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domingo, 5 de março de 2023

A minha proposta para um outro design inteligente (lógica)

 Qual é a força primordial que é responsável pela evolução e diferenciação das espécies?? 


Aleatoriedade de mutações*, como defendem os "neo-darwinistas"?? 

Deus, como acreditam os criacionistas e os defensores do "design inteligente"?? 

Apenas ou especialmente o meio, como defendem muitos "neo-lamarckistas"?? 

Pois, na minha opinião, além dos mecanismos conhecidos: mudanças no meio que provocam mudanças nos padrões seletivos como a seleção natural e consequências como o efeito fundador; a própria capacidade dos organismos de se adaptarem ou se readaptarem; a ocorrência de mutações "espontâneas' e a retenção parcial das mesmas durante processos de seleção, que aumenta a diversidade das populações, etc.. eu acredito que a principal força que direciona as espécies é o próprio direcionamento acumulativo que tomam, que eu também decidi denominar de "lógica", em que, quanto mais uma espécie evolui para um "caminho" específico de morfologia e adaptação, mais previsível e característico se torna, desprezando eventos não-discretos que podem perturbá-lo de maneira significativa. 

É exatamente como pegar uma bexiga e começar a enchê-la. Maior a bexiga, mais previsível o que pode acontecer com ela (estourar). 

Portanto, ao invés de um "design inteligente", eu penso em um "design lógico".

Esse "design lógico" é o resultado de um "modelo primário de adaptação" (... ao meio, por correspondência biológica/físico-química às suas características e dependência pelos seus recursos) que foi fundamental para a sustentação das primeiras formas de vida e, que toda diversidade subsequente, incluindo a espécie humana, "'apenas" o replicam em seus níveis mais básicos. Por isso essa percepção de "perfeição" da evolução das espécies nada mais seria que uma combinação de um impulso por precisão ou encaixe, de adaptação ao meio, mais uma pressão ou direcionamento acumulativo e específico. 

Portanto, o design até poderia ser "inteligente", mas faz mais sentido pensá-lo como um "design lógico", que obedece às regras pré estabelecidas de um modelo básico de adaptação, uma coerência de molde e dependência ao meio visando uma sustentação replicável.  

* Apesar de não acreditar que a evolução das espécies seja totalmente direcionada pelo acaso de mutações, eu não acredito que, então, seja completamente direcionada, especialmente em eventos onde o nível de imprevisibilidade é maior, tal como durante processos de especiação, se, por exemplo, não podemos dizer que os seres humanos apareceriam de qualquer maneira com base nas espécies de hominídeos que os antecederam. Mas, de acordo com a lógica proposta aqui, se foi possível notar uma tendência para uma direção, no caso da espécie humana, especialmente para o aumento de sua inteligência, durante o período pré-histórico (muito provavelmente por mudanças de padrões seletivos, incluindo a seleção natural), então, quanto mais forte e constante foi essa tendência, mais previsíveis foram os passos evolutivos subsequentes(mas sem ser com total certeza, claro).

sábado, 7 de janeiro de 2023

Contra o "design inteligente"

 A aparente perfeição dos processos adaptativos e evolutivos das espécies é considerada a principal evidência para a hipótese do design inteligente. Mas essa aparente perfeição remonta à origem da vida, em que somente as formas mais estáveis de combinações químicas, ou mais adaptáveis aos ambientes da Terra primitiva, que se perpetuaram. Portanto, esse "molde" primordial de adaptação da vida é que a permite perseverar com excepcional precisão.


Porém, evolução é necessidade...

Pois existem espécies que estão há milhões de anos sem evoluir, preservando suas formas mais ''primitivas'', como se tivessem parado no tempo. Isso acontece por terem atingido seus ''ótimos adaptativos'', por isolamento geográfico, longe de predadores, e/ou também por causa do nível de estabilidade, isto é, de previsibilidade dos seus ambientes.

Mas a adaptação é uma luta constante pela auto-perpetuação, mesmo para essas espécies. A maior diferença é que não estão sendo pressionadas a evoluir tal como as outras, se qualquer espécie, quando evolui, é sempre por necessidade de melhorar sua estratégia adaptativa, quando algo já não está funcionando "perfeitamente" dentro de seu contexto evolutivo.

Então, a evolução da vida não é exatamente uma demonstração de "perfeição" dos mecanismos adaptativos, supostamente produtos de uma providência divina, como afirma a hipótese do design inteligente, pelo contrário, se quanto mais evoluída de suas formas ancestrais uma espécie está, maior terá sido a sua necessidade de "melhorar-se" ou o que não tem sido suficiente para lhe garantir plena segurança e estabilidade. Portanto, aquelas que mais têm preservado suas características primitivas seriam justamente as mais "perfeitas", por terem apresentado uma menor necessidade de aprimoramento, também por causa das condições muito favoráveis dos seus meios que não as desafiam ou ameaçam.

Um exemplo aberrante dos efeitos acumulativos da evolução, paradoxalmente resultantes de uma constante necessidade de melhoria de imperfeições relativas, é a própria espécie humana.