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quinta-feira, 18 de maio de 2023

Sobre um experimento antiético com ratos, sua suposta utopia e comparação com a espécie humana

 Esse foi um experimento realizado pelo cientista estadunidense John Calhoun, batizado de "Universo 25", que se consistiu na construção de uma colônia "ideal", abundante em comida e sem predadores, em que 8 pares de ratos passaram a viver. 


No início, foi observado um grande crescimento populacional da colônia. No entanto, no dia 560, pouco mais de dezoito meses após o início do experimento e depois que a população atingiu o pico de 2.200 camundongos, o seu crescimento cessou. Muitos machos, principalmente os de maior porte, entraram em colapso psicológico, passando a atacar o próprio grupo. As fêmeas foram se tornando mais agressivas, até com os próprios filhos, perdendo a vontade de criá-los ou de procriar. Então, a fecundidade dos mais jovens voltou a aumentar e surgiu uma nova classe de machos, os "bonitos", que só estavam interessados em dormir e comer. Essa população passou a ser composta principalmente por "fêmeas agressivas" e "machos bonitos". Ainda parece que foi relatado um aumento de "comportamento homossexual", violência e canibalismo. Por fim, a colônia acabou entrando em extinção.

Bem, e o que dizer sobre isso??

Será que o mesmo pode acontecer ou está acontecendo com os seres humanos por causa da relativa melhoria do padrão de vida das últimas décadas?? Será que podemos nos comparar livremente com outros animais?? Será que eu sou um exemplo individual disso???

É muito fácil fazer esse tipo de analogia, mas quando analisamos mais de perto o contexto social do experimento com os nossos, o que parece excepcionalmente parecido pode não ser tanto assim. Por isso, faço aqui alguns apontamentos buscando demonstrar essa ilusão.

1. Sobre a queda vertiginosa nas taxas de fecundidade  

Primeiro, por que as pessoas estão tendo menos filhos, atualmente? Quais são as causas ou a causa principal??

Viver em cidades, porque o custo de vida é muito mais alto nos centros urbanos do que no meio rural...

Mas por que é caro??

Será algum experimento natural ou divino?? Culpa do aquecimento global??

Não, porque as "elites" político-econômicas dominantes estão forçando a esse "estado de coisas", aumentando o custo de vida para a maioria, se são elas que controlam as sociedades.

Portanto, não é possível estabelecer uma relação direta entre justiça social e queda vertiginosa nas taxas de fecundidade. Pelo contrário, por ser justamente por causa de sua insuficiência que muitas pessoas estão tendo menos filhos do que gostariam... 

Outros poderiam culpar a escolaridade já que, aqueles com mais anos de estudo são os que estão atrasando mais "a cegonha" ou tendo menos filhos. No entanto, também são eles os que mais se preocupam em prover as melhores condições para poderem constituir famílias, conscientes sobre o alto custo de vida nas cidades. Pois se vivessem em ambientes menos difíceis, talvez, tivessem mais filhos...


2. Sobre o "aumento' de comportamentos egoístas no experimento e nas sociedades humanas modernas
 

Será a justiça social ou o materialismo que tem nos tornado, em média, mais individualistas?? 

Mas, a justiça social não é justamente sobre responsabilização de ações e consequências???


3. Sobre o aumento de "comportamento homossexual" nos ratos do experimento...

... em termos relativos ou absolutos??

Sim, porque se foi mais em termos absolutos, então, pode ser atribuído ao próprio aumento do número de ratos, se quanto maior a população de ratos, maior a visibilidade de uma minoria propensa a esse comportamento. 

Será?? 

Outro problema aí: como definir "comportamento homossexual" e ainda mais em ratos?? Genuinamente ou mais do tipo "bissexual pragmático"?? Atração real pelo mesmo sexo ou pragmatismo impulsivo??

Agora, se for em termos relativos, de frequência, esse aumento relatado pode ser atribuído ao acúmulo de mutações ou de diversidade genética, provocado pelo crescimento populacional vertiginoso. Pode ter havido um aumento real, digamos, genotípico, da proporção de ratos homo ou bissexuais nesse experimento ou, então/também, mudanças no meio social que exacerbaram essas tendências e possibilidades que, em outros cenários, não se expressariam, tal como no caso da proporção de canhotos entre seres humanos nas últimas décadas, que tem aumentado, em partes, porque crianças que nascem assim não têm sido "reeducadas" a escrever com a mão direita. 

4. Sobre os "machos bonitos"...

Li, no final de um texto sobre esse experimento, Universo 25, que esse grupo teria sido poupado da hostilidade dos outros ratos, talvez também por não procurarem se envolver em conflitos...

Interessante...

Mas será que nessa suposta utopia perfeita, os ratos não chegaram a estabelecer uma nova hierarquia social, resultando no aparecimento deste grupo mais bem alimentado ou melhor tratado por sua "aparência"?? Será que não se assemelhariam às nossas lindas "elites'' burguesas??? 

Agora, é muito importante ter em mente que se trata de um experimento que consistiu no estabelecimento de um ambiente artificial e que foi realizado com uma espécie não-humana, enquanto que, mesmo que também possamos chamar os nossos meios sociais de "artificiais", não estão estritamente projetados. 

"Fêmeas" humanas que não querem ter filhos ou que não os tratam bem quando são mães sempre existiram na história de nossa espécie, assim como machos agressivos. Nem por isso, só existem "machos bonitos" e "fêmeas individualistas" hoje em dia. Não dá para concluir que a "utopia" do experimento, utopia no sentido de melhor ambiente segundo uma perspectiva humana, reflita perfeitamente a nossa realidade atual, nesta segunda década de século XXI, pelo que já foi pontuado acima. Já que, se os ratos pararam de procriar quando ou porque atingiram o seu máximo populacional e correlacionado a um aumento da carga mutacional ou diversidade genética nessa população, o mesmo não pode ser dito para os seres humanos. Pois mesmo que o materialismo capitalista e outras ideologias, como o feminismo, estejam contribuindo para diminuir as taxas de fecundidade, o fator mais importante ainda é o custo de vida alto que inibe casais jovens de constituir famílias cedo, uma irregularidade típica de um sistema de curto prazo, projetado para enfatizar o lucro individual sobre o bem estar coletivo. Portanto, esse experimento, que poderia ser uma desculpa perfeita contra a implementação da justiça social, que, inclusive, tem sido usada por grupos de extrema direita, na verdade, revelou-se uma razão para adotá-la ou reforçá-la, mais pelas semelhanças superficiais do mesmo com as "nossas" sociedades. 



sábado, 31 de dezembro de 2022

Um exemplo de contradição absurda da esquerda radical com uma pergunta: "por que depois de um ano inteiro, o canal Juice Media não fez nenhum vídeo sobre a guerra da Rússia contra a Ucrânia??"

 Existe um canal australiano no YouTube, Juice Media, autodeclarado de "esquerda radical", que eu acompanho há uns dois anos e que considero um dos melhores canais de política da plataforma, por mostrar de maneira bem humorada os podres desta área, primariamente no seu país natal, a Austrália. Só que, tem um grande "porém" aí, pois não fala nada sobre os podres de partidos, indivíduos ou ideias e posicionamentos de esquerda. O máximo de autocrítica que faz é em relação a partidos de centro-esquerda, geralmente os da terra do canguru ou dos EUA e de maneira muito superficial, como se progressistas estivessem certos sobre quase tudo. Portanto, por mais divertido e inteligente esse canal possa ser, ele tem um viés ideológico do tamanho de um elefante. Na verdade, nem teria como fazer um autocrítica mais honesta e profunda, pois se o fizesse, acabaria tendo que mudar de posicionamentos. E um exemplo cabal do porquê que o Juice Media segue religiosamente a cartilha de sua ideologia é por sua cobertura inexistente sobre o conflito na Ucrânia. 


Resumindo rapidamente, a Ucrânia foi invadida pela Rússia no final de fevereiro desse ano, por nenhuma razão racional ou justa; porque é isso que um país cretino como a Rússia sabe fazer. A Ucrânia apenas quer estreitar laços com países pelos quais acredita que poderá obter mais vantagens econômicas e políticas ao invés de permanecer um estado vassalo ao colosso arcaico russo. A priori, não há nenhum mal em querer progredir... Então, desde que a Rússia começou essa guerra absolutamente injusta, tal como a grande maioria das guerras, milhares de civis já foram assassinados, torturados ou retirados dos locais em que moravam e enviados para sei lá onde pelos russos, incluindo o abate, é claro, de muitos seres vivos não-humanos. Além dos milhões que tiveram que abandonar suas casas à procura de abrigo em outros países. Aliás, eu já lamento que homens ucranianos tenham que largar suas vidas pacatas para pegar em armas e lutar pela defesa de seu país. Uma verdadeira tragédia humanitária provocada por um psicopata maluco, sua gangue de demônios iguais a ele e pela passividade indiferente ou conivente e patológica de, pelo menos, metade do povo russo. Com certeza, essa guerra contra a Ucrânia foi o evento geopolítico mais importante do ano e também de grande relevância para a justiça social. Mas, por incrível que possa parecer, em um primeiro olhar, são muitos aqueles indivíduos que se intitulam de esquerda, a favor da justiça social, da paz e da solidariedade que estão do lado da Rússia, acreditando nas baboseiras inculcadas pela propaganda de seu governo, de que essa guerra é totalmente justificável porque o desejo da Ucrânia de fazer parte da OTAN e, talvez, da União Europeia é uma "afronta" ou ameaça existencial ao país vizinho ou, então, ainda pior, que a Rússia está apenas querendo limpar a Ucrânia dos neonazistas que tomaram o poder no país, incluindo o presidente ucraniano, judeu e neto de sobreviventes do holocausto (???)... justo a Rússia, governada por um psicopata fascista há décadas e com o maior contingente de neonazistas no mundo?? ... até pelo tamanho de sua população.

Isso faz algum sentido pra você?? 

Pois para muitos autodeclarados progressistas faz, mas especialmente porque eles são, acima de tudo, anti-EUA e, portanto, qualquer país que se declara uma "democracia popular" ou socialista, ou antagonista à hegemonia estadunidense, eles apoiam, não importa se for uma teocracia nojenta como o Irã, um país pseudo-socialista como a China ou uma ditadura claramente fascista como a Rússia. Basta ser anti-EUA que esses marxistas se silenciam quanto ao que de extremamente podre esses países estão fazendo, se pensam que: "o inimigo do meu inimigo é o meu amigo". Aqui, não estou querendo defender o capitalismo ou a hegemonia estadunidense, se sou muito crítico a ambos, perceptível por vários dos meus textos. Estou querendo demonstrar que, é totalmente possível ser crítico ao fascismo russo e ao fascismo capitalista com base nos EUA, ao mesmo tempo, sem precisar escolher e apenas seguindo, defendendo ou apoiando o que é objetivamente justo e o oposto para o que não é. Também compreendo a crítica sobre a hipocrisia, consciente ou não, de muitos ocidentais por apoiarem a Ucrânia nesse conflito, mas desprezando quando isso acontece com países não-europeus ainda mais se tiver dedo podre de potências do Ocidente. Mas nada disso justifica ficar do lado do fascista opressor, a Rússia (ou de uma teocracia iraniana, misógina e homofóbica), se de maneira declarada ou pelo silêncio velado. Como conclusão, a conivência desse canal, bem como de muitos da esquerda radical, à dor e à injustiça de milhões, se no Irã ou na Ucrânia, é criminosa e desprezível, e apenas nos mostra o quão baixo tem sido o nível intelectual e moral das esquerdas ocidentais, particularmente da dita marxista. 

Repercussão e reputação 

Para um canal com quase um milhão de seguidores, o completo desprezo a tais eventos apenas por razões políticas, em flagrante hipocrisia ao que supostamente se propõe, defender pela justiça social, repercute muito mal, especialmente fora das bolhas de esquerda onde "a unanimidade não é burra", dando contínuo material para ser usado pelas direitas para que as mesmas generalizem progressistas como ignorantes, ingênuos, contraditórios e/ou hipócritas. E com essa repercussão, bem mais problemática do que seus criadores imaginam, vem a reputação igualmente negativa em que se passa a associar a ideologia progressista a tudo aquilo que tem sido produzido e inculcado em nome dela e não no que se propõe, essencialmente, se basta seguir o rastro de injustiças ou mentiras impostas como verdade ou justiça para se agir como um verdadeiro progressista.

sexta-feira, 20 de maio de 2022

"Ímpeto pela justiça social" como capacidade cognitiva??

 Você é capaz de identificar predadores e parasitas humanos e/ou suas ações?? 


Você é capaz de identificar quais são os verdadeiros problemas das sociedades humanas e propor ou defender por soluções potencialmente mais adequadas?

Pois os mais afiados na detecção de peçonhentos de nossa espécie, de humanos que atacam humanos, são justamente os que defendem pelo combate às suas ações: exploração econômica, opressão cultural, destruição do meio ambiente e crueldade cometida contra outras espécies.  

Pois a partir dessas reflexões, proponho que a detecção de comportamentos parasitários e predatórios em seres humanos (ou daqueles que apresentam esses perfis) seja considerada uma capacidade cognitiva específica, mediante a sua grande importância para a sobrevivência individual e coletiva: segurança ou bem estar existencial, diga-se, uma capacidade fundamental para a sobrevivência de qualquer espécie.

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

A única pauta de justiça social que interessa à extrema direita

 ???


Imagine um mundo alternativo em que, segundo algumas previsões, a raça negra pode entrar em extinção até o final deste século, se nada mudar em relação ao seu cenário atual: de taxas de fecundidade muito baixas, envelhecimento demográfico progressivo, imigração em massa para os países em que são maioria, e altos índices de miscigenação racial, lembrando de sua genética recessiva; que a maioria dos governos dos países em que habitam introduziram políticas que incentivam a vinda de imigrantes, a maioria de outras raças; que boa parte da mídia e do sistema educacional também parece estar mancomunada com esse propósito, pela inculcação do negacionismo anticientífico da existência e relevância das raças humanas, das diferenças médias e intrínsecas entre elas e dos sujeitos de nossa espécie; de lavagem cerebral que promove a miscigenação e demoniza qualquer tentativa de autopreservação racial, especialmente dos "negros'', e a "culpa negra", como se apenas "eles" que fossem culpados por todos os males da humanidade; que fazem tudo isso supostamente para combater o racismo (argumento moral) e o envelhecimento da população (argumento econômico)...


A que conclusão você chegaria?? 


Que provavelmente está havendo uma tentativa de genocídio, né?? 


Eu estou pensando que, se você for um típico progressista, você irá concordar que se trata de uma tentativa de genocídio, especialmente se estivermos falando de negros... aliás, na realidade, você provavelmente acredita que esteja acontecendo um genocídio, financiado pelo Estado (no Brasil, nos EUA...), contra populações negras que vivem em áreas periféricas*...


* Só que a maioria dos crimes ou atos de violência contra indivíduos negros é praticada por outros indivíduos negros, geralmente homens heterossexuais (não estou desprezando a violência desproporcional da polícia contra os mais pobres, geralmente negros e pardos), e o termo genocídio não parece cabível aqui se não há redução demográfica e risco de extinção.  


Mas, agora, quero que volte para o mundo real, em que estamos, e apenas substitua raça negra por branca.


Então, você mudaria de opinião?? 


Passaria a negar que tudo isso esteja acontecendo mesmo diante desses fatos??


Será mesmo que todos os brancos, especialmente os de classe trabalhadora, devem ser sacrificados para "curar o racismo" do mundo??

 

Afinal, são justamente eles que têm recebido o grosso da imigração em seus bairros de periferia, nos países de "primeiro mundo", não os mais ricos.


Mas não parece que estão sendo injustiçados??

Que estão sendo usados como bodes expiatórios para livrar as "elites" (burguesas, monárquicas e eclesiásticas), a maior parte da culpa pelos males que já causaram e que continuam a causar?? 


(Já que são as "elites" que detêm o poder e, portanto, que mandam)


Se é verdade que os europeus e sua diáspora têm sido responsáveis por muitos crimes, da escravidão africana e ameríndia à destruição do meio ambiente, eles não são os únicos que têm praticado crueldades desde os primórdios de nossa espécie, e sem estar querendo justificá-los ou desculpá-los. Porque também temos que nos preocupar com as generalizações, se não são todos os caucasianos europeus que são coniventes, indiferentes ou protagonistas nessas merdas. O problema, portanto, não é de incutir culpa "neles", mas apenas neles, além de fazê-lo sem a complexidade que esse tópico exige.


Pois será que devo lembrar que "raça não define caráter"?? 


Sem falar que, individualmente falando, somos responsáveis apenas pelos atos que praticamos (ainda que também exista "culpa coletiva e histórica"). Isso significa que, nenhum branco vivo tem culpa pessoal pela escravidão africana, que acabou há mais de um século atrás. Só se a tiver praticando de maneira literal (desprezando que continuam a acontecer formas análogas de escravidão dentro da África e praticadas por negros contra negros). 


Talvez isso esteja acontecendo via capitalismo. Mas, indivíduos de todas as raças têm sido vitimados por essa escravidão moderna, inclusive muitos brancos. Sem falar da existência de "patrões" abusivos de outras raças. Pois se o critério para explorar fosse especialmente a raça, não faria sentido que brancos também fossem explorados. 


Em relação às baixas taxas de fecundidade, existem algumas pesquisas mostrando que a maioria dos casais (heterossexuais), ao menos nos países da União Europeia, gostaria de ter uma média de dois filhos. Porque, em todo mundo desenvolvido (e também nos países em desenvolvimento), o alto custo de vida nos meios urbanos é um dos principais fatores que têm inibido esses casais a ter o número de filhos de suas preferências. 


Alguns poderiam argumentar que estaria acontecendo uma coincidência de fatores, já que outras populações também têm apresentado taxas de fecundidade muito baixas e consequente envelhecimento, mas sem a inculcação de auto-ódio e doutrinação, via mídia, do multiculturalismo e da miscigenação racial. Pois mesmo se apenas o alto custo de vida, causado pelas lambanças das elites burguesas, fosse suficiente para provocar essa queda vertiginosa do crescimento demográfico, desde os anos 70, continua evidente que existe uma doutrinação de "culpa branca" e "cura" dessa culpa pela mistura racial e/ou adesão ao multiculturalismo, pela maior parte dos meios de comunicação ocidentais. 


Pra mim está claro que essa provável tentativa de genocídio da raça branca é mais uma pauta da justiça social, tal como a antirracista, a ecológica, a antiespecista, a feminista e a LGBT. Aliás, seria parte da pauta antirracista...


No entanto, para uma provável maioria de progressistas, não passa de uma teoria de conspiração inventada pela extrema direita ocidental para justificar a perpetuação da supremacia branca. Mas mesmo que a extrema direita, de fato, tenha esse objetivo, não significa que o genocídio branco não esteja acontecendo. Só não é imediatamente percebido porque tem acontecido de maneira lenta, sem banho de sangue, por enquanto, desprezando o aumento da violência racialmente motivada em regiões específicas, como a África do Sul...


Interessante pensar que, justamente aqueles que mais desprezam a justiça social são os mais consternados com esse possível genocídio em curso. Mas, faz sentido já que são, em sua maioria, de brancos conservadores...


E que muitos daqueles que mais prezam por justiça social, pelo menos nominalmente, estejam desprezando completamente essa situação, inclusive se colocando ao lado dos que estão, conscientes ou não, empurrando o genocídio branco. 


Que a raça tem sido um símbolo usado para a prática de opressão, isso é inquestionável. Mas o ponto crítico aqui é a própria ocorrência da opressão, que pode ser justificada por qualquer outro símbolo. Portanto, o que mais importa não é se são brancos oprimindo negros mas que existam grupos ou indivíduos oprimindo outros. E se fossem negros oprimindo brancos, de maneira indiscriminada, acho que muitos progressistas apoiariam...  


Na minha opinião, se as esquerdas reconhecessem e adotassem como pauta de justiça social essa tentativa de genocídio da raça branca, que elas mesmas incentivam, eu aposto que isso poderia ser um grande avanço na desarticulação política das forças ultraconservadoras.


Mais uma vez o meu lamento de sempre... de, se a esquerda apenas buscasse ser coerente com o que mais defende, generalizando o seu faro por justiça social, enfim, fizesse o básico...

segunda-feira, 15 de março de 2021

Análise crítica de um pensamento muito popular entre os "conservadores"

 



"Tempos difíceis fazem homens fortes. Tempos fáceis fazem homens fracos"


Sem mais delongas, vamos lá:


"Tempos difíceis fazem homens fortes"


Ou seria, homens cruéis fazem tempos difíceis??


Afinal de contas, de onde vem esses "tempos difíceis"?? Da mãe natureza?? /Da erupção do vulcão Toba??


Ou de psicopatas do sexo masculino que dominam sociedades com as suas máfias de "amigos" e passam a explorar e a oprimir o "povo''??


"Homens fortes"


Fortes??


Vem cá, com perdão da comparação mas, quem é mais forte, um cachorro que é servil ao seu "dono" ou o "dono"??


(Com perdão ao cachorro, pela comparação, claro)


Soldados que se trucidam por guerras de interesses mesquinhos de "elites", podem ser fisicamente mais fortes ou resistentes, mas, em relação à inteligência, são como "animais" domesticados. Fortes não, explorados, alienados, enganados, mas pensando que são machões por servirem de tapete para que pilantras passem por cima...


"Tempos fáceis fazem homens fracos"


Fáceis???


A maioria dos seres humanos continua a ser explorada, ganhando bem menos do que vale o seu trabalho, com alguma exceção para os países nórdicos.


"'Homens' fracos"


Ou, mais exigentes, conscientes sobre as injustiças sociais que n/os acomete?? Isso não seria o exato oposto??


Se a maioria das mulheres, ao menos no mundo ocidental, têm garantido direitos básicos, os homens que as apoiam, a princípio, não são mais fracos mas mais justos...


Porque hoje pedimos para que as pessoas busquem ser mais respeitosas umas com as outras, até mesmo no sentido de serem, novamente, mais justas, isso não significa que "os 'homens' 'modernos' são mais fracos".


Não. Eles/ nós não somos "homens fracos" porque esses "tempos fáceis" nos estragam, até porque, se vivemos em tempos "comparativamente melhores que os dos nossos bisavós", não significa que sejam "fáceis".


Esses "tempos fáceis" têm sido marcados pelo constante aumento do padrão de vida em comparação aos salários, especialmente nos centros urbanos; do desemprego, do subemprego, da instabilidade do emprego e da contínua exploração do trabalhador, na maioria dos países ocidentais. Tudo, graças às lindas "elites" burguesas (política e econômica, de "direita", principalmente), que só pensam naquilo ($$$).


Se as pessoas só querem ser felizes, aproveitar o máximo da vida e sabendo que é a única que têm, será que elas se tornaram mais fracas ou mais realistas??


quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Fatos, justiça social e sabedoria

Fatos, justiça social e sabedoria

Era uma vez um país extremamente desigual, um resquício feudal de dimensões continentais, onde o Ocidente e o Oriente se encontram e se confundem, em que um grupo crescente de pessoas passou a acumular fatos justamente sobre as injustiças que estavam a ser cometidas pelas elites em relação ao povo. Abraçaram uma ideologia formada a partir de ideais de sabedoria, ancorados pela revolução francesa (antes de se transformar em carnificina). Jovens com oratória enérgica, carismática e genial, apareceram. De um movimento de intelectuais, artistas, da juventude letrada, chegando às fábricas e campos. O povo não aguentava mais tanta exploração. Ver uma minoria extremamente rica, egoísta, enfim, parasitária, agir com tanto desprezo e crueldade. Estourou a revolta dos oprimidos, dos injustiçados. A velha elite, de tradição conservadora e feudalismo monárquico, caiu. Nem as filhas adolescentes da família real foram poupadas. Nem o caçula hemofílico. Levantou-se a promessa de um governo composto por gente comum, de ser o próprio povo. Novos desdobramentos. E, ao invés de um horizonte democrático, igualitário, o que se percebeu foram nuvens grossas, de chumbo, tirania, ódio, perpetrados justamente por aqueles que juraram acabar com esse ciclo. Um mito tomou o lugar do outro, e o mesmo direito divino. Uma nova monarquia, disfarçada de povo, de consenso democrático. Aqueles que se opuseram à nova ordem e que haviam segurado as mesmas bandeiras também não escaparam do desejo implacável de sangue de um torturador tirano, de um homem tóxico. Aliás, a masculinidade tóxica sempre esteve presente por aquelas terras longínquas. O ar que se respira por lá, já convida ao desequilíbrio da mente masculina. Melhorias ao povo se sucederam. Sem precedentes na história daquele país. Agora, uma união de várias repúblicas engolidas pela hegemonia de uma mãe super "protetora". Mas, sem democracia, sem a voz do povo, sendo tratado como o mesmo "gado", de quando eram súditos miseráveis de príncipes bem vestidos. Falam de atrocidades, de gulags e Holodomor. Veio a segunda guerra mundial, a segunda comprovação massiva de irracionalidade, da raça que tinha o  mundo como uma taça em suas mãos brancas, com veias azuladas. Falam de soldados, antes, meros camponeses, empurrados pra morte certa, visando conter a todo custo, outro desabrochar da rosa destrutiva da masculinidade tóxica. Se reconstruiu, depois da "estoica' vitória, sem plano Marshall. O demônio morreu. O país ficou um pouco menos tirano, ainda um enorme engodo. A chantagem de, ajudar e esperar como resposta ou gratidão o silêncio. Mandou uma cachorrinha morrer no espaço, enquanto comemoravam. Quem liga?? Senhoras de meia idade, "bichas sensíveis" como eu. Saiu à frente do colosso capitalista, do outro lado do Atlântico. Eu poderia continuar até à perestroika e à glasnost e depois ao fim da URSS, e ao começo de uma nova e velha Rússia, do mesmo tormento, que também nos afeta aqui no sul do mundo, os mesmos homens tóxicos, suas autoconsciências mudas, suas bonecas infláveis ou mulheres que louvam o pior do ser humano.

Este é um exemplo de, apesar de minha instintiva incapacidade de escrever, científica ou academicamente, apenas seguir fatos, já ser o suficiente para concluir que a justiça e a injustiça social não são exclusividades de um lado, mesmo sabendo que um deles sempre defende os mais privilegiados. E de mostrar como que a sabedoria se alinha perfeitamente com a exposição apenas factual dos eventos históricos, sem nenhum teor ideológico...