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quarta-feira, 1 de abril de 2020

Por que o altruísmo é superior ao egoísmo?

Por que o altruísmo é superior ao egoísmo?

Pela filosofia, compreendemos que as cadeias alimentares são labirintos com muros altos e caminhos tortuosos, forjados pela multiplicidade de desdobramentos evolutivos da vida, em que nossas diferenças adaptativas são exaltadas (alienação natural) em relação às identidades essenciais, que nos unem,em uma mesma percepção de destino comum/e derradeiro. Egoísmo e crueldade são expressões intrínsecas à essas cadeias. Fora delas, percebemos que é tudo ilusório, passageiro, especialmente a competição, o preconceito/o fanatismo, as riquezas materiais e a crença no impossível; que a vida é agora, que estamos no mesmo barco e/que, portanto, somos todos iguais, nos restando o conhecimento, o altruísmo, o amor, o prazer de viver, de existir. No entanto, muitos, ao atingirem esse nível avançado de consciência, passam a desprezar o fato de que a maioria dos seres humanos ainda não são capazes de alcança-los, continuando alienados à hiper-realidade, valorizando o dinheiro, tratando-se como rivais ou inimigos... Enfim, dando importância ao que não é decisivamente ou existencialmente essencial.

terça-feira, 31 de março de 2020

Precisão semântica e a confusão entre estética e pragmatismo conceitual

Precisão semântica e a confusão entre estética e pragmatismo conceitual

Verdade é o mesmo que conhecimento??

Sabedoria é o mesmo que racionalidade ou que razão??

Pois eu sou da opinião, e que não é apenas uma opinião intuitiva, de que sim, verdade e conhecimento são praticamente a mesma coisa, assim como sabedoria, racionalidade e razão. Mas, então, por que tantas palavras conceitualmente próximas??

Ora, por "mera' questão estética. Mais palavras, mesmo se forem extremamente parecidas em seus conceitos, menos repetitivo e enjoado ficam os textos que escrevemos.

Além do excesso de sinônimos, um problema consequente é a confusão entre estética e pragmatismo conceitual. A existência de palavras como alegria e felicidade, serve para dar mais beleza aos textos, mas não devemos perder muito tempo tentando procurar ou inventar diferenças entre elas, já que têm praticamente o mesmo significado. Geralmente são palavras com origens etimológicas e culturais distintas, adotadas por uma mesma língua. O ideal/correto é sabermos que são usadas justamente por razões estéticas. Essa situação é mais complicada quando os sinônimos são sobre significados essenciais para a nossa compreensão de mundo, tal como os exemplos que explicarei embaixo.

Explicando verdade/conhecimento e sabedoria//razão/racionalidade

A verdade tem sido definida como um fato determinado, por exemplo, "É verdade que eu não sou tão alto quanto você". Ou como uma interpretação subjetiva "A minha verdade não é melhor que a sua". Já o conhecimento tem sido definido como uma verdade construída a partir de fatos determinados, por exemplo, "O conhecimento da geografia se refere à interação do homem com a natureza". Mas, se pararmos para pensar, todo conhecimento é verdadeiro e toda verdade é conhecimento, no sentido de "conhecer", de "saber". Ao buscar pela essência conceitual da verdade, acabei por encontrar um contraste dela, mas com a realidade. A verdade como uma reflexão da realidade a partir da perspectiva de um ser vivo. E a realidade como sinônimo da própria existência, independente se a percebemos ou não. Por isso que penso ser mais eficiente pararmos de tratá-los como se fossem conceitos absolutamente diferenciados.

O mesmo para as outras três. Se ser racional, dotado de razão ou sábio é praticamente a mesma qualidade. O problema são as atribuições indevidas. Se sabedoria é a busca pelo conhecimento, muitos a definem restritamente como "bondade", e ainda do tipo "fazer o bem, sem olhar a quem", isto é, de praticar o altruísmo sem ter conhecimento para quem o está praticando... contraditório, se a sabedoria é sempre sobre buscar pela verdade.

Se racionalidade é a capacidade de pensar reflexivamente.. em busca do conhecimento, muitos a definem como frieza analítica, criando uma dicotomia absoluta e falaciosa entre sentimento e fato, como se os sentimentos não expressassem verdades, diga-se, mais subjetivas. Mesmo se a sabedoria é definida como bondade incondicional, ou a racionalidade como frieza analítica, todos concordam que o sábio e que o racional sempre buscam pela verdade.. ou conhecimento.  A diferença é que o altruísta pensa que a verdade só pode ser encontrada pela sensibilidade de seus bons sentimentos, enquanto que o egoísta vai pelo caminho oposto, em que a frieza na análise levaria ao saber purificado de atribuições subjetivas, supostamente condenando-as (na verdade não o faz porque sobrepõe sua natureza egoísta sobre sua percepção de mundo). O primeiro aborda a realidade apenas pela análise moral, em primeira pessoa, em que é inevitável a empatia de se colocar no lugar do outro, e o segundo apenas pela análise factual, distante e também secretamente hipócrita (blefe do relativista moral). Ambos incompletos e, portanto, equivocados. No mais, pela compreensão dos conhecimentos ou verdades existenciais (que são os mais importantes), o altruísmo se torna definitivamente preferível ainda que, continuando ser necessário saber "para quem".

Política do Amor Perfeito

Política do Amor Perfeito

Pela tática política do "dividir para conquistar", o povo é enfraquecido por cisões internas plantadas por minorias inescrupulosas e organizadas para, então, ''governa-lo''. Cruamente falando, assim tem sido a desgovernança humana em sociedades complexas desde há muito tempo.

Agora, por minha teoria simples de dominação social, uma elite (de preferência, filosófica), ao invés de dividir/enganar para explorar o povo, lhe faz apenas o bem, tal como em uma sociedade ideal. A partir daí terá como resultado o seu total controle, afinal, não haverão mais razões para revoltas ou convulsões sociais. Eu chamo esse novo, porém, óbvio jeito de fazer política de "Amor Perfeito", em que, pela aplicação integral da sabedoria, o governo será excepcionalmente benevolente e sagaz, preocupado primeiramente com o bem estar e com a evolução da humanidade e  também com sua interação harmoniosa com o meio natural.

Democracismo

É a crença exagerada na funcionalidade plena e natural de uma democracia absoluta. É parecido com a crença no livre mercado porque também se baseia na ideia de autonomia total só que do povo em relação às elites, enquanto que no liberalismo econômico é a do mercado em relação ao Estado. Se o Estado não está funcionando corretamente, liberais da economia prescrevem ''elimina-lo'' ou reduzi-lo ao nível mínimo de intervenção sobre o empresariado e suas travessuras. No democracismo, são as elites as eliminadas, pois se pensa que o povo [ou que qualquer nível de povo] é plenamente capaz de autogoverno. Para o liberalismo econômico, acredita-se que um organismo vertebrado, como a sociedade complexa, pode se tornar invertebrado, sem ir se desmontando no processo. O estado aqui tendo como equivalente metafórico o esqueleto. Para o democracismo, crê-se, sem ter essa dimensão explícita e didática, que o organismo ou corpo social complexo possa existir sem sua cabeça ou elites. Ainda que receite por uma democracia mais participativa [plebiscitos], sem uma classe política que representa apenas os seus interesses, também [sempre] prescrevo moderação e que, neste caso, se consiste na preservação e no melhoramento significativo das elites, de oportunistas parasitários para verdadeiros governantes, que amam ''o povo'' como a si mesmos. Pelo democracismo, tomam-se opiniões ou posicionamentos da maioria como sacramentados e, consequentemente, despreza-se que, dentro de uma diversidade de perspectivas, algumas estão mais certas que outras, independente se a maioria concorda ou não, porque são mais factuais, baseadas na capacidade de atender com honestidade ou precisão a critérios estabelecidos [ex.: qual é a melhor maneira de combater as desigualdades sociais severas? uma das vias mais seguras para conseguir atender a esse critério é a distribuição igualitária de renda]. Outro problema é de se pensar que, com uma democracia participativa, todas as pautas poderão ser colocadas em plebiscito. Por exemplo, a união homo-afetiva. Não faz sentido que algo tão íntimo e tão racionalmente desejável [que adultos possam se unir oficialmente, independente de suas orientações e identidades sexuais] tenha que passar pela aceitação pública. Pois é, não tem! O democracismo padece do mesmo mal que acomete à boa parte das ideologias, se não sua característica principal/e/involuntária, o extremismo, já que, por sua crença, automaticamente todas as questões se tornam conclusiva e igualmente julgáveis pela opinião pública. Na verdade, é possível concluir que qualquer uma dessas questões pode muito bem ser corretamente julgada sem a necessidade que seja em conjunto ou por uma maioria, desde que o indivíduo ou um grupo menor de indivíduos estejam seguramente embebidos de racionalidade.

Mas, então, por que a democracia participativa é desejável?

Um ''pouco café com leite'', mas nem tanto...

Lembra de quando você brincava com seus irmãos e primos e tinha o mais novinho, ainda na primeira infância, que os adultos forçavam a participar das brincadeiras?? Eu aposto que você também se referia a ele como ''café com leite'', porque ele brincava mas não necessariamente de maneira efetiva. Pois é mais ou menos isso que uma democracia participativa e, pasmem, também aristocrática, por seu conceito mais ponderadamente tomado, se consistiria. Organismos complexos não existem sem um órgão hierarquicamente centralizado e especializado em seu controle, organização e decisão. O governo ideal, pela sabedoria, quebra os extremismos puristas das ideologias, isto é, suas imperfeições por distorção, ao harmonizar dois modelos primariamente antagônicos, o democrático e o aristocrático. A democracia representativa parte de premissa similar mas é evidente que o seu método de atração e constituição da classe política, de representantes do povo, é excepcionalmente falho, porque além de atrair os mais egoístas, que visam benefícios volumosos do cargo político, ainda dá poder total de decisão à população em momentos decisivos como nas eleições [diga-se, uma população em sua maioria mal informada, teimosa e chucra], isto é, um democracismo misturado à farsa desta representatividade.

[Ah, um governo ideal não coexiste com sociopatas, ok??... Algo que devo falar mais em outros textos.]

Portanto, a participação popular é muito importante para o funcionamento saudável do organismo social, por fazer justiça ao igualar o potencial de poder entre grupos e indivíduos, acabando com a falácia da dependência desigual, em que as elites se colocam como indispensáveis ao povo e, consequentemente, desprezando a indispensabilidade do mesmo. 

Mas, acreditar que o povo, em boa média, não é manipulável, plural em seus posicionamentos ou que a opinião da maioria deva prevalecer independente de sua qualidade, essa fé exagerada na ''sabedoria das massas'', é democracismo. 

segunda-feira, 30 de março de 2020

O conservador e o filósofo

Por ser um termo muito vago, conservador requer um conceito com base em sua expressão concreta e histórica. 

Curto, grosso e preciso [esqueci do pedante, mas ok]

Com base nos comportamentos mais comuns, praticamente característicos, daqueles que se denominam assim..

O conservador,portanto, é aquele que nega o cerne da filosofia, que é a verdadeira religião [e/que se principia pelo ateísmo], quer seja pela adoção de um sistema mitológico de crenças e/ou pela negação de outras verdades absolutas, como a igualdade essencial de todos os seres vivos. Nega a natureza ideal humana, fundamentada em autoconsciência, empatia, racionalidade ou ponderação, o máximo de inteligência/conhecimento que o ser humano pode atingir, o seu estado mais evoluído. 

Para o conservador, se o ser humano fosse uma ave, seria proibido de voar. Sendo um, quer que aja como um ''animal irracional'', para que possa continuar sendo o seu fazendeiro, o seu parasita, especialmente se este for o tipo mais abonado. Ele é incapaz de enfatizar pelo que temos de igual, de comum. Se pobre ou precarizado, age em conformidade à sua posição, apesar de nutrir a esperança de um dia subir de degrau na pirâmide da civilização típica. Assume a posição de "patrão" àqueles que se posicionam abaixo dele, incluindo a própria família. Age com base nos instintos que apenas tateiam cadeias alimentares, exatamente como um ser humano desprovido de boa parte daquilo que nos faz uma espécie única. Por isso que tenho o hábito, eu admito que, grosseiro, de apelidá-lo de ''elo perdido'' [quem dera se ''perdido'']. 

O filósofo é o oposto do conservador, por ser um conceito bem definido e, também, por basear-se na busca pela sabedoria, isto é, por todos os conhecimentos ou verdades, de nunca negar fatos, morais/existenciais ou concretos. O conservador nega fatos ou verdades que negam sua subjetividade ou perspectiva, predominantemente egoísta ao invés de altruísta, utilitária ao invés de contemplativa, competitiva ao invés de solidária, concreta ao invés de abstrata, artificial ao invés de real, autoritária ao invés de reflexiva, medíocre ao invés de ideal, organizada ao invés de harmônica.

Pela filosofia, o egoísta, o utilitário, o concreto, o artificial, o autoritário, o medíocre e o organizado, terão todos os seus respectivos lugares. Mas, sempre em harmonia com os seus pólos opostos. Mesmo uma virtude incontestável, em sua concepção primária, quando em desequilíbrio, resulta em consequências aquém do desejável. O altruísmo, por exemplo, que, em excesso, se expressa como um sacrifício suicida. Arriscar a própria vida é,  algumas vezes, necessário ou imprescindível (o limite moral). Outras vezes, é muito mais um atributo de impulso sentimental do que por reflexão ou conhecimento de causa. O altruísta sem conhecimento é uma presa em potencial. O conservadorismo é um extremismo historicamente naturalizado. Não representa um corpo social saudável, harmônico, simétrico... 

A suposta metafísica do conceito de conservador

'Filósofos" conservadores gostam de tecer definições extremamente puristas e idealistas sobre o termo conservador. Existem virtudes praticamente unânimes  entre eles, pensadas para defini-lo, que, na verdade, esboçam mais aquilo que pensam sobre si mesmos. De que o "verdadeiro" conservador é o mais cético, cauteloso, cuidadoso, racional e honesto de todos... 

E ainda tem aqueles que chegam ao cúmulo da idealização denominando o conservador como uma pessoa que só quer o bem ou preservar "coisas boas" [se, com base em concepções subjetivas ou racionais/mais ideais].

Ok...

O falecido "filósofo' Roger Scruton foi um dos que participaram deste concurso para ver quem idealizava mais o conservadorismo.

Mas, na realidade prática, em termos de identidade, o que vemos é outra coisa. Talvez, esse conservador quase metafísico exista, mas é  minoria no meio de uma multidão de cidadãos de bem tipicamente hipócritas, nem um pouco céticos e/ou parcamente racionais. Pra começar, o exemplo do abraço instintivo de muitos deles às crenças mitológicas ''reconfortantes'. É certo que a maioria desses cidadãos se consideram como personificações das virtudes conservadoras... 

A comparação com o termo filósofo é válida, porque algo parecido mas, não-idêntico, acontece com ele, se também existe uma maioria de indivíduos, muito aquém do título, se definindo como tal.

É verdade que o termo filósofo é bem definido, mas, ainda é preciso buscar pela definição para sabedoria e verdades, para ampliar e reforçar sua estabilidade ou segurança semântica. A imprecisão histórica de ambos os termos que explicam o que é ser filósofo, tem sido uma das razões para a sua prática diversamente ideal do desejável. Autoconhecimento fraco é outra causa, mais intrínseca, que explica a auto-identificação assimétrica. Por isso que tem casos em que é possível/o resgate de conceitos e práticas ideais apesar da prática histórica e descaracterização conceitual massificada, enquanto que, para outros, por serem tão vagos, não é possível o mesmo processo e ser bem sucedido, sem que replique o "problema" da/expectativa/de/uma definição precisa, no sentido de restrita, a partir de um vocábulo intrinsecamente vago. 

Como conclusão, o suposto conceito do ''conservador ideal'' cabe perfeitamente ao filósofo. Não basta a autodefinição ou auto-identificação. Também é fundamental demonstrar que não se consiste apenas em um desejo de pertencer à certa identidade, que seria mais narcisista do que intelectualmente honesto/ objetivo. 

sábado, 28 de março de 2020

Ateísmo, essência conceitual e dois grupos predominantes de ateus

O ateísmo é a descrença em divindades. Basicamente isso. De resto, nada impede que um ateu seja: sociopata, egoísta, imprudente ou um altruísta patológico. Também não impede de acreditar em deuses terrenos, em mitos de carne e osso e/ou a seguirem cartilhas ideológicas rígidas, sem qualquer pensamento crítico. Está aí a razão de me identificar como ateu mas de não me identificar com a maioria dos ateus, porque se dividem em dois grupos predominantes: imorais e ideólogos (este segundo que me parece o mais comum). O primeiro justifica seu ateísmo para agir imoralmente. Parece que a maioria daqueles que relativizam a moralidade, chamando-a de ilusão ou desconhecendo-a, são de ateus, desse tipo. O outro grupo não acredita em deuses metafísicos mas são tão vulneráveis a fanatismos e preconceitos quanto o resto da população, incluindo o tipo imoral de ateu, resultando em seu abraço a "mitos" humanos e/ou seguindo ideologias, tal como se fossem seitas ou mesmo "religiões", mais pela crença do que pelo conhecimento. O ateísmo sozinho é apenas ateísmo, não transforma ninguém em sábio por isso, mas, todo sábio precisa aceitar os conhecimentos existenciais e inevitavelmente o ateísmo. 

Ideologia versus sabedoria, uma metáfora e uma contextualização [projeto de militarização das escolas]


Ideologia versus sabedoria

A metáfora do cobertor

Está uma noite fria e você se prepara para dormir. Pega um cobertor qualquer, se cobre, mas percebe que os pés ficaram pra fora. Puxa pra baixo, e então, desprotege o pescoço e os ombros. O cobertor é curto demais para o seu corpo. Acontece... 

Eu não sei quanto a vocês, mas eu tenho a impressão que toda ideologia se parece com um cobertor curto cobrindo um corpo maior.. Se não tira de um lado, irá tirar de outro. Em cada ênfase numa coisa, extrapola ou falta n'outra. Querem ver pra crer??

O estoicismo, comum a tantas ideologias conservadoras [dos elos perdidos, oops]. 

O hedonismo, comum a tantas ideologias progressistas.. 

O pacifismo, que exagera a dose em sua ênfase pela paz. A ''doutrina espartana'', que vai pelo caminho oposto, exagerando sua paixão pela guerra.

É o ateísmo típico, que despreza a verdadeira religião [que se consiste no âmago da filosofia] e acaba promovendo o niilismo.

Ou então é a crença mitológica, que coloca sua fantasia ou ''necessidade de acreditar para viver'' muito à frente da sanidade mental. 

Também podemos perceber esses desequilíbrios nas culturas nacionais.

A cultura japonesa, que exagera na disciplina, obediência e ordem;
A cultura brasileira, em que a ''zoeira never ends'';
A cultura americana, em que dinheiro e ''ser um winner'' é tudo e mais um pouco;
A cultura francesa, que exagera em sua apreciação estética, caindo na ilusão de usá-la como esnobismo frívolo. E assim por diante... 

Todas as ideologias têm em comum se definirem como as únicas capazes de revelar a verdade [absoluta] ou o modo mais ideal de existir. Mas, estão todas essencialmente erradas, pois sempre acabam exagerando no ponto.

A ideologia é a significação ou justificativa da cultura, do porquê de se constituir deste ou daquele jeito. A cultura, por sua, vez, é a organização ritualística e simbólica ou, pela linguagem/artes, da adaptação ou, do vínculo de sobrevivência do ser humano ao seu ambiente. 

Portanto, mesmo que não seja sua intenção original, a ideologia sempre acaba enfatizando mais um lado do que o outro [ o seu oposto], e, com isso, deixando os pés ou o pescoço desprotegidos. 

A sabedoria, por essa metáfora,  é o cobertor que cobre todo o corpo... de conhecimentos, especialmente os mais básicos [os mais importantes], e ainda sobrando... É o fim de todas essas falsas dicotomias.
 
Do pacífico também saber se defender,
Do estoicista também saber curtir a vida...

Enfim, de todos eles deixando de serem pacifistas, estoicistas... e se tornando sábios ou racionais..

Esses conflitos ideológicos tem como causa principal justamente o atrito entre os níveis de consciência hiper-realista em relação aos níveis surrealista e realista. 

Quem sabe que a vida é uma só, geralmente, quer viver a sua, da maneira mais confortável e prazerosa possível...

Quem acredita que viverá pra sempre no além, é mais propenso a ter uma vida de obediência e abnegação.

Quem só se preocupa com a própria vida, e portanto, despreza a igualdade universal que une a todos, é muito mais provável que aja de maneira egoísta ou cruel.

Juntar o útil ao agradável, o necessário ao verdadeiro, esta que é a principal função da sabedoria, enquanto que as ideologias tendem a separar os dois, por muitas formas ou distorções. 

O que as ideologias dividem, a sabedoria une.

As ideologias são como as projeções cartográficas de Peters e de Mercators, ambas versões distorcidas do mapa-múndi. E a sabedoria, por sua vez, é  como as dimensões precisamente corretas do nosso planeta, as verdades, e nada mais que todas as verdades, especialmente as mais básicas/existenciais.
 
Contextualizando para as escolas públicas brasileiras...

Um outro exemplo, bem atual e até potencialmente problemático, é a sanha do desgoverno bananeiro, neste ano desastroso e triste de 2019 DC, com o seu projeto de militarização das escolas.
 
Como não haveria de ser diferente, eu discordo com veemência desse atropelo. Mas, concordo que as escolas públicas do ''nostro'' país estão bem avacalhadas, com muito indisciplina, professores quase reféns dos alunos... Concordo que, décadas atrás, os estudantes tinham mais respeito pelos professores..
 
Duas ideologias disputam a hegemonia, isto é, dois extremismos. A ideologia "espartana", militarista, e a "ateniense", mais progressista. Em ambas, excessos são enfatizados, e que seriam complementares se estivessem em cooperação.

Hoje, o estudante, o jovem, não é mais ''propriedade de deus e da pátria'', sem mais sofrer a uniformização de sua personalidade e apanhar de palmatória.  Por outro lado, o que funcionava no ambiente escolar daqueles tempos, também foi cortado pra fora pela pedagogia progressista, que estimula o diálogo e o respeito entre professores e estudantes. Ideologias progressistas são sempre idealistas, mas, frequentemente, tratam as ideologias anteriores à elas [conservadoras], com extremo desdém, como se tivessem feito tudo errado..

Né bem assim não, bem!!

É perfeitamente possível impor certa disciplina, com direito a níveis variados de castigos, correspondentes,  sem sacrificar as conquistas progressistas que favorecem o estudante, o jovem, mas que têm sacrificado os professores.