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quinta-feira, 15 de outubro de 2026

O grande problema da "inteligência verbal" (ou de como a temos definido)

 Mais verbal ou "linguisticamente" inteligente é o indivíduo humano, mais politicamente engajado ele tende a ser, e isso também significa "mais inclinado a abraçar fanatismos políticos", especialmente os ditos "de esquerda". Mas a linguagem é nossa única via para organizar nosso pensamento e entender esse mundo em que existimos. É um contrassenso que, aqueles que a dominam, pelo menos esteticamente, sejam justamente os mais vulneráveis a abraçar a própria insanidade de considerar sentimentos e impressões subjetivas como equivalentes ou até superiores aos fatos e à ponderação. Pode ser por não os considerarem pelo que são ou os confundirem como verdades absolutas. Mas também parece que muitos desse tipo, quando pressionados, admitem que tudo se resume a si mesmos, às suas próprias vaidades e interesses pessoais, e não ao que deveria ser, não apenas o que sentem, que também tem sua valia, mas também em como ou o quê percebem e avaliam objetiva e imparcialmente sobre o mundo... Pois se faz sentido a relação com um maior engajamento político, se é pela própria política que a sociedade humana tem se organizado, é completamente ilógico que, aquele que domina a língua, pelo menos em como se fala e escreve, apresente esse alto risco de deficiência racional básica. A minha explicação para esse aparente paradoxo tem sido de que, a linguagem humana não se limita apenas aos seus aspectos estéticos, também apresentando aspectos mais diretamente funcionais: de comunicação e compreensão, e é aí que a "verdadeira' inteligência linguística ou sua essência se expressa, não apenas como domínio da norma culta, arbitrariamente determinada por razões sociais e pragmáticas. Isso explicaria que, escrever bonito não se traduz diretamente a "pensar bonito", mas em seu sentido mais funcional de: "pensar certo", alinhado aos fatos e à razão. 


O grande problema da "inteligência verbal" tem sido sua má determinação ou muito insuficiente que nos tem desviado de uma compreensão teórica e prática, e legítima da mesma, para uma distorção de como se expressa e/ou do que deveria significar no mundo real: não apenas sobre domínio técnico da norma culta na fala e na escrita, mas também e especialmente sobre comunicação efetiva e compreensão factual, suas funções mais importantes... Como resultado, dá-se demasiada importância ao menos importante da linguagem: sua estética, enquanto aquilo que diretamente ajuda a espécie humana a sobreviver é tratado como secundário, sua capacidade de usar a linguagem para compreender o mundo em que se vive. E se esse equívoco fosse or for solucionado, será possível reorientar nosso entendimento e nossa percepção sobre esse tipo de inteligência, finalmente associando-a à racionalidade, visto que não existe outro meio, e tão necessário, que temos desenvolvido e disponível para a compreensão de mundo do que a própria linguagem. E sim, o aspecto estético tem a sua importância, mas nunca superior à própria capacidade expandida de percepção, o que propriamente antecede a capacidade de adaptação, não apenas de nossa espécie, o aspecto mais essencial de qualquer tipo ou forma de inteligência...


Sem mais associarmos apenas "cabelos azuis" ou "esquerdismo" com um tipo ou conjunto de inteligência, mas de fazer até o contrário, tornando essa associação mais precisa à sua realidade, e passarmos a dar mais importância a quem domina a linguagem e não quem se deixa ser dominado por ela, se um aspecto constante de, pelo que parece, muitos desses "politicamente engajados" e "linguisticamente inteligentes" é justamente o "semanticalismo" (termo de minha autoria) de considerar a palavra mais importante que o elemento ou fenômeno que simboliza... 

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