Aqueles em posição de "autoridade' são, em sua grande maioria, oriundos ou pertencentes às "classes sociais mais altas" ou, no mínimo, às classes médias. Um apelo constante à (própria) "autoridade', primariamente definida por vias burocráticas, mas mesmo se fosse por merecimento imaculadamente determinado, sugere, segundo esses mesmos que se agarram a essa falácia, que aqueles com menor escolaridade ou que não estão em posição de autoridade não podem debater ou conversar livremente com aqueles com maior escolaridade ou em posição de "autoridade', como se estivessem destinados a uma situação passiva, como eternos subalternos ouvintes aos comandos e aos "ensinamentos" de "cátedras" geralmente "auto eleitas" por critérios muito mais subjetivos do que deveriam ser, especialmente na educação superior, tal como uma compatibilidade ideológica e uma inclinação para a subordinação absoluta às "autoridades' do seu campo, ao invés de uma simples e básica vocação verdadeira (motivação intrínseca e talento). Como se o nível de escolaridade ou de autoridade, mesmo se tendenciosamente determinados por critérios não-objetivos, fosse determinante quanto às capacidades intelectuais mais importantes, principalmente a de racionalidade, a mais importante em contextos de debate. É, portanto, evidente que uma verdadeira "autoridade no assunto" não se faz apenas ou especialmente com base no nível de hierarquia profissional alcançado, mesmo que isso pareça o mais óbvio, e justamente pela falha de haverem lacunas de subjetividade contribuindo para determinar esse nível; que é basicamente o nível de verdadeiro expertise ou conhecimento alcançado, mesmo se não existir uma concordância com a posição social daquele que o possui. E desse nível de conhecimento, não apenas um conhecimento técnico ou específico, mas também uma capacidade desenvolvida de pensamento lógico-racional, em que, às vezes, é até mais importante...
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sexta-feira, 26 de junho de 2026
domingo, 4 de janeiro de 2026
A diferença entre classismo e anti-estupidez/The Difference Between Classism and Anti-Stupidity
O que muitos entendem como classismo:
Não o genuíno preconceito de classe, mas o anti-incentivo ou anti-valorização da estupidez, especialmente via cultura
Por exemplo: achar funk carioca um estilo musical desprovido de qualidade artística, mediante a ausência predominante de qualquer beleza, sofisticação ou complexidade em suas letras e melodias.
O conceito mais adequado para classismo, até para que não seja confundido com anti-relativização da qualidade artística, justamente uma das expressões mais típicas de valorização da estupidez, é o de discriminação de indivíduos com base em sua procedência social, por exemplo, de, afirmativamente, concluir que, qualquer indivíduo de classe trabalhadora é inerentemente inferior a qualquer indivíduo de classe alta. Portanto, não é "preconceito de classe" acreditar e/ou afirmar que um gênero musical, criado por indivíduos por determinada classe social e mais apreciado também pelos mesmos círculos sociais ou identitários de origem, é de baixa qualidade artística. Porque aqui a questão não é a procedência social do gênero, mas a sua qualidade...
2. Classismo não é apenas ou necessariamente esnobismo
Classismo não é apenas ou unicamente "preconceito de rico contra pobre" ou qualquer outro tipo de "esnobismo", porque também pode ser o oposto, de preconceito "de pobre contra rico", isto é, quando é realmente preconceito ou generalização irrealista e negativa de indivíduo, grupo, nação... Classismo é qualquer tipo de preconceito genuíno, nesse caso, de grupo, e mais especificamente de classe social.
Classismo, de maneira geral, não é o mesmo que "não tolerar estupidez". Aliás, o próprio classismo pode ser considerado uma forma de estupidez, quando alguém é valorizado ou desvalorizado apenas pela classe social a que pertence (em dado momento ou período) em desprezo às suas características mais intrínsecas, que também são as mais valorosas, como o caráter e a inteligência (o que, objetivamente falando, mais importa).
What many understand as classism:
Not genuine class prejudice, but the anti-incentive or anti-valorization of stupidity, especially through culture.
For example: considering ''funk carioca'' a musical style devoid of artistic quality, due to the predominant absence of any beauty, sophistication, or complexity in its lyrics and melodies.
The most appropriate concept for classism, so as not to be confused with the anti-relativization of artistic quality—precisely one of the most typical expressions of valuing stupidity—is the discrimination of individuals based on their social origin, for example, affirmatively concluding that any individual from the working class is inherently inferior to any individual from the upper class. Therefore, it is not "class prejudice" to believe and/or affirm that a musical genre, created by individuals from a certain social class and also appreciated by the same social or identity circles of origin, is of low artistic quality. Because here the issue is not the social origin of the gender, but its quality...
2. Classism is not only or necessarily snobbery
Classism is not only or solely "prejudice of the rich against the poor" or any other type of "snobbery," because it can also be the opposite, prejudice "of the poor against the rich," that is, when it is truly prejudice or an unrealistic and negative generalization of an individual, group, nation... Classism is any type of genuine prejudice, in this case, of a group, and more specifically of a social class.
Classism, in general, is not the same as "not tolerating stupidity." In fact, classism itself can be considered a form of stupidity, when someone is valued or devalued only by the social class to which they belong (at a given moment or period) in disregard of their most intrinsic characteristics, which are also the most valuable, such as character and intelligence (which, objectively speaking, matters most).
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quinta-feira, 17 de novembro de 2022
Problematizando o discurso excessivamente positivo da "ascensão social"
Adotado, inclusive, pelas esquerdas...
Portanto, o mais certo seria de criticar a perpetuação dessas desigualdades do que se limitar à celebração acrítica da ocorrência de ascensão social, ainda mais se "acontece" apenas para alguns poucos "sortudos", mesmo se forem indivíduos vindos de grupos historicamente marginalizados.
Classismo embutido
"Filho de empregada doméstica se forma como advogado"...
Outro problema com essa narrativa é que se baseia na desvalorização, vezes explícita, de profissões que já são desvalorizadas, em termos de salário e reconhecimento social. Novamente, é a celebração do sucesso de alguns poucos indivíduos e consequente desprezo das desigualdades sociais/salariais que os tornam notórios. Por exemplo, o catador de lixo que consegue passar pra uma universidade e pensa em ter uma profissão mais rentável e prestigiosa. Mas a função de juntar o lixo das ruas também tem sua valia e deveria ser mais valorizada...
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