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domingo, 12 de outubro de 2025

Mais uma evidência cabal a favor do hereditarianismo??

 Diga-se, de uma "heresia" pós-moderna, de acreditar que o comportamento é primariamente determinado pela genética ou biologia e não pelo meio.


1- Sobre a alegada relação de causalidade absoluta entre baixo desempenho cognitivo e penúria social

"Os africanos subsaarianos estão, em média, menos inteligentes em termos de QI e outros aspectos comparativos de inteligência por causa dos índices muito altos de pobreza que apresentam ou negligência social em que vivem. Porque a desnutrição e a pobreza afetam diretamente o desenvolvimento cerebral, então, basta que essa situação seja resolvida para que essas diferenças de desempenho intelectual sejam eliminadas"

Esse com certeza é um pensamento comumente adotado por indivíduos que se identificam com a "esquerda" no espectro político-ideológico e que não se aplica apenas ao contexto subsaariano, mas também para qualquer outro contexto de pobreza e desigualdade. Mais do que um pensamento, é uma narrativa, um discurso fechado para críticas intelectualmente honestas e que tipicamente não corresponde com precisão aos fatos. Pois apesar de fazer sentido lógico que condições ambientais ruins tenham efeitos deletérios de médio a longo prazo em seres humanos, os seus efeitos até então não eram bem compreendidos, especialmente sem exemplos de melhorias sociais significativas há uns 70, 80 anos atrás. Mas, nesse ano de 2025, não é mais possível fazer essa afirmação, se esses exemplos já existem, tal como no caso dos EUA, um país que, se nos anos 40 do século XX, apresentava altos índices de desigualdade social e uma fração não-discreta de indivíduos vivendo em condições de pobreza absoluta, até os dias atuais, conseguiu reduzir significativamente pelo menos as estatísticas de extrema pobreza, também porque tem conseguido proporcionar à maioria dos seus cidadãos, um ciclo de vida livre da desnutrição. Bem, para um dos países mais obesos do mundo atualmente, é evidente que essa situação de fome endêmica, principalmente para determinados grupos étnicos, raciais e sociais, ficou no passado. Não que seja definitivo que não retornará, mas desde há umas boas décadas que tem havido uma melhoria significativa na redução da pobreza extrema por lá. Como resultado, os americanos, mesmo os mais pobres, se tornaram, ao longo das gerações, mais altos e encorpados em relação aos seus avós e bisavós. No entanto, as diferenças médias de desempenho cognitivo e de ajuste social continuam se perpetuando, mesmo se a maioria dos americanos não vive em um ciclo intergeracional de desnutrição e que medidas de combate às desigualdades (independente se mais ou menos justas) tenham sido adotadas. Eis aí um suposto paradoxo, pois se uma melhor nutrição promove o desenvolvimento sadio do corpo e da mente, e isso é primariamente verdadeiro para o corpo, a crença de que a mesma _opera milagres_ com a mente ou o cérebro parece que não se sustenta, pelo menos com base nessa notável evidência, do país mais rico do mundo, com um alto índice de desigualdades sociais e raciais, especialmente há uns 70 anos atrás, em que, de fato, tem ocorrido um aumento secular e cumulativo da estatura e do peso dos seus habitantes, ganhos particularmente fortes entre os mais pobres, por causa das melhorias das condições de vida. Mas isso não tem resultado em um aumento homogêneo das capacidades cognitivas entre esses grupos, se, na verdade, as diferenças de desempenho encontradas desde o início do século XX, continuam a se perpetuar, como se um aumento de peso e estatura, causado por uma melhor nutrição, não tivesse um grande impacto nas faculdades intelectuais, especialmente no sentido de igualá-las. Alguns ainda poderiam apelar para o "efeito Flynn", um fenômeno estatístico que consiste no aumento secular de desempenho em testes de QI observado em vários países. Mas, no caso de países racialmente diversos, como os EUA, mesmo que esse fenômeno também tenha ocorrido, ele aconteceu principalmente na população como um todo, porque quando grupos são comparados, as diferenças tendem a permanecer as mesmas, por exemplo, entre grupos étnicos e raciais. Ainda não se se sabe o que realmente consiste o "efeito Flynn", se reflete ganhos reais de capacidades cognitivas ou se reflete mais as mudanças nos próprios testes, resultando em um aumento das médias. Uma demonstração de comprovação desse fenômeno é pelo aumento da média de QI ou do desempenho nos testes da população americana em que, as primeiras pontuações quando ajustadas com as pontuações atuais seriam uns 20, 30 pontos mais baixas, de, se a média foi 100 há 100 anos atrás, hoje, seria 70. Mas um aumento espetacular de 20 a 30 pontos deveria ser refletido em todos os aspectos sociais e não é isso que percebemos (afirmação do próprio cientista responsável pela descoberta desse fenômeno). Além disso, é pouco provável que a população americana no início do século XX tivesse uma média de inteligência no nível de deficiência intelectual... 

Apesar desta muito provável evidência a favor do hereditarianismo, ainda não significa que condições ambientais ruins não possam impactar o desempenho cognitivo ou o desenvolvimento cerebral a médio e longo prazo. O que é o mais certo de se concluir é que, quando são eliminadas, o aumento do desempenho cognitivo acontece de acordo com o potencial genético ou biológico do indivíduo ou da população, que não é o mesmo para todos. Isso pode explicar o aumento secular da inteligência, pelo menos em testes cognitivos, da população americana como um todo, mais um reflexo do impacto dessas melhorias entre os mais pobres, e ao mesmo tempo a perpetuação das diferenças de desempenho entre grupos. 

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Tentando salvar a minha ''hipótese'' para ''explicar'' [falar rapidamente sobre] o efeito flynn...

Independente de quantas perguntas que as pessoas acertavam e erravam forjava-se a distribuição das pontuações com média 100. O qi médio 100 dos velhos testes equivaleria ao qi médio 70 hoje em dia, quando é comparado aos testes atuais. A maioria das pessoas [brancas] da primeira metade do século XX não responderam às perguntas dos testes atuais para de fato sabermos se elas não teriam sido capazes de pontuar em torno de 100. Os testes atuais são atualizações, complementos e correções dos mais antigos. 

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

QI não é peso, logo, o que mais importa é o percentil e não o número/símbolo quantitativo, que poderia ter média-Greenwich 100,200,300...

... porque os testes apresentam uma natureza consideravelmente comparativa e também não estão de fato mensurando/pesando o ''tamanho' das variáveis que compõe a cognição. Isso poderia ser usado como contra-argumento em relação ao suposto Efeito Flynn, em que, como eu já falei, muitos acreditam que as pontuações médias da primeira metade do século XX para os brancos americanos, por exemplo, equivaleriam à média ''70'' hoje em dia, isto é, acreditam de maneira literal nas pontuações, tratando-as como se expressassem de maneira literal [e não aproximada] o ''tamanho'' das cognições.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Testes de QI mais difíceis = aumento artificial da pontuação

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Em um texto recente sobre o Efeito Flynn, eu me questionei, novamente, em relação a um famoso postulado do mesmo assunto:

''A 'inteligência' está aumentando porque tem sido comprovado que a média de QI [100], por exemplo, dos britânicos, na década de 50, equivaleria hoje em dia a um QI ''70''

Agora vamos pensar em uma situação parecida, só que na ginástica artística:

''Já que, na época da legendária Nadia Comaneci, a dificuldade era muito menor nesse esporte [talvez um pouco menos em relação às barras assimétricas], então se ela tivesse que competir hoje em dia, as suas notas seriam muito mais baixas do que as de suas adversárias''

Acabei de ler em um artigo da BBC que diz: ''os testes de QI foram ficando mais difíceis''. Palavras do próprio James Flynn. Se as pessoas hoje em dia fizessem o mesmo teste que era aplicado ''no passado'', elas pontuariam mais alto do que ''a média daquela época''. 

O que isso parece estar querendo dizer*

Que os testes ficaram mais difíceis/ mais objetivos, mas o método de pontuação permaneceu o mesmo. Então quando alguém o fazia e pontuava na média, há 70 atrás, tirava a ''pontuação ~100''. E se essa mesma pessoa, creio eu, fizesse algum teste atual, ela também [é provável que] tiraria pontuações parecidas. O que mudou foi a dificuldade

De novo, vamos imaginar hipoteticamente que o meu bisavô fez um teste de QI quando era criança. Aí ele pontuou 98. Só que foi feito uma ''atualização'' com os valores atuais, e como o teste que fez era mais simples então a sua pontuação caiu para 73. O que isso significa, que o meu bisavô era estúpido*

Muito provavelmente não. Não significa nada em relação às suas capacidades cognitivas, mas sim em relação ao: aumento da dificuldade + distribuição das pontuações em ambos os testes, que é  a mesma. 

O mesmo para a ginástica. Nádia foi um gênio em sua época, quando o esporte era menos difícil que hoje em dia. Mas se as séries, especialmente as de trave, solo e salto, fossem comparadas ou ''atualizadas'' para o código de pontuações corrente, então as suas pontuações seriam dramaticamente reduzidas porque as suas notas de dificuldade são em geral muito baixas em relação às séries atuais. 

Será que o mesmo tem acontecido com [parte d]o efeito Flynn**

Hipótese solitária e rápida [se possível]: aumento do ''acasalamento' assortativo + maior mobilidade sócio-geográfica como parcialmente responsável pelo [suposto, possível] aumento da inteligência*

''Efeito Flynn'': conjectural, sem evidências empíricas

O Efeito Flynn sugere que nós ''nos tornamos'' mais inteligentes que os nossos pais [dependendo da idade], e especialmente avós e bisavós, por causa de uma série de fatores que parecem lógicos à primeira vista: melhor alimentação, melhores condições de vida em geral, com direito à maior exposição a estímulos intelectuais e à uma cultura mais secularizada. Alguns dizem inclusive que com o aumento da estatura, em média, também tem ocorrido o aumento no tamanho do cérebro e vocês sabem, ''cérebro maior = maior inteligência''. Tal como no caso das plantas, muitas pessoas acreditam que o mesmo acontece com os seres humanos, e que quando não somos ''bem criados'' então é esperado que cresceremos murchos ou ''abaixo de nossos ideais de desenvolvimento''. 

Só que o ambiente de uma planta é o solo, literalmente falando, enquanto que para nós, o nosso [primeiro] ambiente biológico são os nossos pais, quando ainda estamos na barriga de nossas mães [+ combinação genética dos dois] e durante a primeira e segunda infância, ainda que, quanto mais maduros, menos dependentes, a priore.

Outro possível pormenor é que existem muitas espécies de plantas que não estão adaptadas a certos tipos de procedimentos experimentais, por exemplo, que não estão adaptadas a solos secos, e sofrerão os efeitos de uma avaria artificial ou real pelo simples fato de não estarem adaptadas a essas condições.

 No entanto, não é apenas o tamanho do cérebro que se relaciona ou mesmo que resulta em uma maior inteligência ''biológica', porque outras características neuro-fisiológicas bem como também a relação do seu tamanho com o corpo é muito provável que serão de grande importância.

 No mais, se existe algo factual sobre o Efeito Flynn é a de que ainda NÃO FOI COMPROVADO EMPIRICAMENTE, como manda a ciência em sua aplicabilidade mais correta. 

Ninguém analisou de maneira detalhada para ver se as gerações de uma mesma família tem se tornado, de fato, mais inteligentes.

 Primeiro porque é relativamente difícil mensurar um ''traço' tão amplo e diverso como a inteligência. Talvez se poderia elencar os traços psico-cognitivos [específicos] mais expressivos da mesma dentro de uma família e ver se as novas gerações se tornaram mais inteligentes em relação às mais velhas. Ainda assim, é complicado controlar a grande quantidade de fatores que usualmente tornam este tipo de análise mais complexa. 

Talvez devêssemos analisar fundamentalmente a capacidade de raciocínio, se nós estamos mais rápidos, acurados e intelectualmente conhecedores que os nossos avós e bisavós [eu duvido e muito], ''independente para que'', mas primando pela ''espinha dorsal da macro-realidade'', que quer indicar racionalidade.

No mais é isso: o efeito Flynn por agora continua sendo uma hipótese com algumas evidências, me parece que, vagas, sobre a sua veracidade; nunca foi empiricamente comprovado e acho um pouco difícil que possa sê-lo. No mais, existem alguns lugares no mundo onde que ainda é possível tentar provar ''in loco'' a sua veracidade. Tal como eu já comentei, o efeito Flynn é lógico.... mas é factual* Não sabemos. Sem falar que existem muitos fatores que estão bem entendidos ou pior, que são mal explicados [talvez por já terem sido mal compreendidos] por aqueles que deveriam saber mais que nós sobre este assunto. 

Nunca entendi e até agora e ninguém nunca me deu uma boa explicação para essa frase abaixo:

''A média de QI-100 dos britânicos nos anos 50 é equivalente à média de QI-''80' para os britânicos atuais''

Talvez a grande pergunta aqui deveria ser: a inteligência é tão ''limitadamente maleável'' quanto à estatura no que diz respeito ao ambiente* [pelo menos ''em nossa'' conjuntura biológica, porque pode ser que seja possível transformar uma característica ''herdavelmente mista'' e/ou predominantemente dependente das condições ambientais em uma característica fixa.

Será que seria possível fazê-lo com ''a inteligência'' humana* 


sábado, 5 de novembro de 2016

''Efeito Flynn'' em termos intelectuais** A secularização do Ocidente tem feito as pessoas artificialmente mais inteligentes, em termos intelectuais/culturais*




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Fonte: pinterest


As pessoas são intelectualmente preguiçosas ou demasiadamente comodistas. Ao invés de procurarem, via curiosidade, pelas melhores análises e julgamentos da realidade, internalizando-as em seu cotidiano, elas tendem a esperar, tal como bebês de colo, que as informações e/ou ordens sejam trituradas e passadas pra elas, independente de suas qualidades, tal como papinha dada à criança recém nascida. 

Percebe-se que a maioria dos seres humanos não são nem de intelectualmente interessados, nem de intelectualmente obcecados.

 O nível de motivação intrínseca e dedicação quase que diária ao conhecimento, em especial aquele que for mais concreto, mais relacionado com o mundo real, encontra-se abruptamente reduzido em uns bons rincões de humanidade, enquanto que a obsessão intelectual, que se consiste em uma manifestação consideravelmente característica da inteligência, em seus níveis mais desenvolvidos, encontra-se praticamente reduzida à uma minoria de seres humanos. E entre o torpor intelectual das ''massas'' e a curiosidade insaciável de uma minoria, nós temos uma classe-tampão de ''intelectualmente interessados'', que combinam parte da psicologia do primeiro com a do segundo grupo, geralmente as massas ''de'' QI razoavelmente alto (a muito alto) que povoam as universidades.

 Portanto, sem mudanças culturais, a partir da base, a maioria das pessoas serão fortemente propensas a se conformarem, e mesmo com as mudanças, dependendo do grau de vantagem que a nova onda de conformidade poderá propiciar à elas, uma maioria em potencial se adaptará à nova roupa do rei, sem qualquer substancial escrutínio, este que tende a se dar via introspecção, quando debatemos com nós mesmos sobre as crenças que internalizamos, isto é, que se consistem em diálogos internos.

Temos visto grande transformação na cultura e nos pontos de vista do ''senso comum'' em especial no Ocidente em que no início do século XIX, a maioria das pessoas, especificamente na Europa e na América Anglo-saxônica, tinham como ''fonte de conhecimento'' a religião cristã. Com a secularização progressiva houve uma redução dramática do domínio da narrativa cristã sob o senso comum das massas. A partir do momento em que um conjunto de ideias baseadas em uma mistura vulgar de pensamento mágico e pensamento naturalista (religião) foram sendo substituídas por um conjunto de ideias mais enraizadas no mundo real, e portanto mais ''científicas'', as pessoas em média foram se tornando em receptadoras e agentes de ideias menos fantasiosas, em outras palavras, de mais intelectualmente inteligentes. Claro que esta mudança não foi completamente direcionada para um sentido ideal, e que, é provável que não tenha se traduzido em melhorias orgânicas/mentais entre os seres humanos expostos a essas mudanças. 

Por exemplo, o percentual de pessoas, menores de 25 anos, que ''não acreditam em Deus'', na Islândia, segundo pesquisas recentes, atingiu um valor bastante significativo. Isso significa que os islandeses se tornaram mais intelectualmente inteligentes**

 Artificialmente falando, pelo que parece, sim, porque pelo fato de ''terem'' substituído o besteirol cristão por algo menos fantasioso, pôde-se constatar que eles tem se tornado mais intelectualmente inteligentes ou que as novas gerações tem se tornado mais intelectualmente/filosoficamente (culturalmente) inteligentes. No entanto, essas macro-comparações vagas dizem pouco em termos de idealidade assim como também de mudanças intrínsecas, isto é, o aumento de uma maior precisão intelectual/moral pode não ter tido como resultado um igual aumento na qualidade psico-cognitiva intrínseca ou genotípica, em outras palavras, que a secularização nesta sociedade não foi acompanhada por um salto qualitativo de inteligência genotípica, que as pessoas tenham se tornado organicamente mais inteligentes, mas aparentemente. 

As pessoas nascem dentro de um certo ambiente, bastante secularizado, e não são inculcadas desde cedo a seguirem qualquer religião. No entanto, tal processo de secularização tem acontecido em todo Ocidente e eu acho que é comum que os jovens sejam mais propensos a serem descrentes e que ao longo do tempo o torpor típico das pessoas médias acabe assentando esta euforia e cinismo juvenis. Eu acredito que as pessoas médias, justamente por serem médias, encontram-se mais adaptáveis a essas mudanças culturais, enquanto que é claro que aquelas que estiverem sendo mais favorecidas por essas novas ondas de conformidade/senso comum, é provável que exibirão características intrínsecas (intrinsicabilidade) mais naturalmente/biologicamente dispostas pra este caminho, por exemplo, no caso de se ser mais intensamente ateu e/ou agnóstico em relação à secularidade da ''modernidade''.

Isso significa que precisamos pensar o quão plásticos estamos em relação às nossas crenças religiosas e eu acredito que esta particularidade obedecerá à regra geral dos comportamentos, isto é, que todos nós teremos uma plasticidade individualmente limitada de comportamento, que variarão individualmente em termos de intensidade, e que será mediado por interações com o ambiente, baseado na maneira com que o mesmo se apresenta e em que como respondemos a ele.

O aumento do número de filhos que nascem de pais mais velhos, presume-se, mais mutantes,  pode ter um efeito real/biológico em larga escala nessas mudanças culturais. Aumento no tamanho do cérebro** Conjecturas... 

O que sabemos por agora é que, quando os centros de inculcação cultural mudam as suas narrativas, a maioria das pessoas tendem a mudar também, para acompanhar os seus rebanhos. Ateus e agnósticos verdadeiros são raros. No entanto, eu acredito que a inculcação cultural anti-religiosa desde cedo e generalizada pode fazer um monte de gente normal (que segue normas) e média internalizar narrativas mais científicas e ou corretamente filosóficas, ainda que tendam a fazê-lo de modo superficial. O que também é bastante perceptível é o processo de esquerdização das narrativas culturais mais proeminentes, que em outras palavras significa: ''troca de pele'' cultural, da religião para a ideologia. A ideologia geralmente se passa como mais científica ou como mais filosoficamente correta, do que a religião, que já se consiste em sua metamorfose final, em sua imposição generalizada. Em outras palavras, toda religião nasce como ciência ou filosofia, se transforma em ideologia por um tempo e termina exatamente como religião, isto é, o nível de força de sua imposição cresce de acordo com que perde o seu brilho/encanto inicial e mentiroso. 

Portanto pode-se dizer que a maioria dos jovens islandeses não são ou se tornaram exatamente em pensadores racionais até mesmo porque é provável que sejam ou que se tornem ''progressistas'', ''globalistas'' ou ''esquerdistas''. Eles estão mais racionais, é verdade, mas não são, pelo que parece, por definitivo racionais, em constância, qualidade ou precisão de julgamentos equilibrados e factualmente corretos. Percebe-se que muitos deles simplesmente estão sendo inculcados na ideologia globalista/esquerdista. 

Se perguntarmos às pessoas que nasceram no início do século XX sobre uma série de questões morais/filosóficas, é provável que a maioria nos dará respostas moralmente questionáveis, que foram embasadas em pontos de vistas religiosos, enquanto que se fizermos o mesmo experimento, e de preferência com uma farta amostra representativa, só que com jovens, é provável de termos uma maior proporção de respostas mais moralmente corretas, que foram baseadas em algum conhecimento científico ou filosoficamente/moralmente correto -- preciso. Por exemplo, a homossexualidade é pecado condenado por Deus versus a homossexualidade encontra-se presente em várias outras espécies além da humana e portanto é um comportamento natural.

Por outro lado todo o conhecimento naturalista, muitos que foram embasados e expressados em/como pré-conceitos minimamente corretos, porém vulgarmente generalistas, que era a regra, juntamente com a metafísica bondade cristã, nos tempos de nossos bisavós, tem sido perdido, justamente para o incremento na parte da moralidade objetiva. Tira-se de um lado, coloca-se em outro. Por exemplo, as raças humanas existem e [todos] os negros são menos inteligentes que os brancos versus as raças humanas não existem especialmente por causa do legado moralmente equivocado deste termo em relação aos seres humanos e aos seus direitos ... e ... os negros não são menos inteligentes que os brancos porque as causas para essas disparidades são as diferenças ambientais e o racismo do grupo mais forte/opressor, isto é, dos brancos.

Enquanto que o sábio genotípico ou intrínseco tenderá a aceitar os dois conjuntos de concepções, naturalista e moral, e os melhorará em demasia, ou ao menos tentará fazê-lo, o ser humano comum, normal, que segue normas, e médio, tenderá a ser persuadido de maneira subconsciente a seguir um dos modelos parciais e superficialmente corretos de entendimento e de interação com o mundo, resultando em algumas dessas vampiras que já tanto falei: cultura, religião ou ideologia. Uma menor compreensão sobre os próprios mecanismos de operacionalidade ou comportamento também quer indicar uma maior vulnerabilidade para acatar as necessidades irreflexivas do próprio ego, e de acordo com a profusão de ideias, pensamentos e diretrizes que estão sendo constantemente despejadas dentro das sociedades humanas, especialmente das mais complexas, produzindo, e a nível individual, aquilo que chamamos de co-evolução cultura e genética/biologia. Isto é, as pessoas vão sendo selecionadas para certa cultura, se houver reciprocidade ''benigna' entre ambas as partes. 

Portanto como conclusão, por agora, percebe-se claramente uma melhoria a nível superficial do ''senso comum'' no que se refere à moralidade objetiva/proporcionalidade comportamental, mas por outro lado, percebe-se uma perda cultural de todo o conhecimento naturalista acumulado, expressado por meio de ''pré-conceitos'' ou seria melhor, generalizações sobre as diferentes nuances do comportamento humano, ainda que generalistas e minimamente corretos. 

Vamos ficar todos bonzinhos e super-mega-ultra compreensivos. 
...

Isto quer indicar que com o deslocamento da narrativa oficial, a partir de um epicentro religioso/cristão, para um epicentro científico/secular, houve uma melhoria relativa na qualidade das informações, ideias, pensamentos e diretrizes que são socializadas, e com isso podemos concluir previamente que as novas gerações foram se tornando mais intelectualmente inteligentes, em comparação às gerações mais antigas, mais inculcadas com pensamento religioso, ainda que tal melhoria foi apenas a nível muito superficial, porque ao invés de uma completude no pensar e agir, que faria com que melhorássemos os pontos válidos, predominantemente de natureza naturalista, que eram parte do senso comum há 80, 90 anos atrás, o sistema sócio-cultural ocidental tem apenas deslocado o seu epicentro, da religião para a ideologia, e com segundas intenções, pois embutido à religião, ao velho epicentro cultural, encontra-se o conhecimento naturalista, e este tem sido ostensivamente atacado, sendo tratado erroneamente (e propositalmente))))) como o oposto da moralidade objetiva, que também tem sido superficialmente trabalhada, e novamente, com segundas, terceiras, quartas intenções maquiavélicas. 


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Fonte: Equilíbrio e Família

Puxou para um lado, mas tirou do outro lado. 

''(d)Efeito Flynn'' = melhorou superficialmente no quesito intelectual/moral, piorou no quesito naturalista.


terça-feira, 3 de maio de 2016

Qi e inteligências reais: Misturando o abstrato com o concreto??





Pode-se confundir ou misturar o pensamento abstrato com o pensamento concreto??

((que ingenuidade da minha parte pois é exatamente desta forma que opera o ''pensar humano típico'', mas enfim, continuando a fingir de desentendido...)) 

Ou deveríamos mante-los mutuamente segregados  para melhor entendermos a realidade?? 

((sabedoria, ''cada pensar no seu quadrado''))

O qi é uma abstração que tenta se sobrepor ao concreto das inteligências que são constantemente testadas no dia a dia, isto é, no mundo real.




Conceito de inteligência do corvo, das aves em geral...





O conceito de inteligência acima, em inglês, é um trecho que encontrei durante algumas de minhas 'últimas' ruminações pela web. 


Se consiste provavelmente num dos conceitos mais perfeitos de inteligência, que sintetiza de maneira absolutamente concisa aquilo que tenho tentado mostrar desde os primeiros pseudo-parágrafos do velho blogue Santoculto, e que parece se esbarrar demasiadamente em relação à sabedoria, que se consistiria na manifestação magnânima do intelecto ou percepção ativa.

Mais do que apenas mais um conceito potencialmente perfeito de inteligência, o trecho acima se consiste, mais especificamente, na descrição semanticamente perfeita sobre o que a inteligência realmente é, não importa de qual tipo ou de qual espécie. Em outras palavras, se consiste em seu conceito mais do que primordial, um caso raro, pelo que parece, em que se pode reduzir sinteticamente um conceito abstrato de maneira praticamente perfeita, isto é, o espelhamento perfeito do conceito e de suas expressões no ou para o mundo real, no mundo das ações.

Fazer o ''certo'' (aquilo que está disponível e de preferência, a partir de uma supra-percepção, novamente, de acordo com as bio-variáveis do ser vivo) mediante uma nova situação, e tendo a sabedoria logo ao lado como uma retentora exponencialmente perfeita daquilo que mais interessa para a própria sobrevivência, a mitigação-à-eliminação constante de perigos, a estabilização e a possibilidade de passar a cultura ou hábitos e parte de si mesmo, via reprodução, especialmente em ambientes que não são ''toxicamente'' modernos (ainda que não haja nada de totalmente errado na modernidade, mas na combinação da mesma com a tacanha estupidez humana).


O futuro é uma abstração assim como o "potencial"



O potencial é uma palavra esquisita porque é aplicável para uma série de micro-situações mas não em relação ao concreto do cotidiano imediato, o imediatismo que está sempre exigindo respostas corretas ou que estão dentro de um espectro de respostas lógicas ou bio-lógicas, como o hábito intrínseco da ave de caçar o seu almoço em vôos certeiros. 

Portanto, potenciais em vida podem existir enquanto promessas, de que certa capacidade possa deixar de ser uma auto-impressão subconsciente para que possa emergir à condição de importante, isto é, como se certa música, que era marginalmente querida, se tornasse uma das principais ou preferidas pra se ser ouvida. O qi enquanto um potencial para a inteligência deixa a entender que ''se ele é inteligente porque pontuou alto nos testes, então, por lógica intuitiva, terá de corresponder no mundo real, das ações, do imediato e constante, exatamente a impressão que deixou via psicometria''. No entanto, como toda abstração por demasia rarefeita, os testes cognitivos tomam correlações como se fossem a bruta e coesa representação ou espelhamento perfeito da realidade que visa capturar, a inteligência, como eu já falei várias vezes.

Flynn, o filósofo (dentre outras possíveis ocupações, ;) ) neozelandês que foi o responsável pela descoberta do "Efeito Flynn", fenômeno psicométrico em que as pontuações em testes cognitivos tem aumentado exponencialmente desde a sua invenção, descobriu que uma das possíveis razões para a ocorrência do seu curioso achado se daria por causa da constante substituição do pensamento concreto ou imediatista/utilitário pelo pensamento abstrato ou especulativo, provavelmente por causa da revolução tecnológica, do progressivo processo de secularização das sociedades ocidentais ''modernas'' e da universalização da ''educação''. 
Supostamente, isso significaria a partir de uma pré conclusão evidentemente precoce, que os seres humanos, por causa das constantes melhorias sociais, como por exemplo, a universalização da educação, estariam se tornando mais inteligentes, porque o pensar abstrato seria mais abrangente do que o pensar concreto. Ao comparar o tipo de pensamento de aldeões da Ásia Central, submersos dentro de uma cultura imediatista, de subsistência, em relação ao pensar abstrato (erroneamente abstrato, diga-se) que se tornou comum no Ocidente moderno e urbano, Lynn constatou que o aumento secular das pontuações em testes cognitivos se deu por causa de uma maior e constante exposição dos ocidentais em relação à formas de pensamento abstrato que tendem a se relacionar com muitos dos exercícios que estão presentes nos testes cognitivos, especialmente nos mais antigos. 

É um assunto complexo e não concordo plenamente com essas deduções conclusivas de Lynn (se ele realmente chegou a essas conclusões porque eu não vou pesquisar mais a fundo, kkkkk). Ele também comparou a forma de pensar de nossos avós, que é menos ''secular'', e eu diria mais, que é menos politicamente correta, citando os seus próprios, quanto à ideias ou impressões racistas, leia-se, racialmente generalistas.

Segundo ele, o pensamento ''racista'' seria de natureza concreta enquanto que o pensamento (pretensamente) empático seria de natureza abstrata. O pensar empático, que as mulheres são mais prodigiosas para produzir a partir de uma certa espontaneidade mentalmente neurofisiológica, e especialmente via simpatia, a expressão externa e artificial da empatia, seria, segundo ele, mais abstrato, e de fato, se pararmos para pensar, a simulação empática, isto é, de se colocar no lugar do outro, como se fosse ele (ainda que isso não aconteça de maneira precisa, resultando naquilo que denominei de ''empatia parcial''), exibe todos os predicados conceituais para que possa ser determinado desta maneira

No entanto, continuo crendo que as suas conclusões foram por deveras cruas ou precipitadas. Eu, por exemplo, tenho percebido em mim tipos de pensamentos que tendem a se alinharem com aqueles que predominam na velha guarda, isto é, em relação àqueles que já adentraram na terceira idade. Todos nós pensamos concreta e abstratamente, alguns que se engajarão mais no pensamento abstrato do que no concreto do que outros. Mesmo aqueles que estão ou que foram submersos desde à tenra idade em culturas de apelo imediatista, também pensam ou apresentam pensamentos abstratos, só que mais simples e portanto, conectados com as suas necessidades específicas. Ainda não está muito claro o quão influente o ambiente cultural está para determinar em muitas pessoas o seu grau de intimidade e uso do pensamento abstrato assim como também as disposições intrínsecas. A generalização de natureza racial que os avós de Flynn se engajavam também se consiste em uma forma de pensamento abstrato, ao contrário do que o ''filósofo'' pensou e expôs neste vídeo. Produzir generalizações de qualquer natureza é tão abstrato como simular empatia em contextos históricos, ''pense se você fosse a Rosa Parks subindo naquele fatídico ônibus'', pois se está pensando, ainda que resumida e grosseiramente, em médias estatísticas.

Mas isso não previne que apelos imediatistas não possam ser observados em sociedades 'modernas' e na verdade a própria natureza materialisticamente consumista das mesmas parece trabalhar contra esta ideia de que vivamos em ambientes que são completamente diferentes daqueles em que as populações humanas ''mais tradicionais'' ou ''naturalistas'' estão localizadas.

 Eu vou ser sincero e acho que já falei sobre este assunto. Eu nunca entendi muito bem este tal Efeito Flynn, pois desde a primeira vez que ouvi falar, o achei confuso e vago demais para que pudesse explicar de maneira coerente e ordenada a complexidade que o assunto relacionado necessita. A ideia de que as pessoas ao longo do século XX ''foram se tornando'' mais ''inteligentes'' por causa dos enormes aumentos em pontuações de qi e que por exemplo, os americanos médios da década de 40 ''teriam'' um nível de inteligência ao nível de ''retardamento mental'' em comparação àqueles que vivem agora, comparativamente falando (também nunca entendi isso), parece ser um grande absurdo e mesmo por negar qualquer lógica em relação aos próprios testes cognitivos.

Eu tenho concluído até então que essas diferenças tem sido causadas por causa de múltiplos erros dos velhos testes e especialmente por causa das ''atualizações'' dos mesmos (outro ''pormenor'' que nunca entendi direito). Também por causa de uma complexidade excessiva, causada justamente pelo excesso de abstrações envolvidas para explicar o concreto dos fatos envolvidos, jamais consegui compreender satisfatoriamente o tal ''efeito Flynn''.

O fato é, os testes cognitivos estão extremamente abstratos ao levarmos em conta que:

- analisam o potencial cognitivo,

-  analisam a cognição humana como se o indivíduo fosse dissociado do seu ambiente de interação (e de fato existe uma classe de 'indivíduos' que tenderá a se dissociar do imediatismo holisticamente interacional com o ambiente de vivência e se chama ''trabalhadores''). São testes ''aculturais'' que visam uma maior ''precisão''. 

A psicologia, ao dissociar personalidade/comportamento e inteligência, analisando apenas a cognição, construiu uma espécie de método fordista macabro de análise do ser humano, transformando aquilo que identificamos como ''inteligência'' em ''eficiência no trabalho'' e personalidade em ''comportamento 'apropriado'  ou contextualmente 'civilizado' ''.

Como pode ser possível de analisarmos como que a verdadeira inteligência humana tem se desdobrado pelo século XX se ao invés de estarmos lidando com a relação direta ser e ambiente de interação, diretamente vinculado à sua própria sobrevivência ou retenção vital, nós estamos lidando com abstrações, consciente ou inconscientemente criadas e que tem como resultado, novamente, consciente ou não, na dissociação entre inteligência cognitiva ou mecânico-operacional e personalidade, isto é, produzindo todo o fenótipo multiforme que se consistem as expressões psico-cognitivas ou intelectuais humanas.



Desconstruíram o ser humano e os testes cognitivos ao invés de estaremos sendo usados como aliados na busca holisticamente precisa da(s) inteligência(s) humana(s), é usado como método friamente impessoal de mensuração de parte do intelecto humano. Como analisar a qualidade dos dentes de escravos recém saídos de um navio negreiro.