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terça-feira, 7 de novembro de 2023

Sobre as "pseudociências do bem", "de esquerda" e o mais grave

Pseudociências são hipóteses e/ou técnicas cientificamente não-comprovadas, com remoto a nulo potencial de comprovação e que visam se passar como ciência. A homeopatia, a astrologia, a teoria freudiana, o movimento anti-vacina e o terraplanismo são exemplos de pseudociências. A pseudociência é um tipo comum de pseudo-intelectualismo, isto é, de uma falsa filosofia, de um suposto amor pela sabedoria ou pelo conhecimento, mas que, na verdade, se expressa como a sua falsificação. 


Um exemplo de pseudo-intelectualismo, relevante para esse texto, que também se expressa como pseudociência é o do igualitarismo radical.


Apesar de indivíduos de todo espectro político-ideológico adotarem pseudociências ou "pseudo-intelectualismos" como referências primárias de interpretação da realidade, esses tipos de desvios intelectuais parece que têm sido adotados com maior frequência por aqueles que se declaram "de esquerda". 


Por fim, existe mais um desvio principal da sabedoria, o anti-intelectualismo, em que, ao invés de se passar como conhecimento, nega-o ao apelar, geralmente de maneira explícita, ao emotivo, ao instintivo e ao subjetivo. Um exemplo clássico de anti-intelectualismo é a religião, especialmente o fundamentalismo religioso. Esse último é adotado com maior frequência por indivíduos que se declaram "de direita".


A religião, tal como tem se desenvolvido e constituído, historicamente, também pode ser considerada uma falsa filosofia. 


A diferença entre anti-intelectualismo e pseudo-intelectualismo é a mesma entre um sacerdote religioso e um sacerdote se passando como autoridade científica.


Então, apesar dos avanços sem precedentes da ciência//tecnologia nos últimos séculos, as pseudociências continuam se perpetuando pela constante renovação de seguidores, também porque a maioria dos seres humanos estão mais para irracionais do que racionais.


E, se graças a uma secularização relativa, primeiramente em sociedades ocidentais, o anti-intelectualismo, particularmente a religião, tem diminuído a sua influência cultural, parece que tem sido só para substituí-lo pelo pseudo-intelectualismo dentro das principais instituições, como na educação, na mídia e até nos governos, se passando como conhecimentos e/ou como julgamentos racionais/filosóficos legítimos, sendo adotados como referências para políticas públicas e, a partir disso, causando ainda mais problemas (graves) do que resolvendo os existentes. 


Eu gosto de chamar essas pseudociências que estão mais ideologicamente alinhadas com a "esquerda" de "pseudociências do bem" porque, além de se comportarem ilegitimamente como ciências e/ou filosofia, também são baseadas na priorização da moralidade ou discernimento moral, do que se considera como certo ou errado, sobre a racionalidade ou discernimento intelectual, do que se percebe como verdadeiro ou falso, claramente uma inversão da ordem "de ouro" da sabedoria em que, primeiro, priorizam-se fatos ou evidências e, depois, o julgamento (moral) de como agir a partir deles. Essa é a mesma ordem da justiça em sua prática mais adequada, do pensamento imparcial e objetivo em busca da verdade, porque o mais justo também é o que é mais verdadeiro ou factual. 


Um exemplo de impacto muito negativo dessas pseudociências "do bem" profundamente infiltradas nas instituições mais importantes dos países ocidentais tem sido a imposição de uma política favorável à imigração em massa e ao "multiculturalismo" porque tem alterado a composição étnico-racial desses países, além de também causar um grande aumento da criminalidade e de conflitos culturais. Essa política tem se baseado nas seguintes pseudagens*: na crença de que o meio tem uma influência mais determinante sobre os seres humanos do que a biologia, informalmente chamada de "tábula rasa"; de que raças humanas não existem e/ou de que suas diferenças de comportamento e inteligência são reflexos absolutos de suas culturas e não também ou principalmente de suas biologias, isto é, de que são apenas superficiais; o mesmo negacionismo também aplicado às diferenças entre os sexos; e a adoção de falácias anti-racistas, particularmente a narrativa da "culpa branca" como código moral dominante, em que apenas os brancos de origem europeia que, de maneira geral, devem ser moralmente responsabilizados pelas mazelas sociais e históricas dos outros grupos etno-raciais, especialmente dos negros de origem africana, que se consiste em uma interpretação altamente enviesada ou distorcida de fatos históricos e com implicações opostas à verdadeira justiça social, por colocar toda culpa em uma categoria de grupo vagamente definido e que, de fato, se trata de um "bode expiatório", por não ser o grupo mais diretamente responsável pelas mazelas humanas ao longo de nossa história, as "elites" político-econômicas. 

sábado, 19 de novembro de 2022

Tábula rasa (determinismo do meio): o negacionismo de esquerda mais importante

Em tempos de fake news e teorias conspiratórias, em sua maioria, produzidas e consumidas por indivíduos autodeclarados conservadores, de direita, pode ser comum de se pensar que negacionismos da realidade, se científicos ou políticos, são exclusivos a um lado do espectro político-ideológico. No entanto, existe um negacionismo que, se não é exclusivo à esquerda, ocupa um papel central em seu sistema de crenças, que é o da influência predominante da genética ou biologia no desenvolvimento e no comportamento humanos (que também se estende para outras espécies), chamado de tábula rasa.

Esse negacionismo se baseia na crença de que nascemos tal como folhas de papel em branco, sem herança genética (direta ou por combinação), particularmente em relação ao comportamento, como a inteligência, que somos totalmente moldados pelo meio.

Pois se é verdade que não existe livre arbítrio ou não da maneira como muitos acreditam, também não é possível dizer que somos absolutamente condicionados pelo meio, se pessoas nas mesmas circunstâncias tendem a agir de maneiras distintas e não apenas por causa de diferenças contextuais, de classe social ou cultura, por exemplo, mas também ou especialmente porque já apresentam diferenças intrínsecas de personalidade e de níveis qualitativos e quantitativos de inteligência. Então, essas variações são sempre consideradas produtos das circunstâncias dos ambientes em que cada ser humano tem nascido e se desenvolvido.

Esse negacionismo já está apresentando consequências esperadamente negativas, tal como o aumento da criminalidade, em partes resultado de políticas multiculturalistas que favorecem a imigração em massa para regiões ou países outrora mais seguros. Inclusive e, particularmente nas universidades ocidentais, essa crença de que apenas a cultura ou o meio que explica diferenças médias de comportamento e capacidades cognitivas entre indivíduos e grupos humanos se tornou consenso quase absoluto especialmente nas ciências humanas, com direito à perseguição declarada aos acadêmicos que discordam dele (causado pela criação de panelinhas de conformidade ideológica). Além disso, o sistema tradicional de ensino, predominante nas escolas em todo mundo, também tem sido baseado justamente nessa crença no determinismo do meio sobre o desenvolvimento intelectual, como se o mesmo dependesse totalmente da qualidade do ensino dos professores, desprezando que a inteligência acadêmica dos estudantes se desenvolve paralelamente, tanto em potencial alcançado quanto ao seu tempo de desenvolvimento, e que o máximo que os professores podem fazer, de positivo, é acelerar aprendizados específicos, de acordo com a capacidade de cada estudante.

Eu acredito que, se a esquerda parasse de endossar essa crença negacionista e aceitasse a realidade das diferenças médias e predominantemente intrínsecas de indivíduos e grupos humanos, talvez conseguisse se tornar mais popular ou mais eficiente no combate à ascensão da extrema direita. Por exemplo, se na Itália, políticos e acadêmicos progressistas abandonassem a defesa pelo multiculturalismo, ideologicamente baseada na crença da tábula rasa, mas que também funciona como uma estratégia arriscada para aumentar seu número de eleitores a partir dos imigrantes, a extrema direita teria uma pauta a menos a seu favor, diga-se, uma pauta muito importante mediante o seu poder de transformação, especialmente para causar problemas, e provavelmente não teria vencido de maneira tão avassaladora nas últimas eleições legislativas de 2022, em que uma mulher neofascista foi eleita primeira-ministra, Giorgia Melloni, e em que setores conservadores obtiveram o melhor resultado desde Mussolini (além de servir como demonstração didática de que não basta uma "representatividade" vazia de minorias ou maiorias historicamente marginalizadas, como as mulheres, tal como pregam identitários liberais, se for para eleger membros desses grupos que estão do "lado mais hipócrita e psicopático da força").  Porém, eu tenho consciência que essa revisão de mentalidade não seria nada fácil já que exigiria reconsiderar alguns de seus pontos mais importantes. Mas, se esses pontos são negacionistas... mesmo se são bem intencionados, a justiça nunca é plenamente possível com mentiras.