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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Sobre os bons tempos do cinema alemão, década de 2000

 Adeus, Lênin; A Vida dos Outros e A Queda...

Meus tempos bem mais moço, em que mal acabara de descascar minha casca de ovo e começar a ver com os próprios olhos, além dos olhos cegos de infância...

Nem sei qual foi o primeiro que eu vi. Sei que os vi primeiro em anúncios, como se fossem portais do tempo me chamando para um inevitável futuro.

Que seriam o meu destino um dia.

Torcer para que uma mãe nunca despertasse de seu sonho. Ou que um país se salvasse de seus escombros. Ou que um casal não se dilacerasse por um estrondo.

Filmes fortes, cheios de emoção, que falam sobretudo do humano, mesmo do mais desumano, em que ainda existe humanidade: sonhos, sentimentos, angústias... Mesmo que tenha feito tanto mal, causado tanto ódio. Mostra toda a complexidade de uma espécie reunida em suas poucas histórias, mesmo as fictícias, tão reais quanto às de qualquer outra do nosso mundo...

Falam de um país naquele presente falando de seus passados e quem, como eu, começou a assisti-los por lá, nos anos 2000, e que não consegue deixar de estabelecer laços de afeto e identificação com espaços de tempos traduzidos pelo cinema, observa, agora, atônito, ao mesmo país cuja veia de história nunca deixou de estar tão exposta e pulsante...

Aquele mesmo país que, um dia, foi repartido pela metade e que já foi reunido sob um mesmo totalitarismo de estado, continua sob a mesma bandeira de intolerância com a razão, transformado em exemplo máximo de sacrifício coletivo, se dissolvendo como etnia, cultura e nação...

Enquanto eu os via surgir, como pôsteres de uma banda nova de rock, ouvindo os primeiros sucessos de Coldplay, na penumbra tão doce e ingênua de um adolescente que só sabia ser a mesma criança: quieto e observador. Sem saber que aquelas mesmas preocupações desses filmes se tornariam as minhas: medo da lavagem cerebral, do totalitário, do ódio, do pior de nossa espécie que, nós, como tal, temos sido tão excepcionais e espetaculares para demonstrar...

Os monstros: escondidos ou revelados. A esperança de dias melhores. A decepção como realismo. E todas as pílulas: azuis, vermelhas... Inclusive nenhuma delas, de quando é a insônia de um mundo mais justo que torna a noite confidente, junto aos primeiros pássaros e aos últimos grilos da escuridão.

Onde estão os vagalumes dos meus tempos de infância??

A cidade os engoliu. A tela de celular brilha mais forte. E as impressões dos filmes mudam conforme o tempo e as vivências. As artes sempre foram, e especialmente pra isso: nosso despertar do além de um momento imediato, desse presente absoluto. Se para um passado que nunca vivemos, mas que nos tornamos reféns em nosso presente. Se para uma consciência que só quer sentir-se mais do que apenas existir como tato, cheiro e murmúrio... 

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