Minha lista de blogs

terça-feira, 14 de março de 2023

À deriva

 Eu não sigo em frente ou volto atrás

Se a essência não tem lugar 
Eu não vou correr ou me esconder mais
Se não tem como escapar

Eu estou à deriva no meio do mar 
Que é o tempo de viver
Que é o tempo de sonhar
Enquanto as águas me levam sem cais
Me lavam e me secam como o ar

Enquanto eu os vejo se distraindo
Com a vaidade de atuar
Como se não estivessem mentindo
Eu os vejo apenas nadar

Mas não nadam para frente ou para trás
Se a essência não tem lugar

Chamam de ilusão a vida
E viver de brincar 

Como se não fosse muito séria
Nossa única maneira de estar

E enquanto estamos
À deriva nadando sem andar
Lutando uma guerra perdida
Para nunca se afogar 
Mas nunca é o pra sempre
E que um dia chegará 

Amanhã

 Eu continuarei sem ter controle de quem eu sou 

De quais memórias serão depositadas 
No lugar das que terei esquecido

Continuarei sem ter controle sobre o que virá
Sobre o caminho que o mundo toma
O que as minhas costas carregam comigo 

Não sei se a lua nos abandonará 
Ou se o sol se tornará mais nocivo

Não sei como será o futuro depois de eu ter existido 
Se os romanos serão pré-históricos 
E a minha era será mais um depósito 
de lembranças dos que, um dia, foram vivos

Hoje eu vou dormir outra vez

 Para acordar em algum sonho obscuro

Ou perder a consciência em um transe profundo
Imitando o antes e o depois da vida

Hoje eu vou dormir outra vez
Pra me desligar do constante absoluto
E das lembranças de um tempo distante e oculto
 
Pra me esquecer que o amanhã é o futuro
E despertar em uma manhã igual à todas as outras
 
Para renovar meu coração imaturo
Com as velhas esperanças
E os mesmos pedidos impossíveis

E fingir que o ódio nunca floresce, fecundo
E que a ganância nunca germina

E hoje eu vou dormir outra vez
E amanhã
E depois de amanhã
Até onde ou quando
Eu não sei

A vida

 A vida é uma tempestade por dentro 

É um redemoinho interno 
Uma combustão interior

É a captura de um movimento 
A consciência do universo
De sua agitação e de seu torpor 

A vida é uma lembrança da Terra antiga
Que evolui, caminha e se multiplica 
O mesmo vento e o mesmo calor

A vida é um aprisionamento
Da própria liberdade 

A liberdade não existe sem a sua (prisão) cíclica
A liberdade não existe sem (o prazer e a dor)

Sobre o que querem que acreditemos e o que realmente acontece: sobre imigração e multiculturalismo

 O que querem que acreditemos:


Que são desdobramentos espontâneos e/ou inevitáveis da globalização e da "pós-modernidade". E de que, pensar o contrário, é uma "teoria de conspiração".

O que são: 

Políticas arbitrárias e radicais, não há qualquer obrigação que um país afrouxe suas fronteiras ou adote um modelo multicultural de sociedade. 

Pois, de fato, se consiste em uma "teoria de conspiração" legítima, isto é, em uma teoria ou hipótese comprovada de um plano político não-declarado que, radicalmente, almeja impor um modelo de sociedade multicultural* (culturalmente americanizado**), primária e especialmente em países ocidentais. 

* Nem sou totalmente contra o multiculturalismo, mas sempre a favor da ponderação (da razão) e, portanto, na moderação, o oposto dessas políticas.

** É importante não confundir valores universais, como a bondade e a tolerância, com valores "estadunidenses" que eu já comentei nesse texto: "Sobre valores (morais) ocidentais e universais". 

Proposta de uma nova falácia: condição de autonomia como estado não-opressivo

 Somos sempre autossuficientes?? 


Não.

Porque, para sermos, precisaríamos ser todos seguramente racionais (se nem mesmo os mais racionais são sempre sensatos).

Portanto, não é sempre que a autonomia individual expressa uma situação positiva, de bem-estar, segurança... aliás, é possível concluir que, é muito comum que as pessoas não consigam usufruir de suas liberdades sem cometer equívocos, inclusive em relação à si mesmas. Então, é conclusivamente possível a auto-opressão, geralmente inconsciente, quando o desejo e/ou a prática de autonomia não é acompanhado por um bom discernimento.

sábado, 11 de março de 2023

Curtos e uns nem tanto

 Depois de muito conjeturar e refletir, eu cheguei à profunda conclusão de que, sou praticamente um gato no cio, porque só penso em comer, dormir, trepar e tretar.


Sobre a própria consciência:

Tudo o que podemos sentir e perceber se deve primordialmente ao fato de a vida ter surgido de uma combinação de elementos químicos terrestres, de ser um espelho do planeta de onde surgiu e mais especificamente do ambiente em que surgiu

Não sei se seria equivocado dizer que a vida é um aprisionamento daquela combustão química dos primórdios da Terra que a gerou.

"Espíritos de porco" sempre comemoram vitórias falsas ou imerecidas como se fossem vitórias verdadeiras.

Homens "fortes" fazem péssimos governantes, mas se saem melhores como desbravadores (desde quem bem encoleirados).

Novamente sobre o paradoxo da racionalidade: 

Se a racionalidade é o viés do anti-viés, então, também é a parcialidade da imparcialidade.

Fidelidade não é o mesmo que monogamia: 

Se ser infiel é mentir ou enganar, porque em um relacionamento aberto ter uma relação com outra pessoa não é infidelidade. 

A inteligência, especialmente a humana, é mais sobre compreender contextos do que estocar informações. A memorização, ainda que muito importante, é mais como um suporte para o pensamento e a decisão, se não basta acumular informações se não for para usá-las em algum proveito, sem saber do que se tratam e de como usá-las.

O problema não é a dependência de uma pessoa em relação à outra, mas o abuso que essa relação pode resultar.

Um novo conceito: existencialidade

Capacidade (unicamente humana) de refletir sobre a própria existência. 

A personalidade é um conjunto de padrões reativos de comportamento:

Pode até ser denominada de ''reatividade comportamental''.

"A inteligência é a capacidade de adaptação.”

Para muitos dos seres humanos mais inteligentes, a inteligência é principalmente a capacidade de compreender/saber e que ainda pode ajudá-los a maximizar suas capacidades adaptativas.

Se a sociedade fosse controlada por cientistas, seria completamente diferente destas sociedades em que vivemos, que estão sob o domínio do dinheiro e da burocracia, e que também não seria idêntica se tivesse como elite principal uma junta seleta de filósofos 

O animal tem consciência do que precisa fazer. Mas não tem consciência do que está fazendo