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sábado, 13 de agosto de 2022

De novo, sobre o que também é o condicionamento social e uma conclusão sobre isso

Uma espécie de hipnose sem prazo definido para terminar.  


Eu até poderia concluir que a maioria das pessoas, que estão, em maior ou menor grau, socialmente condicionadas às suas crenças ou ideologias, ficam ao longo de suas vidas, mais tempo hipnotizadas, dominadas pelos seus subconscientes, do que despertas; frequentemente incapazes de perceber os fatos mais óbvios. 

Sobre a identidade primordial de todos os seres vivos

 Não somos apenas organismos, nossos corpos ou aparências, mas principalmente o que sentimos, percebemos, interpretamos,  compreendemos e confundimos do mundo, nossas crenças, desejos, expectativas, portais de existência... nossas perspectivas existenciais. 


Por isso que é tão difícil mudar pontos de vista, opiniões ou crenças "apenas' com argumentos lógico-racionais. Porque, para a grande maioria, seria o mesmo que mudar sua maneira mais íntima ou particular de vivenciar a realidade, de experimentar sua própria existência, independente do quão subjetiva ou distorcida possa estar; de mudar o que parece tão real e verdadeiro. 

Ainda sobre Admirável Mundo Novo...

 ... até nos detalhes da caracterização dos personagens, Aldous Huxley se inspirou na realidade, tal como no caso de Bernard Marx, o protagonista da trama, ao sugerir que sua melancolia (que o torna muito realista) e fisiologia franzina, para um "alfa +", resultam de equívocos cometidos durante o período em que foi "produzido" em um útero artificial, similar ao fato de que, no mundo real, os indivíduos mais despertos sobre as ilusões humanas também são mais mutantes que os "normais", em sua maioria de alienados ou socialmente condicionados.

quinta-feira, 11 de agosto de 2022

Por que Cavaleiros do Zodíaco é muito melhor que Naruto?

Na minha opinião.


Cavaleiros do Zodíaco é um mangá e desenho animado japonês ou anime que foi lançado na TV do seu país natal em meados dos anos 80 do século XX e que chegou ao Brasil em 1995, pela extinta Rede Manchete, causando uma febre de popularidade. Eu fui uma dessas crianças dos anos 90 que se encantou pelos Cavaleiros do Zodíaco e continuou seu fã, mesmo já adulto. Então, nos anos 2000, outro mangá transformado em animação, vindo da terra do sol nascente, Naruto, aterrissou no Brasil, sendo exibido originalmente pelo SBT. Esses foram um dos animes que mais me marcaram. Jamais me esquecerei de quando assistia Cavaleiros sentado em frente à TV no horário das 17h30; de quando procurei por seus filmes em fita cassete em uma época pré internet e de quando minha mãe, eu e, de vez em quando um primo de segundo grau, assistíamos aos episódios da primeira temporada do Naruto, lá pelos anos de 2007 a 2010...


Pois o tempo passou e, enquanto Cavaleiros do Zodíaco envelheceu muito bem, Naruto simplesmente não conseguiu passar pelo crivo do meu pensamento crítico, que comentarei por uma pequena lista de comparação entre os dois, logo abaixo:



1. Trilha sonora impecável dos Cavaleiros (me refiro especificamente à fase clássica, dos anos 80, que eu comecei a ver nos anos 90)


Se há um detalhe que destaca os Cavaleiros do Zodíaco de qualquer outro anime é sua trilha sonora maravilhosa, obra do compositor genial  Seiji Yokoyama, e que atua perfeitamente com cada diálogo e situação da trama. Não que Naruto não tenha uma boa trilha. Tem até umas duas músicas excelentes, que eu já baixei como mp3 no meu celular. Só que eu estou falando de toda trilha sonora... 


2. História mais didática e menos amarrada


Mais didática, mais fluida e simples. Do jeito que eu gosto. Já quanto ao Naruto, a trama, apesar de mais complexa, se centraliza excessivamente na relação do protagonista com seus colegas de equipe, Sakura e Sasuke, e a tentativa de salvarem o terceiro das garras do Orochimaru, um dos grandes vilões da estória, que quer transformá-lo em seu fantoche, diga-se, que ele mesmo se voluntariou para isso por causa do seu desejo de vingança... em outras palavras, gastam muito energia em um personagem antipático que, claramente, escolheu o seu destino. Teria sido melhor se tivessem deixado Sasuke seguir seu rumo. Até poderia retornar à estória, regenerado, mas sem essa "lambeção de saco" por alguém que francamente nunca foi digno de simpatia... 


2.1 Não tem um protagonista insuportável 


Naruto é chato e escandaloso. Claro que o autor quis inventar que ele é carismático, mas isso é outra coisa. Ficar ouvindo o personagem principal gritando nos meus ouvidos toda hora cansa. Ok, Seiya também costuma gritar, mas pelo menos ele não fala gritando... 


3. Não tem "humor" preconceituoso


Cavaleiros do Zodíaco é muito mais dramático que Naruto e outros animes, como Dragon Ball. Talvez seja por isso que eu goste mais dele, porque tem menos tempo para fazer "humor" e cometer derrapagens durante o processo.


Já em relação ao Naruto... homofobia, gordofobia, misoginia...


Um desenho realmente infantil, mas no sentido de imaturo. 


3.3 Tem representação implícita de minorias


Ok, em nenhum momento se fala abertamente da sexualidade dos personagens em ambos os desenhos, ainda que, no Naruto, são feitas menções preconceituosas sobre a diversidade sexual. Mas também parece óbvio que, nos Cavaleiros do Zodíaco tem uma ótima presença de personagens que poderiam ser considerados, pelo menos, de homens gays ou bissexuais, apesar de haver um claro desprezo em relação às outras minorias. Shun, um dos personagens principais da trama, é o exemplo que mais se destaca de representatividade implícita. 


Dois pontos negativos em comum são a misoginia e a heteronormatividade


Nos dois, as mulheres são delegadas a uma posição geralmente inferior à dos homens, com algumas exceções. Mas tem como piorar porque, se nos Cavaleiros, as mulheres são retratadas de maneira mais simpática ou "natural", em Naruto o autor parece que fez questão de retratar a maioria de suas personagens do sexo feminino como arrogantes e injustas.


Nos Cavaleiros do Zodíaco, assim como em Naruto, existe um endosso significativo às relações heterossexuais. Mas pelo menos, novamente, não tem "humor" escroto e ainda deixa um ar de ambiguidade em vários de seus personagens.


Conclusão


Não que, ao menos para mim, Naruto não tenha nenhuma qualidade ou seja um péssimo desenho animado japonês. Pois ficará marcado "para sempre" na minha memória, especialmente a primeira fase que foi a única que eu vi praticamente toda. Mas, ainda deixa muito a desejar, não apenas pelos problemas de enredo e desenvolvimento de sua estória, como a ênfase excessiva na "salvação" de Sasuke, mas especialmente em relação à maneira desprezível com que trata temas sensíveis. 

Sobre opiniões e opiniões no mundo das artes. Exemplo: Legião Urbana/Renato Russo

 Quando é apenas uma opinião...


Faz um tempo atrás que me deparei com um texto-resposta no Quora escrito por um usuário do site, estereotipicamente nerd: branco e de óculos, não apenas criticando, mas também tentando destruir a reputação artística da banda Legião Urbana e, consequentemente, de seu vocalista e líder, Renato Russo, afirmando, como se fosse um fato, que as composições do Legião são (todas??) chatas, "depressivas", com letras ruins e que a banda tem sido superestimada pela mídia. Pois esse é um caso em que é possível afirmar que se trata apenas de uma opinião, porque se consiste em uma análise tendenciosa: distorcida ou exagerada de um tópico e não de uma análise imparcial ou justa que visa se aproximar da verdade.

Segundo que, não gostar das músicas do Legião Urbana é sempre uma questão de diferença de gosto, porque, por uma análise imparcial sobre sua qualidade, é praticamente impossível concluir que seja uma banda ruim, tal como eu li na resposta do Quora que, diga-se, recebeu vários "likes". Ainda é possível concluir que apresenta uma variedade qualitativa de músicas, algumas bem razoáveis. Mas, as mais conhecidas são, sem dúvidas, excepcionais tanto na composição quanto na melodia. Pois aquele que julga "Faroeste Caboclo" ou "Eduardo e Mônica", por exemplo, como composições de baixa qualidade só pode estar delirando. Mas parece que foi exatamente isso que quis dizer o nerd caolho em sua resposta. 

Portanto, nem mesmo no mundo das artes, o relativismo de opinião consegue, de maneira objetiva, se firmar como a melhor abordagem. Afinal, uma banda com um legado de músicas belíssimas e/ou inteligentes é impossível de ser criticada sem que se aceite que não passa de uma opinião baseada em gosto pessoal.

Sobre Admirável Mundo Novo e perspectivas existenciais

 Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, na minha opinião, é uma das obras de distopia mais interessantes porque, ao invés de se basear em um cenário explicitamente problemático, como acontece com 1984, de George Orwell, o faz de uma maneira tão sutil que nos deixa em dúvida se a sociedade proposta no livro é realmente distópica. Afinal, um mundo absolutamente estável, dominado pela ciência, em que, apesar de uma doutrinação intensa que visa inculcar um estado de conformidade e felicidade constantes, a maioria dos seus habitantes é bem tratada pelo estado, mantida saudável, com aparência jovem e/ou sexualmente "livre' até os últimos dias de suas vidas, não me parece tão horrível assim. O maior problema é que essa "harmonia coletiva" aconteceria em troca de uma absoluta submissão do indivíduo ao governo ou estado. Sem falar da existência de uma classe, a mais baixa na hierarquia, criada para não ter qualquer individualidade. 


Outro aspecto interessante desta obra prima da literatura universal, mas que também é comum em outras obras do gênero, é que sua hierarquia de castas sociais parece que foi inspirada na própria realidade humana, com a existência de classes de indivíduos conformados às suas posições sociais: alfas, betas, gamas, deltas e ípsilons. E de indivíduos socialmente excluídos e/ou "desajustados", incluindo os "mais despertos", como o protagonista da trama, Bernard Marx.

Por isso que não são apenas castas sociais ou tipos de personalidade, mas também perspectivas existenciais distintas, que são maneiras totalmente particulares de percepção de vivência da realidade. 

Pois são justamente os "mais despertos" os que reproduzem as perspectivas existenciais mais realistas, por serem indivíduos socialmente desajustados que passam a ver além das ilusões da sociedade humana, o que acaba lhes causando uma grande melancolia existencial. Uma espécie de "casta dos sem casta". Já os análogos do mundo real aos alfas, betas, gamas, deltas e ípsilons, são os tipos que, em profundo contraste aos mais despertos, estão totalmente doutrinados a acreditar nessas ilusões, especialmente sobre suas posições dentro da hierarquia social, reproduzindo perspectivas existenciais mais alienantes. Por fim, aqueles que encontram-se em uma posição marginal à sociedade, ou "selvagens", mas que não conseguem expandir suas perspectivas mais primárias ou subjetivas. O que não é exatamente o caso de John, um dos personagens mais importantes de Admirável Mundo Novo que cresceu junto com "selvagens", por também ser, tal como Bernard, um "outsider". 

(1984 também retrata uma sociedade hierarquizada em classes alienadas: partido interno (elite), externo e proles, e com indivíduos despertos).

Uma diferença entre essa ficção e a realidade é que, no nosso mundo, não parece ser necessário o emprego de técnicas muito sofisticadas de doutrinação ideológica para manipular e convencer, especialmente os tipos mais suscetíveis e que tendem a representar a maioria da população, já que eles praticamente nascem com essa vulnerabilidade; predestinados a serem doutrinados. 

Outra diferença percebida é que a maioria dos seres humanos não-fictícios, ao menos de acordo com essas mesmas categorias, são de tipos mais "misturados" do que "puros"', por exemplo, a tendência relativamente comum de que indivíduos que poderiam ser considerados "alfas" tenham uma aparência ou constituição física mais "atraente' e não serem os mais academicamente inteligentes, em contraste aos do livro que apresentam ambas as qualidades... O que contribui para tornar nossos contextos até mais complexos.  

quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Psicologia evolutiva versus evolução humana ideal

 Segundo a psicologia evolutiva, se um traço ou comportamento encontra-se majoritário nas populações humanas, então, pode ser considerado como evolutivamente vantajoso ou adaptativo.

Exemplo: a crença religiosa, mesmo que esta tenha causado e continue a causar muitos problemas e que se trate de uma crença irracional, muito improvável de ser verdadeira, mediante a ausência de qualquer rastro de evidência que corrobore para a sua possibilidade. Uma crença que reflete uma profunda imaturidade emocional e intelectual de indivíduos que preferem acreditar em mentiras reconfortantes do que lidar com a verdade, seja qual for. 

Pois pode ser que, histórica e atualmente, aqueles que são mais religiosos tenham mais filhos que os não-religiosos e até que exista uma relação com ser mais saudável e longevo, mas isso acontece porque esse tipo tem se firmado como maioria desde os primórdios de nossa espécie, basicamente um produto de sua auto domesticação, um mero correlato causado pela seleção positiva dessa disposição.

Considerar este cenário de maioria religiosa como algo evolutivamente positivo é o mesmo que considerar a baixa capacidade cognitiva como adaptativa, só por estar demograficamente prevalente.

Se para as outras espécies é possível concordar que, qualquer traço pode ser vantajoso, desde que contribua para sua adaptação, o mesmo não pode ser plenamente concluído para a nossa, porque enquanto não podemos ou não devemos interferir na evolução dessas espécies, é inevitável que o façamos com a humanidade e considerar uma crença que infantiliza as pessoas, como um traço evolutivamente vantajoso, só porque encontra-se presente na maioria, não é o mais adequado, se também precisamos julgá-la justamente pelo seu valor intrínseco.