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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Sobre o dogma da igualdade racial no Brasil com dados

 E se as diferenças socioeconômicas entre grupos raciais no Brasil não forem apenas ou exclusivamente uma questão de diferenças de oportunidade, exclusão social ou "legados históricos"????


(E muito longe de ser apenas no Brasil...)


Esse é um estudo interessante que mostra como que, do Oiapoque ao Chuí, as diferenças raciais em desempenho acadêmico se mantêm homogêneas, em que os estudantes autodeclarados brancos apresentaram, como um grupo, resultados mais satisfatórios¹ que os estudantes autodeclarados pretos (incluindo os pardos, de acordo com a tendência ''wokeista'' de muitas instituições tradicionais do nosso país: de adotar ideias ou crenças da esquerda burguesa, tal como de, arbitrariamente, eliminar a categoria mestiça, de pardos, e adicioná-la à categoria racial de pretos, talvez como maneira de acirrar um antagonismo com os autodeclarados brancos)... Também é interessante que, mesmo com dados amplos e alguns detalhes² que apenas replicam achados de estudos em outros países ³, a conclusão dos pesquisadores foi rigorosamente submissa ao politicamente correto totalitário na educação superior... 

Vale ressaltar que esses resultados confirmam o que tem sido encontrado de maneira consistente em muitas pesquisas ou estudos anteriores. Portanto, não é um achado isolado, mas totalmente conforme ao padrão de dados e evidências acumulados do tópico em questão e que os torna cientificamente válidos até para que se chegue a um veredito, no mínimo, parcialmente conclusivo.

Os dados mostram, não apenas uma vantagem grande de um grupo sobre o outro, mas também que, quando a classe social é introduzida como um fator comparativo adicional, essa vantagem se torna ainda mais evidente, ao mostrar que, a partir de um mesmo patamar socioeconômico, o grupo ("branco") com melhor desempenho o mantém sobre o outro grupo ("preto"), e mesmo que, aqueles do primeiro grupo em patamar socioeconômico inferior praticamente têm um desempenho similar aos do segundo grupo em patamar superior, corroborando contrariamente a uma das teses mais importantes às "teorias sociais" criadas e mantidas por acadêmicos ideologicamente fechados com a esquerda: de que a condição social tem um efeito direto e de longo prazo para uma alta frequência de comportamentos ditos "disfuncionais' ou "deficientes', como o baixo desempenho acadêmico. Pois se fosse única ou especialmente esse fator, estudantes "pretos" de classe social superior deveriam, em média, apresentar um desempenho acadêmico igual ou superior ao de estudantes "brancos" no mesmo nível social. Mas não apenas isso, porque, novamente, estudantes "pretos" em boa situação socioeconômica, como mostrado no estudo, também apresentam, em média, ou como um grupo, desempenho similar aos estudantes "brancos" em situação socioeconômica inferior...

E qual é a conclusão mais realista (objetiva e imparcial) que podemos chegar?? 

Que a tese igualitarista de esquerda, que atribui essas diferenças exclusivamente a fatores sociais, históricos ou culturais, e sempre nega o fator biológico, ou intrínseco, está essencialmente equivocada... De que, talvez, não seja apenas culpa de "racismo estrutural", "opressão" ou "legado da escravidão", mas que certos grupos, em média, apresentam maiores capacidades cognitivas que outros, independente se "um' tem um histórico de oprimir o outro, e mesmo que, essa dinâmica desigual de poder reflita justamente essas diferenças, tal como o ser humano julga outras espécies por também possuir uma maior inteligência, e que reconhecer essa realidade como ela é não é imoral ou mesmo "racista", se uma verdade científica: empírica, imparcial e objetiva, deve primariamente prevalecer sobre um postulado moral#, até para que um sistema de moralidade possa ser corretamente construído, com base em evidências, fatos...; a única maneira possível de se sistematizar a prática da justiça: pela verdade. Pois se continuarmos a acreditar que a única maneira de combater* as desigualdades raciais e sociais é pela "correção histórica" e redistribuição de riquezas, atribuindo-as a abstrações, é bem provável que, a médio e longo prazo, tal medida não irá solucionar por definitivo o problema* das desigualdades, de poder até piorá-lo, afinal, medidas assistencialistas aos mais pobres tipicamente desprezam que, a pobreza não é apenas uma questão estrutural, mas também cognitiva e psicológica, e então plenamente intratável por intervenções superficiais, tal como de prover aos estudantes das classes basais, condições escolares perfeitas, se eles não apresentam, em média, desempenhos inferiores apenas ou especialmente por causa de suas condições socioeconômicas, ou por causa dos seus ambientes, se, inclusive, existem estudantes em mesmo patamar social que apresentam excelente desempenho acadêmico, além da minoria de estudantes "pretos" e/ou de "classe mais baixa" que apresentam desempenhos satisfatoriamente similares aos seus pares "brancos" e/ou de "classe mais alta"...

# Existem exceções a essa regra em que uma verdade científica nem sempre tem que se sobrepor a um postulado moral. Por exemplo, em uma hipotética comprovação empírica de que, a maioria dos presos que cometem crimes hediondos apresentam excelente potencial de ressocialização... Pois mesmo que a ciência possa comprová-lo, o mais justo, moralmente, é que eles continuem presos por muitos anos, ou mesmo que sofram a mais dura das penas: a pena de morte.

- O próprio exemplo aqui de: se foi encontrado que uma causa principal para as diferenças raciais em indicadores socioeconômicos são as diferenças psicocognitivas entre os grupos étnicos, então, de usá-la como justificativa para cessar qualquer medida social que vise combater as desigualdades extremas, se não se trata apenas de promover medidas meritocráticas em que, aqueles mais capazes possam ser recompensados, mas também que isso não tenha que significar em punir os menos capazes em determinadas demandas técnicas, se, em ambos os casos, essas diferenças não expressam simplesmente uma questão de escolha e, portanto, é uma punição literalmente injusta, tal como de cercear a liberdade de corpo das mulheres por serem, em média, fisicamente mais fracas que os homens... 

Além do próprio fator moral envolvido e que não precisa ser baseado em uma religião que apela para forças metafísicas ou em uma ideologia que distorce fatos "duros" para vender suas "mentiras brancas", se pela própria sabedoria, ou filosofia em sua essência, é perfeitamente possível defender pelo combate às desigualdades extremas a partir dos seguintes argumentos: a natureza essencialmente fictícia da matemática (financeira); a natureza essencialmente igual de toda forma de vida, e primariamente destacando a igualdade essencial da vida humana; e a natureza essencialmente parasitária de um sistema econômico em que uma classe explora as outras em prol do próprio benefício, consistindo em um sistema social claramente anti-meritório, se não é justo que, aqueles que mantêm a sociedade funcionando em suas bases também não sejam contemplados com direitos e ganhos suficientes para poderem viver dignamente, com acesso fácil a amenidades materiais e imateriais...

* Se é realmente um problema que grupo x apresente desempenhos médios distintos de grupo y ou se o que mais importa é se essas diferenças estão causando problemas sociais graves, por exemplo, as diferenças raciais de propensão a comportamentos irracionalmente antissociais...

Alguns detalhes não-mostrados na pesquisa principal usada como referência primária nesse texto e também a secundária usada como referência de reforço (mostrando que os achados tendem a ser replicados em outros países e com grandes amostras representativas):

- Se a categoria de "pretos", forjada pelo IBGE, em que autodeclarados pretos e pardos foram colocados em um mesmo grupo, fosse desconstruída e os dois realocados em suas próprias categorias, é muito provável que essas diferenças em desempenho acadêmico seriam ainda maiores, se os estudos em outros países já mostram diferenças grandes entre grupos raciais determinados por critérios menos subjetivos, como os de ancestralidade e fenótipo do que apenas por autodeclaração (caso dos EUA e Europa); e que "pardos" obtivessem resultados melhores do que "pretos" se com base em resultados comparativos que têm sido encontrados em outros países (por exemplo, a comparação de desempenho entre "hispânicos", um grupo predominantemente mestiço, e "afro americanos", nos EUA);

- Se a definição de "brancura" no Brasil não se limitasse apenas a autodeclaração, é muito provável que "brancos" brasileiros por fenótipo e até por predomínio de ancestralidade europeia (ou caucasiana) apresentassem um desempenho acadêmico médio ainda melhor do que apenas por autodeclaração...

- Se as categorias de "leste-asiáticos", judeus e descendentes de libaneses fossem usadas como comparação, é muito provável que apresentariam desempenhos superiores que os dos autodeclarados "brancos" e da categoria politicamente manipulada de "pretos"...

Portanto, a crença igualitária, e pseudo científica, de que as diferenças entre indivíduos e grupos humanos têm sempre como causa principal as diferenças sociais e históricas, ao ser tomada como um fato científico, pode levar uma cidade, estado ou nação a adotar medidas baseadas nesse equívoco e gerar uma cadeia de consequências problemáticas, como realmente tem acontecido, por exemplo, de um país resolver abrir suas fronteiras para a imigração em massa, desprezando que grupos humanos tendem a apresentar diferenças cognitivas e psicológicas, intratáveis se apenas por medidas superficiais, e que, a médio e longo prazo, essa massa de "novos moradores" pode piorar seus problemas sociais, como o aumento da violência, de conflitos culturais e a redução exponencial do nível médio das competências técnicas de sua população etnicamente "diversificada' ou alterada... Além de não acabar com a pobreza ou com as desigualdades extremas nos países de origem desses imigrantes, ainda complica a capacidade de absorção dos países receptivos desses fluxos migratórios, e a própria situação social dos mesmos... 

No caso do Brasil, de adotar medidas educacionistas, baseadas em uma crença de que a "educação" opera verdadeiros milagres na inteligência de indivíduos e grupos, tal como de conseguir aumentá-la apenas por uma suposta "educação de qualidade", como se não apresentassem, ou não apresentássemos características mentais mais intrínsecas, como as capacidades cognitivas e traços de personalidade, que não são unicamente reflexos dos meios ou circunstâncias aos quais nos situamos e interagimos... Pois a partir disso, ao invés de aceitar a realidade do verdadeiro potencial cognitivo do povo brasileiro (em média), medidas que a desprezam não resolvem o problema do déficit acadêmico, assim como também podem contribuir para piorá-lo. E, realisticamente falando, a única maneira de, a médio e longo prazo, começar a resolver esse problema será, não apenas por uma cultura que valoriza a aquisição de conhecimento e de produções artísticas superiores, que não temos, mas também que estabelece meios ou mecanismos, desculpem os mais emocionados... tacitamente eugênicos: de incentivo à alta fertilidade dos "mais inteligentes', ou desincentivo dos "menos', que eu já propus em outros textos: de oferecer vantagens tanto para os que serão incentivados a ter mais filhos, mas não muitos, quanto aos que serão desincentivados ou a terem menos, de um a dois..., além de outras medidas: por exemplo, a desintoxicação da lavagem cerebral "antirracista" ou antibranquista, ensinando às pessoas, especialmente às de ascendência europeia, que gostar da própria etnia não é crime ou pecado, claro, sem que isso resulte ou signifique odiar de maneira generalizada e injusta as outras etnias, até como maneira de também preservar a integridade racial e existencial de grupos "mais inteligentes' no país, além de incentivar os indivíduos "mais inteligentes' dos grupos "menos inteligentes' a se casarem entre si e terem mais descendentes. E sinceramente não vejo nada disso como uma afronta aos verdadeiros direitos humanos... {Também já propus em outro texto que, no caso do risco real de extinção de etnias europeias, que aqueles que almejam preservar seus fenótipos físico-comportamentais de tomarem a dianteira nesse objetivo, defendendo pelo direito à livre associação, sem ter que inibir os direitos mais básicos daqueles que não apresentam essa motivação}...

Mostrar que grupos raciais ou étnicos apresentam diferenças biológicas de comportamento e inteligência não significa que o "verdadeiro' racismo tenha que ser normalizado. A aceitação de uma verdade mais "dura" ou "endurecida" por indução ideológica hegemônica, não significa que se deva agir com crueldade a partir disso. O esclarecimento de um fato geralmente significa ampliar conhecimento e consciência e não o oposto. Da mesma maneira que podemos aceitar a realidade das raças ou etnias humanas e suas diferenças, e de não serem apenas reflexos de cultura ou ambiente, também podemos perceber uma série de outras verdades que contribuem para torná-la menos "dura", por exemplo, de apelar para a natureza complexa da inteligência humana, compreendendo que, mesmo um indivíduo "menos inteligente" em relação a certas competências, não significa que não possa ser inteligente em relação a outras, ou mesmo que só possa ser "não-inteligente". Em nosso cotidiano, podemos perceber que a inteligência humana não se limita a escrever "certo" ou resolver problemas matemáticos, ainda que essas capacidades sejam muito importantes... Aceitar esse fato não significa que tenhamos de generalizar grupos, se essas diferenças também são primariamente estatísticas. Não significa que não possam ser reduzidas ou que, pelo menos, os grupos menos inteligentes também não possam melhorar seus desempenhos ao longo do tempo. Só que essa melhoria real não irá acontecer apenas com mais livros nas escolas de periferia... 

Aceitar que nossas características mentais não são absolutamente sensíveis ao meio e/ou totalmente plásticas por estímulo direcionado, não precisa resultar em um fatalismo determinista, de acreditar que estamos fadados a nunca conseguirmos mudar ou melhorar nada sobre nós mesmos, se não apresentamos apenas limitações, mas também potenciais. Só que esses potenciais são determinados por nossas limitações, o que necessariamente não tem que ser uma verdade ruim, se é melhor sabermos quem somos e até onde podemos alcançar do que nos enganarmos com ilusões. Essa verdade, da natureza primariamente hereditária e intrínseca de nossas características mentais, também pode servir para que o sistema escolar, por exemplo, repense punições por mal desempenho, mas sem que isso signifique em um desleixo sistemático à performance acadêmica e ao comportamento social do corpo estudantil. Se a ciência em sua verdadeira prática e contextualizada ao comportamento e à inteligência inexoravelmente pende para a realidade do predomínio da biologia sobre os mesmos, então, um método de ensino realmente baseado em evidências empíricas precisa aceitá-la, e sem que isso resulte em uma diminuição da importância do professor, ainda que será inevitável uma mudança de função: de "construtor" do intelecto alheio para instrutor...


¹ ...números mostram que, em todos os estados brasileiros, independentemente da disciplina avaliada (Língua Portuguesa ou Matemática), tanto no 5° ano como no 9° ano do Ensino Fundamental, há uma diferença expressiva no percentual de estudantes brancos e de estudantes pretos com aprendizado adequado.

No 5° ano, em Língua Portuguesa, há 65,1% de estudantes brancos com aprendizado adequado; entre os estudantes pretos, o percentual é de 40,3%. Os estados que apresentam as maiores diferenças entre os dois grupos são: Amazonas, Rio Grande do Norte, Roraima e Amapá. No Amazonas, já no 5° ano, estudantes brancos têm desempenho quase 100% superior ao dos alunos pretos (50,8% com aprendizado adequado contra 25,5%).

Em Matemática, o desempenho dos alunos, de forma geral, é pior, mas a diferença por raça persiste: 55,8% dos estudantes brancos têm aprendizado adequado na disciplina contra 31,2% dos estudantes pretos. Em Matemática, além do Amazonas e do Rio Grande do Norte, há diferenças bastante significativas no Rio Grande do Sul, em Mato Grosso, Santa Catarina e na Paraíba. Nesses Estados, a diferença entre brancos e pretos é maior que 70%.

No 9° ano do Ensino Fundamental, em Língua Portuguesa, os alunos brancos têm desempenho 68,2% superior ao dos pretos (46% com aprendizado adequado contra 27,4%). Em Matemática, nesta etapa, verifica-se a maior desigualdade: 25,8% dos estudantes brancos com aprendizado adequado contra 11,9% dos pretos, uma diferença que chega a 116,4%.



² Nos dois anos avaliados e nas duas disciplinas, há diferenças importantes mesmo quando os alunos pertencem ao mesmo grupo socioeconômico: por exemplo, em Matemática, entre os alunos de nível socioeconômico alto, 34,4% dos brancos têm aprendizado adequado, entre os pretos, 17,3% (diferença de 98,8%). Entre os de baixo, 15,8% contra 8% (diferença de 98%).


Traduzido 

"Utilizando dados de crianças que viviam com mulheres incluídas no *National Longitudinal Study of Youth 1979* (Estudo Longitudinal Nacional da Juventude de 1979), os autores apresentam resultados sobre o desempenho em matemática e leitura de crianças nas faixas etárias de 5 a 6, 9 a 10 e 13 a 14 anos, ao longo de um período de 20 anos (1986 a 2005). As crianças foram divididas em seis grupos: crianças negras, hispânicas e brancas de famílias com renda igual ou inferior a 100% do limite federal de pobreza (estudantes pobres) e crianças negras, hispânicas e brancas de famílias com renda acima da linha da pobreza (estudantes não pobres).

Principais Conclusões

Crianças brancas não pobres apresentaram, consistentemente, desempenho superior ao de estudantes negros e hispânicos não pobres, da educação infantil ao ensino médio, tanto em leitura quanto em matemática, entre 1986 e 2005.
A disparidade de desempenho acadêmico entre estudantes brancos não pobres e estudantes negros não pobres aumentou.
Em contrapartida, a disparidade de desempenho acadêmico entre estudantes brancos não pobres e estudantes hispânicos não pobres diminuiu.
Além disso, estudantes negros não pobres apresentaram desempenho inferior ao de estudantes brancos pobres em quase todos os momentos analisados.
Da mesma forma, crianças brancas pobres apresentaram, consistentemente, desempenho superior ao de seus pares negros e hispânicos pobres, da educação infantil ao ensino médio, em leitura e matemática, ao longo do período de 20 anos.
A disparidade de desempenho entre estudantes brancos pobres e seus pares negros pobres aumentou ao longo do tempo e parece se ampliar após a educação infantil.
A disparidade de desempenho entre estudantes brancos pobres e seus pares hispânicos pobres também persistiu ao longo do tempo e aumentou entre crianças em idade de ensino fundamental II (anos finais).
A pobreza exerce um efeito mais prejudicial sobre o desempenho acadêmico de crianças não brancas em comparação com seus pares brancos.
Considerando que mesmo estudantes brancos de famílias pobres superam o desempenho de seus pares negros e hispânicos pobres, essas conclusões sugerem que a renda mais elevada — em média — das famílias brancas não pobres, em comparação com as famílias negras e hispânicas não pobres, não explica totalmente as disparidades raciais/étnicas no desempenho acadêmico".

On "modernity" and human relationships

"Modernity," despite its inherent chaos, has a very positive side: amidst so much "performance," the weight of the masks eventually became too heavy to bear. Today, it is difficult to keep them on for long or to do so convincingly. The world—and the people in it—have become easier to understand, and also easier to despise or hate. Yet, psychologically, things have also become heavier. The untouchable mystery of a culture that preached uniformity in behavior and thought has given way to a plurality of behaviors—even as the pressure for uniformity in *thinking* has intensified. We are more exposed, more truly ourselves (?). Yet, knowing who we are to others—and who they are to us, even if through the caricature of a judgment—causes us more pain and unease than avoiding this fluid aridity of impressions and relationships altogether. This partly explains the ever-growing polarization and disappointment we feel toward one another. We have become so focused on the objective that we end up forgetting the subjective—the complex inner world of each individual. While we delve into the core of each person, we lose sight of the whole—a whole that can only be truly recognized and tolerated through intimacy, and which seemed easier to manage when a barrier of "normality" united us, however superficially. Perhaps the superficiality of the past was better than the "deep yet shallow" nature of today. We look inside others and quickly arrive at what or who they are—at their very entrails—yet we see no more than what we hear. Depth is useless without illumination. Mere touch was never enough to grasp the entirety of a person. Group stereotypes have migrated into individual ones. Today, there is a constant call to understand the complexities and contradictions of others—and of ourselves. Yet, moving from rhetoric to reality has become a Herculean task...

Sobre "modernidade" e relações humanas

 A “modernidade”, apesar do seu caos intrínseco, tem um lado muito positivo: de tanta “performance”, acabou pesando a gravidade das máscaras. Hoje, é difícil mantê-las por muito tempo ou de maneira convincente. O mundo, e as pessoas, ficaram mais fáceis de entender, e também de desprezar ou odiar. Mas também ficou mais pesado, psicologicamente. O mistério intocável de uma cultura que pregava a uniformidade no comportamento e no pensamento deu espaço a uma pluralidade no comportamento que ainda ou mesmo aumentou a pressão para a uniformidade do pensar. Estamos mais expostos, mais nós mesmos (?). Mas já sabermos quem somos aos outros e eles para nós, mesmo se por uma caricatura de julgamento, nos causa mais dor e inquietude do que de não cairmos diretamente nessa aridez fluida de impressões e relacionamentos. Em partes, daí a polarização e a decepção com o outro cada vez maiores. Nos tornamos tão objetivos que acabamos esquecendo do subjetivo, do complexo de cada um. Ao mesmo tempo que nos aprofundamos no cerne de cada um, acabamos nos esquecendo do todo, que só é possível de ser reconhecido e tolerado na intimidade e que parecia melhor administrado quando havia uma barreira de normalidade que, de qualquer maneira, nos unia superficialmente. Talvez fosse melhor o superficial de antes do que o profundo porém raso de hoje. Olhamos para dentro do outro e chegamos rapidamente no quê ou quem ele é, em suas entranhas, mas não enxergamos mais do que escutamos. Não adianta a profundidade sem iluminação. O tato nunca foi suficiente para aprender sobre o todo de cada um. Os estereótipos de grupos migraram para os de indivíduo. Hoje, o apelo a entender o complexo e o contraditório alheio, bem como de si próprio, é constante. Mas partir do discurso para a prática tornou-se uma tarefa homérica… 

About Renan Santos

It is clear that Renan Santos is the best-prepared candidate in the 2026 Brazilian elections, just as Ciro Gomes was in the previous two elections. The two share several traits: they are highly intelligent, present more concrete proposals, and—to varying degrees—represent a break from traditional politics. Unfortunately, Ciro Gomes was—and remains—too much of a leftist to demonstrate a freer, more sensible way of thinking without constantly paying homage to the cult of Marxism or even "modern" wokeism. Furthermore, he always cast himself as the "eternal best candidate," using language far too convoluted for the average Brazilian—or even for those with a more advanced grasp of complex texts and speech. The result? He swam all the way to shore only to drown right at the water's edge—twice. He ultimately proved more disappointing than he was promising as a rare, truly intelligent progressive politician with great proposals who was simply misunderstood.


Renan Santos is dangerously heading down the same dead-end path Ciro Gomes walked.


He got off on the wrong foot by opposing the end of the 6x1 work schedule. It is impossible to estimate just how many potential voters he lost—the damage could be significant. He looks more and more like a "right-wing Ciro," not just due to cognitive and psychological similarities, but also because he risks following the same trajectory: hope turning into disappointment. A major point in Renan's favor, however, is that—despite his high intelligence—he uses much more accessible language; he speaks not like an affected intellectual, but like a practical man.


Hopefully, he can rise above his current 10% standing to beat his right-wing rival—the ridiculous Flávio Bolsonaro—and make it to the runoff. It happened in Colombia. Every now and then, a political outsider manages to break through that barrier. The biggest current example is Donald Trump. The hardest part, of course, is for an outsider to survive within the system after winning the presidency. Yet, at this stage of the game—on the eve of the election season—an equally Herculean task for Renan will be breaking out of his "high-IQ" right-wing and non-leftist bubble to reach the average Brazilian right-winger, who remains deeply devoted to... Bolsonarism. Bolsonaro is all but finished. His children were never capable of even maintaining the same level of cheap yet effective populism that he adopted—and exploited—while an active politician and president... but there’s no harm in dreaming. It could happen here, too. Yet I also know that if Renan succeeds in these two feats, we will have to brace for one of two outcomes: either a civil war erupting more openly, or—much like in El Salvador—the emergence of a “$avior” figure like Bukele to douse the flames of chaos ignited by organized crime infiltration and official complicity...

Sobre Renan Santos

Está claro que Renan Santos é o candidato mais preparado nessas eleições, assim como foi Ciro Gomes nas últimas duas eleições. Os dois apresentam vários pontos em comum: são muito inteligentes; apresentam propostas mais objetivas e representam, em níveis relativamente variados, pontos de ruptura da política tradicional. Infelizmente, Ciro Gomes era, e continua sendo esquerdista demais para ter mostrado uma capacidade mais livre e sensata de pensamento, sem ter que ficar pagando tributo constante ao culto do marxismo ou mesmo ao wokeismo ‘moderno”. Além disso, ele sempre se prostrou na posição de: o eterno melhor candidato, apresentando um linguajar demasiado rebuscado para o público brasileiro médio, e mesmo para quem apresenta um nível mais desenvolvido de compreensão de textos ou falas complexas… resultado: ele nadou na praia e morreu duas vezes... Mostrou-se mais decepcionante por si mesmo do que como uma promessa rara de político progressista realmente inteligente com ótimas propostas, porém, mal compreendido. 


Renan Santos está perigosamente caminhando para o mesmo beco sem saída que o Ciro Gomes trilhou.

Começou mal quando colocou-se contra o fim da escala 6x1. O quanto que deve ter perdido de eleitores em potencial… não sei estimar o estrago, mas pode ter sido grande… Mais parece um “Ciro da direita”, não apenas por suas similaridades cognitivas e psicológicas, mas também com o risco de apresentar a mesma trajetória de esperança se transformando em decepção. Um ponto muito favorável ao Renan é que ele, ainda que muito inteligente, usa uma linguagem bem mais acessível, não de um intelectual afetado, mas de um homem prático. 

Que, dos 10% atuais, ele consiga superar seu adversário da direita, o ridículo Flávio Bolsonaro, e de seguir ao segundo turno. Aconteceu na Colômbia. Vire e mexe acontece, de um outsider da política tradicional conseguir furar a barreira. O maior exemplo de todos atualmente é o Donald Trump. O mais difícil ainda vai ser do outsider conseguir sobreviver dentro do sistema, quando vence uma eleição para presidente. Mas tão homérico quanto, pelo menos como está parecendo agora, nessa altura do campeonato, às vésperas do período eleitoral, é o Renan conseguir sair de sua bolha de alto QI de direita e de não-alinhados à esquerda, e conseguir alcançar o diireitista médio br ainda muito devotado ao bolsonarismo. Bolsonaro está quase morto. Seus filhos nunca foram capazes para, pelo menos, manter o mesmo nível de populismo barato porém eficiente que ele adotou e abusou enquanto político ativo e presidente… sonhar nunca é demais. Pode acontecer aqui também. Mas o que eu também sei é que, se Renan for bem sucedido nessas duas proezas, vamos ter que esperar por: uma guerra civil a caminho se deflagrar de maneira mais explícita, ou de, tal como em El Salvador, o “$alvador” Bukele aparecer para apagar o fogo do caos instaurado pela infiltração do crime organizado e da conivência das autoridades oficiais…

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

An example of pathological altruism on the Right: radical anti-abortionism

 I frequently encounter individuals—at least in certain debates and on specific topics—who are hysterical, emotionally driven, and consequently predominantly irrational, and who tend to identify as left-wing on the political-ideological spectrum. My years of debating on social media have led me to conclude that they are the most irrational group, given the frequency of these encounters. Yet, sporadically, the other side of this human cockfighting ring—orchestrated by the political class—also presents itself to me in a despicable light; this happens when I advocate for common sense, only for a similar horde of irrational, emotionally charged individuals to appear and defend absurdities that ought to be as obvious to any adult human being as they are to me and others who recognize them as such. Not to mention the personal attacks and other fallacies they often pass off as "arguments"... Of course, different topics tend to inflame different types of people. Perhaps "uber-capitalists" aren't as easily triggered by the topic of abortion—or at least no more so than traditionalists are. This very topic was addressed on Instagram by Nine Borges—a highly intelligent Brazilian influencer and academic—who took a completely radical stance against the practice. I have written about abortion before and reached a conclusion—which seems the only reasonable one when approaching the topic with impartiality, objectivity, and careful consideration—that although it is a drastic measure, it cannot be banned in every single instance or scenario; there are important exceptions where the pregnant woman's health, dignity, and autonomy must also be taken into account. Yet, even after making it clear that I acknowledge these important exceptions and am not advocating for the trivialization of abortion, a horde of emotionally charged anti-abortionists appeared to attack me and defend absurdities: the idea that if a woman is raped, she must carry a completely unwanted and traumatic pregnancy for nine months because "human life is sacred"; the idea that she must sacrifice herself emotionally, even though terminating the pregnancy in the early days, weeks, or months—which would be the ideal course of action for anyone guided by common sense—is an option. I also considered an even worse scenario: a hypothetical woman who is raped and becomes pregnant while in a relationship—with a boyfriend or husband—and who, according to anti-abortion "wisdom," would apparently be expected to tough it out for nine months in that situation. I believe this represents an extreme, almost impossible test of resilience for an ordinary couple. Another scenario where abortion might be the recommended course of action is when the pregnancy poses a high risk to the pregnant woman's life. Of course, a Caesarean section is an option. However, if the pregnancy proves so dangerous that even a C-section cannot resolve the issue, resorting to abortion at any stage of the pregnancy to save the woman's life remains a possibility. This is one of the most extreme scenarios, even though the ideal approach is for any recommended termination to take place during the early days, weeks, or months. Because, indeed, those on the right tend to be more correct in asserting that a woman's autonomy over her body ends or diminishes significantly once she becomes pregnant—since she is no longer alone, but carrying a budding human life in her womb—and that life begins at conception. Yet, because we do not live in an ideal world where preventive measures are always sufficient to avoid an unwanted pregnancy (not to be confused with an unplanned one), this "morally right" stance in theory does not align perfectly with what is "most right" in practice. Ideally, people would avoid pregnancy through preventive means, given that abortion is a last resort—used only when all other preventive measures fail or are inaccessible. However, after being exposed to the arguments of radical anti-abortionists, it became clear to me that they champion a stance akin to veganism or the generous welcoming of poor immigrants and refugees: a moral purism that disregards real-world contexts, even if it is theoretically more correct. It is precisely a form of "pathological altruism" or unrealistic idealism—except that, in this instance, the ones being sacrificed are women who are pregnant due to rape, those facing high-risk pregnancies, or those lacking the psychological, cognitive, or social means to sustain a pregnancy or assume the role of a mother...


I also find it "amusing"—in a grim sense—to see the hypocrisy of invoking the "sanctity of human life" to argue for an absolute ban on abortion, while radical anti-abortionists (who are typically right-wing) often appear completely indifferent to the suffering of that same "sacred human life" once it is "outside the womb." For example, they may defend or justify the exploitation of workers by capitalist business owners—such as in debates regarding the end of

6x1 schedule...


Even the—primarily leftist—appeal to the "social standpoint" fallacy is used by radical anti-abortionists, especially women (as I witnessed during my "immersive experience" in that group). This is actually quite amusing, given that if I—as a man—lack the "identity-based authority" to speak about reproductive rights and women's bodily autonomy, then an abortion advocate who has actually had an abortion would possess the exact same authority as an anti-abortionist...

Um exemplo de altruísmo patológico da direita: o anti-abortismo radical

Frequentemente, tenho me deparado com mais emocionados histéricos e, portanto, predominantemente irracionais, pelo menos em determinadas instâncias de debates e sobre certos tópicos, que tendem a se autodeclarar de esquerda no espectro político-ideológico. Minhas experiências ao longo de vários anos debatendo em redes sociais conclusivamente me levaram a pensá-los como os mais irracionais, por essa percepção de maior frequência... Porém, esporadicamente, é o outro lado da rinha de humanos/galos de briga, orquestrada pela classe política, que se apresenta de maneira desprezível para mim, de quando, mais uma vez, defendo pela sensatez, e uma mesma horda de emocionados irracionais aparece para defender absurdos que deveriam ser tão óbvios para qualquer ser humano adulto quanto são para mim e para outros que concordam que são absurdos. Sem falar dos ataques pessoais, dentre outras falácias que costumam usar como "argumentos"... Claro que tópicos diferentes tendem a inflamar tipos diferentes. Talvez, ubercapitalistas não tenham tanto gatilho sobre o tópico do aborto, não mais do que tradicionalistas... Justamente esse, que foi abordado por Nine Borges em sua página no Instagram, uma influenciadora e acadêmica brasileira altamente inteligente, no sentido de fazê-lo, mas se posicionando, de maneira completamente radical, contra a prática. Eu já escrevi sobre aborto e já cheguei à conclusão, que parece ser a única cabível, quando se aborda esse tema com imparcialidade, objetividade e ponderação: de que, apesar de ser, ele mesmo, uma prática radical, não pode ser proibido sob todas as instâncias ou cenários, salvando exceções importantes em que a saúde, a dignidade e a autonomia da mulher gestante também devem ser levadas em conta... Então, mesmo eu deixando claro que existem essas exceções importantes, mas que não estou defendendo pela banalização do aborto, essa horda de emocionados anti-abortistas apareceu para me atacar e defender absurdos: de que, se uma mulher for estuprada, ela deve sustentar uma gravidez completamente indesejada e traumática por nove meses, porque "a vida humana é sagrada"... De que ela deve se sacrificar emocionalmente, mesmo com a possibilidade de interromper a gestação nos primeiros dias, semanas ou meses, que seria o ideal, indiscutível para quem sempre busca se ater ao bom senso. Eu ainda pensei em um cenário ainda pior em que essa mulher hipotética, que é estuprada e engravida, está em um relacionamento: com namorado ou esposo, e que, pelo que parece, segundo a "sabedoria" anti-abortista, deveriam aguentar firmes nove meses nesta situação... Eu penso que se trata de um teste extremo, quase impossível, de resiliência para um casal comum... Outros cenários em que o aborto pode ser mais recomendável, é quando a gravidez mostra-se de alto risco à vida da gestante. Claro que existe a via do parto por cesariana. Mas, caso a gravidez mostrar-se muito perigosa, em que, nem mesmo uma cesária poderia resolver, ainda seria possível apelar para o aborto em qualquer etapa da gestação para salvar a vida da gestante. É um dos cenários mais extremos, se o ideal mesmo é que qualquer interrupção recomendada aconteça nos primeiros dias, semanas ou meses. Porque sim, os de direita costumam estar mais certos que: a autonomia da mulher sobre o seu corpo termina ou diminui significativamente quando engravida, porque não é mais ela sozinha, se passa a carregar um broto de vida humana em seu ventre. E que a vida começa na concepção... Ainda assim, porque não vivemos em cenários ideais em que medidas preventivas são suficientes para evitar uma gravidez indesejada (não confundir com "não-planejada"), esse "moralmente certo", na teoria, não se alinha perfeitamente com o "mais certo" na prática. Se o ideal seria que as pessoas evitassem a gravidez por vias preventivas, já que o aborto é a última opção, quando todas as outras medidas preventivas não funcionam ou não são acessadas. No entanto, ficou claro para mim depois de ser exposto aos argumentos dos anti-abortistas radicais que, eles defendem algo parecido ao veganismo e à recepção generosa de imigrantes pobres ou em situação de refugiado: um purismo moral que despreza contextos reais, mesmo estando mais certo na teoria. Exatamente como uma espécie de "altruísmo patológico", de um idealismo irrealista, só que os sacrificados desta vez são as mulheres grávidas por estupro, passando por uma gravidez de risco ou sem condições psicológicas, cognitivas ou sociais para sustentá-la, ou assumir o papel de mãe...


Também acho "divertido" a hipocrisia de apelarem para a "sacralidade da vida humana" em defesa pela proibição absoluta do aborto enquanto parece comum que, anti-abortistas radicais, por serem tipicamente de direita, sejam completamente indiferentes ao sofrimento da mesma "vida humana e sagrada" quando está "fora do ventre", por exemplo, defendendo ou justificando a exploração de trabalhadores por empresários capitalistas, tal como na discussão sobre o fim da escala 6x1... 

Até mesmo o apelo, primariamente esquerdista, à falácia do "lugar de fala" é usado por anti-abortistas radicais, especialmente por mulheres, como eu vi em minha "experiência imersiva" nesse grupo, o que não deixa de ser engraçado, já que, se eu, por ser homem, não "tenho autoridade identitária" para falar sobre direitos reprodutivos e autonomia corporal da mulher, então, pelo menos uma abortista que já abortou teria a mesmíssima autoridade que uma anti-abortista...