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terça-feira, 16 de maio de 2017

O céu é meu confidente

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O sussurro da noite, com as suas estrelas,
Com as curvas das montanhas escondidas, discretas, sob o manto escuro, 
Sob o frio breve de um outono brando, 
Sob o descanso das almas, à espera da próxima ilusão,
Céus estrelados de outros dias,
Quando o amigo ainda existia, 
Quando aquele momento ainda passava,
Até se perder no breu da memória, nos braços do esquecimento, 
Lembro de seu rosto, amigo
De sua alegria incontida, simples e pura
Lembro de sua fidelidade, e de seus últimos dias, 

De sua morte estupida, forçada, mal entendida, 
De sua dura partida, 
Lembro dos lençóis molhados de lágrimas,
De ter forçado o choro, por me tornar mais consciente de sua despedida, sem saber, sem querer,
O céu é sempre o meu confidente,
A sua beleza sempre presente, o seu brilho de muitas cores e emoções, de sua perfeição,
Enquanto aqui, jazemos na lama da mais vil estupidez,
Nós, os espelhos mais reflexos do universo, nesta galáxia leitosa e formosa,
Nós, supostos racionais, chafurdamos no próprio desespero, na própria inferioridade,
Mas eu não me esqueço e espero nunca esquecer de ti, meu amigo 
Espero que num dia o verdadeiro sentido se revele a mim, e você apareça, pra me mostrar o verdadeiro caminho.



segunda-feira, 15 de maio de 2017

A sombra dos galhos

No véu da noite
Na parede de casa
Num céu de nuvens
Num fim de domingo 
Com cheiro de chuva
Dum sentir, dum pensar sem pensar 
O vento constante, que  mexe os fios dos cabelos 

Que interage com o seu cheiro
A música, a alegria, de se viver profundamente 
De olhar pra própria sombra 
De se esconder na escuridão
De ver a vida, mais uma vez, em sua recolhida 
Em sua nova semana
Em sua nova partida

Sabedoria e seleção natural

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Desde que a teoria darwiniana foi apresentada ao grande público, eu tenho a impressão que a sabedoria, ou aquilo que muitos tem denominado de ''sabedoria'', em suas ''múltiplas formas'', tem sido afastada da primeira, talvez porque desde os primórdios da civilização que tem sido vinculada  às religiões ou crenças humanas. Portanto quando o mundo foi assombrado com a teoria da seleção natural, que destituiu o homem de sua ''divindade prometeica'', muitos daqueles que se declaravam ''sábios'' a viram como uma grande ameaça, e mesmo a própria ciência, como inimiga da sabedoria, atribuindo às duas, diferenças irreconciliáveis, como se fossem completos opostos. De fato a ciência talvez desde os seus primórdios tem se diferenciado da filosofia e portanto da sabedoria, mas isso ainda não significa que sejam opostas, só que a ciência foi transformada em uma ferramenta importante dos governos [em sua maioria corruptos] para que possa legitimar e expandir os seus poderes. Isso também não significa que, então a ciência deixou de produzir conhecimento, se é aquilo que mais busca e que mais faz, geralmente de maneira muito específica e desintegrada. E é aí que os governos tem entrado, para integrar os conhecimentos, resultando em toda sorte de problemas conhecidos. A diferença também está no direcionamento, na finalidade de sua busca ou aqueles que serão os maiores beneficiados de suas descobertas e invenções.

No mais, por principiar-se pela ''espinha dorsal da macro-realidade'', por aquilo que ''mais importa'', a sabedoria, inevitável e imprescindivelmente, acabará tendo como prioridade primária os seres humanos/vivos. A seleção natural foi uma descoberta surpreendente sobre como ocorre a evolução da vida e tem implicações significativas para a sabedoria. Se uma de suas principais funções, em um mundo ideal, seria a melhoria qualitativa das populações, especialmente as humanas, então a descoberta do mecanismo que contribui ostensivamente para formar as suas características psicológicas/morais e cognitivas, tornou muito mais fácil, evidente e mesmo previsível esta tarefa. Se antes, muitos pensadores acreditavam que apenas a cultura que formava o caráter psico-cognitivo das populações, e portanto, tendo a tarefa redobrada de ''ensiná-la' às gerações de maneira sucessiva e constante, tal como em um jogo cego, esperar que o mecanismo da seleção natural, agora artificializado, começasse a operar, mas sem ter conhecimento de sua existência, por meio de apostasias, que querem indicar divergências individuais comportamentais internas/''genéticas' com as exigências culturais vigentes, agora, se pode apressar este processo em que, ao invés de forçar a cultura a uma população e esperar que ela se conforme, diga-se, um processo bem mais demorado, cheio de resultados imprecisos, com muitos tipos camaleônicos ou ''farsantes' se fazendo passar por crentes absolutos, tal como diz o ditado: ''água mole [cultura] em pedra dura [população], tanto bate até que fura'', pode-se direcioná-la de maneira consciente e muito mais previsível ou precisa. Se a seleção artificial com o intuito de alcançar uma predominância de traços desejados, tornou-se muito mais trivial, então tanto a sabedoria quanto as suas irmãs incompletas [más], como a religião, a ideologia e a cultura, também se tornaram muito mais seletivamente acessíveis. No entanto ao exagerar a individualidade prometeica do ser humano, muitos auto-declarados sábios, tem adiado ou mesmo complicado o caminho para se alcançá-la, isto é, com base na seleção artificial das características comportamentais desejadas que mais expressam a sabedoria, ou a supremacia generalizada do conhecimento, tanto em termos morais quanto em termos naturalistas. Estes tem atribuído à humanidade a sua razão ou livre arbítrio como as principais forças ou influências em suas ações, desprezando quase que totalmente o papel do instinto/genética na promoção de suas disposições de comportamento. Portanto, pateticamente falando, percebe-se que a sabedoria, ao menos em termos nominais ou identitários, tem sido sequestrada por auto-declarados sábios que, ao invés de buscarem entender a macro-realidade e em especial com o intuito de promover a sabedoria, eles tem contribuído para torná-la quase que inacessível em termos práticos, em outras palavras, auto-declarados sábios mas que na verdade tem agido de maneira indiscutivelmente estúpida. Se com base na seleção artificial pode-se alcançar a sabedoria de maneira mais rápida, segura e generalizada, então por que tantos ''sábios'' tem lutado contra a prática deste mecanismo*

A generalização psico-cognitiva, evolutiva e/ou biológica da sabedoria é de vital importância, mas muitos dos auto-declarados sábios parecem estar mais preocupados com o próprio ego do que com a introdução de práticas eficientes, seguras e mais rápidas que favoreçam à essa massificação da inteligência entre os seres humanos, e se possível também entre os seres vivos que tem sido domesticados e/ou dominados por ''nós'.

A ideologia da "igualdade" promove a desigualdade de conhecimento entre as pessoas [especialmente dentro do seu grupo epicêntrico]

E portanto promove desigualdade no mundo real, quintessencialmente falando, porque se o líder ou a elite sabe mais do que os seus seguidores então já se consistirá em um grande risco para uma crescente assimetria entre ambos e favorável obviamente ao primeiro [líder ou elite]. E isso reflete na necessidade da honestidade e sinceridade para que a sabedoria seja de fato usada como moeda de troca nas relações humanas especialmente as de natureza administrativa ou [possivelmente] cooperativa, ainda que, como eu já falei antes, para alguns tipos, possivelmente comuns de seres humanos, o conhecimento ao invés de contribuir para a evolução individual, tende a atiçar ainda mais a sua estupidez. Sim, comunicar a verdade é sempre importante, mas para alguns grupos, se ainda continuarem a existir em uma sociedade sábia [provavelmente não], há de se ter grande cautela.

domingo, 14 de maio de 2017

Criatividade convergente (manipula os elementos de uma narrativa...

... resultando em uma nova combinação, mas não em um novo produto)

Criatividade divergente/transcendente: [Manipula os elementos resultando não apenas em uma maneira diferente de ver o mesmo produto mas também em um novo produto]

Entre a cognição convergente e a divergente partindo da lógica gradual do espectro esperar-se-á que também exista uma cognição intermediária entre as duas. Talvez também possamos vê-la como a fonte principal para a criatividade e não apenas ou especialmente a cognição divergente se a criatividade é uma fonte que conecta e expande o velho ou conhecido para o novo ou novas fronteiras. 

Portanto estamos muito mais convergentemente criativo ou de curto prazo no sentido de criar ou recriar algo novo especialmente em relação às nossas narrativas diárias tal como na brincadeira do telefone sem fio. A cognição divergente apena,s mais se manifestaria como uma completa e constante rebelião ou originalidade contra o conhecimento acumulado, se tornando como consequência dicotomicamente complementar ao seu oposto. 

Em termos de pureza  e/ou precisão semântica o termo criatividade refere-se ao ato de criar e não necessariamente ao ato de criar com qualidade.

Em termos de características gerais os cérebros dos homens e mulheres são os mesmos. Em termos de características específicas/seletivas os cérebros se diferem.

Mas mesmo se os cérebros fossem os mesmos também quanto às características específicas homens e mulheres ainda se diferenciariam em termos sexuais [será*) 

E as características psicológicas nada mais são do que a combinação entre o sexo (nível de sexualidade) e a cognição.


Mesmo em relação às características gerais, os cérebros não apenas entre humanos, mas também entre outras espécies,  parece que serão muito parecidos, me fazendo constatar que as diferenciações entre as espécies quanto à morfologia, não apenas do cérebro, mas também dele, tende a se dar de maneira muito mais significativa em relação às suas características específicas. 

Domingo de chuva

Nublado, indolente, triste,
Dia de morte, de tristeza, mesmo que ninguém tenha morrido,
A semana que é sempre a vítima, que sempre morre no domingo,
É o fim do ciclo, e as nossas memórias, que se viciam a pensar assim,
Na chuva, com o céu acinzentado, emburrado,
Esperando o dia passar, de descanso, de preguiça, 
Dia que mais parece não ser, dia que não é dia, é uma espera, uma reflexão forçada,
Domingo no parque, no quarto, debaixo do cobertor,
Caminhando, deitado, tomando um café pra relaxar,
Esperando o dia passar, o vácuo de energia humana,
Cultuamos o domingo, mesmo sem perceber, sem querer,
Mas querendo, e se não existisse, e se todo dia fosse como a segunda, a terça ou o sábado,
Até pra respirar profundo confiamos no tempo, nas fronteiras que cercamos, no mapa que inventamos,
Nas horas, nos segundos, e em seus meandros,
Pra chamar de domingo, e quando é na chuva, com o céu nublado, melhor ainda,
Mais domingo, mais triste, o dia do melancólico, do ansioso, da realidade,
Dia pra pensar um pouco, antes de cair na psicose do ser humano,
De se distrair, de escapar de si mesmo, do conhecimento,
De filtrá-lo, de nos filtrarmos e de abraçar a própria ilusão, 
Esquecendo do tempo,
Domingo de chuva, de culpa, de dane-se o mundo,
De xingar a vida, e depois pedir desculpas, de agradecer a deus, mas sempre com um puxão de orelhas, sempre com uma chantagem, com uma permuta, 
Domingo de chuva, de sol fraquinho, de culpa, de luto, de tudo.