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sábado, 4 de maio de 2024

Sobre racionalidade e neurose/About rationality and neurosis

 Até certo ponto de intensidade reflexiva, os mais neuróticos e os mais racionais praticamente formam um mesmo grupo de indivíduos que estão constantemente pensando ou refletindo sobre tudo o que lhes interessa. Então, além desse ponto, e começam a se diferir de modo que, os mais racionais são os "neuróticos' que aprendem a direcionar sua intensidade reflexiva para um caminho mais produtivo, particularmente usando-a como um meio para a melhoria de sua compreensão objetiva e imparcial da realidade, um dos objetivos mais característicos da racionalidade, e que ainda pode ajudá-los em suas adaptações nos ambientes sociais em que vivem (e que não têm que se dar de modo estritamente tradicional). 


By a certain point of reflective intensity, the most neurotic and the most rational practically form the same group of individuals who are constantly thinking or reflecting on everything that interests them. Then, beyond that point, they begin to differ so that the most rational are the 'neurotics' who learn to direct their reflective intensity in a more productive path, particularly using it as a means for improving their objective understanding. and impartiality of reality, one of the most characteristic objectives of rationality, and which can also help them in their adaptations to the social environments in which they live (and which do not have to occur in a strictly traditional way).

quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

Como ser um neurótico (e como deixar de ser)

 Tem coisas que a gente não entende ou não sabe como começou. A gente imagina, mas não tem certeza. Tem coisas da gente que a gente aceita como um fato, uma realidade que não pode mudar. E, então, de repente, tudo é possível e aquele sofrimento, que parecia destino, vai deixando de continuar. Hoje, eu fui comprar uns doces para a sobremesa depois do almoço de sábado. Demorei não mais que cinco minutos para ir ao local onde os comprei e voltar para casa. Eu percebi que a minha respiração não estava ofegante e não senti que eu era um inquilino desconfortável dentro do próprio corpo. Tudo porque eu parei de puxar a barriga para cima. Já fazia um bom tempo que fazia isso, quando um amigo notou esse meu hábito estranho e recomendou que parasse. Eu não sei quando começou mas sei que, teve uma vez que a minha mãe notou minha barriga proeminente, resultado de uma combinação de genética desfavorável, sedentarismo extremo e alimentação irregularmente saudável. Me lembro que estava de noite e preparando para ir a um evento na escola. Ela reforçou ou me ensinou a sentir vergonha quanto ao estado de flacidez em que me encontrava. Não fez por mal, mas fez e passei, como um bom aluno, a seguir sua dica em forma de reprovação. Eu internalizei uma crítica negativa de maneira visceral. A partir daí, passei a cansar mais quando andava na rua e a sentir um constante incômodo no abdômen por causa dessa tensão adquirida e concentrada em torno do umbigo. Sempre achei que o incômodo fosse apenas pelo excesso de gordura localizada e o que os outros iriam dizer. Hoje, sei que era muito mais que isso, que vinha literalmente do esforço inútil que fazia para manter minha barriga suspensa, acima de sua posição mais natural. Hoje, eu consigo até respirar pelo nariz sem perder o ar, de me sentir em casa dentro do meu próprio corpo, mesmo se a barriga continua ali, se não sei se conseguirei reduzir totalmente a sua exuberância algum dia. No início, foi difícil me acostumar com a minha envergadura 10 cm maior que a minha altura, mas agora eu já estou gostando de ser a mim mesmo... das tantas neuroses que eu já adotei como se fossem reflexos verdadeiros do meu ser, esta eu sinto que estou conseguindo superar.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Adeus neurose??

A teoria da desintegração positiva da personalidade cativou-me imensamente logo a primeira vez que a li. Como sempre acontece, nos interessamos por algo que se comunica conosco, como se nos descrevessem. A hierarquia de estados mentais que a humanidade encontra-se invariavelmente dispersa,  proposta por Dabrowski parece fazer muito sentido, ao menos pra mim, pois mostra de modo simples os estados da neurotipicalidade/normalidade, que se consistem os primeiros estágios de desenvolvimento humano da personalidade; a neurose, em que a ignorância passa a ser perturbada de modo mais intimista pela contestação filosófica do status quo, quase sempre contraditório, vago e tolo, que se consiste no estágio ou nível onde muitos gênios da humanidade terminam se posicionando assim como também a grande maioria dos "loucos" e
vencida a tormenta da angústia humana, a personalidade encontra a calmaria da serenidade ou maturidade, que também pode ser entendida como sabedoria. Em termos filosóficos esta hierarquia é muito relevante pois evidencia de maneira simples e precisa as diferenças de 'qualidade' de espírito existentes entre nós. 

Eu passei a me questionar recentemente onde que me localizaria neste quadro psico-filosófico de qualidade emocional humana. E se estaria finalmente vencendo a tempestade em alto mar e chegando à ilha-sabedoria, não mais em termos ideacionais mas também em termos práticos. 

Será que eu estou aprendendo a controlar a minha autoconsciência, que é, comparativamente falando, mais aflorada?

Ou talvez eu já tenha chegado ao meu estágio final de maturidade existencial/emocional e que não será tão contemplativo ou profundamente sereno, mas uma simbiose entre a neurose ou potencial para inquietude criativa e esta serenidade que expressa a presença da sabedoria*