionalidades de maior ou único potencial, mas não podem extrapola-las, dando-lhes valores qualitativos, que regride a básica ideia de "utilidade original''.

As 3 realizações são para mera apreciação

Criatividade de alto nível e que está fora do mais óbvio campo de apreciação que se consiste a arte contemplativa,  é fundamentalmente utilitária. 

Qualidade é difícil de ser mensurada especialmente quando é nova ou original até porque escassearão critérios comparativos existentes para esta tarefa. 

O critério para o gênio é o mesmo que para o desbravador, que adentra florestas nunca antes exploradas, rios nunca antes navegados, realidades associativas que encontravam-se esquecidas na escuridão da ignorância e que foram despertadas tornando-se as novas raparigas do bordel chamado humanidade, cheirando a virgindade e inocência, prontas pra serem devoradas pelas massas testosteronicas cheias de mãos suadas e pegajosas. 

Que Vos Savant me perdoe mas ser original e útil é fundamental pra ser um gênio. 

Qi dentre outras realizações retidas de expressões orgânicas quantitavemente raras porém essencialmente contemplativas, em interação para com as suas melhores armas, são o resumo gentil que melhor se relaciona com o "esporte", estéril em utilidade, na maior parte das vezes, as artes do corpo e da vaidade extrapoladas até À ciências que nasceram de parto complicado e ainda estão teimando com a extrema necessidade da realidade, como a psicologia.

O arqueiro sem o seu arco, se tornará mais um no perigo de ser a próxima vítima indefesa.

O qi é o arco daquele que o usa como comprovação precipitada de sua genialidade. 

Qi é como o brilhante violinista, que tira lindas e corretas notas de seu instrumento, mas que não tem qualquer música de própria autoria que se aproxime daquelas que querem sempre vê-lo tocar. 

O gênio não precisa necessariamente comprovar a sua inteligência ou criatividade porque ambas dormem dentro de seu próprio ser. A arma do gênio está dentro de si mesmo, é a sua mente. Mas como ambas parecem ser altamente instintivas para ele, então inevitavelmente se expressarão, mediante a naturalmente urgente necessidade de, a priore, experienciar intensamente o mundo com este turbilhão natural de capacidade cognitiva qualitativa. 

O seu cérebro pode ser prodigioso para dar-lhe um possível potencial de utilidade mas se permanecer apenas neste potencial resumido a três dígitos então não sairá desta promessa, diga-se, relativamente precipitada.

Quem usa o seu cérebro com maestria, é que deveria ser mais estudado pela psicologia cognitiva.

Parafraseando uma certa pimentinha mexicana

"não basta ter um cérebro grande. Também é preciso saber usa-lo"

Saber usa-lo importa mais do que "potenciais estatisticamente quantitativos" que não se expressam de maneira predominantemente adequada ou qualitativamente coesa para com a realidade da necessidade ou a necessidade da realidade. 

Ser um gênio em testes cognitivos e nunca ser mais do que isso, não é muito diferente do que ser um gênio na destreza manipulativa do cubo mágico ou na ginástica artística ou no futebol, para mera apreciação.


sexta-feira, 27 de novembro de 2015

A correlação causal lógica entre transtornos mentais e genialidade. Da não-série: ''por que o gênio é tão raro**''




Desprezando o fator 'fama', como diferencial potencialmente subjetivo para o reconhecimento e valorização de indivíduos geniais, acredita-se que a genialidade seja um fenômeno raro dentro da cognição humana. A raridade se daria principalmente por causa da combinação entre grande inteligência (neste caso, capacidade cognitiva) e criatividade (cognição divergente). Também tem se discutido sobre as diferenças potencialmente conflitivas ou auto-excludentes entre criatividade e inteligência e eu tentei contribuir para com esta discussão por meio da elaboração deste texto, em que estabeleci que criatividade e inteligência se consistem em dois estilos cognitivos relativamente opostos e que qualquer grande predominância de uma, reverberá causalmente na diminuição do impacto da outra. Inteligência e criatividade se complementam mas não seriam ''miscigenáveis'', ''misturáveis''. Podem/tendem a cooperar mas não podem se misturar tal como acontece quando colocamos água e óleo em um recipiente.

Uma grande capacidade COGNITIVA, isto é, de cognição, parece se relacionar predominantemente com melhor saúde mental e física. Grande carga mutacional tende a deprimir estas características evolutivamente positivas. 

No entanto, o contrário relativo parece ser a realidade para a criatividade que ao invés de se consistir no bio-produto de uma evolução coerente e convergente, mais parece ser como um bio-produto da epigenética (direta e indiretamente) hereditária, em outras palavras, o bio-produto de uma adaptação emergente e potencialmente desvantajosa, em muitas perspectivas e especialmente a nível individual. Uma sociedade composta apenas de indivíduos criativos é provável que não se sustentaria a longo prazo.

Na minha opinião, os mais criativos, ao contrário dos mais cognitivamente inteligentes, tenderão a apresentar maior carga mutacional, que além de se relacionar com seus perfis incomuns de personalidade e características cognitivas, também poderá reverberar em suas características fisiológicas e psicológicas. Em outras e mais precisas palavras, a criatividade parece se consistir em um bio-produto heterogêneo oriundo da mesma epigenética que produz os transtornos mentais dos mais diversos níveis.

Portanto, ao invés de termos uma configuração cognitiva altamente eficiente, predominantemente limpa de mutações mais exuberantes, nós vamos ter justamente a ação destas mutações com uma configuração cognitiva menos resistente às suas investidas ou que lhe é complementar

Mas isso ainda não explica o porquê desta muito possível raridade do gênio.

A grande maioria daqueles que sofrem de transtornos mentais, apresentarão muito mais desvantagens do que vantagens em todas as dimensões de suas vidas.

O transtorno mental tradicional será um mal funcionamento do cérebro. A criatividade média por sua vez será ou funcionará a partir de uma menor integridade deste funcionamento. Pode-se dizer que se consista na manifestação branda (e potencialmente frutífera) de um transtorno mental.

Em compensação a genialidade parece necessitar de condições mais singulares para que possa ser expressada. O criativo médio não parece ser o mais inteligente enquanto que a criatividade está intimamente relacionada com o ''pensamento mágico'' do que com o ''pensamento lógico-dedutivo''. No entanto, a criatividade que apresenta utilidade direta, tende a se dar como pensamento lógico muito avançado ou novo, retido de associações de ideias remotas. Em outras palavras, aquilo que determinamos como ''lógico-dedutivo'', já é conhecido (convergente), novamente, remetendo à minha ideia do ciclo vital do conhecimento humano, que nascerá como genialidade e que falecerá quando se tornar predominantemente ultrapassada.

Ecos do savantismo


Dentro do espectro das singularidades cognitivas (predominantemente) positivas dos seres humanos nós vamos ter os savant, desde aqueles que são portadores da síndrome de savant (ou personalidade savant), autistas de alto funcionamento, autistas de baixo funcionamento com talentos incomuns e aspergers (espectro do autismo = savantismo moderado), enfim, todos os tipos de condições sindrômicas que tendem a vir combinadas com graus de deficiência mental e de talento natural ou semi-genialidade, os tipos que poderíamos determinar como ''tipicamente criativos'', incluindo aí muitos que estarão dentro dos espectros dos transtornos de humor, bipolar, esquizofrenia e tdah, até os cognitivamente singulares mais raros, que apresentarão perfis de personalidade e cognição (minha definição técnica para ''inteligência'', interação entre as duas) únicos ou extremamente raros e que serão férteis para a criatividade de alta magnitude (pensamento divergente ao invés do pensamento lateral, que eu já expliquei).

O típico cérebro savant tende a ser muito limitado e é justamente aí onde haverá o florescimento do gênio via ''hiper-concentração de funcionalidade''. Nossos cérebros não tem buraco. Nos ajuda a entender o porquê da relação tão comum entre dificuldades de interação interpessoal e alta inteligência. As áreas do cérebro que estão relacionadas com habilidades sociais, podem ter se desenvolvido pouco em comparação às outras áreas, incluindo aí as que se relacionam com raciocínio. Como resultado, nós vamos/podemos ter ''a migração'' das funções cerebrais para essas áreas, resultando em muitos dos tipos de savant.

Tal como Paul Cooijmans (que eu já falei aqui, de maneira não muito simpática) nos mostrou, a genialidade necessita das seguintes características: autoconsciência, horizonte associativo (ou simplesmente ''disposição para o pensamento divergente'') e inteligência. 

Ainda segundo ele:
- a autoconsciência excessiva provoca neuroses, 
- o pensamento divergente excessivo nos leva para as psicoses, 
- e a inteligência excessiva terá como resultado a ''normalidade''. 

Além de exibirem estas 3 características, os gênios também precisariam de uma complementaridade funcional entre elas que possa resultar na expressão total de suas capacidades. 

Portanto, dentro de uma panaceia de tipos singulares, o gênio aparecerá como o mais raro, ainda mediante a possível validade de sua SUPER raridade via ''fama'', porque a sua configuração cognitiva (e fisiológica) é muito rara, necessita da combinação de muitas variáveis incomuns.



A lógica dos extremos


As maiores depressões geralmente serão acompanhadas pelas mais altas montanhas

Metaforicamente falando, vamos imaginar que você resolveu ouvir uma música e que passou a aumentar e diminuir seguidamente o volume do som. 

A normalidade assim como também a funcionalidade bio-evolutiva tende a se expressar, metaforicamente, por meio da uniformidade sonora de uma música, sem aumentá-la ou diminuí-la repetidamente. Em compensação, a aleatoriedade limitada tende a se expressar com base neste maior embaralhamento de probabilidades. É como apostar alto. As chances de dar errado ou de não dar em nada, serão grandes. A normalidade ou medianidade bio-evolutiva é robusta porque é demograficamente prevalente e porque se consiste na expressão mais naturalmente segura da natureza/existência ou equilíbrio lógico-natural. Volume alto e baixo demais; a epigenética, que é quase sempre irregular terá como diferencial fundamental a diversificação fenotípica aberrante ou predominantemente histriônica via mutação, obviamente, e subsequente aumento de singularidades. No entanto, será apenas parcialmente aleatória e portanto ainda apresentará padrões, como o savantismo, o autismo e a tdah.A diversidade de cérebros não é tão significativa dentro da espécie humana e estamos sob regras evolutivas que impossibilitam uma real aleatoriedade de resultados (muito mais significativa do que a que temos). Ser ''normal'' ou normativo, é o ideal em termos evolutivos (uma vida sem grandes perturbações psico-fisiológicas, sucesso reprodutivo), justamente por causa da  falta de excessos potencialmente prejudiciais que se caracterizam (ainda que se possa falar dos sábios genuínos ou genotípicos também enquanto super normais, destituídos de grandes excessos, comparativamente falando). E o gênio por si só já se consiste em um excesso.

Portanto, dentro do reino dos fenótipos de natureza epigenética-mental, o gênio será o mais raro, justamente por vir de um ambiente onde as chances de dar ''mais errado'' serão muito grandes. E o gênio geralmente, pelo que parece (se Lombroso, filósofos gregos et tal, estiverem fundamentalmente corretos), será os dois, isto é, dar muito certo e muito errado e esta dualidade rara ainda resplandecerá enquanto uma complementaridade destes extremos.