Ecologicamente falando, se entende como uma relação de parasitismo quando uma espécie domina, zumbifica ou engana outra para o próprio proveito. Por isso que, quando uma espécie de vespa se torna especialista, ao longo de sua trajetória evolutiva, em usar colônias de formigas para o seu próprio desenvolvimento orgânico, sem que exista qualquer benefício para as hospedeiras (pelo contrário), isso é imediatamente reconhecido como uma relação parasitária. Mas então também temos as próprias colônias coletivistas de insetos, e também de outras categorias de seres vivos, como os humanos, em que, mesmo que não exista uma relação como essa entre espécies diferentes, ainda existe a mesma estrutura de poder ou domínio e de submissão e sacrifício, só que acontece entre classes diferentes dentro de uma mesma espécie, e que tem como principais vítimas, as classes evolutivamente submetidas a se sacrificarem em prol do coletivo ao qual pertencem, e ultimamente, o próprio indivíduo, a individualidade em si. Só que ela, por ser aparentemente muito mais nominal em espécies sociais não-humanas, até pelo nível individual muito baixo de inteligência ou consciência e percepção sobre a realidade se comparado com a nossa, sua perda ou ausência não é sentida, mais apenas por nós, que a temos, diga-se, variavelmente falando... Então, quanto a essa capacidade muito básica de reconhecer riscos ou perigos, a racionalidade humana em seus níveis mais altos se consistiria em uma grande extensão desta capacidade e isso poderia ser considerado uma vantagem indiscutível. Mas eis que aparece e persiste um grande paradoxo em que, se adaptar muitas vezes significa se sacrificar sem saber ou sem ter plena consciência do que está fazendo, justamente o oposto da inteligência humana adaptativa e evolutiva em sua máxima expressão, que é a racionalidade... Outro sinônimo comum à adaptação é a compatibilidade: mais uma questão de sorte do que de capacidade pura de se adaptar, também no sentido humano de "capacidade consciente de compreender o meio em que se encontra e se ajustar ao mesmo de maneira segura e proveitosa". Pois se para as espécies não-humanas, essa "capacidade plenamente consciente" se encontra praticamente inexistente ou inalcançável, mesmo para a espécie mais inteligente, encontra-se muito mais variável do que seguramente distribuída.
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