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terça-feira, 6 de agosto de 2024

"Pessoas inteligentes debatem sobre ideias e não sobre pessoas" /"Intelligent people debate ideas, not people"

 Mas...


... deveria ser obrigatório a uma pessoa "inteligente" também debater sobre pessoas, afinal, é necessário conhecê-las, até para saber em quem confiar ou para prever padrões de comportamento individual ou de grupo. Segundo que, pessoas "inteligentes" são ou devem ser capazes de debater sobre qualquer coisa que lhes vier à mente, sem imposições. Terceiro que, pessoas que só debatem sobre ideias, pensam e debatem mais sobre abstrações do que questões ou tópicos mais concretos e práticos...


But...


... it should be mandatory for an "intelligent" person to also debate people, after all, it is necessary to know them, even to know who to trust or to predict patterns of individual or group behavior. Secondly, "intelligent" people are or should be able to debate anything that comes to mind, without imposition. Thirdly, people who only debate about ideas think and debate more about abstractions than more concrete and practical issues or topics...

terça-feira, 30 de julho de 2024

Sobre diferenças e semelhanças entre pseudociência e pseudofilosofia/About differences and similarities between pseudoscience and pseudophilosophy

 Uma diferença 


Diga-se, uma diferença elementar...

Só existe uma pseudofilosofia, que é qualquer ideologia que se passa como filosofia. Infelizmente, um hábito há muito enraizado, de considerar ideologia e filosofia como sinônimos intercambiáveis, enquanto a filosofia é uma ideologia por si mesma, de amor pela sabedoria, qualquer linha estruturada de pensamentos pode ser considerada uma ideologia, primariamente se distinguindo quanto ao seu conteúdo e segundo por sua qualidade factual e moral. Mas, então, se apenas uma ideologia que pode ser considerada uma filosofia (quando há uma sistematização do pensamento lógico-racional), qualquer outra ideologia que é considerada uma filosofia pode ser considerada uma pseudofilosofia. 

Já no caso da ciência, é o oposto, se existe uma pluralidade de áreas ou campos científicos, também acontece o mesmo com as pseudociências. 

Essa diferença comunga com as minhas observações sobre as suas respectivas naturezas: a filosofia como uma especialização na generalização (especialização no pensamento e no julgamento) e a ciência como uma generalização da especialização. 

Algumas pseudociências se assemelham mais a uma pseudofilosofia 

Como no caso das pseudociências "do bem", que tendem a ser política e ideologicamente enviesadas à esquerda, porque também se consistem em processos de moralização, de determinação de um certo e um errado, tal como, idealmente, também se consiste a prática filosófica. Porém, invertendo a ordem mais adequada desse processo, oposto ao da sabedoria e, portanto, da justiça, de determinar a moralidade, de certo e errado, sem fazê-lo a partir de uma análise ponderada e crítica, isto é, por uma busca objetiva e imparcial por fatos.

Uma semelhança 

Diga-se, uma semelhança elementar...

Ambas se assemelham bastante em um traço que lhes é muito básico e característico, a negação de uma busca sistemática pela verdade objetiva e imparcial. A maior diferença é que enquanto uma determina o que é a verdade, em um sentido mais geral, mas com base em critérios vagos e equivocados, como uma falsa sabedoria, a outra se passa como ciência falsificando seus aspectos teóricos e práticos ao estabelecer-se como uma verdade específica, se de causa e efeito (homeopatia cura doenças) ou como uma afirmação de verdade (o planeta Terra tem um formato plano).

 A difference

In other words, an elementary difference...

There is only one pseudo-philosophy, which is any ideology that passes as philosophy. Unfortunately, a long-rooted habit of considering ideology and philosophy as interchangeable synonyms, while philosophy is an ideology in itself, of love for wisdom, any structured line of thoughts can be considered an ideology, primarily distinguishing itself in terms of its content. and second by its factual and moral quality. But then, if only an ideology can be considered a philosophy (when there is a systematization of logical-rational thought), any other ideology that is considered a philosophy can be considered a pseudophilosophy.

In the case of science, it is the opposite, if there is a plurality of scientific areas or fields, the same also happens with pseudosciences.

This difference is in line with my observations about their respective natures: philosophy as a specialization in generalization (specialization in thought and judgment) and science as a generalization of specialization.

Some pseudosciences are more similar to pseudophilosophy

As in the case of "good" pseudosciences, which tend to be politically and ideologically biased to the left, because they also consist of processes of moralization, of determining right and wrong, just as, ideally, philosophical practice also consists of . However, reversing the most appropriate order of this process, opposite to that of wisdom and, therefore, justice, of determining morality, right and wrong, without doing so from a considered and critical analysis, that is, through a search objective and impartial by facts.

A similarity

In other words, an elementary similarity...

Both are very similar in a trait that is very basic and characteristic of them, the denial of a systematic search for objective and impartial truth. The biggest difference is that while one determines what the truth is, in a more general sense, but based on vague and mistaken criteria, such as false wisdom, the other passes as science, falsifying its theoretical and practical aspects when establishing itself. as a specific truth, whether of cause and effect (homeopathy cures diseases) or as a statement of truth (planet Earth has a flat shape).

sexta-feira, 26 de julho de 2024

Um exemplo de empatia seletiva e falácia moral-histórica de ''esquerda'': política insensata de imigração em massa ou multiculturalismo/An example of selective empathy and moral-historical fallacy of the ''left'': senseless policy of mass immigration or multiculturalism

 Eles, os autodeclarados juízes da moralidade pós moderna, ensinam que devemos sempre ter empatia pelos "mais necessitados", diga-se, especialmente se eles são de uma certa raça, gênero, sexualidade ou classe social... Então, temos a situação da imigração em massa, uma política insensata que tem sido imposta por partidos centristas e "de esquerda" em vários países e que tem causado muitos problemas aos mesmos. Então, temos esses juízes da moralidade pós moderna "ensinando" que os nativos de 'primeiro mundo" devem sentir empatia pelos imigrantes de "terceiro mundo", de recebê-los com generosidade, de defender por essa política, afinal, temos que nos colocar nos lugares dos outros, ainda mais se forem de grupos historicamente (auto) marginalizados. No entanto, não é tão simples assim, já que muitos desses imigrantes e refugiados que têm desembarcado nas regiões costeiras e cidades de primeiro mundo, no mínimo, não estão bem intencionados. Ou são muçulmanos com desejo de impor suas crenças e colonizar novas terras. Ou são qualquer outro tipo com ficha criminal ou apresentando comportamentos reprováveis. E não são apenas suposições, mas estatísticas de criminalidade e percepção variavelmente anedótica de padrões de comportamentos. Mas isso os juízes da moralidade pós moderna omitem ao máximo, chegando até a culpar os nativos por "racismo" ou "xenofobia". Além disso, quem é que sentirá empatia pelos nativos?? E por que não sentir?? Afinal, eles estão recebendo ondas cada vez maiores de estrangeiros com culturas níveis cognitivos e tipos de personalidade, em média, diferentes, em suas próprias terras e sem terem escolhido ou aprovado se submeterem a isso. E são especialmente os mais pobres, a classe trabalhadora nativa, que está recebendo o grosso dessa imigração, já que ricos e classe média se encastelam em seus bairros seguros, sendo que são esses dois grupos os que mais defendem por essas políticas. Pois sentir empatia dentro de um contexto também significa sentir por todos os que estão envolvidos. Não apenas empatia, mas também associada a uma análise racional, ponderada, sensata... Então, se é verdade que se deve ser solidário com refugiados fugindo de conflitos armados, também é importante entender que sua cidade, estado ou país infelizmente não pode resolver todos os problemas do mundo. Que, se acontecem tais conflitos, a culpa definitivamente não é sua, apenas se tiver participação direta. Nem mesmo se o governo do seu país tiver participação, porque você não tem controle sobre o que os seus governantes decidem fazer. Portanto, por mais triste possa ser um conflito armado, como uma guerra civil, um país sozinho não é capaz de receber todos os refugiados que estiverem fugindo desse conflito. Além disso, o status de refugiado não deve conferir imunidade total de comportamento a ninguém. Pois ninguém deve ser absolvido pelo cometimento de crimes, como o estupro, só por ser um refugiado. Nem faz sentido que um indivíduo genuinamente fugindo de uma opressão a cometa com outras pessoas. E se fizer, deve ser exemplarmente punido. Também é importante saber diferenciar refugiados verdadeiros de tipos que estão se passando ou se aproveitando para obter os benefícios sociais que o status tende a conferir. Uma dica: refugiados verdadeiros tendem a vir acompanhados de suas famílias... Já em relação à imigração, nenhum país é obrigado a manter suas fronteiras abertas para grandes fluxos de imigrantes. Nenhum país deveria ser forçado ao multiculturalismo, como tem acontecido. Ainda mais sabendo que costuma causar mais problemas do que melhorar a qualidade de vida de uma cidade, região ou país. O histórico do multiculturalismo definitivamente não é favorável ao mesmo. 


"Mas vocês já foram imigrantes no passado. Não podem reclamar dos imigrantes atuais"

Um juiz da moralidade pós moderna pode usar esse argumento para convencer italianos ou irlandeses, por exemplo, a não oferecerem qualquer resistência à políticas de imigração em massa ou multiculturalismo. Porém, todavia, contudo, nenhum país deveria servir ou se tornar uma espécie de albergue permanente para o mundo. Nem mesmo países historicamente de imigrantes como os EUA ou o Canadá. Nem eles. Porque não existe nada de imoral ou irracional que os impossibilite de decretar moratória da imigração ou diminuição significativa da recepção de fluxos de estrangeiros. Eles podem. Não o fazem porque boa parte de suas classes políticas estão mancomunadas com esse projeto de destruir suas culturas e suas maiorias demográficas de brancos de origem europeia e não, não é por um mundo melhor, disso tenha certeza, porque, mais uma vez ou como sempre, é pelo poder. Uma nova maneira de continuar oprimindo e dividindo o povo, de continuar criando bodes expiatórios ao invés de se responsabilizarem por suas próprias ações de agora e também do passado, tal como de se responsabilizarem, as "elites" ocidentais, pelo colonialismo, sem responsabilizar "brancos" ou povos de origem europeia, se forem pessoas "de elite" que organizaram, patrocinaram e protagonizaram as grandes navegações e os projetos "colonialistas'... Mas isso os juízes pós modernos supostamente contrários à opressão não enxergam ou fingem que não está acontecendo. Talvez porque não são tão perfeitos assim como pensam para julgar moralmente os outros, mais do que a si próprios...



They, the self-declared judges of postmodern morality, teach that we should always have empathy for those "most in need", so to speak, especially if they are of a certain race, gender, sexuality or social class... So, we have the situation of mass immigration, a senseless policy that has been imposed by centrist and "left-wing" parties in several countries and has caused them many problems. So, we have these judges of postmodern morality "teaching" that natives of the 'first world' must feel empathy for immigrants from the 'third world', to welcome them with generosity, to defend this policy, after all, we have to put ourselves in other people's places, even more so if they are from historically (self) marginalized groups. However, it is not that simple, since many of these immigrants and refugees who have landed in coastal regions and first world cities do not have good intentions. They are Muslims with a desire to impose their beliefs and colonize new lands. Or they are any other type with a criminal record or exhibiting reprehensible behavior. And these are not just assumptions, but crime statistics and anecdotal perception of behavior patterns.
But the judges of postmodern morality omit this as much as possible, going so far as to blame the natives for "racism" or "xenophobia". Besides, who will feel empathy for the natives? And why not feel it?? After all, they are receiving increasing waves of foreigners with different cultures, cognitive levels and personality types, on average, into their own lands and without having chosen or approved to submit to it. And it is especially the poorest, the native working class, who are receiving the bulk of this immigration, as the rich and middle class are nestled in their safe neighborhoods, and these two groups are the ones who most defend these policies. Because feeling empathy within a context also means feeling for everyone involved. Not just empathy, but also associated with a rational, considered, sensible analysis... So, if it is true that one must show solidarity with refugees fleeing armed conflicts, it is also important to understand that your city, state or country unfortunately cannot resolve all the problems in the world. That, if such conflicts occur, it is definitely not your fault, only if you have direct participation. Not even if your country's government has participation, because you have no control over what your rulers decide to do. Therefore, no matter how sad an armed conflict, such as a civil war, may be, a country alone is not capable of receiving all the refugees fleeing that conflict. Furthermore, refugee status should not confer total behavioral immunity on anyone. Because no one should be absolved of committing crimes, such as rape, just because they are a refugee. Nor does it make sense for an individual genuinely fleeing oppression to commit it to other people. And if he does, he must be exemplarily punished. It is also important to know how to differentiate true refugees from types who are impersonating or taking advantage to obtain the social benefits that status tends to confer. A tip: real refugees tend to come with their families... Regarding immigration, no country is obliged to keep its borders open to large flows of immigrants. No country should be forced into multiculturalism, as has been the case. Even more so knowing that it usually causes more problems than improving the quality of life in a city, region or country. The history of multiculturalism is definitely not favorable to it.

"But you were immigrants in the past. You can't complain about current immigrants"

A judge of postmodern morality can use this argument to convince Italians or Irish, for example, not to offer any resistance to policies of mass immigration or multiculturalism. However, no country should serve or become a kind of permanent hostel for the world. Not even historically immigrant countries like the USA or Canada. Neither do they. Because there is nothing immoral or irrational that makes it impossible for them to declare a moratorium on immigration or a significant reduction in the reception of foreigners. They can. They don't do it because a good part of their political classes are in league with this project of destroying their cultures and their demographic majority of white people of European origin and no, it's not for a better world, that's for sure, because, once again or as always , it's for power. A new way of continuing to oppress and divide the people, of continuing to create scapegoats instead of taking responsibility for their own actions now and in the past, as well as holding Western "elites" responsible for colonialism, without holding them accountable." whites" or people of European origin, if
were/it has been the ''elites'' who organized, sponsored and led the great navigations and "colonialist" projects... But postmodern judges supposedly opposed to oppression do not see this or pretend that it is not happening. Maybe because they are not that perfect. how they think to morally judge others, more than themselves...


Mais um exemplo de pseudo jornalismo e como seria se fosse um verdadeiro jornalismo/Another example of pseudo journalism and what it would be like if it were true journalism

 "Mulheres negras são vítimas desproporcionais de estupro no Brasil"


PONTO.

Uma notícia que circulou durante um tempo na mídia brasileira. 

Pois se trata de um pseudo jornalismo, forjado partir de uma narrativa ideológica, baseada em uma falácia de evidência suprimida, se não diz qual é o grupo que mais estupra mulheres, incluindo as mulheres negras, por ser "politicamente incorreto"...


Agora, como seria o jornalismo verdadeiro nesse caso


"Mulheres negras são vítimas desproporcionais de estupro no Brasil... E são os homens negros os que mais estupram mulheres negras" (dedução lógica com base no padrão de relacionamentos em que os intrarraciais tendem a ser mais comuns que os interraciais, e potencialmente confirmável pelas estatísticas).

Aí sim, temos a informação completa, os fatos mais relevantes informados, sem distorções ou falácias ideologicamente induzidas, tal como essa, mostrada acima e que visa transmitir ou reforçar uma ideia de vitimização de mulheres negras e omissão do papel de protagonismo dos homens negros nesse processo de vitimização. 

Isso não é racismo ou preconceito, ainda que possa ser usado para se fazer generalizações de causalidade entre raça e comportamento (conceito mais objetivo para o racismo). Até porque não significa que todos os casos de estupro de mulheres negras no Brasil têm como perpetrador um homem negro ou que todos os homens negros são estupradores em potencial. 

"Black women are disproportionate victims of rape in Brazil"

POINT.

A piece of news that circulated for a while in the Brazilian media.

Because it is pseudo journalism, forged from an ideological narrative, based on a fallacy of suppressed evidence, if it does not say which group rapes women the most, including black women, because it is "politically incorrect"...


Now, what would true journalism look like in this case?


"Black women are disproportionate victims of rape in Brazil... And it is black men who rape black women the most" (logical deduction based on the pattern of relationships in which intraracial relationships tend to be more common than interracial relationships, and potentially confirmable by statistics).

So yes, we have complete information, the most relevant facts informed, without ideologically induced distortions or fallacies, such as the one shown above and which aims to convey or reinforce an idea of ​​victimization of black women and omission of the leading role of black men in this victimization process.

This is not racism or prejudice, although it can be used to make generalizations about causality between race and behavior (a more objective concept for racism). Because it does not mean that all cases of rape of black women in Brazil have a black man as the perpetrator or that all black men are potential rapists.

Dois exemplos da ginástica de como a mídia cria mitos e narrativas falsas/Two gymnastics examples of how the media creates myths and false narratives

 Nádia Comaneci e Simone Biles 


Simone Biles tem sido alçada ao posto de maior ginasta de todos os tempos pela mídia ocidental, especialmente pela mídia americana. No entanto, para um esporte complexo, como a ginástica, essa afirmação é muito improvável de ser verdadeira, se, ao longo da história desse esporte, tem surgido muitos nomes que o revolucionaram; se a sua evolução cronológica torna praticamente impossível comparar ginastas de outras eras, como as/os que competiram entre as décadas de 30 e 70 do século XX, com ginastas dos anos 80 em diante, e mesmo de comparar os atuais com os de três, quatro décadas atrás; se a ginástica não é como um esporte coletivo ou em que o desempenho é analisado e comparado apenas pela quantidade de medalhas, tal como nos casos de muitos atletas desse esporte que o revolucionaram, mas não chegaram sequer a competir em uma olimpíada. Além desses fatores, também pelo fator referente às qualidades de um ou de uma ginasta, a americana definitivamente não é excepcional em todos os aspectos relacionados para ser considerada a melhor de todas: particularmente no aspecto artístico e no de execução, se destacando de maneira desproporcional apenas ou especialmente na dificuldade. Então, é possível afirmar que ela se firmou como uma das maiores ginastas de todos os tempos, com base no número de conquistas no esporte e também por ser uma das que tem contribuído com a sua evolução. Mas não é possível afirmar que seja a maior de todas ou de deixar isso sugerido, como muitos da mídia têm feito, e por razões bem suspeitas, por exemplo, para passar uma narrativa "anti racista", de "triunfo da mulher negra" (que eu já denominei de "racismo positivo", um tipo de supremacia, de exagero ou distorção de natureza racial, só que a partir de um elogio ou  conotação 'positiva", de qualquer maneira consistindo em uma generalização por relação de causalidade entre raça e comportamento, semelhante a fazer afirmações igualmente generalistas em tons mais negativos). 

Pois Simone Biles não é o único nem o maior mito midiático na ginástica artística, já que, bem antes dela, apareceu uma romena, de nome Nádia Comaneci, nos anos 70, e que foi alçada a uma categoria semi-divina, como se tivesse, e apenas ela, determinado o começo de uma nova era no esporte e, claro, principalmente por causa das narrativas que têm sido criadas pela própria mídia para reforçar sua mitologia. Mas, infelizmente, a partir de uma análise mais sóbria, é possível concluir que Nádia representa muito menos ao esporte em termos objetivos do que a mídia tem afirmado. 

Vejamos... 

Primeiramente, existe a afirmação, que é elementar ao seu mito, plantada por jornalistas e replicada, mesmo por muitos profissionais do esporte, de que Nádia foi a primeira ginasta a conseguir uma nota perfeita pela execução de um exercício, nas olimpíadas de Montreal, em 1976. Em termos oficiais e aparentes, isso é verdade, pelo menos para uma competição olímpica. Mas, se analisarmos de perto, veremos que não é bem assim. Primeiro que, se antes nenhuma* ou nenhum*" ginasta havia conseguido um dez "perfeito" era porque o sistema de pontuação simplesmente não permitia. É que esse sistema muda de tempos em tempos, geralmente entre um ciclo olímpico e outro. Então, foi durante o ciclo olímpico de Montreal, depois das olimpíadas de Munique, que foi praticamente decidido que o dez perfeito seria possível de ser dado a um ou a uma atleta (no artigo da Wikipédia, é dito que os juízes, antes desse ciclo olímpico, não acreditavam que o dez perfeito seria possível. Mas pode-se deduzir que foi uma decisão por convenção que o dez perfeito passaria a ser possível e não que foi um processo natural, como o artigo parece ter deixado a entender). Calhou que coincidiu com o período em que Nádia Comaneci começou a participar das competições oficiais entre ginastas sêniores. Segundo que, o tal primeiro dez perfeito da Nádia Comaneci foi por um exercício compulsório e não por um exercício opcional, que é mais simples e igual para todos que estão competindo (exercícios compulsórios foram rotineiros em competições de ginástica artística até às olimpíadas de Atlanta, em 1996, antes de serem "aposentados" ou extintos). E terceiro que, mesmo se com base no código de pontuação da época, em que o dez perfeito passou a ser permitido, o seu exercício nas barras não mereceu uma pontuação perfeita, até pela saída em que, visivelmente, ela dá uma salto pequeno para frente durante a aterrissagem no solo. Além disso, um dos primeiros, se não o primeiro dez perfeito em uma olimpíada, acredito que foi da ginasta soviética Nelly Kim, no salto, também em Montreal, se também acredito que foi, de fato, um exercício mais merecedor de uma pontuação perfeita que o da Nádia, até pela maior facilidade de se alcançar execuções muito altas no salto, por ser um aparelho mais simples.

* Parece que os primeiros "dez perfeitos" conquistados entre as mulheres na ginástica e em competições oficiais foi pela tchecoslovaca Vera Caslavska no campeonato europeu de 1967.

** Entre os homens, alguns ginastas já haviam conseguido tirar pontuações "perfeitas" na década de 20. 

Continuando... 

Antes de Nádia, nas olimpíadas de Munique, quatro anos antes de Montreal, apareceu Olga Korbut, e que, na minha opinião, foi mais influente para o avanço do esporte, contribuindo pela primeira vez para torná-lo mais popular, deixando o seu status como "esporte de nicho". Sem falar de suas performances carismáticas, difíceis e inovadoras para a época, especialmente os seus exercícios de trave e barras, esse último, considerado espetacular. Então, mesmo na época em que a Nádia competiu, nem de longe dá para dizer que ela foi a única ou uma das poucas a revolucionarem o esporte. Não tiro o seu mérito, suas qualidades atléticas excepcionais e suas contribuições. Mas, ao menos para mim, está claro que ela foi transformada pela mídia em um mito imerecido. 

Esses são dois exemplos de como que a mídia fabrica narrativas e mitos.




Nádia Comaneci and Simone Biles

Simone Biles has been elevated to the position of greatest gymnast of all time by the Western media, especially the American media. However, for a complex sport such as gymnastics, this statement is very unlikely to be true, if, throughout the history of this sport, there have been many names that have revolutionized it; if its chronological evolution makes it practically impossible to compare gymnasts from other eras, such as those who competed between the 30s and 70s of the 20th century, with gymnasts from the 80s onwards, and even to compare current ones with those of three, four decades ago; if gymnastics is not like a team sport or in which performance is analyzed and compared only/mostly by the number of medals, as in the cases of many athletes in this sport who revolutionized it, but never even competed in an Olympics. In addition to these factors, also due to the factor referring to the qualities of a gymnast, the American is definitely not exceptional in all related aspects to be considered the best of all: particularly in the artistic and execution aspects, standing out disproportionately only or especially in difficulty. So, it is possible to say that she has established herself as one of the greatest gymnasts of all time, based on the number of achievements in the sport and also because she is one of those who has contributed to its evolution. But it is not possible to say that it is the biggest of all or to suggest it, as many in the media have done, and for very suspicious reasons, for example, to convey an "anti-racist" narrative, of "the triumph of black women" ( which I have already called "positive racism", a type of supremacy, exaggeration or distortion of a racial nature, but based on a compliment or 'positive' connotation, in any case consisting of a generalization by a causation between race and behavior, similar to making equally general statements in more negative tones).

Because Simone Biles is not the only or the biggest media myth in artistic gymnastics, since, well before her, a Romanian woman named Nadia Comaneci appeared in the 70s, and was elevated to a semi-divine category, as if she had , and only her, determined the beginning of a new era in sport and, of course, mainly because of the narratives that have been created by the media itself to reinforce its mythology. But, unfortunately, from a more sober analysis, it is possible to conclude that Nadia represents much less to the sport in objective terms than the media has claimed.

Let's see...

Firstly, there is the statement, which is elementary to her myth, planted by journalists and replicated, even by many sports professionals, that Nadia was the first gymnast to achieve a perfect score for performing an exercise, at the Montreal Olympics, in 1976. In official and apparent terms, this is true, at least for an Olympic competition. But, if we look closely, we will see that this is not the case. Firstly, if before any-female* or male**" gymnast had achieved a "perfect" ten, it was because the scoring system simply did not allow it. This system changes from time to time, generally between one Olympic cycle and another. So, it was during the Montreal Olympic cycle, after the Munich Olympics, it was practically decided that a perfect ten would be possible to be given to an athlete (in the Wikipedia article, it is said that the judges, before this Olympic cycle, did not believed that the perfect ten would be possible. But it can be deduced that it was a decision by convention that the perfect ten would become possible and not that it was a natural process, as the article seems to have implied);coinciding period in which Nádia Comaneci began to participate in official competitions among senior gymnasts. Secondly, Nadia Comaneci's first perfect ten was due to a compulsory exercise and not an optional exercise, which is simpler and more equal for everyone who is competing ( compulsory exercises were routine in artistic gymnastics competitions until the Atlanta Olympics in 1996, before being "retired" or extinguished). And thirdly, even if based on the scoring code of the time, in which a perfect ten became allowed, her exercise on the bars did not deserve a perfect score, even due to the dismount in which, visibly, she makes a small jump to forward during landing on the ground. Furthermore, one of the first, if not the first perfect ten at an Olympics, I believe was by Soviet gymnast Nelly Kim, on the vault, also in Montreal, if I also believe that it was, in fact, an exercise more deserving of a perfect score than Nadia's, especially because it is easier to achieve very high vault executions, as it is a simpler device.

* It seems that the first "perfect ten" achieved among women in gymnastics and in official competitions was by Czechoslovakian Vera Caslavska at the 1967 European Championships.

** Among men, some gymnasts had already achieved "perfect" scores in the 20s.

Continuing...

Before Nadia, at the Munich Olympics, four years before Montreal, Olga Korbut appeared, and who, in my opinion, was most influential in the advancement of the sport, contributing for the first time to making it more popular, leaving its status as a "niche sport". Not to mention her charismatic, difficult and innovative performances for the time, especially her beam and bars exercises, the latter considered spectacular. So, even at the time when Nadia competed, it's not even close to saying that she was the only one or one of the few to revolutionize the sport. I don't take away his merit, her exceptional athletic qualities and contributions. But, to me at least, it is clear that she has been turned into an undeserved myth by the media.

These are two examples of how the media manufactures narratives and myths.

Source: https://en.m.wikipedia.org/wiki/Perfect_10_(gymnastics)

quarta-feira, 24 de julho de 2024

Sobre a relação entre autoconhecimento e racionalidade/About the relationship between self-knowledge and rationality

 Subestimar ou superestimar potenciais e limites é por si só irracional, um mal julgamento, uma insensatez que costuma repercutir seriamente em outras áreas, inclusive sobre a própria capacidade racional. Portanto, alguém que apresenta um autoconhecimento distorcido é provável que faça o mesmo em relação a outros conhecimentos, como a própria capacidade de pensar racionalmente. Por exemplo, uma pessoa que acredita que sabe mais matemática do que realmente sabe, ou que acredita ter um grande talento artístico que não tem, ou que acredita saber mais sobre geopolítica, história, comportamento, enfim, sobre ciências humanas, do que realmente sabe, enfim, o que está subentendido em todo mal julgamento, que é a dificuldade de discernir fatos de inverdades, consequência direta de uma dificuldade de pensar e julgar com ponderação: com objetividade e imparcialidade...


Underestimating or overestimating potentials and limits is in itself irrational, a bad judgment, a folly that usually has serious repercussions on other areas, including on one's own rational capacity. Therefore, someone who presents distorted self-knowledge is likely to do the same in relation to other knowledge, such as their own ability to think rationally. For example, a person who believes they know more mathematics than they actually do, or who believes they have great artistic talent that they don't have, or who believes they know more about geopolitics, history, behavior, in short, about human sciences, than they actually know. , finally, what is implied in every bad judgment, which is the difficulty of discerning facts from untruths, a direct consequence of a difficulty in thinking and judging thoughtfully: with objectivity and impartiality...


A filosofia, idealmente, moraliza a ciência /Philosophy, ideally, moralizes science

 Porque, sem a moralização da filosofia, isto é, sem a construção de uma consciência crítica, diga-se, da única e verdadeira filosofia, que é a sabedoria, a ciência inevitavelmente se torna antiética, se servindo como um meio para fins escusos (como tem acontecido, historicamente), mas mesmo se se expressasse como um mero passatempo de curiosidade, já que acabaria justificando a crueldade como necessária ou inevitável para a investigação científica.


Portanto, a filosofia atuaria como a base teórica e ideológica da ciência, mas também como um complemento necessário de direção ideal.

Pois se a ciência se especializa ou se divide em muitas áreas de investigação e expansão do conhecimento, a filosofia, idealmente, atua como um farol de sanidade máxima que sempre busca pelo julgamento mais sensato e que, em complemento à ciência, é vital para que não se perca do caminho da sabedoria (como tem feito, historicamente). E o pensamento ou julgamento mais sensato de todos é o de sempre apontar para as verdades mais importantes, que são as mais derradeiras, como a finitude e a igualdade essencial da vida e a ausência de um sentido que explique a existência de maneira que satisfaça as expectativas humanas; sempre lembrando à ciência que tudo o que se faz, no final, nada mais é do que "enxugar gelo".


 Because, without the moralization of philosophy, that is, without the construction of a critical consciousness, by the only and true philosophy, which is wisdom, science inevitably becomes unethical, serving as a means for hidden ends ( as has happened, historically), but even if it were expressed as a mere pastime of curiosity, as it would end up justifying cruelty as necessary or inevitable for scientific investigation.

Therefore, philosophy would act as the theoretical and ideological basis of science, but also as a necessary complement of ideal direction.

For if science specializes or is divided into many areas of investigation and expansion of knowledge, philosophy, ideally, acts as a beacon of maximum sanity that always seeks the most sensible judgment and which, in addition to science, is vital for do not lose its way from the path of wisdom (as it has historically done). And the most sensible thought or judgment of all is to always point to the most important truths, which are the most ultimate, such as the finitude and essential equality of life and the absence of a meaning that explains existence in a way that satisfies human expectations; always reminding science that everything we do, in the end, is nothing more than "wiping ice".