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terça-feira, 7 de março de 2023

"Do nada, nada se cria. Essa ideia é absurda. Tem que ter algo anterior que criou o universo (ou a existência)"

 [Reprodução aproximada de um comentário que peguei do YouTube]




Pois é muito mais absurdo pensar que existiu/existe um "criador" e, ainda por cima, que "nos criou à sua imagem e semelhança". 


Porque o autor desse comentário está aplicando uma lógica que faz sentido dentro da nossa realidade, de que tudo o que existe nela teve uma "criação" anterior, a uma dimensão de realidade que é completamente diferente. É tal como acreditar que a atmosfera de Marte é igual à da Terra atual. 


É verdade que existem leis lógicas universais, mas elas sempre se adaptam a contextos específicos, tal como no exemplo dos planetas. Além disso, a comparação também é entre etapas diferentes da evolução do universo ou da existência, do seu começo em relação a uma etapa em que já está constituído, em que elementos e fenômenos existem e se sucedem de maneira coerente ou lógica. 


Talvez, no lugar de um nada literal, exista uma camada extremamente básica e eterna de "existência" (de um "algo") que torna possível ou justifica a emergência do/de universos, de acordo com a lógica humana, de que "nada pode vir do nada". 


Mas, se também concluirmos que, nossa lógica, bem como o conhecimento humano (um produto dela), ainda estão limitados ao que acontece dentro deste universo, então, a hipótese de que a existência possa ter surgido do nada soará menos implausível. 


Agora, que.. sei lá, um ser (??) ou uma entidade metafísica e absoluta, e ainda por cima aparentada a uma espécie de um planeta qualquer, entre bilhões de outros planetas, tenha literalmente criado este universo... soa aos meus ouvidos exatamente como uma fábula. 

A arte não é apenas entretenimento...

... e muito menos desse tipo em que se serve como um meio barato para o lucro, porque a arte, em sua essência, é um mecanismo de expansão momentânea da consciência (primariamente) humana, de conexão ou atenção ao que está além da percepção sensorial imediata, que evoca lembranças, sentimentos ou reflexões que perpassam o tempo-presente. A arte também é uma fuga do tempo-espaço presente e constante, de transferência de consciência do agora para uma realidade imaginária ou uma perspectiva da mente, uma memória ou uma emoção específica, mas sempre com foco a uma perspectiva particular e além do momento imediato, então, transferido para uma obra artística.

terça-feira, 19 de julho de 2022

O filósofo tem que ser mais um observador do que um pensador

 Não basta ser muito reflexivo, mas divagar excessivamente com os próprios pensamentos, pois aquele que pensa muito e sem controle ou direção, tende a ser absorvido pelo que pensa e perceber menos o que está fora de sua mente.

segunda-feira, 27 de junho de 2022

Sobre o escritor

 O que move o escritor a escrever é o sentimento de posse em relação aos seus pensamentos, textos e ideias, e também a vaidade de registrá-los mesmo se for para o próprio deleite.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

A todo momento quando debatemos ou mesmo quando pensamos por nós mesmos...

... estamos falando/pensando SOBRE OS NOSSOS próprios SENTIMENTOS, algumas vezes MASCARADOS como narrativa: científica, filosófica ou supostamente neutra, outras vezes de maneira DECLARADAMENTE EMOTIVA.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Pensadores metafóricos, o perfil do sábio criativo, entre o concreto e o abstrato

A metáfora é um meio de se concretizar com exemplos aquilo que pode estar muito abstrato de ser entendido. Algumas pessoas são mais propensas a ''se utilizarem'' delas. Eu pesquei agora pouco um insight sobre este assunto e justamente por isso que estou aqui redigindo este texto. O pensador metafórico, pelo que parece, por não ser capaz de entender abstrações com facilidade, precisa recorrer à metáfora como uma maneira de compensar esta dificuldade, porque é ela que as concretizará por meio da construção de analogias, da abstração, para uma realidade mais concreta, mais visível de ser visualizada e portanto mais fácil de ser entendida.

Nós temos os pensadores mais concretos, mais empíricos, convencionais, mais fechados à ideações e entendimento das abstrações mais complexas. 

Temos os pensadores mais abstratos, que tendem a ser opostos aos concretos, e por fim nós temos os pensadores que encontram-se entre esses dois, mais extremos, e eu acredito que a maioria daqueles que tem maior facilidade e mesmo necessidade de usar metáforas para entender a realidade serão encontrados no meio deste espectro, incluindo aí os pensadores mais criativos, se o pensamento metafórico costuma ser muito recorrente a preferencial também entre esses tipos para que possam se enviesar em ideações divergentes.

E a racionalidade/sabedoria*

Sábios e racionais, inevitavelmente acabarão se localizando também no meio deste espectro, do que entre os mais abstratos [vulnerabilidades para apofenias] ou entre os mais concretos [vulnerabilidades para déficit em ideações abstratas e expansão da compreensão factual]. Eu também poderia apostar uma correlação positiva entre uma maior tendência para o pensamento ou ideação abstrata e maior inteligência cognitiva/psicométrica, e uma menor correlação entre o pensamento concreto e maior QI,  uma maior correlação entre: ideologia esquerdista ou ''não-convencional'', maior abertura para a experiência e maior capacidade para o pensamento abstrato.

Os mais racionais a sábios, precisam tanto da concretude quanto da abstração para melhor entender a realidade, de maneira que, muito no concreto, e não conseguirão produzir insights construtivos e factualmente corretos, e, muito no abstrato, e poderão se perder do chão da lógica, se enviesando em teorias que se distanciam muito daquilo que já se conhece ou mesmo que pode ser facilmente reconhecido e entendido a olho nu. 

No mais é isso, os pensadores que mais se utilizam de metáforas para entender ''o mundo'', o farão porque se encontrarão a meio caminho entre a concretude e a abstração, apresentando um certo ''déficit' para entender a segunda e se utilizando de recursos para compensá-lo, especificamente com base em analogias que transformam ideias abstratas em concretas, que podem ser melhor entendidas ou ''visualizadas' desta maneira. 

Também poderíamos entendê-los como pensadores mais simples, porém mais práticos, e portanto corretos, do que aqueles que apresentam grande motivação para produzir linhas de pensamento demasiadamente sofisticadas, isto é, denotando que, as abstrações mais complexas e mesmo confusas, costumam ser o resultado de sobreposições de construções desta natureza, abstrata, e/ou do uso de vocabulário muito rebuscado que tende a resultar em uma leitura menos objetiva.

A metáfora é mais didática tanto para quem já apresenta dificuldades generalizadas para entender as abstrações [pensadores mais concretos] quanto para os pensadores metafóricos, que, a meu ver, estarão entre esses dois tipos mais extremos. 

Exemplo: DNA.

É fácil para um pensador abstrato, especialmente aquele que for especializado nesse assunto internalizar e entender o que o termo DNA significa. A sua capacidade cognitiva mais avantajada neste sentido, parece que associa com maior facilidade o significado desta sigla. O mesmo não é verdadeiro para o pensador mais concreto que, ao não ter uma referência no mundo prático, em que vive, será menos propenso a compreendê-la. Algo parecido acontece para o pensador metafórico, se a metáfora já se consiste em uma concretização da abstração. Então como método criativo habitual, o pensador metafórico ''traduz'' a abstração para o concreto. Logo ele conseguirá entender um pouco melhor o conceito do DNA a partir do momento em que busca por exemplos similares no mundo concreto e mais pessoal, para associá-los ao mesmo.

DNA: ''o fator g'' dos genes, o ''responsável'' que armazena e organiza toda a papelada que está sendo usada na construção de um prédio, enfim, aí fica com a imaginação de vocês... 


terça-feira, 26 de julho de 2016

Ser inteligente ( sábio especialmente) é ser sortudo...

O que é lembrar**

Agora pouco me lembrei de um texto que li, diga-se, superficialmente, de um blogueiro da comunidade HBD, faz uns anos já, em que ele elencava sobre os possíveis ''qi'' dos políticos russos. Eu lembrei mais especificamente daquilo que disse sobre o possível qi médio ''de'' agitadores esquerdistas, de se situar em torno de ''115''. E usei esta lembrança para comentar em um blogue.

 Como que aconteceu este processo de 

- ler algo

- e uma lembrança perfeitamente encaixável vir à minha cabeça, emergir* como se alguém tivesse me dado às mãos o ''documento'' correto**

Lembramos apenas aquilo que guardamos e quanto maior a memória possivelmente mais coisas poderemos nos recordar.

Mas também tem a funcionalidade ou melhor a eficácia da memorização. Memorizar ''isso'' pra quê* quando usá-lo* 

Por isso que ''nascer inteligente'' antevem ao ''ser inteligente'' e se consiste em uma clássica condição de sorte, do que de conquista pessoal... 

internalizamos, absorvemos a memória ambiental e nosso cérebro parece trabalhar ''sozinho'' fazendo o trabalho de priorizar de acordo com as nossas necessidades/motivações intrínsecas e como um bom funcionário, nos dá as informações absorvidas no momento correto e quanto mais sábio, mais eficaz será este funcionário.

Se continuamos submergidos em um mundo intuitivo, e eu necessariamente não sei como seria um mundo sem a intuição dominando os nossos pensamentos,  então nascer com a melhor ou especialmente com ''a mais sábia'' das intuições divergentes (criatividade) e convergentes (inteligência) em algumas perspectivas holisticamente importantes, se consiste em um presente ''de'' Deus para alguns de nós, tal como se diz em inglês, ''gifted'', presenteado. Em especial um mundo que conspira contra o indivíduo como o mundo sofisticadamente psicótico do ser humano.

Eu devo tentar nos próximos anos alguma tentativa de desenvolver OU apenas tornar constante o meu pensamento reflexivo, e é provável que não seja muito bem sucedido nesta tarefa.

O pensamento sempre antecede a ação e muitas vezes agimos, literalmente falando, ''sem re-pensar'', sem refletir, e mesmo quando refletimos, quando falamos com nós mesmos, nos criticando, nos questionando, ainda é possível que não consigamos parar a ação. Isso já aconteceu comigo algumas vezes. E quando o  fazemos, isto é, conseguimos conter a erupção da ação sendo consumada, parar no meio do caminho, não é incomum que nos tornemos irritados por causa disso.

''Cortar o barato, a expectativa, a consumação do ato'' se consiste em uma revolução no ato de agir, no ato em si.

A ignorância em sua imparável fluidez egocêntrica e que muitas vezes será disfarçada pela ''máscara da sanidade/normalidade'' de fato é uma ''bênção'' para muitos que a tem em níveis alarmantes, estes que estão em um estado constante de transe, ''hype'', absoluta e absurdamente convencidos, como se tivessem se tornado ''deuses'', imparáveis, incontroláveis e claro, teimosos em sua estupidez, como deuses gregos, diabolicamente híbridos entre o fogo da razão e do instinto.

Portanto eu faço pouco ou quase nada, ao menos eu não vejo as minhas próprias ações sendo pensadas e tomadas, nós não vemos, e no meu caso, eu acredito ter uma certa eficácia para prover os melhores argumentos com as informações mais pertinentes,

isso merece um aumento de salário para o meu cérebro, porque ''eu mesmo'', não fiz nada, sou um explorador, mas também sou dependente do seu humor, ''eu'', o eu-mente''.

talvez o meu funcionário possa ser a minha mulher, ou mesmo, o meu parceiro, e seja não apenas inteligente mas também cheio de vontades. 

lasquei-me, no final, tudo se lasca, diria um suicida.