Sim. Porque apenas quem morre poderia provar isso. Talvez, no futuro, algum cientista maluco invente uma técnica de ressurreição e consiga extrair testemunhos de quem morreu "totalmente". Se a pessoa disser que não sentiu mais nada antes de ser ressuscitada, então…
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quinta-feira, 5 de janeiro de 2023
sexta-feira, 1 de abril de 2016
Quem são eles....
Estes rostos,
que eu nunca vi ao vivo,
que li suas histórias,
que vi seus trabalhos,
e me causam tristeza,
me junto ao luto eterno de suas vidas,
a muito perdidas,
sinto-me familiarizado,
cúmplice,
se estamos todos aqui,
no mesmo barco,
alguém morre,
homem ou gato,
vida, mesmo a não virtuosa,
eu lamento,
sua partida, suas atitudes
ou a sua precoce despedida,
e me pergunto,
quem será o próximo**
não deveríamos estar unidos contra tudo isso*
mas estamos iludidos que não somos unos,
e que ser indivíduo,
não é reconhecer o próprio ego,
mas aquilo que o envolve,
é reconhecer o tempo, o espaço,
tu lá dentro,
e todos os outros passos,
ter em mente
que se deve celebrar,
sua vida e as envolventes,
ter duas ou mais realidades,
um livro com páginas d'onde encontrar,
cada dimensão aceitar,
e dar prioridade para o filosofar,
superar o lógico,
abraçando o racional
Quem são eles que me fazem lembrar de épocas doces,
que enquanto eu celebrava a minha pueril idade,
eles já faziam as suas malas,
e partiam numa viagem,
sem fim, infinita, profunda,
sorriram, nos fizeram rir,
suas expressões me aconchegaram,
queria estar ali, saber quem foram,
eles foram,
viveram, aprenderam, erraram, discriminaram, amaram,
como a uma linda flor que pinta o verde das matas com o seu vermelho paixão-pela-vida,
e morre fogosa de tanto narciso,
para nascer novamente em outra identidade, para ser outra serpente,
para voltar a se mostrar.
Quem são eles,
quem sou eu,
que choro por mortos que nunca conheci,
por vidas que nunca teria conhecido,
se não fosse pelo vigor humano em suas ilusões,
apegado à matéria,
a doce ilusão de nossa alquimia,
mudar o natural,
fazê-lo produto,
consumi-lo, enquanto nos consumimos,
mais tecnologia,
mais fósforos,
mais conforto ou mais dependência,
não somos viciados porque somos frágeis,
qualquer animal em nossa pele faria o mesmo,
que compreende mais do que poderia,
que não sabe do mais importante,
o por quê de toda esta agonia.
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