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quarta-feira, 17 de maio de 2017

Psicose tradicional (em relação à concretude), psicose abstrata (em relação à verdade subjetiva) ou "psicose inteligente")

O esquizofrênico/psicótico [assim como também os tipos menos intensos como os esquizotípicos] tem alucinações tanto em relação à verdade objetiva ou concretude quanto em relação à verdade subjetiva ou abstrata. Em compensação também é possível ser ou se tornar mais psicótico"apenas" em relação à verdade subjetiva ou abstrata. Isto é, pode-se ter uma capacidade perceptiva primária dentro da normalidade, em relação à verdade imediata ou concreta, mas não em relação à [potencial] verdade que se produz mais além do imediato e concreto/físico. É justamente aí nesta falha comum da espécie humana que toda sorte de sistemas de crenças factualmente diversos em qualidade (ou falta dela) tem sido construídos. Acho que já falei sobre isso mas não a partir desta [micro, nano...] perspectiva. Eu disse que o ser humano exibe uma capacidade perceptiva/sensorial balanceada em relação à verdade objetiva ou concretude [em contraste aos outros seres vivos], enquanto que em relação à verdade subjetiva ou abstrata ele se torna perceptivamente assimétrico, resultando em uma multitude de psicoses parciais abstratas, isto é, distorções da macro-realidade, expandida além da concretude/verdade objetiva. O ser humano pode reconhecer os padrões imediatos ou concretos de uma floresta, mas pode se confundir para compreender além daquilo que os seus sentidos captam e que a sua percepção interpreta de imediato, em relação a este cenário, isto é, pode produzir pensamentos conclusivos de causa e efeito contraditórios a equivocados, por exemplo, em relação à dinâmica da cadeia alimentar presente neste lugar hipotético. E esta situação se torna mais grave quando ele precisa interpretar a realidade social de sua própria espécie, mas especialmente, a ''realidade ou verdade existencial'', isto é, sobre si mesmo ou tudo aquilo que está mais vinculado a si mesmo. Para escapar de todas essas incertezas existenciais, que se relacionam umbilicalmente com as suas próprias existências ou vidas, um número invulgarmente alto de seres humanos optará pela certeza das crenças do que pela incerteza dos fatos desta natureza [existencial]. Isso também se relaciona com o deslocamento de uma perspectiva eu-cêntrica para uma perspectiva mais impessoal, em que deixamos de ser o centro até mesmo de nossas próprias atenções, para nos tornarmos ''insignificantes'' aos olhos da grandiosidade cósmica.  

Portanto quando começamos a elaborar e a priorizar os tipos de pensamentos, ideias e ''ânsias ou expectativas'' que hegemonizarão as nossas mentes [que está sob a influência dos genes/instinto], nos tornaremos mais vulneráveis para internalizar sistemas proto-psicóticos de crenças que alimentarão nossos ''egoísmos perceptivos [irracionais]''. Parece que temos dois tipos de pessoas que acabam priorizando ou enfatizando por ''pendengas existenciais'': os medrosos ou escapistas e os valentes ou realistas. Os primeiros exibem uma motivação intrínseca para pensar com maior frequência e importância sobre essas questões existencialistas, só que, por alguma razão, provavelmente de natureza instintiva/genética [tipo, nível de inteligência, especialmente a de natureza analítica; tipo ou nível de personalidade, etc],  acabarão buscando pelo escapismo das crenças humanas, tendendo a abraçar aquela que melhor se comunicar, sob vários níveis [psicológico, fisiológico ou étnico...], com eles. Os segundos também exibem a mesma motivação intrínseca mas reagem de maneira diametralmente oposta, em que, ao invés de fugirem do desafio que escolheram, o aceitam de maneira substancialmente significativa. Os escapistas assim como os realistas não ''escolheram'' priorizar por questões existenciais, mas precisam reagir a este constante assalto, e na totalidade das vezes [a partir do momento em que estamos delineando o conceito de maneira explícita: o escapista] o farão com base na fuga desta interação OU com meios para se enganarem, isto é, tal como se estivessem sempre olhando para morte no espelho [principal de casa] mas acreditando ou passando a acreditar que depois dela haverá vida novamente ou qualquer outro tipo de metafísica infinita. E uma conclusão óbvia deste assunto é que a maioria dos seres humanos serão muito mais escapistas [ideologia, cultura, religião] do que realistas.

Mesmo a maioria dos ateus, ao menos hoje em dia, tem escapado de um abraço sincero e completo à realidade, e trocado a religião pela ideologia, tal como eu tenho comentado desde quando eu tinha o velho blogue.





segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Cultura, ideologia ou religião como ''esquizofrenias fenotípicas, extrínsecas ou externas''

Séculos de regimes semi a escravocratas ainda ecoam por ''nossos' genes e explica o porquê de boa parte dos seres humanos ainda se consistirem de subordináveis naturais.

A esquizofrenia como a entendemos se consiste em alucinações das mais diversas ordens, tal como paranoia irracional, alucinações auditivas, visuais e potenciais reverberações de longo prazo que podem afetar mais profundamente o comportamento bem como também nas ''crenças' ou ''pontos de vistas' dos seus portadores.

Esta é a esquizofrenia orgânica ou intrínseca, que se manifesta a partir do ser em direção ao ambiente, que se consiste em parte de suas ações primárias. O esquizofrênico intrínseco sua, enxerga, tem as suas necessidade fisiológicas (fezes, urina, sexo), batidas do coração, respiração .... e alucinações.

No entanto também existe a esquizofrenia extrínseca ou ambiental e que usualmente tem sido denominada de ''culturas'', ''religiões'' ou ''ideologias'', enfim nomes diferentes para fenômenos muito parecidos em especial em seus efeitos. Na esquizofrenia extrínseca, ao contrário de se consistir em um comportamento direto do organismo ou intrínseco, se dá com base na combinação do mesmo em relação ao seu meio, isto é, consistindo-se em reações secundárias, como eu já expliquei em textos anteriores. Esquizofrênicos extrínsecos são aqueles que exibem desde sempre vulnerabilidades psico-cognitivas para se engajarem no pensamento mágico, e existe um espectro de intensidade e (des)qualidade, desde  pensar mágico logicamente incoerente ou demasiadamente fantasioso, por exemplo, a narrativa metafísica cristã, até ao pensar mágico mais sofisticado, por exemplo, o esquerdismo ''ocidental'' pós-moderno.

Portanto, se pode nascer esquizofrênico ou ''pegar esquizofrenia extrínseca'', exatamente como uma espécie de vírus mental que passar a corroer o bom senso, que não é apenas o ''pensar racional'', porque também se relaciona significativamente com a própria possibilidade de emancipação existencial do indivíduo ou ''compromisso filosófico''. Esta síndrome em parte extrínseca, também pode ser denominada de ''síndrome da imunodeficiência mental'', reduzindo a boa parte daqueles que se tornarem ''infectados'', os seus escravos, tal como eu já sublinhei em outros textos, os fanáticos ideológicos a religiosos passam a alimentar as suas crenças, colocando-as acima de si mesmos, isto é, reduzindo a si mesmos a meros soldados de chumbo prontos até mesmo para matar de maneira indiscriminada ou tortamente justificada. 

Essas ''pseudo-' alucinações mostram-se vigorosas em cada delírio coletivo de longo prazo que vai subtraindo o território racional tal como uma Iugoslávia, subtraída a uma pequena e continentalmente balcânica Sérvia.