Minha lista de blogs

Mostrando postagens com marcador ''A colheita de se ser''. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ''A colheita de se ser''. Mostrar todas as postagens

sábado, 30 de abril de 2016

A colheita de se ser



todo dia,
o servo põe-se ao trabalho,
a colher os seus dias com as mãos,
a colher sensações,
raízes que podem dar frutos,
de sentir dor ou aquelas emoções,
profundas, 
que nos causam arrepios,
a comoção...

A colheita é um fenótipo,
todo dia é uma vida,
nasce, vive e morre,
se chove ou faz sol,
se na montanha ou se misturando à areia da praia,
se na cidade ou na zona rural,
se se enxergando ou pelo tato do ouvido,
ou por ruelas, por cortiços,

Nos colhemos,
para depois nos devorarmos,
o dia nasce a luz da ilusão dourada
e morre na verdade dum céu d'estrelas,

A lembrança é o blefe do vício,
de se viver,
de querer um início,
e do fim,
se ver,

e perceber que,
o fim é apenas uma palavra,
um começo,
mais iludido estamos 
quando pensamos de fato saber

pela ilusão de tal símbolo,
acreditamos viver
mas nos enganamos com as suas curvas
e promessas
e naufragamos n'além mar,
quando não temos terra firme,
pois não sabemos remar,

colhemos ilusões,
corremos sem parar,
respiramos sem buscar por sua razão,
pelo simples ato de respirar,

A colheita da vida,
é a colheita do ser,
de se ser,
só sabemos porquês,
se rezamos, 
ou na meditação,
ou num simples coçar,
como a um macaco,
que nós somos,
com roupas e um nariz empinado,
fino a soprar pedantes ilusões,

no coletivo da vida,
é ser indivíduo,
de fazer o próprio trabalho,
e de preferência não dá-lo aos demais,
se já é um estorvo este ritual mecânico,
se somos autômatos,
viciados por nós mesmos,

porque estamos em nossos precipícios,
nos segurando,
a mão que nos mantém é de nossos espíritos,
o espelho d'água abriu nossos olhos de tal maneira que,
nos vemos mais
 e queremos o sempre,
mas sempre não existe,
aliás, não se sabe se.