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quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Nova tipologia de personalidade: instintiva/domesticada/lógica/racional-sábia

Personalidade instintiva: mais emocional (no sentido defensivo/agressivo//negativo)

Nível alto de reatividade
Baixo de afetividadeE de reflexividade 

Personalidade domesticada: mais emocional (no sentido receptivo//positivo) 

Médio de reatividade

Alto de afetividade
Baixo de reflexividade 

Personalidade lógico-racional: mais reflexiva porém ainda 

Baixo de reatividade, de afetividade
E médio de reflexividade

Personalidade racional-sábia: 

Alto de reatividade, de afetividade e de reflexividade

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Influência genética ou instintiva

Todo mundo fala em "influência genética no comportamento" mas talvez, seja de melhor tom, também falarmos em "influência do instinto no comportamento". Se você e eu não somos geneticistas então o instinto aparece como uma maneira muito mais prática de se entender quais são as influências que produzem os nossos comportamentos do que ''os genes''. 

Primeiro vamos buscar pelo conceito, diga-se, simples, do termo principal deste texto: instinto.

O que é o instinto*

Segundo a wikipédia, o instinto são predisposições inatas para a realização de determinadas sequências de ações (comportamentos) caracterizadas sobretudo por uma realização estereotipada, padronizada e predefinida. Ainda segundo a wikipédia, o instinto é um comportamento característico dos animais, e me parece que não incluíram o ser humano aí.

O comportamento instintivo como eu já comentei, de acordo com as minhas concepções capengas sobre o termo, se baseia basicamente no pensamento e ação simultâneos. Evidente que, quando agimos, é porque durante a ação, também pensamos simultaneamente em sua execução. Por exemplo quando coçamos a mão.  Eu não diria que o instinto se consistiria em um ''comportamento involuntário'', tal como acontece com as batidas do coração, porque mais parece ser um meio-termo entre o comportamento involuntário e o comportamento deliberado, voluntário ou supra-consciente. É o que eu estou fazendo ''agora'', redigindo este texto. Eu estou sendo, indiretamente instintivo, porque estou acessando os meus conhecimentos internalizados sobre ortografia, gramática [kakakakaka], composição ou organização das palavras, para criar frases coesas [tentativas, diga-se], acessando também os meus [parcos ou parquidérmicos] conhecimentos nessa área, visando com isso, não apenas produzir um texto coerente, mas também com conteúdo específico e relativamente bem trabalhado. Ação/pensamento simultâneos estão resultando neste texto. Eu penso muito rapidamente no que vou escrever, que se dá de maneira intuitiva [que eu qualifiquei como o estilo de pensamento instintivo], e descarrego esses pensamentos em palavras, exatamente como eu estou fazendo agora. Creio eu que, não exista comportamento sem instinto, e que, as diferenças entre ações/reações completamente instintivas e as mais deliberadas, se dão a nível de intensidade, em o quão ''automático'' que estão. O instinto seria a base para o comportamento, por isso que, não há como termos, metaforicamente falando, um prédio sem um solo que o acomode.

O instinto não é apenas ''um comportamento de animal'', porque nós, seres humanos, não temos total acesso ao livre arbítrio, como muitos ainda teimam em afirmar, ainda que estejamos no processo, no meio do caminho para que, talvez, no futuro, a humanidade possa se tornar ''mais livre'' de suas taras instintivas mais problemáticas ou ao menos de dominá-las. O instinto não é apenas para a sobrevivência, ainda que, em ambientes naturais, a mesma se consista na demanda mais hegemônica, porque precisa ser constantemente acessada. Por causa do conforto [nem tão confortável assim, mas ainda um baita de um conforto] da civilização, podemos pensar em muitas outras coisas, diga-se, muitas delas frívolas, do que a própria sobrevivência, e isso parece explicar parcialmente o porquê de termos desenvolvido esta falsa impressão de que não sejamos tão instintivos assim como os outros animais ou seres vivos. 

Confunde-se agressividade com instinto, como se fossem sinônimos, mas na verdade a primeira é um efeito [via seleção natural] do segundo, especialmente dentro de ambientes evolutivos altamente competitivos e perigosos.

Por causa de sua ''auto''-domesticação, o ser humano tem de fato deslocado a sua base instintiva, de uma ênfase constantemente alarmista, que é fundamental ou que tem sido fundamental para a sobrevivência no meio natural, para uma ênfase mais social. Por isso que ''temos'' desenvolvido sistemas de comunicação [línguas e vocabulários] tão sofisticados e sim, temos combinado /co-evoluído com eles, por meio das nossas capacidades de aprendizagem intuitiva/automática. Isto é, temos como base o instinto cognitivo, só que mais amalgamado ou flexível, para o aprendizado de novas ''habilidades''. Só que, essas ''novas'' habilidades já são derivadas das bases instintivas que estão disponíveis dentro de uma população, isto é, se consistem em sofisticações dessas bases. 

Por exemplo, por que a grande maioria dos seres humanos aprendem tão rápido a falar uma língua ainda na primeira infância* 

Primeiro porque nós já apresentamos pré-disposições para aprendê-la, isto é, a língua é um software porque se consiste em uma tecnologia cultural, que foi sendo gradualmente desenvolvida [de acordo com que o ser humano foi se tornando mais inteligente, e na verdade, pode-se dizer que esta se consiste na expressão do ápice deste processo, até agora] e passada culturalmente de geração em geração. Portanto as bases para apreendê-la, que tende a independer da língua [crianças transnacionalmente adotadas que aprendem a língua nativa dos seus pais adotivos, por exemplo], já estão fixadas, isto é, se consistem em partes dos nossos instintos, só que, amalgamados, em que, ao invés de nascermos ''sabendo'', como no caso de alguns filhotes de outras espécies que já nascem sabendo andar, nós nascemos com um potencial, e de acordo com que vamos nos desenvolvendo e sendo expostos à língua, nós vamos aprendendo a falá-la até mesmo porque o desenvolvimento humano tende a ser muito mais lento. Os animais que já nascem sabendo andar, o fazem porque boa parte dos seus desenvolvimentos se dá durante as suas gestações. Poder-sei-a dizer que, o instinto se consiste na manifestação direta ou no comportamento/expressão do organismo/forma, e que, quanto mais abrangente for o desenvolvimento durante a gestação, mais instintivo, a priore, o comportamento se tornará. É como se todo o desenvolvimento mental/cerebral e nervoso de um indivíduo já tivesse ocorrido durante a gestação, e quando nasce, ele não precisa aprender ''novas' habilidades, mas de ''apenas'' aplicar as suas habilidades em seu cenário de vivência buscando com isso sobreviver às suas intempéries. 

Percebe-se que o instinto se consiste basicamente na auto-projeção da forma/organismo em direção ao cenário ou ambiente de vivência.

Mais intrínseco, inflexível e mesmo, automaticamente perfeccionista, for o comportamento, mais instintivo será.

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Ok, nem sempre...

O instinto no caso do ser humano e de sua gama de comportamentos, seria, metaforicamente exemplificando, tal como um grupo de copos vazios de diferentes formatos ou ''potenciais'', ''esperando'' pra serem preenchidos. Nas espécies mais instintivas, os copos já estão cheios e não há o que preencher. Este tempo ou hiato, desde o nascimento até ao pleno desenvolvimento de uma intrinsicabilidade que, parece diferenciar o ser humano de sobremaneira em comparação aos outros seres vivos.

 O instinto principia-se sempre pela base/auto-projeção do organismo via comportamento. Por exemplo, um indivíduo que é verbalmente superdotado. As suas bases instintivas ou intrínsecas, que também podemos chamar de pré-disposições, para aprender a falar e a escrever de maneira consistentemente correta, são uma de suas potencialidades que, progressivamente vão tomando a forma de ''realização pessoal'' [de potencial para realização ou ''potencial preenchido'']. Ele já nasce com esta ''base instintiva'' e de acordo com que vai ''superando etapas do seu desenvolvimento'', as suas habilidades verbais vão sendo, quase que, naturalmente desenvolvidas. O cérebro cresce, sofre uma explosão gradual de neurônios, as partes atreladas à linguagem, se desenvolvem mais, mesmo se for a partir de um ambiente que estiver fora do ideal. 

 Sem base não tem como haver desenvolvimento. Sem uma pré-disposição, facilidade ou potencial para ser preenchido, não há como desenvolver certa habilidade. A minha metáfora dos elásticos. Quanto mais elástico, maior o potencial. Quanto mais rígido for o elástico, mais difícil de desenvolver o potencial. Quanto mais fácil, natural de se aprender certa tarefa, mais intrínseco ao ser, mais instintivo. 

Então o que não é instinto no comportamento** [mas que, como sempre, deriva dele]

O pensamento ''reflexivo' é provavelmente a característica mais distinta do instinto, ainda que, derive do mesmo, como todo comportamento, por se consistir exatamente em sua avaliação, isto é, nas espécies mais instintivas, ''o instinto corre solto'' e nunca é avaliado pelo próprio organismo. É como, outra metáfora, lá vai, se tivéssemos uma criança que sempre apronta das suas e os seus pais nunca a punisse pelo seu comportamento [cenário instintivo], e quando nós temos pais que de fato visam [tentar] educar o seu pimpolho traquinas e passam a vigiar as suas atitudes. A autoconsciência parece ser o começo do controle do instinto, que antes agia sem maior auto-crítica, e agora, pode ser re-avaliado. E claro que isso também quer indicar maior plasticidade no comportamento, maior capacidade de mudar de pensamento, de avaliá-lo, claro que, de maneira mais introspectiva. 

Portanto, neste não tão singelo texto, eu tentei, vocês viram, explicar que, parece ser mais prático, entendível e mesmo útil buscar entender e aplicar o termo instinto em relação aos nossos comportamentos, em como que são construídos, de onde que eles vem, pra onde que eles irão, enfim. Genes são essas coisinhas que nunca vimos mais gordos. Precisamos voltar para o concreto quando o abstrato se torna demasiadamente abstrato. Ainda abstrato, o termo instinto remete a nós algo que nós é mais familiar do que a genética, que pode ser comparado. Tal como o comportamento agressivo, o instinto pode ser comparado e visualizado a olho nu. Os genes não necessariamente. É claro que os genes são importantes, que não devemos jogar fora toda a pesquisa que os estuda, mas eu acho que também é importante analisarmos a partir desta perspectiva, diga-se, mais intermediária, entre a genética e o comportamento. Herdamos genes, mas também herdamos disposições ou pré-disposições comportamentais, em outras palavras, instintos e também, talvez, porque não, faz sentido, plasticidades. Pois é, temos instintos e plasticidades, e acho que a única ou derradeira plasticidade seja justamente a capacidade ''reflexiva', de re-avaliação do comportamento. 

Por enquanto é isso, que bom!!


segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Pensamento REFLEXIVO. Eu sempre achei que isso fosse bom mas tive um "insight intuitivo" (quase todo insight é intuitivo diga-se) via precisão semântica. Refletir não é tão bom assim viu?

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Fonte: Questões de fisioterapia comentada wordpress

Vamos imaginar que vc está dando uma palestra e depois de sua apresentação todos o aplaudem e o felicitam por suas palavras e pensamentos. Então vc se dirige para o seu carro e numa espreita involuntária flagra algumas pessoas que assistiram a sua palestra repetindo os seus pensamentos e palavras mais importantes. Você concebe como normal  mas depois volta a presenciar um outro grupo de pessoas que também assistiram a sua palestra com o mesmo comportamento, repetindo exatamente as mesmas palavras e pensamentos-chave que disse. E o que era normal, passou a coincidência e no fim quando continua a se deparar com a mesma situação conclui que algo errado está acontecendo porque as pessoas que foram a sua palestra estão como zumbis. Elas parecem reflexos de tudo aquilo que disse em sua palestra, elas apenas refletem as suas palavras e os seus pensamentos mais importantes, tal como espelhos. 

Elas refletem, como reflexos. 
Elas criticam? 
Elas analisam?

 Não. 

Elas apenas refletem de maneira indiscriminada, repetitiva, e pode-se dizer ainda, de maneira mecanicamente perfeita. Refletir é repetir só que em imagens. Quando o verbo refletir é conjugado com o substantivo pensamento, a ideia, até então, pra mim e pra maioria das outras pessoas, era boa, sinal de racionalidade, de autoconsciência. No entanto ao aplicar a precisão semântica o termo ao menos pra mim adquiriu outra faceta, consistentemente menos correta, ainda interessante. 

As pessoas não refletem os seus pensamentos no sentido de os criticarem, de os analisarem, mas apenas de os refletirem como se fossem espelhos. Talvez pudéssemos pensar no adjetivo reflexivo no sentido de reativo, que reage, que apresenta reflexos. No entanto como o termo também quer indicar reflexão, no sentido de espelhamento, de repetição, de reflexo de espelho ou de qualquer outra figura ou elemento que se projeta em outra realidade física, que se reflete, o mesmo me parece por agora bastante dúbio ainda mais quando ouvimos da maioria das pessoas que é importante refletir sobre a vida, sobre os nossos pensamentos.

 Eu tenho percebido que duas palavras se repetem com frequência na classe artística ao menos do Brasil: Espaço e reflexão. Eles tendem a falar muito sobre "ocupar espaços para difundir a cultura ou a arte" assim como também sobre "convites à reflexão". Sabemos que esta galerinha em média parece do tipo que adora um "papo cabeça" desde que prontamente "esquerdizado" e bastante superficial em que a beleza da narrativa é mais importante do que a qualidade factual da mesma. Como resultado é comum que se repitam com esses trejeitos, apesar de não lhes ser uma particularidade, afinal todo grupo acaba por criar um vocabulário próprio de identificação. No entanto, recentemente, chamou-me a atenção ao vê-los pela TV local "convidando o público à reflexão" e talvez a partir de agora, faz algum sentido repetirem este bordão em específico e sem se parecem superficiais em suas palavras como quase sempre o fazem afinal, de fato eles desejam que o seu público reflitam as suas ideias ou propostas E NADA MAIS.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Normalidade intelectual: Mentalidade de bloqueio/torpor

Em condições excepcionais/ de risco de vida as pessoas tendem a parar de raciocinar pensando unicamente na própria sobrevivência. Como quando multidões tentam sair ao mesmo tempo de um estabelecimento ardendo em chamas ou quando tentam entrar ao mesmo tempo no ônibus que já está lotado. Não há raciocínio, não há ponderação, existe apenas a vontade de se fazer aquilo. E sem pensar é claro que as pessoas acabarão agindo como tolas. 

Mas pelo que parece não são apenas em momentos calamitosos, de alto risco que deixamos de pensar, isto é, pelo simples ato de pensar-antes-de-reagir. 

Mesmo quando não estamos em multidões ou em situações de risco tendemos a ser mais propensos a bloquearmos o simples ato de raciocinar, fértil na criatividade, pois ficamos ANSIOSOS pelas conclusões, de sairmos deste"martírio" de se pensar mais profundamente. Me parece que, tal como eu tenho matematicofobia, medo, mal estar, ansiedade para pensar em problemas matemáticos, muitas pessoas parecem ter uma fobia mais generalizada, tal como uma intelectofobia. Nossas mentes nos bloqueia, nos previne de/para não pensarmos, tal quando o corpo nos previne de pular do precipício, por causa do medo do novo, do incerto. A agitação intelectual nos pensadores mais constantes e ativos dá lugar ao torpor, confirmando que a ignorância pode ser mesmo abençoada. A tsunami de insights e questões paradigmáticas ou paradoxais sede ao bloqueio mental e ao invés de se pensar em possibilidades, algumas reais, simplesmente é acionado o sistema de fuga, fugindo do desafio ou mesmo sequer buscando pelo mesmo.

A criatividade puramente intelectual mais a objetividade prática mostram-se fundamentais em situações de risco porque muitas vezes as mesmas bloqueiam naturalmente a possibilidade do uso de respostas ou reações menos convencionais dificultando as chances de sobrevivência, que é muito semelhante no caso dos debates e quem não pode pensar por ou em muitas perspectivas se tornará dependente de uma quantidade diminuta de possibilidades de ''escape''. E quem pensa em muitas perspectivas está de fato pensando no ambiente exterior [extrospectiva] e interior [introspectiva] como um todo.

Portanto eu concluo apressadamente que o bloqueio mental mais do que a exceção ou que tende a ocorrer apenas em momentos de evidente pânico, tende a se consistir em uma regra de conduta do ser humano no que se refere à sua capacidade de raciocínio, em que possibilidades criativas, que tendem a ser espontânea, intuitivamente produzidas nas mentes mais perceptivas, tornam-se escassas ou mesmo inexistentes para os demais, tendo como resultado esta sensação de ''bloqueio mental'', se não pode ou não consegue ir mais além, apelando para as medidas mais convencionais, e não é preciso grande instabilidade do ambiente para que mentes comuns se reduzam à convencionalidade, o que em outras e certeiras palavras pode ter o seguinte significado: mesmo em estado de descanso e segurança, nossas reações tenderão a ser mais conservativas do que original-especulativas, só que muitas e decisivas vezes o que deveria servir como defesa pode se transformar em uma prisão de insegurança e riscos, como nos exemplos citados acima.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Quanto mais longe do instinto mais ingênuo?? E a perspectiva existencial perfeita do sábio, a zona habitável pra ''vida inteligente''

O ser humano é o animal menos instintivo de todos. Mas entre nós alguns ainda serão menos instintivos do que os outros. Um padrão recorrente. Em qualquer eleição para presidente ou plebiscito "os mais [ cognitivamente ] inteligentes" tendem a votar de maneira equivocada em especial a partir de uma perspectiva instintiva enquanto que o oposto tende a ocorrer entre os "menos [ cognitivamente ] inteligentes". O voto pela saída do Reino Unido na União Europeia é um exemplo desta realidade. Também é provável esperarmos que uma grande proporção de americanos "mais [ cognitivamente ] inteligentes" votem no candidato democrata para presidente ainda que tais tendências pareçam variar de país para país. 

Escolhas politicas estupidas parecem ser lugar comum para uma grande proporção de pessoas que exigem "maiores capacidades cognitivas". E essas escolhas tendem a se correlacionar significativamente com abordagens instintivas.  Por exemplo, ser a favor ou contra a imigração em massa pode revelar o quão "instintivamente inteligente" você está

O instinto e a intuição são formas habituais do pensamento humano e predominantemente dominantes entre as outras espécies. O instinto é veloz e eficiente mas são justamente as suas qualidades que podem ser problemáticas em especial em ambientes em constante transformação. 

Comportamentos herdados são instintivos por excelência e revelam o modo de vida/estratégia de sobrevivência das espécies. O ser humano exibe em média menor influência instintiva em seu comportamento quando comparado com outras espécies ainda que permaneça forte e atuante de qualquer maneira. Alguns seres humanos são ainda menos instintivos que os outros. O aumento do pensamento reflexivo parece se relacionar com uma redução do instinto. Outro fator potencialmente correlativo e desvantajoso é que a redução do instinto pode tornar o ser, humano ou não, mais vulnerável à técnicas de hipnose se o mesmo também define as nossas personalidades.

Maior livre arbítrio = menor senso de identidade, mais demorado será a construção desta identidade, mais vulnerável  será este processo e maiores serão as chances de formar seres humanos manipuláveis. 

Por outro lado os seres humanos mais instintivos tenderão a apresentar um senso excessivo de identidade, a partir de uma perspectiva humana, uma autoconfiança excessiva perto do nível de uma megalomania. 

Pelo que parece o melhor caminho por agora para o pleno entendimento da realidade da identidade do indivíduo se dá a partir do meio deste espectro entre o livre arbítrio e o instinto. No entanto um livre arbítrio, por agora inexistente, sugere uma maior domesticação, e mais, sem ter uma proposta lógica, visto que não viveremos pra sempre e talvez a possibilidade de transcender as nossas identidades pareça excessivo, sem razão nem propósito. O cérebro perde a plasticidade e o suposto maior arbítrio dos mais domesticados, livres de doses maiores de instinto que os faria menos plásticos em seus comportamentos, como não tem utilidade lógica, os transforma em seres manipuláveis, por serem desprovidos de sensos mais protuberantes de si mesmos ou autoconfiança. 

O sábio novamente por se localizar no meio deste espectro se embebe tanto da necessidade fundamental de se saber quem é quanto pela possibilidade de contestar a si mesmo, isto é, unindo duas abordagens espectralmente opostas, tendo consciência e confidência instintiva sobre si mesmo, mas ao mesmo tempo desconfiando, se julgando, ou a reflexão.


Tal acontece com o planeta Terra que encontra-se em uma zona habitável de nosso sistema solar, além de outras características únicas, o mesmo acontece com o sábio que se encontra em uma zona habitável para a real vida inteligente, em um sentido constante, imediato e portanto exponencialmente dominante, de se tentar ser de fato inteligente a todo momento, aquilo que os humanos tendem a tratar como ''o pecado da perfeição comportamental''. 

A domesticação por reduzir o instinto pode aumentar a reflexão, mas não a um nível da sabedoria, pois funciona mais como um ''não-instinto'' do que como uma sabedoria, que como eu já falei antes, também é constituída pelo mesmo.

Observando os cachorros mais mansos, percebemos que a falta de instinto nos torna altamente vulneráveis ao ataque alheio, exatamente como ''presas fáceis'' porque com isso deixamos de 

nos entender
desconfiar das outras pessoas

até mesmo por causa de uma provável redução do pensamento intuitivo não-criativo, isto é, o modo de pensar habitual de todas as formas de vida, incluindo a humana.

Certas impressões ou preconceitos cognitivos estão apenas certos ainda que potencialmente conflitivos justamente por se consistirem em técnicas de abordagem ideacional e comportamental pragmáticas, lógicas, solucionadoras de problemas praticamente homicidas, que não pensam em nuances, mas de maneira eficaz em generalizações espectralmente corretas ou por aproximação/impressão.

Caímos no velho espectro do predador e da presa. 

Portanto como conclusão deste texto, muitos dos mais cognitivamente inteligentes, também parecem ser mais domesticados, isto é, destituídos de uma maior capacidade instintiva, resultando na ingenuidade, em especial, para lidarem com as outras pessoas. Tal como raças caninas muito domesticadas estes tipos de humanos parecem ser muito vulneráveis tanto para a domesticação cultural, se já exibem um déficit instintivo, quanto para o abuso de outras pessoas. 

O sábio comunga com as duas psicologias, do predador e da presa, e por isso que é perfeito para a função de administrador das sociedades humanas, para entender o comportamento e prover as soluções que de fato serão as mais racionais.

Presas tem pouca intuição sobre a intenção alheia por serem menos não-verbais. Predadores por outro lado serão muito fortemente não-verbais, denotando grandes habilidades de manipulação/caça. 

No entanto, a psicologia da presa relaciona-se muito com a sabedoria por mostrar o quão grande pode ser o valor do amor em um mundo brutalmente misterioso como é o nosso.

domingo, 10 de julho de 2016

Palavras e pensamento reflexivo

Quando vemos uma "coisa" nós tomamos conhecimento sobre a existência desta coisa, especialmente se for parte da verdade objetiva/concreta. No entanto sem as palavras é provável que memorizaríamos 'apenas'' as impressões ou memórias não-verbais, porque primeiramente assim o fazemos, memorizamos, ou seria melhor, internalizamos impressões corretas e/ou vagas da realidade que nos rodeia sem símbolos associativos ou palavras. 

As palavras funcionam como identificações associativas (cavalo= aquele animal) primariamente reflexivas dessas impressões não-verbais. Isto é, identificam as "coisas" por associação e ainda refletem a impressão de onde se originaram (impressão: Reconhecimento de um certo animal. Palavra: Este animal=cavalo).

 Vemos que o cavalo é um cavalo, e a palavra [parece que] nos ajuda a fixar esta impressão aguda que o nosso sistema sensorial é capaz de construir, diga-se, de maneira bastante equilibrada, se formos comparados às outras formas de vida. Percebam que os outros animais também são capazes de reconhecer as características de um cavalo, incluindo o próprio cavalo, mas como são impressões (reconhecimento não refletido ou lógico-diretamente percebido) ou que não são importantes para as suas diretrizes evolutivas de espécie, então esta compreensão factual primária será superficial. No entanto os animais, dentre outras formas de vida, ainda são capazes de desenvolver um conhecimento mais amplo sobre os seus predadores, presas ou qualquer outro ser que esteja em constante contato, em especial se conseguirem desenvolver armas ou adaptações biológicas em relação às suas investidas instintivas predatórias, parasitárias, mutualistas ou cooperativas . 

No entanto tal reconhecimento não se aproxima daquele que o ser humano é capaz de produzir, mesmo o ser humano menos inteligente, mediante o seu grau extremamente elevado de sofisticação balanceadamente perceptiva [em relação à verdade objetiva ou concretude imediata], porque ao invés de ser compreendido por associação é provável que se dará de modo "complementaridade co-evolutiva" [ a ''metade'' da laranja, ;) ], isto é, de se consistir em uma sobreposição de características de duas ou mais espécies que evoluíram conjuntamente, resultando na cadeia alimentar, por exemplo de sinais sensoriais primários (evoluídos) direcionando-os para as suas presas ou fugindo do seu predador mais comum (a mesma relação de conexão que pode existir entre mães e filhos). 

Por causa de nossa "bússola" perceptiva mais equilibrada e especialmente em relação ao reconhecimento da verdade primária ou objetiva, podemos reconhecer e internalizar com maior requinte de detalhes as concretudes ou existências não-abstratas. 

Provavelmente os cérebros das outras espécies encontrar-se-ão significativamente atrelados às diretrizes evolutivas das mesmas cabendo pouco espaço para a internalização de 'superfluidades". 

Nós somos talvez os únicos que podemos internalizar superfluidades e mesmo ao ponto de as considerarmos mais relevantes que as prioridades fundamentais. A maioria das outras formas de vida é provável que nunca internalizarão qualquer superfluidade, porque seria perda de tempo e perigoso pra elas.

A evolução da inteligência humana é provável de ter tido como efeito colateral essa nossa capacidade de internalizar (e fixar via linguagem) impressões díspares em termos de utilidade evolutiva e este excesso pode ter contribuído tanto para a canalização potencialmente equivocada do pensamento abstrato como as já alardeadas superfluidades ( por exemplo frivolidades oriundas de ''religião'', ''cultura'' ou ''ideologia''), assim como também a ''querida'' criatividade.


O que veio primeiro a linguagem ou a aptidão para se adquiri-la??



Como eu penso, a linguagem é uma abstração, obviamente em uma não-coisa literal. Nós é que, como os seus "deuses", lhe demos vida por necessidade psico-cognitiva. Isto é, ''evoluímos''  sem a linguagem até certo ponto da pré história em que nossos cérebros adquiriram a avançada capacidade de reconhecer de maneira mais profunda e equilibrada a realidade ou parte fundamental da mesma.


 Portanto a linguagem foi um produto genial de todas as populações humanas em que houve a emergente necessidade de sofisticação dos grunhidos que nossos antepassados pré históricos usavam para se comunicar. Tal como a roda ou o domínio do fogo. Primeiro aconteceu o aumento cerebral significativo e complementar sofisticação neurológica. Depois surgiu a necessidade de organizar os pensamentos cada vez mais sofisticados e sinais corporais ou grunhidos já não davam conta do recado. Interessante notar que todas as populações humanas de todos os continentes parece que tenham evoluído de maneira independente, para mais ou para menos, em direção a esta capacidade ou aptidão, desenvolvendo estratégias para sanar esta crescente demanda pela sofisticação eficiente na comunicação social e no reconhecimento da realidade percebida e interagida. Tal como aquelas pessoas de hoje em dia que são mudas, se esforçando muitas vezes de maneira exagerada para se comunicarem, evoluímos de grunhidos e sinais corporais ou comunicação não-verbal para a linguagem verbal que com certeza tornou a comunicação muito mais eficiente. A necessidade é a alma da criatividade.

Seguimos o subconsciente porque ele predomina em nós. O consciente, provavelmente um produto das áreas mais recentes de nossos cérebros, ainda está dando os seus primeiros passos evolutivos, rastejando diante da eficiência brilhante de nosso subconsciente, que evoluiu juntamente com as neo-sofisticações "culturais" como a linguagem. De acordo com o espectro do inconsciente ao consciente, a maioria dos animais são predominantemente "inconscientes", isto é, a possibilidade de se reconhecerem de modo significativo, simulando-se de fora do seus corpos, de suas identidades existenciais, metaforicamente falando, como se pedissem uma segunda opinião sobre si mesmos, o princípio da consciência,  é muito pouco provável de acontecer. 


Eles sabem aguda e "cegamente' quem eles são. Mas não há auto- reflexão para pensar em melhorar a si mesmos. Eles reconhecem as suas características por meio da essencial "clausura natural" e partem para a vida. Estão jogados à própria sorte. Mas muitos seres humanos também estão se as sociedades que "construímos" nada mais são do que réplicas pedantemente sofisticadas e parcialmente apaziguadas do cenário de cadeia alimentar que predomina no meio natural. 


Quão dependente da palavra está o pensamento reflexivo?? Maior inteligência verbal maior autoconsciência??



Como falei acima as palavras fixam nossas impressões ou memórias não-verbais internalizadas transformando-as em "coisas" (palavras). Quando desejamos recobrar algo nós utilizamos as palavras intrincadas ou associadas às memórias não-verbais (memória por si mesma) que também podem ser recobradas via voz interior. Eu sou parcialmente desconfiado quanto ao grau de dependência do pensamento reflexivo humano em relação à linguagem. Se a necessidade veio primeiro, e parece óbvio que sim, então eu acredito que, mesmo sem a presença de uma linguagem o pensamento reflexivo continuaria existindo. É provável no entanto que se daria de modo mais desordenado se sem essas "coisas" ou associações simbólicas, internalizaríamos"impressões" ou memórias não-verbais e vendo como que o ser humano moderno encontra-se dependente e ou confiante nas palavras de fato haveria reflexão mesmo sem a linguagem ordenada, mas provavelmente seria menos eficiente ainda que mesmo com as mesmas, a maioria, senão a grande maioria de nós, permanece menos sábio no seu uso mais racional, por causa da pontual e muitas vezes decisiva influência de nosso subconsciente, produto que é paralelo à emergência da autoconsciência incompleta, predominante entre os humanos.


O pensar racional é o pensar eficiente, isto é, ser factualmente entendível, capturando logo de início o bojo correto da realidade que estiver sendo percebida, sem filtros culturais que quase sempre são problemáticos, mas também constante e muitas vezes, paradoxalmente falando, mais lento,  se a reflexão por si mesma já será um processo mais lento do que o pensar instintivo, isto é, pensamento/ação.