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sábado, 3 de junho de 2017

Teoria [ou tiorria]: Asperger como atuação parcial ou invariavelmente presente da ''genética feminina'' como protetora dos efeitos mais graves da hiper-masculinização geralmente promovida pela expressão genética autista

Os autistas mais inteligentes e com menor proporção de sequelas são os Aspergers. De longe, portanto, podemos dizer que eles estão no ''topo'' da hierarquia ou do reino autista. Interessante também que eles pareçam ser mais sexualmente andróginos do que os outros tipos autistas, que em média parecem pender mais para a hiper-masculinização ou a sofrer de maneira mais intensa os efeitos deste fenômeno. Posso estar errado mas vamos lá. Sabe-se que a ''genética feminina'', mediante os meus parcos conhecimentos sobre o assunto, tende a ser mais protetiva do que a ''genética masculina'', e isso explicaria o porquê das mulheres serem menos propensas a herdarem doenças e desordens genéticas do que os homens, assim como também a viverem mais que eles. Então eu pensei em relação ao espectro do autismo em que os Aspergers parecem exibir, em média desproporcional, os perfis menos ''masculinizantes'', com direito a grande proporção de androginia sexual, maior inteligência verbal e melhor funcionamento ou operacionalidade comportamental geral ou executiva. No fim, nem ''acho'' que seja um insight pessoal mas apenas uma maior ênfase nesta ideia de que os efeitos masculinizantes do espectro biológico do autismo parecem ser menos intensos e portanto incapacitantes entre os ''aspies'' e é justamente entre eles que também existe uma maior tendência de androginia sexual, especialmente entre os homens. 

É isso...

terça-feira, 1 de março de 2016

Eu ''tenho'' síndrome de asperger** Um questionário curto, objetivo e abrangente



Retirei deste texto um questionário curto, objetivo e abrangente que me pareceu perfeito pra ser usado com alguma fiabilidade para mensurar graus de ''aspergerismo'' em tempo recorde. 

Como eu já imaginava, eu pareço ter um predomínio de características positivas da condição'' ou ''do'' espectro... e/ou que são predominantes nos mesmos, e uma relativa falta de prejuízos tipicamente relacionados.

Este questionário pontua com relativamente grande objetividade as forças e as fraquezas da Síndrome de Asperger e por meio desta abordagem holisticamente prática, me pareceu mais fácil de se analisar o quão predominante são as características atreladas a esta sub-condição em minha pessoa. Vamos a eles

Forças 


- Alto qi (ou ''maior cognição geral'')


Eu respondi que é muito provável de ter uma cognição geral, média (para padrões britânicos ou gerais) a acima da média, de 97 a até 115 em ''inteligencia geral'' ''e ou' performance. Não acredito que consiga pontuar mais alto do que este teto máximo que estabeleci pra minha cognição ou capacidades cognitivas. A ideia de ''alto qi'' neste contexto parece se diferir em relação a um contexto neurotípico, se uma importante parcela da população autista pontuará abaixo da média-greenwich. Como resultado, a resposta para esta característica positiva da condição será nem um enfático sim e nem um enfático não.


- Atenção aos detalhes


Tenho notado que sou muito bom na apreensão de detalhes, ainda que muitas vezes isto não se consista exatamente num talento excepcional, mas apenas em uma vantagem relativa em comparação a tendência de negligência por parte das pessoas que são bem mais neuro-típicas em relação a muitos aspectos da vida, de qualquer nível perceptivo, que parecem irrelevantes ou sem importância, mas que podem e geralmente terão grandes repercussões. No entanto, com ou sem valores comparativos, ainda será uma vantagem e que está presente e atuante em mim, até porque esta capacidade parece estar intrinsecamente atrelada à criatividade, de maneira que, sem um talento para ser detalhista (holístico ou específico), é pouco provável que terá potencial para ser criativo. Portanto, para este traço eu respondi com um enfático sim.


- Alto qi verbal 

Como eu tenho mostrado por meio dos meus muitos textos desde o Santoculto, eu acredito que deva pontuar alto em testes de qi verbal, talvez em torno de 120-140, que não é nada mal, nem muito excepcional. Em alguns aspectos da inteligência verbal, que não é apenas a cognição ( o seu esqueleto, sem a influencia da personalidade) eu vou muito bem, por exemplo, no pensamento verbal abstrato.

Portanto, respondi um sim.

Escusado será dizer que mais do que ''ter'' um qi alto, o que  caracteriza os ''portadores' da Síndrome de Asperger no aspecto cognitivo será justamente a discrepância entre a cognição geral e a verbal. Nesta perspectiva, eu acredito que seja bastante ''aspie''.


- Memória para detalhes e fatos



A minha memória autobiográfica parece estar acima da média e se comparada com as respectivas memórias das pessoas com as quais eu tenho convivido, esta impressão se fará mais verdadeira. Se sou bom para apreender detalhes que passam desapercebidos pela maioria, então eu também devo ser bom para internalizá-los e recuperá-los quando tiver a necessidade de se usá-los. Eu posso resumir isso a ''eu me lembro de coisas que a maioria das pessoas que as vivenciaram comigo não se lembram''. Essas vivências chamaram a minha atenção por alguma razão 'pouco conhecida'', transformando-as em parte de minha pessoa enquanto uma acumulação temporal (ou nem tanto...) de percepções recorrentemente recobráveis. Por exemplo, certa vez perguntei ao meu irmão do meio se ele se lembrava de um episódio vivenciado por nós dois ocorrido durante a aula particular que frequentamos até 2006. Ele não conseguiu se lembrar até que eu o tivesse mostrado qual foi episódio relatado. Este ocorrido foi em 2004.

Portanto um sim.


- Interpretações literais


O autor do texto entendeu que a grande tendência dos autistas para o pensamento literal se consiste em uma força. Ok. Eu acredito que dependerá da gravidade desta tendência para literalidade e portanto que será mais subjetivo.

Eu sou bastante literal na minha maneira de pensar e esta é uma das razões mais fortes para aderir fenotipicamente à sabedoria, uma disposição latente em mim e que ao longo do tempo eu fui aprimorando, até chegar aos dias atuais onde que a compartilho por meio deste blogue.

No entanto, a literalidade autista parece vir acompanhada com um déficit para entender linguagem figurativa 'e ou'' metafórica (potencialmente abstrata), e neste sentido eu definitivamente não tenho qualquer grande deficiência, pelo contrário, ainda que seja complexo concluir binariamente, ser ou não ser, que eu seja bom para capturar todas as formas de linguagem figurada, até porque a minha tendencia para o pensar literal, contribui para tornar a minha compreensão em relação a este tipo de linguagem, mais metafórica, menos mecanicamente entendível, o que não é ruim, na verdade pode ser até melhor, visto que este equilíbrio entre o literal e o figurado/metafórico pode contribuir para um melhor entendimento de ambos, ao invés do desequilíbrio de se principiar muito enfaticamente em apenas um dos dois, como os autistas tendem a fazer em relação à literalidade. Em relação à capacidade de se produzir pensamentos metafóricos, de entendê-los, eu sou realmente muito bom.

No meu caso, o literal não tem que se sobrepor ao figurativo ou metafórico e de fato não o faz, fazendo-me muito bom para entender os dois, mas com a ressalva que entender melhor não é o mesmo que entender em absoluto, se quanto mais sabemos de um assunto, mais novidades aparecerão em relação ao mesmo e portanto esta acumulação nunca terá um fim, especialmente se houver a necessidade de se atualizá-la com frequência, denotando um caminho mais longo pra ser percorrido.


- Praticidade ou pensamento lógico ( correlativo com honestidade)


O terreno poroso da ''lógica'' novamente, que sem grande sofisticação objetiva, mais se parecerá com deduções pragmáticas ou frias, isto é, destituídas de todas as maneiras de se sentir a vida, do existir. 

No mais, se nos testes cognitivos ''para'' o pensamento lógico, eu não costumo ir muito bem, em relação ao mundo real, não é difícil concluir de que seja muito bom, prático, objetivo e racional.

É complexo mensurá-lo porque existem muitas maneiras de se interpretar a lógica, do mundo real aos ambientes higienicamente esterilizados das faculdades de psicologia. Por exemplo, muitos autistas é provável que cairão em algum ponto em que as suas habilidades lógico-dedutivas não serão suficientemente holísticas para que possam comungar com a maioria dos meus pressupostos racionais. No entanto, há de existirem outras razões que os farão mais propensos a emular o modus operandi de ''estudantes esquerdistas e cognitiva-mente inteligentes'', ´por exemplo, o tipo de personalidade. 

Em termos de praticidade eu também sou muito bom, e especialmente a partir de um plano holístico e/ou mega-estrutural.

Portanto, um sim substancialmente significativo.


Fraquezas


- Desejo por rotinas ou intolerância à mudanças


Sim e não, depende de qual mudança, se for uma mudança que for destrutiva em relação a uma acumulação construtiva de variáveis positivas eu ficarei muito chateado e intolerante. De fato eu adoro rotinas, é como se eu traçasse uma linha reta e a seguisse, todos os dias, só que com todo este meu sentir perceptivo altamente emocional que me faz equilibrar pelo meio fio, amar a vida em momentos que geralmente serão considerados como comuns pela maioria, odiar profundamente e preparar genocídios que nunca acontecerão, todo este turbilhão em um dia só, objetivo e bailante ao mesmo tempo. 24 horas é suficiente para experimentar a vida como se já não precisasse fazer mais nada depois. E como eu tenho um apreço por detalhes, por sutilezas, muitas vezes, qualquer perturbação ou ruído destas cadeias de rotinas racionalmente vantajosas para a minha pessoa, serão sentidas de maneira muito negativa. Rituais e ordem são importantes pra quem não os tem naturalmente, eu preciso da segurança para que possa viajar em minha imaginação, para ser quem eu sou, de expressar o meu fenótipo todos os dias. Isso é rotina, não é desgastante, é necessária e sua interrupção, como eu já relatei em um texto do velho blogue, causa-me grande dor. 


- Déficit em pensamento holístico (imagem maior)


Não, pelo contrário. Certa vez um blogueiro classificou-me como ''um grande pensador holístico''. Ser ou abraçar o dever de um filósofo é o de ser um pensador holístico, de pensar além das mundanidades do interior social, de ver além, as causas para cada mediocridade popular, de tocar a hiper-realidade.



- Dificuldades para o raciocínio verbal abstrato


Não, pelo contrário, porque além de ser muito bom nesta tarefa eu também pareço ser ou estar muito acima da média. Eu não apenas entendo raciocínio verbal abstrato mas também sou um criador de pensamentos desta natureza. Se além de compreender, você for capaz de criar novas percepções em relação a certo aspecto cognitivo, então é muito provável de estar muito acima da média.


- Déficit para memória de rostos e nomes


Para nomes sim, para rostos/faces não, muito pelo contrário, eu sou muito bom não apenas para lembrar de rostos ou fisionomias, mas também para fazer comparações entre eles.


- Dificuldades para entender as emoções dos outros bem como também para se expressar emocionalmente


É um pouco complexo responder um seco sim ou um seco não. Em termos de inteligência emocional, eu acredito que seja muito bom, sou excelente como ouvinte, atraio as pessoas como ímã, pois elas adoram falar de suas vidas pra mim, elas confiam em mim ( não deveriam confiar cegamente assim, rsrsrs). A minha fisionomia, os padrões comportamentais, por exemplo, em relação à honestidade, que elas vão capturando subconsciente e conscientemente, pode ser um fator causal para este tipo de nano-dinâmica interpessoal (pessoa-a-pessoa). 

Ao contrário do que é o costume entre os autistas, eu não tenho qualquer grande déficit neste sentido, ainda que quase sempre coloque conscientemente os meus padrões morais muito altos, de maneira invariavelmente dominante em minhas interações interpessoais ou inter-sociais (nós também nos intra-socializamos, quando tomamos conhecimento de nós mesmos, via auto-consciência estética ou de valores comparativos e intrinsecamente qualitativos)

- Dificuldade com as normas sociais (''subjetivas'' ou irracionais)

Sim, bastante, só que eu não sei é apenas por ''má vontade'' de minha parte, por preguiça de tentar fingir a todo momento, criar um castelo de respostas convenientes, de dissociar aquilo que eu sou e/ou acredito daquilo que eu poderia inventar sobre mim e expor à superfície, enfim, de emular um neuro-típico em todas ou muitas de suas exuberâncias socialmente subjetivas. 

Eu opero com base numa pretensa e/ou pedante supra-racionalidade, situação que se tornou ainda mais latente desde que comecei a galgar novos ventos e/ou degraus de sabedoria. Em meu movimento ascendente pela auto-melhoria, tornei-me ainda mais atomizado especialmente em relação aos neuro-típicos mas ao mesmo tempo também me tornei mais consciente não apenas de minhas forças e fraquezas mas também em relação aos sociotipos que eu posso ter maior probabilidade de sucesso na reciprocidade transcendental, leia-se, amizade. Eu sou uma calculadora que não sabe fazer contas, mas que opera com base na apreensão da realidade enquanto uma sobreposição de padrões intercambiáveis e lógicos que se substituem ao longo do espaço e tempo.


- Dificuldade para a leitura facial (cegueira facial)


Muito provavelmente não, pelo menos da maneira com que a maioria dos autistas e especificamente dos ''aspies'' parecem estar especificamente incapacitados. Ao invés de uma pobreza de interpretação eu estou muito mais propenso a interpretar em excesso as emoções das pessoas por suas faces ainda que tenha comigo que o meu sentido mais desenvolvido seja o da audição e percebo que as pessoas não tem conhecimento disso, ;) 


Outras características que são demograficamente comuns dentro da população autista e em mim...

- Dificuldade de ajustar o volume da voz

- Ser canhoto ou ambidestro

- Fazer ''amizades'' com maior facilidade com desconhecidos e especialmente sem o ritual interpessoal de reciprocidade, isto é, por exemplo, em filas de banco ou no ponto de ônibus, realidade que também precisa do interesse de desconhecidos para estabelecer conversas prosaicas em ambientes públicos, uma espécie de fluidez inter-pessoal que não se daria em eventos ritualísticos típicos da socialização em que nos preparamos para nos confrontar verbalmente com estranhos, uma espécie de gagueira social

- Dificuldade para falar ''na hora certa'' em conversas, e principalmente se for por telefone

- Ser sexualmente atípico


- Ser fisicamente desajustado

- Ser gago ou ter qualquer outro tipo de disfluência evidente ou constante

- Colocar os interesses de fixação mais agudos dentro das conversas e/ou ''interações interpessoais de natureza verbal'', sem se perguntar se as pessoas estarão abertas para conversar sobre eles

- Ter interesses específicos e não ''conseguir'' desfocalizar, especialmente na labuta de agir de maneira mundanamente multifuncional como fazem a maioria dos neuro-típicos.


Eu sou um aspie**


Muito provável que não


Eu sou um neurotípico*


Com certeza não.













sexta-feira, 27 de novembro de 2015

A correlação causal lógica entre transtornos mentais e genialidade. Da não-série: ''por que o gênio é tão raro**''




Desprezando o fator 'fama', como diferencial potencialmente subjetivo para o reconhecimento e valorização de indivíduos geniais, acredita-se que a genialidade seja um fenômeno raro dentro da cognição humana. A raridade se daria principalmente por causa da combinação entre grande inteligência (neste caso, capacidade cognitiva) e criatividade (cognição divergente). Também tem se discutido sobre as diferenças potencialmente conflitivas ou auto-excludentes entre criatividade e inteligência e eu tentei contribuir para com esta discussão por meio da elaboração deste texto, em que estabeleci que criatividade e inteligência se consistem em dois estilos cognitivos relativamente opostos e que qualquer grande predominância de uma, reverberá causalmente na diminuição do impacto da outra. Inteligência e criatividade se complementam mas não seriam ''miscigenáveis'', ''misturáveis''. Podem/tendem a cooperar mas não podem se misturar tal como acontece quando colocamos água e óleo em um recipiente.

Uma grande capacidade COGNITIVA, isto é, de cognição, parece se relacionar predominantemente com melhor saúde mental e física. Grande carga mutacional tende a deprimir estas características evolutivamente positivas. 

No entanto, o contrário relativo parece ser a realidade para a criatividade que ao invés de se consistir no bio-produto de uma evolução coerente e convergente, mais parece ser como um bio-produto da epigenética (direta e indiretamente) hereditária, em outras palavras, o bio-produto de uma adaptação emergente e potencialmente desvantajosa, em muitas perspectivas e especialmente a nível individual. Uma sociedade composta apenas de indivíduos criativos é provável que não se sustentaria a longo prazo.

Na minha opinião, os mais criativos, ao contrário dos mais cognitivamente inteligentes, tenderão a apresentar maior carga mutacional, que além de se relacionar com seus perfis incomuns de personalidade e características cognitivas, também poderá reverberar em suas características fisiológicas e psicológicas. Em outras e mais precisas palavras, a criatividade parece se consistir em um bio-produto heterogêneo oriundo da mesma epigenética que produz os transtornos mentais dos mais diversos níveis.

Portanto, ao invés de termos uma configuração cognitiva altamente eficiente, predominantemente limpa de mutações mais exuberantes, nós vamos ter justamente a ação destas mutações com uma configuração cognitiva menos resistente às suas investidas ou que lhe é complementar

Mas isso ainda não explica o porquê desta muito possível raridade do gênio.

A grande maioria daqueles que sofrem de transtornos mentais, apresentarão muito mais desvantagens do que vantagens em todas as dimensões de suas vidas.

O transtorno mental tradicional será um mal funcionamento do cérebro. A criatividade média por sua vez será ou funcionará a partir de uma menor integridade deste funcionamento. Pode-se dizer que se consista na manifestação branda (e potencialmente frutífera) de um transtorno mental.

Em compensação a genialidade parece necessitar de condições mais singulares para que possa ser expressada. O criativo médio não parece ser o mais inteligente enquanto que a criatividade está intimamente relacionada com o ''pensamento mágico'' do que com o ''pensamento lógico-dedutivo''. No entanto, a criatividade que apresenta utilidade direta, tende a se dar como pensamento lógico muito avançado ou novo, retido de associações de ideias remotas. Em outras palavras, aquilo que determinamos como ''lógico-dedutivo'', já é conhecido (convergente), novamente, remetendo à minha ideia do ciclo vital do conhecimento humano, que nascerá como genialidade e que falecerá quando se tornar predominantemente ultrapassada.

Ecos do savantismo


Dentro do espectro das singularidades cognitivas (predominantemente) positivas dos seres humanos nós vamos ter os savant, desde aqueles que são portadores da síndrome de savant (ou personalidade savant), autistas de alto funcionamento, autistas de baixo funcionamento com talentos incomuns e aspergers (espectro do autismo = savantismo moderado), enfim, todos os tipos de condições sindrômicas que tendem a vir combinadas com graus de deficiência mental e de talento natural ou semi-genialidade, os tipos que poderíamos determinar como ''tipicamente criativos'', incluindo aí muitos que estarão dentro dos espectros dos transtornos de humor, bipolar, esquizofrenia e tdah, até os cognitivamente singulares mais raros, que apresentarão perfis de personalidade e cognição (minha definição técnica para ''inteligência'', interação entre as duas) únicos ou extremamente raros e que serão férteis para a criatividade de alta magnitude (pensamento divergente ao invés do pensamento lateral, que eu já expliquei).

O típico cérebro savant tende a ser muito limitado e é justamente aí onde haverá o florescimento do gênio via ''hiper-concentração de funcionalidade''. Nossos cérebros não tem buraco. Nos ajuda a entender o porquê da relação tão comum entre dificuldades de interação interpessoal e alta inteligência. As áreas do cérebro que estão relacionadas com habilidades sociais, podem ter se desenvolvido pouco em comparação às outras áreas, incluindo aí as que se relacionam com raciocínio. Como resultado, nós vamos/podemos ter ''a migração'' das funções cerebrais para essas áreas, resultando em muitos dos tipos de savant.

Tal como Paul Cooijmans (que eu já falei aqui, de maneira não muito simpática) nos mostrou, a genialidade necessita das seguintes características: autoconsciência, horizonte associativo (ou simplesmente ''disposição para o pensamento divergente'') e inteligência. 

Ainda segundo ele:
- a autoconsciência excessiva provoca neuroses, 
- o pensamento divergente excessivo nos leva para as psicoses, 
- e a inteligência excessiva terá como resultado a ''normalidade''. 

Além de exibirem estas 3 características, os gênios também precisariam de uma complementaridade funcional entre elas que possa resultar na expressão total de suas capacidades. 

Portanto, dentro de uma panaceia de tipos singulares, o gênio aparecerá como o mais raro, ainda mediante a possível validade de sua SUPER raridade via ''fama'', porque a sua configuração cognitiva (e fisiológica) é muito rara, necessita da combinação de muitas variáveis incomuns.



A lógica dos extremos


As maiores depressões geralmente serão acompanhadas pelas mais altas montanhas

Metaforicamente falando, vamos imaginar que você resolveu ouvir uma música e que passou a aumentar e diminuir seguidamente o volume do som. 

A normalidade assim como também a funcionalidade bio-evolutiva tende a se expressar, metaforicamente, por meio da uniformidade sonora de uma música, sem aumentá-la ou diminuí-la repetidamente. Em compensação, a aleatoriedade limitada tende a se expressar com base neste maior embaralhamento de probabilidades. É como apostar alto. As chances de dar errado ou de não dar em nada, serão grandes. A normalidade ou medianidade bio-evolutiva é robusta porque é demograficamente prevalente e porque se consiste na expressão mais naturalmente segura da natureza/existência ou equilíbrio lógico-natural. Volume alto e baixo demais; a epigenética, que é quase sempre irregular terá como diferencial fundamental a diversificação fenotípica aberrante ou predominantemente histriônica via mutação, obviamente, e subsequente aumento de singularidades. No entanto, será apenas parcialmente aleatória e portanto ainda apresentará padrões, como o savantismo, o autismo e a tdah.A diversidade de cérebros não é tão significativa dentro da espécie humana e estamos sob regras evolutivas que impossibilitam uma real aleatoriedade de resultados (muito mais significativa do que a que temos). Ser ''normal'' ou normativo, é o ideal em termos evolutivos (uma vida sem grandes perturbações psico-fisiológicas, sucesso reprodutivo), justamente por causa da  falta de excessos potencialmente prejudiciais que se caracterizam (ainda que se possa falar dos sábios genuínos ou genotípicos também enquanto super normais, destituídos de grandes excessos, comparativamente falando). E o gênio por si só já se consiste em um excesso.

Portanto, dentro do reino dos fenótipos de natureza epigenética-mental, o gênio será o mais raro, justamente por vir de um ambiente onde as chances de dar ''mais errado'' serão muito grandes. E o gênio geralmente, pelo que parece (se Lombroso, filósofos gregos et tal, estiverem fundamentalmente corretos), será os dois, isto é, dar muito certo e muito errado e esta dualidade rara ainda resplandecerá enquanto uma complementaridade destes extremos.