Mais uma questão de correlação interseccional.
Eu já comentei sobre a minha ideia de que a correlação pode ser dividida em dois tipos: a paralela e a interseccional. Que enquanto a primeira é um tipo de correlação mais pura em que não há qualquer relação verdadeira ou aparente entre dois ou mais elementos que ocupam um mesmo espaço de existência, a segunda se trata justamente do oposto, em que existe uma relação que não se limita apenas a um paralelismo de coexistência. É a diferença entre a correlação do consumo per capita de sorvete e IDH (índice de desenvolvimento humano) e a correlação entre índice de contaminação por ISTs e de pertencer a uma minoria sexual.
Em relação à correlação entre apresentar comportamentos irracionalmente antissociais e ter sido criado em um lar ausente de pai, é mais comum ou popular o estabelecimento de uma relação de causalidade, já que muitos acreditam que a ausência ou a presença paterna durante os anos formativos de um indivíduo humano costuma ter um papel central em seu comportamento a longo prazo. No entanto, o mais provável é que ocorra, nessa situação, uma correlação interseccional e não uma relação absoluta de causa e efeito, primeiramente por existirem muitos casos de indivíduos, especialmente de homens, criados sem a figura paterna, que não acabam se enveredando no mundo do crime quando se tornam adultos (ou já durante a adolescência). Segundo que, também existe um fator biológico subjacente muito provável, em que indivíduos do sexo oposto com certas características psicológicas e cognitivas (mais frequentes) em comum, ao estarem mais propensos a se relacionarem e gerarem descendentes, também estão mais propensos a transmitirem ou replicarem essas mesmas características nos seus filhos, tal como no caso dos comportamentos irracionalmente antissociais, expressados pela própria negligência de certos homens que abandonam suas famílias biológicas, que é um claro exemplo de comportamento egoísta e irresponsável. Outro comportamento correlativo a esse contexto de ausência paterna é o nível de promiscuidade (número de parceiros sexuais ao longo da vida), tanto do pai quanto da mãe, às vezes, também reflexo de uma instabilidade crônica de um deles ou de ambos em conseguirem se manter em uma relação por mais tempo. Portanto, parece conclusivo que se trata de mais um caso de "confusão genética" (ou biológica) em que fatores subjacentes desta mesma natureza não estão sendo plenamente contemplados, resultando na conclusão muito provavelmente equivocada de que são apenas os elementos do meio, como a ausência paterna na criação dos filhos, que gera repercussões comportamentais de natureza causal e a longo prazo nos mesmos.
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