segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Perguntas deprimentes sobre certos padrões extremamente seletivos de indignação ou comoção

 Um monte de pessoas "de esquerda" se revoltando contra o "caso Orelha", o pobre cachorrinho de rua que foi brutalmente atacado por delinquentes juvenis em Florianópolis....


Mas será que, então, da noite para o dia, ficaram a favor da redução da maioridade penal??? 

Sim, porque eles sempre foram a favor de que isso nunca acontecesse....

E eu penso também: e se os "garotos" responsáveis por esse crime não fossem brancos e ricos de Satã Catarina, mas negros e pobres de algum estado nordestino?? Será que essa indignação, particularmente desse grupo, seria muito diferente?? 

Interessante pensar que, de acordo com algumas pesquisas científicas (sérias) sobre crueldade animal, pelo menos nos EUA, o perfil mais comum de indivíduos que praticam tal ato não é o mesmo que dos delinquentes juvenis do caso Orelha. E se não existe esse tipo de pesquisa disponível no Brasil, é possível extrapolar essa mesma tendência a partir dos padrões raciais de criminalidade, que são basicamente os mesmos aqui em relação aos dos EUA...

É lógico e evidente que a "esquerda" jamais lançaria campanhas direcionadas aos grupos mais propensos a esse tipo de crueldade, pois seria "muito politicamente incorreto" pra ela...

(Resumo

Objetivo

Examinar os correlatos sociodemográficos, comportamentais e psiquiátricos da crueldade contra animais nos EUA.

Materiais e Métodos

Os dados foram derivados de uma amostra nacionalmente representativa de adultos residentes nos EUA. Entrevistas psiquiátricas estruturadas (N = 43.093) foram realizadas por entrevistadores leigos treinados entre 2001 e 2002. Transtornos de personalidade, uso de substâncias, humor e ansiedade, além da crueldade contra animais, foram avaliados com a versão do Alcohol Use Disorder and Associated Disabilities Interview Schedule (DSM-IV).

Resultados

A prevalência vitalícia (ao longo da vida) de crueldade contra animais em adultos nos EUA foi de 1,8%. Homens, afro-americanos, nativos americanos/asiáticos, americanos nativos (nascidos no país), pessoas com níveis mais baixos de renda e escolaridade e adultos que vivem na região oeste dos EUA relataram níveis comparativamente altos de crueldade contra animais, enquanto os hispânicos relataram níveis comparativamente baixos de tal comportamento. A crueldade contra animais foi significativamente associada a todos os comportamentos antissociais avaliados. Análises ajustadas revelaram fortes associações entre transtornos pelo uso de álcool ao longo da vida, transtorno de conduta, transtornos de personalidade antissocial, obsessivo-compulsivo e histriônico, jogo patológico, histórico familiar de comportamento antissocial e crueldade contra animais.

https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC2792040/)

São perguntas deprimentes, porque eu sei as respostas, igualmente deprimentes, se muito provavelmente, a reação dessas pessoas seria bem distinta da que têm sido, já que elas estão sempre demonstrando uma seletividade extrema de indignação ou comoção, sempre com base no contexto político-ideológico, e não pelo contexto moral, como se a básica empatia não bastasse para ficar ao lado da vítima. O tipo de seletividade extrema que me faz concluir que, independente se a pessoa escolhe a tragédia para se indignar de caso friamente pensado ou o oposto, tomada por um inducionismo ideológico-emotivo, a própria atitude já expressa um desvio de caráter evidente.

(Mais um caso em que a "esquerda" dificilmente se indignaria por causa dos perfis dos envolvidos: em Campo Grande, um homem que havia acabado de sair de uma cirurgia na córnea que devolveu sua visão, depois de esperar por dois anos, foi espancado por um mendigo, não-branco e violento, por nada, e isso resultou na perda/potencialmente irreversível de sua visão...

''Homem é suspeito de cometer agressões violentas e reiteradas na mesma região. Ele é uma pessoa em situação de rua e já é conhecido por ter um comportamento agressivo. Levantamentos realizados pela Polícia Civil indicam que ele tem ao menos sete registros policiais anteriores pelo mesmo tipo de crime, todos com características semelhantes…''

https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2026/01/27/homem-perde-visao-apos-soco.htm).