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quinta-feira, 2 de março de 2023

A "escola" não "ensina" a pensar e a gostar de conhecimento...

 A escola, digo, o sistema tradicional de ensino, dominante nas escolas brasileiras, simplesmente não "ensina' como pensar de maneira racional ou inteligente, pois se limita à exposição e memorização mecânica de "conhecimentos' e que, dependendo, da matéria (geralmente das ciências humanas), também ocorre muita doutrinação ideológica*, de distorções de fatos (históricos, sociais, etc) por motivação político-ideológica: do autor do livro didático, do professor, do diretor do colégio... do próprio ministério da educação...  


* Doutrinação não é o mesmo que educação porque a primeira consiste numa imposição acrítica de pontos de vista ou perspectivas tratados como verdades incontestáveis enquanto que, a verdadeira educação é a exposição e o ensino exclusivo de conhecimentos, inclusive do pensamento lógico-racional, buscando pela objetividade e imparcialidade (que não é o mesmo que neutralidade) ou justiça.  

Em outras palavras, o sistema tradicional de ensino enfatiza a capacidade de aprendizado sobre a capacidade de raciocínio, por valorizar a obediência à autoridade do professor sobre o ensinar a pensar por conta própria, que aumentaria a paridade de poder entre estudante e professor. 

Então, de fato, não "ensina" o estudante a analisar e julgar informações (capacidade de raciocínio) mas apenas a memorizar o que pede e replicar o que memorizou em suas avaliações (capacidade de aprendizado).  E nem estou comentando de novo sobre outras falhas elementares desse sistema, possivelmente a maior delas que é o completo desprezo do mesmo à diversidade psicológica e cognitiva do corpo discente.

A "escola" também reforça a ideia (mesmo se de maneira não-intencional) de que o conhecimento é apenas uma obrigação e não também ou especialmente uma forma de entretenimento, contribuindo, talvez**, para alimentar a alienação de muitos estudantes à possibilidade de transformá-lo em um aspecto permanente de suas personalidades ou de seus cotidianos.

** Ou apenas coincidindo com o que a maioria pensa, para a qual não é possível que o conhecimento se torne uma fonte primária de entretenimento. 

sábado, 14 de janeiro de 2023

Sobre inteligência (QI) e inteligência (capacidade racional ou CR)

 Inteligência (QI) = capacidade de aprendizado


Inteligência (CR) = capacidade de raciocínio

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Segundo os testes cognitivos a inteligência é apenas o raciocínio, até mesmo por ser mensurada a partir de uma perspectiva não-cultural/sem ser em relação ao mundo real [com variáveis reais]...

No entanto, a inteligência, obviamente, também é o resultado desse raciocínio.

ESTIMAR é quase o mesmo que prever o resultado, só que com base em seu processo, e acabando por prever apenas o processo, e não o resultado. E este último só pode ser factualmente mensurado/e analisado no mundo real, por meio do uso de variáveis reais...

E claro que eu me refiro especialmente em relação ao aspecto cultural ou macro-real, porque no aspecto mais puramente cognitivo/mecanicista, os testes cognitivos, ainda que continuem a pecar, são muito mais eficientes.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Independência intelectual para entender conceitos como proxy para insights e a metáfora do passeio em câmera lenta e rapidamente

Vamos caminhar??

Vamos imaginar que nós vamos fazer uma caminhada em alguma trilha de campos verdejantes e ar puro. No entanto ao longo do trajeto nós começamos a apresentar atitudes diferentes porque enquanto que eu me abstraio com a música do meu smartphone e não dou muita importância para a bela paisagem, você faz o exato oposto e aprecia cada detalhe. Eu estou atomizado da realidade e pode ser possível que essa caminhada passe mais rápida pra mim enquanto que você está em profundo contato com o seu redor que também é o meu, no momento, e como resultado, "nada" escapa ao seu olhar vigilante e receptivo. 

No final da caminhada nossos amigos nos perguntam como foi. Eu respondo que foi ótima e sem maiores considerações. No entanto você tem quase que uma história pra contar: a beleza do canto dos passarinhos logo pela manhã, o céu misto de nuvens mais nubladas e o sol brilhando entre elas, o cheiro de mato molhado de sereno da noite, e até um gambá simpático que definitivamente passou batido para os meus olhos. 

Agora vamos imaginar que, ao invés de uma caminhada, nós estamos na faculdade sendo expostos ao mesmo conjunto de conceitos ou conhecimentos. Aí o mesmo acontece. Eu internalizo rápido ou apreendo as diretrizes mais centrais desses conhecimentos, enquanto que você, vai analisando cada conceito, se deparando com cada detalhe saliente ou explicitado. Pode ser que você tenha maior dificuldade, pode ser que antes de internalizar a superfície de um todo, você prefira ir aos poucos, mesmo aos trancos e barrancos, tentando entender o que está sendo passado. E mesmo de maneira mais aleatória, porém natural, você vai percebendo mais detalhes/possíveis insights, e até, talvez, aprendendo de maneira bem mais profunda do que eu.


Essa parece ser uma das diferenças principais entre os semanticamente inteligentes típicos e os criativamente inteligentes, especialmente quando são expostos ao mesmo conhecimento ou realidade, e quando apresentam motivação ou capacidades semelhantes. O semanticamente inteligente típico pode ser que apreenda rápido demais. Já o criativamente inteligente típico é esperado que triturará o mesmo conhecimento ou realidade de maneira mais aleatória e vagarosa, porém com maiores chances de ter insights e de se aprofundar melhor no mesmo.

Algum tempo atrás eu assisti a apresentação, em formato TED, de Jacob Barnett, o prodígio autista que se dedica ao estudo da teoria da relatividade de Albert Einstein [vídeo que está disponível na internet, e com legendas]. Barnett usou o exemplo de Isaac Newton para explicar o processo da criatividade, em como que, a maneira de pensar deste gênio britânico, pode ter contribuído para a elaboração de suas 'teorias'. Basicamente, Newton ao invés de devorar livros sobre o seu assunto de interesse, decidiu "pensar por conta própria" isto é, raciocinar, digamos assim, de maneira mais fluida e independente. Isso se consiste em uma das facetas da independência intelectual, de, ao invés de seguir certa manada, passar a pensar por conta própria. E pensar por conta própria é sempre mais lento e trabalhoso do que apenas engolir informações trituradas, que, a priore, é sempre mais fácil, especialmente quando já se tem uma certa facilidade. 


Tal como aprender a dirigir sozinho do que ter alguém para ensinar. 

É na base da teoria e prática, erros e acertos, que de fato, se começa a pensar de maneira potencialmente criativa, pela hiper- perceptividade, e que, inevitavelmente, precisa ser provocada por uma maior independência intelectual.

Por essa análise parece-me que a criatividade se consistiria numa espécie de ''inteligência prático-analítica'', em que ao invés de ''apenas' internalizar as informações que estão sendo passadas, também de analisá-las, isto é, de fazê-lo por conta própria, na prática.

Eu já especulei, claro que, de maneira bem amadora, quanto às [possíveis] diferenças neurológicas entre o cérebro de um típico superdotado [semanticamente inteligente} e o cérebro de um superdotado criativo. O primeiro parece que faz menor esforço para apreender algo, por causa de sua maior facilidade natural, enquanto que o outro parece seguir o caminho oposto. O primeiro é eficiente, isto é, tem um cérebro eficiente que rapidamente apreende, internaliza e aprende sobre certa informação que está sendo passada, enquanto que o segundo é completo, porque usa ou recruta muitas áreas de seu cérebro para raciocinar, diferente do/que o primeiro. 

O inteligente /cristalizado apreende rápido. Já o criativo /mais fluido, por ter uma espécie de ímpeto para aprender por conta própria, acaba tendo mais percalços durante esse caminho do que o inteligente/cristalizado, porque ele é mais manual em sua exploração psico-cognitiva. Muito mais manual. Portanto o seu pensamento tende a ser/pode ser não-linear ou mais caótico e lento, porém potencialmente mais profundo.


Interessante que apesar de ser mais manual, isso não significa que não será mais intuitivo, pelo contrário. Eu já fiz esta comparação entre ''piloto automático ou instinto'' e ''piloto manual ou deliberação''.

Nesse sentido de análise comparativa, o criativo seria mais manual em sua abordagem analítica, por usar mais as suas faculdades fluidas, enquanto que o semanticamente inteligente seria mais automática, por usar mais as suas faculdades cristalizantes/cristalizadas, internalizando ou agregando mais informações sobre certo conhecimento, e geralmente dando menor atenção aos seus detalhes. Como eu já especulei, o criativo teria uma menor capacidade de internalização ou de memorização, e por isso utilizaria mais as suas capacidades fluidas, de raciocínio. Com ou sem insights em potencial, a abordagem do pensamento criativo poderia ser descrita de modo semanticamente literal como ''capacidade analítica'' [comparativa/qualitativa] por excelência, porque de fato, ou parece ser que, o mais criativo seja mesmo o mais analítico em sua percepção, especialmente naquilo em que exibe maior facilidade, enquanto que o semanticamente inteligente tende a confiar mais em sua memória do que em seu raciocínio.

É até mais interessante pensar que a quase totalidade do conhecimento produzido pelo ser humano se deva às suas classes criativas e que portanto aquilo que o semanticamente inteligente faz e que o caracteriza, por definitivo, é a de internalizar com maior facilidade a ''velha [e não-tão-velha] criatividade'', que se transformou em ''parte natural'' da paisagem cultural ou do conhecimento humano. 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Capacidade de raciocínio crítico analítico é predominantemente independente de qi e adendos importantes... ou não

Como que podemos interpretar isso??

Por exemplo vamos comparar com a relação entre habilidades matemáticas e QI. A porcentagem de pessoas com excelentes a excepcionais habilidades matemáticas e com pontuações baixas em testes cognitivos parece ser muito baixa. Como resultado podemos concluir que habilidades matemáticas se correlacionam de maneira considerável com as pontuações em testes cognitivos de maneira tal que a grande maioria daqueles que são excepcionais nessas capacidades é muito provável que pontuarão no mínimo bem acima da média nos testes. Por outro lado o mesmo não pode ser dito em relação à excepcionalidades que se relacionam diretamente com o refinamento do pensamento. Ainda haverá uma correlação entre QI e raciocínio crítico-analítico do tipo até 50% das pessoas com essas habilidades bem desenvolvidas pontuarão bem acima da média nos testes, em contraste com as habilidades matemáticas em que ao menos 90% o farão de maneira consistente. 

Mas por que??

Novamente. Os testes cognitivos mensuram potencial cognitivo, mas não não o potencial psicológico, que também é muito importante para o raciocínio. A inteligência humana não é apenas a sua "máquina" mas também a sua "alma". Os testes mensuram potencial e não realizações ou mesmo prelúdios mais diretos de realização. Mensura e não analisa


Sua intenção primordial é construir uma hierarquia com base em um código de pontuações e não de capturar toda a diversidade conceitual do termo inteligência em indivíduos e coletividades. 

QI não "mensura" sequer racionalidade à sabedoria, que se consistem basicamente na manifestação máxima do raciocínio aplicado para a compreensão factual, crítico-analítica. 

QI não 'mensura" vulnerabilidade para a apofenia ou pensamento mágico cristalizado.

Enfim todas as nuances qualitativas mais salientes da inteligência são eu não diria desprezadas mas sequer pensadas na mensuração que é proporcionada pelos testes de QI. 


O raciocínio e em especial o estilo de raciocínio que tende a desembocar em boa parte de nossas ações psico-cognitivas é a manifestação mais pura do conceito multifacetado da inteligência só que realmente aplicado pra diferentes perspectivas existenciais.

 Portanto enquanto que aquilo que os testes mensuram/testam não se consiste na manifestação, na confirmação prática, no mundo real, do conceito de inteligência, dela em si mesma, o estilo de raciocínio e em especial em direção à sabedoria consiste-se "apenas" no próprio conceito da inteligência só que "exemplificado", refletido, demonstrado.

 Tal como se começássemos a trabalhar o termo amor e quiséssemos prová-lo, mostrar como que ele se manifesta. O raciocínio e em especial o racional a sábio e aplicado no mundo real consiste-se exatamente na "demonstração da inteligência", aquilo que antes e ainda hoje sabemos o que é quando a vemos mas não sabemos explicar o que estamos ''vendo''/percebendo. Mentira. Balela. Sabemos sim. 

Uma máquina que é boa para fazer contas mas mediana para tomar decisões ou fazer julgamentos 

Imagine exatamente o que propus acima, uma máquina inteligente que é especializada em habilidades matemáticas, e claro que pra isso ela precisa ser boa também em capacidade verbal, na interpretação dos problemas e em suas resoluções. Só que esta máquina veio com "defeito" ou defeito, se é algo bem saliente, pois ela não é tão boa assim na capacidade de julgamento ou sabedoria.


Se lhe fosse dado uma bateria de testes cognitivos essa máquina é provável que pontuaria alto... No entanto não o faria em relação à sabedoria, ou ao menos racionalidade, se lhe fosse dado um hipotético teste de ''qualidade psico-cognitiva''. 

Exposição e aplicação


Mentes que não são artificialmente inteligentes aplicam, comparam, relacionam/interligam as informações que recebem ou que capturam no mundo real e entre elas mesmas.

Mentes artificialmente inteligentes, isto é, que estão providas por melhores, ou seria melhor dizendo, maiores habilidades, em uma particularidade secundária, por exemplo grande inteligência verbal mas pobre compreensão factual, ou generalizadamente superficial, o superdotado trivial ou o aluno nota 10, por outro lado apresentam maiores ou mesmo grandes dificuldades para transferir aquilo que internalizaram, isto é, aplicando o conhecimento e como cientistas amadores ou mesmo de nascença prevendo, ou mesmo comprovando pra si mesmos primeiramente se certa informação é robusta o suficiente para ser tratada como conhecimento ou conjunto de fatos. Esta constante transferência prática  ou aplicação, da teoria à prática, exige eu não diria de grande mas objetivo conhecimento para que possa ser desenvolvido e compreendido. Na prática a maioria das pessoas pelo que parece tendem a ficar apenas na teoria acreditando que a mesma se consista na prática especialmente naquilo que se comunica mais profundamente com as suas almas evolutivas, que se consiste basicamente em alimento para as suas caminhadas evolutivas ou que muitos preferem chamar "preconceito cognitivo" e que talvez também possa ser chamado de "disposição instintiva de ideação a comportamento". Paradoxalmente ou nem tanto aquilo que mais nos conforta mesmo que se consista em algo perigoso a longo prazo é o mais provável de nos fazer de tolos. 


Nossa própria segurança ou zona de conforto facilmente pode se
transformar em uma prisão e geralmente assim também o é. Podemos vislumbrar a supremacia da zona de conforto no reino animal em que a criatividade autoconsciente encontra-se praticamente inexistente. Aquilo que protege o organismo ou sua cultura instintiva herdada [características bio-comportamentais], por ser muito especializada, tenderá a fazê-lo refém se a dinâmica evolutiva de sobrevivência em que vive mudar. 


Portanto, sem a objetividade filosófica ou sábia, mais uma capacidade de, de fato, interligar/comparar/pesar/julgar aquilo que está interagindo, tudo aquilo, poder-se-á ser chamado de ''artificialmente/superficialmente inteligente''.

Qi e técnicas culturais

Os testes cognitivos "também' mensuram qual é o nível de capacidade cognitiva para aprender/apreender e internalizar as técnicas culturais humanas mais basais, nomeadamente a capacidade abstrato-quantitativa ou matemática e a capacidade abstrato-conceito--associativa ou verbal. Também mensura a conjugação da técnica cultural abstrato-quantitativa com os domínios cognitivos de natureza espacial. Apesar de serem muito importantes para a espécie humana essas técnicas culturais basais que podem ser encontradas em todas as sociedades especialmente a linguagem e sistemas numéricos mais rudimentares, é o raciocínio que se consiste na verdadeira base da inteligência humana de maneira que os testes cognitivos apenas se esbarram no mesmo mas não o mensuram em toda sua imprescindibilidade, isto é, especialmente quando aplicado no mundo real, como eu já falei várias vezes. No mundo, na vida aqui e agora, toda a ilusão humana geralmente recreativa, inclusive toda sorte de competições escolástica e laboralmente recreativas, esfacelam-se rente à urgência da sabedoria ou da estupidez, onipotentes, pontos finais e/ou pólos mutuamente opostos, onipresentes em cada passo que damos diariamente em nossas empreitadas existenciais.

Portanto ainda existe a inteligência em sua forma mais pura, universal, que é anterior à essas técnicas culturais basais humanas, enquanto que os testes cognitivos encontram-se sob o domínio ou necessidade do aprendizado dessas técnicas culturais primárias para que possa ser corretamente usado.