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domingo, 12 de julho de 2020

Níveis de territorialidade. Da masculinidade tóxica pra feminilidade tóxica, e o ideal


Somos territoriais. Uns mais que outros. Pessoas com baixa autoestima tendem a ser menos que as de alto autoestima. Mulheres são menos que homens. Homossexuais são menos que heterossexuais. Altruístas são menos que egoístas. Tudo é uma questão de território do indivíduo, do seu alcance e consequências, dentro de sua dinâmica de interações sociais. Os indivíduos menos territoriais são, portanto, mais propensos a serem mais amigáveis, afetivamente empáticos, sensíveis..
 Porém, também, ingênuos e impressionáveis. É mais comum de serem mulheres. Aspectos positivos da feminilidade normativa ou da heteronormatividade, de acordo com o dimorfismo (diferenciação biológica e cultural) sexual prevalente, são exacerbados,  como o altruísmo e a empatia afetiva, que é a capacidade do indivíduo de sentir os sentimentos das outras pessoas e seres como se fossem os seus. Outra fraqueza da feminilidade tóxica é a frivolidade de prestar maior atenção ao jogo social do que às suas estruturas, isto é, mais de performa-lo do que de critica-lo, de buscar entendê-lo.

Do outro lado, temos a masculinidade tóxica, onde o oposto acontece. Também em contraste à feminilidade tóxica, as virtudes tipicamente masculinas não se manifestam com mais vigor ou excesso que as suas fraquezas. Covardia e insegurança abundam entre homens héteros que precisam se reafirmar como tal a todo momento. De maneira geral, este tipo se caracteriza pela expressão de autoconfiança e orgulho exagerados, associados à uma concepção pobre de masculinidade. Como resultado, eles se sentem melhores do que realmente são e usam sua prepotência de maneira predatória para com os outros tipos humanos (e não humanos) de seu convívio direto ou não, sendo que as mulheres são o alvo preferencial, pois as concebem como propriedades masculinas e não como seres humanos essencialmente iguais. No mais, a insegurança é sinal de defesa, de medo. Quem precisa ofender o outro e sem ter uma razão racional pra isso, como correção de comportamentos equivocados, o faz no sentido de autoprojeção, para se sentir bem ou superior enquanto que um indivíduo plenamente seguro de si não precisa projetar opiniões e sentimentos nos outros para se sentir melhor consigo mesmo. 

A masculinidade tóxica não se limita às relações com mulheres pois também precisa vampirizar outros grupos e um dos alvos preferenciais são os homossexuais, e de maneira geral, qualquer grupo que possa ser usado para se apoiarem, para se sentirem superiores. É quase sempre assim, não é?? O garoto gay que não faz mal a ninguém (não são todos que são assim, claro, só um exemplo) e que passa a sofrer bullying pelos idiotinhas da escola. Freud explica... toda ofensa irracional é uma maneira do indivíduo de lutar contra as próprias inseguranças projetando sentimentos sádicos em outras pessoas, para reafirmar ''superioridades'' em cima delas, que é o mesmo que usá-las para se sentir melhor.  Também é  comum os mais inteligentes sofrerem preconceito na escola e na sociedade. Não são apenas traços polêmicos [ou polemizados] e vistos como indesejáveis que entram nessa berlinda de idiotas. Quer seja no sentido de inveja, de alguma questão pessoal mal resolvida ou pela vontade de reafirmação constante, casos psiquiátricos, tratados como "comportamento saudável" no sentido de "normal", passam longe de consultórios de psicólogos e psiquiatras e são abundantemente encontrados em lugares de poder. São as vítimas desses seres perturbados que geralmente procuram ajuda e no processo acabam sendo patologizadas, quase que culpabilizadas porque tem gente problemática que a sociedade hipócrita aceita e celebra, vide o aprendiz de ser humano que neste momento [2019 D.C] desgoverna a República das bananeiras e dos laranjais.

Portanto, a feminilidade tóxica é uma falta de territorialidade, e a masculinidade tóxica é um excesso, que transborda e afeta outros indivíduos e grupos. O ideal, claro, sempre está localizado no meio de extremos, de não ser nem muito desprotegido nem excessivamente beligerante. A natureza feminina, mais agregadora, de acordo com a conjuntura cultural e bio-seletiva humana, em excesso, resulta na baixa autoestima, na vontade excessiva de querer agradar, enquanto a natureza masculina, de proteção ou cuidado, em excesso, resulta no despotismo de pequenos ditadores que não conseguem respeitar territórios individuais alheios, tratando os mais próximos como satélites de vossas majestades, ou mesmo, em um sentido mais ecológico, como presas. É importante ter sua própria territorialidade, reconhecer-se indivíduo, vida, projetar-se assim aos outros, reconhecendo seus territórios e buscando pela diplomacia, pelo diálogo, pela demarcação de fronteiras, para que não abuse do outro nem que ele o faça contigo. Mas é difícil pensar este idealismo predominante em um mundo cheio de tipos tóxicos.

quinta-feira, 9 de julho de 2020

A doutrinação é ideológica, a educação é filosófica

Exemplo: questões raciais

Tem umas ideologias de esquerda que querem doutrinar as pessoas com uma série de factoides, fatos parciais e falácias sobre as raças humanas, e claro, junto a fatos históricos e legítimos, para dar credibilidade. Primeiro, que não existem raças humanas. Segundo, que suas diferenças [das populações humanas] são mínimas a inexistentes e, portanto,  que seus comportamentos médios são facilmente mutáveis. Terceiro, que o racismo só existe se for de branco contra negro, que não existe racismo contra branco, que eles chamam de "racismo inverso". Que está acontecendo um genocídio de jovens negros e pardos no Brasil, nos EUA, etc, perpetrado por policiais, escondendo que a maioria dos crimes contra negros [e pardos] são praticados por outros negros [e pardos], e o mesmo padrão para os outros grupos raciais. Que a principal razão para a criminalidade é circunstancial, de nascer pobre, por exemplo, desprezando que a maioria dos ''pobres'' ou precarizados não são violentos, isto é, confundindo correlação com causalidade. Que brancos, especialmente, não podem criticar negros, nem com educação e conhecimento, se não é racismo. Querem impor tudo isso, sem diálogo, sem reconsideração, generalizando e exacerbando as divisões desses grupos, enfim, inculcando uma narrativa simplória, mas superficialmente sofisticada, vezes com palavras difíceis, gramática impecável e discursos bonitos.

Mas isso só tem atiçado o verdadeiro racismo, por ser impositivo, injusto e recheado de meias verdades, inclusive perigosas [desprezando a existência de ''marginais congênitos'' e chamando de ''punitivismo'' o modelo de justiça mais racional, que é o ''proporcional''].

O efeito é o oposto do desejado, de educar para a compreensão, para a diminuição de fanatismos e preconceitos e busca por medidas que realmente combatam as desigualdades sociais e raciais.

A doutrinação é o forçar a uma perspectiva, negando a possibilidade de escolha. Também é a negação de uma diversidade de fatos que, naturalmente, reduz a pureza e a intensidade de convicções individuais subjetivas e leva à conclusões mais ponderadas.

O cenário piora porque a maioria das pessoas são de pensadores passivos ou de consumidores intelectuais, que esperam que a montanha vá até eles. São do tipo que compra linhas de pensamento como se fossem produtos de supermercado, por exemplo, os conceitos prontos de comunismo e capitalismo, e, não tenta pensar, analisar, investigá-los por si mesmo, buscando pela justiça dos seus fatos. Não são apenas os direitistas que, em sua maioria, agem desse jeito, excessivamente enviesados, tratando a arte do pensamento como se fosse competição entre times de esportes coletivos..

Pense, metaforicamente, que você está numa floresta com um incêndio acontecendo e você tenta apagar o fogo. Só que, com esse tipo de ideologia, que esquerdas obscurantistas têm tentado impor a todos, é como se, ao invés de usar a água ou fatos, usasse álcool pensando ser água, para aplacar o incêndio. O resultado você já sabe qual é. A intenção pode ser a melhor possível mas, para estar precisamente bem informado, até para a verdadeira justiça social, primeiro, é preciso se ater a fatos. Primeiro, os fatos. Depois, as considerações morais. Primeiro, analisar à distância. Depois, se colocar, se contextualizar no cenário de análise. É assim que se pensa com sabedoria. Não é dessa maneira que muitos teóricos, historiadores, pensadores esquerdistas ou progressistas tendem a fazer. Pelo contrário, pois eles impõem considerações morais antes de buscarem por TODOS os fatos, inclusive os que consideram insensíveis.

Tentar ensinar sobre racismo aplicando mais racismo e divisionismo entre as pessoas de diferentes raças só pode resultar em mais racismo, especialmente entre os mais inflamáveis.

É o que eu sempre penso. As ''esquerdas'' perdem muito quando agem de maneira igual às ''direitas'', se essas sempre manipularam e doutrinaram. As ou certas esquerdas,  quando decidem copiá-las, estão fadadas a se igualarem a elas em nível de compreensão limitada da realidade humana e universal. Mas, parece que é isso que querem, de serem antíteses pensando que são sínteses. A síntese é a sabedoria, a filosofia materializada, enraizada na cultura, substituindo, por fim, a ideologia, sem mais lados, o todo, pela essência.

Uma educação filosófica, ainda que também seja inevitavelmente impositiva, se faz com base no diálogo intermediado pela simples exposição de todos fatos, ou verdades, e buscando agir a partir deles.

Raças humanas existem. Diferenças e semelhanças entre elas existem. Todo mundo é capaz de perceber isso. Também existem policiais desequilibrados, sociopatas, não são poucos, mas, a maioria dos crimes contra jovens negros e pardos, é cometida por outros jovens negros e pardos e não, no imaginário progressista atual, por policiais brancos ou ainda mais abstrato, ''pelo estado''. Isso não significa que todo negro seja propenso à violência; também não significa que cenários reais de genocídio não possam ser deflagrados em hipotéticos horizontes sombrios nem que os casos graves de violência policial devam ser tratados com menor importância. Apontar esses fatos não é racismo. Racismo é dizer que todo negro ou  que todo pardo é violento ou que todo branco é racista ou que não pode sofrer racismo [que isso não existe].

A educação, de fato, filosófica, visa ''apenas'' uma melhor compreensão da realidade que, inevitavelmente, resulta numa diminuição de intensidades instintivas ou subjetivas, isto é, de preconceitos e fanatismos. E, não busca ''agradar'' lados.

Direita, volver

Também existem ideologias conservadoras relacionados à questão racial ,hoje, chamadas de ''racismo científico'', e que, pra variar, são distorções, essencialmente iguais às progressistas. A diferença é justamente essa, a ênfase exagerada nas diferenças entre os grupos humanos, algo comum, padrão, entre os conservadores, de categorizar as pessoas dentro das identidades que estão mais latentes nelas, distanciando-as em relação às identidades mais universais [somos todos vida; indivíduos], que as unem. No caso das raças humanas, os conservadores, especialmente os de extrema-direita, ''de raiz'', exacerbam as diferenças entre elas, com o intuito de se estabelecer hierarquias de supremacia, desprezando uma série de fatos, tal como a cadeia de eventos únicos que resultaram nessas diferenças, e que não podem ser definidas como ''demonstrações do talento ou da supremacia de um grupo racial'' e mais como uma questão de ''sorte'', e, novamente, a existência das identidades universais, comportamentos e médias que diluem de sobremaneira essas diferenças particulares entre as raças e que também valem para outras categorias [classe social; identidade/inclinação sexual..].


Como sempre, pela ideologia, puxa-se muito para um lado ou perspectiva, criando uma espécie de purificação ou filtro da diversidade ou da complexidade de fatos, tal como nesses dois casos de doutrinação em que, se tenta anular as diferenças ou então exaltá-las [anulando, então, as igualdades e/ou semelhanças].

Se já sabemos o que de monstruoso as ideologias conservadoras podem fazer em termos de racismo e preconceitos, também temos que ficar atentos aos problemas graves que podem resultar de ideologias obscurantistas, de natureza progressista, justamente por, falaciosamente, decretarem como intratavelmente errado, tudo o que ''o outro lado'' pensa [assim como o lado conservador sempre fez].

Um adendo interessante é que, enquanto o progressismo prega a igualdade absoluta entre os grupos e as diferenças absolutas entre os indivíduos, o conservadorismo vai pelo caminho oposto, exacerbando as diferenças de grupo e tentando combater a livre expressão de individualidade [de personalidade]. 

sábado, 4 de julho de 2020

Realismo, surrealismo e hiperrealismo



REALISMO

"Sigo apenas os meus instintos. Não distingo o que percebo do que sinto. Mal sei sobre o meu passado e o meu futuro. Vivo o presente, mas o chamo apenas de tempo. O espaço domina minha consciência.. sobrevivência é o que mais sei da realidade"

Nível instintivo de consciência.

São todos os seres vivos não-humanos mas nenhum humano, totalmente.

SURREALISMO

"Sinto mais o tempo do que o espaço. Por isso que eu fujo dele. Me refugio em um mundo de fantasia. Acredito que palavras valem mais que fatos. Eu acredito, e isso me define. Se em deus(eus), eternidade ou ideais máximos. Porque eu entendo menos o que sinto. Eu sei do meu passado, do meu futuro, que morrerei. E a certeza que viverei pra sempre. Eu posso pensar que o dinheiro vale mais que a vida. Ou que a minha classe social define a minha essência. Eu sempre interpreto o mundo por minha ideologia."

Nível idealista/ideológico.

A maioria dos seres humanos.

HIPERREALISMO

"O tempo domina minha consciência. Sou como um relógio, sempre atento à sua rápida passagem. Minhas lembranças são tão fortes quanto o meu presente, assim como a minha ansiedade sobre o futuro. Eu vivo no agora, e sei o que é. Sou melancólico, pois sei que tudo é efêmero, que somos todos iguais, em essência, que não há vida após a morte. Que nos resta viver em busca do amor, do prazer/da felicidade, de aproveitar ao máximo esse sopro de existência. A verdade tem um valor absoluto pra mim.  E o oposto para a mentira."

Nível filosófico.

Predomínio em poucos seres humanos.

* Sempre importante destacar que todos nós expressamos os três níveis. A diferença está em como que se distribuem ou predominam individualmente. Os comparo às diferenças entre tempo e clima. O clima é a sucessão de diferentes estados do tempo que se repetem e se sucedem na atmosfera ao longo do ano em determinada região, enquanto que o tempo é a variação do seu humor a todo momento. Um indivíduo hipotético que é mais surrealista, pode apresentar momentos de maior hiperrealismo ou realismo. Por exemplo, quando é guiado apenas por seus instintos, está expressando um nível comparativamente mais baixo de consciência. Sempre quando pensa sobre verdades "absolutas", que eu prefiro chamar de existenciais, está expressando um nível hiperrealista de consciência. Eu, por ter alcançado ao nível hiperrealista, o tenho como minha normalidade cotidiana.

sexta-feira, 3 de julho de 2020

A irracionalidade humana e a lógica das espécies não-humanas...

Seres vivos não-humanos, em estado saudável em suas faculdades adaptativas, não distorcem (não podem distorcer) a realidade (verdades) que conseguem construir visando a sobrevivência. Por isso que acredito, por agora, que não devam ser considerados como irracionais.Eles estão apenas coerentes com suas perspectivas de adaptação. Seria o mesmo se os seres humanos fossem absolutamente  comparados com seres vivos que voam e, então, denominados como "aladamente deficientes".

A irracionalidade é basicamente uma forma de alucinação, só que extra-sensorial ou intelectual, em que o indivíduo (humano) distorce sua compreensão precisa ou objetiva da realidade, especialmente quando confunde suas opiniões derivadas de suas sensações, isto é, que resultam em suas verdades subjetivas, com o que percebem ou deveriam estar percebendo de factual da realidade. Fanatismo e preconceito são as faces mais importantes da irracionalidade, unicamente humana, se, para ser irracional é preciso ter potencial para ser [variavelmente] racional... O mesmo para o exemplo da capacidade de voar se, para ser "aladamente deficiente", há de se apresentar potencial natural, de espécie, para o voo, que não é o caso do ser humano.

Covid, avião e a irracionalidade humana



Dizem que viajar de avião ou de helicóptero é muito mais seguro do que de carro (ônibus, moto). Ok. O problema é que essa comparação não está completa, porque faltam as estatísticas de sobrevivência pós-acidente, sem falar quanto às diferenças de uso, já que andamos muito mais em veículos terrestres. Outra diferença é o nível de fator humano envolvido já que muitos dos acidentes de veículos terrestres acontecem por pura negligência ou falta de atenção do motorista. Bem, os números nos mostram que as taxas de sobrevivência são logicamente maiores, mesmo no caso de acidentes sérios de carro, moto, etc, e o oposto para os de avião, helicóptero.. Mas, a maioria, muitas vezes por necessidade ou conveniência, se conforma com a metade desta história de riscos e nível de segurança. E isso é irracional, claro.

Muita gente também tem tratado a covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, em curso pandêmico neste ano de 2020 "dc", como menos perigosa do que pode ser, com base em ignorância ou deturpação de fatos.

Do tipo: se a maioria que pega apresenta quadro assintomático ou sintomas leves, sendo potencialmente mais grave no caso de pessoas com comorbidades e idade avançada, eu tenho certeza que não terei complicações...

Mas, enquanto não existirem testes que detectam, com alguma precisão, risco do seu sistema imunológico apresentar resposta exagerada, principal fator de morte da covid, então, não tem como dizer que, se pegar, não acabará numa cama de hospital ou mesmo de chegar a óbito. Eu não tenho bola de  cristal e se quero preservar minha vida, eu preciso seguir a razão e não a intuição de me achar invencível sem ter qualquer prova concreta disso. Na maioria dos casos não ocorrem complicações, mas você só terá certeza do que pode te acontecer se pegar a doença. Sem falar sobre as pessoas, cônjuge, amigos, parentes, desconhecidos que poderiam se contaminar por sua causa e ficarem em estado grave ou mesmo de não chegarem resistir à infecção.

A ilusão ou alucinação intelectual que faz com que as pessoas exagerem sobre a segurança de viajar de avião é a mesma que faz com que subestimem a periculosidade da covid-19.

Na maioria das vezes em que andamos de avião, é seguro. Mas na má sorte de sofrer um acidente, as chances de morrer são muito altas.

Na maioria das vezes, a covid-19 não é letal. Mas, isso não significa que exista 100% de certeza de, se você pegar, seguirá a tendência desta maioria. Nem que o mesmo acontecerá com as pessoas ao seu redor, caso se contaminar e se tornar um vetor.

terça-feira, 30 de junho de 2020

A maneira equivocada como definimos estupidez e o autoconhecimento


Se eu sei que não sei, então, isso é um autoconhecimento, a priori, particular ou localizado.  Se o que eu não sei, e sei que não sei, corresponde a um conhecimento essencial, então, eu ainda posso ser capaz de buscar aprender um pouco mais ou tentar diminuir minha ignorância no assunto.

Se eu não sei que não sei, então, esta que é a verdadeira estupidez, em sua expressão mais universal.

Agora, de novo e concluindo, se eu sei que não sei, a priori, não é estupidez, pelo contrário, porque estou mostrando alguma ou certa compreensão sobre minhas próprias limitações.

Um exemplo inverossímil porém útil: se eu não soubesse que não sei voar e por isso tentasse fazê-lo.

Um exemplo mais realista: se eu não sei muito sobre comportamento humano, mas acredito que sei, a ponto de pensar que sou um especialista no assunto.

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Ainda sobre a irracionalidade como alucinação intelectual.. como que a linguagem interfere na precisão do raciocínio


Existem dois tipos de linguagem que usamos em nosso cotidiano, a conotativa e a denotativa. A primeira é mais metafórica ou figurada. A segunda é mais literal. Por exemplo, em relação à linguagem conotativa eu posso dizer que "Eu tentei puxar conversa com eles". Literalmente falando, não existe como puxarmos uma abstração ou comportamento. Agora, um exemplo de linguagem denotativa: "Eu tentei conversar com eles". É a mesma frase, com o mesmo significado/intenção, mas com uma linguagem diferente.

Esses exemplos não apresentam teor político, ideológico e, portanto, com potencial de causar polêmica nem possível confusão para quem os usa. No entanto, parece ser a regra e não a exceção confundi-las. Vejamos pelos exemplos polêmicos.

"Negros praticam mais crimes"

Esta frase tem um quê de conotativa porque está passando a inverdade de que todos os negros praticam crimes. Não existe o TODOS no início da frase mas está subentendido que sim.

Outro exemplo:

"Brancos são mais inteligentes"

Outra frase em que a linguagem conotativa aparece de modo implícito, porque está afirmando que TODOS os brancos são mais inteligentes.

A linguagem conotativa é fundamental para as artes e também visando à diversificação de como se fala/escreve. O problema é quando é usada ou preferida à denotativa para delinear raciocínios que exigem precisão descritiva e analítica.

Religião/mitologia???

"Deus irá te ajudar"

"Deus quis assim"

O "pensamento mágico", que pode ser perfeitamente considerado uma variante do que chamei de alucinação intelectual,  parece partir justamente desta confusão entre linguagem conotativa e  denotativa em que o sentido figurado substitui o literal reforçando a crença nessas afirmações distorcidas ou aquém da realidade.