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sábado, 25 de julho de 2026

Sobre personalidade, sexualidade, maturação orgânica e mental, e correlatos (minha hipótese)

 O que é a personalidade, sua diversidade e variação de traços?? 

Essa parece ser uma pergunta bem simples que a maioria das pessoas tem a resposta na ponta da língua: de se tratar de um conjunto de características de comportamento que apresentamos (apenas humanos, geralmente excluindo as outras espécies). É como de se dizer o que algo é, de sua natureza, no sentido de essência ou de primeira definição, de origem... Porém, pode ser que a personalidade seja algo mais do que à "si mesma". Pois, neste texto, estou propondo uma hipótese, com base em algumas evidências indiretas, de que a personalidade, mas especialmente sua diversidade e variação de traços, não são apenas características comportamentais, que também são, exatamente no sentido de definição de origem, ou essência, uma variação do nível de maturação ou de desenvolvimento ideal de um ser humano. 

"Ideal" mais no sentido de funcionalidade básica que preencha os critérios mais elementares, relacionados a um contexto evolutivo e adaptativo, que explicarei um pouco mais embaixo...

De que: os próprios traços de personalidade, uns mais que outros, e perfis individuais com base no nível de intensidade ou expressão dos mesmos, também são reflexos de variação de maturação. É claro que uma definição mais evolucionista, e eu diria mais, adequada, para a personalidade "humana', é de um conjunto de comportamentos, instintos e emoções primária e predominantemente intrínsecos, de natureza reativa e com funções adaptativas. Mas aqui o mais importante, novamente, não é sobre definir a personalidade em si, mas de sua própria natureza, do que seria ou expressaria originalmente, se não é errado, ainda que possa parecer incompleto ou insuficiente, aplicar-lhe tanto o primeiro conceito acima, quanto o conceito evolucionista...

Sobre o nível ideal de maturação 

Todas as espécies, incluindo a humana, apresentam um ciclo de desenvolvimento e um padrão variavelmente restrito de comportamentos, do nascimento até à morte. E todas elas apresentam uma espécie de "script" de desenvolvimento ideal em que, pelo qual, seus corpos e mentes (ou análogo a isso) passam por fases de maturação até atingirem o ápice de performance de comportamentos úteis e necessários para sobreviverem e se replicarem. Nascem, crescem ou se desenvolvem, atingem a maturidade orgânica, em que passam a ser capazes de se reproduzir sexualmente. Claro que aqui me refiro primariamente às espécies sexuadas... 


Comportamentos, ou a personalidade, na verdade, também fazem parte da inteligência, mas seriam mais como os seus aspectos reativos, enquanto o que habitualmente chamamos de "inteligência" seriam os seus aspectos de percepção ou cognição e de aprendizado. Então, por exemplo, desde a capacidade de um pássaro, de lançar voo, de identificar e se proteger dos seus predadores ou concorrentes e até à sua capacidade de procurar por um parceiro do sexo oposto para constituir um enlace reprodutivo e afetivo, denotam um conjunto de comportamentos maduros, que pássaros que não atingiram a maturação orgânica completa ou ideal, ainda não são capazes de performar. Imagine agora que não são apenas esses animais que cientistas humanos observam no meio natural, que nós também apresentamos níveis de maturação comportamental, assim como uma variação de maturação?? E que essa variação pode ser percebida ou se refletir psicológica e cognitivamente?? Que pode ser a própria personalidade??  

Têm existido forças civilizatórias fortes que, ao longo de muitas gerações, geraram pressão para a seleção e o predomínio de certos tipos humanos capazes de se adaptarem em ambientes socialmente complexos. Essa pode ser uma justificativa para que não apliquemos em nós mesmos certas observações que cientistas têm feito sobre o "mundo animal" ou "natural". Se é lógico que um humano variavelmente civilizado não é exatamente idêntico a um animal não-humano vivendo no meio da floresta ou de uma savana, ainda que um ser humano pertencente a uma tribo que está em maior contato com o meio natural possa ser mais comparável, isso não significa que não possamos ou que não devemos nos aplicar as mesmas lógicas que percebemos em outras espécies. 

Claro, sem o risco de se cair em uma falácia animalista: sem que essa comparação se torne uma tentativa de equivalência absoluta... 

E uma dessas lógicas é a existência, primariamente universal, e então adaptada aos contextos específicos de cada espécie e suas trajetórias evolutivas, de um "script" ideal de desenvolvimento orgânico, incluindo o mental, de maturação e de comportamentos. Não confundir esse "ideal" com os ideais filosóficos ou morais, mais avançados, que costumamos ter em mente. Não estou tentando tirar-lhes suas razões, especialmente os idealismos que produzimos ou acreditamos e que não são irrealistas. É apenas de sublinhar que eles não são, a priori, importantes para entender a hipótese que estou propondo. 

Então, tal como no exemplo de uma espécie de pássaros, um ser humano adulto, em condições normais, e eu digo mais, ideais, deve apresentar as seguintes competências essenciais: identificação de riscos e/ou auto proteção; de adaptação ao seu meio (social) ou auto-gerência do próprio comportamento (que também seria de contribuir à sua comunidade, se tratando de uma espécie social como a nossa) e de capacidade de procurar parceiros do sexo oposto ou reprodutivamente compatíveis para gerar descendentes. Independente se o faça em uma cidade como Nova Iorque ou na zona rural do agreste nordestino, ou mesmo entre os de uma tribo amazônica com pouco contato de fora. E os traços de personalidade e a intensidade com que os expressamos podem ser pistas do quão aquém, além ou idealmente estamos quanto a esses marcos de óptimo comportamental (adaptativo e evolutivo). Para isso, vou usar como exemplo os traços de personalidade dos Cinco Grandes, uma tipologia de personalidade que mais tem sido replicada cientificamente...

Evidências indiretas a partir de traços de personalidade 

Existe um conjunto de traços dos Cinco Grandes que mais se destaca para ser usado como exemplo de nível de maturação, permanente ou transitório. É a abertura para a experiência. Por ela, nos referimos mais ao nosso "mundo interior": da imaginação, do pensamento e da busca por experiências ou novidades (tudo aquilo que buscamos sentir por nós mesmos, incluindo experiências concretas, como de sair para caminhar ou viajar). São níveis motivacionais ou de engajamento, geralmente o que são os traços de personalidade. Então, existe uma variação de intensidade desses traços e também entre nós mesmos, individualmente e por grupos. Aqueles que são mais expressivos na abertura para a experiência, geralmente estão mais engajados em experiências ou atividades relacionadas com o pensamento, o sentimento e/ou apreciação estética, e com a busca por outros tipos de sensações. Interessante que, por ser um construto psicológico, reúne tipos que podem ser díspares entre si: do mais inclinado ao raciocínio, como também do mais artisticamente inclinado, até àquele que é mais aventureiro e busca por experiências de natureza física, ou mesmo por experiências de natureza sexual... Esses indivíduos seriam comuns entre os mais destemidos para explorar "novos' campos, ou emergentes, de ideias e atividades humanas. Mas, como dito logo acima, ainda não dá para afirmar que são todos muito parecidos entre si, se é possível termos desde um nerd pouco atlético que passa a maior parte do seu tempo engajado em atividades de apelo intelectual até àquele aventureiro de corpo torneado que está constantemente desafiando seus limites. Ainda tem o "mais artístico" que, ainda que se assemelhe ao mais intelectualmente estimulado, definitivamente não tende a ser igual a ele (sem desprezar que certos tipos de artes são como modalidades esportivas). Um último adendo nessa conversa em particular é que existem tipos que expressam, intensamente, mais de um traço da abertura para a experiência e pode ser que o artisticamente inclinado seja, em média, aquele que também mais apresenta essa expressividade múltipla, específica ao construto em questão... Mas independente de qual tipo estamos falando, especialmente os que expressam níveis mais altos de imaginação e busca por novas experiências, seriam os mais imaturos em um sentido comparativo com o típico adulto humano. Porque, e não apenas entre nós, humanos, um marco de maturidade de comportamento é a capacidade de aprender e/ou adotar conhecimentos e comportamentos úteis à sobrevivência ou adaptação, e também tende a significar em: adotar conhecimentos e comportamentos considerados seguros ou conhecidos e evolutivamente utilitários, também no sentido de se restringir quanto aqueles que não estão consolidados por um senso comum mais ancestral e/ou que também oferecem riscos à própria vida. 

O típico ser humano adulto, ou amadurecido, seria menos imaginativo, menos intelectualmente estimulado e menos aberto a novas experiências, se ele já apresenta outras prioridades em sua vida: se adaptar ao seu meio social, se proteger dos riscos ou perigos e buscar por parceiros do sexo oposto para gerar descendência. E todas essas funções demandam muito tempo e esforço, especialmente a adaptação que é um processo constante que dura a vida toda. Não é que a imaginação ou a apreciação estética seja ruim, ou uma maior expressividade intelectual, ou um maior engajamento por novas experiências. Todos têm o seu valor evolutivo e histórico ou cultural, especialmente quando são performados com um objetivo útil à sociedade, mas que também não descambe de maneira problemática para o próprio indivíduo. A criatividade e a racionalidade são de extrema importância para a evolução humana. O mesmo em relação aos comportamentos que nos ajudam a não temer as estrelas, no caso de humanos extraordinariamente corajosos que foram os primeiros a se lançarem em altitudes jamais imaginadas. E os que continuam a buscar por esse caminho. Novamente, esse texto é principalmente sobre o que nos é mais básico e importante, não sobre o que nos é extraordinário. Ainda assim, entre o extraordinário e o básico, também existe o disfuncional, aquele nível em que, se não consegue cumprir com um, também não consegue alcançar o outro, e se prostra em um espaço de incongruência, nesse caso, tanto de comportamento quanto de excesso; que se desdobra como uma disfuncionalidade, amparada ou mascarada por parafernálias institucionais, culturais e tecnológicas, ou mesmo se degenerando a tal ponto que nem mesmo tais amenidades conseguem compensar... Esse é o caso de quando esses traços de abertura para a experiência são expressados de maneira excessiva, se tornando disfuncionais (explícita ou implicitamente) aos indivíduos afetados. E especialmente eles, que escolhi primeiro e principalmente para usar como exemplo e evidência possível, se são mais comuns entre crianças e adolescentes: mais imaginativos, abertos a novas experiências e inevitavelmente mais estimulados a pensar sobre um mundo que estão apenas conhecendo ou que ainda não conseguem ter uma compreensão mais segura. Pois parece que aqueles humanos adultos que estão excessivamente expressivos nesse conjunto de traços, ou mais em um deles, tendem a apresentar, pelo menos nessas primeiras décadas de século XXI, comportamentos que indicam uma maior imaturidade (em um sentido tradicionalmente adaptativo e evolutivo): de como se vestem, pensam e interagem ou reagem. Mais propensos a adotar roupas típicas de adolescentes ou mesmo mais infantis. Gírias ou modos de falar igualmente e excessivamente juvenis... Mais propensos a apresentar grande imaturidade emocional e intelectual: de não conseguirem tolerar opiniões discordantes; de não conseguirem sobrepujar suas próprias opiniões e impressões para aceitarem fatos ou verdades "inconvenientes"; de não conseguirem lidar com a frustração e de sentirem uma necessidade de serem amparados ou protegidos pelos outros, ao invés de também se engajarem em comportamentos de auto defesa e autonomia; de apresentarem uma desproporção de crenças, ideias ou pensamentos simplórios ou factualmente distorcidos que confirmam seus sentimentos ao invés de serem embasados, isto é, com base na razão aplicada na prática. Excessivamente enviesados em seus próprios mundos... Mais propensos a serem ingênuos, teimosos ou arrogantes, imprudentes e/ou inconsequentes de suas próprias ações mesmo se não apresentam má intenção quanto às mesmas. Enfim, tendem a se comportar como crianças mimadas, muito sensíveis, ou como adolescentes enjoados, mesmo se já passaram dessas fases... Como crianças ou adolescentes em corpos amadurecidos. Eis aí a minha hipótese com uma possível evidência indireta, se como nos comportamos e, a longo prazo, reflete diretamente como funcionam nossas mentes ou pelo menos as partes mais envolvidas em determinado comportamento. E se esse ou aquele comportamento não seria funcional em um cenário mais natural de adaptação, ou que só é tolerado por estar sendo performado em um ambiente muito complexo, então, pode ser possível estabelecer um paralelo entre nível de funcionalidade comportamental com base em traços de comportamentos, e em como eles são expressados, e nível evolutivamente ideal de maturação. Pois mesmo que um cabelo verde ou uma tatuagem estranha não sejam indicadores absolutos de disfuncionalidade ou imaturidade mental, permanente ou transitória, definitivamente são indicativos iniciais de que podem expressar algo mais generalizado do que apenas um gosto incomum, ainda que os citados tenham se tornado variavelmente populares desde a última década...

Em relativa oposição ao traço da abertura para experiências, a conscienciosidade se consiste em um conjunto de comportamentos mais intimamente associados com a maturidade, como a responsabilidade e a disciplina; como um conjunto de traços que expressa aspectos mais diretamente relacionados com funções essenciais à consciência e ao comportamento funcional ou evolutivamente inteligente: atenção, percepção, memória... Indivíduos mais expressivos nesses traços tendem a ser mais responsáveis por suas próprias ações, disciplinados e objetivos. Tendem a ser mais formais e/ou tradicionais em seus comportamentos. E isso também indica que tendem a ser mais maduros do que aqueles que se engajam mais com o seu "mundo interior". Mais adaptáveis, funcionais, ordeiros, honestos... Mas também conformistas e obedientes. Conformistas especialmente em relação à cultura que mais os apetece, que expressa seus valores. Ainda assim, por serem tão adaptáveis, tendem a se conformar em silêncio mesmo quanto a mudanças sociais com as quais discordam. Também podem estar, especialmente os mais moderados na expressividade desses traços, mais propensos a adotar essas mudanças, se adaptando pragmaticamente, mas ainda seguindo uma linha lógica ou coerente. São como se fossem humanos que evoluíram diretamente dos meios mais naturais em que os primeiros de nossa espécie habitavam, e que encontram-se, agora, adaptados aos meios culturais mais complexos. São como espécies generalistas, se adaptam fácil, até pela grande demanda por suas competências. Tendem a buscar por um modo ou ciclo de vida tradicional: quando se tornam adultos, buscam por um emprego para o próprio sustento, se adaptar ao seu meio de maneira funcional e a buscar por parceiros reprodutivamente viáveis ou do sexo oposto, muitos já com o intuito ou naturalmente concebido de gerar descendentes. Ainda que ondulações sociais e econômicas possam forçá-lo a adiar ou mesmo a evitar a constituição de família. Também tendem a demonstrar uma certa capacidade, primariamente intuitiva, mas certamente cognitiva, de detectar riscos à sua vida. Enfim, são essa maioria variável de indivíduos humanos que sustentam sociedades e comunidades. Claro que não são perfeitos em tudo. Um excesso de conscienciosidade pode tornar um indivíduo pouco criativo ou muito conformista. Algumas combinações com outros traços podem ser mais benéficas ou o oposto para o mais consciencioso (como os traços da própria abertura para experiências). O que parece notório é que esses traços, ao expressarem comportamentos associados com a maturidade, também podem refletir aspectos mentais, ou cerebrais, igualmente atrelados... 

Em relação aos outros traços dos Cinco Grandes, ainda têm alguns, como o neuroticismo e, especialmente a estabilidade emocional, que apresentam uma relação mais íntima com os níveis de maturação, isto é, por si mesmos, já que adultos humanos tendem a apresentar uma expressão emotiva mais estável do que crianças e adolescentes e em que, principalmente o segundo, tende a ser o mais neurótico ou emocionalmente instável...

Quanto aos demais traços, parecem ser mais dependentes dos seus níveis de intensidade e em como se relacionam com outros traços para poderem ser associados com níveis de maturação mais diretamente. 

Ainda assim, a proposta principal de minha hipótese é justamente a de afirmar que a própria variação de personalidade expressa níveis de maturação mental e orgânica, mesmo aqueles traços em que não existe uma correspondência imediata, como o espectro introversão--extroversão, de tratar-se de sua própria natureza ou essência. E que existe um óptimo de desenvolvimento e expressão que varia de acordo com cada cultura, população ou raça humana, mas em que tende a ter uma base universal, não apenas entre humanos...

Correlatos com filiação político-ideológica 

Nossas crenças político-ideológicas também refletem nossos traços de personalidade e de inteligência, além de outros traços, ou perspectivas, como o de composição hormonal, contextualizados em questões sociais e culturais... Quando falamos que defendemos esse ou aquele ponto de vista, e que costuma ter implicações políticas, isso pode revelar "quem somos" ou "como somos/estamos". Essa revelação pode ser mais direta ou revelar algo mais, se estamos sendo francos ou cínicos, se defendemos uma política porque nos beneficia, mas também pensando que é uma boa política que promove o bem-estar coletivo, ou se o fazemos por puro oportunismo. Eu acredito, inclusive, que os nossos sistemas de crenças mostram mais precisamente o quão racionais ou irracionais estamos...

Então, se tornou fácil extrapolar essa relação entre crença política e caracteristicas psicocognitivas com os níveis de maturação mental e orgânica. E como eu mostrei acima, dos traços, da tipologia dos Cinco Grandes, que mais intimamente se relacionam com maturidade comportamental típica, a abertura para experiências e a conscienciosidade são justamente dos que apresentam as correlações mais demarcadas com certos grupos ideológicos. A primeira positivamente relacionada com profunda adesão a crenças e valores ditos "de esquerda". Já a segunda positivamente relacionada com profunda adesão a crenças e valores ditos "de direita"... A primeira sobre maior engajamento intelectual, artístico ou estético e sensorial. A segunda sobre maior autocontrole, responsabilidade e disciplina... Não apenas apresentam essas correlações como também tendem a ser mutuamente excludentes, se alguém que é muito aberto a experiências e/ou sensações tende a não ser a pessoa mais ajuizada...  Em seus níveis mais intensos e, portanto, mais problemáticos, temos: dos mais imaturos, emocional e intelectualmente, excessivamente "emocionados" e irresponsáveis, e quanto aos excessivamente conscienciosos, tipos demasiado formais, muito avessos a mudanças ou ao engajamento em novas experiências; menos criativos e interessados em ciências, artes, filosofia... Nenhum dos dois em excesso é "idealmente' bom. Mas em relação aos comportamentos tipicamente maduros de um adulto humano, a abertura para experiências, mesmo em níveis de expressividade medianos, já parece apresentar níveis mais altos de imaturidade, exatamente como se infância ou adolescência e suas características psicológicas e cognitivas se estendessem na vida adulta por tempo indeterminado. 

Pelas próprias crenças políticas, podemos notar o quão imaturas parecem ou podem estar. No caso das "de esquerda", aquelas que são favoráveis ao abrandamento do controle social, se em relação ao crime ou à entrada de pessoas em um país, tendem a refletir um alto nível de ingenuidade por parte daqueles que genuinamente acreditam e defendem essas políticas. Porque acreditam que o abrandamento da punição por crimes e a promoção de medidas socioeducativas, de "regeneração' do criminoso, que irão, de fato, combater a criminalidade, como se fosse uma criança que tivesse pensado nisso: de promover políticas excessivamente afetivas em relação à crueldade humana, como se para combatê-la, apenas o antídoto do amor e da compreensão, muitas vezes, não muito certeiro, se não é apenas uma questão de prover o que está em falta, mas especialmente de predisposição comportamental variavelmente relacionada com as circunstâncias do meio. E quanto ao caso de políticas generosas de imigração, mais uma vez, se trata de desconhecer os perigos, até óbvios, relacionados: de abrir as portas de um país o máximo possível, desprezando as consequências que, em sua prática, tem se mostrado predominantemente negativas, como o aumento exponencial de conflitos culturais e da criminalidade... Pois se crianças e adolescentes tendem a ser imaturas ou subdesenvolvidas para detectarem riscos e perigos, e que é de se esperar que um típico adulto humano o saiba, parece que muitos desses adultos autodeclarados à esquerda no espectro político-ideológico estão demonstrando ter a mesma incompetência para detectar riscos ou perigos de humanos ainda em fase de desenvolvimento... Além do modo de se vestirem, de falarem, também de como pensam ou no que acreditam, reflete mentes que não atingiram (se como programação genética ou perturbação do meio) à sua maturação básica. Se se engajam mais intelectualmente, não se reflete seguramente em termos qualitativos, de precisão factual e acúmulo verdadeiro de conhecimentos, mas de pensamento abstrato excessivo e confusão subsequente, mesmo de inversão do que seria o mais factual. Mesmo quanto a apresentarem um maior engajamento artístico, muitas vezes também se mostra mais infantil ou imaturo do que desenvolvido, tal como de se apreciar obras artísticas duvidosas em qualidade apenas porque aqueles dos grupos sociais aos quais pertencem também o fazem ou definidas como obras valorosas por autoridades ideológicas... demonstrando dependência excessiva da opinião alheia dos seus grupos de pertencimento ideológico, não muito diferente de um adolescente ansioso para se sentir parte de um grupo e que faz de tudo para alcançar esse objetivo... Um modo de existir demasiadamente voltado para o mundo interior: das emoções, dos pensamentos e das sensações, mostra-se naturalmente mais disfuncional para expressar um ciclo de vida tradicional, enquanto que um modo de existir mais voltado para o mundo exterior, como aquele em que há um predomínio expressivo dos traços da conscienciosidade, mostra-se mais naturalmente adaptável. 

Interessante que, quanto à suscetibilidade de conformidade social, ambos a teriam, mas a partir de valores e grupos distintos: o primeiro, muito aberto a novidades e sensações, atraído para colmeias de conformidade que expressam seus estilos de pensar e existir: não-convencional e excessivamente juvenil. E o segundo, dos excessivamente conscienciosos, atraído para colmeias de conformidade mais silenciosas, obedientes e convencionais... O que os diferia quanto ao contexto dos níveis de maturação seria a correspondência com os traços de comportamentos tipicamente praticados por um adulto humano e relacionados com um ciclo de vida mais natural...

Crenças políticas conservadoras são tudo sobre seguir uma certa ordem lógica de leis e comportamentos pragmáticos, estáveis e úteis à funcionalidade, primeiro do próprio sistema social, ainda que não venham sem problemas, longe disso.... Se tradicionalmente, uma sociedade conservadora dentro de um contexto de civilização tem se constituído como uma organização parasitária em que as classes acima na hierarquia exploram aquelas mais abaixo (ainda não muito diferente de um típica organização social, como percebida em outras espécies sociais: com hierarquias ou funções específicas por grupos designados ou diferentes). Pois independente de sua natureza política, se libertária ou coletivista, se mais equivocada ou mais adequada, suas narrativas mais introdutórias atraem justamente tipos convencionais e avessos a mudanças ou incursões muito profundas a campos novos, que fogem dos valores que mais se aproximam de um ciclo natural: de desenvolvimento, adaptação social e reprodução... Sempre reiterando que essa maturidade estabelecida aqui não se baseia em suas versões extraordinárias, tal como uma maturidade emocional excepcional ou uma maturidade intelectual igualmente superior, mas sobre aquela que é a mais básica, que obedece aos princípios universais que tornam possível a sobrevivência de um indivíduo e a perpetuação de sua espécie...

Neotenia 

Nossa espécie é intrinsecamente neotênica, no sentido de que, mesmo quando amadurecidos, preservamos em nossos corpos e mentes, traços infantis, ou considerados imaturos, como uma capacidade para aprender (e não apenas replicar o que aprendeu) que se estende além do período da infância, e que em outras espécies é muito típico de cessar total ou predominantemente a partir da maturação... Essa natureza neotênica tem se mostrado evolutivamente vantajosa para a nossa sobrevivência coletiva, principalmente porque propicia a uma maior plasticidade comportamental e, portanto, adaptativa. No entanto, também existe uma variação do quão neotênicos estamos, em que alguns indivíduos adultos de nossa espécie encontram-se mais juvenis do que outros, com seus pontos positivos e negativos, que já foram mostrados acima, com os traços de personalidade. Pois os que são muito neotênicos, apresentariam um risco ampliado de disfuncionalidade comportamental, observado por um maior engajamento em comportamentos de risco, como a impulsividade e uma incapacidade na detecção de perigos à própria vida, se de maneira mais direta ou explícita, por ações mais concretas, ou de maneira mais implícita, justamente pelo exemplo das crenças políticas que promovem o aumento de riscos ou insegurança e não da inibição dos mesmos... Porque se a criança e o adolescente ainda apresentam, em média, um potencial mais amplo de aprendizados, também acontece porque ainda não atingiram a maturidade mental, tal como um copo metade cheio que ainda vai ser completado... 

Pois um excesso de neotenia, de traços infantis ou "imaturos" em adultos humanos, não seria percebido apenas no comportamento, mas também e, variavelmente, no próprio corpo, ainda se tratando de uma correlação do que de uma causalidade absoluta, se não são todos aqueles que apresentam um predomínio de comportamentos imaturos que também apresentam um aspecto físico excessivamente juvenil. E esse excesso, como já comentado e, aqui, reafirmado, também teria implicações psicológicas/psiquiátricas, cognitivas e evolutivas. De refletir um quadro permanente ou transitório de subdesenvolvimento mental e orgânico em relação ao que seria o espectro de desenvolvimento mais evolutivamente adequado, causando prejuízos ou incapacidades às funções mais básicas de sobrevivência e completude de ciclo de vida mais natural de um indivíduo: da capacidade de se reproduzir à de detectar riscos à sua própria vida... Além disso, o meio cultural pode aumentar predisposições neotênicas excessivas e até se manifestar de maneira mais expressiva ou disfuncional em indivíduos que, a priori, não as apresentam. Por exemplo, a inibição da capacidade reprodutiva por razões sociais e econômicas que também afetam indivíduos altamente conscienciosos... 

Sexualidade

A minha hipótese de que a personalidade e sua diversidade e intensidade de traços refletem níveis de variação de maturação mental e orgânica, transitória ou permanente, também se aplicaria à sexualidade e sua diversidade, até por já serem muito próximas em termos de expressão, de tal modo que, muito do que é atribuído à personalidade também é reflexo da sexualidade, por exemplo, de se perceber que certos homens são mais "másculos" que outros, de primeiro relacionar essa expressão aos níveis circulantes do hormônio do testosterona em seus corpos, característica sexual indisputável, e depois de defini-la como uma característica psicológica ou de comportamento...

Sobre o ciclo natural e o nível máximo de dimorfismo sexual como parâmetro ideal de desenvolvimento sexual 

Apenas um militante LGBT que poderia negar o papel fundamental da heterossexualidade na promoção da capacidade reprodutiva, característica elementar à nossa espécie sexuada e à nossa sobrevivência coletiva. Ainda que também se possa expandir em direção à bissexualidade, é impossível não concordar que a atração pelo sexo oposto facilita muito para que dois adultos humanos consigam se relacionar sexualmente e gerar descendentes. Pois sem demorar com esse negacionismo pseudo científico e anti intelectual, pela minha hipótese e que, desta vez, tem como alvo a sexualidade, eu especulo que as etapas de desenvolvimento sexual não cessariam com a finalização do desenvolvimento dos órgãos reprodutores, a partir da puberdade, mas que se estenderiam até à finalização, pelo menos primária, do estabelecimento da orientação e da identidade sexual. E que seu óptimo de desenvolvimento seria a própria heterossexualidade, um marco máximo do dimorfismo sexual, fundamental para a organização dos papéis reprodutivos e adaptativos de uma espécie sexuada, pertencente ao grupo dos mamíferos, como a espécie humana... Portanto, a heterossexualidade seria uma expressão de maturação sexual completa: de um adulto humano plenamente apto a performar comportamentos diretamente úteis e necessários para completar seu ciclo de vida, nesse contexto, especificamente a capacidade reprodutiva (apenas menos importante do que a própria sobrevivência)...

Já aquilo que habituamos a chamar de diversidade sexual, além da heterossexualidade: a bissexualidade, a homossexualidade e a transexualidade, seriam variações de maturação sexual, mais no sentido de incompletudes, como manifestações transitórias ou permanentes de subdesenvolvimentos das etapas sexuais, em que o óptimo ou ideal de desenvolvimento, ou de amadurecimento, não é atingido, que resultaria na heterossexualidade, tanto no sentido de orientação quanto no de identificação, como reflexo máximo do dimorfismo sexual... Se como resultado de programação genética ou de estresse durante o período intrauterino (ainda que, quanto à segunda possibilidade, pode ser que seja mais especulativa, pelo menos na minha opinião, se tende a ser baseada em estudos, com humanos, cheios de correlações que podem ser mais como "fatores de confusão" e não como confirmação de causa, se ainda não parece possível uma demonstração conclusiva e verdadeiramente empírica). 

Exatamente como foi mostrado com a personalidade, em que existiria uma espécie de "script" ideal de desenvolvimento que torna um adulto humano plenamente apto a apresentar comportamentos ou competências considerados elementares em seu ciclo mais natural de vida, durante sua fase madura: autodefesa, auto-gerência comportamental e/ou adaptação ao meio e capacidade reprodutiva, também no sentido de inclinação... 

Então, além da própria orientação ou identidade sexual como possibilidade de expressão imatura ou subdesenvolvida, indivíduos adultos pertencentes às minorias sexuais seriam (muito) mais propensos a apresentar comportamentos imaturos que indicariam um nível maior e mais generalizado de imaturidade mental e orgânica. Como parece notório de se perceber, muitos destes indivíduos tendem a se comportar tal como adolescentes ou crianças em corpos aparentemente maduros, especialmente em um ambiente cultural muito neotenizado, como o atual, de primeiras décadas do século XXI: de incentivo a extensão das fases imaturas, da adolescência e da infância, além de seus períodos cronológicos... Tendenciosamente mais alheios aos compromissos que um típico adulto humano deve assumir, muitos apresentam níveis altos de disfuncionalidade pois não buscam levar um modo de vida sóbrio e funcional...  Talvez por também não estar em suas próprias capacidades... Culturalmente falando, é como se muitos deles, inclusive os que já estão beirando os quarenta, cinquenta anos ou mais, tivessem parado no tempo em que tinham os seus quinze ou dezoito anos, se comportando frequentemente de maneiras irresponsáveis ou impulsivas, como se ainda estivessem passando por aquele período de oscilação dos hormônios e das emoções, típico da adolescência... Por estarem desproporcionalmente representados entre aqueles que se enveredam em comportamentos de risco: da promiscuidade sexual rampante ao uso indiscriminado de substâncias químicas, do álcool às drogas psicotrópicas... E mesmo quando tentam buscar por comportamentos mais sóbrios, como a monogamia, é comum que a imaturidade prevaleça e faça com que muitos não consigam se manter em relacionamentos de longo prazo. Também pudera, se a correlação entre pertencer a uma minoria sexual e apresentar transtornos mentais é tão alta que sugere uma etiologia em comum, e o meu palpite é que ambos podem ser reflexos de perturbações desse "script" ideal de desenvolvimento mental e orgânico, se já a partir da concepção ou se durante o período intrauterino. Se portadores de transtornos mentais que não são LGBTs também tendem a apresentar mais comportamentos imaturos do que um típico adulto humano, como reflexo de um subdesenvolvimento de alguns aspectos básicos da mente...

Cognitivamente falando, também existem implicações, porque, se nossa cognição é, primariamente, nossa via necessária de percepção factual, aqueles que pertencem às minorias sexuais tendem a inverter, parcial a predominantemente, o que percebem do mundo, justamente porque, se o nosso ímpeto primário é de nos projetar: nossas subjetividades, aquele que sente atração pelo mesmo sexo tende a pensar que o seu modo de experimentar-se sexualmente é o mais correto ou igual ao seu oposto e que o tornará mais disposto a buscar por explicações supostamente científicas ou racionais, isto é, para justificar a si mesmo, inclusive de endossar seus sentimentos. Inversão que se estende para outros aspectos, como o social (o "mais certo", no sentido de lógico-racional ou factual, se torna o "mais errado"), e que pode ser um reflexo da própria inversão original da sexualidade, até mesmo por causa da relação muito próxima que a mesma tem com a personalidade (e esta com a inteligência), como comentado antes... É também por isso que muitos LGBTs se declaram ideologicamente à esquerda, por esta servir-se como um amparo emocional e político para muitos grupos de desajustados à ordem conservadora, mais próxima ao ciclo de vida dominante entre as espécies sexuadas... Outra explicação é que, porque a esquerda apela mais para o lado emotivo do que para o lógico-racional, tende a atrair certos grupos mais do que outros, por essas duas razões: porque os têm como grupos preferenciais em seus projetos de poder e por causa do teor emocionalmente carregado de seus discursos e narrativas, particularmente atraentes para certos grupos, por exemplo: mulheres, adolescentes, ou os muito jovens, e LGBTs... Também poderia incluir sua tendência de inverter o que tem sido definido de maneira variavelmente correta como natural ou lógico, historicamente definido por tradicionalistas conservadores...

A sexualidade anômala seria uma variação de subdesenvolvimentos do dimorfismo sexual em que essa diferenciação máxima e evolutivamente funcional entre os sexos, a nível individual, não acontece, tal como uma espécie de pseudo hermafroditismo parcial, predominantemente mental, mas que também se manifesta variavelmente a nível físico, tal como a correlação entre aspecto físico ambíguo e não-heterossexualidade. Ou melhor, uma espécie de androginia mais acentuada, característica que tende a ser relativamente mais comum em crianças e adolescentes e que tende a ser prejudicial quanto a uma das funções mais necessárias para a perpetuação de uma espécie como a nossa... 

Potenciais evidências diretas

Não parece haver outra possível evidência com maior potencial para corroborar com a minha hipótese do que a prematuridade no parto e suas correlações, pela lógica de que, o nascimento antes do tempo gestacional típico pode, por ele mesmo, precipitar eventos ou etapas e perturbar o desenvolvimento normal, causando repercussões de longo prazo. Mas que também pode ser que o próprio organismo já esteja programado para se subdesenvolver e tendo como um dos seus resultados a variação anômala do dimorfismo sexual. Pois a prematuridade, assim como o baixo peso ao nascer sem parto prematuro, apresentam correlações fortes com uma série de condições de saúde: de doenças autoimunes, metabólicas e psiquiátricas¹ a outras condições, como a diversidade sexual²... Já é conhecido que existe uma carga hereditária sobre a probabilidade de uma mulher ter filhos prematuros³ e isso pode ser um indicativo de que a prematuridade apresenta um componente mais genético ou biológico do que ser sempre e originalmente um efeito de estresse alto durante o período intrauterino...(Também existem explicações com base nas condições do ambiente uterino e interações com o meio externo ao corpo materno que partem da lógica de que, aqueles que nascem "antes do tempo", não se beneficiam de todos os processos de "troca imunitária" com o corpo da mãe e por isso acabam apresentando problemas de saúde. Porém, pode ser que, mais uma vez, como dito acima, esse subdesenvolvimento já esteja programado para acontecer, independente de perturbações internas ou externas). De qualquer maneira, se produto da concepção ou das condições do meio durante a gravidez, é fato que muitas condições de saúde se correlacionam com nascimento prematuro de tal maneira que sugere uma etiologia em comum. Interessante que, mães mais propensas a reportarem grande estresse durante ou depois do período gestacional⁴, como a depressão pós-parto, também estão em alto risco de ter filhos antes dos oito meses tradicionais... Mas e se essas mães já estão em maior risco de apresentar problemas psiquiátricos do que aquelas menos propensas a gerar descendentes prematuros ou com baixo peso??? Sendo esses problemas psiquiátricos geralmente efeitos de biologias mais anormais ou irregulares...

Então a linha lógica e conclusiva da minha hipótese, passando pela possível evidência da prematuridade, é a de que organismos que apresentam um subdesenvolvimento relativo ou mais generalizado ao que seria o ideal em termos funcionais e adaptativos expressam níveis básicos de imaturidade, mental e/ou orgânica, isto é, se refletindo em subfuncionalidades.. Exatamente como fazer uma tarefa e deixá-la por incompleta resultando em problemas consequentes... Desde subdesenvolvimentos que começam na infância, como os transtornos neurológicos mais típicos de começarem a se expressar nessa fase, como o TDAH e o autismo, até "perturbações permanentes programadas" que começam a se manifestar a partir de uma etapa mais avançada do período de maturação orgânica e mental, como a esquizofrenia e o transtorno bipolar, no caso dos transtornos psiquiátricos e neurológicos (ou imaturidades??), e também de outras categorias de problemas ou condições de saúde, do diabetes à homossexualidade...

Sobre a maturação mental mais avançada ou o nível filosófico de consciência

Sobre o que está além do nível básico de maturação mental também é importante, e mesmo que se possa pensar que existam muitas maneiras de se superá-lo, para alcançar uma categoria excepcional, eu acredito que existe um critério extremamente importante, até por também ser muito primário, que simplifica em demasia esse exercício especulativo e dedutivo: a capacidade de percepção, em seu sentido mais puro, de percepção da realidade, diretamente associada com a consciência e, portanto, com a inteligência, em que haveria uma hierarquia quanto a esses níveis, com a nossa espécie no ponto mais alto de expressão, totalmente isolada das outras, como a única espécie de ser vivo que conseguiu atingir níveis de compreensão muito mais amplos sobre o mundo em que vive, até por ter conseguido expandir esse conhecimento para além do seu perímetro de imediatismo adaptativo, de ser capaz de conceber um fato por si mesmo, e não apenas tendo-o organicamente como um meio pragmático para uma finalidade utilitária ou adaptativa, tal como quase toda espécie não-humana aparentemente faz, concebendo o seu comportamento tal como o seu pensamento, ou instintivamente, o que o instinto é: uma indissociabilidade entre o pensar e o fazer, mesmo quando a intenção não se configura em ação; esse objetivismo imperativista poderoso que tanto caracteriza as outras espécies e nos impressiona, a nós, débeis humanos, tão dependentes de nossas tecnologias, construídas a partir da perda de muito do que tínhamos de instintivo, e tendo como moeda de troca e compensação nossa capacidade estendida de aprendizado... Até mais do que a inteligência, a capacidade perceptiva precede e influencia de maneira substancial a própria capacidade de adaptação... Então, seria interessante pensar sobre essa excepcionalidade de funcionamento mental, e seus correlatos... 

Que aqueles que atingem os níveis mais altos de inteligência racional apresentariam níveis altos de estimulação intelectual, um traço tipicamente neotênico, como foi concluído nos tópicos dos correlatos com imaturidade e da neotenia humana, mas, ao mesmo tempo, traços psicognitivos que expressariam níveis altos de maturidade intelectual e emocional, interessantemente relacionados com traços da conscienciosidade, como a disciplina e a responsabilidade... Um exemplo de excepcionalidade que foge à regra aqui estabelecida...

¹








Pontos discordantes ou fracos da minha hipótese 

1. Possível ausência de evidência de relação direta entre prematuridade, filiação político-ideológica e traços de personalidade 

Eu fiz uma pesquisa rápida e não encontrei qualquer estudo que indicasse uma relação direta entre filiação político-ideológica ou os traços de personalidade citados com maior propensão à prematuridade gestacional. Apenas um estudo⁵ que encontrou que, aqueles indivíduos que nasceram muito prematuros tendiam a apresentar traços de personalidade que se assemelham a um perfil psicológico típico do espectro autista... No entanto, existem evidências diretas entre prematuridade e correlatos de saúde, como de doenças psiquiátricas, que variavelmente se relacionam com filiação político-ideológica e com personalidade. Então, se não existe um relação direta, já encontrada, entre se declarar de esquerda no espectro político-ideológico, por exemplo, que eu identifiquei como uma expressão mais imatura de comportamento, primariamente dentro de um contexto político, e de ter nascido prematuramente, porque autodeclarados esquerdistas são mais propensos a reportar transtornos psiquiátricos e outras condições de saúde, tal como de se pertencer a uma minoria sexual, estariam mais propensos a terem nascido "antes do tempo"... Seria uma relação indireta... E o mesmo pode ser dito sobre os traços de personalidade, mas especialmente quanto aos transtornos de personalidade...


Mas pode ser que a condição da prematuridade não seja sempre necessária para explicar níveis subdesenvolvidos de maturação ideal, em termos orgânicos e mentais, já que se pode nascer no "tempo normal", mas a "programação genética" resultar em um perfil imaturo, que não corresponde com os critérios básicos de funcionalidade, a priori, comportamental, que define ou caracteriza um adulto humano típico... 
 
2. Correlação positiva da abertura para experiências com QI e negativa com conscienciosidade 

Pressupõe-se que, quanto mais inteligente é o indivíduo, mais amadurecido mentalmente ele está. Isso até poderia ser plenamente verdadeiro, mas essa parece ser uma lógica primária, que faz sentido em um primeiro olhar e deixa de fazer a partir de uma varredura analítica mais robusta, pelo menos em relação a muitos casos. Além disso, os níveis de maturação ideais para uma funcionalidade adaptativa na fase madura de um ser humano não precisaria de uma alta capacidade cognitiva. Na verdade, pela inteligência de nossa espécie já ser muito complexa, um "excesso" dela pode ter um efeito aparentemente paradoxal ou oposto ao esperado, em que, maiores as capacidades intelectuais, maior o risco de que as mesmas acabem atuando negativamente na promoção de comportamentos objetivamente funcionais àquele que as possui. Outra explicação é que, se quando falamos sobre inteligência, usamos os testes de QI como único parâmetro avaliativo, pode ser de também estarmos desprezando que a inteligência humana não se limita às capacidades que esses testes analisam, diga-se, superficialmente. E que, pontuar alto a muito alto nos mesmos não é uma comprovação definitiva de inteligência em sua prática, o mais importante (percepção da realidade?), e em relação a todos os seus aspectos ou tipos. Não para por aí, porque a abertura para experiências, o conjunto de traços de personalidade que mais se relaciona com QI, é um construto psicológico que reúne características que podem ser díspares em como se distribuem em intensidade entre indivíduos e grupos humanos. Pois, como comentado acima e voltando a falar aqui, alguém que é muito intelectualmente engajado não é exatamente o mesmo que um outro que é mais engajado artística ou esteticamente e ainda menos em relação aos que buscam por novas sensações ou experiências de natureza mais cinestésica... Mesmo que existam indivíduos que expressam alto as três "excitabilidades", a maioria dos que são mais abertos a experiências, provavelmente se engajam mais em uma dessas do que nas três "igualmente'... De maneira geral, o perfil típico de indivíduos muito abertos a novas experiências é o mais juvenil de todos os perfis de personalidade, justamente por apresentarem uma maior expressividade de traços de personalidade que são típicos de seres humanos em suas fases imaturas, da infância e da adolescência. Do artista ao tipo mais criativo em outras áreas, até àqueles que estão sempre buscando por novos desafios ou maneiras de sentir. E mesmo no caso dos que são mais intelectualmente engajados, parece que muitos acabam caindo em uma categoria de "nerd" que tratam o conhecimento como um passatempo para o pensamento abstrato do que como um meio fundamental para se adaptarem, ou mesmo para expandirem objetivamente os seus conhecimentos, se é comum entre os que são identificados como "intelectuais" de usarem suas capacidades cognitivas, especialmente a verbal, para racionalizarem suas crenças pessoais do que as usarem justamente no sentido oposto, de racionalidade... E ainda destacando que parece comum em "nerds" a expressão de comportamentos infantis ou de escolhas culturais que refletem apego "excessivo' a coisas consideradas típicas da infância ou adolescência, como vídeo games e quadrinhos... Então, pode ser que a abertura para experiências seja um conjunto de características mais motivacionais, de intensidade ou quantidade, do que de qualidade. Por exemplo, que muitos daqueles mais engajados intelectualmente, não o sejam, em média, em um sentido de qualidade de engajamento, mas de diferença comparativa e quantitativa. Isso não significa que não existam verdadeiros intelectuais que inevitavelmente expressam alto em intelecto, nesse sub-traço da abertura para a experiência. Só que, talvez, muito desta correlação seja, em sua natureza, mais uma questão de motivação direcionada do que de vocação ou talento. E claro, os tipos verdadeiramente excepcionais nesses campos: intelectual, artístico e cinestésico, também entre os mais abertos a novas experiências ou sensações específicas aos seus campos de engajamento ou atuação. De qualquer maneira, o QI verbal é o tipo de QI que mais se relaciona com esse traço, mesmo se nos limitássemos apenas aos testes cognitivos tradicionais como parâmetro de avaliação. Isso pode indicar o que já foi comentado logo acima, de que a abertura para experiências se correlaciona com a inteligência, mas de maneira mais específica do que generalizada e que é até possível, ou provável que, em relação a algumas facetas da inteligência humana, apresentar correlações fracas a negativas, como parece ser o caso de características comportamentais do traço da conscienciosidade e que também apresentam funções e benefícios adaptativos óbvios, se se caracteriza por disciplina, organização pessoal...

Então, como pontos conclusivos que podem justificar essa discordância que ameaça a viabilidade replicativa de minha hipótese: QI não exprime o todo de nossa inteligência; sua correlação com abertura para experiência é moderada, não alta, e muito provavelmente boa parte dessa correlação se deve ao sub-traço do intelecto; sua correlação parece ser mais forte com QI verbal-linguístico, e mesmo que seja o componente mais importante dos testes, se tratando da própria linguagem humana, avalia aspectos mais estéticos, como o tamanho do vocabulário, do que objetivamente funcionais, se a nossa linguagem é a única via que temos para organizar nossa percepção e entender o mundo em que vivemos (o aspecto funcional mais importante), e parecem ser muitos, desses que expressam alto em abertura para experiência, que não conseguem satisfatoriamente corresponder com esses objetivos tão básicos à inteligência, provavelmente por apresentarem um estilo de raciocínio excessivamente abstrato, que facilmente perde o chão da realidade tangível, ou de pensamento divergente, que também pode ter um efeito similar; a conscienciosidade, mesmo apresentando uma correlação negativa com QI, inegavelmente se destaca como um conjunto diretamente associado com comportamentos funcionais e/ou adaptativos, típicos da maturidade mental; lembrando que, correlação não é causalidade, de que existem diferentes subtipos de "alta capacidade", com base em combinações de traços de personalidade e de cognição e de que indivíduos artística e intelectualmente competentes apresentam alta expressividade de certos traços de conscienciosidade, como a disciplina, mas provavelmente mais direcionados às suas atividades de especialização profissional ou automotivada; que um ou mais traços de personalidade se expressam em conjunto com traços diversos e que, portanto, apenas ser mais aberto a experiências, artística ou intelectualmente engajado, ainda não é suficiente para determinar a qualidade desses engajamentos, justamente por serem dependentes de outros traços, como os da própria conscienciosidade; e alto QI não é necessariamente o parâmetro central de comportamento maduro em adultos humanos... Como especulado anteriormente, e pode até ser que, uma alta complexidade cognitiva venha com um risco ampliado de disfuncionalidades, cognitivas ou comportamentais, especialmente quando combinado com certos traços ou transtornos de personalidade (inclusive que podem ser disfuncionalidades mascaradas por situação socioeconômica e preconceitos culturais, por exemplo, a correlação positiva de alto QI, especialmente o verbal, com adesão profunda a crenças progressistas e o que isso realmente tende a significar, mas que, dentro de "círculos intelectuais", atualmente formados em sua maioria por autodeclarados progressistas, é tratada como não-conflitante ou até lógica, como se um típico sistema de crenças enviesado à esquerda fosse o suprassumo da sabedoria... 

De qualquer maneira, a correlação mais forte, praticamente causal, proposta em minha hipótese, a partir desta possível evidência indireta com o traço de personalidade, abertura para experiências, é a de que seus níveis mais intensos, ou não-equilibrados, que tornariam um indivíduo adulto mais propenso a apresentar comportamentos que refletem imaturidade mental, permanente ou transitória...

Um adendo que pode ser importante de se pensar é se um cérebro mais complexo e, portanto, mais organicamente inteligente, que demora mais tempo para amadurecer, pode também se refletir como um período mais estendido de imaturidade mental e comportamental, por exemplo, de adesão profunda ou dogmática a certos idealismos irrealistas, como se tornou típico de se perceber entre "intelectuais" mas especialmente entre muitos jovens que expressam altas capacidades cognitivas de caráter técnico, como aqueles que acabam se enveredando no campo da "educação' e se tornam "professores-militantes", especialmente na área das ciências sociais e humanas... Ou seria uma fase estendida de imaturidade que cessa de acordo com que avança a idade, como parece ser comum de acontecer, ou também pode ser explicado pela própria diversidade de tipos cognitivos em que alguns se caracterizam por uma combinação de forças em aspectos mais técnicos e fraquezas nos aspectos mais qualitativos, como a capacidade racional, mais diretamente relacionados com os níveis básicos e também mais avançados da maturidade mental...

Esse estudo⁵ interessante mostra que a correlação negativa entre QI e conscienciosidade seria mais quanto à auto identificação com esse conjunto de traços de personalidade, enquanto que a observação objetiva desses traços em indivíduos, sem auto identificação, apresentaria uma correlação positiva, ainda que fraca... É sempre importante, em um estudo sobre personalidade e correlações, estudar auto identificação com traços de comportamento e o quão correspondentes está com a realidade, entre como um indivíduo se identifica e o quão preciso ele está nesse intento... 



Correlatos neurológicos 

Uma via para encontrar evidências mais diretas que possam corroborar com a minha hipótese é pela busca por correlatos neurológicos. Pois, por essa via, já existem essas possíveis evidências, começando com a filiação político-ideológica, mas que também pode se estender, a partir dela, para as outras correlações propostas. Vejamos rapidamente o correlato mais importante que as pesquisas científicas têm encontrado sobre as diferenças de funcionamento neurológico entre pessoas que se identificam com a direita e com a esquerda no espectro político-ideológico... 

Esse primeiro artigo abaixo⁶ é mais um de tantos que têm noticiado uma das diferenças mais marcantes encontradas entre os cérebros de pessoas com diferentes filiações políticas: que aquelas mais à direita apresentam uma amígdala maior, justamente a região do cérebro responsável por processar emoções como medo e perigo. E que aquelas mais à esquerda apresentam um córtex cingulado anterior mais ativo, "área do cérebro associada com a tomada de decisões, empatia e controle de conflitos"...
 
Vejamos:

A importância de uma estrutura do cérebro diretamente relacionada com uma das capacidades mais elementares à sobrevivência: a detecção de riscos e perigos ou sobrevivência, diga-se, para qualquer espécie...

Já o segundo correlato parece mais "complexo" ou difuso quanto às funções ou capacidades relacionadas, além dos termos, que têm sido usados à exaustão na mídia, como a "empatia", e que muitas vezes é confundida com compaixão e simpatia...

Enquanto é perceptível a correlação neurológica entre uma partícula do cérebro responsável pela detecção de perigos e o comportamento conservador, ainda que não seja perfeita, a correlação entre uma região do cérebro responsável pela empatia e pelo controle de conflitos com o comportamento progressista parece menos diretamente evidente. Nem estou colocando a função "tomada de decisões" como importante nessa discussão por ser tão extremamente básica ao comportamento... Mas quanto às outras correlações, eu acredito que existem boas reservas a serem feitas. Primeira, a empatia como a capacidade de se colocar no lugar do outro, que parece ser extremamente falha e seletiva em muitos daqueles que se identificam com a esquerda no espectro político-ideológico... Falha porque a verdadeira empatia consiste em se colocar no lugar do outro, também no sentido de se conseguir compreendê-lo, do contrário e não estará, de fato, em "seu lugar", situacional, emocional e motivacional... Mais como uma simpatia, o ato de sentir afeição, que não requer necessariamente uma empatia completa, na verdade, pode até acontecer no sentido oposto, de auto projeção das próprias impressões sobre o outro... Na verdade, um ato de empatia verdadeira pode até causar repulsa, ódio ou afastamento, diferente do que muitos acreditam se tratar exclusivamente de "ser empático". E muito seletiva, de tal modo que tendem a tratar seus desafetos ideológicos com profundo desprezo, mas também com ignorância, se tendem a apresentar dificuldades para entendê-los, justamente por não serem, de fato, empáticos... Algo parecido acontece com os grupos aos quais eles, por indução ideológica, sentem "grande afeição'... Simpatia sim. Empatia... Nem tanto...

Segunda, "Controle de conflitos", pois mesmo que exista uma motivação emocional para controlar conflitos, sua prática mostra-se completamente oposta ao que suposta ou genuinamente buscam... Defender pela abertura das fronteiras de um país para a imigração em massa?? Pela diminuição significativa da punição e do aprisionamento de pessoas que cometem crimes, especialmente os mais graves?? E pela demonização, geralmente injusta, de alguns grupos e de santificação de outros??? Isso é controle de conflitos onde ou em qual galáxia??
 
Talvez estejam "confundindo' controle de conflitos com impulso pelo autoritarismo, mas diferente do tipicamente induzido por forças políticas mais conservadoras, porque usa a libertinagem ou a subversão ao tradicionalismo como sinônimo absoluto, porém falso, de liberdade máxima, além de fazê-lo mascarado como "democrático" ou "humanista"...

Outro possível problema é o termo "controle", no "controle de conflitos", que talvez possa ser mais no sentido de "aversão a conflitos". Porque na prática, mesmo uma aversão intensa a conflitos "ainda" pode gerar conflitos, de quando temos um problema solucionável e não buscamos resolvê-lo, se transformando ao longo do tempo em uma "bola de neve"...

Outra questão: de relacionar estudos que buscam encontrar correlatos neurológicos em pesquisas de opinião e em casos específicos de lesão em certas regiões do cérebro com a sua validação na realidade cotidiana... Pode ser que algumas regiões cerebrais sejam mais hierarquicamente dependentes que outras ou que funcionem mais em conjunto com outras regiões (mais no caso do córtex cingulado anterior). De qualquer maneira, o que parece mais claro aqui é a relação entre crenças conservadoras ou filiação político-ideológica com a direita e características reativas, ou funções tipicas, da amígdala cerebral. Relativamente diferente do caso dos correlatos entre o córtex cingulado anterior e a esquerda, em que essa relação parece ser mais fraca ou mais complexa do que pura e simplesmente afirmar que "esquerdistas reportaram em média maior atividade no cortex cingulado anterior e portanto são melhores na mediação de conflitos e em expressividade empática"... 

E como esses correlatos neurológicos com traços de personalidade ou atitudes específicas são definidos também é importante saber... Pode ser que o autorrelato seja o método mais comum, não muito diferente de estabelecer uma tipologia de personalidade. Mas aí, pode ser que uma auto identificação com uma ou outra tendência comportamental não corresponda perfeitamente à sua prática cotidiana, não apenas a nível individual mas também coletivo... 




"Ela atua como o alarme do cérebro, processando emoções como medo e perigo. Responsável pela via rápida do susto, ela também fixa memórias emocionais e regula comportamentos sociais"
 
Esse é um trecho do segundo artigo acima⁷ e dá mais detalhes de quais seriam as funções da amígdala cerebral, que vários estudos têm encontrado de ser maior ou mais ativa em indivíduos que tendem a se identificar com a direita no espectro político-ideológico (o primeiro artigo ainda encontrou que esquerdistas não-identitários ou mais socialmente conservadores apresentavam, em média, amígdalas maiores do que aqueles mais voltados ao marxismo cultural ou "wokeismo"). Interessante que aqui fala que ela seria responsável por fixar memórias emocionais, e isso parece estar relacionado com "aprender com a experiência"...

A conclusão, e com possibilidade de corroborar com a minha hipótese, é a de que se um típico adulto humano precisa saber detectar perigos ou riscos à sua vida para se proteger, aquele que se identifica mais com a esquerda no espectro político-ideológico parece mais imaturo ou subdesenvolvido nessa capacidade muito básica e importante, enquanto aquele que se identifica mais com a direita estaria em melhor situação... Então, as correlações com sexualidade anômala e certos traços de personalidade também seguiriam a mesma tendência corroborativa, se minorias sexuais e aqueles mais abertos às experiências e sensações, e também a novidades, estão desproporcionalmente mais propensos a se identificar com a esquerda. Que todas as características elencadas refletiriam quadros mais gerais de imaturidade mental e orgânica...

Discussão e conclusão 

Os dois conjuntos de traços de personalidade: abertura para experiências e conscienciosidade, como foi mostrado nesse texto, apresentam traços que estão respectiva e tipicamente relacionados com imaturidade e maturidade comportamental. São por si mesmos auto explicativos. No entanto e, também como já foi mostrado acima, especialmente no caso da abertura para experiências, isso não significa que exista uma correspondência absoluta entre níveis de maturação e traços de personalidade, se esse construto específico reúne características mais diversas do que no caso da conscienciosidade, englobando subtipos que podem ser mais complexos ou mesmos distintos dos outros que compartilham o mesmo conjunto, ainda que também apresentem similaridades básicas de expressão, como o alto nível de engajamento em uma ou mais atividades, a priori, recreativas. Eu poderia até chama-lo de: um "conjunto de personalidades hedonistas" ou de um "conjunto de personalidades otaku", termo japonês que se refere a qualquer indivíduo que exibe grande fixação por determinados interesses, novamente, de natureza mais recreativa do que "utilitária"... Até penso se não seria melhor repartir esse conjunto de traços ou de criar (sub)conjuntos mais específicos... 

A abertura para experiências e a conscienciosidade não seriam apenas contrastantes segundo uma perspectiva de direcionamento, como mostrado acima: respectivamente do mundo interior e do mundo exterior, mas também em relação à natureza da motivação, mais intrínseca no primeiro conjunto e mais extrínseca no segundo. E tudo isso refletindo em diferenças de maturidade mental básica (e que costumam ter reverberações extra mentais ou "orgânicas", tal como as correlações entre robustez, em termos de saúde física, também se refletindo em termos mentais, de disciplina, autocontrole... e o relativo oposto no caso de níveis excessivos de expressão de um ou mais traços da abertura para experiências. Pela mídia e no mundo real, as referências abundam: da cigarra e da formiga; do aventureiro ou bon vivant e do trabalhador responsável)...

Quanto à hipótese de que a variação de orientação e identificação sexual também expressa níveis de maturação mental e orgânica, novamente, seria com base no que foi dito em sua apresentação: nos comportamentos, nas funções e/ou competências de um típico adulto de uma espécie de primatas e mamíferos, como a espécie humana, em que um desvio ao padrão mais funcional de sexualidade, a heterossexualidade, já se configuraria em um distúrbio ao que seria o quadro mais evolutivamente normal ou ideal, e que a natureza ou essência desse distúrbio seria justamente uma falha organicamente determinada e relativamente variável de alcance da, que seria, a última etapa do desenvolvimento sexual, também no sentido de dimorfismo sexual: de desenvolvimento completo da sexualidade para fins primariamente utilitários, e que nesse contexto é o mesmo que "fins reprodutivos"... Tal como acontece com todo distúrbio da mente ou do corpo que impossibilita ou dificulta a execução de uma função geralmente básica. 

Quanto à influência do meio, a mesma regra que se aplica para um traço variavelmente reativo ao mesmo, pode ser aplicada aqui, de "variação de variação", dos indivíduos que apresentam uma consistência se mais para a maturidade mental e orgânica básicas ou para a imaturidade àqueles mais influenciáveis ou mediados pelas condições dos ambientes em que transitam... Isso explicaria a expansão cultural do fenótipo imaturo nos dias de hoje (primeiras décadas de século XXI) e intensificação de sua expressão nos que parece que nasceram mais predispostos à imaturidade mental ou comportamental...

Quanto aos correlatos com a prematuridade no parto, sua maior fraqueza é o de não ter sido encontrado nenhuma grande ou direta correlação com os traços de personalidade (e também com filiação ideológica) indicados como reflexivos de imaturidade mental e orgânica. Ainda assim, correlações indiretas com esses traços estão, de fato, presentes. Sobre esses correlatos, a conclusão mais plausível é de que, uma maior imaturidade mental e orgânica não tem que ter a prematuridade gestacional como condição necessária para se manifestar, que basta que, se por programação genética ou perturbação ambiental do desenvolvimento orgânico, traços ou funções tipicamente relacionados com a maturação básica apresentem disfunções, apesar de também ser esperado que essa variação de maturação possa acontecer de maneiras mais específicas em certos casos, ou de maneira complexa, no caso de indivíduos excepcionais em que irregularidades mais profundas podem indicar tanto altos quanto baixos níveis de maturação para diferentes conjuntos de funções e competências. A única correlação relativamente positiva encontrada entre os traços apontados e a prematuridade é o da diversidade sexual ou "não-heterossexualidade dominante"... 

Por fim, dos correlatos neurológicos, os mais fortes são aqueles que estão relacionados com a filiação político-ideológica, como mostrado, especificamente por estabelecer uma relação assimétrica com uma capacidade ou competência extremamente importante para a vida adulta de qualquer espécie: de detecção de riscos ou perigos, que encontra-se subdesenvolvida em muitos daqueles que se declaram à esquerda e mais desenvolvida ou apenas em seu nível normal em muitos dos que se declaram à direita no espectro político-ideológico. Essa constatação se dá com base, não apenas nos correlatos neurológicos, mas também nos comportamentos refletidos em crenças, ideias e pensamentos de ambos os grupos, em que os mais à esquerda tendem a apoiar políticas públicas que fragilizam a segurança deles mesmos e dos outros, e não apenas por causa de uma indução ideológica pura, provavelmente também por causa de certas características mentais que apresentam e se relacionam logicamente com esses comportamentos, e que eu defini como expressões, permanentes ou transitórias, de imaturidade... 

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