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segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Por que a inconformidade é considerada patológica??


Resultado de imagem para camuflagem

Conformidade ao ambiente social ou natural é praticamente o mesmo tipo de conformidade, e também pode ser considerada como uma forma de camuflagem especialmente em relação a predadores. Portanto quanto em maior evidência se está em certo ambiente mais fácil dos predadores te rastrearem e te atacarem. Também pode ser comparado à camuflagem em guerras em que os soldados que estão menos disfarçados serão os mais fáceis de serem descobertos e mortos teoricamente falando.

Novamente caímos nessa encruzilhada entre o idealismo universal ou absoluto da evolução consciente/racional a sábia e a lógica volúvel da adaptação subconsciente em que se camuflar dentro da conformidade ao ambiente seja de modo literal ou indiretamente literal como no caso da conformidade social, se constituirá no comportamento adaptativo mais comum e eu diria mais, essencial, se toda adaptação parte do princípio da camuflagem ou espelhamento conforme/aderente ao ambiente. Em compensação o princípio da razão muitas vezes seguirá caminho oposto à dança das cadeiras que se consiste a adaptação, ao evidenciar-se por sua ênfase na idealidade ou, ao invés da conveniência prática e pragmática/lógica às exigências ambientais "de momento", principiar-se pela factualidade/fatos/realidade poli-ambiental, o contrário da adaptação/compreensão parcialmente factual de uma realidade 'uni'-ambiental, de apenas um ambiente, conhecendo-o, e especialmente ele. A razão posta-se ao lado de todo este esquema pré-montado e enquanto que mostra grande qualidade perceptiva, diga-se, existencialmente perceptiva, assim como também ao revelar grande potencial de vantagem rente aos seus ''algozes'' subconscientemente conformativos, também põe-se em grande risco ao negar a internalização e posterior emulação "do" ambiente, via conformidade ou adaptação/submissão ao mesmo, e portanto pondo-se em franca evidência aos olhos do infortúnio sendo que geralmente o mais comum dele será o predador.

Isso explica o porquê dos dissidentes políticos nas sociedades humanas sempre tolas até esta data serem ou representarem o caminho e os desafios da razão ao prostrarem-se corajosamente em desafiadora evidência ao monstro-ambiente ao invés de baixarem a cabeça, internalizarem ou aceitarem absurdos e submetendo-se aos seus comandos. 

E no mundo natural esta rebeldia ao temperamento sempre inconstante da natureza e da conjugação de mudanças seletivas com as formas e expressões dos organismos costuma ter como potencial resultado a própria capitulação rente ao faro, e a partir de então visão clara dos predadores sobre as suas presas rebeldes. 

Poderíamos dizer que racionalidade à sabedoria consistem-se também na manifestação característica da ousadia e da coragem por não se sujeitarem facilmente às ordens brutas dos energúmenos de sempre que estão como sempre, urubus no topo das hierarquias sociais humanas. 

Por que os inconformistas são muitas vezes patologizados pelos conformistas??

Porque o não-conformismo claramente também significa deixar-se em evidência para os predadores da situação, uma espécie de ''loucura naturalista''. Esta analogia em partes explica ou reforça o caráter humano, naturalmente transgressor às leis da vida subconsciente.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Monty Python, por que eles acham graça?

Recentemente eu vi um documentário sobre o seriado humorístico inglês dos anos 70 de grande sucesso Monty Python e sua odisseia para conquistar o público americano. Durante este documentário três tópicos centrais foram conclusivamente determinados: a qualidade superior do humor feito pela trupe britânica, o seu contraste em relação ao humor tipicamente americano (conservador) da tv dos anos 70 e o ''fato'' de que para "entender" as piadas do seriado é necessário "ser mais inteligente"

Eu já tinha ouvido falar do grupo ainda na faculdade por meio de alguns dos meus colegas mais nerds. Meus irmãos também já comentaram positivamente sobre o seriado.

Depois de ver o documentário eu passei a me perguntar sobre o quão objetivamente verdadeiro poderia ser a tal qualidade sofisticada do humor desses comediantes britânicos  e precipitei-me conclusivamente ao constatar que, se a plateia do Monty Python tende a ser mais inteligente (ou que tende a atrair uma maior proporção de "mais inteligentes") então o humor que produziram não poderia ser, logicamente falando, de menor qualidade, e que o mais provável é que seria divertidíssimo e definitivamente inteligente. 

Então eu resolvi assistir alguns episódios e pra minha surpresa eu não consegui achar qualquer graça. Pra fazer um julgamento pessoal ainda melhor eu pretendo ver outros episódios mas é aquela situação porque quando gostamos de um programa humorístico tendemos a fazê-lo logo de início, uma espécie de paixão à primeira vista. Parece haver um quê de personalidade influenciando em nossas predileções para o humor e que tendem a resultar em diferenças culturais marcantes neste aspecto. 

No entanto chamou-me a atenção esta relação entre maior capacidade cognitiva e Monty Python, especialmente entre os tipos mais nerds. Talvez eu mude de opinião se o placar de episódios em que consegui achar graça saia do zero e empate com os três que até agora assisti. Achei o humor da trupe do Monty Python ao contrário da suposta sofisticação ou humor inteligente, tão alardeado por seus fãs, bastante bobo, um termo que até agora está sendo mais do que adequado. 


O choque e a decepção foram tamanhos que até cheguei a pensar se tal como a arte moderna ou a pseudo filosofia que predominaram no século XX o seriado também não fizesse parte destes jogos mentais em que por conformidade e propaganda acabou-se criando uma armadilha para os mais tolos e pasmem ou nem tanto, para muitos dos inteligentos, isto é o cognitivamente inteligente só que sem maiores atributos qualitativos que o faça minimamente sábio. Em palavras mais certeiras, se este seriado também não fosse mais um desdobramento da metáfora da nova roupa do rei. Isto é, da mesma maneira que muitos se convencem do valor de um quadro apenas pela fama midiática do seu autor, sem analisá-lo de maneira objetiva e imparcial, eles também podem ser enfeitiçados a acreditar que Monty Python é aquele tipo de seriado de humor sofisticado que apenas os 'inteligentes' podem entender. [E o mesmo para boa parte do marxismo acadêmico e muitas de suas invenções excessivamente abstratas.] Será possível???

Objetivamente engraçado...



Se Chaves e Chapolin tivessem tido mais episódios com piadas inéditas eu aposto que faria ainda mais sucesso. É difícil entender quem não consegue gostar desses seriados. É claro que devem existir outros fatores que nos fazem mais simpáticos a certos seriados do que a outros. Por exemplo, eu sempre assisti Chaves e Chapolim desde muito novo. E sempre achei engraçado. Eu acho que tenho bons argumentos para usá-los como exemplos de humor objetivamente qualitativo


A trupe de Bolaños produziu uma mistura heterogênea de diferentes tipos de humor, da comédia pastelão ao humor realmente inteligente. Ainda que ofensivo (quase todo o tipo de humor é invariavelmente ofensivo) as suas qualidades sempre prevaleceram fazendo de suas costumeiras ofensas um atributo mais secundário do que primário. Todos da vila tem apelidos, tem momentos de piadistas assim como também de alvos de tiradas inteligentes de outras personagens. O humor de Chaves e de Chapolin é fulminantemente entendível mesmo que muitas das piadas possam apresentar datação. Uma das principais críticas a esta obra prima da comédia mundial tende a se relacionar com o fato de ser repetido, mas mesmo os poucos episódios que foram comprados e dublados são muito bons. 

Nos três episódios que vi até agora do Monty Python eu não vi qualquer sofisticação humorística. Por exemplo, em um dos episódios que vi, um homem está em uma suposta entrevista de emprego. Não achei graça nas exigências sem pé nem cabeça feitas pelo entrevistador. Não achei graça no acato das exigências esdrúxulas pelo candidato à vaga de emprego. E também não achei graça no desfecho do episódio. Em compensação é difícil não achar graça em um episódio inteiro de Chaves ou Chapolin. Esbocei uns sorrisos tímidos no episódio da ''piada mais engraçada de todos os tempos'' mas não foi por qualquer sofisticação intelectual embutida até porque, creio eu, não tinha qualquer uma, mas justamente pelo componente pastelão ou diretamente ridículo. 

No documentário que assisti foi dito que para gostar (achar graça) de Monty Python era necessário ser " mais inteligente''. 

Quanto mais e mais eu tento lembrar de minhas sensações assistindo aos três episódios, e as piadas tolas, mais eu suspeito de que Monty Python mais se pareça com o marxismo acadêmico, com a arte e a filosofia modernas e com a nova roupa do rei porque apenas os inteligentos que podem rir, entender e ver quão bela é a nova vestimenta de vossa majestade.


Atualização: assisti até agora a cinco ou seis episódios e ainda que tenha aumentado a frequência de sorrisos, isto é, que tenha encontrado alguns momentos timidamente engraçados, o meu placar de ''episódios inteiramente divertidos'' continua zerado. 

Por que ELES acham graça nisso* E por que eu não acho*


Eu procurei e até agora não encontrei aquele espetáculo de humor inteligente tão alardeado pelos aficionados de Monty Python. No entanto eu consigo perceber muito humor inteligente no Chaves e no Chapolin, dois seriados mexicanos de mesmo elenco e produção, de baixo orçamento, com cenários de papelão, tecnologia surpreendentemente avançada para a década de 70, extremamente populares na América Latina e diametralmente impopulares entre os auto-declarados ''intelectuais'' da região. Na verdade uma das razões para gostar tanto dos dois seriados mexicanos é justamente pelo fato de estarem salpicados de tiradas espertas que a maioria das pessoas podem entender. O humor inteligente não é exatamente aquele que encontra-se ao alcance apenas de uma pequena parcela da população, mas essencialmente aquele que não se limita a ofensas de baixo calão, uso de recursos proto-pornográficos ou mesmo ''bizarros'', por exemplo, de atores anões ou com qualquer outra ''anormalidade' assim como também da pura comédia pastelão, onde sobram tortas na cara. Claro que a dublagem sensacional contribuiu consideravelmente mas mediante a legião de fãs de todas as idades que a trupe de Bolaños usualmente reúne em toda América Latina é complicado pensar que sem a dublagem brasileira, para nós, seriam menos engraçados. 

Eu não achei qualquer graça significativa, natural e constante nos cinco ou seis episódios que vi até agora do seriado britânico. Eu me convenci precipitadamente que morreria de rir e o que tive até agora foram apenas sorrisos, ainda longe de poderem ser denominados de ''risadas''. Eu rio das mesmas piadas de Chaves e Chapolin desde que me conheço por gente. A dublagem, a atuação impecável dos atores, muitas vezes valem mais a pena que a piada em si. E no entanto, as piadas costumam ser excepcionais. O sarcasmo esperto que encontro em ambos os mexicanos eu não consegui identificar até agora em Monty Python

O absurdo não me é tão bizarro assim a ponto de ser divertido. Talvez para tipos mais formais seja divertido. O simples ato de fazer palhaçadas como caras ou sons estranhos, geralmente, não é suficiente para que caia no chão de tanto rir. 

Muitos dos meus colegas nerds, assim como também os meus irmãos, devem ter achado engraçado o episódio que relatei, da entrevista. Basicamente uma comédia pastelão, uma bizarrice fomentada em um ambiente que a priore visa emular com perfeição uma situação absolutamente corriqueira e formal de nosso cotidiano tecnocrático, uma entrevista de emprego. 

Agora pouco eu vi o episódio sobre preconceito. Teve momentos engraçados, mas que não foram suficientes para que saísse finalmente de sorrisos esboçados e disparasse a rir. 

Vou continuar assistindo novos episódios, mas até agora eu vi pouco do tal ''humor inteligente'' espetacular que os aficionados pelo seriado britânico tanto falam. 

Portanto como conclusão pessoal, até agora, eu não vi qualquer espetáculo de humor inteligente que os fãs de Monty Python tanto falam. Em compensação eu cresci rindo destes tipos de piadas muito espertas e simples dos seriados mexicanos Chaves e Chapolin, que são da mesma época que o Monty Python, e que costumam ser tão odiados pelos auto-declarados ''intelectuais''.


''Eu prefiro morrer do que perder a vida''

''Não existe trabalho ruim, ruim é ter que trabalhar''

''Você é tão burro que até te confundem comigo''

''Seu Madruga, é verdade que o senhor sabe fazer papel de animal**''

e tantas outras...

Talvez, Monty Python seja mais uma ''extrema sutileza qualitativa'' de ''gênio'' que apenas os ''mais inteligentes'' podem ver.

Tal como a plateia americana no primeiro programa de relevância nacional que a trupe britânica se apresentou, eu não consegui identificar o humor definitivamente inteligente neste seriado.

Será que eu sou muito estúpido*

Enfim, continuarei a ver mais episódios...

Quem sabe eu não me redimo daqui a um tempo*!





sexta-feira, 4 de março de 2016

Conformidade não é estupidez em termos evolutivos e a continuação dos 3 tipos fundamentais de inteligência



A universidade ''nos faz mais burros'' *** Ou é ela que seleciona certos sociotipos humanos em detrimento de outros**

Menos de observadores, mais de trabalhadores...

E o conflito transcendental entre evolução (percepção progressivamente expandida e geneticamente compartilhada) e 'adaptação'' (conformidade e manutenção do status quo evolutivo)

Os trabalhadores nascem predestinados para atenderem ao chamado de suas formas, bio-variáveis ou arquiteturas cognitivas específicas, assim como acontece com os outros sociotipos. Eles são melhores, em média, para memorizar informações não-pessoais e de utilizá-las em suas especificidades enquanto mantenedores sociais. Um sociotipo trabalhador que tiver aptidão para a memorização de informações de natureza verbal, será mais propenso a se ''especializar' em alguns dos departamentos acadêmicos das ciências humanas. O trabalhador é um ser paradoxal porque ao mesmo tempo em que tende a dissociar o pessoal com o profissional, a sua psicologia e portanto, a sua ''filosofia específica'' ou transcendência, encontrar-se-á substancialmente relacionada com a sua função social. Ele não nutre uma paixão interna, introspectiva, em relação às funções que lhes são mais cognitivamente íntimas, mas o seu trabalho será um critério central de como que entende, que percebe o mundo

Os gênios podem ser de trabalhadores (geralmente de cientistas altamente talentosos), de manipuladores (geralmente de políticos ou líderes sociais) e de observadores (filósofos e líderes sociais genuinamente empáticos), assim como também serão obviamente propensos a se expressarem a partir de combinações de um dos 3 sociotipos propostos.

As universidades estão desproporcionalmente abarrotadas de sociotipos trabalhadores, não apenas porque tem preferência por este tipo, mas também porque em todas as sociedades humanas escasseiam uma grande proporção de manipuladores e de observadores, e especialmente aqueles que forem muito talentosos.

A função do trabalhador não é apenas a de memorizar informações não-pessoais e replicá-las em escalas geralmente pequenas de impacto (e que farão toda a diferença em larga escala ou a nível coletivo), mas também a de socializar as diretrizes culturais por meio da conformidade, isto é, quem é bom apenas ou especialmente para memorizar, geralmente, não será bom nem para manipular nem para observar. Se não pode entender profundamente a realidade então será fortemente propenso a ser ou a se tornar um consumidor de transcendências, especialmente aquelas que melhor se adequarem às suas carapaças existenciais. O consumidor é dependente do criador. A relação de dependência é assimétrica porque o criador, ao produzir os produtos de consumo, se tornará mais dominante e imprescindível para alimentar aquele que lhe for mais dependente.

Portanto não é paradoxal termos uma gorda fração de estudantes e professores universitários, portadores ''de'' ''altos qi's'', comprando toda a sorte de bobagens ideológicas, de todo o espectro político, porque afinal de contas, a maioria deles não serão de observadores ou de manipuladores, ainda que tais características coexistam em todos nós, com o diferencial da proporção individual de cada uma delas. Aqueles que correspondem reciprocamente às diretrizes e tarefas que são produzidas pelo sistema educacional (hierárquico) serão em sua maioria de trabalhadores de alto funcionamento. 


A relativa redenção da conformidade


Para maioria dos sociotipos de observadores e de manipuladores, a conformidade se consiste em uma clara fraqueza de caráter que encontra-se perene/aderente às massas de trabalhadores. Apesar de estarem consistentemente corretos sobre esta máxima, há de se buscar também pelo valor evolutivo de certas atitudes que são menos nobres e intelectualmente corretas. E uma delas é justamente a conformidade. 

Em termos evolutivos gerais, isto é, não apenas em termos biologicamente evolutivos, mas também em termos culturais, transcendentais, a conformidade encontrar-se-á nos últimos degraus da decência e inteligência humanas. No entanto, esta é uma constatação advinda de uma perspectiva especial, isto é, de observadores, mas também de manipuladores astutos, que diga-se de passagem, tendem a comungar astutamente os dois extremos de perspectivas, do observador e do trabalhador e se aproveitarem das fraquezas dos seus ''subalternos naturais''. Se nos colocarmos nas perspectivas existenciais e perceptivas dos trabalhadores, nós perceberemos que se conformar, muitas vezes, será muito mais vantajoso e especificamente inteligente do que fazer o exato oposto. A conformidade aumenta as chances de sucesso reprodutivo, enquanto que a inconformidade reduz o ciclo social de amizades e também de possíveis relacionamentos com potencial para a fertilidade. Quem está a favor da maré, mesmo se for baseada em uma cultura suicida ou auto-destrutiva, ainda assim, colherá muitas vantagens das mais diversas ordens. A partir deste pensamento que eu volto à minha constatação sobre o valor da reprodução e da sobrevivência. O ser humano, acima de qualquer outra razão, está fundamentalmente favorável à manutenção da própria vida, com ou sem descendência. Portanto, independente de uma cultura proporcionar vantagens reprodutivas ou não, o que mais importa para o ser humano é a sua sobrevivência. E a conformidade é uma ''escolha' muito inteligente ainda que a maioria o faça com base em raquítico talento perceptivo ou ''ignorância''.

Ser uma prostituta do sistema tem muitas vantagens.


O conflito transcendental entre a evolução e a adaptação


Todos os visionários da espécie humana e especialmente aqueles que forem constituídos de um temperamento mais filosófico ou uber-holístico, muitas vezes, nos mostrarão com maior ou menor qualidade, o caminho evolutivo que deve ou que pode ser tomado, com a finalidade de melhorar os nossos estilos de vida. Eles estão sempre pensando no amanhã, no futuro, porque o vivenciam dentro de si mesmos. O observador está provido de uma grande resistência psicológica interna e é pouco propenso a se tornar distraído em relação à sua transcendência, enquanto um engenheiro de novas percepções e de vivências. O trabalhador, por outro lado, é justamente aquele que se encontrará mais distraído ou disperso em relação à hiper-realidade, àquilo que realmente importa, por causa de sua constituição naturalmente amalgamada, simples, objetivam porém rasa e evolutivamente eficiente. Metaforicamente falando é como se os tipos ''mais especiais' da espécie humana fossem justamente como os seres vivos altamente complexos enquanto que os sociotipos de trabalhadores seriam como as formas de vida mais simples, e portanto, que são mais fáceis de se auto-replicarem mas também de serem dominadas.

Portanto, nós temos dois tipos diametralmente opostos entre si que são a seus modos, fundamentais para a manutenção e evolução das sociedades humanas e que graças aos manipuladores, encontram-se decididamente atomizados um em relação ao outro e especialmente o trabalhador em relação ao observador.

A evolução quer dar novos e certeiros passos enquanto que a adaptação quer sempre se manter, se conformar, prefere a segurança da mediocridade do que a grandeza de um amanhã mais correto. Dar passos muito longos pode trazer consequências muito negativas. Mas se manter no mesmo lugar, também será muito negativo. Esta caminhada é sempre complicada e ainda mais quando estamos a falar da humanidade. 








segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

A valsa da conformidade como metáfora para "adaptação subconsciente"




Num frenesi de pseudo naturalidade se conformar é entender e seguir o ritmo da dança, "inteligência'... 

Ao salão de gala metafórico, uma legião de dançarinos ocasionais se jogam numa maré de passos marcados, num vaivém de ondas a quebrarem formações rochosas de um luar abençoando paixões estudantis dentre outras estripulias de jovens corações. Conformam-se apenas a repetirem o que os outros estão a prover com seus pés entrelaçados de par em par. Linda é sua estrutura coletiva e viva de sincronização e elegância. Desde o balé amador, que desaparecerá da memória tão cedo quanto o cessar da música de Viena, a monumentos de um espetáculo visual, também grandiosos em sua falta de sentido racional  por suas existências e que resistem à força do tempo tal qual a montanha que resiste ao vento em seu implacável ataque. O ritmo da conformidade dita pirâmides e valsas. Como resultados materiais ou ritualísticos, provam que, pela beleza das aparências, mais vale a conformidade do que a expressão da essência. Selecionar e conformar mediante certo caminho, busca-se por alguma criatividade para depois prende-la no porão e jogar as chaves fora. Qual baile de valsa que seria bonito sem a conformidade dos passos? .. obedecendo a ritmos e convenções estéticas como ao ser que segue o seu instinto, sabendo que se consiste em sua fundamental projeção corporal ou de sua forma ... 

Queremos o equilíbrio e muitas vezes a conformação será a melhor resposta. Se o caos manifesta-se pela constância da inconstância, ainda que também se limite a uma certa conformidade de não-padrões, o equilíbrio e não necessariamente a harmonia, necessitará de/ser uma construção, que reduza uma estrutura de subsistência, à servidão por uma hierarquia de sentido e de função, isto se toda existência expressar apenas aquilo que se conforma.

Neste mesmo baile, não serão todos os convidados que saberão conformar-se a beleza serena e viril dos padrões ali requisitados ou praticamente impostos. Tropeçarão nos próprios pés, olharão para a concentração dos que podem driblar uns aos outros e a si mesmos, enquanto olham pra si próprios e percebem-se distintos, ao menos dentro deste contexto. Notam-se enquanto indivíduos, mas nem todos que não podem seguir o ritmo atuarão nesta liberdade espontânea. Para alguns, esta realidade será dolorosa e ao invés de buscarem por porquês, primeira a mente, encontrarão soluções na melodia de um leve desespero por não serem como os outros e não como a si próprios. Talvez, estejam certos, se tudo faz sentido aos olhos, às formas e expressões particulares, mesmo ou especialmente a ignorância. Querem ser como os que podem seguir o ritmo porque em partes assim se identificam. Mas como defeitos desta conformidade, levam suas vidas numa transcendência em que seguir tais passos será melhor do que renega-los. Não podem mais do que isso e não podemos culpa-los em tudo. 

Do defeito ao despertar, talvez defeito igual mas especial, por perguntar antes de qualquer agir, de buscar sentido como quem busca por verdades. O filósofo nato, não vê como natural e indispensável o ritmo da conformação, porque a verdade não se reduz aos nossos meios sociais e nem é inteiramente genuína onde o transe é regra e a razão é  a exceção. Ignorantes, em suas muitas formas e expressões, verão a realidade e a qualificarão como verdade, de acordo com os seus próprios ritmos de dança e/ou dentro desta conformação coletiva.

Quem não segue o ritmo da multidão, torna-se-á um provável perdedor, desconjuntado, sem ritmo, sem tino evolutivo, para o negócio desta ainda-loucura de sociedades humanas. Serão como a  peças "sem função", contemplando a máquina de hierarquia e vazio de sentido púrpuro ou verdadeiro por sua posição existencial, sem valor aos que o transfere para o vazio material, se não somos inanimados, não deveríamos dota-los como igual, muito menos superior. Dentro destas engenharias maravilhosas, que a efemeridade castiga, cédulas, representam valor, seres representam menos que elas, pois se tudo vai com o tempo, o material, como mera "composição', menos importância terá. A essência é sempre reconhecer o ser muito antes daquilo que produz. É a ênfase na vida.

O despertar é sempre pelo individuo, se tais idiossincráticos são poucos, se ao macro-nível busca-se implacavelmente pelo equilíbrio, pela lógica da sustentação e conformidade, e se apenas nós humanos que podemos sustentar a longo prazo a razão da harmonia, dotada de sentido funcional supra melhorado, intimista e preciso ao invés da vaga subsistência que a natureza nos impele enquanto peças de suas roldanas e não como figuras centrais, mas marginais a sua valsa de displicência.  

Quem mais adaptado a estrutura está, mais "inteligente' será. Mas para ser sábio é preciso sempre se perguntar se tudo isso vale apena...