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sábado, 13 de junho de 2026

"O seu voto vale o mesmo que o deles"

 E um grande problematizador desse pensamento primariamente lógico e correto 



Das muitas fraquezas de um sistema democrático moderno, está a equivalência de importância do voto individual, em que pessoas com níveis díspares de inteligência, mais diretamente refletidos em níveis de conhecimentos, gerais e técnicos, mas também e especialmente em capacidade de discernimento moral, apresentam exatamente o mesmo poder de voto. Em outras palavras, o voto de uma pessoa cronicamente ignorante ou insensata vale o mesmo que o voto de outra pessoa que mostra-se em situação intelectual completamente oposta. Só que isso não é o mais certo, porque deveria haver um modo de, corretamente, sistemizar essas diferenças individuais e de estabelecer uma diferenciação no peso do voto em momentos decisivos, tal como em eleições ou plebiscitos, afinal, as opiniões de quem as desenvolve de maneira mais racionalmente adequada valem mais do que de quem não o faz. É bem simples. Seria o mais justo. Seria mais um mecanismo de controle da falácia mais natural da democracia que pode torná-la uma distopia, que eu denominei de democracismo, que é a de sistematicamente considerar a "opinião de uma maioria" como a "opinião mais certa". 

Mas tem um problema potencialmente grande que dificulta a viabilidade prática desse raciocínio que seria, em um cenário realista, os critérios usados por aqueles no poder e motivados a estabelecer essas mudanças....

O que eu comentei acima me parece o mais certo: ter o critério da racionalidade ou sensatez como o mais importante, por ser o mais logicamente relevante nessa discussão. Mas, parece comum, pelo menos pra mim, ver, em redes sociais, quem critica a equalização estabelecida do poder de voto individual, não ter em mente esse critério ou então deixarem vago sobre qual seria... Também parece ser comum, muitos, tomados por crenças educacionistas, apontarem para o nível de "educação' alcançado como o critério mais importante nessa hipotética mudança. Porém, ser mais "educado", exatamente no sentido de ter mais anos de escolaridade ou de estar em degraus mais altos na hierarquia do sistema educacional, está longe de, automaticamente, refletir o nível de sensatez de um indivíduo. E é justamente esse que parece ser o pensamento mais comum, de, se for para acabar com a equalização do poder de voto individual, então, que se faça entre aqueles com e sem diploma. Mas não é apenas um achismo meu ou suposto preconceito contra a academia, porque, de fato, entre os "mais educados", existe uma parcela expressiva que, só para começo de conversa, não deveria ter sido diplomada ou não nas áreas em que se "especializaram". Isso que nem adentramos nas capacidades de discernimento moral. E isso é especialmente verdadeiro nas humanidades, tomada por panelinhas de pseudocientistas e/ou pseudo intelectuais extremamente enviesados à esquerda no espectro político-ideológico. Portanto, o mais importante, idealmente falando, caso o fim da equalização do poder de voto individual fosse instituído, não seria de estabelecer mais peso ao voto de quem "estudou mais" porque, na realidade, muitas vezes esse "estudar mais" não significa que a pessoa adquiriu mais sabedoria, até o oposto disso... Voltando à redundância conclusiva desse texto, de que o ideal seria de, a partir de uma análise generalizada sobre a capacidade racional das pessoas, melhor refletida em valores, crenças e comportamentos a médio e longo prazo, que o estabelecimento de peso desigual ao voto individual fosse com base nesse critério e não com base em qualquer outro critério menos preciso de avaliação das capacidades especificamente requisitadas nesse contexto, tal como pela superficialidade de uma típica "educação" acadêmica... 

Mas como seria??

Se eu tenho demonstrado, ao longo do tempo, que sou mais sensato, o peso do meu voto deveria valer 2x ou mais o peso do voto de uma pessoa que se mostra bastante insensata. Porém, outro grande problematizador de viabilidade prática dessa mudança é que simplesmente não existe nenhum sistema social de avaliação dessas capacidades e aplicação das mesmas em contextos políticos reais, porque nunca se pensou realmente em criar algo do tipo, por causa da enorme popularidade dos mitos sobre moralidade e inteligência humanas que continuam se perpetuando como verdades absolutas do senso comum, tal como de que, todos apresentam o mesmo potencial de livre arbítrio... Como resultado, antes de sequer se pensar em estabelecer um desnivelamento do poder de voto individual, seria necessário criar um sistema que pudesse avaliar as capacidades requisitadas, em outras palavras, literalmente de criar uma nova cultura avaliativa e seletiva de mérito, e eu já escrevi sobre isso, de que essa proposta de meritocracia também seria ideal em qualquer tipo de avaliação profissional, se é justamente a ausência de um filtro por capacidades de racionalidade e, portanto, também de discernimento moral, que existem muitos profissionais de péssima qualidade atuando nos mais diferentes ramos da vida social e causando toda sorte de prejuízos. Mas para que se tornasse possível, haveria de, primeiro, que o próprio sistema social existente estivesse nas mãos justamente dos mais racionalmente competentes, um cenário ideal bastante distante de nossa realidade corrente.

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