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quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Fatos, justiça social e sabedoria

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Fatos, justiça social e sabedoria

Era uma vez um país extremamente desigual, um resquício feudal de dimensões continentais, onde o Ocidente e o Oriente se encontram e se confundem, em que um grupo crescente de pessoas passou a acumular fatos justamente sobre as injustiças que estavam a ser cometidas pelas elites em relação ao povo. Abraçaram uma ideologia formada a partir de ideais de sabedoria, ancorados pela revolução francesa (antes de se transformar em carnificina). Jovens com oratória enérgica, carismática e genial, apareceram. De um movimento de intelectuais, artistas, da juventude letrada, chegando às fábricas e campos. O povo não aguentava mais tanta exploração. Ver uma minoria extremamente rica, egoísta, enfim, parasitária, agir com tanto desprezo e crueldade. Estourou a revolta dos oprimidos, dos injustiçados. A velha elite, de tradição conservadora e feudalismo monárquico, caiu. Nem as filhas adolescentes da família real foram poupadas. Nem o caçula hemofílico. Levantou-se a promessa de um governo composto por gente comum, de ser o próprio povo. Novos desdobramentos. E, ao invés de um horizonte democrático, igualitário, o que se percebeu foram nuvens grossas, de chumbo, tirania, ódio, perpetrados justamente por aqueles que juraram acabar com esse ciclo. Um mito tomou o lugar do outro, e o mesmo direito divino. Uma nova monarquia, disfarçada de povo, de consenso democrático. Aqueles que se opuseram à nova ordem e que haviam segurado as mesmas bandeiras também não escaparam do desejo implacável de sangue de um torturador tirano, de um homem tóxico. Aliás, a masculinidade tóxica sempre esteve presente por aquelas terras longínquas. O ar que se respira por lá, já convida ao desequilíbrio da mente masculina. Melhorias ao povo se sucederam. Sem precedentes na história daquele país. Agora, uma união de várias repúblicas engolidas pela hegemonia de uma mãe super "protetora". Mas, sem democracia, sem a voz do povo, sendo tratado como o mesmo "gado", de quando eram súditos miseráveis de príncipes bem vestidos. Falam de atrocidades, de gulags e Holodomor. Veio a segunda guerra mundial, a segunda comprovação massiva de irracionalidade, da raça que tinha o  mundo como uma taça em suas mãos brancas, com veias azuladas. Falam de soldados, antes, meros camponeses, empurrados pra morte certa, visando conter a todo custo, outro desabrochar da rosa destrutiva da masculinidade tóxica. Se reconstruiu, depois da "estoica' vitória, sem plano Marshall. O demônio morreu. O país ficou um pouco menos tirano, ainda um enorme engodo. A chantagem de, ajudar e esperar como resposta ou gratidão o silêncio. Mandou uma cachorrinha morrer no espaço, enquanto comemoravam. Quem liga?? Senhoras de meia idade, "bichas sensíveis" como eu. Saiu à frente do colosso capitalista, do outro lado do Atlântico. Eu poderia continuar até à perestroika e à glasnost e depois ao fim da URSS, e ao começo de uma nova e velha Rússia, do mesmo tormento, que também nos afeta aqui no sul do mundo, os mesmos homens tóxicos, suas autoconsciências mudas, suas bonecas infláveis ou mulheres que louvam o pior do ser humano.

Este é um exemplo de, apesar de minha instintiva incapacidade de escrever, científica ou academicamente, apenas seguir fatos, já ser o suficiente para concluir que a justiça e a injustiça social não são exclusividades de um lado, mesmo sabendo que um deles sempre defende os mais privilegiados. E de mostrar como que a sabedoria se alinha perfeitamente com a exposição apenas factual dos eventos históricos, sem nenhum teor ideológico...

sábado, 9 de novembro de 2019

E se Lênin tiver sido um sociopata?? E um complemento: binarismo versus múltiplas perspectivas

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E se Lênin tiver sido um sociopata?? E um complemento: binarismo versus múltiplas perspectivas

Todo mal caráter tem um transtorno mental?? Todo aquele com transtorno mental é mal caráter??

Pois parece que é isso que está sugerindo o novo filme russo sobre Vladimir Lênin. Que o famoso líder russo/soviético, ao contrário de sua imagem mitológica, não foi um incansável humanista que lutou por um mundo melhor a partir dos desdobramentos da revolução russa que ele mesmo organizou. Que foi um "doente mental"... e que, talvez, sua doença tenha resultado em seus atos de barbarismo,... em seu idealismo e consequente ou suposto abraço à ideologia comunista.

A ideologia comunista é o resultado de trabalhos de análise científica e filosófica sobre as estruturas sociais e econômicas do século XIX, em que concluiu o que deveria ser óbvio para todo mundo: a existência de desigualdades sociais profundas, suas injustiças cruéis, o papel basilar do capitalismo dentre outras ideologias conservadoras em seu fomento, e seu caráter essencialmente parasita.

Será que, observar que o patrão contrata o empregado, lhe paga muito menos do que ele ganhará com o seu negócio, concluindo que se consiste numa relação parasita (mesmo se involuntariamente), é sintoma de alguma "doença mental'??

Pra piorar, é um problema comum das esquerdas, essa necessidade irresistível de ter referências concretas de países, eventos históricos ou nomes famosos que expressem os seus ideais, mesmo que muito aquém, do tipo, tratar Cuba como um exemplo de país comunista, elevando-a acima de qualquer crítica sensata, sempre passando pano para os seus "erros" históricos e estruturais que resultam em sua condição de ditadura militar (tipicamente autoritária) de esquerda.

"Se não tem tu, vai tu mesmo"

E se Lênin, Guevara (o Stálin com certeza) e Marx realmente foram pessoas ou figuras de caráter mais duvidoso?? Se cometeram crimes injustificáveis [contra civis inocentes, diga-se], ainda assim, isso não significa que reconhecer as ideologias conservadoras como armadilhas de parasitas para o rebanho, seja um equívoco. Taí um exemplo de como aprender a diferenciar um pensamento simplório, destituído de rigor quanto aos fatos, e de aprender a reconhecer suas nuances ou complexidades, especialmente neste caso.

De

"Lênin era um sociopata. Logo, o comunismo ou suas observações factuais e idealistas, sobre a sociedade europeia do século XIX, estão sumariamente erradas ou, o capitalismo e o conservadorismo são ideologias absolutamente corretas"
??

Para

"Se Lênin foi um sociopata e/ou mandante direto de crimes contra 'inocentes", no início da ex-URSS, ainda há de se aceitar os fatos corretamente apontados pelos teóricos centrais da ideologia esquerdista, sintetizados por essa frase precisa: o capitalismo é um sistema econômico (e social) parasitário"

A primeira conclusão é apressadamente binária, onde que uma explicação factual e mais complexa é substituída ou encurtada por associações hiperbólicas.

''Se Lênin era mal, então,
comunismo e humanismo maus; capitalismo e conservadorismo bons''

 Parafraseando a famosa frase do livro "A revolução dos bichos":

- Duas patas ruim, quatro patas bom.

O binarismo geralmente se expressa pela ansiedade (ou a preguiça) de se buscar por todos os fatos de dado domínio, resultando na conclusão precipitada, reforçada por preferências subjetivas ou fanatismos do indivíduo.

''Se eu gosto do capitalismo, então eu vou sempre ver ou exagerar o seu lado bom e desprezar sumariamente os seus aspectos mais polêmicos''

No entanto, apenas seguindo os fatos, diga-se, o que era para ser uma ação trivial da mente humana, podemos, inclusive, revalidar o binarismo, sem se consistir numa distorção da realidade, já que, neste caso: o comunismo ideal, aquele que os jovens tchecoslovacos pediram na primavera de Praga e que tiveram como reposta tanques soviéticos em suas ruas, e humanismo (hoje em dia mais conhecido como "direitos humanos"), são melhores que capitalismo e conservadorismo.

Percebam que eu usei o termo ''melhor'' e não o ''certo'', aplicando as minhas concepções sobre eles, que escrevi no texto "Gosto não se discute''.

A priori, o que importa são os fatos, e, geralmente, é inevitável que acabemos concluindo por contraposições, por exemplo "um dia muito  frio é menos agradável que um dia medianamente frio". O problema não são esses binarismos ou conclusões, per si, mas a falta de uma correta análise para se chegar a eles.

Pelas múltiplas perspectivas, pode-se admitir várias conclusões corretas que, no início, podem até se contrapor mutuamente, por exemplo, de também admitir que o comunismo "real" tem sido menos humanitário que o capitalismo, sem se esquecer de sua natureza essencial perniciosa. Pela perspectiva de comparação "comunismo real" x capitalismo, o capitalismo se sai bem melhor. Pela perspectiva de comparação comunismo ideal x capitalismo, mesmo que um exista, por enquanto, apenas em teoria, o capitalismo perde essa disputa. E ainda, pela perspectiva não-comparativa ou apenas descritiva, o capitalismo não precisa de uma ideologia antagônica para se expressar e ser percebido como um sistema parasitário, e sim que o pensador esteja filosoficamente afiado ou compromissado apenas com a sabedoria para concluir por este modo moralmente [factualmente] preciso.

Entre pensar como um minion, forjando e contrapondo hiperbolismos, comprando "blocos" monolíticos de achismos subjetivos, e como um homo sapiens sabendo analisar e se necessário isolar conceitos e práticas, buscando pela justiça em seu raciocínio, dando nomes corretos "aos bois"...

sábado, 2 de novembro de 2019

A natureza da inteligência humana não é ...

... absolutamente polimórfica ou poligênica, mas que, está assim, por causa de sua conjuntura evolutiva. Portanto, a priori,  nada impediria que fôssemos menos diversos e desiguais em capacidades cognitivas e não-cognitivas.. Polimorfismo também significa que o traço varia até por diversos critérios, dependendo do seu nível de complexidade. É o que acontece com a inteligência humana. Portanto, quando ou, se você ficar impressionado com a existência de pessoas mais inteligentes ( e segundo critérios específicos) em famílias predominantemente medianas ou até mais limitadas, segundo critérios cognitivos e ou não-cognitivos, saiba que isso é apenas normal, seu tonto!! As causas para a diversificação da inteligência humana encontram-se evidentemente em sua história cultural co-evolutiva, a partir da divisão social do trabalho ou das funções necessárias para a sobrevivência conjunta das comunidades, e que parece já existir de modo mais ou menos diverso  nas pré-civilizadas. 

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Irracional civilização ocidental

Irracional civilização ocidental

Da hipotermia conservadora
À histeria humanista
Do frio à febre
Do colonialismo à autodestruição
De um extremo ao outro
Da exploração ao hedonismo
Do estoicismo à paixão
De um egoísmo ao outro
E nunca a razão
Do mergulho aos mares profundos
Ergueu-se uma civilização
Ao suicídio de toda culpa
Séculos de ignara escravidão
Massas de esquerda e direita, confusas
Risos diabólicos, de celebração
A filosofia é uma desculpa
Para o ódio e para a servidão
A religião é uma loucura
Adultos de Eva e Adão
Maduros na labuta
Crianças sem contemplação
Até quando esta mesma tortura
Até quando o veneno
Do escorpião
Do homem pai e suas lutas estúpidas
De sábios calados, sem ação
Até quando os piores decidirão
Se a vida vale mais que ouro
Ou se vale  menos que um tostão

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Sobre aquela pesquisa sobre a genética da homossexualidade ou do lgbtiiismo: eles não dividiram a amostra em passivos, ativos e versáteis [e gouines ou sides]..

Teoria para explicar os preconceitos cognitivos de ambos: conservadores, progressistas, hereditariedade versus epigenetica

Os mais conservadores são menos mutantes ou mais estáveis biologicamente (variam menos) que os mais progressistas, mais mutantes, logo, o primeiro tende a ser mais naturalmente propenso a acreditar na hereditariedade de caracteres proposta por Darwin enquanto os progressistas são mais propensos a acreditar  a epigenética, recente releitura tanto do darwinismo quanto do lamarckismo e que eu prefiro chamar de neolamarckismo 

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

A língua é uma convenção

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Fonte:https://pgl.gal/wp-content/uploads/2016/01/acordo-ortografico-brasil.jpg

A língua é uma convenção

Escrever errado não é sinal de estupidez. A língua é uma convenção, um malabarismo de como se fala e como se escreve. Boa parte dos erros acontecem nessa tradução. Não é culpa de quem não aprende a sua malandragem. O telefone de hoje não é o mesmo telephone de 80 anos atrás. O pára do verbo parar, até perdeu seu acento. São regras, com lógica, mas também com muitas exceções. Sim, quem escreve muito bem, é inteligente nisso. Mas quem não escreve, não deve ser penalizado, humilhado, mesmo se for um mínion de direita [ainda que esse já venha com um pedregulho na mão, na hora de debater]. O português veio do latim vulgar. Imagine um latim de cortiço, cheio de gírias e palavras escritas "errado'?! O certo e o errado ainda existem na hora de escrever. Mas são relativos à convenção usada no momento. É importante reconhecer o que realmente faz uma pessoa inteligente: sua curiosidade, sua vontade e capacidade de aprender [em relação a tudo que for possível]. E quanto às palavras. Saber quem são, como vivem, o que fazem.. e como usá-las. Se é um português formal ou não, a natureza da língua é ser diversa e fluida.