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terça-feira, 18 de abril de 2023

Eu não gosto de rotulação excessiva, mas acho que já sei o que sou...

 Ou o que tenho??


Autismo de "alto funcionamento"? Ou "leve"?? 
Asperger?? Ou um termo menos nazista... 

Só me faltava um traço, sintoma, característica. 

Hipersensibilidade sensorial.

Agora, parece que não falta mais.

Eu até que escuto bastante. Mas o que me causa mais dificuldade é a luz do sol, quando vem forte e eu só consigo ver os pés no chão. 

Obsessão pelos meus interesses, que consomem boa parte da minha atenção, eu já sabia que tinha, se é impossível não notar.  

Dificuldade de interação, apesar de ser uma dupla via, também sempre me foi elementar. 

Dificuldade de mentir, um desejo de sempre dizer a verdade, se o que penso ou sinto, ou acho que sei, nunca consegui controlar, totalmente.

Agora, eu preciso de um diagnóstico, álibi ou justificativa, mas que não explica o todo que sou. Porque eu não sou apenas autista, artista ou anarquista. Esse é o problema de rotular, se é praticamente o mesmo que reduzir, simplificar. Se eu sou, assim como todos, um múltiplo de um inteiro e não o resto de uma conta de dividir ou tirar.

Ainda não sei se é isso mesmo, mas neuroatípico, diferente dos normais, eu sou desde o berço.

Problemática sobre a representatividade

 Para exercer qualquer profissão, o mais importante é a vocação e o talento. E não a raça, a orientação ou a identidade sexual, o sexo ou a classe social. Além disso, também acrescentaria o discernimento moral (ou racional), como um fator muito relevante. Diferente disso e não é meritório ou justo. São os privilégios de acesso que precisam ser combatidos: facilidades, apadrinhamentos e/ou nepotismo. O filho do pobre ou do remediado tem que ter as mesmas condições que o filho do rico. Mas os resultados, a partir de mecanismos perfeitamente meritocráticos, não podem ser controlados. Pois se, entre os maiores corredores olímpicos, africanos e jamaicanos continuarem a dominar o topo deste esporte, é preciso aceitar a sua supremacia. E o mesmo vale para as outras áreas, além do velocismo: no mundo burocrático, das ciências, das artes e o político. É verdade que é necessário ter mais personagens, estórias e artistas de grupos marginalizados ou historicamente oprimidos. Princesas negras, heróis LGBT e deficientes com protagonismo... Mas os criadores também precisam ter a liberdade criativa de escolher. Sem cotas de representatividade, por favor!  


Com amor, razão.

domingo, 2 de abril de 2023

Porque eu gosto da infância

 Dos desenhos, dos filmes, dos programas e das estórias de criança, de brincar, da leveza, da inocência... de me sentir como o menino que eu fui um dia, de nunca esquecê-lo. Mesmo, agora, na casa dos 30, apesar de pensar como se já tivesse uns 80. Porque eu sempre penso na minha mortalidade, no destino de todos nós. Por isso eu sempre volto no tempo em que a eternidade parecia possível. Em que não sentia o peso de estar vivo. Da época em que a energia é tão pura e intensa, quando tudo é intuição e entusiasmo. É por isso que eu sempre procuro, mais que relembrar, vivê-la todos os dias. Não mais que um vício, um sacramento. Para nunca acordar como um adulto demasiado frio e pragmático. Pra nunca acordar com uma máscara de maturidade, vestido de mentira da cabeça aos pés. E perder o amor às pequenas alegrias e ao mundo mágico da imaginação. Pra nunca perder essa fé na vida que apenas as crianças têm. 

segunda-feira, 20 de março de 2023

Um "finlandês" no meio do Brasil

 Eu sou tão honesto quanto um habitante de Helsinki. Eu acredito, eu confio na palavra das pessoas, mesmo desconfiando. Mas eu vivo em um purgatório chamado Brasil, terra da  malandragem e da falta de compromisso. Da falta de respeito e do egoísmo com um sorriso no rosto e samba no pé. 


Eu sou como um escandinavo que caiu de paraquedas no meio de um país tropical, abençoado por deus e bonito por natureza. Só não especificaram qual Deus. O diabo era um anjo, mas faltou pouco para subir de categoria.

Eu só sei que o meu temperamento é mais parecido com o de um norueguês, e penso se culpo o meu sangue português. Ou se foram as minhas mutações maternas que deram o toque final na minha receita atípica. Se eu "tenho" algum ismo ou se é só uma intolerância com a mulambice brazuca. 

Eu só sei que quando ando nas ruas me sinto um eterno estrangeiro, um astronauta que não consegue respirar a mesma atmosfera que os locais, que estranha os seus comportamentos, que não entende a língua que falam ...

Eu só sei que os finlandeses não gostam de esbanjar e de esbanjadores, assim como eu. Que gostam de privacidade e igualdade, assim como eu. Que gostam da natureza, do silêncio, que são mais melancólicos... Só faltou eu ter olhos azuis e cabelos loiros.

Por que eu comecei a escrever? Por que eu escrevo?

 Porque eu sentia uma grande necessidade de me expressar, de ser ouvido, de mostrar às pessoas o que eu tinha para dizer, que eu acreditava que não era um "mais do mesmo", que era inovador e muito importante ou necessário. Então, veio o medo da decepção, da condenação e da incompreensão. E a posterior confirmação das minhas suspeitas.


Hoje, eu escrevo pelas mesmas razões que do início. Mas hoje eu também percebo que escrever alimenta a minha inquietude e o meu orgulho de quando eu consigo compreender melhor um tópico, apresentar uma nova maneira de pensar e de mostrar minhas poesias ao mundo. 

Hoje eu escrevo pensando em deixar um legado, independente se só interessar a mim mesmo. Eu escrevo e isso me dá uma sensação de dever cumprido. De estar conseguindo materializar meus pensamentos, minhas ideias, observações e experiências emotivas. 

sábado, 18 de março de 2023

O lado bom

 Era pra ser só mais uma caminhada, como tantas outras. O fim de tarde estava quente e um pouco desagradável. Então, eu comecei a andar pelo mesmo caminho, de árvores e morros. E junto, comigo, os mesmos pensamentos negativos: de tristeza, decepção e falta de perspectiva que a minha vida tomou. Esperei as cinco horas passarem e o céu revelou as últimas cores do dia. Um lindo pôr do sol, que prendeu a minha atenção sem que pudesse fazer mais nada, apenas testemunhá-lo, agradecendo por aquele momento tão sereno e mágico. Foi a partir desses poucos minutos de contemplação que eu interrompi o meu ciclo vicioso de neuroses e, com muita clareza, reconheci o lado bom da minha vida. De saber dos amigos verdadeiros, dessas vivências de profunda conexão, das alegrias que já vivi e das novas que virão. Das "pequenas coisas" que são sempre as mais importantes. Eu percebi que não está tudo acabado pra mim. 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

Ser "millenial" tá foda

 Eu não acredito que todos os que nasceram na mesma época que a minha apresentam os mesmos comportamentos ou tendências. Mas eu acredito que muitos colegas da minha geração têm as mesmas ânsias, esperanças e decepções, especialmente em relação ao mundo atual, nesse ano de 2023 em que escrevo. Porque crescemos acreditando que, "graças" ao Capitão Planeta, veríamos um aumento considerável da conscientização ecológica; ao Chaves e Chapolim, presenciaríamos uma melhoria significativa nas condições sociais e na justiça; ao Beakman, viveríamos uma diminuição em crenças irracionais e na pseudociência; aos Cavaleiros do Zodíaco, testemunharíamos a derrota do mal... 


Porque nascemos em um mundo sem guerra fria, com promessa de prosperidade econômica, direitos humanos, compaixão, sustentabilidade e avanço da tecnologia...

Especialmente nós, que nascemos no lado mais "ocidental" do globo terrestre. 

Porque fomos expostos a essas mensagens positivas dos anos 90, apenas para chegarmos nesse mundo de retrocessos ao que dávamos como seguro e certo...

terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

Realmente, não importa...

 ... se é o toxoplasma, a sociedade, o capitalismo, a genética ou a poluição que determina quem eu sou ou como me comporto, porque eu aceitei a realidade da finitude, singularidade e igualdade da vida, e aprendi que o mais importante de tudo é o viver, se com a ajuda de quem ou do que for. Eu aceitei a aridez da existência e a melancolia intrínseca da vida e aprendi que não há nada mais sério que o desafio e o compromisso de viver.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023

"O espião"

"A pequena espiã" e a sina do observador-escritor 

Me lembro de um filme dos anos 90, de quando eu era criança e adorava assistir, que se trata de uma menina que começa a escrever um diário, passando a anotar tudo o que percebe e sente de sua vida e dos outros, se considerando uma espiã, ou repórter, sempre curiosa e atenta. Então, em um certo dia, sua maior inimiga na escola, uma garota rica e esnobe, consegue roubar seu diário, passando a lê-lo na frente dos seus colegas, revelando até os seus pensamentos mais proibidos. Então, eles se voltam contra ela, que passa a sofrer "bullying" como reação ao que escreveu, por exemplo, debochando sobre a condição social precária do pai do seu melhor amigo e sobre seu temor de que sua melhor amiga enlouqueça por ser tão obcecada em fazer experimentos científicos. No final, tudo se resolve e ela consegue reconquistar suas amizades. 

Pois hoje, eu me sinto tal como essa garota, como um espião que observa e anota tudo o que pensa, se em algum rascunho de email ou na cabeça, sobre a (minha) vida e a dos outros. E se não tenho exatamente um diário com informações bem pessoais e possivelmente comprometedoras, eu já escrevi e publiquei, de maneira indireta, críticas a opiniões, posicionamentos e atitudes de amigos e conhecidos, sem citar nomes. Por isso, eu temo que, em um certo dia, algum deles venha a perder seu tempo lendo o que escrevi e se ofenda profundamente com algum texto ou pensamento meu, já que não perdoo quase ninguém, se grego ou troiano, jacobino ou girondino...