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terça-feira, 24 de maio de 2022

O debate sobre QI como exemplo de estupidez da polarização ideológica

 Dois grupos que se dizem totalmente antagônicos entre si, protagonizam entre e para si um debate importante, sobre a inteligência humana, suas diferenças e influências, e mais especificamente sobre QI. Um grupo, mais à esquerda, diz que QI não mede nada acerca da inteligência humana. Outro grupo, mais à direita, diz o completo oposto, que QI é praticamente sinônimo de inteligência. 


8 ou 80. 

Nada ou tudo. 

Sem nuances...  

E eu poderia aplicar essa mesma lógica irracional para a maioria dos outros tópicos de disputa entre esses grupos. 

Três níveis de racionalidade via política

 Basicamente o quão enfurnado na polarização ideológica você se encontra?? 


Nível 1: o mais irracional 

Você não é capaz de analisar fatos por si mesmo, pois é ou está muito dependente das narrativas dos seus grupos ideológicos de aderência. Portanto, você também é incapaz de considerar pontos razoáveis dos grupos que se colocam como antagonistas aos seus, sem que os seus "produtores de conteúdo e opinião" o tenham feito. 

Você, como conclusão, está excepcionalmente parcial, partidário, tendencioso...

Nível 2: racional ou irracional intermediário 

Você reconhece que os seus grupos ideológicos de aderência não estão certos sobre tudo ou que aqueles que são opostos aos seus não estão errados sobre tudo. Por isso, você tenta ser mais imparcial e autocrítico. Você é até bem intencionado, mas não é muito bem sucedido ou acaba estacionando no "meio do caminho", sendo mais irregular no que se propôs a ser ou fazer, reconsiderando certos pontos, só que preservando algumas 'opiniões" favoritas, mais difíceis de serem substituídas ou reformadas.

Nível: o mais racional

Você aprende a analisar e julgar qualquer tópico que for do seu interesse da maneira mais imparcial e objetiva que consegue prover. Com isso, consegue construir um mapa mais preciso sobre quem ou qual grupo que está mais certo e sobre qual questão, porque quando você pensa sobre um tópico, você não pega como referência posicionamentos ou opiniões dos grupos em disputa na polarização, porque só pensa sobre o que parece ser mais lógico, justo, verdadeiro, independente de quem está defendendo.  

Você, então, se tornou numa pessoa excepcionalmente imparcial, justa e precisa ao fato

Comentando sobre a minha frase: "Analisar inteligência por testes de QI é como estimar a altura pelo peso"

 Ou o peso pela altura, aqui, sem usar aquela analogia que eu fiz entre inteligência/altura e racionalidade/peso.


Vamos lá.

Duas pessoas com o mesmo peso necessariamente não têm que ter a mesma altura e também é verdadeiro para duas pessoas com a mesma altura em relação aos seus pesos. Porque uma pode pesar 50 quilos e medir 1,50 cm e a outra que tem o mesmo peso, pode medir 1,70 ou 1,80 cm. Pois se no primeiro caso parece que há plena correspondência entre as medidas, no segundo, existe um possível desequilíbrio em curso.

Traduzindo essa analogia ao QI e à inteligência temos que, um indivíduo com altas pontuações nos aspectos quantitativos que os testes analisam superficialmente, pode não se destacar no mesmo nível nos aspectos qualitativos, nomeadamente: capacidades criativa, racional e/ou emocional. E não é nada incomum existirem esses perfis. 

Isso significa que, pode-se pontuar em torno dos "140 pontos" em um teste de QI, mas se sair muito mal nos ou em alguns dos aspectos qualitativos, fazendo toda a diferença na "conta final". Já um outro indivíduo pode obter a mesma pontuação e se sair muito bem nos aspectos qualitativos.

Mesmas médias de QI, mas níveis diferentes de inteligência.

Sem falar nas diferenças de perfis se apenas comparando os aspectos quantitativos (verbal, matemático, espacial...)

Pois imagine se fosse possível estimar as capacidades racional, emocional e criativa, igual se faz com o QI??

Então, ao invés de um indivíduo ter uma média de "140" pontos, por exemplo, sua média seria menor por causa das baixas pontuações nos aspectos qualitativos que, sim, também podem ser objetivamente analisados, comparados e até "medidos", se é possível observar níveis de criatividade individual, por meio do senso de humor, pela quantidade de ideias e pensamentos interessantes que uma pessoa pode gerar; pela capacidade de pensar e julgar com imparcialidade ou justiça, assim como de compreender a si mesmo, as próprias emoções e as dos outros, e se adaptar às situações sociais ou interpessoais da melhor maneira possível, a que conseguir.

segunda-feira, 23 de maio de 2022

Uma validação pseudo-paradoxal do determinismo biológico

 A epigenética não prova a ideologia da tabula rasa (ou igualitarismo)...



Durante alguns meses do rigoroso inverno europeu de 1944-45, invasores nazistas cortaram todo suprimento de comida de 4,5 milhões de pessoas, nas regiões ainda ocupadas do território neerlandês, resultando em uma crise de fome coletiva que matou aproximadamente 20 mil pessoas por desnutrição severa. Então, décadas depois, suas consequências continuaram a ser sentidas na geração dos filhos de mulheres que estavam grávidas naquele período crítico da história dos Países Baixos, porque foi percebido que apresentavam uma maior incidência de doenças metabólicas, como o diabetes e a obesidade, problemas cardiovasculares, esquizofrenia... do que em relação ao restante da população do mesmo país.

Pois parece notório observar que, condições extremas, de acordo com o que é considerado extremo para cada espécie, costumam causar efeitos extremos nos organismos dos seres vivos. No entanto, também é necessário que esses organismos não estejam adaptados a suportar tais condições, tal como no caso dos seres humanos. Portanto, não é apenas o ambiente que os influencia, porque eles respondem e interagem de acordo com as suas próprias naturezas (seus limites e potenciais adaptativos).

Em relação ao famoso exemplo acima, muito usado como demonstração de efeitos epigenéticos transgeracionais, ele não prova que o meio é mais importante que a biologia, mesmo que muitos tenham chegado a essa conclusão. Na verdade, prova que é a biologia que determina as reações comportamentais e/ou orgânicas dos seres vivos às diferentes condições ambientais nas quais se encontram, sempre ela que dá a resposta final. Por isso que, se o organismo humano fosse plenamente adaptado à uma situação de penúria alimentar, não sofreria com maiores repercussões se fosse submetido à mesma.

Afinal, o que torna algumas espécies mais adaptadas à condições extremas, como algumas bactérias, e outras não?? 

Principalmente as suas biologias.

Nada justifica os ultra ricos. Mais uma, como sempre, sobre a idiocracia do capitalismo

 Mesmo se existissem/existem grandes fortunas que não foram forjadas pela exploração do trabalho alheio; se por grandes obras artísticas ou realizações culturais. 


Porque, racionalmente falando, nada justifica a ganância, a avareza, a luxúria, o classismo; o egoísmo e o materialismo exagerados...

Se a grande maioria desses sujeitos não acumula tanto dinheiro pensando no bem comum, para ajudar os outros ou causas importantes, mas para esbanja-lo, maximizar o próprio conforto, construir dinastias e/ou aumentar sua influência na política, geralmente para garantir seus privilégios injustos.

Pois ao justificar suas fortunas, com base em algum critério vago de mérito, se está, implicitamente, justificando os salários muito mais baixos da maior parte da população, como se merecessem. 

Ninguém realmente merece ser ultra rico, por mais talentoso, sábio ou criativo. E 'ninguém" merece receber tão pouco. 
Professores não merecem receber muito menos que advogados ou médicos. Na verdade, as diferenças entre o menor e o maior salário, por profissão, não deveriam ser tão superlativas. 

O ideal seria que, independente da ocupação, com o salário recebido, fosse possível ter um padrão de vida, no mínimo, razoável, com direito ou possibilidade de ter uma casa própria; um carro; poder viajar, até para o estrangeiro; ter um serviço público,  especializado e digno nas áreas da saúde, educação e segurança... 

Irregularidades absurdas: de ultra-ricos que construíram seus impérios, especialmente com base em investimentos e não com os seus próprios trabalhos, às ''celebridades'' ultra ricas, esportistas ou artistas, apenas mostram o quão morbidamente desigual e anti-meritocrático é o capitalismo, se o maior mérito é o trabalho, a contribuição que se faz à sociedade e não à si mesmo. 

Não importa se eles investem mais ou empregam mais, se ficam com boa parte do que ganham. Isso não é contribuir para a sociedade, mas usá-la para o próprio proveito, tendo-a como um meio e não como um fim. 

Níveis de motivação intrínseca ou extrínseca são provavelmente determinados pela biologia

 ''A motivação extrínseca também é intrínseca...''


Piadas sem graça à parte, nossas motivações, de se fazer algo visando uma recompensa posterior ou tendo a própria ação como finalidade, não estão igualmente distribuídas para todos, porque alguns são mais intrinsecamente motivados que outros e vice-versa. Segundo que, nossos níveis de motivação, intrínseca e extrínseca, são biologicamente determinados, por não serem resultados da influência direta do meio sobre nós, se são características neurológicas, geralmente estáveis e provavelmente inatas. Por exemplo, a minha motivação intrínseca muito forte e dominante que tem determinado a minha obsessão diária pelos meus interesses especiais. Uma motivação intrínseca muito forte, tal como a que apresento, também pode ser sintoma ou sinal de transtornos, como o espectro do autismo.

sábado, 21 de maio de 2022

"Eugenia não é exatamente o mesmo que genocídio": o exemplo do holocausto judeu

 Tentar exterminar um dos povos mais inteligentes do mundo é uma forma de eugenia?? 


Não. 

Agora, faz mais sentido considerar o holocausto cigano (porajmos) como uma prática (cruel ou equivocada) de eugenia do que o judeu, porque este povo sempre foi conhecido por sua cultura exótica, mas não necessariamente por sua inteligência.