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terça-feira, 23 de setembro de 2025

Nosso mundo é a alma

 Que todos compartilham 

Um mesmo ponto de luz 
No fim desse túnel, como um horizonte sem fim
Desse caminho de vida 
Esse espaço de consciência 
Essa constante fronteira entre a pele quente e a gélida imensidão 
Entre o coração que bate e os ventos que assopram dizendo sim e não 

Nosso mundo 
Essencialmente igual e indivisível 

Que dividimos pelo corpo
Pelas ilusões materiais e também as abstratas 
Que dividimos por números e palavras 

Que chamamos de casa
De tudo o que somos e perseguimos
Se não a própria sombra sob o sol 
Essa luz, esse mesmo ponto de luz que um dia se abriu para nós 
Quando mal despertamos do primeiro choro 
Do primeiro toque 
E então tocamos o mundo 
E esse é o nosso, nosso mundo 

quarta-feira, 10 de setembro de 2025

O que eu sou é o que somos

 Todos 


Uma carga negativa e uma carga positiva 

A mesma contradição entre destino e sonho 

O mesmo fenômeno de sentir-se 
Como se fosse pra sempre


Até um dia tudo se consumir em um único ato 

Tudo o que sempre somos 

Esses segundos que habitamos 
Esses desafios em que nos esquecemos
Essas memórias que contemplamos
E lamentamos 
Esse espaço em que cremos

Essa única fronteira entre dois mundos completamente opostos 

Entre uma imensidão esmagadora e estéril e minúsculos brilhos intensos de espera e propósito 

sábado, 28 de setembro de 2024

Eu não sou a minha mente/I am not my mind

 Eu sou a minha vontade 

Os meus desejos
A minha satisfação
As minhas alegrias, certezas
Mesmo as minhas tristezas 
Sou a minha reflexão
Não sou o que a minha mente decide sem eu pedir
Não sou as minhas memórias aleatórias 
Os meus pensamentos auto depreciativos 
Os meus sentimentos confusos
Não sou o que não quero
Eu sou o calor da minha esperança 
A teimosia do meu idealismo 
A realidade do meu realismo
Não sou a dor que eu sinto 
A frustração ou o ódio
Não sou feito de ansiolíticos
Apesar de essencialmente imperfeito 
Como tudo 
Não sou o que me puxa para baixo 
O que me aproxima de um precipício 
Eu sou a força que me carrega para frente 
Mesmo o meu otimismo pessimista 
Ou o meu pessimismo otimista
Eu sou o que me faz continuar seguindo o rio escuro da vida 


I am my will
My desires
My satisfaction
My joys, certainties
Even my sadness
I am my reflection
I am not what my mind decides without me asking
I am not my random memories
My self-deprecating thoughts
My confusing feelings
I am not what I do not want
I am the warmth of my hope
The stubbornness of my idealism
The reality of my realism
I am not the pain I feel
The frustration or the hate
I am not made of anxiolytics
Despite being essentially imperfect
Like everything
I am not what pulls me down
What brings me closer to a precipice
I am the force that carries me forward
Even my pessimistic optimism
Or my optimistic pessimism
I am what makes me continue following the dark river of life

O número/The number

 O tempo 

É a minha matemática 
Não os lucros 
Ou dividendos
A única distância 
Via sacra 
Segundos, minutos 
Múltiplos de momentos 
Que se dividem por infinito até o zero 
Que se dividem por um, um, um
Vazio sempre por dentro 
Uma bolha de existência onde é possível viver 
E até se esquecer que não se vive correndo
Ainda que tudo passe tão rápido 
Tão frio como os dias 
Sem frações ou números inteiros 
Sem engenharia ou física quântica 
Apenas a mais simples das contas 
Em que soma a melancolia 
Negativa
E sua geometria de círculos e ciclos que sempre voltam no mesmo lugar 
Nas mesmas perguntas
Sem respostas, quando perguntamos
Até quando? Quanto? 
E com uma régua se volta ao passado 
Por datas, décadas ou anos 
Por aproximação 
Sensações, achismos 
Inexatidão, bruxismo
A doença que tentamos esconder 
O que é tudo isso 
De existir 
De viver

Time
Is my math
No profits
Or dividends
The only distance
Via sacra
Seconds, minutes
Multiples of moments
That divide by infinity up to zero
That divide by one, one, one
Always empty inside
A bubble of existence where it is possible to live
And even forget that one does not live in a hurry
Even though everything passes so quickly
As cold as the days
Without fractions or whole numbers
Without engineering or quantum physics
Just the simplest of calculations
In which melancholy adds up
Negative
And its geometry of circles and cycles that always return to the same place
In the same questions
Without answers, when we ask
Until when? How much?
And with a ruler we go back to the past
By dates, decades or years
By approximation
Sensations, guesses
Inaccuracy, bruxism
The disease we try to hide
What is all this
Of existing
Of living

sexta-feira, 26 de abril de 2024

I wasnt born for this world /Eu não nasci para esse mundo

 Therefore, in the drift I keep

Right in the middle of sea
From its dirty waters
High and murky waves
Useless madness
Constant rage
Dominant cruelty
Clinging to the skirts of the one I love most
Like a cornered boy who forgot to grow up
Who never learned to flap wings and fly
Like a fallen angel
That only add weight to the body
Always fragile
To Desire 
Always so large
Stomping the feet to avoid sink
Without the gifts of an adapted life
Chronically misaligned
Not knowing what a worker's routine is
But knowing from them that it's not easy
Even without the privilege of an illusion
Where the straight line doesnt bends
Without filtering the world
Sipping its salty flavor
Subjected to its bitter mood, heat or cold
Shallow and deep
Living directly
But I survive
Because I got used to the white clouds
With the pleasure of affection
With hunger and thirst
And the satiety of a cycle
With hope always burning
With this so difficult addiction
As if i always reborn
As if it weren't impossible

Eu não nasci para esse mundo

Por isso, na deriva eu continuo 
Bem no meio do mar
De suas águas sujas
De suas ondas altas e turvas
De sua inútil loucura
De sua constante estupidez
De sua dominante crueldade 
Agarrado nas saias de quem eu amo mais
Como um menino acuado que esqueceu de crescer 
Que nunca aprendeu a bater asas e voar
Como um anjo caído 
Que só fazem peso ao corpo 
Sempre frágil
Aos desejos
Sempre fartos 
Batendo os pés para não afundar
Sem os artifícios de uma vida adaptada 
Cronicamente desalinhado
Sem saber o que é a rotina de um trabalhador
Mas sabendo por eles que não é fácil 
Que é injusta
Ainda mais sem o privilégio de uma ilusão 
Em que a reta não encurva
Sem filtrar o mundo
Sorvendo o seu sabor salgado 
Submetido ao seu humor amargo, calor ou frio 
Raso e profundo
Vivendo diretamente 
Mas eu sobrevivo 
Porque me acostumei com as nuvens brancas
Com o prazer de um carinho
Com a fome e com a sede
E a saciedade de um ciclo
Com a esperança sempre ardente 
Com esse vício tão difícil
Como se sempre renascesse 
Como se não fosse impossível

sábado, 30 de março de 2024

Traição

 Desde as primeiras revoluções

A mesma sequência de eventos
A mesma sequência de Josefs Stálins ou Almas Coins

Coin??

De poder, mas dizem que é sobre justiça
De vingança, mas dizem que é sobre verdade

Prometem o que não cumprem
Substituem bodes expiatórios
Querem ser os novos reis e rainhas
A mesma deslealdade
Manipulando as peças do tabuleiro
Sempre o mesmo jogo
Até quando?
Até não haver mais Terra para ocupar e destruir??

O mesmo muro de estupidez e crueldade

''Se não perdem a ternura jamais''
Também não perdem a hipocrisia

Não aprendem

E continuamos presos nesse ciclo vicioso

Se não existem Katnisses Everdeens e suas flechas certeiras
E continuamos com essas trocas de cadeiras, essa mesma política
 
De pão e circo
Café com leite

Ou é um novo Snow ou uma velha Alma
Essa mesma alma que muitos acreditam
Nossa aposta mais cega e cara
Nossa mentira mais dura
E como dura
E como resiste à sabedoria
Sempre criando novas bruxas, heresias...

Se pensando como transcendência
Mas é apenas outro extremismo normalizado

Porque não seguimos em frente
Se o verdadeiro caminho não muda
O único caminho, a reta que um dia encurva
Se é o destino que será esquecido, ultrapassado

Mas não adianta
Porque não agimos com sapiência

E só nos resta lamentar sobre a nossa situação
E a repensar sobre a nossa missão
Que não é salvar o mundo, mas a nós mesmos
Tentando sobreviver aos assaltos de ambos os lados
E ainda ver beleza nesse mundo humano tão complicado, tão errado

quarta-feira, 4 de outubro de 2023

Sol de domingo

 Um momento de existência 

Ainda 35
Sol forte
Ruas vazias 
Perspectivas
Reminiscências 
Eu me olho no carro do vidro 
E vejo quem eu fui 
Outra rua 
A gravidade puxa pra baixo
Amanhã será mais pesado 
Mas o mesmo dia que flui
O mesmo compromisso 
De Ser
Alma nua
Até as pegadas desaparecerem 

Enquanto eu estou sendo
Os meus passos me iludem
O calor, o cansaço e a luz

Saudades do que já foi, 
De tanta nostalgia...

E o esquecimento do que acabei de viver 
Mas de viver nunca me esqueço 

Mais um sol de domingo 
Sempre o agora em que me aqueço

E já é segunda 
A crença em uma palavra:
Destino, presente
Terça...
São dias e noites, retas e curvas, em que eu conto as luas vagas dos meus pensamentos
A ilusão é tão profunda...
Mas também todos os momentos 
Mesmo as alucinações, os personagens que inventamos
Tudo o que somos
A verdade é tão absoluta
Por isso sempre queremos mais

As experiências se fundem em um só caminho
E somos tudo e tudo 
O que vivemos, o que sentimos
Sombra e culpa
Também somos sóis de domingo,
Guerra e paz

Um momento registrado 
A poesia é a testemunha
O sentimento mais inflamado 
De querer congelar o rio da vida
O ritmo da luta
Porque sempre queremos mais e mais 

quinta-feira, 21 de setembro de 2023

A arte imita a vida

 A somma é o sermão da missa

O crime de pensamento é o politicamente correto

A linguagem neutra é a novilíngua
A Coreia do Norte é Oceania
Os EUA é uma Roma antiga
Com os seus prédios feios e modernos

A razão é uma heresia
Tal como em Demônios da Loucura

E os novos Galileus continuam a formar longas filas
Menos como mártires da verdade e mais como astrônomos da culpa

O Sol gira em torno da Terra
Vacinas matam mais que pandemias
Apocalypse Now

É o capitalismo que salva vidas
Antes de salgá-las com preços nas costelas do curral

E Adão é um sodomita
Preferiu a cobra do que sua mulher Evita
Maçã vermelha e virginal

São as colheres que dobram e é aquela pedra azul e radioativa
que brilha como um maldito cristal

Se é Uri Geller ou Yuri Gagarin
No Show de Truman
São as nossas mentiras
É a arte imitando a vida
É a loucura humana que não parece ter final

quinta-feira, 24 de agosto de 2023

Se na lua Europa tem vida

 Também tem ilusão, melancolia??

Também tem instintos, emoção, células que se multiplicam?? 

Também tem evolução, crueldade, intrigas?? 

Ou se não existe essa doença, e busca por sua cura
Ou extinção 

Se essa Lua é mais sortuda
Que os caçadores das esferas do Dragão
Que os torcedores da seleção de Singapura

Se na lua Encélado tem a mesma ferida
Que nós somos, loucura 
Que em nós, sonhos, procuras, perdidas

sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

6 de janeiro

 As luzes se apagam

E o Natal descansa até o próximo encontro

Mas a vela de esperança continua acesa

Que continuemos por mais um ciclo
Que aprendamos a não brigar por besteiras
Depois de outra briga
De pai e filho

Que o cigarro seja vencido
E o mal desapareça

Que adie o eterno fim de uma vida inteira

Sempre mais um pouquinho
 
Que o dia acorde e nunca anoiteça
Que o amor nos iluda com o seu delírio
Que nos encha com muitas vãs certezas

Que as alegrias escondam a tristeza

Que mais uma árvore seja desmontada
Seguindo o velho rito

E a mesma árvore da vida refloresça 
De novo e até lá

É o que eu sempre peço

quarta-feira, 31 de agosto de 2022

A música

 A música é minha oração, meu refúgio, meu ópio e minha libertação; a música é a minha transcendência e a minha alienação.

A música é um portal, uma droga, um placebo, uma adoração... um espelho do tempo,
Um marco de memórias,
Uma ilha de ilusão...

Lembranças

 Lembranças em cada esquina desta cidadezinha que odeio e amo tanto. Amo as sombras do meu passado que só eu posso ver. De chuvas, manhãs e dias nublados ou ensolarados, que só eu posso escutar, com a alma silenciosa, sentindo saudades de tudo o que já fui e que continuo deixando de ser, todo dia. Eu continuo sonhando a realidade. Tentando ser o mais humano; ser uma régua em um mundo incompreensível e, ao mesmo tempo, tão simples. O Tempo é sempre tão simples...


Lembranças em cada rua desta cidadezinha que odeio e amo tanto. De quando passo em frente ou do lado da escola em que estudei. Teve um dia, numa caminhada, que reparei nas janelas das salas de cima. Pensei que eu já fui feliz e infeliz ali. Que eu já preenchi minha vida com a ilusão de uma escola. Pois eu continuo preenchendo-a com ilusões, distrações deste Tempo tão impossível e cruel...

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Ética ou "perfeição"??


Eles querem 

que fiquemos mais bonitos 

Ou menos feios


Mais altos 

Ou menos baixos


Mais magros 

Ou menos gordos 


Mais saudáveis 

Ou mais alienados


Mais inteligentes 

Ou menos errados 


Mais longevos 

Ou menos rápidos


Mas pra quê??

Até quando??

Até onde??


A ética equilibra o passo

Mas querem a purificação 

Querem se livrar do "degenerado"

Os degenerados que eles também são,

Por que não se olham no espelho??

Mas eles querem a perfeição

Que não existe

Querem negar que o templo é o mesmo

Que o tempo é o espaço 

De um mesmo fim


Querem resistir

Com estilo, 

pompa e circunstância

Com carros voadores 

e uma civilização interplanetária 

Querem continuar na infância, 

brincando de se esconder da realidade que assombra

Com a sua face pálida,

Como se tudo não fosse nada

Apenas uma miragem humana 

de concreto e aço

De cetro e bomba

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Re-cobrando e imantando novamente: o poeta é um escritor apressado. Espectro de ansiedade/serenidade e euforia/seriedade: do escritor, passando pelo poeta, até ao compositor musical

Escritor típico: SERIEDADE maior que a euforia; SERENIDADE maior que a ansiedade;

Poeta típico: SERIEDADE igual à EUFORIA [melancolia]; SERENIDADE igual à ansiedade [plenitude];

Compositor musical/cantor típico: seriedade menor que a EUFORIA; serenidade menor que a ANSIEDADE.

Escritor típico: ritmo lento de vida [obras tendenciosamente grandes e esparsamente expressivas]

Poeta típico: ritmo médio de vida [obras tendenciosamente variadas]

Compositor musical típico: ritmo rápido/agitado de vida [obras tendenciosamente pequenas e diretamente expressivas]

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Ruas vazias

Ruas de pedras, vazias,
Livres de mãos, de olhares, de pernas,
de cabeças, vazias,  
Livres de ódio, de lascívia, de ilusão, 
de almas, vazias,
Ruas e suas curvas, cheias de cheiros, de passos calmos, de um sonho, de um desejo, 
Das janelas, das suas varandas, 
cheiro de ruazinhas, de ruelas, de lavanda,
O sabor das unhas intactas, bem longe, e cá minha,
a ânsia, que não mais me alcança, 
E que descansa, 
E eu onde, quando, talvez,
Ando, por seu vazio,
E contorno a sua morte,
E febril, sem arrepio,
Retorno, 
a sou, a sua sorte, 
Que ninguém viu.

Ruas que varam as ruas,
Num labirinto de solidão,
Num sonho sem sonho, magias, 

Nem a voz, lá assim, que ria, em rouquidão,
Ruas do interior, do meu cobre coração, 
Que eu queria, que eu queria...
Ruas que tocam o sentido,
Em seu vazio,
Ruas vazias, de humanos,
livres de paixão, 
De libido,
Ruas vazias de ruas,
Apenas os riscos, os seus pisos,
Dos meus passos, que ecoam sem emoção,

Do triunfo fúnebre, sem sentido,
Sem ter razão,
Apenas caminho, em meu delírio,
Nas ruas vazias,
Na busca, por uma explicação,
No vazio, busco pelo completo,
Pelo cheio,
Mas no cheiro,
Eu só encontro a solidão.

domingo, 10 de julho de 2016

Servilização e civilização

Civil não é servil
o servil serve
e serve pra ser servil
o civil serve
e serve pra ser servido
como um contrato camarada
trabalha em prol mas também quer um lugar ao sol
o servil é o escravo bem tratado
o civil é protegido
o servil é vigiado
o civil é igual ao patrão,
mas diferente
por estar em outra posição,
só que não é uma pirâmide,
é como um tabuleiro,
em uma mesa horizontal, 
de face lisa,
isto é cooperação,
iguais em estatura,
complementares em ação, 
na cultura da servilização
o vertical torna a um servo
e outro, um capataz,
chamam-no o ''civil'',
e ele, tolamente esperançoso,
crê neste deboche monstruoso,
trabalha muito e ganha pouco,
corre e a frente o ''seu'' queijo,
é usado como energia, 
pega o seu salário pouco,
mas tem muito mais nos bancos,
que pertencem a porcos tolos,
no banco da praça,
inveja a liberdade das asas,
queria sonhar com o céu ao seu lado,
pedalar em cima das nuvens brancas,
cheirar o perfume das árvores,
segurar os raios pelos cabelos,
mas é ''adulto'' e servil,
condenado, dentro de um funil,
e como carne barata, é triturado
o abutre lhe engoliu
morte feia de quem só serviu
de quem nunca viveu
eis a verdadeira face 
civilizado é uma ave rara
aos bandos, são todos servilizados...