A diferença de tolerância à ambiguidade no status relacional
Um indivíduo tipicamente extrovertido, por ser mais voltado para a interação social, tende a se sentir mais confortável em interagir com qualquer pessoa. Também é por isso que ele naturaliza com mais facilidade a complexidade de uma típica rede social em que é muito comum o estabelecimento de uma diversidade de status relacional. Portanto, ele não vê qualquer problema ou contradição em apresentar uma discrepância entre nível aparente de intimidade em interação específica e status relacional, isto é, com quem está interagindo em dado momento. Em palavras mais fáceis: de ser demasiado amistoso com quem nunca interagiu ou com quem não tem uma relação mais íntima, por exemplo (mesmo de forçar intimidades, como costuma fazer). Pois o oposto pode ser mais comum quanto mais introvertido se é, em que existe uma dificuldade de tolerar ambiguidades de status relacional e que também é uma preferência pela objetividade ou clareza na definição de status, resultando em uma maior carga de estresse, exatamente como em uma situação de se estar sempre "pisando em ovos"... Por exemplo, a baixa relação de intimidade que é comum de se estabelecer com a maioria dos colegas de trabalho, especialmente para um introvertido típico, mas que entra em atrito com a pressão social de performar uma homogeneidade afetiva nesse tipo de interação, em que o extrovertido se sente muito confortável de fazer. A diferença entre atuar ou fingir (mesmo sem ter plena consciência do que faz) e de ser o mais honesto possível.
Interessante que, também parece ser relativamente comum que tipos mais introvertidos consigam, esporadicamente, estabelecer interações momentâneas muito satisfatórias com completos desconhecidos, talvez por serem interações puramente baseadas em uma reciprocidade positiva ou simpática e objetiva, sem contextos de leis sociais implícitas complicando o "meio de campo"...
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