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sábado, 5 de agosto de 2023

Jardim de inverno

 Dedicado à belíssima música Winter Gardens de Harold Budd 


Abriu-se o jardim da morte 
Do frio, da desolação
Das lágrimas que nunca secam 
Das nuvens sempre pesadas
Das lembranças dolorosas 
Das memórias que nunca apagam 
Dos desaparecidos 
Dos desencaminhados 
Sem direção
Dos sem destino 
Que já se deixaram
Que já ultrapassaram a única dimensão

Abriu-se o jardim do inverno que nunca cede
Da indiferença do universo que parece infinita
Do silêncio do túmulo que tremula em preces
Da inexistência do próprio fim
Do que um dia foi vida
Até à última espécie 
E não haver mais dor, dúvidas ou dívidas 
Até a ilusão da consciência desaparecer pra sempre 

O que mais nos diferencia são as nossas perspectivas existenciais

 O que ou quem mais nós somos, pelo que acreditamos e vivemos, não apenas personalidade, inteligência ou circunstâncias da vida, mas esse todo, esse tudo que carregamos, que representamos e respeitamos até o fim; nossas crenças, certezas, dúvidas, erros, acertos, em como que percebemos, compreendemos e lidamos com o mundo, com o nosso mundo. São as nossas perspectivas existenciais que nos levam para caminhos completamente opostos, mesmo se só existe apenas um único caminho a percorrer, que é a vida. Se as construímos com base no que nossos instintos e emoções definem como verdade ou se aprendemos a buscá-la, a encontrá-la e a não cair mais na tentação de negá-la, de encarar de frente essa experiência única de existir, sem desvios ou artificialidades, mesmo as mais sofisticadas, direcionando o olhar para a essência, uma perspectiva rara e impossível para muitos, que poucos conseguem alcançar e perseverar. São as perspectivas existenciais, principalmente, que diferem o mais tolo do mais sábio, do menos alienado, o gênio do comum, o cruel do altruísta

Diferenças entre lógica e racionalidade

 Mas não são a mesma coisa?? 


Na minha interpretação, não. 

Lógica, primeiro de tudo, seria um termo mais abrangente que se refere tanto à natureza da própria realidade, do nosso mundo em que existimos, do ou dos universos, quanto à capacidade de perceber as lógicas específicas dessa mesma realidade. Mas a lógica, por um conceito mais essencial, seria qualquer coerência interna, quer seja da constituição de um elemento, de um fenômeno natural, de comportamentos, emoções, ideias pensamentos... Portanto, por essa interpretação, a lógica é uma partícula extremamente básica, sinônimo de coerência, que obedece a um mesmo conjunto de leis, que se repete e, como consequência, pode ser reconhecida. Por exemplo, as lógicas específicas, e que estão intimamente relacionadas, dos fenômenos atmosféricos. Mais didaticamente falando, as etapas transformativas e estereotípicas que compõem a ocorrência da precipitação ou chuva. 

Já a racionalidade, cruamente falando, é um sinônimo de ponderação, por ser definida como uma capacidade unicamente humana de pensar ou raciocinar de maneira complexa, precisa, imparcial, detalhista e/ou rica em perspectivas, que contribui de maneira muito eficiente para o melhor julgamento. Então, se a lógica é a própria natureza de tudo o que existe e da verdade desse tudo, a racionalidade, inevitavelmente, deve estar sempre buscando-a. Como resultado, a lógica existe sem racionalidade, mas o oposto não é possível. 

A diferença entre ser lógico e racional 

Pois a partir da explicação acima, podemos concluir que, ser lógico é o mesmo que ser ou estar coerente sobre algo, de pensar e agir com base em certos princípios, enquanto que ser racional é o mesmo que ser lógico ou coerente, mas em relação ao que a racionalidade essencialmente propõe, objetividade e imparcialidade no pensamento e julgamento. Se a lógica é onipresente e onisciente, se tudo obedece à leis ou é coerente às mesmas... Então, a racionalidade seria ou obedeceria a uma lógica específica. 

quarta-feira, 2 de agosto de 2023

Sobre fiiliação político-ideológica e níveis de consciência

 Para entender o texto, esse aqui como referência inicial: "Uma metáfora literária e níveis de consciência")



Pessoas que se declaram de esquerda ou progressistas, em média, estariam mais inclinadas ao hiperrealismo, ao nível mais alto de consciência, mais existencial, filosófico... relativamente relacionado com os níveis de auto-atualização, ainda que, nesse caso seria caracteristicamente insuficiente, acabando por cair em um nível intermediário entre o surrealismo e o hiperrealismo, esse primeiro um nível inferior de consciência, mais ideológico e tipicamente humano.  

Já as pessoas que se declaram de direita ou conservadoras estariam mais inclinadas a cair em um nível intermediário entre o realismo, o reino existencial dos instintos, absoluto entre os animais de outras espécies, e o surrealismo, o reino existencial da ideologia, humano por primazia. 

 Carpe Diem ou o trabalho liberta?? 

Uma maneira mais rápida ou primária de avaliar inteligência

 Sem que seja estritamente necessário uma análise individual completa e sem apelar para uma abordagem psicométrica tradicional, é buscando saber sobre quais interesses o indivíduo apresenta, quão interessado, também no sentido de paixão, ele está em relação a esses interesses e o quão proficiente, também no sentido de potencial de contribuição, ele está.


Esse método bem que poderia, se não substituir totalmente o que tem sido usado, pelo menos de ser introduzido como parte importante da avaliação.

Aliás, o que comentei antes em vários textos, o ideal seria se, para a seleção para a educação superior a prova de conhecimentos gerais, tipicamente  adotada, fosse substituída por uma prova de conhecimentos específicos e que outras qualidades fossem avaliadas, tal como a disposição de sempre buscar pela verdade objetiva e imparcial, enfim, para a racionalidade, necessária para a ciência.

Como identificar um adulto infantilizado??

 Pergunta do quora. Minha resposta. 


Pelas roupas que usa??

Não.

Pelo jeito que fala??

Não.

Pelos seus gostos culturais??

Não.

Pelas circunstâncias nas quais se encontra??

Não.

Pelo nível de racionalidade??

Sim. Não há maior maturidade do que essa. Apenas veja esses adultos ideologicamente doutrinados, incapazes de aceitarem quando ou onde estão errados, de considerarem as opiniões dos outros, especialmente as que são mais ponderadas, enfim, de estarem abertos à verdade objetiva e imparcial mesmo se divergir dos seus pontos de vista. Não parecem, são ou se comportam como crianças birrentas que se acham superiores moral e intelectualmente que os outros, donas absolutas da verdade e sem terem provado por A + B.

Uma característica comum a gênios e autistas

Um prazer intrínseco para aprender ou se entreter com o conhecimento, sem vê-lo como uma obrigação ou como um meio para um fim, (ganhar dinheiro), mas como um fim em si mesmo.